Será que só sou eu que vejo laivos de pedofilia na relação do Manuel O Português e o Zezinho de "O meu Pé de Laranja Lima"? 9 (NOVE) anos depois do início deste blogue muita gente alvitrou sobre tudo menos isto. Portanto tenho concluir que sim, sou só eu.
domingo, junho 17, 2012
A Minha Traveca
Não é verdade. As histórias que aqui conto acontecem precisamente porque me DOU COM ELES e faço questão de estar presente na vida de quem gosto. Eu trato os transexuais com quem me dou por TRAVECAS, o meu namorado por Suga Pilas e os gays amigos por Abafadores de Palhinhas porque os tenho no coração. Os preconceitos são das pessoas que se levam tão a sério e, Meu Deus, como eu tenho medo dessa gente que se tem em tão grande conta. MANQUEM-SE.
Fui beber um cafezinho com a minha Traveca Preferida - (um dentinho só, dois metros, um toutiço, lembram-se?..uma espécie de Luisão ainda sem cirurgia de redesignação sexual), que entretanto já saiu da prisão e infelizmente recaiu no vício,
Cafezinho esse que culminou numa ida às compras no Pingo Doce que me deixou quase a zeros porque eu não sei dizer não a uma pessoa que sei que não come (aliás, por acaso até consegui verbalizar um rotundo NÃO, quando por entre pacotes de leite e cereais de chocolate, aquela aproveitadora me pediu um aparelho de TDT e ainda uma base da Maybelline de 18 euros para esconder aquela barba!).
Enfim, conversa puxa conversa - adianto-vos já que, à parte de ela não se mancar que é uma traveca muito feia, é no entanto, uma mulher muito, mas muito inteligente (O problema dela é mesmo a droga, e para a ter faz de tudo. De tudo mesmo, mas isso ficará para outro post).
No meio desse café, ela conta-me como foi presa pela 1ª vez. E eu fiquei chocada quando ela me fala em Roubo. Não era suposto a minha amiga Roubar mas sim Furtar, ou seja, sem violência. Contou-me ela e JURO, MAS JURO MESMO, TUDO VERDADE!:
Trav - " A Susana, sabe como é, quando ficamos com um cliente fixo que gosta de nós é como se saísse a lotaria né? Então eu comecei a ir com um senhor todo fino que até tinha um cargo importante, que andava numa cadeira de rodas, e e eu até pensava que era paraplégico mas depois logo na 2ª noite fomos para o motel, eu fui à casa de banho e deixei-o na cadeira de rodas, pensando que ele ia balançar as pernas e ficar deitado e quietinho em cima da cama,
Susana, qual não é o meu susto quando regressei e ele ESTAVA DE PÉ, com o tronco peludo e 2 cotos a esbracejar! ai amor, que grande susto que eu apanhei que até me ia dando um ataque!
Bem, quer dizer, o senhor lá tinha umas pernas de plástico, ao princípio deu-me um nojo mas passado uns tempos habituei-me e até nem desgostava dele, a verdade é que era um homem muito amável que se preocupava comigo. (eu ainda estava a limpar as lágrimas dos gestos que ela fez para demonstrar os cotos a barbatear)
O pior é que eu já dava na branca, e precisava mesmo de dinheiro, na altura tinha um namorado que me começou a dar ideias, para eu assaltar a casa do velho, e eu sempre a dizer que não, porque ele até pagava bem, e não valia a pena arranjar confusão, até que um dia ele me convenceu.
Bem, E o que eu fiz deu-me 5 anos de cana.
Choca-me... - disse eu
Uma das noites, ele levou-me para casa dele, estávamos na cama, na brincadeira, então ganhei coragem, amarrei-o à cama, e roubei-lhe tudo o que tinha. Ficou ainda lá umas horas atado.
Que horror! coitado do velho! - gritei
Bem, amarrá-lo à cama, bem, isso também não é assim tão grave! Ele gritava muito, mas eu sempre a pensar no dinheiro, na altura eram seis mil contos, eu estava pensar ir para a Suíça..., O pior foi que ... (e escondeu a cara por entre os guardanapos que tinha no soutien a fazer de mamas) o pior foi que eu deixei-o amarrado e ainda por cima... ROUBEI-LHE AS PERNAS E ESCONDI-AS!
MEU DEUS! - lancei horrorizada
Pois... quer dizer, com a confusão, eu queria esconder-lhe as perninhas para ele depois não fugir, mas até acabei por levar uma comigo, depois ele lá se libertou dos atacadores, arrastou-se para o telefone e chamou a Judiciária.
