Lembram-se daquele frasco de doce de gila, que tão negligentemente ofereci ao meu diabético pai ? Tentei remediar o estrago, comprei-lhe as peúguinhas mas o certo é que fiquei com a compota ao deus-dará.
Vai daí, lembrei-me de a reciclar e oferecer à minha avó materna agora no seu 74.º aniversário.
Ontem veio cá jantar. Após o lauto festim desencanta um saco plástico do LIDL e endereça-mo:
- Toma Susana, é aquele doce de gila. Não gostei, mais valia o pão-de-ló – apalestrou ela, com uma profunda sensibilidade nazi.
O meu pai olhou para mim. Eu olhei para ele. Sorri. Ele não.
Conclusão, saiu-me bem cara aquela prenda de € 2.
Fiquei com um pai ofendido, uma avó desconsiderada e um produto simplesmente ascórbico nas mãos.
(vou guardá-lo para a troca de prendas com os meus colegas. Que não lerem este blog, naturalmente).
Será que só sou eu que vejo laivos de pedofilia na relação do Manuel O Português e o Zezinho de "O meu Pé de Laranja Lima"? 9 (NOVE) anos depois do início deste blogue muita gente alvitrou sobre tudo menos isto. Portanto tenho concluir que sim, sou só eu.
quinta-feira, março 29, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
O Cabeleireiro e o Homossexual
Já há algum tempo que foi por mim constatado que todos os cabeleireiros são homossexuais.
Excepto um amigo meu que, pelo contrário, nada deve às hormonas masculinas e esquemas tipológicos de sedução, engate a fins, e sempre se saiu muito bem com o sexo oposto. Demasiado bem, dirão alguns compinchas invejosos, que ficam a jogar póquer em casa enquanto ele se diverte pelas noites catalãs.
Este fim de semana ficámos todos num quartel militar.
Ele, um relações públicas por excelência, conversava entusiasticamente com dois ou três militares.
Eu, cujo cabelo desenfreado (e o qual nunca, numa vida de 26 anos consegui dominar) insistia em entrar olhos, nariz e orelhas adentro, fui ter com ele e pedi-lhe que me pusesse um ganchinho.
Ele logo agarrou no dito e, com inigualável mestria manejou-o de forma a que a minha franja psicótica se mantivesse 10 minutos acachapada à cabeça.
3 homens completamente imóveis fitavam o meu amigo num misto de horror e incompreensão.
Aquele que ainda há 1 minuto conversava num vozeirão de macho tinha não só acabado de pegar num gancho da Hello Kitty, como o tinha manuseado e, inclusive, colocá-lo destramente numa cabeça humana, sem ter furado nenhum olho ou orifício mais próximo.
Pior, tinha ainda chamado a mencionada cabeça para, veja-se!, o colocar do outro lado para "ficares com o rosto menos pesado e um visagismo mais leve".
Realmente, mexer em cabelos não é necessariamente gay. Mas só em casos muito, muito especiais.
Excepto um amigo meu que, pelo contrário, nada deve às hormonas masculinas e esquemas tipológicos de sedução, engate a fins, e sempre se saiu muito bem com o sexo oposto. Demasiado bem, dirão alguns compinchas invejosos, que ficam a jogar póquer em casa enquanto ele se diverte pelas noites catalãs.
Este fim de semana ficámos todos num quartel militar.
Ele, um relações públicas por excelência, conversava entusiasticamente com dois ou três militares.
Eu, cujo cabelo desenfreado (e o qual nunca, numa vida de 26 anos consegui dominar) insistia em entrar olhos, nariz e orelhas adentro, fui ter com ele e pedi-lhe que me pusesse um ganchinho.
Ele logo agarrou no dito e, com inigualável mestria manejou-o de forma a que a minha franja psicótica se mantivesse 10 minutos acachapada à cabeça.
3 homens completamente imóveis fitavam o meu amigo num misto de horror e incompreensão.
Aquele que ainda há 1 minuto conversava num vozeirão de macho tinha não só acabado de pegar num gancho da Hello Kitty, como o tinha manuseado e, inclusive, colocá-lo destramente numa cabeça humana, sem ter furado nenhum olho ou orifício mais próximo.
