quarta-feira, setembro 02, 2009

O estranho caso do BPN e os peitos de lona

Num destes domingos, após a minha chegada de férias:

Avó (fazendo conversa): então Susana, já sabes que que encontraram coisas muito valiosas ali na... na... na retrete do genro da Ti Maria da Capelina?

Eu (sem ter a certeza de ter compreendido o cerne da questão) - Hein??

Avó (muito circunspecta na sua cadeira) : Sim senhora, coisas importantes, muito valiosas!

Eu - Na retrete? Do genro da Ti Maria da Capelina? Quem é esse?!

Avó - é o genro dela! é aquele que não tarda nada está mas é com uma pulseira num pé!

Eu - Pulseira num pé?

Avó - Aquele... ´ca mulher tem um peito de lona!

Eu (cada vez mais intrigada): Peito de lona?? Não percebi ainda nada

Avó (impaciente): olha cala-te, não me apoquentes!

Entretanto passa a minha mãe a rir-se e descodifica:

- Acho que ela está a falar do Dias Loureiro, que se casou com a filha da Ti Capelina lá da terra ao que parece ela meteu mamas de silicone... Bem, fizeram uma busca a casa deles encontraram uns documentos importantes através de uma passagem na casa de banho para um anexo. Ah, acho que a tua avó pensa que ele vai de pulseira electrónica. Não sei, por enquanto ainda não foi.

Volto-me lentamente na direcção da minha avó.

Ela continua impassível, luneta no fundo do nariz a olhar-me como se eu fosse uma criatura particularmente imbecil por não compreender o seu raciocínio exemplar.

Tenho medo de envelhecer.

sexta-feira, julho 10, 2009

Homem Aranha e a peruca loira

Fui preparar no início deste ano o julgamento de um dos meus clientes mais antigos e que me são mais queridos. Comecei a ouvir muito atenta, com papel e caneta em punho. No fim, acabei a visita com os olhitos marejados de riso: leiam a odisseia verídica do homem que já fá foi considerado o melhor assaltante/trepador de prédios da zona de Lisboa e que é afinal um dos homem mais amorosos e adoráveis que conheço: (e cujo história posso contar porque já está condenado)

Preso (meio envergonhado, pigarreando)- : "Drª, isto foi assim:

Eu e o outro decidimos ir roubar umas coisinhas nuns apartamentos, eu subi pelos estendais, disfarçado com uma peruca loira a fingir de mulher e ele ficou cá em baixo para apanhar o material. Eu subi a um 5º andar ,tirei as cenas e vou à janela da cozinha para as atirar cá para baixo, o pior é que ele tinha adormecido debaixo de um carro e eu não podia ir chamá-lo!

Agarrei então numa fruteira da mesa da cozinha e começo a atirar-lhe com a fruta mas ele não acordou então vou e atiro-lhe com a fruteira aos pneus do carro. Ele lá acordou e apanhou o material todo do chão - umas moedas de colecção e um fato de Karting. O problema foi que com o estardalhaço da fruteira a malta do prédio acordou e começaram num berreiro.

Eu tive que fugir outra vez pelos estendais abaixo, entretanto aparecem na rua 2 psp da damaia que andavam a fazer a ronda e o meu companheiro esconde-se dentro do caixote do lixo com o material todo, mas deixa o blusão do Karting preso no pedal do caixote e a bófia apanha-o. Eles a mim não me viram, então eu desço pelos estendais para a estrada e finjo que não é nada comigo, mas esqueci-me que tinha a peruca loira, eles olham para mim e sou logo pranxado naquele momento!

Prontos, e foi só isto".


E para mim foi o bastante, uma barrigada de riso. E para os ofendidos do 5.º andar também, que quando foram à audiência de julgamente não puderam deixar de rir quando recordaram o momento em que foram fazer o reconhecimento à "Mulher Aranha", como a Polícia maldosamente o apelidou.

Moral da história: dois anos e meio de prisão efectiva, uma tarde bem passada e uma grande lição: se tiver grande agilidade e uma enorme força de vontade de furtar, ESCONDA A PIRUCA!

Vale e Azevedo - extraditado JÁ!

Esta semana resolvi ofertar uma televisão à minha reclusa transsexual de estimação (o tal preto de dois metros de altura e apenas um dente), que mês após mês se lamuriava da falta que aquele objecto que fazia.

Esta tarde, um bocado mal-humorada, lá entro eu no estabelecimento prisional com a televisão às costas, cheia de calor e com os pés cheios de bolhas.

Entra em grande a minha traveca, super-cheirosa do seu recente banho das 17h00, a anunciar-me orgulhosa que tinha ganho o campeonato de playstation da prisão, que o seu namorado estava na cela deitado em tronco nu, em pulgas para irem ver um filmezinho (na posição de conchinha adiantou), na minha recém ofertada televisão...

Depois de um dia de cão, apeteceu-me estrafegá-la e dar-lhe uns pontapés no dente.

Mas limitei-me a ser maldosa e perguntei-lhe: "ah que giro, só é pena terem que ir ver o portugal no coração enfim, não haver nada de jeito nos 4 canais"...

- "4 canais?! ai não, que horror, graças a Deus o Vale e Avedo deixou a tv cabo paga até ao ano de 2012.Hoje à noite vamos ver o Rancho das Coelhinhas na Sic Radical" - confidenciou-me ela, piscando o olho lampeira.

Raiva.

- Mais de 110 de canais!! - acrescentou.

Conclusão jurídico-processual: Odeio o Vale e Azevedo.

domingo, junho 21, 2009

reiki e as práticas anais

Na semana passada tive a rica ideia de fazer reiki. Não fazia a mínima ideia do que era, se consistia numa simples meditação, se era individual ou em dinâmica de grupo, se tinha que fazer cenas maradas esotéricas (como pendurar os calcanhares atrás das orelhas, como vi fazer, horrorizada, numa aula de yoga) enfim, fui na absoluta ignorância.

Afinal era uma espécie de consulta com um mestre, numa sala na penumbra, com incensos e música celestial. Eesse homem , sempre caloroso, colocou-me questões pessoais enquanto tirava apontamentos e escrevia no computador. De repente o telemóvel dele toca e, desculpando-se, sai da sala.

Uma vontade incontrolável de espreitar o computador e ler o que ele escreveu sobre mim assola-me... hesito...e, como bom diabo-da-tasmânia que sou, sem qaisquer resguardos éticos levanto-me da cadeira, circundo a mesa e olho para o écran.

Numa janela minimizada um site gay, com uma data de fotos de homens em tronco nu cheios de pêlos, um pouco gordos e bastantes feios. Numa outra um chat gay, com umas 5 ou 6 conversações em simultâneo com nicks bizarros.

Primeiro a petrificação, mas depois o sangue recomeça a circular-me nas veias e dá-me uma vontade indescritível de rir, rir até não poder mais. Mas rapidamente tive que me conter, calçar um chinelo que entretanto que me tinha saído de um pé e voltar a sentar-me na cadeira com um ar absolutamente amoroso. A consulta decorreu lindamente, com direito a aberturas de chakras e pavores semelhantes.

No final ele perguntou-me se eu me sentia melhor. Pensei nas probabilidades de ir a uma consulta de reiki com um mestre que afinal nem ouviu nada do que eu disse e está é mortinho para meter uma pila na boca e ri-me mais uma vez respondendo que me sentia muito bem tinha sido uma hora bem passada.

À porta perguntou-me se nos veríamos novamente, referindo-se obviamente a nova consulta e eu disse "claro!" acrescentando para mim: "sábado, no arraial gay pride meu granda abafador de croquetes!". Ri-me mais uma vez e fui para o carro, feliz.

quarta-feira, maio 13, 2009

Por que não fui anestesiada?

Acho que neste fim de semana me aconteceu o pior pesadelo que podia ocorrer na vida de uma pessoa com alguma dignidade. Fui para o hospital de ambulância e, acreditem, não ocorreram problemas de maior a não o que se segue:

Susana deitada numa maca a congeminar: Meu Deus, vão-me despir? Como está a minha depilação? Tenho os peúgos rotos com um grande nó na ponta? Mentalmente, revi:

- virilhas - ok
- meia-perna - ok
- axilas - ok
- peúgos... semi-rotos - D´oh!

Enfim, penso que o meu grande calcanhar de aquiles eram mesmo as alças dilaceradas pelo tempo e umas meias pouco apresentáveis (é das botas, juro). De resto, tudo tranquilo.

Até que uma auxiliar me tenta despir (eu estava meio adormecida), a fim de me enfiar uma bata e oiço-a a praguejar sozinha:

- Chiça. Merda!

E eu sem perceber bem o que estava a acontecer.

E ela continuava, sozinha: - Que grande merda! e dava estalinhos entredentes em sinal de desagrado. Até que grita e eu, mesmo semi-inconsciente, estremeci de vergonha:

- Porra, alguém me ajuda a tirar as calças de ganga a esta miúda parecem que estão é coladas ao cu, mais à merda!

E vem mais uma auxiliar para ajudá-la a arrancar as minhas calças de ganga justinhas e fazerem-nas passar, primeiro pelo rabo e depois pelas ancas.

Sempre achei que os meus jeans eram sexys. Até serem precisas duas mulheres de meia-idade para mos arrancarem de mim própria. Penso que não tenho grande maturidade.

terça-feira, maio 05, 2009

A essência do tempo

Hoje de manhã estive num julgamento com vários arguidos traficantezecos. Um dos advogados de defesa, questionando o polícia sobre manobras de vigilância que tinham sido efectuadas sobre dois dos arguidos, numa casa de banho de uma estação da cp,

- e querendo, no fundo, demonstrar que os 2 arguidos (o constituinte dele e o meu), pelo tempo que lá estiveram podiam não estar necessariamente a delinquir, mas quiçá a urinar, avança:

advogado : "sr. agente, quanto tempo demoraram os 2 arguidos na casa de banho da estação de comboios?"
polícia: "não me recordo, 3 minutos... não sei precisar...entre 3 minutos...talvez 15"
advogado: "ó sr. agente..., tem que ser mais preciso! é que de 3 minutos a 15 minutos vai uma grande distância! Eu em 3 minutos posso fazer um simples xixi mas em 15 minutos é claro que já posso estar a fazer outras coisas!"

meu arguido - que é claramente retardado mental e deve ser inimputável: YA DREAD, A ALIVIAR UM CAGALHÃO!!

Se corei? Não.
Não corei porque morri.

domingo, abril 12, 2009

Demasiadas horas de Youtube

Estava eu aqui neste domingo pascal, pensando piedosamente nos desígnios que o Senhor me reservava, quando matutei no seguinte:

Vocês não acham, sinceramente, que a pessoa mais bela de todo o universo, desde os tempos imemoriais até ao dia de hoje é a miúda do videoclip da Lambada??

Não querendo cercear as vossas opiniões, mas realmente vocês já atentaram, com olhos de ver, naquela rapariguinha (12 anos no máxim, como é que é possível), que se saracoteia e nos envolve naquele video dos Kaoma, no longínquo ano de 89 ? Loira, esguia, simplesmente perfeita, olhar meigo... e o cabelo...o cabelo, meu Deus?! O mundo parou, a minha respiração entrecortou-se, fiquei presa no tempo.

O pretinho do videoclip (feio que nem um urso, que não deve ter nem 9 anos e não lhe chega nem aos queixos)enfim, um pobre ranhoso das favelas tenta corajosa (e comovedoramente) a sua sorte mas, afinal meus caros, afinal... quem não tentaria?!

Tecnicamente, este post serve para esclarecer o seguinte: No início deste blogue, em 2005, em afirmei, sem falsos pudores que, se mo fosse permitido, eu daria uma voltinha com a Monica Belluci.

Pois fica aqui a correcção : revisitado o vídeo dos Kaoma no Youtube, eu daria uma voltinha sim, mas com a miúda da Lambada. Monica desculpa, mas eu não sou de meias verdades. Muito menos neste sacrossanto domingo pascal.

Estou absolutamente apaixonada.

quarta-feira, março 11, 2009

Quem quer ser prostituta?

Todas as noites tenho que passar pelo IST. Como é sabido, nas esquinas deste Instituto costumam parar umas senhoras pouco recomendáveis, commumente chamadas de "putas do Técnico". Ora estas senhoras, cujas maiores competências sociais deveriam ser, aparentemente, equilibrarem-se numa parede e rodarem uma bolsinha, revelam-se afinal seres bastante perspicazes e de grande intuição.

As meninas, nunca são as mesmas. Em passo estugado, caminho com a maior naturalidade, escondendo mestriamente o meu medo de que, confundindo-me como uma delas, as prostitutas me batam ou simplesmente toquem e que eu contraia gonorreia. Ora quinze dias depois destas incursões nocturnas, descobri duas coisas:

1.º - as prostitutas são, mais uma vez sublinho, seres bastante intuitivos, que facilmente apreendem que eu não sou mulher de biscates, não ofereço qualquer tipo de concorrência, pelo que sou simplesmente invisível e ignoram-me de uma forma quase que cruel;

2.º - os homens são totalmente estúpidos.

