Tendo conseguido mais uma cliente, fui conversar melhor com ela ao estabelecimento prisional. A Verónica tinha 28 anos, um companheiro mas não tinha filhos. Estava acusada de dois acrimes de roubo e confessou-se profundamente arrependida. "Foi a droga, desgraçou-me" - lamentou-se Verónica, enquanto limpava as lágrimas de uma dor sincera. "quando sair daqui...só quero endireitar a minha vida".
Fitei-a um pouco desconcertada. É que a Verónica era um preto musculado chamado Vítor, com quase dois metros e só com um dente da frente. Usava um toutiço repuxado no meio duma cabeça feia e pintava as beiças de carmim. Usava ainda um top preto decotado (com as alcinhas brancas do soutien propositadamente à mostra), não obstante a ausência absoluta e confrangedora de quaisquer mamas. As calças eram brancas,daquelas de gingar na capoeira, num elastano fininho que deixava transparecer o montinho dos testículos e uma pichota pouco envergonhada.
"Isto não é vida para ninguém.." - repetiu laconicamente Verónica, enquanto eu tentava desviar as vistas daquele único dente que o angolano tinha na gengiva de cima. "Claro Verónica, isto não é vida". Tradução: se queres ser uns transsexual decente arranja os dentes da frente e não uses calças justas enquanto tiveres pila de africano.
Não sei o que assustou mais o empregado da loja roubada, se a ordem para meter os 900 euros no saco, se a mão do homem que empunhava o revólver ter as unhas pintadas de rosa fushia com uns cristaizinhos embutidos. Espero que o seguro dele cubra o stress pós-traumático.
Será que só sou eu que vejo laivos de pedofilia na relação do Manuel O Português e o Zezinho de "O meu Pé de Laranja Lima"? 9 (NOVE) anos depois do início deste blogue muita gente alvitrou sobre tudo menos isto. Portanto tenho concluir que sim, sou só eu.
sexta-feira, junho 20, 2008
quarta-feira, junho 11, 2008
A insustentável leveza de ser gay
Descobri eu por estes dias que um amigo meu (e quando digo amigo, é na mais plena acepção verbalística da coisa), é homossexual praticante.
Reparem, o choque não reside no facto de ele se deleitar nos braços peludos de outro homem. (confesso que as práticas sexuais entre duas pilas amigas deixam-me profundamente intrigada, mas nada que me tire o sono).
Ora o choque desta revelação residiu então, não no facto deste meu amigo ser, enfim, boiola, mas sim no facto de ele ter tido um terror puro de me contar devido... ao meu blogue....Pois é, parece que no meio de tantas expressões pouco valorosas para os homossexuais, que pelos vistos eu inadvertidamente (hihihi) escrevi, acabei por desincentivar qualquer ser homoafectivo a desabafar comigo.
Ora, eu sempre defendi o carácter lúdico e pobretanamente didáctico do salsicha. Sei que escrever expressões semelhantes a agasalha o croquete e abafador de costeletas mostram-se pouco motivantes para uma partilha homossexual mais profunda.
Efectivamente vocês amam-se através dos rabos, e essa situação leva-me inevitavelmente a comentários mais porcalhotes, mas sempre, sempre, na brincadeira e sem qualquer maldade aqui da Su.
Um beijo grande para todos os cuecão de couro meus amigos e que têm medo de mim ( - medo de mim? como querem que não vos chame mariquinhas?!) Sabem bem que a porta estará sempre aberta. A da frente.
Reparem, o choque não reside no facto de ele se deleitar nos braços peludos de outro homem. (confesso que as práticas sexuais entre duas pilas amigas deixam-me profundamente intrigada, mas nada que me tire o sono).
Ora o choque desta revelação residiu então, não no facto deste meu amigo ser, enfim, boiola, mas sim no facto de ele ter tido um terror puro de me contar devido... ao meu blogue....Pois é, parece que no meio de tantas expressões pouco valorosas para os homossexuais, que pelos vistos eu inadvertidamente (hihihi) escrevi, acabei por desincentivar qualquer ser homoafectivo a desabafar comigo.
Ora, eu sempre defendi o carácter lúdico e pobretanamente didáctico do salsicha. Sei que escrever expressões semelhantes a agasalha o croquete e abafador de costeletas mostram-se pouco motivantes para uma partilha homossexual mais profunda.
Efectivamente vocês amam-se através dos rabos, e essa situação leva-me inevitavelmente a comentários mais porcalhotes, mas sempre, sempre, na brincadeira e sem qualquer maldade aqui da Su.
Um beijo grande para todos os cuecão de couro meus amigos e que têm medo de mim ( - medo de mim? como querem que não vos chame mariquinhas?!) Sabem bem que a porta estará sempre aberta. A da frente.
quinta-feira, março 20, 2008
Era mesmo esta que me faltava
Isto há coisas que não lembram a ninguém, especialmente após os meus 3 ou 4 posts invejosos versando sobre raparigas bonitas e vistosas.
Há uns dias a Bianca, aproveitando uma distracção minha, avistou um gato e atirou-se muro fora com as 3 patas que lhe restam e desapareceu numa bisga. Só tive tempo de ir buscar as chaves e correr rua abaixo não fosse ela ficar definitivamente aleijada.
Ia eu, note-se, de pijama desirmanados (calças das ovelhas e camisola dos pinguins), sem soutien, de meias rotas e cabelos gordurosos ao vento, quando vem a subir a rua, a pé, na minha direcção, uma rapariga de dois metros, loira e de botas altas, que dá pelo nome de Merche Romero.
Afrouxei o sufciente de lhe lançar uns olhos gulosos e observar sofregamente tudo o que os meus olhos alcançavam.
E, meus confrades, que dor. Nenhuma mulher, acabada de acordar mas de bons sentimentos como a minha pessoa, deveria ser sumetida a tamanha humilhação. E lá continuei eu, de peúga rota em riste, na demanda do cão aleijado,
isto enquanto Merche Romero subia segura e bem formosa a minha rua (que, pasme-se, até nem tem saída).
Ora passados 3 dias, voltei a ver Merche.
E deste vez eu até estava vestida. De fato completo e botas altas. E caramba, continuei exactamente com a mesma sensação, basicamente uma refugiada libanesa, com ranho no nariz e cabelo colado à testa.
Dias depois o mistério resolveu-se. Um ex da dita é o meu mais recente vizinho, e não me refiro obviamente ao Cristiano, se não não estaria aqui a escrever estas linhas ao computador mas sim de binóculo em punho escondida no sotão,
pelo que algo me diz que me vou sentir ratazana de esgoto, lodosa e rexumenga muitas mais vezes que seria de esperar na minha própria terra, na minha própria rua.
"Ah e tal, é gira mas é bem burra, não te preocupes" - consolam-me os amigos.
Pois preocupo-me. E muito. E o menino Renato vai-me mas é passar a ir buscar ao quarteirão de cima que eu não quero cá misturas.
Há uns dias a Bianca, aproveitando uma distracção minha, avistou um gato e atirou-se muro fora com as 3 patas que lhe restam e desapareceu numa bisga. Só tive tempo de ir buscar as chaves e correr rua abaixo não fosse ela ficar definitivamente aleijada.
Ia eu, note-se, de pijama desirmanados (calças das ovelhas e camisola dos pinguins), sem soutien, de meias rotas e cabelos gordurosos ao vento, quando vem a subir a rua, a pé, na minha direcção, uma rapariga de dois metros, loira e de botas altas, que dá pelo nome de Merche Romero.
