segunda-feira, maio 28, 2007

Scream

Fui obrigada num destes dias a tomar contacto com um cliente acusado de um homicídio. Quando digo tomar contacto, refiro-me unicamente a pegar num dossier de arquivo azul escuro, folhear os relatórios e autos de detenção e, mais importante, observar as fotografias apensas ao processo.

E agora passo a enunciar a forma profissional como o fiz:

Com os olhos fechados, peguei nas fotografias e coloquei-as no parapeito da janela. (só esta operação minuciosa demorou-me uns tortuosos 5 minutos, durante os quais embati em todos os objectos imóveis e inertes existentes naquele gabinete).

Após uns minutos de respiração descontrolada, inspirei fundo e disse para comigo própria que a Humanidade estava dependente de mim e se eu não olhasse para as fotos o mundo iria explodir e morríamos todos e para toda a eternidade. (shiuu, é infantil mas infalível)

Então, de longe dos meus 13 metros de distância da janela, pálpebras cerradas, testa franzida e um nojo incontrolável só de pensar em livores cadavéricos,

ganhei coragem e descolei os olhos.
(Estão a ver o Kevin do Sozinho em Casa? Só me faltou a espuma de barbear e a falta de pilosidade, vulgo bigodes). A minha boca abriu, arregalei-me toda e gritei.

Malta, é oficial, tenho mamas e não tenho tomates.
Três vivas para as brigadas de homicídio do meu país.

quinta-feira, maio 10, 2007

Condução sem carta. Dá para acreditar?

E o insólito aconteceu.


Ontem estava particularmente bem disposta. Tinha um julgamento de manhã, mas uma coisa ligeirinha, sem dramas.


Lá fui eu para o tribunal, a assobiar contente com o casaco pendurado ao ombro e óculos de sol a enfrentar confiante o mundo.


Começa a audiência, o juiz fala, o procurador, fala, e a Susana começa a discursar. Não sou de intrigas nem falsas modéstias, mas quando estou bem disposta falo e até falo bem.

Ainda a procissão ia no adro, e eu, inflamada exaltava as virtudes do meliante que ali estava, quando este, subitamente, se agarra ao peito e cai no chão.


Sem saber muito bem o que fazer, e até porque não sou de deixar coisas a meio, ainda largo duas ou três palavritas sumidas. Mas depois de o ver estendido no chão a minha sensibilidade feminina, vulgo 6º sentido, manifestou-se e aí eu achei por bem calar-me.


De qualquer forma, também não me parece que naquela altura alguém me estivesse a ouvir, especialmente a juíza que se tinha levantado e levado a mão à cabeça desesperada e a procuradora que fugiu como um tiro para o segundo piso, onde decorria um julgamento de vários médicos.


Depois, lá vem o INEM, leva o meu arguido e eu fico na sala, sozinha, sentada numa cadeira ao canto


ridícula na toga xs que não me serve, a olhar para a biqueira da bota e a pensar para com os meus botões que tudo mas tudo me acontece.


Felizmente o arguido sobreviveu ao ataque cardíaco e foi internado.


Agora a questão que se coloca:
Quem é que lhe vai comunicar a sentença?
CREDO, EU NÃO!

ps- para os mais incrédulos, é favor confirmar na secretaria dos juízos criminais de lisboa

segunda-feira, maio 07, 2007

não é mentira, é mentirinha

Num destes dias tive que escrever numas alegações porque é que Belas era um melhor sítio para uma criança viver que uma aldeola perdida ali para os lados de Vila Franca.

Tudo começou numa audiência em que ninguém parecia saber onde se situava a minha ilustre terra. Fiquei de trombas porque essa não é, definitivamente, uma pergunta que alguém civilizado faça.
Depois, outro ainda teve a inóspita lembrança de me perguntar se a minha terra tinha algum jardim!

