sexta-feira, outubro 28, 2011

Peso Pesado e a Filosofia Ocidental

Malta,

Urge dizer-vos que tenho visto o Peso Pesado (e também a Casa dos Segredos ocasionalmente, mas isso não é para contar a ninguém) (e ficará para outro post).

Tenho uma colega de faculdade nessa Herdade, a gorducha Marta (simpática mesmo), e ontem eu e o Pedro voltámos a espreitar o programa.

E chegámos a uma conclusão. Amo o Pedro e fomos feitos um para o outro.

Com efeito, após uma altercação lá na Herdade não sei bem com o quê, ouvimos o gordo Alfredo que pesa 200kg a gritar,

(sendo que um outro lhe disse em plena discussão "tens 200kg mas não me assustas" e eu e Pedro ao mesmo tempo "f...não te assustas mas devias! ")

E foi aí que tivemos, ao mesmo tempo, uma epifania. Ao ouvir o gordinho Alfredo, de 200kg, na mais completa indignação e fúria, olhámos um para o outro e dissemos ao mesmo tempo:

"Roto!".

Ao mesmo tempo! O amor é tão cúmplice...

Após a constatação que o Alfredo é gay ( e acho muito bem, a genitália masculina é amorosa), o Pedro, que é um filósofo conceptual e gosta de analisar tudo ao pormenor, após um período de breve reflexão afirmou:

"Se o Alfredo for passivo, garanto-te que é frustrado."

"Porquê?"

"Porque com 200kgs acredita que é preciso mais de meio metro de piça para lhe atravessar aquelas bordas do cu". "E olha que meio metro não é fácil de arranjar. E eu não posso lá ir porque não sou roto".

Reitero o meu amor por Pedro,

Esse grande homem que prioriza o seu olhar sobre a condição humana e a retrata magistralmente.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Auto-avaliação: nota 5 (0/5)

Só uma pequena anotação da última conversa que tive com o meu irmão:

- Então minha grande besta , vais para esses países medonhos russos e bielo-russos, mesmo tendo visto o Hostel 1 e 2?

- E... que queres dizer com isso?

- Não tens receio de ir para esses motéis sinistros, em que dormes em quartos de 15 pessoas, a pagar €3,50 ? Uma espécie de ameaça velada que paira sobre ti durante a noite?

- E por que razão teria medo?

- ...Não tens medo de ir parar a uma camarata com seres tipo, hum... clinicamente perversos? Psicopatas, psicotrópicos e afins? Pessoas de quem deverias ter medo, muito medo!


O meu irmão sorriu e lançou-me um olhar sobranceiro.


- Susana. minha grande estúpida:

EU SOU A PESSOA ESQUISITA DE QUEM OS OUTROS 14 DEVEM TER MEDO.

Nunca fui calada com tanta propriedade. Nuno, os meus sinceros parabéns.



quarta-feira, agosto 31, 2011

Nuno, A Derradeira Ilusão de Óptica .





Olá. Este é o meu irmão Nuno, já tão amplamente denegrido neste blogue (e rádio comercial).

O meu irmão Nuno, como bem sabe quem o conhece, é um grandessíssimo chulo. Como Judas seboso que frontalmente se assume, faz mil e um negócios, engana-me sempre que pode ( e eu deixo sempre enganar-me), conseguindo safar-se SEMPRE MAS SEMPRE MESMO de qualquer situação, gozando a vida como um verdadeiro lorde inglês.

No fundo é um bode ranhoso (mas é o meu irmãozinho de quem gosto tanto).

Agora, atentem:

Eu este ano fui passear a Monsaraz e a Dornes.
O meu irmão foi à Rússia.
O ano passado fui ao Funchal.
O meu irmão foi à Las Vegas, México e Califórnia.

Nessa medida, e no seguimento do post infra, tenho-vos a dizer que o meu irmão, ao invés do famigerado tio do namorado Maxo-Pila é, oficialmente,

A ÚLTIMA MATRIOSKA (Mini-Pila), ao contrário do que a sua foto (tirada em Moscovo) sugere!

Aquietem os vossos corações preocupados. Sei por fonte segura que ele não lê este blogue (hihihi)

PS-Pedro, adorei as nossas férias



sexta-feira, agosto 19, 2011

Sorte da tia

Escrevo-vos este post atraves de um irritante teclado espanhol, pelo que o mesmo seguira sem qualquer acentuacao e a pontuacao falhou a meio (desisti.Reconheco a superioridade intelectual deste computador e ja nao estou para me aborrecer mais)

A proposito de um atleta afro-americano do Belenenses gigante que conheci, aflorei a conversa mais batida do mundo:

Eu: coitadas das coreanas, aquilo para fazer filhos deve ser triste. Falo com as mulheres dos meus clientes, olha que as sao tomenses ate saltam.
Ele: dizem isso dos africanos, mas olha que o meu tio V.... tem ca uma destas pilas
Eu : a serio? estou chocada, ele ate e um bocado caga tacos, pequenino
Ele: eu sei, mas tem um pilao que so visto
Eu: mas como e que tu sabes?
Ele: jogamos futebol e estamos nos balnearios

Matuto. O tio dele realmente nao e nada alto e aquilo faz-me especie.

Eu: mas olha la, quer dizer, pila grande, mas pila grande tipo o que?

Ele reflecte alguns segundos, perspegando os olhos no tecto.

Ele: Hum... Estas a ver as Matrioskas?
Eu (nao muito segura de perceber aquilo que ele vai dizer) sim... que tem?
Ele: Bem... Digamos que ... Olha, imagina que existia uma Matrioska de Pilas,

Silencio

Ele: Estas a imaginar ou nao
Eu: sim...
Ele: Entao digamos que na formula das Matrioska de Pilas, a do meu tio seria a do exterior.

Desatei-me a rir.

Ainda tive o discernimento para lhe perguntar qual seria a dele, e ele a hombridade de confessar que estaria là pelos meios.

Quando voltei a cumprimentar o senhor quinquagenario, fi=lo com todo um outro respeito.

quinta-feira, agosto 18, 2011

A importância de ser-se Susana

Depois de me ter queixado da falta e saudades do meu seio familiar, chegou a vez, em boa consciência, de me vangloriar da importância da minha presença nessa mesma casa e escrever aqui, em letras garrafais, que acho UM PERFEITO ESCÂNDALO NINGUÉM CHORAR A MINHA AUSÊNCIA!

Fá-lo-ei em breves linhas:

1 - A minha velha cadela Yupi (17 anos), andava com uma comichão doida na boca, escafiando violentamente os seus bigodes e já tendo inclusive uma ferida (situação comentada telefonicamente pela minha mãe).

2- A minha mãe volta-me a ligar e reporta-me orgulhosa e freneticamente que o lambão do veterinário queria cobrar-lhe 30 euros para observar o cão , mas ela foi muito mais esperta e dirigiu-se à loja das rações dos animais.

eu fico calada a ouvir o seguimento do monólogo

3- Depois, a minha mãe diz-me que a senhora das rações a informou que aquela ferida derivava certamente das gânfias do animal, e que, naturalmente, as devia cortar e na ferida aplicar uma pomada de bactericida que aquilo passava rápido. Aconselhou-a ainda a comprar o amoroso abajour para cabeças de cão (os chamados colares isabelinos). A minha mãe declina educadamente dizendo que o meu pai faria um.

4 - Custo do incidente canino: 5 euros pela pomadinha (o meu pai fez literalmente um abajour de um garrafão de azeite e prendeu-o com um atacador) . Mãe orgulhosa desliga o telefonema ainda a blafesmar contra o judeu do veterinário.

5 - Mãe volta a ligar, ligeiramente preocupada, dizendo que o cão andava um pouco abatido, mas que devia ser da vergonha do abajour (o facto de ser uma anciã dá-lhe um certo estatuto nos cães cá da rua).

6 - Mãe liga no dia seguinte, aflorando o isolamento persistente do cão, e mencionando, inclusive, o aspecto um pouco fungoso (palavras dela) da ferida.

6 - Vou finalmente a casa.

7 - O cão tem, objectivamente, metade da cara podre.

8 - Histérica, obrigo-a a ir ao veterinário.

9 - Cão sujeito imediatamente a intervenção cirúrgica no Hospital Veterinário do Restelo, para extirpação de um abcesso de um dente que já lhe estava a carcomer as entranhas.

10 - Custo total do incidente: 350 euros da cirurgia, mais 50 de consultas, mais 45 de medicamentos, mais os 5 da pomada da estúpida da mulher das rações.

11 - Ri-me sadicamente para a minha mãe. Tudo teria sido evitado se eu estivesse em cssa porque, aparentemente, eu sou a única pessoa normal que nela habitava. Ter-se-ia pago a consulta inicial do veterinário (30 euros), que facilmente lhe administraria um antibiótico e anti-inflamatório.

Percebo no olhar da Yupi que ficou muito fragilizada com a situação. Não pela ferida (mais focinho, menos focinho, tanto se lhe dá). Mas pela facto da minha mãe, no fundo, a sua mãe também!, não só ser uma grande avara como completa e absolutamente alienada.

Faltava lá eu e todos reconheceram a preciosidade da minha presença. Acho que a minha existência terrena é, simplesmente, um profundo milagre.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Salsicha e a Prostituição nos motores de busca mais incompetentes do mundo

Estando hoje imbuída do maior espírito inquisidor, resolvi investigar melhor este blogue e descobri uma opção que diz: ESTATÍSTICAS.

Logo ali se me deparou uma parafernália de opções para eu perceber quem lê, por que lê, como chega aqui, entre outras coisas que não consegui perceber muito bem...

Agora, os agradecimentos cá do fundo: piston do meu coração, a maçã de eva e o desassossego.

A seguir, um TERRORISMO SOCIAL que nunca pensei vivenciar:

Para se chegar à salsicha girl, a maior parte dos curiosos vem pelo "salsicha não te desgraces" (normal, julgo).

Logo a seguir, em 2.º lugar, vem um sugestivo "como ser prostituta" e, num honroso 7.º lugar, ex-aequo com "odeio a bimby", aparece um adorável"como se tornar prostituta"!

(Penso que é interessante analisar como as pessoas distinguem o pormenor de ser-se prostituta e a de se tornar prostituta. É reconfortante perceber que as pessoas não se sentem logo umas porcas, ao invés, tentam antes descortinar todas as vertentes prostíbulas que se lhes apresentam. Meretrizes cautelosas, no fundo. Ou lenocidas prudentes(lenocinas? o código penal não lhes dá nome).

Dirijo-me agora à horda de gente esquisita que cá vem inadvertidamente parar: não sei por que motivo o motor de busca vos trouxe a mim, e que espécie de circuitos sexuais é que frequentam.

Não tenho nada de concreto para vos ensinar, a não ser que, ainda assim, Jesus vos ama.
E que ser-se prostituta não é, efectivamente, crime. Mas fazer-se massagens prostáticas a 20 euros quase que juro que é. Absolutamente lamentável.

Quero a minha querida Mãe. MÃE. MÃE. MÃE.

É verdade, não tenho escrito. A minha vida mudou e, em agradecimento aos inúmeros comentários (na sua grande maioria carinhosos insultos), vejo-me na contigência e, afinal, grande prazer, de partilhar convosco o meu último ano. Perceberão assim, espero, o porquê de me ser cientificamente impossível escrever neste blogue e se mereço ou não a vossa total compreensão.

Exemplo aleatório de 2 episódios domésticos (dos mais de 20 que detenho), que me fazem exaurir mentalmente:

1.º episódio)
Ele chega a casa. Vai tirar um iogurte ao frigorífico mas aquieta-se à porta deste.
- O que é isto? - ri-se ele a olhar de esguelha para mim
- O quê - respondo eu com ar abstraído, enquanto limpo discretamente a nhanha de melancia que esparramei pela centésima vez na mesa, com a ponta da minha echarpe.
- Bem, este post-it bastante ilustrativo que diz (pigarreia): "Base de sopa: cebola, água, cenoura, batata. Cozer em água 20 minutos e esmigalhar. Rechear com agriões, espinafres ou couves. Só no fim.".

Nem soube muito bem o que dizer. Já estudei muito, adoro ler, e tenho uma excelente memória. Mas bolas, antes fazer um tutorial de como resolver um cubo de rubik do que o flagelo de permanecer numa cozinha mais do que 3 minutos (tempo que considero estritamente necessário para compor uma sande de fiambre e um iogurte açucarado num tabuleiro e desandar dali o mais rápido possível).