Afrouxei o sufciente de lhe lançar uns olhos gulosos e observar sofregamente tudo o que os meus olhos alcançavam.
E, meus confrades, que dor. Nenhuma mulher, acabada de acordar mas de bons sentimentos como a minha pessoa, deveria ser sumetida a tamanha humilhação. E lá continuei eu, de peúga rota em riste, na demanda do cão aleijado,
isto enquanto Merche Romero subia segura e bem formosa a minha rua (que, pasme-se, até nem tem saída).
Ora passados 3 dias, voltei a ver Merche.
E deste vez eu até estava vestida. De fato completo e botas altas. E caramba, continuei exactamente com a mesma sensação, basicamente uma refugiada libanesa, com ranho no nariz e cabelo colado à testa.
Dias depois o mistério resolveu-se. Um ex da dita é o meu mais recente vizinho, e não me refiro obviamente ao Cristiano, se não não estaria aqui a escrever estas linhas ao computador mas sim de binóculo em punho escondida no sotão,
pelo que algo me diz que me vou sentir ratazana de esgoto, lodosa e rexumenga muitas mais vezes que seria de esperar na minha própria terra, na minha própria rua.
"Ah e tal, é gira mas é bem burra, não te preocupes" - consolam-me os amigos.
Pois preocupo-me. E muito. E o menino Renato vai-me mas é passar a ir buscar ao quarteirão de cima que eu não quero cá misturas.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
abaixo as angolanas (do hi5!)
Eu disse todos os dias? ops, lapsus linguae...sou tão adoravelmente mentirosa não sou?
Agora que o meu R me vai deixar durante 1 mês, preciso de me distrair q.b. para não ficar a pensar o que é que ele andará fazer por aqueles caminhos sórdidos e repletos de podridão devassa chamada "Angola",
a cruzar destinos com miúdas de beiças mal pintadas cheias de calor e de maus princípios chamadas "angolanas do hi5". Quer dizer, não é de fonte segura, mas deduzo isso pelas fotos hereges das meninas nesse site.
Acreditem, cuscar o profile de uma angolana mais dada é certamente uma das experiências mais atrozes que tenho vivenciado nos últimos tempos.
E reparem, tenho visto muita coisa: VERÍDICO, noutro dia na R. Gomes Freire, vi um sem abrigo a fazer cócó no meio do passeio, limpou-se a uns papéis e com os mesmos tapou o montinho. Ainda sim, ver o rabo sujo de um adulto que não o nosso pai ou o nosso irmão a evacuar no meio de Lisboa é mais tranquilizante que ver uma angolana tentar seduzir no hi5.
E lá vai o meu R, belo que nem o mais belo dos deuses gregos para o meio da selva com aquelas abutres sedentas de paixão com uns traseiros gigantescos e seios pequenos clamando por carícias.
Medo. Desolação.
Agora que o meu R me vai deixar durante 1 mês, preciso de me distrair q.b. para não ficar a pensar o que é que ele andará fazer por aqueles caminhos sórdidos e repletos de podridão devassa chamada "Angola",
a cruzar destinos com miúdas de beiças mal pintadas cheias de calor e de maus princípios chamadas "angolanas do hi5". Quer dizer, não é de fonte segura, mas deduzo isso pelas fotos hereges das meninas nesse site.
Acreditem, cuscar o profile de uma angolana mais dada é certamente uma das experiências mais atrozes que tenho vivenciado nos últimos tempos.
E reparem, tenho visto muita coisa: VERÍDICO, noutro dia na R. Gomes Freire, vi um sem abrigo a fazer cócó no meio do passeio, limpou-se a uns papéis e com os mesmos tapou o montinho. Ainda sim, ver o rabo sujo de um adulto que não o nosso pai ou o nosso irmão a evacuar no meio de Lisboa é mais tranquilizante que ver uma angolana tentar seduzir no hi5.
E lá vai o meu R, belo que nem o mais belo dos deuses gregos para o meio da selva com aquelas abutres sedentas de paixão com uns traseiros gigantescos e seios pequenos clamando por carícias.
Medo. Desolação.
sábado, janeiro 05, 2008
Era uma vez uma Soraia Chaves
(ó gentinha apressada... )
E ano começou bem:
por já ter visto todos os filmes em cartaz no Arena Shoping (zona oeste), lá fui arrastada para uma obra prima do Tino e fui ver o Call Girl.
Olhei para o lado, Renato com olhos mortiços salivando despudoradamente, e ouvi: " esta Soraia Chaves é mesmo parecida com a Ana (ex)". Eu fiquei queda e engoli em seco.
E ele, continuando: "é que é mesmo parecida. até a maneira de mexer as mãos, o cabelo".
volto a encarar o écran, uma Soraia divina, beleza de Petrarca, com um top sem soutien (como é possível meu Deus), cabelo e mãos perfeitas. Ele continuava "nunca tinha reparado, é que são mesmo iguaizinhas, a Ana era é um bocadinho mais alta".
E eu, enterrada na cadeira, sem que que o salto das botas chegasse sequer perto do chão, com a barrigona a abarrotar de pipocas e tentando não arrotar a coca-cola, senti-me subitamente mal.
Verti umas lágrimas sem que ele se apercebesse. Funguei-me nas mangas e continuei a chorar baixinho, uma birrinha de inveja no fundo, cheia de pena de mim própria. Até que ele me diz novamente, sem descolar os ollhos do écran " e sabes quem é que esta me faz lembrar?"
com os olhos enevoados vejo uma Daniela Faria de cara lavada, linda e sexy.
Não sei o que me deu, mas possuída por uma coisa má virei-me para ele e gritei-lhe mesmo na cara " DEIXA-ME ADIVINHAR PARECE A TUA PRIMEIRA NAMORADA E EU PAREÇO É O BURRO DO SHREK!"
e larguei num pranto, frente a um Renato atordoado. E nesse momento volto a ter o meu namorado amoroso, que apercebendo-se da sua insensibilidade podre, me cobre de beijos e me acolhe no seu regaço dizendo "não sejas parvinha, és muito mais bonita que a Soraia Chaves".
Lanço-lhe um segundo olhar inquiridor e ele acrescenta solícito "E muito mais bem-feita, claro".
Continuo a fitá-lo impiedosa. Ele pensa um bocadinho e numa ligeira hesitação arrisca:
" E muito mais inteligente?".
Faço um aceno de assentimento e voltamos a abraçar-nos. Adoro quando a verdade é reposta e tudo acaba bem.
E ano começou bem:
por já ter visto todos os filmes em cartaz no Arena Shoping (zona oeste), lá fui arrastada para uma obra prima do Tino e fui ver o Call Girl.
Olhei para o lado, Renato com olhos mortiços salivando despudoradamente, e ouvi: " esta Soraia Chaves é mesmo parecida com a Ana (ex)". Eu fiquei queda e engoli em seco.
E ele, continuando: "é que é mesmo parecida. até a maneira de mexer as mãos, o cabelo".
volto a encarar o écran, uma Soraia divina, beleza de Petrarca, com um top sem soutien (como é possível meu Deus), cabelo e mãos perfeitas. Ele continuava "nunca tinha reparado, é que são mesmo iguaizinhas, a Ana era é um bocadinho mais alta".