Se tem algum jardim???!!! Imaginei-me imediatamente de dedo em riste apontado ao nariz: " Meretíssimo seu energúmeno, mais informo que Belas É um jardim. "

Mas fiquei calada que nem um rato a trincar nervosamente a beiça. Vinguei-me nas alegações escritas, adiantando todas as maravilhosas qualidades da terra, o seu património natural, vegetal, arquitectónico e geográfico,

a ilustre serra da carregueira, os jardins, as quintas e solares aristocráticas, as fontes palacianas e o aqueduto das águas livres , (bolas, até mencionei as pegadas dos dinaussauros de carenque)

- por acaso ter-se-ão violentamente enganado os visionários construtores do Belas Clube de Campo e do Lisboa Sports Club? I DONT THINK SO!

Escrevi tanto e de tal maneira que no fim até eu própria me convenci que Belas era o local ideal para se viver,

nela imaginando os meus filhinhos em alegres gargalhadas brincando no seu triciclo debaixo do alpendre, um marido garboso lendo um livro (culto) de mecânica aeronáutica (macho, muito macho) recostado numa árvore de frutos,
E eu, magra, sem barriga, ombros ossudos com as clavículas à mostra, peito erguido e cabelo preto escorrido nas costas, a comer um pacote de cheeto´s de queijo ou daqueles cones de milho, feliz e serena.

Depois esbofeteei-me duas vezes na face e acordei para a vida.
Caramba, não vejo a hora de ter dinheiro me submeter a uma mamo e a uma lipo e mudar-me para o Estoril.

quinta-feira, maio 03, 2007

Para o damião não sei o quê

Houve uma pessoa que me escreveu e disse que o facto de eu ter passado a moderar os comentários reflecte a minha posição de, eventualmente,

não ser boa pessoa e não gostar de discutir nem receber críticas.

É notório que este ser amorfo pura e simplesmente nunca leu o blogue nem sequer os comentários.

Porque sou apologista da filantropia e gosto muito de partilhar, adianto-te que nunca recusei um comentário

mas infelizmente há uma pessoa, leitora deste blogue, que sofre de perturbações mentais e e escreve 10 comentários pornográficos ou simplesmente dementes por dia, para cada post, escrevendo ainda ameaças graves.

Por consideração a quem me lê, e devido aos muitos pedidos para que moderasse os comentários pois chegava a ser confrangedor ter que ler semelhante coisa,

acedi, e deixou de ser automático.

Por conseguinte, arruma as botinhas e o acordeão, e vai chatear outro blogue, porque se bateste à porta errada foi, definitivamente, esta.

Freak

Quem é? O Preconceito, novamente.

Recebi ontem um arguido.

Mulato, um verdadeiro armário, vinha com a cara feita num bolo, repleta de hematomas e nódoas negras.

Sentou-se à minha frente a um metro de mim.

Instintivamente, segurei no telefone portátil pronta a desferir-lhe um golpe mortal caso tivesse a infeliz ideia de me agredir e tentei descalçar uma das botas para me melhor colocar em debandada.

Muito calmo, esteve 10 minutos ininterruptos a elucidar-me sob as suas anteriores condenações e levantou-se para ir embora.

Para quebrar o gelo, eu, sempre com as minhas brilhantes e oportunas intervenções, aponto para as equimoses e digo "então adeus e até ao dia julgamento, não se meta é em mais confusões!"

Ele estaca e olha para mim.

Um arrepio percorre-me e penso interiormente que, daí a um minuto, se não falecer, ficarei pelo menos comatosa no Amadora-Sintra.

"Confusões?" – inquire
Esboço o famigerado sorriso icterício.

"Sou diabético há muitos anos. Ultimamente, quando vou pôr os meus miúdos ao infantário ou vamos brincar para o jardim, fico sem força e desmaio.

No Sábado estava na Igreja à espera da minha filha que ia a sair da catequese e bati na esquina de um banco. Levei 12 pontos".

diabetes?
catequese?
filha?
Igreja?


Com os olhos marejados, só não o levei para minha casa, deitei-o no sofá , calcei-lhe uns peuguinhos da Serra da Estrela, enrolei-o num cobertor de lã caprina e depositei-lhe um beijo amoroso na testa

porque simplesmente não calhou.


Senegalês escoriado – bhacccc
Senegalês religioso e diabético – quero. adoro.

sexta-feira, abril 20, 2007

m...´s anatomy

Fui ao centro de saúde (inominado, para não ser presa daqui a 4 dias). Ir aquele antro psicotrópico é sempre uma experiência aterradora, especialmente o acto de sentar nos sofás mais andrajosos que há memória, repletos de todos os bichos conhecidos na ciência da Parasitologia, e ainda ficar frente a frente com a minha médica de família que suspeito desconhecer a totalidade das consoantes.