É que eu vou sempre irrepreensivelmente vestida, sem decotes e saracoteios, carregada de livros e muitas vezes até levo os óculos e se o dia foi mesmo longo já troquei para os ténis. Mas os homens (não todos, mas os suficientes para eu ficar lixada), burros que nem portas e toldados pela excitação sexual, enconstam os carros, fazem sinais de luzes, chamam-me acenando as manápulas ou com um breve "pssstt", uns sorrindo, outros borrados de medo, mas nunca se inibindo de pensarem que sou meretriz!

As putas, mulheres sensatas esclarecidas, observam divertidas - e eu...
bem, eu nem olho para os condutores, mas vou cá com um mau feitio de quem é que capaz de lhes partir a cara em dois e continuo nervosa o meu caminho.

Portanto, Mulheres, independentemente da ocupação profissional, inteligentes.
Homens, independentemente da profissão ou veículo automóvel, lamento - deprimentes.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Eu quero é que a bimby vá para o raio que a parta!

Não deixa de ser curioso eu ter saído de casa (glup...ainda me custa a escrever) e a questão que amiúde se coloca ser ..a bimby!!

esqueçam a bimby, eu já esqueci, por variadas razões:

1.º - a minha mãe ficou com ela, não ma ofereceu, suspeito que tenha ficado viciada após a feitura de uns croquetes que, pela primeira vez na vida dela não escorreram óleo por todos os poros e não nos deram a volta ao estômago;

2.º - entretanto descobri que mudar de casa é a maneira mais saudável de ficar anoréctica.
Pois é. sempre que chego a casa só me apetece abrir o firgorífico e sacar dois iogurtes e quiçá uma maçã reineta. - quero lá saber da bimby e das suas vitelas marinadas em molho de maracujá!!

E já gora, à laia de desabafo, o verdadeiro problema é que...... nestes últimos dias não só tenho medo dos fantasmas e miúdas exorcizadas, como também já tenho medo dos ladrões!

Nunca me tinha ocorrido, mas alertada por dezenas de vozes amigas e após demorada reflexão apercebi-me que um gatuno pode ser tão ou mais prejudical que uma alma penada.

Mas há alguém contente neste mundo com aquilo que a vida lhe proporciona?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

crescer

Caríssimos,

após 28 anos de uma experiência linda e maravilhosa que foi viver com os meus pais, saí de casa .
Como me sinto?

susana - tenho medo de aqui dormir
renato- não sejas parva, estás num 4.º andar, ninguém te entra pela casa adentro
susana - parvo és tu, não tenho medo de ladrões, tenho é medo dos fantasmas.

é chocante aperceber-me que após ter feito aquilo com que sonhei uma adolescência inteirinha, quando estou na minha casa só me consigo lembrar da miúda do Exorcista.

Qual liberdade, qual música alta, qual noitadas até às nove da matina... Naquela casa só se me assomam ideias sobre possessões demoníacas, cemitérios e espíritos maléficos.

Às vezes também penso que tenho que cozinhar sopa e passar as calças com vinco a ferro, mas é um terror diferente, mais subtil e menos nocivo.

E enquanto escrevo estas linhas os meus pêlos da nuca eriçam-se e olho para todos os lados, inclusive dentro do roupeiro (debaixo da cama já vi, espreito sempre quando entro em casa, ainda com a porta da entrada aberta para facilitar a fuga em caso de aparição).

Quem mandou a minha mãe deixar ver-te tanto filme estúpido em miúda? Como é que ela não alcançou as sequelas emocionais de me deixar ver o Alien- o oitavo passageiro? Acho que vou ver a Favorita para me acalmar. Não via uma telenovela completa desde o Sassaricando. Minto, desde o Roque Santeiro.

É demasiado duro crescer

sábado, dezembro 13, 2008

Bimby 4ever

Quando eu era mais nova, desde os meus 14 anos, esta minha mãe xeiretava tudo o que fosse possível acerca da minha privada. Suponho que fosse para proteger as minhas virtudes e dotes de donzela imaculada, certo é que, qualquer que tenha sido a sua motivaçao, a minha mãe falhou, e muito, embora eu não possa acusá-la de não se ter esforçado:

-Nos acampamentos da catequese, lá estava ela vestida de caqui escondida atrás das sebes;
- nas míticas raves à tarde no liceu, lá estava ela de auscultadores a um canto a fingir que metia som;
- nas festas de anos, fazia sempre questão de entrar com um lanchinho enquanto jogávamos ao "quarto escuro", tendo sempre conseguido estragar todos os beijos com língua, apalpanços de rabos e roçares de maminhas que se proporcionaram na minha adolescência.

Enfim, todo um conjunto de situações que me faziam passar vergonhas e me sugestionaram que o que a minha mãe queria é que eu ficasse a viver com ela para todo o sempre, e, obviamente, muito virgem e burra. No entanto, este meu entendimento tem vindo a ser posto em causa, uma vez que descobri que, neste momento, o que a minha mãe quer é ver-me da casa para fora.

Começou subtilmente, com umas conversas acerca das minhas primas mais novas, que já sairam do lar, desfiando ainda o rol das filhas das amigas que já se haviam emancipado. Depois, tornou-se mais explícita, e eu fui ouvindo e calando. Mas, o mês passado, o golpe foi muito baixo.

A minha mãe chegou a casa com uma Bimby debaixo do braço. Fiquei louca de alegria, quase que perdi os sentidos com a emoção. E ela "Susana, isto fica para ti, mas só abres quando tiveres na tua casa nova".

Fiquei confusa.

"Mas mãe, eu vivo contigo".
"Eu sei." - vincou ela, dando meia-volta com o meu tesouro, escondendo-o algures nas profundidades da garagem.

Ainda só toquei na Bimby uma vez. Sonho com ela todos os dias. Já comecei a ver casas em Algés.

terça-feira, dezembro 02, 2008

O espectro do Banco Alimentar

Não sou de intrigas, mas duas horas de voluntariado no Banco Alimentar num supermercado equivalem , em termos de exaustão emocional, a um mês de ansiedade esperando pela conta da PT e a tareia que se segue (o horror inominável, especialmente quando se tem o namorado em Angola).

Tudo no Banco Alimentar me irrita.


- quer contribuir? - pergunto eu, sorriso nos lábios, linda e lampeirinha que nem um anjo
- ah a minha mãe já deu esta manhã.

( e então minha p..., o que é que eu tenho a ver com isso? e tu, não tens mãozinhas para dar aos pobres, o que é que a tua mãe tem a ver com o assunto ? E ontem que eu saiba não é hoje minha grande porca suína) - pensei eu, com um sorriso nos lábios após responder - "Concerteza, obrigada!"

- ah, já dei à bocado. (com alguma imaginação ou vergonha na cara, alguns inventam um qualquer nome de cadeia de supermercados)
(e então meus grandas sumíticos socialistas, custa muito oferecer uma segunda vez é?? E eu lá tenho cara de parva para acharem que me fico com essa resposta e continuamos todos amigos, como se nada fosse e o mundo continuasse a girar?!)

E uma coisa me intriga: fico sinceramente fula quando as pessoas não respondem ao apelo alimentar. Fico, confesso. Apetece-me desferir pontapés na cabeça, injuriá-los até à quinta casa, faço um esforço danado para não demonstrar a ira crescente que me assola.

Mas esta minha fúria nada se compara quando um "não" é proferido por um gajo do ginásio, daqueles armários quadrados todos musculados e com gel espetado naquelas cabeças ocas.
Bule-me sinceramente com os nervos. Todo o meu ser se eriça e apetece-me quebrar ossos.
Deve ter uma explicação científica, mas de momento nada me ocorre. Odeio simplesmente gajos do ginásio que não levam o saquinho do Banco Alimentar.


Portanto, tudo bons sentimentos nesta linda iniciativa de acçõo social. E vocês, contribuiram?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Podre parte VIII

Caríssimos descobri, pelos piores meios, que os ortopedistas que consultamos pela primeira vez não se limitam a analisar os nossos raios-x e ressonâncias magnéticas. Não. No mês passado, um ortopedista recusou a sacola dos exames que eu lhe estendia e pediu-me que me despisse.

Após um breve hesitação, acedi e fiquei apenas com a cueca da promoção da Calzedonia a 1 euro com o sugestivo dizer: "follow me" estampado a letras vermelhas bem no meio do rabo - (realmente o barato sai caro e a dignidade não tem preço).

Mas triste foi quando o ortopedista me pediu que tocasse com os dedos das mãos no chão, enquanto ele, à rectaguarda, avaliava a decrepitude da minha actuação:

Eu jovem viçosa no fulgor dos seus 28 anos, tentava chegar com os braços baloiçantes aos dedinhos dos pés, sendo que o máximo que consegui foi tocar e de relance no ínicio duma tíbia,

e, atenção, isto com os joelhos completamente entortados para dentro. Senti-me tão graciosa quanto um canguru a recolher bolotas na estrada, mas enquanto o marsápio tem pêlo, eu tinha apenas umas cuecas enfiadas pelo rabo adentro.

Suspirei de alívio quando ele me disse para me levantar, mas fiquei aterrorizada quando me mandou deitar na maca e içar o joelho ao nariz. Não pela parte de que obviamente a minha perna esticada aponta apenas e unicamente para o tecto, mas sim pela já habitual dicotomia mulher/depilação-não tenho tempo-fica para amanhã.

Bom, saí daquela Cuf como se tivesse levado uma tareia. Derrotada, humilhada e oficialmente podre a cair de caquética.Não sei como é possível fazer as aulas de power jump, com os joelhos a bater nas beiças, mas certo é que as faço e todinhas até ao fim.

Remeto-me às sábias palavras do padre Alberto, pároco da minha juventude que calava sempre as minhas questões difíceis (quem sou, donde venho, que Jesus espera de mim, porque é que o rapaz da escola de quem eu gosto se chama Ovídio Pequeno) com um encolher de ombros e um sumido"mistérios da fé..." e que me fazia bulir com os meus nervos adolescentes.

Tinhas razão Beto, tinhas razão. Mistérios da Fé. Eu sou a prova viva disso.

domingo, outubro 19, 2008

A Hérnia: O Início

Vou-vos contar uma história linda na minha vida.

Num belo fim de tarde no verão de 1992, tinha eu 12 anos, estava a flirtar com um rapaz vizinho da minha tia num café lá da rua. Entretanto, tive a brilhante ideia de me sentar na esplanada - não numa cadeira -, mas sim num pneu coberto de cimento com um cilindro de ferro, que servia habitualmente para encaixar o chapéu-de-sol da esplanada.

Acontece que o chapéu estava guardado na despensa e eu, armada em boa, resolvi sentar-me com grande atitude em cima desse pneu sem reparar no cilindro de ferro. Não consigo traduzir por palavras nem sequer expressões onomatopeicas, a dor excruciante que senti quando o meu cóxcis se rachou naquele ferro. Foi violento.

E violento foi também o facto de eu descobrir, com essa idade, que com o cóxcis fendido e todo o meu ser a entrar em shut down, eu não soltei um pio nem demonstrei a mais ligeira perturbação...

Pelo contrário, para não dar o braço a torcer e anunciar ao mundo que tinha o osso do rabo estilhaçado, eu aguentei UMA TARDE INTEIRA no café,lançando piadas e rindo-me das suas histórias, sem ele jamais suspeitar que aquele miuda que ali estava, deveria era ser imediatamente imobilizada numa maca a aguardar cirurgia.

Contas feitas, esse flirtzinho aos 12 anos rendeu-me uma deformação no último disco da coluna vertebral que por sua vez originou uma hérnia discal que, pasme-se, vive comigo há 14 anos... Foi claramente um flirt mal jogado,

e que nem sequer valeu a pena, uma vez que nesse mesmo ano ele foi viver para a terra dos avós em Vilarinho da Castanheira (nunca mais me esqueço) e quando o reencontrei há uns três anos, verifiquei desolada que ele tinha uns quantos dentes podres e dava-me, na melhor das hipóteses, pelo meu umbigo.

Concluo assim que, em situações embaraçosas que envolvam os conceitos de "rabo" , "ferro" e "fractura-luxação coccígea", ponderem os prós e contras de uma eventual chamada para a Emergência Médica.

- Caso optem pela chamada telefónica, adianto que podem poupar muitas dores de traseiro e muitos e muitos euros em analgésicos narcóticos e TACs sacro-lombares.

- Caso optem pela total discrição e por um resto de tarde a flirtar ( abstraindo portanto da Experiência de Quase-Morte de rachar o ânus até ao último ossinho), certifiquem-se apenas que esse rapaz:

1.º - vai continuar a viver na vossa comarca ou, caso tenha mesmo que se mudar, não vá parar ao município de Carrazeda de Ansiães ;

2.º - tem hábitos de higiene oral senão diários, pelo menos regulares;

3.º -metricamente falando, tem grandes probabilidades de, na fase pós-puberdade, não se quedar nuns horripilantes 1.62 .