E eu, enterrada na cadeira, sem que que o salto das botas chegasse sequer perto do chão, com a barrigona a abarrotar de pipocas e tentando não arrotar a coca-cola, senti-me subitamente mal.
Verti umas lágrimas sem que ele se apercebesse. Funguei-me nas mangas e continuei a chorar baixinho, uma birrinha de inveja no fundo, cheia de pena de mim própria. Até que ele me diz novamente, sem descolar os ollhos do écran " e sabes quem é que esta me faz lembrar?"
com os olhos enevoados vejo uma Daniela Faria de cara lavada, linda e sexy.
Não sei o que me deu, mas possuída por uma coisa má virei-me para ele e gritei-lhe mesmo na cara " DEIXA-ME ADIVINHAR PARECE A TUA PRIMEIRA NAMORADA E EU PAREÇO É O BURRO DO SHREK!"
e larguei num pranto, frente a um Renato atordoado. E nesse momento volto a ter o meu namorado amoroso, que apercebendo-se da sua insensibilidade podre, me cobre de beijos e me acolhe no seu regaço dizendo "não sejas parvinha, és muito mais bonita que a Soraia Chaves".
Lanço-lhe um segundo olhar inquiridor e ele acrescenta solícito "E muito mais bem-feita, claro".
Continuo a fitá-lo impiedosa. Ele pensa um bocadinho e numa ligeira hesitação arrisca:
" E muito mais inteligente?".
Faço um aceno de assentimento e voltamos a abraçar-nos. Adoro quando a verdade é reposta e tudo acaba bem.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Os enganados
Anúncio: A partir de dia 1 vou escrever todos os dias neste blogue.
Curiosidade: adorei o Beowulf, apesar de ter ficado com uma dor de cabeça valente após ter estado uma hora a discutir com o tarado sexual do Renato que esteve o filme todo fixado nos bicos das mamas da Angelina Jolie.
Há-de cá vir.
Curiosidade: adorei o Beowulf, apesar de ter ficado com uma dor de cabeça valente após ter estado uma hora a discutir com o tarado sexual do Renato que esteve o filme todo fixado nos bicos das mamas da Angelina Jolie.
Há-de cá vir.
segunda-feira, outubro 22, 2007
A Lição
Aqui há uns tempos uma menina ex-projecto crescer, de origens humildes, revelou grande em voltar a pertencer à associação, desta feita como animadora.
Ouro sobre azul, não fosse o facto dessa menina não jogar com o baralho todo. Mas enfim, parafuso a mais, parafuso a menos, lá fizemos uma reunião de introspecção e, tendo ido a votos, achámos que lhe deveriamos conceder uma oportunidade de integrar o projecto.
Assim sendo, convocámo-la a uma reuniãozita na capela, e, condescendentes, lá lhe comunicámos que a aceitávamos como monitora, tinha era que se portar bem e não morder ninguém.
Feliz, a adolescente agradeceu-nos. Mas adiantou, logo de seguida, que não poderia participar na colónia de férias porque ia a correr para a China.
Entreolhámo-nos subtilmente. O mais longe que a miúda tinha ido na vida foi de autocarro da junta à aldeia do Sobral, aquela das miniaturas do barro.
- ah, então vais para a China... - comentou alguém
- vou, vou à China, vou a correr! - completou ela orgulhosa.
Não sabiamos se haviamos de rir pela imagem da miúda a correr esbaforida até à China ou lamentar pela inimputabilidade de uma rapariga tão nova.
Lá lhe demos dinheiro para um gelado e ficámos ainda a rir um bocado à pala dela.
Até a termos visto no Telejornal, medalha de ouro ao peito, acabada de chegar dos Special Olympics de Xangai.
Ouro sobre azul, não fosse o facto dessa menina não jogar com o baralho todo. Mas enfim, parafuso a mais, parafuso a menos, lá fizemos uma reunião de introspecção e, tendo ido a votos, achámos que lhe deveriamos conceder uma oportunidade de integrar o projecto.
Assim sendo, convocámo-la a uma reuniãozita na capela, e, condescendentes, lá lhe comunicámos que a aceitávamos como monitora, tinha era que se portar bem e não morder ninguém.
Feliz, a adolescente agradeceu-nos. Mas adiantou, logo de seguida, que não poderia participar na colónia de férias porque ia a correr para a China.
Entreolhámo-nos subtilmente. O mais longe que a miúda tinha ido na vida foi de autocarro da junta à aldeia do Sobral, aquela das miniaturas do barro.
- ah, então vais para a China... - comentou alguém
- vou, vou à China, vou a correr! - completou ela orgulhosa.
Não sabiamos se haviamos de rir pela imagem da miúda a correr esbaforida até à China ou lamentar pela inimputabilidade de uma rapariga tão nova.
Lá lhe demos dinheiro para um gelado e ficámos ainda a rir um bocado à pala dela.
Até a termos visto no Telejornal, medalha de ouro ao peito, acabada de chegar dos Special Olympics de Xangai.
domingo, outubro 14, 2007
O meu carro
Ah pois é, após anos incessantes de labuta rigorosa, comprei o meu primeiro carro. Escusado será dizer que, durantes os primeiros dias, esta viatura de um azul lindíssimo foi a luzinha dos meus olhos.
Ele eram beijos, afagos ternurentos, um roçar de nariz na porta do condutor, carícias breves mas intensas.
Orgulhosa, levo-o pela primeira vez a passear, acedendo a um pedido desesperado do meu irmão, para o ir buscar ao Técnico a propósito de nem sei o quê.
Tiro o carro da garagem ( tarefa hercúlea devido aos 4 pilares gigantes, uma máquina de costura, uma máquina de passar a ferro, um estaminé de parafernália electrónica e dois veículos estacionados).
E lá vou eu estrada fora, uma lágrima a querer descair e o peito ardendo de felicidade. Estaciono, vou ter com ele ao bar, três dedos de conversa com os colegas e regressamos a casa.
No parque de estacionamento, o choque, o terror puro. Do lado direito do carro, riscos gigantes.
Depois de um pseudo-colapso anafilático, recuperei a consciência e desatei a correr para a portaria, em direcção aos seguranças. E lá foi o meu irmão atrás de mim, esbracejando tal como eu, exigindo ver as cassetes de vigilância e vociferando ameaças expressas contra colegas, funcionários e membros do Conselho de Direcção e Comité Científico.
Exaustos, e após uma promessa solene que no dia seguinte haveria uma averigação oficiosa ao incidente, regresso a casa simplesmente deprimida, mas ainda assim confiante nas autoridades.
Entramos dentro da garagem e a primeira coisa que se avista é um pilar branco listado de azul. O meu irmão olha para mim, rancoroso:
- "já viste a figura que andei a fazer?"
Naquela altura senti mesmo as orelhitas a baixarem-se-me, um ratinho perdido no esgoto, um pequeno Ratatui órfão de família e de amor.
Moral:
Os riscos no estúpido do pilar sairam.
Equimoses no meu lindo carro azul.
Uma grande dor de alma.
Ele eram beijos, afagos ternurentos, um roçar de nariz na porta do condutor, carícias breves mas intensas.
Orgulhosa, levo-o pela primeira vez a passear, acedendo a um pedido desesperado do meu irmão, para o ir buscar ao Técnico a propósito de nem sei o quê.
Tiro o carro da garagem ( tarefa hercúlea devido aos 4 pilares gigantes, uma máquina de costura, uma máquina de passar a ferro, um estaminé de parafernália electrónica e dois veículos estacionados).