Fui apanhada no Conde Redondo. Nunca imaginei que ele tivesse coragem de fazer queixa, foi uma vergonha para ele! E na Boa-Hora, enfim, levei com os 5 anos por roubo". - concluiu ela, com o ar mais natural deste mundo (enfim, o mais natural que lhe é possível, se nos abstrairmos da imagem de um Luisão com um top de licra e micro-saia a roçar-lhe as bordas do rabo)
5 (cinco) anos de prisão. Para ela foi duro, para o senhor foi um escândalo, para mim deu-me uma história que eu nunca hei-de esquecer. O raio da traveca é tão esperta, só é pena é que com a droga lhe dê para o mal...
E TDT.. sinceramente, que mulher tão abusada!!!
sexta-feira, abril 20, 2012
Adoro-vos brazucas, não levem a mal.
sábado, março 31, 2012
Ele já mudou de PIN
domingo, março 25, 2012
Vida Boa

domingo, março 18, 2012
Nem sei que título pôr
domingo, março 04, 2012
O teste.
Depois do último post que foi um hit e atingiu 506 comentários, sendo quinhentos e um a dizerem "amo-te", ou ainda na variante "amo-te meu amor" (desse egrégio leitor que se chama Anónimo), voltei.
sexta-feira, outubro 28, 2011
Peso Pesado e a Filosofia Ocidental
quinta-feira, setembro 08, 2011
Auto-avaliação: nota 5 (0/5)
quarta-feira, agosto 31, 2011
Nuno, A Derradeira Ilusão de Óptica .
sexta-feira, agosto 19, 2011
Sorte da tia
quinta-feira, agosto 18, 2011
A importância de ser-se Susana
quarta-feira, agosto 17, 2011
Salsicha e a Prostituição nos motores de busca mais incompetentes do mundo
Quero a minha querida Mãe. MÃE. MÃE. MÃE.
sábado, abril 16, 2011
Quantas vergonhas explanadas ao longo destes 6 anos de blogue? Inúmeras. Maior que esta? Nenhuma.
E refiro-me concretamente ao acto de defecar, vulgo fazer um cocó. (Acho realmente horrendo não escrever no blogue há meses e depois vir com esta conversa, mas acreditem que foi ela mesmo que me conseguiu fazer sentar neste computador e desabafar).
E agora, o horror social do ano: Susana vive então 6 dias por semana numa casa. E um dia por semana na sua própria casa. Susana não faz cocó durante 6 dias, porque no escritório não consegue, trabalham lá 15 pessoas. Então, Susana carrega diariamente no ventre um pequeno ser, que dá à luz sempre que dorme na sua própria casa.
Até que um dia, enche-se de coragem, e, na casa que não é sua mas que estava vazia, baixa as calças e faz um firme e bojudo cocó. E vai trabalhar, feliz por ter ultrapassado este obstáculo.
À noite ao telefone:
Ele: Então, hã, os meus parabéns!
Eu - Hein?
Ele: Fui à casa de banho e na sanita estava lá um floater a olhar para mim!
Eu (silêncio)
Ele: A sério, aquilo saiu mesmo de dentro ti?!
Eu (estado de choque)
Ele: O gajo era rijo hã?! Se tu visses como ele lutou pela vida!
Eu (horrorizada)
Ele: Olha que só o consegui partir pela espinha com duas descargas do autoclismo..
Eu: OK! JÁ PERCEBI A IDEIA!!!!
Ele: A sério, fico muito feliz por já cagares cá em casa!
Depois dos meus pruridos todos em fazer cocó, vou lá e sem qualquer pejo faço um de tal maneira, que flutua e rodopia durante 8 horas, nunca cedendo à morte precisando de mais duas descargas para desaparecer sanita adentro!
Voltei a carregar no ventre o meu progressivo alien.
terça-feira, dezembro 21, 2010
Fui Mãe Natal. Duvido que volte a sê-lo.
Dia 20 de Dezembro, fui com a minha associação distribuir umas prendinhas aos miúdos lá de um bairro. Naturalmente, recusei-me vestir de homem (Pai Natal) e optei pela versão feminina de Mãe Natal, de decote e casaco cintado, que sempre fui gaja de muito brio e sexyness - embora com umas calças vermelhas 44 h-o-r-r-í-v-e-i-s.
Finda a noite, prendas e cabazes entregues, suada mas feliz, apercebi-me que um velho absolutamente caquético acabara de cair de umas escadas abaixo e por aí ficara assustadoramente inerte, olhos revirados e língua dependurada.
Corri para ele o melhor que as calças 44 mo permitiam e esbofetei-o até revirar novamente os olhos a uma posição considerada relativamente normal (acho que se ele não ia morrendo do trambolhão ia morrendo da minha manobra de reanimação).