E para quem se está a interrogar neste momento: sim, sempre que preciso de fazer uma sopa necessito de ir ao youtube, digitar "fazer sopa" (melhor site do mundo: SABORINTENSO - obrigada Neuza, és linda) e ir pondo no pause à medida que o vídeo avança, saltitando entre o fogão e o laptop. E sim, NÓS NAMORAMOS, somos muito felizes e sublinho que faço maravilhas noutras coisas.

2.º episódio - dos tais 20 Deus meu)
Abro o cesto de roupa suja para pôr as farpelas do menino a lavar (o que me dobra a responsabilidade por não ser roupa minha) e deparo-me com um cenário medonho. Calções cremes com riscas azuis escuras; boxers brancos com um boneco da Sininho verde fluorescente; t-shirt bege com uns desenhos com toda a tabela de cores existentes no mundo inteiro e não estou a exagerar.

Estou sozinha em casa, sinto-me perdida e faço a única coisa que uma menina criada a compotas de morango e um milhão de beijinhos tem que fazer: começar a chorar copiosamente e ligar para o telemóvel da mãe.

Felizmente tudo se resolve. Por entre soluços, vou escolhendo os dois montinhos de roupa de cor e roupa branca conforme as indicações dela - não só nada convencida daquilo que faço, como completamente chocada por pôr as minhas preciosas cuecas cor de salmão no monte de roupa branca (tipo, não é máquina de roupa branca e máquina de roupa com cores??? é só impressão minha ou o salmão, o turquesa e o cinzento são efectivamente CORES ? Até fico confusa a tentar explicar isto, imagine-se o tumulto de EFECTIVAMENTE COLOCAR A ROUPA NA MÁQUINA!)

Eu sei que isto passa. Que um dia farei isto de olhos vendados, com uma perna às costas, dobrada ao meio, a esticar o cabelo e a fumar um cigarrinho. Mas, acreditem - enquanto isso não acontece (tipo saber seleccionar a mais brilhosa hortaliça ou o melhor espadarte fumado) sinto-me, oficialmente, um triste espectáculo.

Repito: faço outras maravilhas.

sábado, abril 16, 2011

Quantas vergonhas explanadas ao longo destes 6 anos de blogue? Inúmeras. Maior que esta? Nenhuma.

Não sou de criar intrigas, mas a problemática de praticamente vivermos com uma pessoa, na casa dela, passa unicamente pela seguinte questão: Como, pelo santo amor de Deus, mas como é que vocês conseguem utilizar descansada e relaxadamente uma sanita que não é e nunca foi nossa?


E refiro-me concretamente ao acto de defecar, vulgo fazer um cocó. (Acho realmente horrendo não escrever no blogue há meses e depois vir com esta conversa, mas acreditem que foi ela mesmo que me conseguiu fazer sentar neste computador e desabafar).

E agora, o horror social do ano: Susana vive então 6 dias por semana numa casa. E um dia por semana na sua própria casa. Susana não faz cocó durante 6 dias, porque no escritório não consegue, trabalham lá 15 pessoas. Então, Susana carrega diariamente no ventre um pequeno ser, que dá à luz sempre que dorme na sua própria casa.

Até que um dia, enche-se de coragem, e, na casa que não é sua mas que estava vazia, baixa as calças e faz um firme e bojudo cocó. E vai trabalhar, feliz por ter ultrapassado este obstáculo.

À noite ao telefone:


Ele: Então, hã, os meus parabéns!


Eu - Hein?


Ele: Fui à casa de banho e na sanita estava lá um floater a olhar para mim!


Eu (silêncio)


Ele: A sério, aquilo saiu mesmo de dentro ti?!


Eu (estado de choque)


Ele: O gajo era rijo hã?! Se tu visses como ele lutou pela vida!


Eu (horrorizada)


Ele: Olha que só o consegui partir pela espinha com duas descargas do autoclismo..


Eu: OK! JÁ PERCEBI A IDEIA!!!!


Ele: A sério, fico muito feliz por já cagares cá em casa!


Depois dos meus pruridos todos em fazer cocó, vou lá e sem qualquer pejo faço um de tal maneira, que flutua e rodopia durante 8 horas, nunca cedendo à morte precisando de mais duas descargas para desaparecer sanita adentro!

Voltei a carregar no ventre o meu progressivo alien.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Fui Mãe Natal. Duvido que volte a sê-lo.

(Post atrasado, mas muito sentido)

Dia 20 de Dezembro, fui com a minha associação distribuir umas prendinhas aos miúdos lá de um bairro. Naturalmente, recusei-me vestir de homem (Pai Natal) e optei pela versão feminina de Mãe Natal, de decote e casaco cintado, que sempre fui gaja de muito brio e sexyness - embora com umas calças vermelhas 44 h-o-r-r-í-v-e-i-s.

Finda a noite, prendas e cabazes entregues, suada mas feliz, apercebi-me que um velho absolutamente caquético acabara de cair de umas escadas abaixo e por aí ficara assustadoramente inerte, olhos revirados e língua dependurada.

Corri para ele o melhor que as calças 44 mo permitiam e esbofetei-o até revirar novamente os olhos a uma posição considerada relativamente normal (acho que se ele não ia morrendo do trambolhão ia morrendo da minha manobra de reanimação).

"ONDE MORA?! RÁPIDO!" - exclamei aterrorizada antes que ele morresse e eu ficasse em braços com um cadáver por identificar.

"terceiro c" - titubeou o velho mais velho que eu jamais havia visto na minha vida (acho que os cabo-verdianos duram todos claramente mais de 110 anos)

Subi ao 3.º c à velocidade da luz e toquei à porta.

Duas crianças abrem-me a porta. Primeiro, o pasmo silencioso. Depois, a felicidade espelhada nos rostos:

"AHHHHHHHHHH, É A MÃE NATALLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PRENDAAAAAAAASSSSSSSSSS!!"; " E O PAI NATAL?!" "PAI NATALLLLL!!!" - perguntam eles tentanto gulosamente espreitar por detrás de mim.

É realmente aflitivo. Os impacientes dos petizes saltitam e saltitam, e aparece um irmão mais novo, que por sua vez embala um outro ainda mais novo e todos batem palmas, e derretem-se em efusiva alegria até que eu tenho mesmo que avisar:

- hum... meus queridos, oiçam-me, os paizinhos estão?

- SIM!!!! SIM!!! MÃE NATAL!!!! PRENDAS!!!

-Então digam-lhes que... hum.. digam que caiu para ali um velho das escadas abaixo e deve ser o vosso avô, bisavô, ou coisa do género. Digam aos pais que é melhor irem lá abaixo ´tá? - explico eu enquanto arregaço as calças e preparo-me para fugir escada abaixo, mas com cuidado que o piso estava realmente escorregadio. E é o que faço, não sem antes me aperceber da choradeira crioula que já havia contagiado o prédio inteiro.

O homem sobreviveu (parece que tinha ido à rua fazer um chichi. Credo, é esta a famigerada sabedoria da Velhice?).

E eu fui, orgulhosamente e sem margem para dúvidas, no ano de 2010 a pior Mãe Natal de que há memória, sem saco de prendas e, pior, sem qualquer sensibilidade feminina para dar más/péssimas notícias.

Assim sou eu. Ansiosa pela quadra natalícia de 2011 ;)

quarta-feira, outubro 27, 2010

O caranguejo toxicodependente que lia clássicos franceses

Eu sei que era suposto falar da Madeira, parte II, mas voos mais nobres se levantam:

Eu e J, em julgamento de um recluso preso por nem sei quantas toneladas de crimes, e a responder, invariavelmente, por mais uns quantos. Na realidade, já iamos a rir no corredor antevendo os bons momentos que irira constituir aquela audiência de julgamento - (muito compungidos, no entanto, dada a dignidade da profissão e do cidadão se condói com a realidade do mundo do crime ).

E por que riamos nós? É que este senhor é, provavelmente taco a taco com a traveca, o cliente mais interessante e curioso que eu tenho. Vejamos: - toxicodependente há 25 anos, portador da doença bipolar, anarquista, ferrador de cavalos nos tempos livres, surdo de um ouvido mas técnico de som, cego de um olho mas tatuador profissional,fala 5 línguas, filho de um ex-embaixador, lê Émile Zola - "mas tenho uma preferência pelos escritores bizantinos" (medo!!), enfim, este julgamento por furtos simples prometia.

Pérolas avulsas:

(Explicando que tinha sido detido por populares furibundos à porta de um Pingo Doce)" Meretíssima, eu juro, eles atiraram-se a mim e eram à vontade mais de 15! Caí ao chão, placaram-me e eu fiquei para ali...olhe, eu fiquei para ali que nem um.. olhe, que nem um caranguejo de pinças para o ar! (contenho o riso visualizando a cena e nem posso olhar para o J);

"Meretíssima, palavra de honra, quando ouvi o carro da polícia... Meretíssima... eu juro por tudo quanto é sagrado, nunca em toda a minha vida me senti tão aliviado!" (Mais uma vez nem posso olhar para o J, e felizmente ele não me vê. Só o oiço num riso fininho tentando não se engasgar).

E para terminar (questionado acerca do seu arrependimento ): "Se estou arrependido?! Meretíssima, estou preso há já 1 ano e o que eu queria mesmo era, com o devido respeito e perdoe-me a expressão, era mas é fazer uma data de bebés com a minha mulher... Eu sei lá..., sei lá, uns 20 ou 30! "

Su e J deslizam cadeira abaixo a rir que nens uns perdidos, perante a simbólica mas pungente expressão "fazer uma data de bebés", já nem querendo saber com quem e muito menos a quantidade exacta!! Bem, bebés bebés, só se for com as pacientes do hospital psiquiátrico. Conseguimos o internamento em vez de pena de prisão. Duo Broa de Mel no seu melhor.

terça-feira, outubro 19, 2010

A Madeira, a UNESCO, e os Parvos Parte I

O meu sonho de criança foi desde sempre ir à Madeira. Nomeadamente visitar o Curral das Freiras e floresta Laurissilva, grande e glorioso património da Humanidade (bem, criança talvez não, apontemos talvez para os 26/27 . 28 no máximo. tenho 30. buáá).

Bem, este Verão fui então com uns amigos para o Funchal durante uma semana. Depois de ultrapassada a eterna questão de sempre - descolagem e aterragem em absoluto estado de pânico, aos murros e convulsões contra os assentos do avião e companheiros de viagem (sim, aviãofóbica, e então?);

fiz a voltinha recomendada: comi bolo do caco, vomitei-me nos teleféricos, bebi poncha e brisas até não apertar o cinto, abarrotei-me de bolos de mel, fiz amizade com baratas voadoras absolutamente gigantescas, beijei de língua todas as bandeirolas, cartazes, porta-chaves e t-shirts com o corpo do Cristiano (enfim, o normal) e passei,

juntamente com o ignorante do Nelson, a chamada grande, grande vergonha social:

Susana e Nelson, felicíssimos em terras de Bartolomeu Perestrelo e entretidos no comércio de rua: Muito bom dia, se faz favor, quanto custa este Caralhete ?

Vendedor de meia-idade (ligeiramente intrigado): Nâm pêrcebéi, éste quéé?

Nelson - em alto e bom som, para o senhor perceber o seu sotaque continental, referindo-se ao instrumento musical dos bonequinhos de pau adornados com trajes da região:

(Susana ficou desta vez calada, antevendo possível engano)

- Muito bom dia, se faz favor, quanto custa este C-A-R-A-L-H-E-T-E? - soletrou ele, enquanto apontava de dedo em riste e sorriso franco e aberto para os ditos bonequinhos.

Vendedor (revoltado até às entranhas): QUÉE??!!!! ÊSTE É ÂM BRÂMQUEINHE!!(Brinquinho) ÃM BRAMQUEINHE!! - SEI DAQUEI MÁLCRIADE! !! uivou ele, enquanto nos tentava acertar (maldosamente, mesmo!) com um Brinquinho, que de brinquinho não tinha nada, mais parecia um gigantesco mastro vertical com uma colónia de duendes a acasalar.

Enfim, quero crer que um amigo mais humorizado do Nelson o tenha enganado e, ele, inadvertidamente, nos tenha enganado a nós. Só sei que mal tivemos tempo de fugir colina abaixo (ultrapassando os carrinhos de cestos que, pelos vistos, atingem a alucinante velocidade de 0.02 km/hora).

Bonito, logo no 1.º dia na cidade do Funchal e já estávamos marcados por um comerciante andropáusico com objectos fálicos perfurantes na mão e uma vontade doida de nos sovar.