E lá vou eu estrada fora, uma lágrima a querer descair e o peito ardendo de felicidade. Estaciono, vou ter com ele ao bar, três dedos de conversa com os colegas e regressamos a casa.
No parque de estacionamento, o choque, o terror puro. Do lado direito do carro, riscos gigantes.
Depois de um pseudo-colapso anafilático, recuperei a consciência e desatei a correr para a portaria, em direcção aos seguranças. E lá foi o meu irmão atrás de mim, esbracejando tal como eu, exigindo ver as cassetes de vigilância e vociferando ameaças expressas contra colegas, funcionários e membros do Conselho de Direcção e Comité Científico.
Exaustos, e após uma promessa solene que no dia seguinte haveria uma averigação oficiosa ao incidente, regresso a casa simplesmente deprimida, mas ainda assim confiante nas autoridades.
Entramos dentro da garagem e a primeira coisa que se avista é um pilar branco listado de azul. O meu irmão olha para mim, rancoroso:
- "já viste a figura que andei a fazer?"
Naquela altura senti mesmo as orelhitas a baixarem-se-me, um ratinho perdido no esgoto, um pequeno Ratatui órfão de família e de amor.
Moral:
Os riscos no estúpido do pilar sairam.
Equimoses no meu lindo carro azul.
Uma grande dor de alma.
sábado, outubro 06, 2007
I see dead people
Exposição do Corpo Humano
(não, não vou discutir se os espécimes eram asiáticos ou africanos, recuso-me a entrar numa discussão inútil e por demais evidente - asiáticos - ou há todo um universo mitológico que se desmorona).
Entro numa sala e vejo um caixote de vidro repleto de maços de tabaco, inseridos numa ranhura pelos corajosos visitantes. Por cima, uma inscrição que incita: "Deixe de fumar, agora".
Excitada, vou buscar o Renato à sala das artérias
(muito esquisito é este miúdo, a chatear-me porque me detive no único corpo nu de uma mulher nesta exposição machista - peço perdão por ser curiosa e ter uma oportunidade única de saber se sou anatomicamente normal - enquanto ele próprio fica 20 minutos em frente a uma árvore bronquiológica, exclamando de olhos vidrados: que lindo, que lindo)
Arrasto-o até chegarmos ao caixote do tabaco. Inquiro-o: "então, é desta?"
Ele observa, guloso, os maços de tabaco. Olha para ambos os lados, e vendo-nos sozinhos, desafia-me: "achas que consegues meter a mão no buraco?" Incrédula, olho com atenção o hiper-racional e sensato namorado que supunha ter. Julgo ver uma sumida linha de saliva a descer-lhe rosto abaixo.
Fugi dali horrorizada. Tenho que repensar o ultimato do "o Malboro ou eu". Não sei viver sozinha.
(não, não vou discutir se os espécimes eram asiáticos ou africanos, recuso-me a entrar numa discussão inútil e por demais evidente - asiáticos - ou há todo um universo mitológico que se desmorona).
Entro numa sala e vejo um caixote de vidro repleto de maços de tabaco, inseridos numa ranhura pelos corajosos visitantes. Por cima, uma inscrição que incita: "Deixe de fumar, agora".
Excitada, vou buscar o Renato à sala das artérias
(muito esquisito é este miúdo, a chatear-me porque me detive no único corpo nu de uma mulher nesta exposição machista - peço perdão por ser curiosa e ter uma oportunidade única de saber se sou anatomicamente normal - enquanto ele próprio fica 20 minutos em frente a uma árvore bronquiológica, exclamando de olhos vidrados: que lindo, que lindo)
Arrasto-o até chegarmos ao caixote do tabaco. Inquiro-o: "então, é desta?"
Ele observa, guloso, os maços de tabaco. Olha para ambos os lados, e vendo-nos sozinhos, desafia-me: "achas que consegues meter a mão no buraco?" Incrédula, olho com atenção o hiper-racional e sensato namorado que supunha ter. Julgo ver uma sumida linha de saliva a descer-lhe rosto abaixo.
Fugi dali horrorizada. Tenho que repensar o ultimato do "o Malboro ou eu". Não sei viver sozinha.
sexta-feira, setembro 28, 2007
A Dúvida
Esta semana fui assistir ao julgamento de uma colega, que envolvia um seu arguido um pouco sui generis, preso num estabelecimento prisional.
Fui com a minha amiga Zélia, comparsa das brincadeiras, e sentámo-nos as duas no banco das visitas, emocionadas com o início da audiência.
Mas o certo é que, ainda esta nem tinha sido aberta, já vinha um Sr. Funcionário Judicial, a suar em bica, lívido de desespero, sem articular palavra conexa:
- o arg.. o ar..fug.. arghhh o arg..
E eu e a Zélia a mirá-lo atentas, tentando decifrar a charada:
- o arg...arghhh...o arg..oh meu ..fug.. arghh e atirava com a cabeça para trás e a língua para fora,
Finalmente apareceu outro Funcionário, com um pacote de açúcar, enfiou-lho garganta abaixo e o homem lá recuperou a consciência:
- o arguido..ó meu Deus, o arguido... fugiu! Não está na cela, fugiu!
Motim na sala, só faltou os restantes arguidos atirarem-se janela fora, com pânico de um arguido foragido - quiçá armado - esquecendo-se, por momentos, que eles próprios, num certo momento da sua vida, foram uns pequenos patifes.
Até que vem uma Funcionária, lúcida como qualquer mulher que se preze, e acalmou os 2 Funcionários esclarecendo-os:
- O arguido já vem aí.
Burburinho.
E segundos depois, entra uma mulher de porte altivo, cabelos pretos escorridos, calças justas e botas altas, batôn nos lábios e o rabinho a dar a dar.
Silêncio.
- Foi erro do guarda, explica a Funcionária, enquanto olha invejosa para a D. Travesti
Pois é, parece que quem deveria ter metido o arguido na cela dos homens, se entreteve tanto e tão bem a olhar para as suas maminhas baloiçantes e quadris rebolantes, que se esqueceu estar perante um travesti NÃO OPERADO por isso, e para todos os efeitos legais, tinha um pénis (minúsculo e atrofiado, segundo me confidenciou - hihi) e dois testículos (pequenitos também, tipo isto..)
Mas no meio disto tudo, se há uma coisa que eu aprendi ou reforcei é:
- os homens são particularmente estúpidos, especialmente se estão à rectaguarda de um travesti, absorvendo o seu traseiro bojudo e a babarem-se farda abaixo.
- Eu, enquanto espectadora igualmente à rectaguarda, percebi que não vale a pena um travesti operar-se e pôr proteses no rabo,
se tem umas costas largas de dois metros que só lhes falta estar à porta do Mussulo a barrar entradas e a conduzir um saxo cup.
Espero que seja absolvido. a.
Fui com a minha amiga Zélia, comparsa das brincadeiras, e sentámo-nos as duas no banco das visitas, emocionadas com o início da audiência.
Mas o certo é que, ainda esta nem tinha sido aberta, já vinha um Sr. Funcionário Judicial, a suar em bica, lívido de desespero, sem articular palavra conexa:
- o arg.. o ar..fug.. arghhh o arg..