Há já algum tempo que a epitetei como a profissional mais burra de todos os tempos, de todas as civilizações, de todos os campos gravitacionais.

Esta semana, depois de 5 horas nos famigerados e mega-povoados sofás, entrei no gabinete da médica ainda a coçar-me por dentro da blusa num processo complexo de limagem de antebraço (pulga ou piolho, acabei por não descobrir). A doutora, extremosa como sempre, nem perguntou o motivo da comichão. (Suspeito que se entrasse de braço dado com um macaco idoso a escorregar por uma liana ela nem bateria uma pestana).

Respirei fundo, refreei o meu ímpeto maléfico de lhe dar um pontapé na fuça e estendi-lhe um relatório de umas análises com uma mão coçando-me aflitivamente com a outra.

"Você não tem nada" – respondeu aquele Cu diplomado.

Como nada, pensei. Ainda nem há 20 segundos tinha lido nas observações o nome da infecção.
"Drª, penso que..penso que não, acho que tenho.." – titubeei eu

"Não tem nada" – repetiu

"Então e isso que está aí escrito nas observações?" – questionei em voz sumida

"Hum. Ah,está bem" - condescendeu

Palavra de honra. Não existe uma merdinha qualquer de um juramento de Hipócrites ou Hipólito? Será que o mencionado senhor sonha que semelhante negligência estava prestes a ser cometida não fosse a sagacidade e lucidez de espírito desta pobre sobrevivente que hoje (miraculosamente!) vos escreve?

Sempre gostava de saber o que é aquela primata antropóide estava a fazer nesse dia.
Eu, ofendida e em pose altiva, pelo menos aquela que é permitida a uma pessoa acossada de pulgas-saltimbancas desde os dedos dos pés até à base da nuca, saí do gabinete.

Nunca mais lá volto, Deus queira que nunca mais fique doente ou então que me dê clarividência para me auto-medicar. Coitado do Pobre.

terça-feira, abril 17, 2007

CARAMELO! CHOCOLATE

Estou sem palavras.

Há 20 minutos atrás, enquanto deambulava pelo maravilhoso mundo da Wkipédia pesquisando sem qualquer rumo criterioso (jurista estatal blá blá blá), deparei-me com uma lista de síndromes. Emocionada e, convenha-se, com louvável paciência e tempo livre, analisei um a um.
De repente, sem apelo nem agravo travo conhecimento com o síndrome de Ehlers-Danlos ou Cutis elastica.

Aprofundo esta doença genética. Descubro que um dos sinais consiste em tocar com a língua no nariz.

Lentamente, em frente ao monitor, estico a língua.
Após uma breve hesitação e muito cautelosamente, soergo-a na vertical.
Grito lancinante.

Tremendo, leio o resto do artigo e descubro que o grau de gravidade do síndrome determina a expectativa de vida do paciente.

...Xau amigos. Depois de ter passado pela nefasta sensação da língua a acariciar-me gentilmente a testa suspeito que não vou chegar à ternura dos 40.

2 conclusões se retiram:
- se eu fosse depravada e solitária grandes aventuras se adivinhariam (nota do editor: não sou)
- F...se antes isto que o de Tourette

sexta-feira, abril 13, 2007

Perguntas Diárias PARTE I

- A Shakira é ou não prima do Cocas? Se não é prima, detém ou não um qualquer laço de parentesco com o mencionado batráquio? Será plausível uma mera coincidência de pregas vocais e véu palatino? Hum...i dont think so.

- Quem foi o egrégio e brilhante estratega do marketing que resolveu criar o desodorizante que dura 48 horas?

- Porque é que ninguém ainda deu uma chapada valente na Iva Domingues, a artista anteriormente conhecida por Iva Pamela ex-partner do saudoso Carlos Ribeiro no Made in Portugal ou lá o que era aquilo? Será que sou só eu que acho que ela é uma pobre coitada , gira, é certo, mas dolorosamente burra, com a mania que é perspicaz , completamente parcial, com piadas de mau gosto e armada em estrela naquele programa de sanita? Algo me diz que já sei porque é o Pedro Mourinho deu bem à soleta!