A viagem ao arquipélago prometia. ..E prometeu, conforme desfecho idiótico que seguirá oportunamente em brevíssimo post II (juro).

P-S- Um grande beijo para as senhoras da Biblioteca da UAL que parece que me lêem. Mistérios insondáveis, não os questiono.

domingo, setembro 12, 2010

30 anos e 20 dias

Como escrevinhei para aqui algures, depois de vir de férias escreveria com a regularidade desejada, quer por vocês, pacientes leitores, quer por mim própria, que criei o Salsicha com tanto amor e carinho num dia de estágio completamente desesperante, no ano de 2005.

5 anos depois, reflicto (respiro fundo, fecho os olhos suavemente, abro-os novamente, a realidade é crua e una): MEU DEUS DO CÉU, EU JÁ TENHO 30 ANOS!!!! COMO É POSSÍVEL SEMELHANTE DIABOLIZAÇÃO DA MINHA PESSOA??!! 30 ANOS!!

Lembro-me como se fosse ontem de estar em em Armação de Pêra, em pleno Agosto, a festejar os meus 10 anos orgulhosa que nem um pavão macho, e olhar compadecidamente para a minha mãe que, exactamente uma semana depois, perfez os 30. "30 anos" - pensei eu: "Coitadinha, qualquer dia bate as botas".

E agora, chegou a minha vez.

O que dantes era para mim a antecâmara da sepultura, é hoje em dia a minha idade biológica. O que verdadeiramente me vale, é que sei exactamente quem sou por dentro. Continuo a ser a mesma miúda ruim, amoral , burra e trafulha de sempre.

Noutro dia dei por mim a dizer a alguém: "quando for grande, vendo o Citroen e compro um Nissan Qashqai". A pessoa silenciou-se, confusa. Eu própria enrubesci.

Isto tudo para me desculpar por não ter escrito atempadamente. É que tive mesmo um momento de reflexão que, felizmente, passou relativamente rápido (essas coisas da introspecção reservam-me a minha futura adultez. Que há-de vir...mas não para já).

Até lá, viva a criancice, a falta de autonomia e espírito crítico. Viva o Salsicha, que iniciei com 25 anos e permanece igual aos 30, exactamente com o mesmo registo diabólico de pós-adolescente!

Teoricamente, sou adulta. Na prática, estou no limbo dos infantes. Ninguém tem 30 anos...

terça-feira, agosto 17, 2010

Fábulas de Esopo: O Velho e a PT

Regressei hoje da Madeira (A viagem dará um post avulso, mas isto, tenho mesmo que partilhar):

Vim para o escritório e vou logo cumprimentar o meu colega ancião (86 anos, recordo)

- então Dr., já se entendeu com a PT por causa do telefone?

- Olhe, o telefone já está. Quanto à a internet recebi um fax a dizer (põe as lunetas e reproduz): " não é possível comunicar com o servidor DNS principal - n.º ..., o diagnóstico da rede enviou um ping (?) para o sistema anfitrião remoto mas não recebeu resposta".

Tira as lunetas. Lacrimeja um pouco e eu nem sei o que lhe hei-de dizer porque, objectivamente, nem percebi que tipo de comunicação linguística era aquela.

- então e o que vai fazer? - inquiri

- Estive a pensar e já decidi: não há a mínima esperança. Pensei primeiro em assomar à varada e lançar-me em salto olímpico de natação, com pirueta e tudo. Depois reflecti e achei que se calhar ia esparrilhar demasiado sangue e era capaz de não ser bonito.

...

- Mas não se preocupe Susana, tenho já aqui um frasco de cicuta - é simples e eficaz, em sobredose mata por paragem cardio-respiratória e eu já dei instruções, expressas, para não me reanimarem - aquietou-me .

Encostei-me à ombreira da porta. Ele, ar sofrido e extenuado, repetiu: "Filhos da puta destes gajos da PT".

segunda-feira, agosto 09, 2010

1 razão científica para nos dedicarmos à meditação taoista

Sexta feira, 14h tarde: Susana na sala do seu escritório, tranquila, ar sereno, incenso de menta . De repente, gritos tresloucados e absolutamente insanos, vindos do escritório de um dos advogados mais antigos, respeitados e educados (condecorado!) do país, com a provecta idade de 86 anos.

Levanto-me num ápice, imaginando um qualquer nigeriano de marreta em punho escalando o 3 .º andar tentando-lhe roubar o cofre e abro a porta de rompante.

O Dr., de telefone em punho, gritava das profundezas das entranhas para o interlcutor, cuja identidade só descobri 5 minutos depois.

Sucintamente, ele bramia o seguinte:

- VOCÊS, VOCÊS SÃO UMA CAMBADA DE MALFEITORES, UNS GRANDESSÍSSIMOS ASNOS!

-imperceptível- interlocutor

- META!!! META EM TRIUNAL ! PEÇO-LHE PELO AMOR DE DEUS, META PARA EU TER O PRAZER, O DELEITE DE VOS ESFREGAR NESSA CARA DE JUMENTOS A MINHA OPOSIÇÃO E PEDIR UMA INDEMNIZAÇÃO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. PELO AMOR DE DEUS, METAM-ME EM TRIBUNAL E JÁ HOJE!!

-imperceptível - interlocutor

-TA-LI-BANS!! VOCÊS SÃO UMA ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA, SÃO UNS VERDADEIROS TALIBANS, E ISTO COM A DEVIDA VÉNIA AOS TALIBANS, QUE AO MENOS LUTAM POR UMA CAUSA! VOCÊS SÃO SIMPLESMENTE UM BANDO DE ASNOS E INCOMPETENTES, QUE COMETEM SEMPRE OS MESMOS ERROS SIMPLESMENTE PORQUE SÃO ESTÚPIDOS E BURROS QUE NEM PORTAS! CAMBADA DE BESTAS ANALFABETAS INQUALIFICÁVEIS E INOMINÁVEIS! BESTAS AO QUADRADO! Com licença.

E desligou o telefone.

Eu , amarelo-icterícia, estava em estado de choque encostada à ombreira da porta. Quando o velhote terminou os seus insultos, virou-se calmamente na minha direcção, limpou o suor da testa com o seu lenço de cambraia, sentou-se na poltrona, recuperou o fôlego e disse-me, olhos nos olhos:

" Susana, peço-lhe desculpa por este palavreado vulgar de carroceiro. Mas é que este filhos da puta DESTES GAJOS DA PT, é a 20ª vez que lhes digo que não quero um número de telefone novo, apenas quero portabilidade, há 6 mês que andamos nisto e ainda não me entenderam! Porra, desisto. Ainda bem que ando na meditação budista há 15 anos, senão ia lá e pessoalmente metia uma bomba naquela administração toda, ia Picoas, ia Entrecampos, ia tudo".

Voltei para a minha sala, lívida de pavor. Eu já sou sanguinolenta aos 30, imagine-se aos 80. Nunca em toda a minha vida tinha assistido a tamanha crise de nervos por causa de uma multinacional. Vou na próxima quarta feira (quando vier de férias weeeeeeeee), à minha 1ª aula de Tai Chi. Não quero morrer de enfarte do miocárdio antes dos 50.

sábado, agosto 07, 2010

Geronimooooo!

Após um interregno de um post por mês (velhos tempos de função pública: 2 post/dia em horário happy hour!!), 3 avisos:

- os posts deixam de ter moderação de comentários ( Santa Rita de Cássia ouviu-me, psicopata stalker foi finalmente internado e, mais importante, sem acesso à internet para me mimosear com as suas habituais ameaças/juras de amor idiótico-depressivas);

- ainda a meio de Agosto regressarei em força, com toda minha estupidez e verborreia habitual;

- tenho tanto para contar e tão pouca disciplina para o fazer mas, prometo, vou tentar fazer felizes aqueles que me lêem de manha, a tomar o pequeno almoço (david 4 ever); aqueles que me lêem porque gostam de se regozijar com a desgraça alheia (infinitos ao quadrado), enfim,

voltarei.

Salsicha Girl on fire!

P.S.- E casada com a bardajona de Alfama! Charcutaria refinada...

terça-feira, maio 25, 2010

Um Olhar contemporâneo sobre a Pornografia Hi-tec

Confrades, no seguimento de um comentário a um post, no qual se inquiria como rabisca um cego uma impugnação à Emel, partilho convosco o sguinte:

- o cego é um génio
- o génio tem um Acer Ferrari (cujo som de arranque é precisamente o do barulho da Ferrari F1 e que faz questão de em qualquer situação (principalmente julgamentos), colocar no volume máximo, matando de susto magistrados e funcionários que ficam sempre a tremer olhando para todos os lados)
- o cego tem dedos (e que sensibilidade digital...)
- o génio tecla no computador e ouve, orgulhoso, aquilo que escreveu
- o génio faz questão de impugnar as multinhas Emelescas com valorosos argumentos (ex: "A advocacia tem por finalidade a defesa do Interesse Público, de todo e qualquer cidadão, e não se compadece com pausas para verificar quantos minutos de estacionamento lhe restam a cada momento".)

Portanto:

o José rabisca, pinta e martela pregos como qualquer um de nós. Ouve a SicNotícias, lê a Visão em braille (com a diferença de que não vê os bonecos) e adora falar no Skipe com brasileiras muito dadas.

Mais:

Adoramos os dois aterrorizar as pessoas que descansam ao pé dos carros nas áreas de serviço das auto-estradas, respondendo o José em alto e bom som à minha pergunta do: "Guias tu ou guio eu?", com um: "Eu, claro, dá-me as chaves" , enquanto vai bengalando até descobrir a porta do condutor e se senta ao volante... (pavor genuíno na expressão dos automobilistas).

Enfim. Ele é como nós, com a excepção de que tem acesso livre a um programa informático que tem monitor adaptado, de sites muito, muito marotos mesmo, EM DETALHADO RELEVO.

Roam-se.

quarta-feira, abril 28, 2010

Duo Broa de Mel (Susana e José) Parte II

Eu e o José temos um cliente velhote, um trabalhador que pretende ser ressarcido pela entidade patronal, na ordem dos € 45.000.

Conversa telefónica entre o José mercenário-mor e a advogada da empresa, com a Susana super atenta a tirar apontamentos para aprender:

José: bla bla bla, queremos € 45.000;

advogada: bla bla bla bla , oferecemos € 2.500;

José: € 2,500 ao meu cliente? Já agora ó colega, com o devido respeito que é muito e merecido,

colega: delicadezas

José: por que é que não se salda a dívida com um penico de cerâmica de Sacavém a dizer "Lembrança do meu Baptismo"?

Larguei a caneta, tapei os ouvidos com as mãos, e cantarolei o mais baixo que consegui, de olhos completamente cerrados, de forma a não ouvir os impropérios do outro lado da linha (não fui feita para assistir à pancadaria moral das negociações).

Abri um olho. José ria.

- bolas, não sei como és capaz de dizer essas coisas a uma advogada...
- pois digo, € 2.500, isso é coisa que se ofereça? Por esse valor nem eu cantava, que sou ceguinho!


Escusado será dizer que seguiu tudo para tribunal.

Duo Broa de Mel (Susana e José) Parte I

Recebi € 400 de multas da Emel para pagar, por carta registada. Choraminguei-me ao meu colega de escritório José, o que é cego e muito pragmático:

- agora tenho que ir pagar esta m.., diz aqui que se não pagar voluntariamente tiram-me a carta de condução! - solucei eu

- Pagar à EMEL??!! Mas tu és doida? ISSO É UM DESPRESTÍGIO PARA TI ENQUANTO ADVOGADA!! - indignou-se o José

Meti as orelhitas para baixo.

- ainda por cima vem aí o Papa - acrescentou. -Perdão, indulto, amnistia, alguma coisa há-de calhar, disse ele, enquanto rabiscava uma impugnação manhosa pespegada de mentiras.

Não sei o que faria sem ele.

quarta-feira, março 31, 2010

Conchita e o Violador

Foi veiculado pela comunicação social que um certo violador levou uma surra de um skinnhead. Sorrio enternecida. É absolutamente amoroso como a realidade suplanta a ficção.

O skin jamais lhe poderia ter dado uma tareia. Por mais estranho que possa soar, confesso que ele até granjeia de alguma simpatia minha, uma vez que sempre se revelou um verdadeiro cavalheiro para com as minhas clientes transsexuais. A verdade é que quem lhe aplicou uns murritos só pode ter sido uma amiga dele, uma traveca de ideias fixas e punhos fortes.