Assinado: portadora de hérnia discal mais burra de todos os tempos.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Vai mas é

Tenho um amigo, o Pedro, que gosta imoderadamente dos sketches do Nuno Lopes nos Contemporâneos, principalmente dos "vai mas é trabalhar". Foi assim que eu, que não vejo muita televisão sem ser axn, ia ouvindo as façanhas do Nuno Lopes (que sempre achei uma sexyness total) e, um bocado à deriva, tomava a nota mental de que quando pudesse tinha que ir ver isso no youtube.

Ora no fim de semana passado fui descansar para a terra dos meus avós. Note-se que naquela aldeia só existem eucaliptos, cagalhotas de cabra e sete velhos. E pelos vistos, existe também o Nuno Lopes dos Contemporâneos.

Simpático, conversador e interessado. Medo. É que eu, sempre com tanto paleio para tudo, especialmente o que não interessa, não consegui articular ideias uma vez que nunca tinha visto o programa e ao tentar recordar desesperadamente as actuações do Pedro, apenas o vazio se me assomava.

Ao invés, o analfabeto do meu irmão apalastrava demoradamente sobre os Contemporâneos e o Programa da Maria (Rueff), tendo ainda desbobinado o sketche do anão praticamente por ordem alfabética. O Nuno Lopes ria-se abertamente e eu, ansiosa, olhava para um e para outro qual bola de ping-pong e tentava meter a colherada sempre que podia. O que, em abono da verdade, não aconteceu.

Então quando começaram os dois a discutir cinema sueco e a mencionar nomes que eu nem consigo aqui soletrar, dei-me finalmente por vencida e voltei a sentar-me na soleira da porta a apanhar sol. Passaram o resto da semana juntos, em passeatas e festinhas de aldeia sempre em aceso diálogo. Sim, já se alvitrou que eles seriam gays, mas acreditem, não sou uma entendida mas aquele actor parece-me bem macho.

O estranho disto nem foi bem olhar para a direita e ver uma horta com nabiças e repolhos, e olhar para a esquerda e ver o Nuno Lopes, deitado na minha espreguiçadeira a conversar em tronco nu.

O estranho foi saber que aquele que é considerado um dos melhores actores de teatro, cinema e televisão em Portugal, contratado pela Rede Globo e galardoado nos globos de ouro, no festival de cinema luso-brasileiro e no festival de cinema de berlim, achou que, num qualquer período da vida dele, conversar com o meu irmão seria bem mais proveitoso do que falar comigo! Francamente, o mundo está ou não perdido?

Spooky

sexta-feira, agosto 29, 2008

Guiada pela mão..

Tenho uma grande amiga minha que, não obstante ser muito iluminada para a realidade da vida, é muito séria e crê piamente que a masturbação é pecado e que Jesus recrimina. É bonita, sexy, inteligente e bem-formada, mas devido a qualquer perturbação congénita descompensou nalgum lado e tudo a que lhe cheire a clítoris fá-la benzer-se com uma mão e tapar-se pudicamente com a outra (sem, no entanto, se tocar).

Esta minha amiga, por volta do mês de Maio disse-me que me ia contar algo: ( a tremer de antecipação, pensei que ela fosse finalmente contar-me que se tinha "entretido" ! - o que me tornava vitoriosa após todas as discussões que já tivémos e que acabaram, invariavelmente, comigo roxa de nervos prestes a dar-lhe um pontapé na fuça para ver se ela se mancava para a vida )

e, com o seu ar sério e porte seguro explicou-me:

"Susana, já decidi que até o mais tardar até Setembro, se Deus quiser, vou sair do emprego onde estou, sem ferir quaisquer susceptibilidades dos meus patrões, vou arranjar um excelente trabalho, bem remunerado, com seguro médico e parque de estacionamento." Ri-me.


Ora esta minha amiga, que trabalhava com uns miudos ranhosos de 10 anos num pré-fabricado de lata num monte aqui perto,


viu o seu contrato a termo ser rescindido no dia 27 de Agosto e soube hoje, dia 29, que entrou num dos maiores grupos construtores portugueses, com seguro médico, lugar no parque de estacionamento e a ganhar dolorosamente bem. Vai começar a trabalhar 2ª feira, dia 1 de Setembro.


Senhor Jesus: peço mil desculpas pela "situação" de terça-feira à noite. Estava sozinha, desocupada.. Sei que actualmente estou demasiado conspurcada para Te pedir o quer que seja, mas espero que compreendas que não vivo perto do Renato e o meu corpo por vezes ressente-se. E se eu Te disser que não volto a pecar?


...sim, já sei. Inoportuna Omnipresência. :(

sexta-feira, julho 18, 2008

Idiota-Mor

Sábado à noite, festa de aniversário de um amigo que comemorava a entrada nos 30 (medo).

Depois do jantar, malta sentada no chão à volta do perímetro da sala pronta para alinhar num jogo chamado "como é o teu?". Basicamente, uma pessoa sai fora da sala enquanto as outras esolhem uma parte do corpo para descrever. Quando essa pessoa regressa, tem que questionar os presentes a fim de descobrir que parte anatómica foi afinal escolhida.

Sai o Renato. Após saturada discussão, escolhemos o "céu da boca". Ele regressa à sala e começa a perguntar, um a um "como é o teu"?

Ouvem-se variadas e maliciosas respostas: é húmido, vermelho, escorregadio, sedoso, faz sons, molhado, entre outros adjectivos.

Chega à minha vez e eu, a transbordar de amor digo: "o meu...deseja-te" e semi-cerrei os olhos, imaginando os longos beijos que já trocámos, aquele palato maravilhoso que tão deliciosamente acolhe o meu!

Então ele fica meio parado, com um ar distante, provavelmente ponderando as respostas já dadas, e arrisca:

"o ânus?"

Toda a sala explodiu em gargalhada. "O ÂNUS??"-gritei eu, apanhada completamente desprevenida com os olhos sanguinários trucidando-o de alto a baixo.

Chamei-lhe todos os nomes possíveis, enquanto ele tentava desesperadamente explicar-se, dizendo que estava distraído a pensar nos outros comentários e tinha acabado por nem ouvir a minha resposta.

Balanço da noite:

- Susana, morta de vergonha e note-se, sem qualquer proveito;
- Renato, o acidental herói sodomizador.

Só lhe voltei a dirigir palavra anteontem porque afinal, vamos hoje de FÉRIAS! Mesmo assim ele que venha aninhar-se para os meus lados que eu logo lhe dou a distracção...

saudações vereneantes para todos.

sexta-feira, julho 11, 2008

álvaro de campos

Ia eu a descer o Chiado esta semana, quando vejo um grupinho do que me pareceu serem à distância 3 amigos amish. Vestiam paletó preto, com um chapéu de cartola também preto, e apoiavam-se numa bengala, mas como estavam de costas não consegui visualizá-los melhor.

Pouco curiosa como sou, cheguei-me o mais possível junto a eles, quando, de repente um se virou e chocou de lado contra mim. Surpreendida, verifico que afinal não eram 3 amish nem nada que se assemelhasse, mas sim 3 Fernandos Pessoa de bigodes e tudo!

Acontece que aquele que chocou contra mim ficou a fitar-me sem desviar os olhos e eu, nervosa, temendo estar na presença de 3 tresloucados fugidos do Júlio, continuei a descer a Rua Nova do Almada como se nada fosse ( poetas mortos em triplicado? todos os dias).

Para minha imensa vergonha, vira-se o 1.º Fernando Pessoa e berra aos meus ouvidos: "Ó MINHA DOCE OFÉLIA!". E os outros todos seguem-se-lhe também a berrar e declamam estrofes inteiras. Obviamente que eu não fiquei para as ouvir, já que fugi chiado abaixo à velocidade estonteante a que as minhas socas mo permitiam.

Para meu infortúnio e grande gáudio dos turistas, aqueles 3 doidos desceram a rua atrás de mim sempre a declamar em grande estardalhaço até que eu, num golpe de génio, me escondo na Caixa Geral de Depósitos e eles continuam em direcção ao Terreiro do Paço.

Devia estar profundamente branca, porque o segurança do banco chega-se ao pé de mim a rir-se e diz" a semana passada eram o Gil Vicente! Isto são iniciativas malucas da Câmara".

No meio do azar ainda tive sorte. Gil Vicente? 3 homens de collants e calções de balão atrás a perseguirem-me enquanto declamavam "o monólogo do vaqueiro" ia ser demais para o meu pobre coração.

E no fim, fica a dúvida, seria o próprio ou heterónimo?

segunda-feira, julho 07, 2008

Ser criança é...

No fim de semana passado, a nossa associação dos miúdos participou numa corrida de carrinhos de rolamentos. O nosso carro era um portento, consistente numa tábua de um roupeiro, com duas cordas a fazer de volante e um pau colado a uma roda de borracha a servir de travão (- somos assim, sempre preocupados com os mínimos pormenores).

A corrida foi numa rua íngreme aqui da terra, cortada ao trânsito e repleta de pessoas e fardos de palha nas valetas. E eis que ela se inicia.O nosso carrinho foi logo o primeiro. Começou muito bem, com uma saída numa bisga incalculável.

O nosso condutor era um dos miúdos, um pré-adolescente de 11 anos - que tinha ameçado de morte todos os colegas da associação caso não fosse ele a conduzir a viatura - que sorria vitorioso enquanto a sua carapinha esvoaçava por fora do capacete.

Desolador foi depois, quando a meio da rua o carro perde a força e fica por ali a marinar ao pé de uns caixote do lixo.

As pessoas que antes aplaudiam, riam-se agora de dedo em riste. A criança, envergonhada, choramingava agarrado ao pau do travão, tentando pateticamente balancear de novo o carrinho com os seus ténis mais que rotos.

Entretanto os outros miúdos do grupo, com o instinto vingativo ao rubro resolvem aplicar-lhe um vigoroso pontapé nas costas e a criança, morta de susto com as mãozitas a raspar no asfalto lança-se novamente na corrida e acaba por terminá-la em tempo recorde.

Ficámos em último lugar, desclassificados por batotice.O cenário? Enternecedor, com o condutor choroso a soprar nas mãos esfoladas e os outros miúdos todos a cuspir asneiras em crioulo.

é que é mesmo isto, afinal, a beleza de ser criança...
Saudades, muitas.

sexta-feira, junho 20, 2008

Uma manhã no Linhó

Tendo conseguido mais uma cliente, fui conversar melhor com ela ao estabelecimento prisional. A Verónica tinha 28 anos, um companheiro mas não tinha filhos. Estava acusada de dois acrimes de roubo e confessou-se profundamente arrependida. "Foi a droga, desgraçou-me" - lamentou-se Verónica, enquanto limpava as lágrimas de uma dor sincera. "quando sair daqui...só quero endireitar a minha vida".

Fitei-a um pouco desconcertada. É que a Verónica era um preto musculado chamado Vítor, com quase dois metros e só com um dente da frente. Usava um toutiço repuxado no meio duma cabeça feia e pintava as beiças de carmim. Usava ainda um top preto decotado (com as alcinhas brancas do soutien propositadamente à mostra), não obstante a ausência absoluta e confrangedora de quaisquer mamas. As calças eram brancas,daquelas de gingar na capoeira, num elastano fininho que deixava transparecer o montinho dos testículos e uma pichota pouco envergonhada.

"Isto não é vida para ninguém.." - repetiu laconicamente Verónica, enquanto eu tentava desviar as vistas daquele único dente que o angolano tinha na gengiva de cima. "Claro Verónica, isto não é vida". Tradução: se queres ser uns transsexual decente arranja os dentes da frente e não uses calças justas enquanto tiveres pila de africano.

Não sei o que assustou mais o empregado da loja roubada, se a ordem para meter os 900 euros no saco, se a mão do homem que empunhava o revólver ter as unhas pintadas de rosa fushia com uns cristaizinhos embutidos. Espero que o seguro dele cubra o stress pós-traumático.

quarta-feira, junho 11, 2008

A insustentável leveza de ser gay

Descobri eu por estes dias que um amigo meu (e quando digo amigo, é na mais plena acepção verbalística da coisa), é homossexual praticante.

Reparem, o choque não reside no facto de ele se deleitar nos braços peludos de outro homem. (confesso que as práticas sexuais entre duas pilas amigas deixam-me profundamente intrigada, mas nada que me tire o sono).

Ora o choque desta revelação residiu então, não no facto deste meu amigo ser, enfim, boiola, mas sim no facto de ele ter tido um terror puro de me contar devido... ao meu blogue....Pois é, parece que no meio de tantas expressões pouco valorosas para os homossexuais, que pelos vistos eu inadvertidamente (hihihi) escrevi, acabei por desincentivar qualquer ser homoafectivo a desabafar comigo.