- Como é que é possível que em pleno sec. XXI ainda HAJA (ANÓNIMO ANÓNIMO AQUI ESTÁ O TEU MOMENTO DE GLÓRIA! UM ERRO POR TI CORRIGIDO! QUE PENA NÃO TERES NAMORADA NEM AMIGOS, QUÃO ORGULHOSOS FICARIAM ELES POR SEMELHANTE FEITO?! OH EGRÉGIO ANÓNIMO COMO TE PODEREI AGRADECER A SAGAZ CONJUGAÇÃO DESDE VERBO?! DINIS, CAUTELA! CASO ELE CORRIJA MAIS UM ERRO (UM!) FICARÁ EMPATADO CONTIGO! seres pensantes que não saibam que circular na faixa da direita a uma velocidade superior à das outras NÃO É uma ultrapassagem nos termos do código estradal? Como é que é possível um casal de namorados não se falar durante uma semana só o fazendo após parecer verbal de um sub-director da DGV? Hum. É bem possível. E emocionante. Principalmente quando se ganha.

- Como é que é possível ainda ninguém se ter apercebido que o filme Zona J originou uma das maiores injustiças de que há memória no patético panorama cinematográfico português: a Núria Madruga, cuja prestação teatral dispensa comentários, aliás, não dispensa, é um perfeito e frondoso cagalhoto que nem mexer os olhos sabe, anda por aí nas telenovelas, e o Félix Fontoura, par amoroso, que até nem se saiu mal e deveria ter visto o seu talento ser melhor explorado, só porque era pretinho está hoje a vender sapatos à comissão na Guimarães da Amadora.

quinta-feira, abril 12, 2007

A verdade da mentira**

A associação a que pertenço convidou um conhecido grupo de hip hop, para animar uma tarde das nossas crianças, com cantigas, coreografias e sermão típico das boas práticas e costumes,
convite esse a que o grupo generosamente acedeu, em pleno período das férias pascais.

Antes da actuação (que se revelou o máximo e proporcionou uma tarde muito bem passada, que fez a miudagem delirar e gritar até ficarem roucos), um membro do grupo dirigiu-se a nós pedindo para tirar umas fotos.

- claro, claro – apressámo-nos nós a concordar, orgulhosos de aquele grupo querer uma recordação nossa associação.

- Ao fim e ao cabo também serve para a nossa própria publicidade... – reconheceu o famoso vocalista.– Sempre damos a conhecer uma outra vertente da banda, mais humana, percebes? Mais que trovadores urbanos somos pessoas com sentimentos e preocupações.

Um outro membro questionou:
- Vocês são muito conhecidos não são? Estivemos a pesquisar, têm casas nos Açores e na Madeira não têm? Ainda são umas 2 mil crianças, vivem mesmo nas casas da associação não é? – num misto de interesse e verdadeiro apreço.

Olhei para os 21 ranhosos amorosos que por ali pululavam. Lembrei-me das instalações concedidas com muito boa vontade mas simplesmente bafientas, numa das salas ligeiramente podres da paróquia.

Algo na minha cabeça piscava como um neón e me advertia “PERIGO, PERIGO, estes gajos acham que nós somos uma outra associação e se eu disser alguma coisa se calhar arrumam as trouxas

e bazam, bazam, e vão para casa, casa.

E eu, (abrindo a pestana tana) sorrio complacente: - Fazemos o que podemos...

Nunca uma mentira me soube tão bem.
Quer dizer, de certeza que já houve, mas por agora não me recordo.

terça-feira, abril 10, 2007

Se a Yuppi sonhasse

Indo eu para o jantar de uma amiga bióloga que reunia nessa noite, em sua casa, outros colegas de profissão e veterinários, fui interveniente num infeliz sinistro tendo atropelado um cão ao pé de um cruzamento.

(Para quem me conhece bem, sabe que o verbo atropelar acoplado ao substantivo cão não auspicia nada de muito proveitoso. Com efeito, posso sinceramente afiançar que sob o meu ponto de vista atropelar um cão é uma acção muito semelhante quiçá, equivalente, a segurar um bebé por um tornozelo arremessando-o repetidamente de cabeça contra a esquina bem polida de um armário).