Quando conheci esta "senhora" na prisão, sustive a respiração: tinha um rabo de silicone gigante, implantado décadas antes na Nicarágua por um talhante de vão de escada. Com o passar dos anos, o rabo descolou-se literalmente para os lados, pelo que as nádegas dela estavam em cima de cada anca e abanavam-se por todos os lados. Muito medo.

Quando a Conchita Cabeluda entrou na prisão, pensei que ia ser linchada numa questão de horas em pleno pátio.

Volvidas semanas, descobri que já tinha marido português na cela (casado e com filhos), aviava metade dos guineenses e era fonte de lei para todos, sem excepção, respeitada como ninguém (Já deixei de tentar perceber a população reclusa há muito tempo.)

Portanto:

- travecas medonhas mas líderes de opiniões em prisões masculinas? Estranho mas verdadeiro.
- skins violentos que mandam outros skin comprar tapetes felpudos para as travecas não andarem com os pés frios no chão da cela ? Estranho mas verdadeiro.
- violadores aterrados com skins, coladinhos às paredes que nem ratos sempre que se aproximam das celas deles, mas quando dão por isso estão mas é a levar com um murro no meio da cabeça de uma transsexual furiosa, com um rabo nicaraguense descosido dos lados?

Nem tenho palavras.

quarta-feira, março 10, 2010

Snowgirls 2011 - eu vou!

Fui ao snowgirls (gajas, snowboard, serra da estrela). Sempre soube que nem tenho preparação física para chegar com as mãos aos joelhos, quanto mais andar a arrastar uma prancha, serra acima serra abaixo dentro de umas botas de 4 kgs.

Eu sabia ao que ia, mas nunca suspeitei ser a piorzinha de 100 miúdas. Primeiro, todas tinham a vantagem de se conseguirem levantar sozinhas (É que isto de ser sempre içada por alguém, tipo a apanha da baleia, enfraquece-nos o orgulho e o corpo).

Depois tinham a preciosa vantagem de, apesar de não conseguirem ainda travar, conseguiam lançar-se para o chão e recomeçar tudo de novamente. Ora eu, por qualquer síndrome psíquico ainda desconhecido, tinha PAVOR de me atirar para o chão, sempre pensando que se o fizesse, e com os meus delicados pés presos à prancha, o osso da tíbia da perna esquerda ia para um lado e o fémur da direita para o outro. Nada bonito de se imaginar.

1ª descida:

Susana é içada pelo monitor,
coloca-se desportivamente de lado, preparando-se para surfar na neve ,
inicia a descida,
ganha balanço,
começa a achar que a descida está a ser vertiginosa de mais para a sua destreza física de foca,
distingue ao longe um grupo sentado de costas na neve, ouvindo atentamente um monitor.
imagina que se a prancha passar pelo meio deles é capaz de ainda decepar 5 ou 6,
pensa em atirar-se para o lado,
rapidamente afasta essa perigosa ideia uma vez que tem outra melhor,
projecta a voz e grita em plenos pulmões, ouvindo-se em toda a cadeia montanhosa: SAIAAAAAAAM DA FRENTEEEEEEEE!
o grupo olha para trás e lança-se em várias direcções,
Susana passa por entre eles, alguém a agarra pelo colete e ela cai enterrando-se na neve de cabeça para baixo,
Ouve vozes distantes,
Perguntam-lhe: "como é que te chamas?"
Ela desenterra a cabeça, atordoada,
"Susana" - responde baixinho (imaginando que a vão expulsar da estância),
"SUSANA, ÉS A MAIOR!" - gritam histéricos, enquanto batem palmas e pedem para tirar fotos, situação à qual acede bastante orgulhosa.

Quase tão emocionante quanto a queda da mota. Dei cabo de um joelho mas já marquei fisioterapia. E para o ano há mais.

domingo, fevereiro 21, 2010

Finalmente, caso-me...

É com os olhos rasos de lágrimas e um nó na garganta que anuncio que vou-me casar no próximo mês de Março.

29 anos de vida

25 anos que deixei de ser filha única

19 anos de escola

15 anos desde o meu primeiro beijo

9 anos depois do meu primeiro desgosto de amor


e finalmente vou-me casar!!!!!!!!!!!! - em representação de um homem que está preso em S. Paulo por assalto à mão armada a cumprir 12 anos de cadeia. Uma jóia de pessoa, naturalmente.

A noiva com a qual vou contrair matrimónio em representação desse patife vive em Alfama, berra que nem uma doida, assoa-se às mangas, escreve o nome dela com erros ortográficos, tem um rabo que parecem dois e é tremendamente parva pelo que não lê de certeza este blogue para me vir pedir contas das chibadelas!

Desumanidades medievais à parte, preferia passar uma década numa penitenciária brasileira superlotada de tuberculosos do que casar com aquela gaja e vir viver com ela para Portugal.

Vai ser um casamento muito bonito.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

O voo picado da Linguiça (eu)

Ainda não postei aqui que o ano passado tive a insólita ideia de comprar um motociclo.

A ideia era conduzir por Lisboa serpenteando de cabelo ao vento por entre os carros, cruzando avenidas, e superando mil obstáculos. Ora o confronto com a realidade foi duro. A verdade é que só sabia zizaguear estrada fora, tentando travar com pés e gritando pela minha mãe com ar de louca esgazeada.

Sempre que conseguia travar (geralmente com a língua dependurada e as solas dos sapatos a fumegar), ficava imóvel uns segundos maldizendo a minha pessoa e as minhas estúpidas ideias, jurando para nunca mais.

Ora este sábado tinha a minha primeira e verdadeira experiência motard. Cabo da Roca e marina de Oeiras. E aí vai Salsicha, cabelo encrespinhado no capacete, nariz a pingar estalactite e olhos rasos de lágrimas de emoção e stress, a tentar superar-se e , afinal, não morrer.

A5, ic 19, Cril, Crel, marginal, fiz tudo!!! Naturalmente sempre escoltada pelos simpáticos motards, dois à frente, dois atrás - ( a 35/h, tenho a leve sensação que nunca mais vou saber destes passeios).

Fiquei mesmo feliz e orgulhosa da minha competência técnica. Até chegar à casa dos meus pais e espetar-me dolorosamente numa curva a 10 metros da garagem.

Levantei-me num ápice a fim de evitar vergonhas, sacudi o blusão e calcei novamente os ténis (percebo agora a utilidade das botas). Depois levantei a mota, observei quase que comovida os estragos no alcatrão (sim, leram bem, no alcatrão) e fui a coxear para casa merdalejando a minha vida.

À distância de 3 dias, a moral desta minha primeira queda? Venham mais (preferencialmente de colete protector e cotoveleiras), sinto-me outra, O MUNDO É MEU!

sábado, janeiro 23, 2010

História não-profissional mas que invarialmente mete ladrões

Ontem, sexta-feira, um idiota de um ladrão assaltou-me o carro que estava estacionado mesmo junto à PJ. Fora o pormenor do objecto furtado (o computador portátil do meu colega e amigo cego José), a situação foi de uma intensa e giríssima emoção.


1.º saimos os 2 (eu e o José) das instalações da PJ para regressarmos à viatura;
2.º regressámos e observámos (mais eu) que a pasta do portátil que estava brilhantemente escondida debaixo do banco do condutor, está agora vazia em cima do banco;
3.º lançámos impropérios contra os cabrões dos ladrões e dos advogados deles e regressámos indignados à Pj;
4.º Amena cavaqueira com os inspectores do piquete que se queixam também dos cabrões dos ladrões e dos advogados deles;
5.º José tem a peregrina ideia de dizer que eu fui a advogada do ladrão que assaltou a PJ;
6.º Silêncio inicial mas, para meu alívio, risota pegada;
7.º Eu, não querendo ficar atrás, tenho a peregrina ideia de contar que o José foi advogado de um ladrão que limpou 50 euros ao inspector que o tinha detido dizendo-lhe "se eu já não almoço, tu também não";
8.º Risada no piso inteiro: inspectores do piquete, seguranças e mulheres da limpeza.

Até que..

9.º Dizem-me que o meu veículo vai ser submetido a exame lofoscópico e de vestígios biológicos;
10.º Fico mortificada de vergonha só de pensar nos vestígios que devem estar escondidos naqueles bancos, mas não tenho alternativa senão entregar-lhes as chaves;
11.º Informam-me que encontraram impressões digitais muito nítidas, no vidro da frente na parte de dentro;
13.º Rezo interiormente para que não sejam as minhas patinhas nalguma noite de amor tresloucado;
14.º Tiram-me as impressões digitais, não coincidem. (alívio)

Às nove da noite voltamos finalmente para o carro, eis quando o José diz-me que o ladrão é muito estúpido, não levou o objecto mais valioso...

- Então? - perguntei eu
- A minha bengala de infra-vermelhos que vibra e fala. Vale mais de 1500€!

Pensámos ao mesmo tempo no mercado negro dos amblíopes e rimos noite fora.

sábado, janeiro 16, 2010

A Vingança (Parte VII)

(Nota de rodapé: a partir de hoje vou escrever todas as semanas. Mesmo.)

Durante duas décadas e meia, sofri horrores na mão de um irmão mais novo absolutamente doido. Imaginem um miúdo hiperactivo, no sentido clínico da coisa, que:


- em todos os transportes rodoviários e edifícios públicos do país, se lançava de pernas e braços abertos para o chão e ladrava selvaticamente, com olhos canídeos e quase que juro que conseguia fingir que espumava da boca;

- sempre que me via de namorado novo na escola (e, meu Deus, se fui impúdica), exigia quinhentos paus para se manter calado na hora de jantar, e mesmo assim, durante esta, com ar matreiro puxava a manga do nosso progenitor e dizia com ar manhoso: "sabes pai..." , apenas para me aterrorizar;

- nas colónias de férias dizia a toda a gente que eu tinha piolhos e carraças;

- em plena missa lançava arrotos monumentais e olhava para mim de lado, com ar surpreendido;

- atirava laranjas à cabeça dos traseuntes do 1.º andar e, se alguém fosse a casa pedir explicações, abria a porta com um aspecto transfigurado, de termómetro na boca a espirrar para um lenço.

Mas, anos depois, teve a paga que merecia. Foi trabalhar para a Disney em Londres. "Mas isso é bom", dizem vocês, "a fazer o quê?"
...

A FAZER JOGOS DE COMPUTADOR BEM MARICONÇOS DO URSINHO WINNIE THE POO !!




Portanto, o meu irmão trabalha com um mamífero da família dos ursídeos de pelagem amarela que veste um sensual top vermelho e está sempre rodeado dos seus amigos (e vive com o Piglet).


Sinto-me vingada.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Susana e a sua inteligência emocional de foca

Conversando com o seu amigo José que é cego:

Susana - só há pouco tempo é que descobri que cada país tem a sua linguagem braille e gestual, nunca tal coisa me tinha ocorrido.

José - pois é... há braille português, chinês....são alfabetos convencionais.

Susana, lembrando-se de uma vez em que um professor lhe tinha ensinado que para dizer "Mário Soares" só tinham que apertar as próprias bochechas:

- olha lá, então como é que vocês dizem "Mário Soares"?

José (cogitando) humm..... Mário Soares - pronunciou.

- Sou cego, não sou mudo!-riu-se ele.


Estupidifico nas prisões.

terça-feira, dezembro 01, 2009

O MITO

Alguns de vós já devem te ouvido falar daquele homem que, num laivo de inspiração, resolveu um dia assaltar a Polícia Judiciária (precisamente o edifício do Combate ao Banditismo) e, noutro laivo de inspiração, resolveu contratar-me para o defender.

A Unidade do Combate ao Banditismo da PJ é um edifício gigantesco, com controlo perimetral, corpo de seguranças, sensores de alarmes, monitorização de circuitos de câmaras e portas de metal com contactos magnéticos.

O nosso protagonista é um jovem caga-tacos de 1.60, com a cara marcada pelo acne e muito tempo livre. Um certa noite resolve furtar umas coisinhas mas, para seu infortúnio, optou por roubar as instalações da PJ, facto que ele desconhecia em absoluto (uma vez que nas traseiras do prédio nada identificava o edifício).

Juiz (com voz de trovão assassino): COM QUE ENTÃO NÃO SABIA?!!! QUE ENGRAÇADO, VEJA A COINCIDÊNCIA: NUMA RUA COM TANTOS EDIFÍCIOS VAI LOGO ASSALTAR A POLÍCIA JUDICIÁRIA, TEVE MESMO AZAR HOMEM! PENSE LÁ BEM, SABIA OU NÃO SABIA QUE ESTAVA A ENTRAR NA DCCB? AFINAL, POR QUE É ENTROU NESSE EDIFÍCIO E NÃO NOUTRO? RESPONDA!