Pior, tinha ainda chamado a mencionada cabeça para, veja-se!, o colocar do outro lado para "ficares com o rosto menos pesado e um visagismo mais leve".
Realmente, mexer em cabelos não é necessariamente gay. Mas só em casos muito, muito especiais.
quinta-feira, março 22, 2007
xarope de seiva?
Ainda reportando aquele assunto da minha burra, andrajosa e socialmente lastimável conhecida que quer ir fazer os exames da PJ - esquecendo-se do pormenor de que não consegue correr, mal respira e praticamente não anda (já se alvitrou que ela teria um ou dois pares de grilhões ocultados pelos tornozelos) –
ontem ela veio falar comigo e com umas amigas.
Conversou nem 5 minutos. Afastou-se. Vimo-la a descer, devagar devagarinho, tal qual como tivesse acabado de parir um filho e não quisesse rebentar os pontos do perineu.
Ficámos quedas a observar o fenómeno. Após uns minutos de atenta reflexão, alguém quebrou o silêncio e avançou:
- Talvez vá fazer uma rigorosa dieta.
Ficámos caladas a olhar para ela.
- Quer dizer..talvez fique a soro – corrigiu
Continuámos a fitá-la.
- Ok, se calhar só lá manda uma perna.
Muito bem, gosto de raciocínios assim. Segmentados mas puramente lógicos.
ontem ela veio falar comigo e com umas amigas.
Conversou nem 5 minutos. Afastou-se. Vimo-la a descer, devagar devagarinho, tal qual como tivesse acabado de parir um filho e não quisesse rebentar os pontos do perineu.
Ficámos quedas a observar o fenómeno. Após uns minutos de atenta reflexão, alguém quebrou o silêncio e avançou:
- Talvez vá fazer uma rigorosa dieta.
Ficámos caladas a olhar para ela.
- Quer dizer..talvez fique a soro – corrigiu
Continuámos a fitá-la.
- Ok, se calhar só lá manda uma perna.
Muito bem, gosto de raciocínios assim. Segmentados mas puramente lógicos.
segunda-feira, março 19, 2007
Pai há só um. mas por pouco
Hoje, dia do Pai, cometi o maior sacrilégio que tenho memória.
Logo pela manhã, o meu pai foi-me esconjurar ao quarto, bradando que eu sou sempre a mesma coisa, uma grande mandriona e "levanta os pés e põe-nos a mexer!".
Pois é, desta vez não levantei os ditos e rodopiei-os em pequenos círculos, obedecendo em sentido estrito à ordem clamada (o meu sentido de humor é simplesmente fascinante).
Não, desta vez eu corri para os braços dele, exclamei "Feliz Dia do Pai!!" e ofereci-lhe uma lembrancinha que comprei à Marta, para ajudar o Grupo de Jovens dela: um frasco de um doce de gila caseiro.
Bem, se o arrependimento matasse o homem tinha-se fulminado diante dos meus olhos. Com um ar repleto de remorso e amargura, o sr. meu pai agradeceu-me emocionado e enfiou a viola no saco.
Chego ao trabalho, orgulhosa de tamanha lição de generosidade.
Anuncio a dádiva.
Vira-se uma colega: - "Mas ó Susana, o teu pai não tens diabetes?"
"F.., ca..., q m..!"
- " Bem, mais valia dares-lhe logo duas cápsulas de cianeto".
É o que dá uma gaja esforçar-se e tentar inovar.
Lá vou eu ter que ir à Massimo comprar-lhe o anual par de peúgos.
Logo pela manhã, o meu pai foi-me esconjurar ao quarto, bradando que eu sou sempre a mesma coisa, uma grande mandriona e "levanta os pés e põe-nos a mexer!".
Pois é, desta vez não levantei os ditos e rodopiei-os em pequenos círculos, obedecendo em sentido estrito à ordem clamada (o meu sentido de humor é simplesmente fascinante).