Depois de uma pancada forte e seca, oiço um ganir desesperante. Imediatamente, e com o sangue frio que me é característico, larguei as mãos do volante tendo com as mesmas tapado os ouvidos, cerrando os olhos com força e baloiçando-me autistamente à espera que aquele som terminasse e alguém acudisse o animal porque eu estava noutra dimensão.

Passados uns segundos uma mulher bate no vidro. Acena-me um ok e diz que o cão está bem. E, para meu grande espanto, vejo o cãozinho amoroso a saracotear-se alegremente ao lado do carro. Estupefacta, suspiro fundo e sigo o meu caminho. Chego a casa da minha amiga e, ainda a tremer, conto a história. Depois, remato com o final feliz e sorrio aliviada para todos quanto me ouvem.

Estranhamente, vejo rostos fechados e testas franzidas.
Um dos amigos da amiga elucida-me:

- Bem, o mais provável é esse cãozinho ter andado mais 30 metros e ter-se esticado morto no meio do chão, devido a uma enorme hemorragia interna.

E prosseguiu, filosófico: - Basicamente todos os seus órgãos vitais entram em falência e minutos depois do embate deve ter sofrido um choque hipovolémico afogando-se no seu próprio fluxo sanguíneo enquanto fica sem oxigénio e as todas as células morrem após um estado profundo de sofrimento.

Politraumatizada, levei a mão ao peito, certificando-me que ainda respirava.

quinta-feira, abril 05, 2007

Bom gosto? Hilarious

Ontem fui a casa da minha avó deitar fora o equivalente a meia tonelada de coisas que não lembram a ninguém, vulgo lixo. Esta é uma tradição que já se vai mantendo há alguns anos, dado que esta minha querida avó tem uma incapacidade técnica para distinguir as coisas úteis daquelas que, não só não têm qualquer utilidade prática, como até são desconcertantes do ponto de vista vegeto-animal

Assim, depois de muito choro e bramidos lancinantes lá consegui que a velhinha barricada na casa de banho me desse voluntariamente coisas que aqui me esquivo de denunciar porque acima de tudo temo que isto tudo possa ser genético e daqui a 50 anos vêm-me cobrar este texto.

Certo é que para lá desencantei uma serapilheira gigante repleta de malas e sapatos. Não sei precisar a idade cronológica, mas penso que da era pré-25 de Abril (mas já pós-1932). Munida de luvas esterilizadas, pego naquilo com um cuidado ínfimo de forma a que nada me tocasse e dirijo-me ao caixote do lixo. Infelizmente o saco, demasiado cheio e demasiado bafiento para se aguentar com atroz tormento, rompe-se todo e cai tudo no chão.

Surpreendida, observo com atenção e constato que no meio daquele aterro de entulho se vislumbram dezenas de pares de sapatos e outras tantas malas completamente usáveis nesta moda de meia estação. Se eu tivesse a mania da suspeição, quase que diria que os big boss da Lanidor, Zara, Massimo, Decenio e afins desceram dos seus ateliês de tecelagem e enfiaram-se na adega da minha avó à procura do mais remoto e inqualificável lixo urbano.

Ou seja, este verão, tudo o que seja sapatos feios de avós e tias-avós virgens da Moimenta da Beira (assim como contentores de roupa usada - colecta 1983-84), está super, super chiquê.

Agora na Páscoa vou à terra vasculhar os armários e Deus me perdoe o pecado da soberba mas sim, este ano, eu vou brilhar!
E ver muito ratinho morto no meio dos baús à pala do sulfato de sódio, quem mandou não ser roedor silvestre?

quarta-feira, abril 04, 2007

A Shakira mexe-se bem e canta muito mal - mas é FAMOSA

Devo anunciar que hoje de manhã ia-se perdendo (oh eufemismo adocicado!) uma adorável blogger nestas acidentadas estradas portuguesas.