Jovem (quase a desmaiar de terror,com voz de pífaro): dr. juiz...a sério... dr. juiz, juro que não sabia..., foi de noite e eu... e eu...olhe, eu apenas assaltei o único edifício que tinha a janela aberta.. E num rés-do-cháo...

Apoteose de riso, numa sala de audências lotada.

Cara do Director Nacional da PJ: Intraduzível;
Cara do Arguido: Bexigosa e arrependida;
Cara da Susana: Resplandecente, a gozar o prato como nunca.

quinta-feira, novembro 12, 2009

O tesouro

Juro que já começo a sentir vergonha de contar as histórias dos meus clientes e nada ter para ofertar quanto à minha vida pessoal, mas a realidade dura é esta: sou uma nódoa social.

Fui encontrar um Paulinho algemado por um braço a um banco numa das nossas esquadras. Num choro estrangulado, este infeliz toxicodependente revela-me que foi consumidor de heroína durante 13 anos, mas que agora está recuperado.

- Então Sr. Paulo... afinal o que é que lhe aconteceu? - questionei, deixando de fora afinal, a única pergunta que me interessava: onde é que andavam os dentes dele e por que é que tinha uns ténis caterpillar?

- pois.. estava eu a fazer uma ganzinha... tá a ver.. uma ganzinha...e chegou a bófia, fez-me a revista e apanhou-me desprevenido! Mas eram apenas 2 bolotas de erva e dotôra, é para consumo mêmo! Eu não vendo nada!! - afiançou num ar desgraçado.

- 2 bolotas? de haxixe? Realmente não me parece nada de especial. E onde é tinha as bolotas? - questionei,desfolhando a Lei da Droga.

- ...Num saquinho dentro das cuecas.

Silêncio. Parei a leitura.

- Dotôra, nas cuecas que é para não me roubarem a ganza, que ali a malta de Pedrouços é avariada! - esclareceu o toxicodependente.

- Pois, está bem... e o pormenor do saquinho? É que parece que é mesmo para venda....

- Dotôra, pela minha saúde! (HIV sem dentes...) Não é nada para venda, o saquinho é só ... é só para não cheirar mal!

- ... Aquele cheiro a.. ´tá a ver? cheiro a ....rabo...

rolling on the floor laughing

Quanto eu não gosto de uma pessoa genuína, de alma e cueca aberta.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Final Feliz

História, para variar, de clientes (definitivamente nao tenho muitos amigos). Um ciganito quase anão de 16 anos foi preso na noite anterior. A família queria uma advogada, eu queria um dinheirinho. Interesses conciliados, lá vou eu para as fachadas envidraçadas do novo campus da justiça.

O Quim Zé explica-me sucintamente que roubou uns telemóveis a uns rapazes e deu-lhes umas chapadas, mas parece-me verdadeiramente arrependido e chora como um bebé. Os telemóveis foram recuperados e os ofendidos fugiram a sete pés e nem quiseram ser ouvidos. Enfim, tudo corria lindamente e perspectivava-se um lindo serão a contar notas de € 50.

No corredor do piso, acenei sorridente ao acampamento cigano que entretanto se tinha formado lá fora e que me observava atentamente através das paredes vidradas.

Começa o interrogatório, parece-me que o juiz se compadece deste ciganito de boné sujo, adivinha-lhe uma vida de miséria... Sem mãe, criado pelo pai e irmãs, vende calças e pijamas na Serra da Luz. Surpreendentemente, estudou até ao 7.º ano e, pasme-se! o ciganito-criança até se encontra inscrito num Centro de Emprego!

- Isso é muito positivo, para um jovem da sua idade que já não deseja prosseguir os estudos- enaltece o juiz (eu sorrio, embevecida)
- Então e nunca foi chamado? - pergunta-lhe
- Eu? Já, mas eu não fui! (o meu sorriso esmorece)
- Não foi porquê?
- Era uma cena..tipo idosos - explica-se - não sei dizer, tipo idosos. (o meu sorriso desaparece)
- Mas não foi?
- EU??!! - indigna-se o ciganito - LAVAR O CU AOS VELHOS ?! ! É que já lá estou!

Prisão preventiva. CREIO em um só Deus,Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas... Consegui fugir pela garagem.

Não há um único delinquente, independentemente da etnia, que jogue com o baralho todo neste país.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O estranho caso do BPN e os peitos de lona

Num destes domingos, após a minha chegada de férias:

Avó (fazendo conversa): então Susana, já sabes que que encontraram coisas muito valiosas ali na... na... na retrete do genro da Ti Maria da Capelina?

Eu (sem ter a certeza de ter compreendido o cerne da questão) - Hein??

Avó (muito circunspecta na sua cadeira) : Sim senhora, coisas importantes, muito valiosas!

Eu - Na retrete? Do genro da Ti Maria da Capelina? Quem é esse?!

Avó - é o genro dela! é aquele que não tarda nada está mas é com uma pulseira num pé!

Eu - Pulseira num pé?

Avó - Aquele... ´ca mulher tem um peito de lona!

Eu (cada vez mais intrigada): Peito de lona?? Não percebi ainda nada

Avó (impaciente): olha cala-te, não me apoquentes!

Entretanto passa a minha mãe a rir-se e descodifica:

- Acho que ela está a falar do Dias Loureiro, que se casou com a filha da Ti Capelina lá da terra ao que parece ela meteu mamas de silicone... Bem, fizeram uma busca a casa deles encontraram uns documentos importantes através de uma passagem na casa de banho para um anexo. Ah, acho que a tua avó pensa que ele vai de pulseira electrónica. Não sei, por enquanto ainda não foi.

Volto-me lentamente na direcção da minha avó.

Ela continua impassível, luneta no fundo do nariz a olhar-me como se eu fosse uma criatura particularmente imbecil por não compreender o seu raciocínio exemplar.

Tenho medo de envelhecer.

sexta-feira, julho 10, 2009

Homem Aranha e a peruca loira

Fui preparar no início deste ano o julgamento de um dos meus clientes mais antigos e que me são mais queridos. Comecei a ouvir muito atenta, com papel e caneta em punho. No fim, acabei a visita com os olhitos marejados de riso: leiam a odisseia verídica do homem que já fá foi considerado o melhor assaltante/trepador de prédios da zona de Lisboa e que é afinal um dos homem mais amorosos e adoráveis que conheço: (e cujo história posso contar porque já está condenado)

Preso (meio envergonhado, pigarreando)- : "Drª, isto foi assim:

Eu e o outro decidimos ir roubar umas coisinhas nuns apartamentos, eu subi pelos estendais, disfarçado com uma peruca loira a fingir de mulher e ele ficou cá em baixo para apanhar o material. Eu subi a um 5º andar ,tirei as cenas e vou à janela da cozinha para as atirar cá para baixo, o pior é que ele tinha adormecido debaixo de um carro e eu não podia ir chamá-lo!

Agarrei então numa fruteira da mesa da cozinha e começo a atirar-lhe com a fruta mas ele não acordou então vou e atiro-lhe com a fruteira aos pneus do carro. Ele lá acordou e apanhou o material todo do chão - umas moedas de colecção e um fato de Karting. O problema foi que com o estardalhaço da fruteira a malta do prédio acordou e começaram num berreiro.

Eu tive que fugir outra vez pelos estendais abaixo, entretanto aparecem na rua 2 psp da damaia que andavam a fazer a ronda e o meu companheiro esconde-se dentro do caixote do lixo com o material todo, mas deixa o blusão do Karting preso no pedal do caixote e a bófia apanha-o. Eles a mim não me viram, então eu desço pelos estendais para a estrada e finjo que não é nada comigo, mas esqueci-me que tinha a peruca loira, eles olham para mim e sou logo pranxado naquele momento!

Prontos, e foi só isto".


E para mim foi o bastante, uma barrigada de riso. E para os ofendidos do 5.º andar também, que quando foram à audiência de julgamente não puderam deixar de rir quando recordaram o momento em que foram fazer o reconhecimento à "Mulher Aranha", como a Polícia maldosamente o apelidou.

Moral da história: dois anos e meio de prisão efectiva, uma tarde bem passada e uma grande lição: se tiver grande agilidade e uma enorme força de vontade de furtar, ESCONDA A PIRUCA!

Vale e Azevedo - extraditado JÁ!

Esta semana resolvi ofertar uma televisão à minha reclusa transsexual de estimação (o tal preto de dois metros de altura e apenas um dente), que mês após mês se lamuriava da falta que aquele objecto que fazia.

Esta tarde, um bocado mal-humorada, lá entro eu no estabelecimento prisional com a televisão às costas, cheia de calor e com os pés cheios de bolhas.

Entra em grande a minha traveca, super-cheirosa do seu recente banho das 17h00, a anunciar-me orgulhosa que tinha ganho o campeonato de playstation da prisão, que o seu namorado estava na cela deitado em tronco nu, em pulgas para irem ver um filmezinho (na posição de conchinha adiantou), na minha recém ofertada televisão...

Depois de um dia de cão, apeteceu-me estrafegá-la e dar-lhe uns pontapés no dente.

Mas limitei-me a ser maldosa e perguntei-lhe: "ah que giro, só é pena terem que ir ver o portugal no coração enfim, não haver nada de jeito nos 4 canais"...

- "4 canais?! ai não, que horror, graças a Deus o Vale e Avedo deixou a tv cabo paga até ao ano de 2012.Hoje à noite vamos ver o Rancho das Coelhinhas na Sic Radical" - confidenciou-me ela, piscando o olho lampeira.

Raiva.

- Mais de 110 de canais!! - acrescentou.

Conclusão jurídico-processual: Odeio o Vale e Azevedo.

domingo, junho 21, 2009

reiki e as práticas anais

Na semana passada tive a rica ideia de fazer reiki. Não fazia a mínima ideia do que era, se consistia numa simples meditação, se era individual ou em dinâmica de grupo, se tinha que fazer cenas maradas esotéricas (como pendurar os calcanhares atrás das orelhas, como vi fazer, horrorizada, numa aula de yoga) enfim, fui na absoluta ignorância.

Afinal era uma espécie de consulta com um mestre, numa sala na penumbra, com incensos e música celestial. Eesse homem , sempre caloroso, colocou-me questões pessoais enquanto tirava apontamentos e escrevia no computador. De repente o telemóvel dele toca e, desculpando-se, sai da sala.

Uma vontade incontrolável de espreitar o computador e ler o que ele escreveu sobre mim assola-me... hesito...e, como bom diabo-da-tasmânia que sou, sem qaisquer resguardos éticos levanto-me da cadeira, circundo a mesa e olho para o écran.

Numa janela minimizada um site gay, com uma data de fotos de homens em tronco nu cheios de pêlos, um pouco gordos e bastantes feios. Numa outra um chat gay, com umas 5 ou 6 conversações em simultâneo com nicks bizarros.

Primeiro a petrificação, mas depois o sangue recomeça a circular-me nas veias e dá-me uma vontade indescritível de rir, rir até não poder mais. Mas rapidamente tive que me conter, calçar um chinelo que entretanto que me tinha saído de um pé e voltar a sentar-me na cadeira com um ar absolutamente amoroso. A consulta decorreu lindamente, com direito a aberturas de chakras e pavores semelhantes.

No final ele perguntou-me se eu me sentia melhor. Pensei nas probabilidades de ir a uma consulta de reiki com um mestre que afinal nem ouviu nada do que eu disse e está é mortinho para meter uma pila na boca e ri-me mais uma vez respondendo que me sentia muito bem tinha sido uma hora bem passada.

À porta perguntou-me se nos veríamos novamente, referindo-se obviamente a nova consulta e eu disse "claro!" acrescentando para mim: "sábado, no arraial gay pride meu granda abafador de croquetes!". Ri-me mais uma vez e fui para o carro, feliz.

quarta-feira, maio 13, 2009

Por que não fui anestesiada?

Acho que neste fim de semana me aconteceu o pior pesadelo que podia ocorrer na vida de uma pessoa com alguma dignidade. Fui para o hospital de ambulância e, acreditem, não ocorreram problemas de maior a não o que se segue:

Susana deitada numa maca a congeminar: Meu Deus, vão-me despir? Como está a minha depilação? Tenho os peúgos rotos com um grande nó na ponta? Mentalmente, revi:

- virilhas - ok
- meia-perna - ok
- axilas - ok
- peúgos... semi-rotos - D´oh!