E eu e a Zélia a mirá-lo atentas, tentando decifrar a charada:
- o arg...arghhh...o arg..oh meu ..fug.. arghh e atirava com a cabeça para trás e a língua para fora,
Finalmente apareceu outro Funcionário, com um pacote de açúcar, enfiou-lho garganta abaixo e o homem lá recuperou a consciência:
- o arguido..ó meu Deus, o arguido... fugiu! Não está na cela, fugiu!
Motim na sala, só faltou os restantes arguidos atirarem-se janela fora, com pânico de um arguido foragido - quiçá armado - esquecendo-se, por momentos, que eles próprios, num certo momento da sua vida, foram uns pequenos patifes.
Até que vem uma Funcionária, lúcida como qualquer mulher que se preze, e acalmou os 2 Funcionários esclarecendo-os:
- O arguido já vem aí.
Burburinho.
E segundos depois, entra uma mulher de porte altivo, cabelos pretos escorridos, calças justas e botas altas, batôn nos lábios e o rabinho a dar a dar.
Silêncio.
- Foi erro do guarda, explica a Funcionária, enquanto olha invejosa para a D. Travesti
Pois é, parece que quem deveria ter metido o arguido na cela dos homens, se entreteve tanto e tão bem a olhar para as suas maminhas baloiçantes e quadris rebolantes, que se esqueceu estar perante um travesti NÃO OPERADO por isso, e para todos os efeitos legais, tinha um pénis (minúsculo e atrofiado, segundo me confidenciou - hihi) e dois testículos (pequenitos também, tipo isto..)
Mas no meio disto tudo, se há uma coisa que eu aprendi ou reforcei é:
- os homens são particularmente estúpidos, especialmente se estão à rectaguarda de um travesti, absorvendo o seu traseiro bojudo e a babarem-se farda abaixo.
- Eu, enquanto espectadora igualmente à rectaguarda, percebi que não vale a pena um travesti operar-se e pôr proteses no rabo,
se tem umas costas largas de dois metros que só lhes falta estar à porta do Mussulo a barrar entradas e a conduzir um saxo cup.
Espero que seja absolvido. a.
quinta-feira, setembro 20, 2007
Um grito de revolta
Quem me conhece sabe que o meu cabelo tem vida própria. Só lhe falta ter dentes e dois olhos lá pelo meio. De resto, faz o que quer de mim, rebola-se, abespinha-se e depois faz um pequeno capacete do lado esquerdo que simpelsmente me enoja, mas é meu e vou ter que viver com isso.
Acontece que a única coisa que o semi-domina é um daqueles pentes tipo piolhos, com um cabo de aço muito fininho e que serve para fazer um risco decente em cima da cabeça.
Tendo eu ido a uma prisão que não é das mais rigorosas, levei o pente no meio de um livro. Quando a mala passou pela máquina raio-x, accionaram-se toda uma panóplia de sons agudos, luzes vermelhas e portas que se fecharam atrás de mim. Guardas armados até ao pescoço cercaram-me e obrigaram-me a abrir a mala.
Resignada, abri o livro e saquei do pente dos piolhos. Depois de um momento de descontracção, durante o qual os guardas se riram, e friso bem, RIRAM do meu pente, lá passei a mala outra vez pela máquina raio-x.
E mais uma vez a máqui a apitou louca, descontrolada, e guardas armados se posicionaram atrás de mim, evitando uma possível fuga.
- QUE MAIS TEM AÍ? - vociferou o chefe. Tremelicante, abro a minha mala e não vislumbro nada de mal.
- Nada..- asseguro, enquanto rezo baixinho para que não me abram a caixinha dos tampões maxi .
Pois é que foram mesmo directos a ela. Inspeccionaram-na, com ar intrigado, enquanto me apetecia gritar: NÃO SÃO TORPEDOS SENHORES, EU METO ISSO NO PIPI
Depois de uma breve inspeccionadela e alguns sorrisos cúmplices com os restantes colegas, o guarda devolve-me a caixa dos tampões, seguro que não foi aquilo que fez disparar a máquina. E com uma fila de 50 familiares dos presos atrás de mim, furiosos pelo tempo de espera, finalmente o denso mistério resolve-se:
- O QUE É ISTO? -pergunta ele enquanto segura num objecto comprido cor de rosa
- É um baton- esclarece, solícito, outro guarda mais novo.
- Ah, pois é, é um baton - confirma o chefe. - vá, passe lá
E devolvem-me o objecto supostamente letal, que de baton tem muito pouco, já que é um comprido frasco de perfume da sephora, mas enfim, o que eu queria era vir-me embora antes que as visitas me fizessem a folha.
- Desculpe, o meu pente - peço eu com os melhores modos que consigo.
E devolvem-mo rindo, mortinhos para me aconselharem Quitoso.
Tive pena daqueles pobres de espírito. Se não sabem sabem distinguir um baton de um frasco de perfume, sabe-se lá o que é que aquela gente inventa na intimidade. Ofereceram-me em tempos uma t-shirt que dizia "boys, clitoris it´s not a greek island"
Tudo isto para dizer que tenho pena daquelas esposas.
Acontece que a única coisa que o semi-domina é um daqueles pentes tipo piolhos, com um cabo de aço muito fininho e que serve para fazer um risco decente em cima da cabeça.
Tendo eu ido a uma prisão que não é das mais rigorosas, levei o pente no meio de um livro. Quando a mala passou pela máquina raio-x, accionaram-se toda uma panóplia de sons agudos, luzes vermelhas e portas que se fecharam atrás de mim. Guardas armados até ao pescoço cercaram-me e obrigaram-me a abrir a mala.
Resignada, abri o livro e saquei do pente dos piolhos. Depois de um momento de descontracção, durante o qual os guardas se riram, e friso bem, RIRAM do meu pente, lá passei a mala outra vez pela máquina raio-x.
E mais uma vez a máqui a apitou louca, descontrolada, e guardas armados se posicionaram atrás de mim, evitando uma possível fuga.
- QUE MAIS TEM AÍ? - vociferou o chefe. Tremelicante, abro a minha mala e não vislumbro nada de mal.
- Nada..- asseguro, enquanto rezo baixinho para que não me abram a caixinha dos tampões maxi .
Pois é que foram mesmo directos a ela. Inspeccionaram-na, com ar intrigado, enquanto me apetecia gritar: NÃO SÃO TORPEDOS SENHORES, EU METO ISSO NO PIPI
Depois de uma breve inspeccionadela e alguns sorrisos cúmplices com os restantes colegas, o guarda devolve-me a caixa dos tampões, seguro que não foi aquilo que fez disparar a máquina. E com uma fila de 50 familiares dos presos atrás de mim, furiosos pelo tempo de espera, finalmente o denso mistério resolve-se:
- O QUE É ISTO? -pergunta ele enquanto segura num objecto comprido cor de rosa
- É um baton- esclarece, solícito, outro guarda mais novo.
- Ah, pois é, é um baton - confirma o chefe. - vá, passe lá
E devolvem-me o objecto supostamente letal, que de baton tem muito pouco, já que é um comprido frasco de perfume da sephora, mas enfim, o que eu queria era vir-me embora antes que as visitas me fizessem a folha.
- Desculpe, o meu pente - peço eu com os melhores modos que consigo.
E devolvem-mo rindo, mortinhos para me aconselharem Quitoso.