"ONDE MORA?! RÁPIDO!" - exclamei aterrorizada antes que ele morresse e eu ficasse em braços com um cadáver por identificar.
"terceiro c" - titubeou o velho mais velho que eu jamais havia visto na minha vida (acho que os cabo-verdianos duram todos claramente mais de 110 anos)
Subi ao 3.º c à velocidade da luz e toquei à porta.
Duas crianças abrem-me a porta. Primeiro, o pasmo silencioso. Depois, a felicidade espelhada nos rostos:
"AHHHHHHHHHH, É A MÃE NATALLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PRENDAAAAAAAASSSSSSSSSS!!"; " E O PAI NATAL?!" "PAI NATALLLLL!!!" - perguntam eles tentanto gulosamente espreitar por detrás de mim.
É realmente aflitivo. Os impacientes dos petizes saltitam e saltitam, e aparece um irmão mais novo, que por sua vez embala um outro ainda mais novo e todos batem palmas, e derretem-se em efusiva alegria até que eu tenho mesmo que avisar:
- hum... meus queridos, oiçam-me, os paizinhos estão?
- SIM!!!! SIM!!! MÃE NATAL!!!! PRENDAS!!!
-Então digam-lhes que... hum.. digam que caiu para ali um velho das escadas abaixo e deve ser o vosso avô, bisavô, ou coisa do género. Digam aos pais que é melhor irem lá abaixo ´tá? - explico eu enquanto arregaço as calças e preparo-me para fugir escada abaixo, mas com cuidado que o piso estava realmente escorregadio. E é o que faço, não sem antes me aperceber da choradeira crioula que já havia contagiado o prédio inteiro.
O homem sobreviveu (parece que tinha ido à rua fazer um chichi. Credo, é esta a famigerada sabedoria da Velhice?).
E eu fui, orgulhosamente e sem margem para dúvidas, no ano de 2010 a pior Mãe Natal de que há memória, sem saco de prendas e, pior, sem qualquer sensibilidade feminina para dar más/péssimas notícias.
Assim sou eu. Ansiosa pela quadra natalícia de 2011 ;)
quarta-feira, outubro 27, 2010
O caranguejo toxicodependente que lia clássicos franceses
Eu e J, em julgamento de um recluso preso por nem sei quantas toneladas de crimes, e a responder, invariavelmente, por mais uns quantos. Na realidade, já iamos a rir no corredor antevendo os bons momentos que irira constituir aquela audiência de julgamento - (muito compungidos, no entanto, dada a dignidade da profissão e do cidadão se condói com a realidade do mundo do crime ).
E por que riamos nós? É que este senhor é, provavelmente taco a taco com a traveca, o cliente mais interessante e curioso que eu tenho. Vejamos: - toxicodependente há 25 anos, portador da doença bipolar, anarquista, ferrador de cavalos nos tempos livres, surdo de um ouvido mas técnico de som, cego de um olho mas tatuador profissional,fala 5 línguas, filho de um ex-embaixador, lê Émile Zola - "mas tenho uma preferência pelos escritores bizantinos" (medo!!), enfim, este julgamento por furtos simples prometia.
Pérolas avulsas:
(Explicando que tinha sido detido por populares furibundos à porta de um Pingo Doce)" Meretíssima, eu juro, eles atiraram-se a mim e eram à vontade mais de 15! Caí ao chão, placaram-me e eu fiquei para ali...olhe, eu fiquei para ali que nem um.. olhe, que nem um caranguejo de pinças para o ar! (contenho o riso visualizando a cena e nem posso olhar para o J);
"Meretíssima, palavra de honra, quando ouvi o carro da polícia... Meretíssima... eu juro por tudo quanto é sagrado, nunca em toda a minha vida me senti tão aliviado!" (Mais uma vez nem posso olhar para o J, e felizmente ele não me vê. Só o oiço num riso fininho tentando não se engasgar).