Enfim, penso que o meu grande calcanhar de aquiles eram mesmo as alças dilaceradas pelo tempo e umas meias pouco apresentáveis (é das botas, juro). De resto, tudo tranquilo.

Até que uma auxiliar me tenta despir (eu estava meio adormecida), a fim de me enfiar uma bata e oiço-a a praguejar sozinha:

- Chiça. Merda!

E eu sem perceber bem o que estava a acontecer.

E ela continuava, sozinha: - Que grande merda! e dava estalinhos entredentes em sinal de desagrado. Até que grita e eu, mesmo semi-inconsciente, estremeci de vergonha:

- Porra, alguém me ajuda a tirar as calças de ganga a esta miúda parecem que estão é coladas ao cu, mais à merda!

E vem mais uma auxiliar para ajudá-la a arrancar as minhas calças de ganga justinhas e fazerem-nas passar, primeiro pelo rabo e depois pelas ancas.

Sempre achei que os meus jeans eram sexys. Até serem precisas duas mulheres de meia-idade para mos arrancarem de mim própria. Penso que não tenho grande maturidade.

terça-feira, maio 05, 2009

A essência do tempo

Hoje de manhã estive num julgamento com vários arguidos traficantezecos. Um dos advogados de defesa, questionando o polícia sobre manobras de vigilância que tinham sido efectuadas sobre dois dos arguidos, numa casa de banho de uma estação da cp,

- e querendo, no fundo, demonstrar que os 2 arguidos (o constituinte dele e o meu), pelo tempo que lá estiveram podiam não estar necessariamente a delinquir, mas quiçá a urinar, avança:

advogado : "sr. agente, quanto tempo demoraram os 2 arguidos na casa de banho da estação de comboios?"
polícia: "não me recordo, 3 minutos... não sei precisar...entre 3 minutos...talvez 15"
advogado: "ó sr. agente..., tem que ser mais preciso! é que de 3 minutos a 15 minutos vai uma grande distância! Eu em 3 minutos posso fazer um simples xixi mas em 15 minutos é claro que já posso estar a fazer outras coisas!"

meu arguido - que é claramente retardado mental e deve ser inimputável: YA DREAD, A ALIVIAR UM CAGALHÃO!!

Se corei? Não.
Não corei porque morri.

domingo, abril 12, 2009

Demasiadas horas de Youtube

Estava eu aqui neste domingo pascal, pensando piedosamente nos desígnios que o Senhor me reservava, quando matutei no seguinte:

Vocês não acham, sinceramente, que a pessoa mais bela de todo o universo, desde os tempos imemoriais até ao dia de hoje é a miúda do videoclip da Lambada??

Não querendo cercear as vossas opiniões, mas realmente vocês já atentaram, com olhos de ver, naquela rapariguinha (12 anos no máxim, como é que é possível), que se saracoteia e nos envolve naquele video dos Kaoma, no longínquo ano de 89 ? Loira, esguia, simplesmente perfeita, olhar meigo... e o cabelo...o cabelo, meu Deus?! O mundo parou, a minha respiração entrecortou-se, fiquei presa no tempo.

O pretinho do videoclip (feio que nem um urso, que não deve ter nem 9 anos e não lhe chega nem aos queixos)enfim, um pobre ranhoso das favelas tenta corajosa (e comovedoramente) a sua sorte mas, afinal meus caros, afinal... quem não tentaria?!

Tecnicamente, este post serve para esclarecer o seguinte: No início deste blogue, em 2005, em afirmei, sem falsos pudores que, se mo fosse permitido, eu daria uma voltinha com a Monica Belluci.

Pois fica aqui a correcção : revisitado o vídeo dos Kaoma no Youtube, eu daria uma voltinha sim, mas com a miúda da Lambada. Monica desculpa, mas eu não sou de meias verdades. Muito menos neste sacrossanto domingo pascal.

Estou absolutamente apaixonada.

quarta-feira, março 11, 2009

Quem quer ser prostituta?

Todas as noites tenho que passar pelo IST. Como é sabido, nas esquinas deste Instituto costumam parar umas senhoras pouco recomendáveis, commumente chamadas de "putas do Técnico". Ora estas senhoras, cujas maiores competências sociais deveriam ser, aparentemente, equilibrarem-se numa parede e rodarem uma bolsinha, revelam-se afinal seres bastante perspicazes e de grande intuição.

As meninas, nunca são as mesmas. Em passo estugado, caminho com a maior naturalidade, escondendo mestriamente o meu medo de que, confundindo-me como uma delas, as prostitutas me batam ou simplesmente toquem e que eu contraia gonorreia. Ora quinze dias depois destas incursões nocturnas, descobri duas coisas:

1.º - as prostitutas são, mais uma vez sublinho, seres bastante intuitivos, que facilmente apreendem que eu não sou mulher de biscates, não ofereço qualquer tipo de concorrência, pelo que sou simplesmente invisível e ignoram-me de uma forma quase que cruel;

2.º - os homens são totalmente estúpidos.

É que eu vou sempre irrepreensivelmente vestida, sem decotes e saracoteios, carregada de livros e muitas vezes até levo os óculos e se o dia foi mesmo longo já troquei para os ténis. Mas os homens (não todos, mas os suficientes para eu ficar lixada), burros que nem portas e toldados pela excitação sexual, enconstam os carros, fazem sinais de luzes, chamam-me acenando as manápulas ou com um breve "pssstt", uns sorrindo, outros borrados de medo, mas nunca se inibindo de pensarem que sou meretriz!

As putas, mulheres sensatas esclarecidas, observam divertidas - e eu...
bem, eu nem olho para os condutores, mas vou cá com um mau feitio de quem é que capaz de lhes partir a cara em dois e continuo nervosa o meu caminho.

Portanto, Mulheres, independentemente da ocupação profissional, inteligentes.
Homens, independentemente da profissão ou veículo automóvel, lamento - deprimentes.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Eu quero é que a bimby vá para o raio que a parta!

Não deixa de ser curioso eu ter saído de casa (glup...ainda me custa a escrever) e a questão que amiúde se coloca ser ..a bimby!!

esqueçam a bimby, eu já esqueci, por variadas razões:

1.º - a minha mãe ficou com ela, não ma ofereceu, suspeito que tenha ficado viciada após a feitura de uns croquetes que, pela primeira vez na vida dela não escorreram óleo por todos os poros e não nos deram a volta ao estômago;

2.º - entretanto descobri que mudar de casa é a maneira mais saudável de ficar anoréctica.
Pois é. sempre que chego a casa só me apetece abrir o firgorífico e sacar dois iogurtes e quiçá uma maçã reineta. - quero lá saber da bimby e das suas vitelas marinadas em molho de maracujá!!

E já gora, à laia de desabafo, o verdadeiro problema é que...... nestes últimos dias não só tenho medo dos fantasmas e miúdas exorcizadas, como também já tenho medo dos ladrões!

Nunca me tinha ocorrido, mas alertada por dezenas de vozes amigas e após demorada reflexão apercebi-me que um gatuno pode ser tão ou mais prejudical que uma alma penada.

Mas há alguém contente neste mundo com aquilo que a vida lhe proporciona?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

crescer

Caríssimos,

após 28 anos de uma experiência linda e maravilhosa que foi viver com os meus pais, saí de casa .
Como me sinto?

susana - tenho medo de aqui dormir
renato- não sejas parva, estás num 4.º andar, ninguém te entra pela casa adentro
susana - parvo és tu, não tenho medo de ladrões, tenho é medo dos fantasmas.

é chocante aperceber-me que após ter feito aquilo com que sonhei uma adolescência inteirinha, quando estou na minha casa só me consigo lembrar da miúda do Exorcista.

Qual liberdade, qual música alta, qual noitadas até às nove da matina... Naquela casa só se me assomam ideias sobre possessões demoníacas, cemitérios e espíritos maléficos.

Às vezes também penso que tenho que cozinhar sopa e passar as calças com vinco a ferro, mas é um terror diferente, mais subtil e menos nocivo.

E enquanto escrevo estas linhas os meus pêlos da nuca eriçam-se e olho para todos os lados, inclusive dentro do roupeiro (debaixo da cama já vi, espreito sempre quando entro em casa, ainda com a porta da entrada aberta para facilitar a fuga em caso de aparição).

Quem mandou a minha mãe deixar ver-te tanto filme estúpido em miúda? Como é que ela não alcançou as sequelas emocionais de me deixar ver o Alien- o oitavo passageiro? Acho que vou ver a Favorita para me acalmar. Não via uma telenovela completa desde o Sassaricando. Minto, desde o Roque Santeiro.

É demasiado duro crescer

sábado, dezembro 13, 2008

Bimby 4ever

Quando eu era mais nova, desde os meus 14 anos, esta minha mãe xeiretava tudo o que fosse possível acerca da minha privada. Suponho que fosse para proteger as minhas virtudes e dotes de donzela imaculada, certo é que, qualquer que tenha sido a sua motivaçao, a minha mãe falhou, e muito, embora eu não possa acusá-la de não se ter esforçado:

-Nos acampamentos da catequese, lá estava ela vestida de caqui escondida atrás das sebes;
- nas míticas raves à tarde no liceu, lá estava ela de auscultadores a um canto a fingir que metia som;
- nas festas de anos, fazia sempre questão de entrar com um lanchinho enquanto jogávamos ao "quarto escuro", tendo sempre conseguido estragar todos os beijos com língua, apalpanços de rabos e roçares de maminhas que se proporcionaram na minha adolescência.

Enfim, todo um conjunto de situações que me faziam passar vergonhas e me sugestionaram que o que a minha mãe queria é que eu ficasse a viver com ela para todo o sempre, e, obviamente, muito virgem e burra. No entanto, este meu entendimento tem vindo a ser posto em causa, uma vez que descobri que, neste momento, o que a minha mãe quer é ver-me da casa para fora.

Começou subtilmente, com umas conversas acerca das minhas primas mais novas, que já sairam do lar, desfiando ainda o rol das filhas das amigas que já se haviam emancipado. Depois, tornou-se mais explícita, e eu fui ouvindo e calando. Mas, o mês passado, o golpe foi muito baixo.

A minha mãe chegou a casa com uma Bimby debaixo do braço. Fiquei louca de alegria, quase que perdi os sentidos com a emoção. E ela "Susana, isto fica para ti, mas só abres quando tiveres na tua casa nova".

Fiquei confusa.

"Mas mãe, eu vivo contigo".
"Eu sei." - vincou ela, dando meia-volta com o meu tesouro, escondendo-o algures nas profundidades da garagem.

Ainda só toquei na Bimby uma vez. Sonho com ela todos os dias. Já comecei a ver casas em Algés.

terça-feira, dezembro 02, 2008

O espectro do Banco Alimentar

Não sou de intrigas, mas duas horas de voluntariado no Banco Alimentar num supermercado equivalem , em termos de exaustão emocional, a um mês de ansiedade esperando pela conta da PT e a tareia que se segue (o horror inominável, especialmente quando se tem o namorado em Angola).

Tudo no Banco Alimentar me irrita.


- quer contribuir? - pergunto eu, sorriso nos lábios, linda e lampeirinha que nem um anjo
- ah a minha mãe já deu esta manhã.

( e então minha p..., o que é que eu tenho a ver com isso? e tu, não tens mãozinhas para dar aos pobres, o que é que a tua mãe tem a ver com o assunto ? E ontem que eu saiba não é hoje minha grande porca suína) - pensei eu, com um sorriso nos lábios após responder - "Concerteza, obrigada!"

- ah, já dei à bocado. (com alguma imaginação ou vergonha na cara, alguns inventam um qualquer nome de cadeia de supermercados)
(e então meus grandas sumíticos socialistas, custa muito oferecer uma segunda vez é?? E eu lá tenho cara de parva para acharem que me fico com essa resposta e continuamos todos amigos, como se nada fosse e o mundo continuasse a girar?!)

E uma coisa me intriga: fico sinceramente fula quando as pessoas não respondem ao apelo alimentar. Fico, confesso. Apetece-me desferir pontapés na cabeça, injuriá-los até à quinta casa, faço um esforço danado para não demonstrar a ira crescente que me assola.

Mas esta minha fúria nada se compara quando um "não" é proferido por um gajo do ginásio, daqueles armários quadrados todos musculados e com gel espetado naquelas cabeças ocas.
Bule-me sinceramente com os nervos. Todo o meu ser se eriça e apetece-me quebrar ossos.
Deve ter uma explicação científica, mas de momento nada me ocorre. Odeio simplesmente gajos do ginásio que não levam o saquinho do Banco Alimentar.