Tive pena daqueles pobres de espírito. Se não sabem sabem distinguir um baton de um frasco de perfume, sabe-se lá o que é que aquela gente inventa na intimidade. Ofereceram-me em tempos uma t-shirt que dizia "boys, clitoris it´s not a greek island"
Tudo isto para dizer que tenho pena daquelas esposas.
sexta-feira, setembro 14, 2007
Só naquela
Palavra que não sou de intrigas (há quem afiance que sim),
mas, tipo: é impresão minha, ou o Jumbo de Alfragide desapareceu?
É que ou eu estou sempre muito bêbeda quando desço os cabos d´ávila ou então aquela coisa não está mesmo lá.
E como nunca ouvi ninguém interpelar-me dizendo "ó susana, já reparaste que o Jumbo já não está no mesmo sítio", e nos últimos tempos o que mais oiço é "susana, já reparaste que conduzes no meio da estrada estiveste a beber ou quê" ,
começo a pensar que isto talvez seja uma cabala, e, a ser, advirto desde já que a minha condução é perfeitamente ajustada à realidade social e NÃO A VOU alterar. Não gosto de me atirar às bermas,
peço perdão por ter visão lateral.
Caso não seja, tenho medo. Muito medo.
mas, tipo: é impresão minha, ou o Jumbo de Alfragide desapareceu?
É que ou eu estou sempre muito bêbeda quando desço os cabos d´ávila ou então aquela coisa não está mesmo lá.
E como nunca ouvi ninguém interpelar-me dizendo "ó susana, já reparaste que o Jumbo já não está no mesmo sítio", e nos últimos tempos o que mais oiço é "susana, já reparaste que conduzes no meio da estrada estiveste a beber ou quê" ,
começo a pensar que isto talvez seja uma cabala, e, a ser, advirto desde já que a minha condução é perfeitamente ajustada à realidade social e NÃO A VOU alterar. Não gosto de me atirar às bermas,
peço perdão por ter visão lateral.
Caso não seja, tenho medo. Muito medo.
segunda-feira, setembro 03, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
Nasceu uma estrela. Origem: Desconhecida
Olá.
Hoje faço 27 anos e vou-vos contar porque é que neste dia, 23, descobri uma verdade horripilante.
Este ano o meu pai resolveu pintar a casa toda por dentro. Quando eu me apercebi de semelhante intenção, o meu coração parou. Explico: Eu tenho um péssimo hábito - chunga, é certo, mas tão reconfortante que é: colar cenas nas paredes.
A minha sorte até agora foi o meu pai nunca ter pintado o meu quarto. O que significa 7 anos ininterruptos de coladelas nas paredes, nem eu própria sei bem de quê,
mas essencialmente posters de macacos vestidos de bebés e com duas fraldas (juro, não sei o que me deu), luas com caras e querubins em tons pastel, enfim, tudo isto colado com fita-cola daquelas para atar ligaduras, é que a minha mãe trabalhava no Hospital do Desterro e trazia essas gosmas de graça para casa (vulgo furtadas).
Por isso, se fizerem um pequeno esforço, conseguirão imaginar o estado lastimável das paredes por debaixo daqueles posters de refinado bom gosto.
Dia 19: o meu pai pinta a sala - tremo
Dia 20: o meu pai pinta o corredor - continuo temerosa
Dia 21: o meu pai anuncia que vai começar a pintar os quartos. Não diz qual será o primeiro - fico com dor de barriga. Começa pelo do meu irmão.
Dia 22: antes de eu ir trabalhar apercebo-me que se dirige ao meu quarto. Saio de casa em estado catatónico.
Dia 22 às onze da noite, já quase dia 23 : pé ante pé meto as chaves à porta. Não oiço gritos nem urros cossacos. Benzo-me e vou cumprimentar os meus pais.
Faltam 15 minutos para a meia-noite ou seja, para deixar de ser a Susana, a Javardola e voltar ser a recordação afectuosa daquele bebé, um pouco estranho de enormes pés, mas no fundo uma promissora promessa e consolo para aqueles ansiosos jovens pais.
Já viste as paredes do teu quarto? - oiço eu vindo da sala.
Dirijo-me a ele e faço o meu olhar de traquinice, só me faltou a fisga no bolso e os peúgos rotos a arrastar pelo chão.
Deu-me um beijo e um calduço suave, encarando-me com um sorriso carinhoso no rosto. "Vitória", pensei. "Que timming excepcional"!
Hoje passei a manhã INTEIRA a raspar a parede com uma espátula e diluente celuloso. E palavra de honra que ainda não acabei. Só posso ser adoptada.
Hoje faço 27 anos e vou-vos contar porque é que neste dia, 23, descobri uma verdade horripilante.
Este ano o meu pai resolveu pintar a casa toda por dentro. Quando eu me apercebi de semelhante intenção, o meu coração parou. Explico: Eu tenho um péssimo hábito - chunga, é certo, mas tão reconfortante que é: colar cenas nas paredes.
A minha sorte até agora foi o meu pai nunca ter pintado o meu quarto. O que significa 7 anos ininterruptos de coladelas nas paredes, nem eu própria sei bem de quê,
mas essencialmente posters de macacos vestidos de bebés e com duas fraldas (juro, não sei o que me deu), luas com caras e querubins em tons pastel, enfim, tudo isto colado com fita-cola daquelas para atar ligaduras, é que a minha mãe trabalhava no Hospital do Desterro e trazia essas gosmas de graça para casa (vulgo furtadas).
Por isso, se fizerem um pequeno esforço, conseguirão imaginar o estado lastimável das paredes por debaixo daqueles posters de refinado bom gosto.
Dia 19: o meu pai pinta a sala - tremo
Dia 20: o meu pai pinta o corredor - continuo temerosa
Dia 21: o meu pai anuncia que vai começar a pintar os quartos. Não diz qual será o primeiro - fico com dor de barriga. Começa pelo do meu irmão.
Dia 22: antes de eu ir trabalhar apercebo-me que se dirige ao meu quarto. Saio de casa em estado catatónico.
Dia 22 às onze da noite, já quase dia 23 : pé ante pé meto as chaves à porta. Não oiço gritos nem urros cossacos. Benzo-me e vou cumprimentar os meus pais.
Faltam 15 minutos para a meia-noite ou seja, para deixar de ser a Susana, a Javardola e voltar ser a recordação afectuosa daquele bebé, um pouco estranho de enormes pés, mas no fundo uma promissora promessa e consolo para aqueles ansiosos jovens pais.
Já viste as paredes do teu quarto? - oiço eu vindo da sala.
Dirijo-me a ele e faço o meu olhar de traquinice, só me faltou a fisga no bolso e os peúgos rotos a arrastar pelo chão.
Deu-me um beijo e um calduço suave, encarando-me com um sorriso carinhoso no rosto. "Vitória", pensei. "Que timming excepcional"!
Hoje passei a manhã INTEIRA a raspar a parede com uma espátula e diluente celuloso. E palavra de honra que ainda não acabei. Só posso ser adoptada.
segunda-feira, agosto 20, 2007
SPORTING
6ªF vendi-me.
Em traços gerais, porque a história é longa:
- 6ª à noite
- matar tempo entre as 20h e as 23h
- solidão
não, não me prostituí.
Pior. Fui ver o Sporting-Académica. (eu sou do Benfica).