Ora, eu sempre defendi o carácter lúdico e pobretanamente didáctico do salsicha. Sei que escrever expressões semelhantes a agasalha o croquete e abafador de costeletas mostram-se pouco motivantes para uma partilha homossexual mais profunda.

Efectivamente vocês amam-se através dos rabos, e essa situação leva-me inevitavelmente a comentários mais porcalhotes, mas sempre, sempre, na brincadeira e sem qualquer maldade aqui da Su.

Um beijo grande para todos os cuecão de couro meus amigos e que têm medo de mim ( - medo de mim? como querem que não vos chame mariquinhas?!) Sabem bem que a porta estará sempre aberta. A da frente.

quinta-feira, março 20, 2008

Era mesmo esta que me faltava

Isto há coisas que não lembram a ninguém, especialmente após os meus 3 ou 4 posts invejosos versando sobre raparigas bonitas e vistosas.

Há uns dias a Bianca, aproveitando uma distracção minha, avistou um gato e atirou-se muro fora com as 3 patas que lhe restam e desapareceu numa bisga. Só tive tempo de ir buscar as chaves e correr rua abaixo não fosse ela ficar definitivamente aleijada.

Ia eu, note-se, de pijama desirmanados (calças das ovelhas e camisola dos pinguins), sem soutien, de meias rotas e cabelos gordurosos ao vento, quando vem a subir a rua, a pé, na minha direcção, uma rapariga de dois metros, loira e de botas altas, que dá pelo nome de Merche Romero.

Afrouxei o sufciente de lhe lançar uns olhos gulosos e observar sofregamente tudo o que os meus olhos alcançavam.

E, meus confrades, que dor. Nenhuma mulher, acabada de acordar mas de bons sentimentos como a minha pessoa, deveria ser sumetida a tamanha humilhação. E lá continuei eu, de peúga rota em riste, na demanda do cão aleijado,

isto enquanto Merche Romero subia segura e bem formosa a minha rua (que, pasme-se, até nem tem saída).

Ora passados 3 dias, voltei a ver Merche.
E deste vez eu até estava vestida. De fato completo e botas altas. E caramba, continuei exactamente com a mesma sensação, basicamente uma refugiada libanesa, com ranho no nariz e cabelo colado à testa.

Dias depois o mistério resolveu-se. Um ex da dita é o meu mais recente vizinho, e não me refiro obviamente ao Cristiano, se não não estaria aqui a escrever estas linhas ao computador mas sim de binóculo em punho escondida no sotão,

pelo que algo me diz que me vou sentir ratazana de esgoto, lodosa e rexumenga muitas mais vezes que seria de esperar na minha própria terra, na minha própria rua.

"Ah e tal, é gira mas é bem burra, não te preocupes" - consolam-me os amigos.
Pois preocupo-me. E muito. E o menino Renato vai-me mas é passar a ir buscar ao quarteirão de cima que eu não quero cá misturas.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

abaixo as angolanas (do hi5!)

Eu disse todos os dias? ops, lapsus linguae...sou tão adoravelmente mentirosa não sou?

Agora que o meu R me vai deixar durante 1 mês, preciso de me distrair q.b. para não ficar a pensar o que é que ele andará fazer por aqueles caminhos sórdidos e repletos de podridão devassa chamada "Angola",

a cruzar destinos com miúdas de beiças mal pintadas cheias de calor e de maus princípios chamadas "angolanas do hi5". Quer dizer, não é de fonte segura, mas deduzo isso pelas fotos hereges das meninas nesse site.

Acreditem, cuscar o profile de uma angolana mais dada é certamente uma das experiências mais atrozes que tenho vivenciado nos últimos tempos.

E reparem, tenho visto muita coisa: VERÍDICO, noutro dia na R. Gomes Freire, vi um sem abrigo a fazer cócó no meio do passeio, limpou-se a uns papéis e com os mesmos tapou o montinho. Ainda sim, ver o rabo sujo de um adulto que não o nosso pai ou o nosso irmão a evacuar no meio de Lisboa é mais tranquilizante que ver uma angolana tentar seduzir no hi5.

E lá vai o meu R, belo que nem o mais belo dos deuses gregos para o meio da selva com aquelas abutres sedentas de paixão com uns traseiros gigantescos e seios pequenos clamando por carícias.

Medo. Desolação.

sábado, janeiro 05, 2008

Era uma vez uma Soraia Chaves

(ó gentinha apressada... )

E ano começou bem:

por já ter visto todos os filmes em cartaz no Arena Shoping (zona oeste), lá fui arrastada para uma obra prima do Tino e fui ver o Call Girl.

Olhei para o lado, Renato com olhos mortiços salivando despudoradamente, e ouvi: " esta Soraia Chaves é mesmo parecida com a Ana (ex)". Eu fiquei queda e engoli em seco.

E ele, continuando: "é que é mesmo parecida. até a maneira de mexer as mãos, o cabelo".

volto a encarar o écran, uma Soraia divina, beleza de Petrarca, com um top sem soutien (como é possível meu Deus), cabelo e mãos perfeitas. Ele continuava "nunca tinha reparado, é que são mesmo iguaizinhas, a Ana era é um bocadinho mais alta".

E eu, enterrada na cadeira, sem que que o salto das botas chegasse sequer perto do chão, com a barrigona a abarrotar de pipocas e tentando não arrotar a coca-cola, senti-me subitamente mal.

Verti umas lágrimas sem que ele se apercebesse. Funguei-me nas mangas e continuei a chorar baixinho, uma birrinha de inveja no fundo, cheia de pena de mim própria. Até que ele me diz novamente, sem descolar os ollhos do écran " e sabes quem é que esta me faz lembrar?"

com os olhos enevoados vejo uma Daniela Faria de cara lavada, linda e sexy.

Não sei o que me deu, mas possuída por uma coisa má virei-me para ele e gritei-lhe mesmo na cara " DEIXA-ME ADIVINHAR PARECE A TUA PRIMEIRA NAMORADA E EU PAREÇO É O BURRO DO SHREK!"

e larguei num pranto, frente a um Renato atordoado. E nesse momento volto a ter o meu namorado amoroso, que apercebendo-se da sua insensibilidade podre, me cobre de beijos e me acolhe no seu regaço dizendo "não sejas parvinha, és muito mais bonita que a Soraia Chaves".

Lanço-lhe um segundo olhar inquiridor e ele acrescenta solícito "E muito mais bem-feita, claro".

Continuo a fitá-lo impiedosa. Ele pensa um bocadinho e numa ligeira hesitação arrisca:

" E muito mais inteligente?".

Faço um aceno de assentimento e voltamos a abraçar-nos. Adoro quando a verdade é reposta e tudo acaba bem.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Os enganados

Anúncio: A partir de dia 1 vou escrever todos os dias neste blogue.

Curiosidade: adorei o Beowulf, apesar de ter ficado com uma dor de cabeça valente após ter estado uma hora a discutir com o tarado sexual do Renato que esteve o filme todo fixado nos bicos das mamas da Angelina Jolie.

Há-de cá vir.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A Lição

Aqui há uns tempos uma menina ex-projecto crescer, de origens humildes, revelou grande em voltar a pertencer à associação, desta feita como animadora.

Ouro sobre azul, não fosse o facto dessa menina não jogar com o baralho todo. Mas enfim, parafuso a mais, parafuso a menos, lá fizemos uma reunião de introspecção e, tendo ido a votos, achámos que lhe deveriamos conceder uma oportunidade de integrar o projecto.

Assim sendo, convocámo-la a uma reuniãozita na capela, e, condescendentes, lá lhe comunicámos que a aceitávamos como monitora, tinha era que se portar bem e não morder ninguém.

Feliz, a adolescente agradeceu-nos. Mas adiantou, logo de seguida, que não poderia participar na colónia de férias porque ia a correr para a China.

Entreolhámo-nos subtilmente. O mais longe que a miúda tinha ido na vida foi de autocarro da junta à aldeia do Sobral, aquela das miniaturas do barro.

- ah, então vais para a China... - comentou alguém

- vou, vou à China, vou a correr! - completou ela orgulhosa.

Não sabiamos se haviamos de rir pela imagem da miúda a correr esbaforida até à China ou lamentar pela inimputabilidade de uma rapariga tão nova.

Lá lhe demos dinheiro para um gelado e ficámos ainda a rir um bocado à pala dela.

Até a termos visto no Telejornal, medalha de ouro ao peito, acabada de chegar dos Special Olympics de Xangai.

domingo, outubro 14, 2007

O meu carro

Ah pois é, após anos incessantes de labuta rigorosa, comprei o meu primeiro carro. Escusado será dizer que, durantes os primeiros dias, esta viatura de um azul lindíssimo foi a luzinha dos meus olhos.

Ele eram beijos, afagos ternurentos, um roçar de nariz na porta do condutor, carícias breves mas intensas.

Orgulhosa, levo-o pela primeira vez a passear, acedendo a um pedido desesperado do meu irmão, para o ir buscar ao Técnico a propósito de nem sei o quê.

Tiro o carro da garagem ( tarefa hercúlea devido aos 4 pilares gigantes, uma máquina de costura, uma máquina de passar a ferro, um estaminé de parafernália electrónica e dois veículos estacionados).

E lá vou eu estrada fora, uma lágrima a querer descair e o peito ardendo de felicidade. Estaciono, vou ter com ele ao bar, três dedos de conversa com os colegas e regressamos a casa.

No parque de estacionamento, o choque, o terror puro. Do lado direito do carro, riscos gigantes.

Depois de um pseudo-colapso anafilático, recuperei a consciência e desatei a correr para a portaria, em direcção aos seguranças. E lá foi o meu irmão atrás de mim, esbracejando tal como eu, exigindo ver as cassetes de vigilância e vociferando ameaças expressas contra colegas, funcionários e membros do Conselho de Direcção e Comité Científico.

Exaustos, e após uma promessa solene que no dia seguinte haveria uma averigação oficiosa ao incidente, regresso a casa simplesmente deprimida, mas ainda assim confiante nas autoridades.

Entramos dentro da garagem e a primeira coisa que se avista é um pilar branco listado de azul. O meu irmão olha para mim, rancoroso:

- "já viste a figura que andei a fazer?"

Naquela altura senti mesmo as orelhitas a baixarem-se-me, um ratinho perdido no esgoto, um pequeno Ratatui órfão de família e de amor.

Moral:
Os riscos no estúpido do pilar sairam.
Equimoses no meu lindo carro azul.
Uma grande dor de alma.

sábado, outubro 06, 2007

I see dead people

Exposição do Corpo Humano

(não, não vou discutir se os espécimes eram asiáticos ou africanos, recuso-me a entrar numa discussão inútil e por demais evidente - asiáticos - ou há todo um universo mitológico que se desmorona).


Entro numa sala e vejo um caixote de vidro repleto de maços de tabaco, inseridos numa ranhura pelos corajosos visitantes. Por cima, uma inscrição que incita: "Deixe de fumar, agora".

Excitada, vou buscar o Renato à sala das artérias

(muito esquisito é este miúdo, a chatear-me porque me detive no único corpo nu de uma mulher nesta exposição machista - peço perdão por ser curiosa e ter uma oportunidade única de saber se sou anatomicamente normal - enquanto ele próprio fica 20 minutos em frente a uma árvore bronquiológica, exclamando de olhos vidrados: que lindo, que lindo)

Arrasto-o até chegarmos ao caixote do tabaco. Inquiro-o: "então, é desta?"

Ele observa, guloso, os maços de tabaco. Olha para ambos os lados, e vendo-nos sozinhos, desafia-me: "achas que consegues meter a mão no buraco?" Incrédula, olho com atenção o hiper-racional e sensato namorado que supunha ter. Julgo ver uma sumida linha de saliva a descer-lhe rosto abaixo.

Fugi dali horrorizada. Tenho que repensar o ultimato do "o Malboro ou eu". Não sei viver sozinha.

sexta-feira, setembro 28, 2007

A Dúvida

Esta semana fui assistir ao julgamento de uma colega, que envolvia um seu arguido um pouco sui generis, preso num estabelecimento prisional.

Fui com a minha amiga Zélia, comparsa das brincadeiras, e sentámo-nos as duas no banco das visitas, emocionadas com o início da audiência.

Mas o certo é que, ainda esta nem tinha sido aberta, já vinha um Sr. Funcionário Judicial, a suar em bica, lívido de desespero, sem articular palavra conexa:

- o arg.. o ar..fug.. arghhh o arg..

E eu e a Zélia a mirá-lo atentas, tentando decifrar a charada:

- o arg...arghhh...o arg..oh meu ..fug.. arghh e atirava com a cabeça para trás e a língua para fora,

Finalmente apareceu outro Funcionário, com um pacote de açúcar, enfiou-lho garganta abaixo e o homem lá recuperou a consciência:

- o arguido..ó meu Deus, o arguido... fugiu! Não está na cela, fugiu!