Não, desta vez eu corri para os braços dele, exclamei "Feliz Dia do Pai!!" e ofereci-lhe uma lembrancinha que comprei à Marta, para ajudar o Grupo de Jovens dela: um frasco de um doce de gila caseiro.
Bem, se o arrependimento matasse o homem tinha-se fulminado diante dos meus olhos. Com um ar repleto de remorso e amargura, o sr. meu pai agradeceu-me emocionado e enfiou a viola no saco.
Chego ao trabalho, orgulhosa de tamanha lição de generosidade.
Anuncio a dádiva.
Vira-se uma colega: - "Mas ó Susana, o teu pai não tens diabetes?"
"F.., ca..., q m..!"
- " Bem, mais valia dares-lhe logo duas cápsulas de cianeto".
É o que dá uma gaja esforçar-se e tentar inovar.
Lá vou eu ter que ir à Massimo comprar-lhe o anual par de peúgos.
sexta-feira, março 16, 2007
Retrato de um País
Ontem fiquei mais 45 minutos para além do meu horário de trabalho, a terminar um processo. Quando saí da sala dei de caras com o Director. Este, profundamente chocado, olhou para mim como se eu o tivesse mandado vendar os olhos, pegar numa lambreta e obrigado a fazer acrobacias no Poço da Morte.
Encostou-se à ombreira da porta e, após uns segundos de recobro, perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer.
Estive a analisar um processo – adiantei.
O Sr. Director perscrutou-me, incrédulo. E eu, de um azul ciático, esboço um sorriso demente e fico estática no mesmo sítio.
Fitou-me mais uma vez chocado e acabou por ir-se embora, voltando-se ainda 2 ou 3 vezes para se certificar que eu não era um espectro óptico exorcizado.
45 (quarenta e cinco minutos!). Nem quero imaginar o que sucederia se lá tivesse ficado uma hora completa. (No mínimo uma acção de inabilitação seguida de internamento compulsório).
Encostou-se à ombreira da porta e, após uns segundos de recobro, perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer.
Estive a analisar um processo – adiantei.
O Sr. Director perscrutou-me, incrédulo. E eu, de um azul ciático, esboço um sorriso demente e fico estática no mesmo sítio.
Fitou-me mais uma vez chocado e acabou por ir-se embora, voltando-se ainda 2 ou 3 vezes para se certificar que eu não era um espectro óptico exorcizado.
45 (quarenta e cinco minutos!). Nem quero imaginar o que sucederia se lá tivesse ficado uma hora completa. (No mínimo uma acção de inabilitação seguida de internamento compulsório).
quarta-feira, março 14, 2007
A maldade
Soube que uma rapariga minha conhecida vai fazer o exame para a PJ, já no final deste mês.
Situação Fáctica:
Mede 1.55 e pesa 81 kg (nota de rodapé: valor estimativo arredondado por defeito).
É má, estúpida e cheira a adega de viticultor .
Não é particularmente esperta mas está a estudar aturadamente para os exames escritos.
Situação Hilariante:
Ela não sabe que para entrar para a Polícia Judiciária, não basta ter brilhante nota e dar umas corridinhas com as mamonas a ondular seduzindo inspectores-júri com taras sado-obesas. Existe mesmo um requisito mínimo, que inclui uma tabela anexa e que indica que meias-lecas como nós, de 1.55 a 1.60 têm que ter no máximo 58 kilos bem medidos nas balanças oficiais.
Auto-Avaliação:
Básica? Sou.
Má? Concedo.
DELATORA? Jamais.
Elemento moral da história:
Não vou abrir a boca.
Situação Fáctica:
Mede 1.55 e pesa 81 kg (nota de rodapé: valor estimativo arredondado por defeito).
É má, estúpida e cheira a adega de viticultor .
Não é particularmente esperta mas está a estudar aturadamente para os exames escritos.
Situação Hilariante:
Ela não sabe que para entrar para a Polícia Judiciária, não basta ter brilhante nota e dar umas corridinhas com as mamonas a ondular seduzindo inspectores-júri com taras sado-obesas. Existe mesmo um requisito mínimo, que inclui uma tabela anexa e que indica que meias-lecas como nós, de 1.55 a 1.60 têm que ter no máximo 58 kilos bem medidos nas balanças oficiais.