Eram 8h45 e a minha pessoa ia-se esbardanando toda debaixo de um camião com 5 eixos. Ia eu a atravessar uma passadeira da Expo e o mencionado pesado tenta travar mas, para meu infortúnio, vem a escorregar rua fora e eu com uns altos pretos de 9 cm tento correr pela vida mas o máximo que almejo foram 4 ridículos passos achinesados.

Felizmente o mega-camião trava e não me mata. O senhor pede desculpa, mas segue. Eu, profundamente irada perante tamanha insolência, tento trepar até à janela do condutor e dar-lhe umas chapadas. Mas, como continuo com os famigerados saltos altos, fico-me apenas pelas intenções, fazendo mega-manguitos e gritando umas asneiras valentes.

Estava eu ainda nesses propósitos ( "Assassino, bandido!") quando atento bem no camião. Em letras garrafais (garrafais..tss tss - Times New Roman tamanho 390) leio:

SHAKIRA´S BIG WORLD

Calei-me imediatamente e fui a correr veloz atrás do camião. Meu Deus, ser atropelada/ferida não mortalmente pelo veículo da senhora - que atenção: não gosto, mete-me medo e se ela me perguntasse as horas naquele vozeirão de Hércules num beco escuro de noite eu desmaiaria imediatamente transida de purro terror -

foi o passo mais próximo da fama que já alguma vez dei. Ainda tentei que uma das roda me passasse por cima de um dos sapatos, chamei John, Jim, Jack, mas o condutor do pesado ia lesto quase que parecia um ligeiro e desapareceu-me do horizonte.

Desapontada, imaginei-me na Cuf a ser cumprimentada por uma Shakira chorosa e combalida, desgostosa de semelhante acto cometido por um dos seus subordinados. Um concerto a ser adiado, a TVI a entrevistar-me, a minha professora da primária "sempre soube que ela ia ser alguém".

Não foi ainda desta que saí do anonimato.

domingo, abril 01, 2007

Pulícia Jodiciária (manobras de distracção para não me apanharem no Google)

Sábado passado tive a rica ideia de ir ao exame da PJ artilhada com numerosos apontamentos complementares não autorizados, colocados estrategicamente em vários recantos do meu corpo e peças de vestuário.

À saída de casa, reflecti sobre a prudência de semelhante acto.

Nãoera exame da Faculdade de Direito
Não era exame da Ordem

Era a PJ.

Se esta instituição detivesse alguma dignidade material, no mínimo ofereceria dois labradores à entrada da faculdade, um paisana a fumar junto às casas de banho, uma mulher a revistar-nos as cuecas, outra a introduzir-nos dedos no recto, um coordenador no telhado a interceptar chamadas telefónicas e um agente encoberto infiltrando-se nas conversas.

Fiquei com tamanha dor de barriga que desembaracei-me das cábulas e atirei tudo para a bagageira, levando apenas os 2 códigos.

Infelizmente, o único rex que para lá vi foi um cão famélico orbitado de moscas, o telhado estava deserto e ninguém me revistou excepto um supervisionador de provas que me despiu com os olhos enquanto limpava o cuspo dos cantos da boca.

Depois de ter asssistido, profundamente enojada e durante 3 horas ininterruptas, a pessoal a copiar desencantando cábulas das orelhas e de entre os dedos dos pés, fui a praguejar e blafesmar o caminho inteiro para casa.

Que bando de meninas, não é nada como nos filmes.

(Senhores inspectores que mesmo após a manobra ardilosa do título cá venham parar após cerrada investigação no Google:

este blog tem um intuito meramente lúdico e não corresponde, de todo, a qualquer situação verdadeira que tenha ocorrido na minha vida. Basicamente, invento numerosos eventos caricatos de maneira a ludibriar alguns visitantes mais crédulos, nunca me ocorrendo trapacear para entrar em tão prestigiosa organização.

Aproveito desde já para tecer os maiores elogios à v/ corporação, adiantando ainda que moro ao pé dos GOE e sopro sempre um breve beijo quando os vejo ali em Carenque.