Portanto, tudo bons sentimentos nesta linda iniciativa de acçõo social. E vocês, contribuiram?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Podre parte VIII

Caríssimos descobri, pelos piores meios, que os ortopedistas que consultamos pela primeira vez não se limitam a analisar os nossos raios-x e ressonâncias magnéticas. Não. No mês passado, um ortopedista recusou a sacola dos exames que eu lhe estendia e pediu-me que me despisse.

Após um breve hesitação, acedi e fiquei apenas com a cueca da promoção da Calzedonia a 1 euro com o sugestivo dizer: "follow me" estampado a letras vermelhas bem no meio do rabo - (realmente o barato sai caro e a dignidade não tem preço).

Mas triste foi quando o ortopedista me pediu que tocasse com os dedos das mãos no chão, enquanto ele, à rectaguarda, avaliava a decrepitude da minha actuação:

Eu jovem viçosa no fulgor dos seus 28 anos, tentava chegar com os braços baloiçantes aos dedinhos dos pés, sendo que o máximo que consegui foi tocar e de relance no ínicio duma tíbia,

e, atenção, isto com os joelhos completamente entortados para dentro. Senti-me tão graciosa quanto um canguru a recolher bolotas na estrada, mas enquanto o marsápio tem pêlo, eu tinha apenas umas cuecas enfiadas pelo rabo adentro.

Suspirei de alívio quando ele me disse para me levantar, mas fiquei aterrorizada quando me mandou deitar na maca e içar o joelho ao nariz. Não pela parte de que obviamente a minha perna esticada aponta apenas e unicamente para o tecto, mas sim pela já habitual dicotomia mulher/depilação-não tenho tempo-fica para amanhã.

Bom, saí daquela Cuf como se tivesse levado uma tareia. Derrotada, humilhada e oficialmente podre a cair de caquética.Não sei como é possível fazer as aulas de power jump, com os joelhos a bater nas beiças, mas certo é que as faço e todinhas até ao fim.

Remeto-me às sábias palavras do padre Alberto, pároco da minha juventude que calava sempre as minhas questões difíceis (quem sou, donde venho, que Jesus espera de mim, porque é que o rapaz da escola de quem eu gosto se chama Ovídio Pequeno) com um encolher de ombros e um sumido"mistérios da fé..." e que me fazia bulir com os meus nervos adolescentes.

Tinhas razão Beto, tinhas razão. Mistérios da Fé. Eu sou a prova viva disso.

domingo, outubro 19, 2008

A Hérnia: O Início

Vou-vos contar uma história linda na minha vida.

Num belo fim de tarde no verão de 1992, tinha eu 12 anos, estava a flirtar com um rapaz vizinho da minha tia num café lá da rua. Entretanto, tive a brilhante ideia de me sentar na esplanada - não numa cadeira -, mas sim num pneu coberto de cimento com um cilindro de ferro, que servia habitualmente para encaixar o chapéu-de-sol da esplanada.

Acontece que o chapéu estava guardado na despensa e eu, armada em boa, resolvi sentar-me com grande atitude em cima desse pneu sem reparar no cilindro de ferro. Não consigo traduzir por palavras nem sequer expressões onomatopeicas, a dor excruciante que senti quando o meu cóxcis se rachou naquele ferro. Foi violento.

E violento foi também o facto de eu descobrir, com essa idade, que com o cóxcis fendido e todo o meu ser a entrar em shut down, eu não soltei um pio nem demonstrei a mais ligeira perturbação...

Pelo contrário, para não dar o braço a torcer e anunciar ao mundo que tinha o osso do rabo estilhaçado, eu aguentei UMA TARDE INTEIRA no café,lançando piadas e rindo-me das suas histórias, sem ele jamais suspeitar que aquele miuda que ali estava, deveria era ser imediatamente imobilizada numa maca a aguardar cirurgia.

Contas feitas, esse flirtzinho aos 12 anos rendeu-me uma deformação no último disco da coluna vertebral que por sua vez originou uma hérnia discal que, pasme-se, vive comigo há 14 anos... Foi claramente um flirt mal jogado,

e que nem sequer valeu a pena, uma vez que nesse mesmo ano ele foi viver para a terra dos avós em Vilarinho da Castanheira (nunca mais me esqueço) e quando o reencontrei há uns três anos, verifiquei desolada que ele tinha uns quantos dentes podres e dava-me, na melhor das hipóteses, pelo meu umbigo.

Concluo assim que, em situações embaraçosas que envolvam os conceitos de "rabo" , "ferro" e "fractura-luxação coccígea", ponderem os prós e contras de uma eventual chamada para a Emergência Médica.

- Caso optem pela chamada telefónica, adianto que podem poupar muitas dores de traseiro e muitos e muitos euros em analgésicos narcóticos e TACs sacro-lombares.

- Caso optem pela total discrição e por um resto de tarde a flirtar ( abstraindo portanto da Experiência de Quase-Morte de rachar o ânus até ao último ossinho), certifiquem-se apenas que esse rapaz:

1.º - vai continuar a viver na vossa comarca ou, caso tenha mesmo que se mudar, não vá parar ao município de Carrazeda de Ansiães ;

2.º - tem hábitos de higiene oral senão diários, pelo menos regulares;

3.º -metricamente falando, tem grandes probabilidades de, na fase pós-puberdade, não se quedar nuns horripilantes 1.62 .

Assinado: portadora de hérnia discal mais burra de todos os tempos.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Vai mas é

Tenho um amigo, o Pedro, que gosta imoderadamente dos sketches do Nuno Lopes nos Contemporâneos, principalmente dos "vai mas é trabalhar". Foi assim que eu, que não vejo muita televisão sem ser axn, ia ouvindo as façanhas do Nuno Lopes (que sempre achei uma sexyness total) e, um bocado à deriva, tomava a nota mental de que quando pudesse tinha que ir ver isso no youtube.

Ora no fim de semana passado fui descansar para a terra dos meus avós. Note-se que naquela aldeia só existem eucaliptos, cagalhotas de cabra e sete velhos. E pelos vistos, existe também o Nuno Lopes dos Contemporâneos.

Simpático, conversador e interessado. Medo. É que eu, sempre com tanto paleio para tudo, especialmente o que não interessa, não consegui articular ideias uma vez que nunca tinha visto o programa e ao tentar recordar desesperadamente as actuações do Pedro, apenas o vazio se me assomava.

Ao invés, o analfabeto do meu irmão apalastrava demoradamente sobre os Contemporâneos e o Programa da Maria (Rueff), tendo ainda desbobinado o sketche do anão praticamente por ordem alfabética. O Nuno Lopes ria-se abertamente e eu, ansiosa, olhava para um e para outro qual bola de ping-pong e tentava meter a colherada sempre que podia. O que, em abono da verdade, não aconteceu.

Então quando começaram os dois a discutir cinema sueco e a mencionar nomes que eu nem consigo aqui soletrar, dei-me finalmente por vencida e voltei a sentar-me na soleira da porta a apanhar sol. Passaram o resto da semana juntos, em passeatas e festinhas de aldeia sempre em aceso diálogo. Sim, já se alvitrou que eles seriam gays, mas acreditem, não sou uma entendida mas aquele actor parece-me bem macho.

O estranho disto nem foi bem olhar para a direita e ver uma horta com nabiças e repolhos, e olhar para a esquerda e ver o Nuno Lopes, deitado na minha espreguiçadeira a conversar em tronco nu.

O estranho foi saber que aquele que é considerado um dos melhores actores de teatro, cinema e televisão em Portugal, contratado pela Rede Globo e galardoado nos globos de ouro, no festival de cinema luso-brasileiro e no festival de cinema de berlim, achou que, num qualquer período da vida dele, conversar com o meu irmão seria bem mais proveitoso do que falar comigo! Francamente, o mundo está ou não perdido?

Spooky

sexta-feira, agosto 29, 2008

Guiada pela mão..

Tenho uma grande amiga minha que, não obstante ser muito iluminada para a realidade da vida, é muito séria e crê piamente que a masturbação é pecado e que Jesus recrimina. É bonita, sexy, inteligente e bem-formada, mas devido a qualquer perturbação congénita descompensou nalgum lado e tudo a que lhe cheire a clítoris fá-la benzer-se com uma mão e tapar-se pudicamente com a outra (sem, no entanto, se tocar).

Esta minha amiga, por volta do mês de Maio disse-me que me ia contar algo: ( a tremer de antecipação, pensei que ela fosse finalmente contar-me que se tinha "entretido" ! - o que me tornava vitoriosa após todas as discussões que já tivémos e que acabaram, invariavelmente, comigo roxa de nervos prestes a dar-lhe um pontapé na fuça para ver se ela se mancava para a vida )

e, com o seu ar sério e porte seguro explicou-me:

"Susana, já decidi que até o mais tardar até Setembro, se Deus quiser, vou sair do emprego onde estou, sem ferir quaisquer susceptibilidades dos meus patrões, vou arranjar um excelente trabalho, bem remunerado, com seguro médico e parque de estacionamento." Ri-me.


Ora esta minha amiga, que trabalhava com uns miudos ranhosos de 10 anos num pré-fabricado de lata num monte aqui perto,


viu o seu contrato a termo ser rescindido no dia 27 de Agosto e soube hoje, dia 29, que entrou num dos maiores grupos construtores portugueses, com seguro médico, lugar no parque de estacionamento e a ganhar dolorosamente bem. Vai começar a trabalhar 2ª feira, dia 1 de Setembro.


Senhor Jesus: peço mil desculpas pela "situação" de terça-feira à noite. Estava sozinha, desocupada.. Sei que actualmente estou demasiado conspurcada para Te pedir o quer que seja, mas espero que compreendas que não vivo perto do Renato e o meu corpo por vezes ressente-se. E se eu Te disser que não volto a pecar?


...sim, já sei. Inoportuna Omnipresência. :(

sexta-feira, julho 18, 2008

Idiota-Mor

Sábado à noite, festa de aniversário de um amigo que comemorava a entrada nos 30 (medo).

Depois do jantar, malta sentada no chão à volta do perímetro da sala pronta para alinhar num jogo chamado "como é o teu?". Basicamente, uma pessoa sai fora da sala enquanto as outras esolhem uma parte do corpo para descrever. Quando essa pessoa regressa, tem que questionar os presentes a fim de descobrir que parte anatómica foi afinal escolhida.

Sai o Renato. Após saturada discussão, escolhemos o "céu da boca". Ele regressa à sala e começa a perguntar, um a um "como é o teu"?

Ouvem-se variadas e maliciosas respostas: é húmido, vermelho, escorregadio, sedoso, faz sons, molhado, entre outros adjectivos.

Chega à minha vez e eu, a transbordar de amor digo: "o meu...deseja-te" e semi-cerrei os olhos, imaginando os longos beijos que já trocámos, aquele palato maravilhoso que tão deliciosamente acolhe o meu!

Então ele fica meio parado, com um ar distante, provavelmente ponderando as respostas já dadas, e arrisca:

"o ânus?"

Toda a sala explodiu em gargalhada. "O ÂNUS??"-gritei eu, apanhada completamente desprevenida com os olhos sanguinários trucidando-o de alto a baixo.

Chamei-lhe todos os nomes possíveis, enquanto ele tentava desesperadamente explicar-se, dizendo que estava distraído a pensar nos outros comentários e tinha acabado por nem ouvir a minha resposta.

Balanço da noite:

- Susana, morta de vergonha e note-se, sem qualquer proveito;
- Renato, o acidental herói sodomizador.

Só lhe voltei a dirigir palavra anteontem porque afinal, vamos hoje de FÉRIAS! Mesmo assim ele que venha aninhar-se para os meus lados que eu logo lhe dou a distracção...

saudações vereneantes para todos.

sexta-feira, julho 11, 2008

álvaro de campos

Ia eu a descer o Chiado esta semana, quando vejo um grupinho do que me pareceu serem à distância 3 amigos amish. Vestiam paletó preto, com um chapéu de cartola também preto, e apoiavam-se numa bengala, mas como estavam de costas não consegui visualizá-los melhor.

Pouco curiosa como sou, cheguei-me o mais possível junto a eles, quando, de repente um se virou e chocou de lado contra mim. Surpreendida, verifico que afinal não eram 3 amish nem nada que se assemelhasse, mas sim 3 Fernandos Pessoa de bigodes e tudo!