Auto-Avaliação:
Básica? Sou.
Má? Concedo.
DELATORA? Jamais.
Elemento moral da história:
Não vou abrir a boca.
segunda-feira, março 12, 2007
Despique desigual
Hoje logo pela fresquinha, ligo a televisão e fico ao corrente de um sem número de roubos não sei do quê (cabos de bronze ou ferro ou similares), numa terreola bragantina, que obstaram a que os seus habitantes pudessem usufruir da electricidade.
Jornalista (num tom profissional, sereno e circunspecto): então e como é que se apercebeu que tinha falhado a electricidade?
O Verdadeiro Português (com um ar nobre e compungido)- ´Tão, eu ´tava na Internet. A ver.. (pausa) na internet..a pesquisar. A ver umas coisas... (Pausa) (ganhando balanço) Estava a pesquisar– completa ele, mas com os olhos fitos nas algibeiras.
Sabem onde estão as "Mulheres de Bragança", que tão bravamente pugnaram pela recatez dos seus lares contra as brasileiras assanhadas?
Estão num cantinho enegrecido junto à lareira a chorarem copiosamente pelos tempos que eram e já não voltam a ser.
Transmontanas esforçadas –0 / Pornografia Livre- 30
Jornalista (num tom profissional, sereno e circunspecto): então e como é que se apercebeu que tinha falhado a electricidade?
O Verdadeiro Português (com um ar nobre e compungido)- ´Tão, eu ´tava na Internet. A ver.. (pausa) na internet..a pesquisar. A ver umas coisas... (Pausa) (ganhando balanço) Estava a pesquisar– completa ele, mas com os olhos fitos nas algibeiras.
Sabem onde estão as "Mulheres de Bragança", que tão bravamente pugnaram pela recatez dos seus lares contra as brasileiras assanhadas?
Estão num cantinho enegrecido junto à lareira a chorarem copiosamente pelos tempos que eram e já não voltam a ser.
Transmontanas esforçadas –0 / Pornografia Livre- 30
sexta-feira, março 09, 2007
Homem, mas dos honestos
Ontem não comemorei o Dia Internacional da Mulher, porque basicamente sou um homem.
Chegada do ginásio, e garanto-vos que é a verdade nua e crua, a primeira coisa que faço é arregaçar as mangas, ficar praticamente em ceroulas e obrigar cada colega meu a apalpar-me os bíceps, tríceps e, num dia particularmente produtivo, os glúteos e a parte interna das coxas.
Em tempos ria-me impiedosamente da boçalidade e trejeitos rurais dos gajos da musculação, daqueles que, fazendo 40 flexões e levantando 60 kgs se prostravam frente ao espelho mirando-se jubilosos de hercúleo feito, e lançavam breves olhares de soslaio certificando-se que, no mínimo, três sócios e dois visitantes cirandavam nas redondezas.
Actualmente sou aquela que faz meia flexão de joelhos (assumidamente aldrabada) , levanta uma toalha com um braço e a garrafa de água mais chave do cacifo na outra e fica assim, imóvel , bebendo sofregamente a sua imagem reflectida no espelho, e cada vez que, à laia de músculo uma ligeira batata, bem, hum..., enfim, uma minúscula ervilha assoma no seu (em tempos taberneiro!) braço,
lança urros de alegria e abraça o primeiro indigente que lhe apareça no meio da rua.
Esperem até conseguir levantar uma barra.
Chegada do ginásio, e garanto-vos que é a verdade nua e crua, a primeira coisa que faço é arregaçar as mangas, ficar praticamente em ceroulas e obrigar cada colega meu a apalpar-me os bíceps, tríceps e, num dia particularmente produtivo, os glúteos e a parte interna das coxas.
Em tempos ria-me impiedosamente da boçalidade e trejeitos rurais dos gajos da musculação, daqueles que, fazendo 40 flexões e levantando 60 kgs se prostravam frente ao espelho mirando-se jubilosos de hercúleo feito, e lançavam breves olhares de soslaio certificando-se que, no mínimo, três sócios e dois visitantes cirandavam nas redondezas.