Sou uma cidadã temente à lei e o único sinal que desrespeitei na minha vida foi um atrás do ombro esquerdo que tive que remover cirurgicamente pois não ficava mesmo nada bem com tops de alcinhas

Susbcrevo-me respeitosamente,

Salsicha Girl)

quinta-feira, março 29, 2007

Arma Letal 1

Lembram-se daquele frasco de doce de gila, que tão negligentemente ofereci ao meu diabético pai ? Tentei remediar o estrago, comprei-lhe as peúguinhas mas o certo é que fiquei com a compota ao deus-dará.

Vai daí, lembrei-me de a reciclar e oferecer à minha avó materna agora no seu 74.º aniversário.
Ontem veio cá jantar. Após o lauto festim desencanta um saco plástico do LIDL e endereça-mo:

- Toma Susana, é aquele doce de gila. Não gostei, mais valia o pão-de-ló – apalestrou ela, com uma profunda sensibilidade nazi.

O meu pai olhou para mim. Eu olhei para ele. Sorri. Ele não.
Conclusão, saiu-me bem cara aquela prenda de € 2.

Fiquei com um pai ofendido, uma avó desconsiderada e um produto simplesmente ascórbico nas mãos.
(vou guardá-lo para a troca de prendas com os meus colegas. Que não lerem este blog, naturalmente).

segunda-feira, março 26, 2007

O Cabeleireiro e o Homossexual

Já há algum tempo que foi por mim constatado que todos os cabeleireiros são homossexuais.

Excepto um amigo meu que, pelo contrário, nada deve às hormonas masculinas e esquemas tipológicos de sedução, engate a fins, e sempre se saiu muito bem com o sexo oposto. Demasiado bem, dirão alguns compinchas invejosos, que ficam a jogar póquer em casa enquanto ele se diverte pelas noites catalãs.

Este fim de semana ficámos todos num quartel militar.
Ele, um relações públicas por excelência, conversava entusiasticamente com dois ou três militares.

Eu, cujo cabelo desenfreado (e o qual nunca, numa vida de 26 anos consegui dominar) insistia em entrar olhos, nariz e orelhas adentro, fui ter com ele e pedi-lhe que me pusesse um ganchinho.
Ele logo agarrou no dito e, com inigualável mestria manejou-o de forma a que a minha franja psicótica se mantivesse 10 minutos acachapada à cabeça.

3 homens completamente imóveis fitavam o meu amigo num misto de horror e incompreensão.

Aquele que ainda há 1 minuto conversava num vozeirão de macho tinha não só acabado de pegar num gancho da Hello Kitty, como o tinha manuseado e, inclusive, colocá-lo destramente numa cabeça humana, sem ter furado nenhum olho ou orifício mais próximo.
Pior, tinha ainda chamado a mencionada cabeça para, veja-se!, o colocar do outro lado para "ficares com o rosto menos pesado e um visagismo mais leve".

Realmente, mexer em cabelos não é necessariamente gay. Mas só em casos muito, muito especiais.

quinta-feira, março 22, 2007

xarope de seiva?

Ainda reportando aquele assunto da minha burra, andrajosa e socialmente lastimável conhecida que quer ir fazer os exames da PJ - esquecendo-se do pormenor de que não consegue correr, mal respira e praticamente não anda (já se alvitrou que ela teria um ou dois pares de grilhões ocultados pelos tornozelos) –

ontem ela veio falar comigo e com umas amigas.

Conversou nem 5 minutos. Afastou-se. Vimo-la a descer, devagar devagarinho, tal qual como tivesse acabado de parir um filho e não quisesse rebentar os pontos do perineu.

Ficámos quedas a observar o fenómeno. Após uns minutos de atenta reflexão, alguém quebrou o silêncio e avançou:

- Talvez vá fazer uma rigorosa dieta.

Ficámos caladas a olhar para ela.

- Quer dizer..talvez fique a soro – corrigiu

Continuámos a fitá-la.

- Ok, se calhar só lá manda uma perna.

Muito bem, gosto de raciocínios assim. Segmentados mas puramente lógicos.

segunda-feira, março 19, 2007

Pai há só um. mas por pouco

Hoje, dia do Pai, cometi o maior sacrilégio que tenho memória.

Logo pela manhã, o meu pai foi-me esconjurar ao quarto, bradando que eu sou sempre a mesma coisa, uma grande mandriona e "levanta os pés e põe-nos a mexer!".