Motim na sala, só faltou os restantes arguidos atirarem-se janela fora, com pânico de um arguido foragido - quiçá armado - esquecendo-se, por momentos, que eles próprios, num certo momento da sua vida, foram uns pequenos patifes.

Até que vem uma Funcionária, lúcida como qualquer mulher que se preze, e acalmou os 2 Funcionários esclarecendo-os:

- O arguido já vem aí.

Burburinho.

E segundos depois, entra uma mulher de porte altivo, cabelos pretos escorridos, calças justas e botas altas, batôn nos lábios e o rabinho a dar a dar.

Silêncio.

- Foi erro do guarda, explica a Funcionária, enquanto olha invejosa para a D. Travesti

Pois é, parece que quem deveria ter metido o arguido na cela dos homens, se entreteve tanto e tão bem a olhar para as suas maminhas baloiçantes e quadris rebolantes, que se esqueceu estar perante um travesti NÃO OPERADO por isso, e para todos os efeitos legais, tinha um pénis (minúsculo e atrofiado, segundo me confidenciou - hihi) e dois testículos (pequenitos também, tipo isto..)

Mas no meio disto tudo, se há uma coisa que eu aprendi ou reforcei é:

- os homens são particularmente estúpidos, especialmente se estão à rectaguarda de um travesti, absorvendo o seu traseiro bojudo e a babarem-se farda abaixo.

- Eu, enquanto espectadora igualmente à rectaguarda, percebi que não vale a pena um travesti operar-se e pôr proteses no rabo,

se tem umas costas largas de dois metros que só lhes falta estar à porta do Mussulo a barrar entradas e a conduzir um saxo cup.

Espero que seja absolvido. a.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Um grito de revolta

Quem me conhece sabe que o meu cabelo tem vida própria. Só lhe falta ter dentes e dois olhos lá pelo meio. De resto, faz o que quer de mim, rebola-se, abespinha-se e depois faz um pequeno capacete do lado esquerdo que simpelsmente me enoja, mas é meu e vou ter que viver com isso.

Acontece que a única coisa que o semi-domina é um daqueles pentes tipo piolhos, com um cabo de aço muito fininho e que serve para fazer um risco decente em cima da cabeça.

Tendo eu ido a uma prisão que não é das mais rigorosas, levei o pente no meio de um livro. Quando a mala passou pela máquina raio-x, accionaram-se toda uma panóplia de sons agudos, luzes vermelhas e portas que se fecharam atrás de mim. Guardas armados até ao pescoço cercaram-me e obrigaram-me a abrir a mala.

Resignada, abri o livro e saquei do pente dos piolhos. Depois de um momento de descontracção, durante o qual os guardas se riram, e friso bem, RIRAM do meu pente, lá passei a mala outra vez pela máquina raio-x.

E mais uma vez a máqui a apitou louca, descontrolada, e guardas armados se posicionaram atrás de mim, evitando uma possível fuga.

- QUE MAIS TEM AÍ? - vociferou o chefe. Tremelicante, abro a minha mala e não vislumbro nada de mal.

- Nada..- asseguro, enquanto rezo baixinho para que não me abram a caixinha dos tampões maxi .

Pois é que foram mesmo directos a ela. Inspeccionaram-na, com ar intrigado, enquanto me apetecia gritar: NÃO SÃO TORPEDOS SENHORES, EU METO ISSO NO PIPI

Depois de uma breve inspeccionadela e alguns sorrisos cúmplices com os restantes colegas, o guarda devolve-me a caixa dos tampões, seguro que não foi aquilo que fez disparar a máquina. E com uma fila de 50 familiares dos presos atrás de mim, furiosos pelo tempo de espera, finalmente o denso mistério resolve-se:

- O QUE É ISTO? -pergunta ele enquanto segura num objecto comprido cor de rosa

- É um baton- esclarece, solícito, outro guarda mais novo.
- Ah, pois é, é um baton - confirma o chefe. - vá, passe lá

E devolvem-me o objecto supostamente letal, que de baton tem muito pouco, já que é um comprido frasco de perfume da sephora, mas enfim, o que eu queria era vir-me embora antes que as visitas me fizessem a folha.

- Desculpe, o meu pente - peço eu com os melhores modos que consigo.
E devolvem-mo rindo, mortinhos para me aconselharem Quitoso.

Tive pena daqueles pobres de espírito. Se não sabem sabem distinguir um baton de um frasco de perfume, sabe-se lá o que é que aquela gente inventa na intimidade. Ofereceram-me em tempos uma t-shirt que dizia "boys, clitoris it´s not a greek island"

Tudo isto para dizer que tenho pena daquelas esposas.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Só naquela

Palavra que não sou de intrigas (há quem afiance que sim),

mas, tipo: é impresão minha, ou o Jumbo de Alfragide desapareceu?
É que ou eu estou sempre muito bêbeda quando desço os cabos d´ávila ou então aquela coisa não está mesmo lá.

E como nunca ouvi ninguém interpelar-me dizendo "ó susana, já reparaste que o Jumbo já não está no mesmo sítio", e nos últimos tempos o que mais oiço é "susana, já reparaste que conduzes no meio da estrada estiveste a beber ou quê" ,

começo a pensar que isto talvez seja uma cabala, e, a ser, advirto desde já que a minha condução é perfeitamente ajustada à realidade social e NÃO A VOU alterar. Não gosto de me atirar às bermas,

peço perdão por ter visão lateral.

Caso não seja, tenho medo. Muito medo.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Nasceu uma estrela. Origem: Desconhecida

Olá.

Hoje faço 27 anos e vou-vos contar porque é que neste dia, 23, descobri uma verdade horripilante.

Este ano o meu pai resolveu pintar a casa toda por dentro. Quando eu me apercebi de semelhante intenção, o meu coração parou. Explico: Eu tenho um péssimo hábito - chunga, é certo, mas tão reconfortante que é: colar cenas nas paredes.

A minha sorte até agora foi o meu pai nunca ter pintado o meu quarto. O que significa 7 anos ininterruptos de coladelas nas paredes, nem eu própria sei bem de quê,

mas essencialmente posters de macacos vestidos de bebés e com duas fraldas (juro, não sei o que me deu), luas com caras e querubins em tons pastel, enfim, tudo isto colado com fita-cola daquelas para atar ligaduras, é que a minha mãe trabalhava no Hospital do Desterro e trazia essas gosmas de graça para casa (vulgo furtadas).

Por isso, se fizerem um pequeno esforço, conseguirão imaginar o estado lastimável das paredes por debaixo daqueles posters de refinado bom gosto.

Dia 19: o meu pai pinta a sala - tremo
Dia 20: o meu pai pinta o corredor - continuo temerosa
Dia 21: o meu pai anuncia que vai começar a pintar os quartos. Não diz qual será o primeiro - fico com dor de barriga. Começa pelo do meu irmão.
Dia 22: antes de eu ir trabalhar apercebo-me que se dirige ao meu quarto. Saio de casa em estado catatónico.

Dia 22 às onze da noite, já quase dia 23 : pé ante pé meto as chaves à porta. Não oiço gritos nem urros cossacos. Benzo-me e vou cumprimentar os meus pais.

Faltam 15 minutos para a meia-noite ou seja, para deixar de ser a Susana, a Javardola e voltar ser a recordação afectuosa daquele bebé, um pouco estranho de enormes pés, mas no fundo uma promissora promessa e consolo para aqueles ansiosos jovens pais.

Já viste as paredes do teu quarto? - oiço eu vindo da sala.

Dirijo-me a ele e faço o meu olhar de traquinice, só me faltou a fisga no bolso e os peúgos rotos a arrastar pelo chão.

Deu-me um beijo e um calduço suave, encarando-me com um sorriso carinhoso no rosto. "Vitória", pensei. "Que timming excepcional"!

Hoje passei a manhã INTEIRA a raspar a parede com uma espátula e diluente celuloso. E palavra de honra que ainda não acabei. Só posso ser adoptada.

segunda-feira, agosto 20, 2007

SPORTING

6ªF vendi-me.

Em traços gerais, porque a história é longa:

- 6ª à noite
- matar tempo entre as 20h e as 23h
- solidão

não, não me prostituí.

Pior. Fui ver o Sporting-Académica. (eu sou do Benfica).


Pior ainda:

O meu irmão, que me levou, assistiu ao jogo num camarote onde estavam os familiares do capitão de equipa. Eu, a preta da família, assisti ao jogo entalada entre um gajo semi-nu a tocar tambor e cheirar a azedo, letras garrafais escritas no peito "Directivo XXI", e entre uma azeiteira simplesmente assustadora que cuspia a valorosos decibéis " Ó Briosa vai p´puta que vos pariu",

não sei o que é que se passou, mas quando dei por mim, entoava muito animada hinos e expressões bizarras tipo "Tunél" e "Stotofixe", sem nunca sequer ter percebido afinal a que equipa pertencia a baliza à minha frente, e acreditem...

foi tãaaao fofo! E palavra, quase que me vieram as lágrimas aos olhos quando cantei "Até morrer, Sporting Allez", primeiro de comoção depois, um súbito ataque de riso só de imaginar se aqueles histéricos sonhassem que eu era do Benfica.

Enfim, lá saí contente: matei as três horas e no dia seguinte saí no Record.

Pudera, a única gaja com dentes na claque.

PS- Directivo Ultra XXI , se alguém nessa claque souber ler, afianço que este blogue é meramente lúdico e acabo por caricaturar um pouco o cenário. De qualquer forma, não sabem onde eu moro.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Nova lei da imigração

Descobri um local onde qualquer clima de terror armado tipo Serra Leoa parece brincadeirinha de boiolas.

Quem já lá foi, sabe reconhecer imediatamente o sítio a que me refiro.

Os que ainda não acertaram, nunca foram. Ao SEF.

O Sef é um local simplesmente aterrador, escuro como breu (e não me refiro à homogeneidade dos africanos). A primeira vez que lá entrei, e afianço que ainda não tinha transposto os dois sapatinhos, ouvi um sonoro "OIÇA LÁ SUA PALHAÇA ONDE É QUE VOCÊ PENSA QUE VAI?".

Já nem me lembro o que balbuciei, mas ainda antes de lhe responder já eu estava a ouvir do ouro lado , num claro sotaque nordestino, " É PUTA É, VAI-SE PÔR NO FIM DA FILA!", apoiada por vigorosos aplausos de uns quantos ignorantes que nem percebiam o português e me olhavam lascivamente para os tornozelos.

Enfim, um cenário bucólico, ideal para uma jovem de 26 anos se desenvolver emocional e socialmente. Começo a sentir saudades da faculdade.

quinta-feira, agosto 16, 2007

A proprietária

oh joy oh happiness tenho um portátil no meu quarto há 15 dias.

15 dias? então porque não escrevi antes? fácil: o portátil foi-me gentilmente cedido por australiano, tipo da austrália, e o teclado é simplesmente uma coisa assustadora. Como eu sou um bocado burra, o meu irmão não me ajuda, o meu pai chega cansado da labuta e o meu namorado mora longe, eu, na minha sacramental ignorância achei que, por algum motivo, eu tinha que criar atalhos nas teclas para todos os caracteres que faltavam. E eram muitos. o ç, o ~, os acentos, uma parafernália de letras que sempre tive por certas e afinal percorrem insondáveis caminhos conforme os países e respectivos continentes.

Isto para dizer que durante 15 dias tentei colocar atalhos em todas as letrazinhas. Claro que para me lembrar das teclas tive que criar um caderninho e, posteriormente, fazer umas etiquetas e colocar com um bocado de cuspo mais ou menos onde calhava.

Graças ao meu bom Deus, e estando eu já prestes a ter um colapso nervoso daqueles que dão psicose e eventual internamento,

chorando baba e ranho por demorar 5 minutos a escrever a palavra coração e acertar com os parentesis e abre-aspas, chega finalmente o meu irmão de férias, ri-se às gargalhadas com as minhas etiquetas salivadas e cheias de dedadas bem sujas,

e em 30 segundos vai ao painel de controle, altera a opção de "teclado - portugal" e vai para a casa de banho, ainda a enxugar as lágrimas do rosto.

Eu, por turno, não sabia se também havia de secar as minhas ou continuar a chorar num registo dilacerado.

Optei por me rir. E por contar a toda a gente. Sou pouco esperta mas lambi um Toshiba a custo zero. MUAHHHHHHH

terça-feira, julho 31, 2007

Já agora

quem é que teve a pouca urbanidade de apagar os meus últimos 5 ou 6 posts?

X ou Y eis a questão

Um destes dias precisei desesperadamente de um favor. Depois de pedir a todos os meus amigos de infância, de liceu, da rua e da catequese e de ter recebido umas valentes negas, dei-me por vencida e fiz a única coisa que, por mais abjecta que fosse, era a única possível: pedi ao meu irmão.

Às duas da manhã lá fui eu, de fininho, com alguns rodeios e meias palavras, sorrisos temperados e muita, tanta!, boa-educação, e perguntei:

- Podes dar boleia amanhã a 4 crianças da associação para podermos ir à praia de Carcavelos?