Actualmente sou aquela que faz meia flexão de joelhos (assumidamente aldrabada) , levanta uma toalha com um braço e a garrafa de água mais chave do cacifo na outra e fica assim, imóvel , bebendo sofregamente a sua imagem reflectida no espelho, e cada vez que, à laia de músculo uma ligeira batata, bem, hum..., enfim, uma minúscula ervilha assoma no seu (em tempos taberneiro!) braço,
lança urros de alegria e abraça o primeiro indigente que lhe apareça no meio da rua.
Esperem até conseguir levantar uma barra.
terça-feira, março 06, 2007
Q.E. = 0
Sábado, numa escala, depois dos dez minutos mais entediantes de toda a minha vida, sou chamada para falar com um detido.
Vou até aos calabouços, saltitante e pró-activa, e deparo-me com o alegado criminoso.
Dirijo-me à cela e avisto o menino mais amoroso, mas quando digo amoroso, é mesmo FOFUXO na mais genuína e gritante acepção da palavra.
Um rapazinho dos seus 18 aninhos, olhos enormes rasos de água, ponteados por umas enormes pestanas pretas, estava sentado num banco com os bracinhos cruzados no colo. As mãos, nervosas, aquietavam os cotovelos nus, e a pobre criança tremia como varas verdes, olhando para a biqueira dos sapatos numa vergonha inominável. Quando se apercebeu da minha presença, ergueu os olhos suplicantes, e , com o beicinho a tremer, levou as mãos ao peito numa prece contrita. Basicamente, pareceu-me um gatinho recém-nascido à procura de um pires de leite e uma pequena posta de perca do rio.
Encostei-me docemente às grades e, olhando-o directamente naqueles maviosos olhos azuis perguntei-lhe num tom maternal: "então, porque é que estás aqui?"
- "assalto à mão armada, com caçadeira de canos serrados"
E eu, discretamente, afasto-me das grades
e faço o sinal da cruz
(E ele, continuando
"posse de droga, tentativa de homicídio" - E mais uns quantos crimes os quais nem sabia que existiam quanto mais o regime penal aplicável).
Fugi calabouços fora, a repensar a minha inteligência emocional e capacidade de avaliar pessoas e situações. Nitidamente, é má. Condoídamente (levará acento?) má.
Vou até aos calabouços, saltitante e pró-activa, e deparo-me com o alegado criminoso.
Dirijo-me à cela e avisto o menino mais amoroso, mas quando digo amoroso, é mesmo FOFUXO na mais genuína e gritante acepção da palavra.
Um rapazinho dos seus 18 aninhos, olhos enormes rasos de água, ponteados por umas enormes pestanas pretas, estava sentado num banco com os bracinhos cruzados no colo. As mãos, nervosas, aquietavam os cotovelos nus, e a pobre criança tremia como varas verdes, olhando para a biqueira dos sapatos numa vergonha inominável. Quando se apercebeu da minha presença, ergueu os olhos suplicantes, e , com o beicinho a tremer, levou as mãos ao peito numa prece contrita. Basicamente, pareceu-me um gatinho recém-nascido à procura de um pires de leite e uma pequena posta de perca do rio.
Encostei-me docemente às grades e, olhando-o directamente naqueles maviosos olhos azuis perguntei-lhe num tom maternal: "então, porque é que estás aqui?"
- "assalto à mão armada, com caçadeira de canos serrados"
E eu, discretamente, afasto-me das grades
e faço o sinal da cruz
(E ele, continuando
"posse de droga, tentativa de homicídio" - E mais uns quantos crimes os quais nem sabia que existiam quanto mais o regime penal aplicável).