E para terminar (questionado acerca do seu arrependimento ): "Se estou arrependido?! Meretíssima, estou preso há já 1 ano e o que eu queria mesmo era, com o devido respeito e perdoe-me a expressão, era mas é fazer uma data de bebés com a minha mulher... Eu sei lá..., sei lá, uns 20 ou 30! "
Su e J deslizam cadeira abaixo a rir que nens uns perdidos, perante a simbólica mas pungente expressão "fazer uma data de bebés", já nem querendo saber com quem e muito menos a quantidade exacta!! Bem, bebés bebés, só se for com as pacientes do hospital psiquiátrico. Conseguimos o internamento em vez de pena de prisão. Duo Broa de Mel no seu melhor.
terça-feira, outubro 19, 2010
A Madeira, a UNESCO, e os Parvos Parte I
Bem, este Verão fui então com uns amigos para o Funchal durante uma semana. Depois de ultrapassada a eterna questão de sempre - descolagem e aterragem em absoluto estado de pânico, aos murros e convulsões contra os assentos do avião e companheiros de viagem (sim, aviãofóbica, e então?);
fiz a voltinha recomendada: comi bolo do caco, vomitei-me nos teleféricos, bebi poncha e brisas até não apertar o cinto, abarrotei-me de bolos de mel, fiz amizade com baratas voadoras absolutamente gigantescas, beijei de língua todas as bandeirolas, cartazes, porta-chaves e t-shirts com o corpo do Cristiano (enfim, o normal) e passei,
juntamente com o ignorante do Nelson, a chamada grande, grande vergonha social:
Susana e Nelson, felicíssimos em terras de Bartolomeu Perestrelo e entretidos no comércio de rua: Muito bom dia, se faz favor, quanto custa este Caralhete ?
Vendedor de meia-idade (ligeiramente intrigado): Nâm pêrcebéi, éste quéé?
Nelson - em alto e bom som, para o senhor perceber o seu sotaque continental, referindo-se ao instrumento musical dos bonequinhos de pau adornados com trajes da região:
(Susana ficou desta vez calada, antevendo possível engano)
- Muito bom dia, se faz favor, quanto custa este C-A-R-A-L-H-E-T-E? - soletrou ele, enquanto apontava de dedo em riste e sorriso franco e aberto para os ditos bonequinhos.
Vendedor (revoltado até às entranhas): QUÉE??!!!! ÊSTE É ÂM BRÂMQUEINHE!!(Brinquinho) ÃM BRAMQUEINHE!! - SEI DAQUEI MÁLCRIADE! !! uivou ele, enquanto nos tentava acertar (maldosamente, mesmo!) com um Brinquinho, que de brinquinho não tinha nada, mais parecia um gigantesco mastro vertical com uma colónia de duendes a acasalar.
Enfim, quero crer que um amigo mais humorizado do Nelson o tenha enganado e, ele, inadvertidamente, nos tenha enganado a nós. Só sei que mal tivemos tempo de fugir colina abaixo (ultrapassando os carrinhos de cestos que, pelos vistos, atingem a alucinante velocidade de 0.02 km/hora).
Bonito, logo no 1.º dia na cidade do Funchal e já estávamos marcados por um comerciante andropáusico com objectos fálicos perfurantes na mão e uma vontade doida de nos sovar.
A viagem ao arquipélago prometia. ..E prometeu, conforme desfecho idiótico que seguirá oportunamente em brevíssimo post II (juro).
P-S- Um grande beijo para as senhoras da Biblioteca da UAL que parece que me lêem. Mistérios insondáveis, não os questiono.
domingo, setembro 12, 2010
30 anos e 20 dias
5 anos depois, reflicto (respiro fundo, fecho os olhos suavemente, abro-os novamente, a realidade é crua e una): MEU DEUS DO CÉU, EU JÁ TENHO 30 ANOS!!!! COMO É POSSÍVEL SEMELHANTE DIABOLIZAÇÃO DA MINHA PESSOA??!! 30 ANOS!!
Lembro-me como se fosse ontem de estar em em Armação de Pêra, em pleno Agosto, a festejar os meus 10 anos orgulhosa que nem um pavão macho, e olhar compadecidamente para a minha mãe que, exactamente uma semana depois, perfez os 30. "30 anos" - pensei eu: "Coitadinha, qualquer dia bate as botas".
E agora, chegou a minha vez.
O que dantes era para mim a antecâmara da sepultura, é hoje em dia a minha idade biológica. O que verdadeiramente me vale, é que sei exactamente quem sou por dentro. Continuo a ser a mesma miúda ruim, amoral , burra e trafulha de sempre.
Noutro dia dei por mim a dizer a alguém: "quando for grande, vendo o Citroen e compro um Nissan Qashqai". A pessoa silenciou-se, confusa. Eu própria enrubesci.
Isto tudo para me desculpar por não ter escrito atempadamente. É que tive mesmo um momento de reflexão que, felizmente, passou relativamente rápido (essas coisas da introspecção reservam-me a minha futura adultez. Que há-de vir...mas não para já).
Até lá, viva a criancice, a falta de autonomia e espírito crítico. Viva o Salsicha, que iniciei com 25 anos e permanece igual aos 30, exactamente com o mesmo registo diabólico de pós-adolescente!