Acto contínuo, ele responde :

- Posso.

Estranho.

- São é 30 euros, mais 5 para a gasolina.

- Mas é pelas crianças!

- 30 euros, e pagos agora.

Chulo.

Mas depois, uma ideia brilhante. Fui directa à mala da minha mãe, abri a carteira e retirei duas notas de €10 e umas moedas. Depois, fui ao quarto da minha mãe, acordei-a com uns tabefes nas costas e expliquei:

- mãe, tirei-te 30 euros.

ela, num profundo estado de sonolência, inquire: "porquê?"

ao que eu respondo, num porte egrégio e profundamente digno:

- é o preço a pagar por teres educado uma criança que tinha tudo para ser normal numa verdadeira besta sem qualquer noção de abnegação e delicadeza.

Calou-se.

E eu ri-me, ri-me, até no dia seguinte ser acordada às sete e meia aos gritos pela minha mãe para ir devolver os trinta euros. Devolvi e, chorosa, lá fui ao meu "migalheiro" e retirei o dinheiro.

Agora o deprimente da história (verídica, o que seria da minha vida sem o PC), é que no dia seguinte algumas crianças faltaram.

Susana, à porta da capela, mais uma vez de fininho e numa infinita doçura:

- Olha, afinal já não preciso de boleia. Faltaram 5 miúdos.

- Ok.

Ok? Então e a explosão de loucura mais o acesso de cólera galopante?

- Tchau - lança ele, entanto põe o carro a trabalhar.

- Anda cá, dá-me então o dinheiro!

- Já ajuda no Sudoeste- grita ele já no fim da rua.


Porquê pai?...
Bela merda de cromossoma que foste generosamente doar. Não valia mais teres outra gaja?

segunda-feira, maio 28, 2007

Scream

Fui obrigada num destes dias a tomar contacto com um cliente acusado de um homicídio. Quando digo tomar contacto, refiro-me unicamente a pegar num dossier de arquivo azul escuro, folhear os relatórios e autos de detenção e, mais importante, observar as fotografias apensas ao processo.

E agora passo a enunciar a forma profissional como o fiz:

Com os olhos fechados, peguei nas fotografias e coloquei-as no parapeito da janela. (só esta operação minuciosa demorou-me uns tortuosos 5 minutos, durante os quais embati em todos os objectos imóveis e inertes existentes naquele gabinete).

Após uns minutos de respiração descontrolada, inspirei fundo e disse para comigo própria que a Humanidade estava dependente de mim e se eu não olhasse para as fotos o mundo iria explodir e morríamos todos e para toda a eternidade. (shiuu, é infantil mas infalível)

Então, de longe dos meus 13 metros de distância da janela, pálpebras cerradas, testa franzida e um nojo incontrolável só de pensar em livores cadavéricos,

ganhei coragem e descolei os olhos.
(Estão a ver o Kevin do Sozinho em Casa? Só me faltou a espuma de barbear e a falta de pilosidade, vulgo bigodes). A minha boca abriu, arregalei-me toda e gritei.

Malta, é oficial, tenho mamas e não tenho tomates.
Três vivas para as brigadas de homicídio do meu país.

quinta-feira, maio 10, 2007

Condução sem carta. Dá para acreditar?

E o insólito aconteceu.


Ontem estava particularmente bem disposta. Tinha um julgamento de manhã, mas uma coisa ligeirinha, sem dramas.


Lá fui eu para o tribunal, a assobiar contente com o casaco pendurado ao ombro e óculos de sol a enfrentar confiante o mundo.


Começa a audiência, o juiz fala, o procurador, fala, e a Susana começa a discursar. Não sou de intrigas nem falsas modéstias, mas quando estou bem disposta falo e até falo bem.

Ainda a procissão ia no adro, e eu, inflamada exaltava as virtudes do meliante que ali estava, quando este, subitamente, se agarra ao peito e cai no chão.


Sem saber muito bem o que fazer, e até porque não sou de deixar coisas a meio, ainda largo duas ou três palavritas sumidas. Mas depois de o ver estendido no chão a minha sensibilidade feminina, vulgo 6º sentido, manifestou-se e aí eu achei por bem calar-me.


De qualquer forma, também não me parece que naquela altura alguém me estivesse a ouvir, especialmente a juíza que se tinha levantado e levado a mão à cabeça desesperada e a procuradora que fugiu como um tiro para o segundo piso, onde decorria um julgamento de vários médicos.


Depois, lá vem o INEM, leva o meu arguido e eu fico na sala, sozinha, sentada numa cadeira ao canto


ridícula na toga xs que não me serve, a olhar para a biqueira da bota e a pensar para com os meus botões que tudo mas tudo me acontece.


Felizmente o arguido sobreviveu ao ataque cardíaco e foi internado.


Agora a questão que se coloca:
Quem é que lhe vai comunicar a sentença?
CREDO, EU NÃO!

ps- para os mais incrédulos, é favor confirmar na secretaria dos juízos criminais de lisboa

segunda-feira, maio 07, 2007

não é mentira, é mentirinha

Num destes dias tive que escrever numas alegações porque é que Belas era um melhor sítio para uma criança viver que uma aldeola perdida ali para os lados de Vila Franca.

Tudo começou numa audiência em que ninguém parecia saber onde se situava a minha ilustre terra. Fiquei de trombas porque essa não é, definitivamente, uma pergunta que alguém civilizado faça.
Depois, outro ainda teve a inóspita lembrança de me perguntar se a minha terra tinha algum jardim!

Se tem algum jardim???!!! Imaginei-me imediatamente de dedo em riste apontado ao nariz: " Meretíssimo seu energúmeno, mais informo que Belas É um jardim. "

Mas fiquei calada que nem um rato a trincar nervosamente a beiça. Vinguei-me nas alegações escritas, adiantando todas as maravilhosas qualidades da terra, o seu património natural, vegetal, arquitectónico e geográfico,

a ilustre serra da carregueira, os jardins, as quintas e solares aristocráticas, as fontes palacianas e o aqueduto das águas livres , (bolas, até mencionei as pegadas dos dinaussauros de carenque)

- por acaso ter-se-ão violentamente enganado os visionários construtores do Belas Clube de Campo e do Lisboa Sports Club? I DONT THINK SO!

Escrevi tanto e de tal maneira que no fim até eu própria me convenci que Belas era o local ideal para se viver,

nela imaginando os meus filhinhos em alegres gargalhadas brincando no seu triciclo debaixo do alpendre, um marido garboso lendo um livro (culto) de mecânica aeronáutica (macho, muito macho) recostado numa árvore de frutos,
E eu, magra, sem barriga, ombros ossudos com as clavículas à mostra, peito erguido e cabelo preto escorrido nas costas, a comer um pacote de cheeto´s de queijo ou daqueles cones de milho, feliz e serena.

Depois esbofeteei-me duas vezes na face e acordei para a vida.
Caramba, não vejo a hora de ter dinheiro me submeter a uma mamo e a uma lipo e mudar-me para o Estoril.

quinta-feira, maio 03, 2007

Para o damião não sei o quê

Houve uma pessoa que me escreveu e disse que o facto de eu ter passado a moderar os comentários reflecte a minha posição de, eventualmente,

não ser boa pessoa e não gostar de discutir nem receber críticas.

É notório que este ser amorfo pura e simplesmente nunca leu o blogue nem sequer os comentários.

Porque sou apologista da filantropia e gosto muito de partilhar, adianto-te que nunca recusei um comentário

mas infelizmente há uma pessoa, leitora deste blogue, que sofre de perturbações mentais e e escreve 10 comentários pornográficos ou simplesmente dementes por dia, para cada post, escrevendo ainda ameaças graves.

Por consideração a quem me lê, e devido aos muitos pedidos para que moderasse os comentários pois chegava a ser confrangedor ter que ler semelhante coisa,

acedi, e deixou de ser automático.

Por conseguinte, arruma as botinhas e o acordeão, e vai chatear outro blogue, porque se bateste à porta errada foi, definitivamente, esta.

Freak

Quem é? O Preconceito, novamente.

Recebi ontem um arguido.

Mulato, um verdadeiro armário, vinha com a cara feita num bolo, repleta de hematomas e nódoas negras.

Sentou-se à minha frente a um metro de mim.

Instintivamente, segurei no telefone portátil pronta a desferir-lhe um golpe mortal caso tivesse a infeliz ideia de me agredir e tentei descalçar uma das botas para me melhor colocar em debandada.

Muito calmo, esteve 10 minutos ininterruptos a elucidar-me sob as suas anteriores condenações e levantou-se para ir embora.

Para quebrar o gelo, eu, sempre com as minhas brilhantes e oportunas intervenções, aponto para as equimoses e digo "então adeus e até ao dia julgamento, não se meta é em mais confusões!"

Ele estaca e olha para mim.

Um arrepio percorre-me e penso interiormente que, daí a um minuto, se não falecer, ficarei pelo menos comatosa no Amadora-Sintra.

"Confusões?" – inquire
Esboço o famigerado sorriso icterício.

"Sou diabético há muitos anos. Ultimamente, quando vou pôr os meus miúdos ao infantário ou vamos brincar para o jardim, fico sem força e desmaio.

No Sábado estava na Igreja à espera da minha filha que ia a sair da catequese e bati na esquina de um banco. Levei 12 pontos".

diabetes?
catequese?
filha?
Igreja?


Com os olhos marejados, só não o levei para minha casa, deitei-o no sofá , calcei-lhe uns peuguinhos da Serra da Estrela, enrolei-o num cobertor de lã caprina e depositei-lhe um beijo amoroso na testa

porque simplesmente não calhou.


Senegalês escoriado – bhacccc
Senegalês religioso e diabético – quero. adoro.

sexta-feira, abril 20, 2007

m...´s anatomy

Fui ao centro de saúde (inominado, para não ser presa daqui a 4 dias). Ir aquele antro psicotrópico é sempre uma experiência aterradora, especialmente o acto de sentar nos sofás mais andrajosos que há memória, repletos de todos os bichos conhecidos na ciência da Parasitologia, e ainda ficar frente a frente com a minha médica de família que suspeito desconhecer a totalidade das consoantes.

Há já algum tempo que a epitetei como a profissional mais burra de todos os tempos, de todas as civilizações, de todos os campos gravitacionais.

Esta semana, depois de 5 horas nos famigerados e mega-povoados sofás, entrei no gabinete da médica ainda a coçar-me por dentro da blusa num processo complexo de limagem de antebraço (pulga ou piolho, acabei por não descobrir). A doutora, extremosa como sempre, nem perguntou o motivo da comichão. (Suspeito que se entrasse de braço dado com um macaco idoso a escorregar por uma liana ela nem bateria uma pestana).

Respirei fundo, refreei o meu ímpeto maléfico de lhe dar um pontapé na fuça e estendi-lhe um relatório de umas análises com uma mão coçando-me aflitivamente com a outra.

"Você não tem nada" – respondeu aquele Cu diplomado.

Como nada, pensei. Ainda nem há 20 segundos tinha lido nas observações o nome da infecção.
"Drª, penso que..penso que não, acho que tenho.." – titubeei eu

"Não tem nada" – repetiu

"Então e isso que está aí escrito nas observações?" – questionei em voz sumida

"Hum. Ah,está bem" - condescendeu

Palavra de honra. Não existe uma merdinha qualquer de um juramento de Hipócrites ou Hipólito? Será que o mencionado senhor sonha que semelhante negligência estava prestes a ser cometida não fosse a sagacidade e lucidez de espírito desta pobre sobrevivente que hoje (miraculosamente!) vos escreve?

Sempre gostava de saber o que é aquela primata antropóide estava a fazer nesse dia.
Eu, ofendida e em pose altiva, pelo menos aquela que é permitida a uma pessoa acossada de pulgas-saltimbancas desde os dedos dos pés até à base da nuca, saí do gabinete.

Nunca mais lá volto, Deus queira que nunca mais fique doente ou então que me dê clarividência para me auto-medicar. Coitado do Pobre.

terça-feira, abril 17, 2007

CARAMELO! CHOCOLATE

Estou sem palavras.

Há 20 minutos atrás, enquanto deambulava pelo maravilhoso mundo da Wkipédia pesquisando sem qualquer rumo criterioso (jurista estatal blá blá blá), deparei-me com uma lista de síndromes. Emocionada e, convenha-se, com louvável paciência e tempo livre, analisei um a um.
De repente, sem apelo nem agravo travo conhecimento com o síndrome de Ehlers-Danlos ou Cutis elastica.

Aprofundo esta doença genética. Descubro que um dos sinais consiste em tocar com a língua no nariz.

Lentamente, em frente ao monitor, estico a língua.
Após uma breve hesitação e muito cautelosamente, soergo-a na vertical.
Grito lancinante.

Tremendo, leio o resto do artigo e descubro que o grau de gravidade do síndrome determina a expectativa de vida do paciente.