Pois é, desta vez não levantei os ditos e rodopiei-os em pequenos círculos, obedecendo em sentido estrito à ordem clamada (o meu sentido de humor é simplesmente fascinante).

Não, desta vez eu corri para os braços dele, exclamei "Feliz Dia do Pai!!" e ofereci-lhe uma lembrancinha que comprei à Marta, para ajudar o Grupo de Jovens dela: um frasco de um doce de gila caseiro.

Bem, se o arrependimento matasse o homem tinha-se fulminado diante dos meus olhos. Com um ar repleto de remorso e amargura, o sr. meu pai agradeceu-me emocionado e enfiou a viola no saco.

Chego ao trabalho, orgulhosa de tamanha lição de generosidade.
Anuncio a dádiva.

Vira-se uma colega: - "Mas ó Susana, o teu pai não tens diabetes?"
"F.., ca..., q m..!"
- " Bem, mais valia dares-lhe logo duas cápsulas de cianeto".

É o que dá uma gaja esforçar-se e tentar inovar.
Lá vou eu ter que ir à Massimo comprar-lhe o anual par de peúgos.

sexta-feira, março 16, 2007

Retrato de um País

Ontem fiquei mais 45 minutos para além do meu horário de trabalho, a terminar um processo. Quando saí da sala dei de caras com o Director. Este, profundamente chocado, olhou para mim como se eu o tivesse mandado vendar os olhos, pegar numa lambreta e obrigado a fazer acrobacias no Poço da Morte.

Encostou-se à ombreira da porta e, após uns segundos de recobro, perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer.

Estive a analisar um processo – adiantei.

O Sr. Director perscrutou-me, incrédulo. E eu, de um azul ciático, esboço um sorriso demente e fico estática no mesmo sítio.

Fitou-me mais uma vez chocado e acabou por ir-se embora, voltando-se ainda 2 ou 3 vezes para se certificar que eu não era um espectro óptico exorcizado.

45 (quarenta e cinco minutos!). Nem quero imaginar o que sucederia se lá tivesse ficado uma hora completa. (No mínimo uma acção de inabilitação seguida de internamento compulsório).

quarta-feira, março 14, 2007

A maldade

Soube que uma rapariga minha conhecida vai fazer o exame para a PJ, já no final deste mês.

Situação Fáctica:
Mede 1.55 e pesa 81 kg (nota de rodapé: valor estimativo arredondado por defeito).
É má, estúpida e cheira a adega de viticultor .
Não é particularmente esperta mas está a estudar aturadamente para os exames escritos.

Situação Hilariante:
Ela não sabe que para entrar para a Polícia Judiciária, não basta ter brilhante nota e dar umas corridinhas com as mamonas a ondular seduzindo inspectores-júri com taras sado-obesas. Existe mesmo um requisito mínimo, que inclui uma tabela anexa e que indica que meias-lecas como nós, de 1.55 a 1.60 têm que ter no máximo 58 kilos bem medidos nas balanças oficiais.

Auto-Avaliação:
Básica? Sou.
Má? Concedo.
DELATORA? Jamais.

Elemento moral da história:
Não vou abrir a boca.

segunda-feira, março 12, 2007

Despique desigual

Hoje logo pela fresquinha, ligo a televisão e fico ao corrente de um sem número de roubos não sei do quê (cabos de bronze ou ferro ou similares), numa terreola bragantina, que obstaram a que os seus habitantes pudessem usufruir da electricidade.

Jornalista (num tom profissional, sereno e circunspecto): então e como é que se apercebeu que tinha falhado a electricidade?

O Verdadeiro Português (com um ar nobre e compungido)- ´Tão, eu ´tava na Internet. A ver.. (pausa) na internet..a pesquisar. A ver umas coisas... (Pausa) (ganhando balanço) Estava a pesquisar– completa ele, mas com os olhos fitos nas algibeiras.

Sabem onde estão as "Mulheres de Bragança", que tão bravamente pugnaram pela recatez dos seus lares contra as brasileiras assanhadas?
Estão num cantinho enegrecido junto à lareira a chorarem copiosamente pelos tempos que eram e já não voltam a ser.

Transmontanas esforçadas –0 / Pornografia Livre- 30