Acontece que aquele que chocou contra mim ficou a fitar-me sem desviar os olhos e eu, nervosa, temendo estar na presença de 3 tresloucados fugidos do Júlio, continuei a descer a Rua Nova do Almada como se nada fosse ( poetas mortos em triplicado? todos os dias).

Para minha imensa vergonha, vira-se o 1.º Fernando Pessoa e berra aos meus ouvidos: "Ó MINHA DOCE OFÉLIA!". E os outros todos seguem-se-lhe também a berrar e declamam estrofes inteiras. Obviamente que eu não fiquei para as ouvir, já que fugi chiado abaixo à velocidade estonteante a que as minhas socas mo permitiam.

Para meu infortúnio e grande gáudio dos turistas, aqueles 3 doidos desceram a rua atrás de mim sempre a declamar em grande estardalhaço até que eu, num golpe de génio, me escondo na Caixa Geral de Depósitos e eles continuam em direcção ao Terreiro do Paço.

Devia estar profundamente branca, porque o segurança do banco chega-se ao pé de mim a rir-se e diz" a semana passada eram o Gil Vicente! Isto são iniciativas malucas da Câmara".

No meio do azar ainda tive sorte. Gil Vicente? 3 homens de collants e calções de balão atrás a perseguirem-me enquanto declamavam "o monólogo do vaqueiro" ia ser demais para o meu pobre coração.

E no fim, fica a dúvida, seria o próprio ou heterónimo?

segunda-feira, julho 07, 2008

Ser criança é...

No fim de semana passado, a nossa associação dos miúdos participou numa corrida de carrinhos de rolamentos. O nosso carro era um portento, consistente numa tábua de um roupeiro, com duas cordas a fazer de volante e um pau colado a uma roda de borracha a servir de travão (- somos assim, sempre preocupados com os mínimos pormenores).

A corrida foi numa rua íngreme aqui da terra, cortada ao trânsito e repleta de pessoas e fardos de palha nas valetas. E eis que ela se inicia.O nosso carrinho foi logo o primeiro. Começou muito bem, com uma saída numa bisga incalculável.

O nosso condutor era um dos miúdos, um pré-adolescente de 11 anos - que tinha ameçado de morte todos os colegas da associação caso não fosse ele a conduzir a viatura - que sorria vitorioso enquanto a sua carapinha esvoaçava por fora do capacete.

Desolador foi depois, quando a meio da rua o carro perde a força e fica por ali a marinar ao pé de uns caixote do lixo.

As pessoas que antes aplaudiam, riam-se agora de dedo em riste. A criança, envergonhada, choramingava agarrado ao pau do travão, tentando pateticamente balancear de novo o carrinho com os seus ténis mais que rotos.

Entretanto os outros miúdos do grupo, com o instinto vingativo ao rubro resolvem aplicar-lhe um vigoroso pontapé nas costas e a criança, morta de susto com as mãozitas a raspar no asfalto lança-se novamente na corrida e acaba por terminá-la em tempo recorde.

Ficámos em último lugar, desclassificados por batotice.O cenário? Enternecedor, com o condutor choroso a soprar nas mãos esfoladas e os outros miúdos todos a cuspir asneiras em crioulo.

é que é mesmo isto, afinal, a beleza de ser criança...
Saudades, muitas.

sexta-feira, junho 20, 2008

Uma manhã no Linhó

Tendo conseguido mais uma cliente, fui conversar melhor com ela ao estabelecimento prisional. A Verónica tinha 28 anos, um companheiro mas não tinha filhos. Estava acusada de dois acrimes de roubo e confessou-se profundamente arrependida. "Foi a droga, desgraçou-me" - lamentou-se Verónica, enquanto limpava as lágrimas de uma dor sincera. "quando sair daqui...só quero endireitar a minha vida".

Fitei-a um pouco desconcertada. É que a Verónica era um preto musculado chamado Vítor, com quase dois metros e só com um dente da frente. Usava um toutiço repuxado no meio duma cabeça feia e pintava as beiças de carmim. Usava ainda um top preto decotado (com as alcinhas brancas do soutien propositadamente à mostra), não obstante a ausência absoluta e confrangedora de quaisquer mamas. As calças eram brancas,daquelas de gingar na capoeira, num elastano fininho que deixava transparecer o montinho dos testículos e uma pichota pouco envergonhada.

"Isto não é vida para ninguém.." - repetiu laconicamente Verónica, enquanto eu tentava desviar as vistas daquele único dente que o angolano tinha na gengiva de cima. "Claro Verónica, isto não é vida". Tradução: se queres ser uns transsexual decente arranja os dentes da frente e não uses calças justas enquanto tiveres pila de africano.

Não sei o que assustou mais o empregado da loja roubada, se a ordem para meter os 900 euros no saco, se a mão do homem que empunhava o revólver ter as unhas pintadas de rosa fushia com uns cristaizinhos embutidos. Espero que o seguro dele cubra o stress pós-traumático.

quarta-feira, junho 11, 2008

A insustentável leveza de ser gay

Descobri eu por estes dias que um amigo meu (e quando digo amigo, é na mais plena acepção verbalística da coisa), é homossexual praticante.

Reparem, o choque não reside no facto de ele se deleitar nos braços peludos de outro homem. (confesso que as práticas sexuais entre duas pilas amigas deixam-me profundamente intrigada, mas nada que me tire o sono).

Ora o choque desta revelação residiu então, não no facto deste meu amigo ser, enfim, boiola, mas sim no facto de ele ter tido um terror puro de me contar devido... ao meu blogue....Pois é, parece que no meio de tantas expressões pouco valorosas para os homossexuais, que pelos vistos eu inadvertidamente (hihihi) escrevi, acabei por desincentivar qualquer ser homoafectivo a desabafar comigo.

Ora, eu sempre defendi o carácter lúdico e pobretanamente didáctico do salsicha. Sei que escrever expressões semelhantes a agasalha o croquete e abafador de costeletas mostram-se pouco motivantes para uma partilha homossexual mais profunda.

Efectivamente vocês amam-se através dos rabos, e essa situação leva-me inevitavelmente a comentários mais porcalhotes, mas sempre, sempre, na brincadeira e sem qualquer maldade aqui da Su.

Um beijo grande para todos os cuecão de couro meus amigos e que têm medo de mim ( - medo de mim? como querem que não vos chame mariquinhas?!) Sabem bem que a porta estará sempre aberta. A da frente.

quinta-feira, março 20, 2008

Era mesmo esta que me faltava

Isto há coisas que não lembram a ninguém, especialmente após os meus 3 ou 4 posts invejosos versando sobre raparigas bonitas e vistosas.

Há uns dias a Bianca, aproveitando uma distracção minha, avistou um gato e atirou-se muro fora com as 3 patas que lhe restam e desapareceu numa bisga. Só tive tempo de ir buscar as chaves e correr rua abaixo não fosse ela ficar definitivamente aleijada.

Ia eu, note-se, de pijama desirmanados (calças das ovelhas e camisola dos pinguins), sem soutien, de meias rotas e cabelos gordurosos ao vento, quando vem a subir a rua, a pé, na minha direcção, uma rapariga de dois metros, loira e de botas altas, que dá pelo nome de Merche Romero.

Afrouxei o sufciente de lhe lançar uns olhos gulosos e observar sofregamente tudo o que os meus olhos alcançavam.

E, meus confrades, que dor. Nenhuma mulher, acabada de acordar mas de bons sentimentos como a minha pessoa, deveria ser sumetida a tamanha humilhação. E lá continuei eu, de peúga rota em riste, na demanda do cão aleijado,

isto enquanto Merche Romero subia segura e bem formosa a minha rua (que, pasme-se, até nem tem saída).

Ora passados 3 dias, voltei a ver Merche.
E deste vez eu até estava vestida. De fato completo e botas altas. E caramba, continuei exactamente com a mesma sensação, basicamente uma refugiada libanesa, com ranho no nariz e cabelo colado à testa.

Dias depois o mistério resolveu-se. Um ex da dita é o meu mais recente vizinho, e não me refiro obviamente ao Cristiano, se não não estaria aqui a escrever estas linhas ao computador mas sim de binóculo em punho escondida no sotão,

pelo que algo me diz que me vou sentir ratazana de esgoto, lodosa e rexumenga muitas mais vezes que seria de esperar na minha própria terra, na minha própria rua.

"Ah e tal, é gira mas é bem burra, não te preocupes" - consolam-me os amigos.
Pois preocupo-me. E muito. E o menino Renato vai-me mas é passar a ir buscar ao quarteirão de cima que eu não quero cá misturas.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

abaixo as angolanas (do hi5!)

Eu disse todos os dias? ops, lapsus linguae...sou tão adoravelmente mentirosa não sou?

Agora que o meu R me vai deixar durante 1 mês, preciso de me distrair q.b. para não ficar a pensar o que é que ele andará fazer por aqueles caminhos sórdidos e repletos de podridão devassa chamada "Angola",

a cruzar destinos com miúdas de beiças mal pintadas cheias de calor e de maus princípios chamadas "angolanas do hi5". Quer dizer, não é de fonte segura, mas deduzo isso pelas fotos hereges das meninas nesse site.

Acreditem, cuscar o profile de uma angolana mais dada é certamente uma das experiências mais atrozes que tenho vivenciado nos últimos tempos.

E reparem, tenho visto muita coisa: VERÍDICO, noutro dia na R. Gomes Freire, vi um sem abrigo a fazer cócó no meio do passeio, limpou-se a uns papéis e com os mesmos tapou o montinho. Ainda sim, ver o rabo sujo de um adulto que não o nosso pai ou o nosso irmão a evacuar no meio de Lisboa é mais tranquilizante que ver uma angolana tentar seduzir no hi5.

E lá vai o meu R, belo que nem o mais belo dos deuses gregos para o meio da selva com aquelas abutres sedentas de paixão com uns traseiros gigantescos e seios pequenos clamando por carícias.

Medo. Desolação.

sábado, janeiro 05, 2008

Era uma vez uma Soraia Chaves

(ó gentinha apressada... )

E ano começou bem:

por já ter visto todos os filmes em cartaz no Arena Shoping (zona oeste), lá fui arrastada para uma obra prima do Tino e fui ver o Call Girl.

Olhei para o lado, Renato com olhos mortiços salivando despudoradamente, e ouvi: " esta Soraia Chaves é mesmo parecida com a Ana (ex)". Eu fiquei queda e engoli em seco.

E ele, continuando: "é que é mesmo parecida. até a maneira de mexer as mãos, o cabelo".

volto a encarar o écran, uma Soraia divina, beleza de Petrarca, com um top sem soutien (como é possível meu Deus), cabelo e mãos perfeitas. Ele continuava "nunca tinha reparado, é que são mesmo iguaizinhas, a Ana era é um bocadinho mais alta".

E eu, enterrada na cadeira, sem que que o salto das botas chegasse sequer perto do chão, com a barrigona a abarrotar de pipocas e tentando não arrotar a coca-cola, senti-me subitamente mal.

Verti umas lágrimas sem que ele se apercebesse. Funguei-me nas mangas e continuei a chorar baixinho, uma birrinha de inveja no fundo, cheia de pena de mim própria. Até que ele me diz novamente, sem descolar os ollhos do écran " e sabes quem é que esta me faz lembrar?"

com os olhos enevoados vejo uma Daniela Faria de cara lavada, linda e sexy.

Não sei o que me deu, mas possuída por uma coisa má virei-me para ele e gritei-lhe mesmo na cara " DEIXA-ME ADIVINHAR PARECE A TUA PRIMEIRA NAMORADA E EU PAREÇO É O BURRO DO SHREK!"

e larguei num pranto, frente a um Renato atordoado. E nesse momento volto a ter o meu namorado amoroso, que apercebendo-se da sua insensibilidade podre, me cobre de beijos e me acolhe no seu regaço dizendo "não sejas parvinha, és muito mais bonita que a Soraia Chaves".

Lanço-lhe um segundo olhar inquiridor e ele acrescenta solícito "E muito mais bem-feita, claro".

Continuo a fitá-lo impiedosa. Ele pensa um bocadinho e numa ligeira hesitação arrisca:

" E muito mais inteligente?".

Faço um aceno de assentimento e voltamos a abraçar-nos. Adoro quando a verdade é reposta e tudo acaba bem.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Os enganados

Anúncio: A partir de dia 1 vou escrever todos os dias neste blogue.

Curiosidade: adorei o Beowulf, apesar de ter ficado com uma dor de cabeça valente após ter estado uma hora a discutir com o tarado sexual do Renato que esteve o filme todo fixado nos bicos das mamas da Angelina Jolie.

Há-de cá vir.