...Xau amigos. Depois de ter passado pela nefasta sensação da língua a acariciar-me gentilmente a testa suspeito que não vou chegar à ternura dos 40.

2 conclusões se retiram:
- se eu fosse depravada e solitária grandes aventuras se adivinhariam (nota do editor: não sou)
- F...se antes isto que o de Tourette

sexta-feira, abril 13, 2007

Perguntas Diárias PARTE I

- A Shakira é ou não prima do Cocas? Se não é prima, detém ou não um qualquer laço de parentesco com o mencionado batráquio? Será plausível uma mera coincidência de pregas vocais e véu palatino? Hum...i dont think so.

- Quem foi o egrégio e brilhante estratega do marketing que resolveu criar o desodorizante que dura 48 horas?

- Porque é que ninguém ainda deu uma chapada valente na Iva Domingues, a artista anteriormente conhecida por Iva Pamela ex-partner do saudoso Carlos Ribeiro no Made in Portugal ou lá o que era aquilo? Será que sou só eu que acho que ela é uma pobre coitada , gira, é certo, mas dolorosamente burra, com a mania que é perspicaz , completamente parcial, com piadas de mau gosto e armada em estrela naquele programa de sanita? Algo me diz que já sei porque é o Pedro Mourinho deu bem à soleta!

- Como é que é possível que em pleno sec. XXI ainda HAJA (ANÓNIMO ANÓNIMO AQUI ESTÁ O TEU MOMENTO DE GLÓRIA! UM ERRO POR TI CORRIGIDO! QUE PENA NÃO TERES NAMORADA NEM AMIGOS, QUÃO ORGULHOSOS FICARIAM ELES POR SEMELHANTE FEITO?! OH EGRÉGIO ANÓNIMO COMO TE PODEREI AGRADECER A SAGAZ CONJUGAÇÃO DESDE VERBO?! DINIS, CAUTELA! CASO ELE CORRIJA MAIS UM ERRO (UM!) FICARÁ EMPATADO CONTIGO! seres pensantes que não saibam que circular na faixa da direita a uma velocidade superior à das outras NÃO É uma ultrapassagem nos termos do código estradal? Como é que é possível um casal de namorados não se falar durante uma semana só o fazendo após parecer verbal de um sub-director da DGV? Hum. É bem possível. E emocionante. Principalmente quando se ganha.

- Como é que é possível ainda ninguém se ter apercebido que o filme Zona J originou uma das maiores injustiças de que há memória no patético panorama cinematográfico português: a Núria Madruga, cuja prestação teatral dispensa comentários, aliás, não dispensa, é um perfeito e frondoso cagalhoto que nem mexer os olhos sabe, anda por aí nas telenovelas, e o Félix Fontoura, par amoroso, que até nem se saiu mal e deveria ter visto o seu talento ser melhor explorado, só porque era pretinho está hoje a vender sapatos à comissão na Guimarães da Amadora.

quinta-feira, abril 12, 2007

A verdade da mentira**

A associação a que pertenço convidou um conhecido grupo de hip hop, para animar uma tarde das nossas crianças, com cantigas, coreografias e sermão típico das boas práticas e costumes,
convite esse a que o grupo generosamente acedeu, em pleno período das férias pascais.

Antes da actuação (que se revelou o máximo e proporcionou uma tarde muito bem passada, que fez a miudagem delirar e gritar até ficarem roucos), um membro do grupo dirigiu-se a nós pedindo para tirar umas fotos.

- claro, claro – apressámo-nos nós a concordar, orgulhosos de aquele grupo querer uma recordação nossa associação.

- Ao fim e ao cabo também serve para a nossa própria publicidade... – reconheceu o famoso vocalista.– Sempre damos a conhecer uma outra vertente da banda, mais humana, percebes? Mais que trovadores urbanos somos pessoas com sentimentos e preocupações.

Um outro membro questionou:
- Vocês são muito conhecidos não são? Estivemos a pesquisar, têm casas nos Açores e na Madeira não têm? Ainda são umas 2 mil crianças, vivem mesmo nas casas da associação não é? – num misto de interesse e verdadeiro apreço.

Olhei para os 21 ranhosos amorosos que por ali pululavam. Lembrei-me das instalações concedidas com muito boa vontade mas simplesmente bafientas, numa das salas ligeiramente podres da paróquia.

Algo na minha cabeça piscava como um neón e me advertia “PERIGO, PERIGO, estes gajos acham que nós somos uma outra associação e se eu disser alguma coisa se calhar arrumam as trouxas

e bazam, bazam, e vão para casa, casa.

E eu, (abrindo a pestana tana) sorrio complacente: - Fazemos o que podemos...

Nunca uma mentira me soube tão bem.
Quer dizer, de certeza que já houve, mas por agora não me recordo.

terça-feira, abril 10, 2007

Se a Yuppi sonhasse

Indo eu para o jantar de uma amiga bióloga que reunia nessa noite, em sua casa, outros colegas de profissão e veterinários, fui interveniente num infeliz sinistro tendo atropelado um cão ao pé de um cruzamento.

(Para quem me conhece bem, sabe que o verbo atropelar acoplado ao substantivo cão não auspicia nada de muito proveitoso. Com efeito, posso sinceramente afiançar que sob o meu ponto de vista atropelar um cão é uma acção muito semelhante quiçá, equivalente, a segurar um bebé por um tornozelo arremessando-o repetidamente de cabeça contra a esquina bem polida de um armário).

Depois de uma pancada forte e seca, oiço um ganir desesperante. Imediatamente, e com o sangue frio que me é característico, larguei as mãos do volante tendo com as mesmas tapado os ouvidos, cerrando os olhos com força e baloiçando-me autistamente à espera que aquele som terminasse e alguém acudisse o animal porque eu estava noutra dimensão.

Passados uns segundos uma mulher bate no vidro. Acena-me um ok e diz que o cão está bem. E, para meu grande espanto, vejo o cãozinho amoroso a saracotear-se alegremente ao lado do carro. Estupefacta, suspiro fundo e sigo o meu caminho. Chego a casa da minha amiga e, ainda a tremer, conto a história. Depois, remato com o final feliz e sorrio aliviada para todos quanto me ouvem.

Estranhamente, vejo rostos fechados e testas franzidas.
Um dos amigos da amiga elucida-me:

- Bem, o mais provável é esse cãozinho ter andado mais 30 metros e ter-se esticado morto no meio do chão, devido a uma enorme hemorragia interna.

E prosseguiu, filosófico: - Basicamente todos os seus órgãos vitais entram em falência e minutos depois do embate deve ter sofrido um choque hipovolémico afogando-se no seu próprio fluxo sanguíneo enquanto fica sem oxigénio e as todas as células morrem após um estado profundo de sofrimento.

Politraumatizada, levei a mão ao peito, certificando-me que ainda respirava.

quinta-feira, abril 05, 2007

Bom gosto? Hilarious

Ontem fui a casa da minha avó deitar fora o equivalente a meia tonelada de coisas que não lembram a ninguém, vulgo lixo. Esta é uma tradição que já se vai mantendo há alguns anos, dado que esta minha querida avó tem uma incapacidade técnica para distinguir as coisas úteis daquelas que, não só não têm qualquer utilidade prática, como até são desconcertantes do ponto de vista vegeto-animal

Assim, depois de muito choro e bramidos lancinantes lá consegui que a velhinha barricada na casa de banho me desse voluntariamente coisas que aqui me esquivo de denunciar porque acima de tudo temo que isto tudo possa ser genético e daqui a 50 anos vêm-me cobrar este texto.

Certo é que para lá desencantei uma serapilheira gigante repleta de malas e sapatos. Não sei precisar a idade cronológica, mas penso que da era pré-25 de Abril (mas já pós-1932). Munida de luvas esterilizadas, pego naquilo com um cuidado ínfimo de forma a que nada me tocasse e dirijo-me ao caixote do lixo. Infelizmente o saco, demasiado cheio e demasiado bafiento para se aguentar com atroz tormento, rompe-se todo e cai tudo no chão.

Surpreendida, observo com atenção e constato que no meio daquele aterro de entulho se vislumbram dezenas de pares de sapatos e outras tantas malas completamente usáveis nesta moda de meia estação. Se eu tivesse a mania da suspeição, quase que diria que os big boss da Lanidor, Zara, Massimo, Decenio e afins desceram dos seus ateliês de tecelagem e enfiaram-se na adega da minha avó à procura do mais remoto e inqualificável lixo urbano.

Ou seja, este verão, tudo o que seja sapatos feios de avós e tias-avós virgens da Moimenta da Beira (assim como contentores de roupa usada - colecta 1983-84), está super, super chiquê.

Agora na Páscoa vou à terra vasculhar os armários e Deus me perdoe o pecado da soberba mas sim, este ano, eu vou brilhar!
E ver muito ratinho morto no meio dos baús à pala do sulfato de sódio, quem mandou não ser roedor silvestre?

quarta-feira, abril 04, 2007

A Shakira mexe-se bem e canta muito mal - mas é FAMOSA

Devo anunciar que hoje de manhã ia-se perdendo (oh eufemismo adocicado!) uma adorável blogger nestas acidentadas estradas portuguesas.

Eram 8h45 e a minha pessoa ia-se esbardanando toda debaixo de um camião com 5 eixos. Ia eu a atravessar uma passadeira da Expo e o mencionado pesado tenta travar mas, para meu infortúnio, vem a escorregar rua fora e eu com uns altos pretos de 9 cm tento correr pela vida mas o máximo que almejo foram 4 ridículos passos achinesados.

Felizmente o mega-camião trava e não me mata. O senhor pede desculpa, mas segue. Eu, profundamente irada perante tamanha insolência, tento trepar até à janela do condutor e dar-lhe umas chapadas. Mas, como continuo com os famigerados saltos altos, fico-me apenas pelas intenções, fazendo mega-manguitos e gritando umas asneiras valentes.

Estava eu ainda nesses propósitos ( "Assassino, bandido!") quando atento bem no camião. Em letras garrafais (garrafais..tss tss - Times New Roman tamanho 390) leio:

SHAKIRA´S BIG WORLD

Calei-me imediatamente e fui a correr veloz atrás do camião. Meu Deus, ser atropelada/ferida não mortalmente pelo veículo da senhora - que atenção: não gosto, mete-me medo e se ela me perguntasse as horas naquele vozeirão de Hércules num beco escuro de noite eu desmaiaria imediatamente transida de purro terror -

foi o passo mais próximo da fama que já alguma vez dei. Ainda tentei que uma das roda me passasse por cima de um dos sapatos, chamei John, Jim, Jack, mas o condutor do pesado ia lesto quase que parecia um ligeiro e desapareceu-me do horizonte.

Desapontada, imaginei-me na Cuf a ser cumprimentada por uma Shakira chorosa e combalida, desgostosa de semelhante acto cometido por um dos seus subordinados. Um concerto a ser adiado, a TVI a entrevistar-me, a minha professora da primária "sempre soube que ela ia ser alguém".

Não foi ainda desta que saí do anonimato.

domingo, abril 01, 2007

Pulícia Jodiciária (manobras de distracção para não me apanharem no Google)

Sábado passado tive a rica ideia de ir ao exame da PJ artilhada com numerosos apontamentos complementares não autorizados, colocados estrategicamente em vários recantos do meu corpo e peças de vestuário.

À saída de casa, reflecti sobre a prudência de semelhante acto.

Nãoera exame da Faculdade de Direito
Não era exame da Ordem

Era a PJ.

Se esta instituição detivesse alguma dignidade material, no mínimo ofereceria dois labradores à entrada da faculdade, um paisana a fumar junto às casas de banho, uma mulher a revistar-nos as cuecas, outra a introduzir-nos dedos no recto, um coordenador no telhado a interceptar chamadas telefónicas e um agente encoberto infiltrando-se nas conversas.

Fiquei com tamanha dor de barriga que desembaracei-me das cábulas e atirei tudo para a bagageira, levando apenas os 2 códigos.

Infelizmente, o único rex que para lá vi foi um cão famélico orbitado de moscas, o telhado estava deserto e ninguém me revistou excepto um supervisionador de provas que me despiu com os olhos enquanto limpava o cuspo dos cantos da boca.

Depois de ter asssistido, profundamente enojada e durante 3 horas ininterruptas, a pessoal a copiar desencantando cábulas das orelhas e de entre os dedos dos pés, fui a praguejar e blafesmar o caminho inteiro para casa.

Que bando de meninas, não é nada como nos filmes.

(Senhores inspectores que mesmo após a manobra ardilosa do título cá venham parar após cerrada investigação no Google:

este blog tem um intuito meramente lúdico e não corresponde, de todo, a qualquer situação verdadeira que tenha ocorrido na minha vida. Basicamente, invento numerosos eventos caricatos de maneira a ludibriar alguns visitantes mais crédulos, nunca me ocorrendo trapacear para entrar em tão prestigiosa organização.