Pior ainda:
O meu irmão, que me levou, assistiu ao jogo num camarote onde estavam os familiares do capitão de equipa. Eu, a preta da família, assisti ao jogo entalada entre um gajo semi-nu a tocar tambor e cheirar a azedo, letras garrafais escritas no peito "Directivo XXI", e entre uma azeiteira simplesmente assustadora que cuspia a valorosos decibéis " Ó Briosa vai p´puta que vos pariu",
não sei o que é que se passou, mas quando dei por mim, entoava muito animada hinos e expressões bizarras tipo "Tunél" e "Stotofixe", sem nunca sequer ter percebido afinal a que equipa pertencia a baliza à minha frente, e acreditem...
foi tãaaao fofo! E palavra, quase que me vieram as lágrimas aos olhos quando cantei "Até morrer, Sporting Allez", primeiro de comoção depois, um súbito ataque de riso só de imaginar se aqueles histéricos sonhassem que eu era do Benfica.
Enfim, lá saí contente: matei as três horas e no dia seguinte saí no Record.
Pudera, a única gaja com dentes na claque.
PS- Directivo Ultra XXI , se alguém nessa claque souber ler, afianço que este blogue é meramente lúdico e acabo por caricaturar um pouco o cenário. De qualquer forma, não sabem onde eu moro.
Em traços gerais, porque a história é longa:
- 6ª à noite
- matar tempo entre as 20h e as 23h
- solidão
não, não me prostituí.
Pior. Fui ver o Sporting-Académica. (eu sou do Benfica).
Pior ainda:
O meu irmão, que me levou, assistiu ao jogo num camarote onde estavam os familiares do capitão de equipa. Eu, a preta da família, assisti ao jogo entalada entre um gajo semi-nu a tocar tambor e cheirar a azedo, letras garrafais escritas no peito "Directivo XXI", e entre uma azeiteira simplesmente assustadora que cuspia a valorosos decibéis " Ó Briosa vai p´puta que vos pariu",
não sei o que é que se passou, mas quando dei por mim, entoava muito animada hinos e expressões bizarras tipo "Tunél" e "Stotofixe", sem nunca sequer ter percebido afinal a que equipa pertencia a baliza à minha frente, e acreditem...
foi tãaaao fofo! E palavra, quase que me vieram as lágrimas aos olhos quando cantei "Até morrer, Sporting Allez", primeiro de comoção depois, um súbito ataque de riso só de imaginar se aqueles histéricos sonhassem que eu era do Benfica.
Enfim, lá saí contente: matei as três horas e no dia seguinte saí no Record.
Pudera, a única gaja com dentes na claque.
PS- Directivo Ultra XXI , se alguém nessa claque souber ler, afianço que este blogue é meramente lúdico e acabo por caricaturar um pouco o cenário. De qualquer forma, não sabem onde eu moro.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Nova lei da imigração
Descobri um local onde qualquer clima de terror armado tipo Serra Leoa parece brincadeirinha de boiolas.
Quem já lá foi, sabe reconhecer imediatamente o sítio a que me refiro.
Os que ainda não acertaram, nunca foram. Ao SEF.
O Sef é um local simplesmente aterrador, escuro como breu (e não me refiro à homogeneidade dos africanos). A primeira vez que lá entrei, e afianço que ainda não tinha transposto os dois sapatinhos, ouvi um sonoro "OIÇA LÁ SUA PALHAÇA ONDE É QUE VOCÊ PENSA QUE VAI?".
Já nem me lembro o que balbuciei, mas ainda antes de lhe responder já eu estava a ouvir do ouro lado , num claro sotaque nordestino, " É PUTA É, VAI-SE PÔR NO FIM DA FILA!", apoiada por vigorosos aplausos de uns quantos ignorantes que nem percebiam o português e me olhavam lascivamente para os tornozelos.
Enfim, um cenário bucólico, ideal para uma jovem de 26 anos se desenvolver emocional e socialmente. Começo a sentir saudades da faculdade.
Quem já lá foi, sabe reconhecer imediatamente o sítio a que me refiro.
Os que ainda não acertaram, nunca foram. Ao SEF.
O Sef é um local simplesmente aterrador, escuro como breu (e não me refiro à homogeneidade dos africanos). A primeira vez que lá entrei, e afianço que ainda não tinha transposto os dois sapatinhos, ouvi um sonoro "OIÇA LÁ SUA PALHAÇA ONDE É QUE VOCÊ PENSA QUE VAI?".
Já nem me lembro o que balbuciei, mas ainda antes de lhe responder já eu estava a ouvir do ouro lado , num claro sotaque nordestino, " É PUTA É, VAI-SE PÔR NO FIM DA FILA!", apoiada por vigorosos aplausos de uns quantos ignorantes que nem percebiam o português e me olhavam lascivamente para os tornozelos.
Enfim, um cenário bucólico, ideal para uma jovem de 26 anos se desenvolver emocional e socialmente. Começo a sentir saudades da faculdade.
quinta-feira, agosto 16, 2007
A proprietária
oh joy oh happiness tenho um portátil no meu quarto há 15 dias.
15 dias? então porque não escrevi antes? fácil: o portátil foi-me gentilmente cedido por australiano, tipo da austrália, e o teclado é simplesmente uma coisa assustadora. Como eu sou um bocado burra, o meu irmão não me ajuda, o meu pai chega cansado da labuta e o meu namorado mora longe, eu, na minha sacramental ignorância achei que, por algum motivo, eu tinha que criar atalhos nas teclas para todos os caracteres que faltavam. E eram muitos. o ç, o ~, os acentos, uma parafernália de letras que sempre tive por certas e afinal percorrem insondáveis caminhos conforme os países e respectivos continentes.
Isto para dizer que durante 15 dias tentei colocar atalhos em todas as letrazinhas. Claro que para me lembrar das teclas tive que criar um caderninho e, posteriormente, fazer umas etiquetas e colocar com um bocado de cuspo mais ou menos onde calhava.
Graças ao meu bom Deus, e estando eu já prestes a ter um colapso nervoso daqueles que dão psicose e eventual internamento,
chorando baba e ranho por demorar 5 minutos a escrever a palavra coração e acertar com os parentesis e abre-aspas, chega finalmente o meu irmão de férias, ri-se às gargalhadas com as minhas etiquetas salivadas e cheias de dedadas bem sujas,
e em 30 segundos vai ao painel de controle, altera a opção de "teclado - portugal" e vai para a casa de banho, ainda a enxugar as lágrimas do rosto.
Eu, por turno, não sabia se também havia de secar as minhas ou continuar a chorar num registo dilacerado.
Optei por me rir. E por contar a toda a gente. Sou pouco esperta mas lambi um Toshiba a custo zero. MUAHHHHHHH
15 dias? então porque não escrevi antes? fácil: o portátil foi-me gentilmente cedido por australiano, tipo da austrália, e o teclado é simplesmente uma coisa assustadora. Como eu sou um bocado burra, o meu irmão não me ajuda, o meu pai chega cansado da labuta e o meu namorado mora longe, eu, na minha sacramental ignorância achei que, por algum motivo, eu tinha que criar atalhos nas teclas para todos os caracteres que faltavam. E eram muitos. o ç, o ~, os acentos, uma parafernália de letras que sempre tive por certas e afinal percorrem insondáveis caminhos conforme os países e respectivos continentes.
Isto para dizer que durante 15 dias tentei colocar atalhos em todas as letrazinhas. Claro que para me lembrar das teclas tive que criar um caderninho e, posteriormente, fazer umas etiquetas e colocar com um bocado de cuspo mais ou menos onde calhava.