Teoricamente, sou adulta. Na prática, estou no limbo dos infantes. Ninguém tem 30 anos...
terça-feira, agosto 17, 2010
Fábulas de Esopo: O Velho e a PT
Vim para o escritório e vou logo cumprimentar o meu colega ancião (86 anos, recordo)
- então Dr., já se entendeu com a PT por causa do telefone?
- Olhe, o telefone já está. Quanto à a internet recebi um fax a dizer (põe as lunetas e reproduz): " não é possível comunicar com o servidor DNS principal - n.º ..., o diagnóstico da rede enviou um ping (?) para o sistema anfitrião remoto mas não recebeu resposta".
Tira as lunetas. Lacrimeja um pouco e eu nem sei o que lhe hei-de dizer porque, objectivamente, nem percebi que tipo de comunicação linguística era aquela.
- então e o que vai fazer? - inquiri
- Estive a pensar e já decidi: não há a mínima esperança. Pensei primeiro em assomar à varada e lançar-me em salto olímpico de natação, com pirueta e tudo. Depois reflecti e achei que se calhar ia esparrilhar demasiado sangue e era capaz de não ser bonito.
...
- Mas não se preocupe Susana, tenho já aqui um frasco de cicuta - é simples e eficaz, em sobredose mata por paragem cardio-respiratória e eu já dei instruções, expressas, para não me reanimarem - aquietou-me .
Encostei-me à ombreira da porta. Ele, ar sofrido e extenuado, repetiu: "Filhos da puta destes gajos da PT".
segunda-feira, agosto 09, 2010
1 razão científica para nos dedicarmos à meditação taoista
Levanto-me num ápice, imaginando um qualquer nigeriano de marreta em punho escalando o 3 .º andar tentando-lhe roubar o cofre e abro a porta de rompante.
O Dr., de telefone em punho, gritava das profundezas das entranhas para o interlcutor, cuja identidade só descobri 5 minutos depois.
Sucintamente, ele bramia o seguinte:
- VOCÊS, VOCÊS SÃO UMA CAMBADA DE MALFEITORES, UNS GRANDESSÍSSIMOS ASNOS!
-imperceptível- interlocutor
- META!!! META EM TRIUNAL ! PEÇO-LHE PELO AMOR DE DEUS, META PARA EU TER O PRAZER, O DELEITE DE VOS ESFREGAR NESSA CARA DE JUMENTOS A MINHA OPOSIÇÃO E PEDIR UMA INDEMNIZAÇÃO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. PELO AMOR DE DEUS, METAM-ME EM TRIBUNAL E JÁ HOJE!!
-imperceptível - interlocutor
-TA-LI-BANS!! VOCÊS SÃO UMA ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA, SÃO UNS VERDADEIROS TALIBANS, E ISTO COM A DEVIDA VÉNIA AOS TALIBANS, QUE AO MENOS LUTAM POR UMA CAUSA! VOCÊS SÃO SIMPLESMENTE UM BANDO DE ASNOS E INCOMPETENTES, QUE COMETEM SEMPRE OS MESMOS ERROS SIMPLESMENTE PORQUE SÃO ESTÚPIDOS E BURROS QUE NEM PORTAS! CAMBADA DE BESTAS ANALFABETAS INQUALIFICÁVEIS E INOMINÁVEIS! BESTAS AO QUADRADO! Com licença.
E desligou o telefone.
Eu , amarelo-icterícia, estava em estado de choque encostada à ombreira da porta. Quando o velhote terminou os seus insultos, virou-se calmamente na minha direcção, limpou o suor da testa com o seu lenço de cambraia, sentou-se na poltrona, recuperou o fôlego e disse-me, olhos nos olhos:
" Susana, peço-lhe desculpa por este palavreado vulgar de carroceiro. Mas é que este filhos da puta DESTES GAJOS DA PT, é a 20ª vez que lhes digo que não quero um número de telefone novo, apenas quero portabilidade, há 6 mês que andamos nisto e ainda não me entenderam! Porra, desisto. Ainda bem que ando na meditação budista há 15 anos, senão ia lá e pessoalmente metia uma bomba naquela administração toda, ia Picoas, ia Entrecampos, ia tudo".
Voltei para a minha sala, lívida de pavor. Eu já sou sanguinolenta aos 30, imagine-se aos 80. Nunca em toda a minha vida tinha assistido a tamanha crise de nervos por causa de uma multinacional. Vou na próxima quarta feira (quando vier de férias weeeeeeeee), à minha 1ª aula de Tai Chi. Não quero morrer de enfarte do miocárdio antes dos 50.