Aproveito desde já para tecer os maiores elogios à v/ corporação, adiantando ainda que moro ao pé dos GOE e sopro sempre um breve beijo quando os vejo ali em Carenque.

Sou uma cidadã temente à lei e o único sinal que desrespeitei na minha vida foi um atrás do ombro esquerdo que tive que remover cirurgicamente pois não ficava mesmo nada bem com tops de alcinhas

Susbcrevo-me respeitosamente,

Salsicha Girl)

quinta-feira, março 29, 2007

Arma Letal 1

Lembram-se daquele frasco de doce de gila, que tão negligentemente ofereci ao meu diabético pai ? Tentei remediar o estrago, comprei-lhe as peúguinhas mas o certo é que fiquei com a compota ao deus-dará.

Vai daí, lembrei-me de a reciclar e oferecer à minha avó materna agora no seu 74.º aniversário.
Ontem veio cá jantar. Após o lauto festim desencanta um saco plástico do LIDL e endereça-mo:

- Toma Susana, é aquele doce de gila. Não gostei, mais valia o pão-de-ló – apalestrou ela, com uma profunda sensibilidade nazi.

O meu pai olhou para mim. Eu olhei para ele. Sorri. Ele não.
Conclusão, saiu-me bem cara aquela prenda de € 2.

Fiquei com um pai ofendido, uma avó desconsiderada e um produto simplesmente ascórbico nas mãos.
(vou guardá-lo para a troca de prendas com os meus colegas. Que não lerem este blog, naturalmente).

segunda-feira, março 26, 2007

O Cabeleireiro e o Homossexual

Já há algum tempo que foi por mim constatado que todos os cabeleireiros são homossexuais.

Excepto um amigo meu que, pelo contrário, nada deve às hormonas masculinas e esquemas tipológicos de sedução, engate a fins, e sempre se saiu muito bem com o sexo oposto. Demasiado bem, dirão alguns compinchas invejosos, que ficam a jogar póquer em casa enquanto ele se diverte pelas noites catalãs.

Este fim de semana ficámos todos num quartel militar.
Ele, um relações públicas por excelência, conversava entusiasticamente com dois ou três militares.

Eu, cujo cabelo desenfreado (e o qual nunca, numa vida de 26 anos consegui dominar) insistia em entrar olhos, nariz e orelhas adentro, fui ter com ele e pedi-lhe que me pusesse um ganchinho.
Ele logo agarrou no dito e, com inigualável mestria manejou-o de forma a que a minha franja psicótica se mantivesse 10 minutos acachapada à cabeça.

3 homens completamente imóveis fitavam o meu amigo num misto de horror e incompreensão.

Aquele que ainda há 1 minuto conversava num vozeirão de macho tinha não só acabado de pegar num gancho da Hello Kitty, como o tinha manuseado e, inclusive, colocá-lo destramente numa cabeça humana, sem ter furado nenhum olho ou orifício mais próximo.
Pior, tinha ainda chamado a mencionada cabeça para, veja-se!, o colocar do outro lado para "ficares com o rosto menos pesado e um visagismo mais leve".

Realmente, mexer em cabelos não é necessariamente gay. Mas só em casos muito, muito especiais.

quinta-feira, março 22, 2007

xarope de seiva?

Ainda reportando aquele assunto da minha burra, andrajosa e socialmente lastimável conhecida que quer ir fazer os exames da PJ - esquecendo-se do pormenor de que não consegue correr, mal respira e praticamente não anda (já se alvitrou que ela teria um ou dois pares de grilhões ocultados pelos tornozelos) –

ontem ela veio falar comigo e com umas amigas.

Conversou nem 5 minutos. Afastou-se. Vimo-la a descer, devagar devagarinho, tal qual como tivesse acabado de parir um filho e não quisesse rebentar os pontos do perineu.

Ficámos quedas a observar o fenómeno. Após uns minutos de atenta reflexão, alguém quebrou o silêncio e avançou:

- Talvez vá fazer uma rigorosa dieta.

Ficámos caladas a olhar para ela.

- Quer dizer..talvez fique a soro – corrigiu

Continuámos a fitá-la.

- Ok, se calhar só lá manda uma perna.

Muito bem, gosto de raciocínios assim. Segmentados mas puramente lógicos.

segunda-feira, março 19, 2007

Pai há só um. mas por pouco

Hoje, dia do Pai, cometi o maior sacrilégio que tenho memória.

Logo pela manhã, o meu pai foi-me esconjurar ao quarto, bradando que eu sou sempre a mesma coisa, uma grande mandriona e "levanta os pés e põe-nos a mexer!".

Pois é, desta vez não levantei os ditos e rodopiei-os em pequenos círculos, obedecendo em sentido estrito à ordem clamada (o meu sentido de humor é simplesmente fascinante).

Não, desta vez eu corri para os braços dele, exclamei "Feliz Dia do Pai!!" e ofereci-lhe uma lembrancinha que comprei à Marta, para ajudar o Grupo de Jovens dela: um frasco de um doce de gila caseiro.

Bem, se o arrependimento matasse o homem tinha-se fulminado diante dos meus olhos. Com um ar repleto de remorso e amargura, o sr. meu pai agradeceu-me emocionado e enfiou a viola no saco.

Chego ao trabalho, orgulhosa de tamanha lição de generosidade.
Anuncio a dádiva.

Vira-se uma colega: - "Mas ó Susana, o teu pai não tens diabetes?"
"F.., ca..., q m..!"
- " Bem, mais valia dares-lhe logo duas cápsulas de cianeto".

É o que dá uma gaja esforçar-se e tentar inovar.
Lá vou eu ter que ir à Massimo comprar-lhe o anual par de peúgos.

sexta-feira, março 16, 2007

Retrato de um País

Ontem fiquei mais 45 minutos para além do meu horário de trabalho, a terminar um processo. Quando saí da sala dei de caras com o Director. Este, profundamente chocado, olhou para mim como se eu o tivesse mandado vendar os olhos, pegar numa lambreta e obrigado a fazer acrobacias no Poço da Morte.

Encostou-se à ombreira da porta e, após uns segundos de recobro, perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer.

Estive a analisar um processo – adiantei.

O Sr. Director perscrutou-me, incrédulo. E eu, de um azul ciático, esboço um sorriso demente e fico estática no mesmo sítio.

Fitou-me mais uma vez chocado e acabou por ir-se embora, voltando-se ainda 2 ou 3 vezes para se certificar que eu não era um espectro óptico exorcizado.

45 (quarenta e cinco minutos!). Nem quero imaginar o que sucederia se lá tivesse ficado uma hora completa. (No mínimo uma acção de inabilitação seguida de internamento compulsório).

quarta-feira, março 14, 2007

A maldade

Soube que uma rapariga minha conhecida vai fazer o exame para a PJ, já no final deste mês.

Situação Fáctica:
Mede 1.55 e pesa 81 kg (nota de rodapé: valor estimativo arredondado por defeito).
É má, estúpida e cheira a adega de viticultor .
Não é particularmente esperta mas está a estudar aturadamente para os exames escritos.

Situação Hilariante:
Ela não sabe que para entrar para a Polícia Judiciária, não basta ter brilhante nota e dar umas corridinhas com as mamonas a ondular seduzindo inspectores-júri com taras sado-obesas. Existe mesmo um requisito mínimo, que inclui uma tabela anexa e que indica que meias-lecas como nós, de 1.55 a 1.60 têm que ter no máximo 58 kilos bem medidos nas balanças oficiais.

Auto-Avaliação:
Básica? Sou.
Má? Concedo.
DELATORA? Jamais.

Elemento moral da história:
Não vou abrir a boca.

segunda-feira, março 12, 2007

Despique desigual

Hoje logo pela fresquinha, ligo a televisão e fico ao corrente de um sem número de roubos não sei do quê (cabos de bronze ou ferro ou similares), numa terreola bragantina, que obstaram a que os seus habitantes pudessem usufruir da electricidade.

Jornalista (num tom profissional, sereno e circunspecto): então e como é que se apercebeu que tinha falhado a electricidade?

O Verdadeiro Português (com um ar nobre e compungido)- ´Tão, eu ´tava na Internet. A ver.. (pausa) na internet..a pesquisar. A ver umas coisas... (Pausa) (ganhando balanço) Estava a pesquisar– completa ele, mas com os olhos fitos nas algibeiras.

Sabem onde estão as "Mulheres de Bragança", que tão bravamente pugnaram pela recatez dos seus lares contra as brasileiras assanhadas?
Estão num cantinho enegrecido junto à lareira a chorarem copiosamente pelos tempos que eram e já não voltam a ser.

Transmontanas esforçadas –0 / Pornografia Livre- 30

sexta-feira, março 09, 2007

Homem, mas dos honestos

Ontem não comemorei o Dia Internacional da Mulher, porque basicamente sou um homem.

Chegada do ginásio, e garanto-vos que é a verdade nua e crua, a primeira coisa que faço é arregaçar as mangas, ficar praticamente em ceroulas e obrigar cada colega meu a apalpar-me os bíceps, tríceps e, num dia particularmente produtivo, os glúteos e a parte interna das coxas.

Em tempos ria-me impiedosamente da boçalidade e trejeitos rurais dos gajos da musculação, daqueles que, fazendo 40 flexões e levantando 60 kgs se prostravam frente ao espelho mirando-se jubilosos de hercúleo feito, e lançavam breves olhares de soslaio certificando-se que, no mínimo, três sócios e dois visitantes cirandavam nas redondezas.

Actualmente sou aquela que faz meia flexão de joelhos (assumidamente aldrabada) , levanta uma toalha com um braço e a garrafa de água mais chave do cacifo na outra e fica assim, imóvel , bebendo sofregamente a sua imagem reflectida no espelho, e cada vez que, à laia de músculo uma ligeira batata, bem, hum..., enfim, uma minúscula ervilha assoma no seu (em tempos taberneiro!) braço,

lança urros de alegria e abraça o primeiro indigente que lhe apareça no meio da rua.

Esperem até conseguir levantar uma barra.

terça-feira, março 06, 2007

Q.E. = 0

Sábado, numa escala, depois dos dez minutos mais entediantes de toda a minha vida, sou chamada para falar com um detido.

Vou até aos calabouços, saltitante e pró-activa, e deparo-me com o alegado criminoso.
Dirijo-me à cela e avisto o menino mais amoroso, mas quando digo amoroso, é mesmo FOFUXO na mais genuína e gritante acepção da palavra.
Um rapazinho dos seus 18 aninhos, olhos enormes rasos de água, ponteados por umas enormes pestanas pretas, estava sentado num banco com os bracinhos cruzados no colo. As mãos, nervosas, aquietavam os cotovelos nus, e a pobre criança tremia como varas verdes, olhando para a biqueira dos sapatos numa vergonha inominável. Quando se apercebeu da minha presença, ergueu os olhos suplicantes, e , com o beicinho a tremer, levou as mãos ao peito numa prece contrita. Basicamente, pareceu-me um gatinho recém-nascido à procura de um pires de leite e uma pequena posta de perca do rio.

Encostei-me docemente às grades e, olhando-o directamente naqueles maviosos olhos azuis perguntei-lhe num tom maternal: "então, porque é que estás aqui?"

- "assalto à mão armada, com caçadeira de canos serrados"

E eu, discretamente, afasto-me das grades

e faço o sinal da cruz

(E ele, continuando
"posse de droga, tentativa de homicídio" - E mais uns quantos crimes os quais nem sabia que existiam quanto mais o regime penal aplicável).

Fugi calabouços fora, a repensar a minha inteligência emocional e capacidade de avaliar pessoas e situações. Nitidamente, é má. Condoídamente (levará acento?) má.

sexta-feira, março 02, 2007

Runaway Train

Já vos aconteceu estarem a sair do metro, correndo pela vida para tentarem apanhar o comboio,
verem o monitor que anuncia as partidas e chegadas e repararem que, curiosamente nesse mesmo minuto, está prevista a entrada de um Roma Areeiro na linha 8,

então sobem meio estropiados as escadas rolantes e, felizes (suspirando de alívio!), ouvem o barulho da locomotiva,

mas depois reparam que estão numa ponta da plataforma e o Roma Areeiro passa por vós e estranhamente parece ir parar somente na outra ponta,

então vocês correm, calcanhares nas costas e braços esvoaçantes (versão Tom Sawyer/Entrecampos) tentando alcançar a última composição,

e, finalmente, apercebem-se que o comboio NÃO está a chegar mas sim a IR-SE EMBORA,

e que estão a correr esbaforidos estação fora, perseguindo um comboio em pleno andamento, enquanto os palermas da linha 7 e linha 2 de dedo em riste apontam para vocês e se riem à boca podre?

Já?
Muito mais aquietada, obrigada.


(PS- houve quem alvitrasse, e mal (aqui no cubículo laboral) que este post tem demasiadas semelhanças com outro. Desafiei-os a nomearem qual. Não conseguiram. Estendo a pergunta (e uma paulada na testa) a quem tiver a mesma opinião. )