Graças ao meu bom Deus, e estando eu já prestes a ter um colapso nervoso daqueles que dão psicose e eventual internamento,
chorando baba e ranho por demorar 5 minutos a escrever a palavra coração e acertar com os parentesis e abre-aspas, chega finalmente o meu irmão de férias, ri-se às gargalhadas com as minhas etiquetas salivadas e cheias de dedadas bem sujas,
e em 30 segundos vai ao painel de controle, altera a opção de "teclado - portugal" e vai para a casa de banho, ainda a enxugar as lágrimas do rosto.
Eu, por turno, não sabia se também havia de secar as minhas ou continuar a chorar num registo dilacerado.
Optei por me rir. E por contar a toda a gente. Sou pouco esperta mas lambi um Toshiba a custo zero. MUAHHHHHHH
terça-feira, julho 31, 2007
X ou Y eis a questão
Um destes dias precisei desesperadamente de um favor. Depois de pedir a todos os meus amigos de infância, de liceu, da rua e da catequese e de ter recebido umas valentes negas, dei-me por vencida e fiz a única coisa que, por mais abjecta que fosse, era a única possível: pedi ao meu irmão.
Às duas da manhã lá fui eu, de fininho, com alguns rodeios e meias palavras, sorrisos temperados e muita, tanta!, boa-educação, e perguntei:
- Podes dar boleia amanhã a 4 crianças da associação para podermos ir à praia de Carcavelos?
Acto contínuo, ele responde :
- Posso.
Estranho.
- São é 30 euros, mais 5 para a gasolina.
- Mas é pelas crianças!
- 30 euros, e pagos agora.
Chulo.
Mas depois, uma ideia brilhante. Fui directa à mala da minha mãe, abri a carteira e retirei duas notas de €10 e umas moedas. Depois, fui ao quarto da minha mãe, acordei-a com uns tabefes nas costas e expliquei:
- mãe, tirei-te 30 euros.
ela, num profundo estado de sonolência, inquire: "porquê?"
ao que eu respondo, num porte egrégio e profundamente digno:
- é o preço a pagar por teres educado uma criança que tinha tudo para ser normal numa verdadeira besta sem qualquer noção de abnegação e delicadeza.
Calou-se.
E eu ri-me, ri-me, até no dia seguinte ser acordada às sete e meia aos gritos pela minha mãe para ir devolver os trinta euros. Devolvi e, chorosa, lá fui ao meu "migalheiro" e retirei o dinheiro.
Agora o deprimente da história (verídica, o que seria da minha vida sem o PC), é que no dia seguinte algumas crianças faltaram.
Susana, à porta da capela, mais uma vez de fininho e numa infinita doçura:
- Olha, afinal já não preciso de boleia. Faltaram 5 miúdos.
- Ok.
Ok? Então e a explosão de loucura mais o acesso de cólera galopante?
- Tchau - lança ele, entanto põe o carro a trabalhar.
- Anda cá, dá-me então o dinheiro!
- Já ajuda no Sudoeste- grita ele já no fim da rua.
Porquê pai?...
Bela merda de cromossoma que foste generosamente doar. Não valia mais teres outra gaja?
Às duas da manhã lá fui eu, de fininho, com alguns rodeios e meias palavras, sorrisos temperados e muita, tanta!, boa-educação, e perguntei:
- Podes dar boleia amanhã a 4 crianças da associação para podermos ir à praia de Carcavelos?
Acto contínuo, ele responde :
- Posso.
Estranho.
- São é 30 euros, mais 5 para a gasolina.
- Mas é pelas crianças!
- 30 euros, e pagos agora.
Chulo.
Mas depois, uma ideia brilhante. Fui directa à mala da minha mãe, abri a carteira e retirei duas notas de €10 e umas moedas. Depois, fui ao quarto da minha mãe, acordei-a com uns tabefes nas costas e expliquei:
- mãe, tirei-te 30 euros.
ela, num profundo estado de sonolência, inquire: "porquê?"
ao que eu respondo, num porte egrégio e profundamente digno:
- é o preço a pagar por teres educado uma criança que tinha tudo para ser normal numa verdadeira besta sem qualquer noção de abnegação e delicadeza.
Calou-se.
E eu ri-me, ri-me, até no dia seguinte ser acordada às sete e meia aos gritos pela minha mãe para ir devolver os trinta euros. Devolvi e, chorosa, lá fui ao meu "migalheiro" e retirei o dinheiro.
Agora o deprimente da história (verídica, o que seria da minha vida sem o PC), é que no dia seguinte algumas crianças faltaram.
Susana, à porta da capela, mais uma vez de fininho e numa infinita doçura:
- Olha, afinal já não preciso de boleia. Faltaram 5 miúdos.
- Ok.
Ok? Então e a explosão de loucura mais o acesso de cólera galopante?
- Tchau - lança ele, entanto põe o carro a trabalhar.
- Anda cá, dá-me então o dinheiro!
- Já ajuda no Sudoeste- grita ele já no fim da rua.
Porquê pai?...
Bela merda de cromossoma que foste generosamente doar. Não valia mais teres outra gaja?
segunda-feira, maio 28, 2007
Scream
Fui obrigada num destes dias a tomar contacto com um cliente acusado de um homicídio. Quando digo tomar contacto, refiro-me unicamente a pegar num dossier de arquivo azul escuro, folhear os relatórios e autos de detenção e, mais importante, observar as fotografias apensas ao processo.
E agora passo a enunciar a forma profissional como o fiz:
Com os olhos fechados, peguei nas fotografias e coloquei-as no parapeito da janela. (só esta operação minuciosa demorou-me uns tortuosos 5 minutos, durante os quais embati em todos os objectos imóveis e inertes existentes naquele gabinete).
Após uns minutos de respiração descontrolada, inspirei fundo e disse para comigo própria que a Humanidade estava dependente de mim e se eu não olhasse para as fotos o mundo iria explodir e morríamos todos e para toda a eternidade. (shiuu, é infantil mas infalível)
Então, de longe dos meus 13 metros de distância da janela, pálpebras cerradas, testa franzida e um nojo incontrolável só de pensar em livores cadavéricos,
ganhei coragem e descolei os olhos.
(Estão a ver o Kevin do Sozinho em Casa? Só me faltou a espuma de barbear e a falta de pilosidade, vulgo bigodes). A minha boca abriu, arregalei-me toda e gritei.
Malta, é oficial, tenho mamas e não tenho tomates.
Três vivas para as brigadas de homicídio do meu país.
E agora passo a enunciar a forma profissional como o fiz:
Com os olhos fechados, peguei nas fotografias e coloquei-as no parapeito da janela. (só esta operação minuciosa demorou-me uns tortuosos 5 minutos, durante os quais embati em todos os objectos imóveis e inertes existentes naquele gabinete).
Após uns minutos de respiração descontrolada, inspirei fundo e disse para comigo própria que a Humanidade estava dependente de mim e se eu não olhasse para as fotos o mundo iria explodir e morríamos todos e para toda a eternidade. (shiuu, é infantil mas infalível)
Então, de longe dos meus 13 metros de distância da janela, pálpebras cerradas, testa franzida e um nojo incontrolável só de pensar em livores cadavéricos,
ganhei coragem e descolei os olhos.
(Estão a ver o Kevin do Sozinho em Casa? Só me faltou a espuma de barbear e a falta de pilosidade, vulgo bigodes). A minha boca abriu, arregalei-me toda e gritei.
Malta, é oficial, tenho mamas e não tenho tomates.
Três vivas para as brigadas de homicídio do meu país.
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