Fugi calabouços fora, a repensar a minha inteligência emocional e capacidade de avaliar pessoas e situações. Nitidamente, é má. Condoídamente (levará acento?) má.
sexta-feira, março 02, 2007
Runaway Train
Já vos aconteceu estarem a sair do metro, correndo pela vida para tentarem apanhar o comboio,
verem o monitor que anuncia as partidas e chegadas e repararem que, curiosamente nesse mesmo minuto, está prevista a entrada de um Roma Areeiro na linha 8,
então sobem meio estropiados as escadas rolantes e, felizes (suspirando de alívio!), ouvem o barulho da locomotiva,
mas depois reparam que estão numa ponta da plataforma e o Roma Areeiro passa por vós e estranhamente parece ir parar somente na outra ponta,
então vocês correm, calcanhares nas costas e braços esvoaçantes (versão Tom Sawyer/Entrecampos) tentando alcançar a última composição,
e, finalmente, apercebem-se que o comboio NÃO está a chegar mas sim a IR-SE EMBORA,
e que estão a correr esbaforidos estação fora, perseguindo um comboio em pleno andamento, enquanto os palermas da linha 7 e linha 2 de dedo em riste apontam para vocês e se riem à boca podre?
Já?
Muito mais aquietada, obrigada.
(PS- houve quem alvitrasse, e mal (aqui no cubículo laboral) que este post tem demasiadas semelhanças com outro. Desafiei-os a nomearem qual. Não conseguiram. Estendo a pergunta (e uma paulada na testa) a quem tiver a mesma opinião. )
verem o monitor que anuncia as partidas e chegadas e repararem que, curiosamente nesse mesmo minuto, está prevista a entrada de um Roma Areeiro na linha 8,
então sobem meio estropiados as escadas rolantes e, felizes (suspirando de alívio!), ouvem o barulho da locomotiva,
mas depois reparam que estão numa ponta da plataforma e o Roma Areeiro passa por vós e estranhamente parece ir parar somente na outra ponta,
então vocês correm, calcanhares nas costas e braços esvoaçantes (versão Tom Sawyer/Entrecampos) tentando alcançar a última composição,
e, finalmente, apercebem-se que o comboio NÃO está a chegar mas sim a IR-SE EMBORA,
e que estão a correr esbaforidos estação fora, perseguindo um comboio em pleno andamento, enquanto os palermas da linha 7 e linha 2 de dedo em riste apontam para vocês e se riem à boca podre?
Já?
Muito mais aquietada, obrigada.
(PS- houve quem alvitrasse, e mal (aqui no cubículo laboral) que este post tem demasiadas semelhanças com outro. Desafiei-os a nomearem qual. Não conseguiram. Estendo a pergunta (e uma paulada na testa) a quem tiver a mesma opinião. )
terça-feira, fevereiro 27, 2007
O Congolês II
Num destes azafamados dias, tive que ir à Segurança Social.
Debruçada sobre a mesa, com uma mão agarrava a funcionária pelos colarinhos e clamava misericórdia enquanto com a outra segurava um lencinho de papel e limpava o narizinho fungoso, resultado de um útil choradinho mas, confesso, bastante cansativo.
Por fim, a funcionária lá se compadeceu e levantou-se indo buscar o documento necessário.
Eu, vitoriosa, sorri maquiavelicamente e recolhi os documentos espalhados pela mesa.
De repente, surge-me vindo nem sei bem de onde, um pequeno marginal, meio aciganado com franco mau aspecto e a ponta de uma arma branca a sorrir num bolso de um casaco.
"Ó Meu Deus, será possível ser roubada aqui em pleno guichet?" interroguei-me eu
O ciganolas debruçou-se sobre mim encostando-se-me ao ouvido:
(e eu "Ó Meu Deus, será possível ser roubada, apalpada e, quiçá, violada em pleno guichet?")
"Olhe, peço imensa desculpa, corro o risco de ser indelicado mas penso que devo adverti-la que, da maneira como está sentada, estará, eventualmente, a expor-se demasiado".
E afastou-se gingando com a sua arma num bolso e a mão no noutro.
Atordoada, lá puxei o elástico das cuecas e fiquei cabisbaixa, chorosa não por ter as ditas de fora mas porque continuo a ser uma grandessíssima atrasada preconceituosa.
Debruçada sobre a mesa, com uma mão agarrava a funcionária pelos colarinhos e clamava misericórdia enquanto com a outra segurava um lencinho de papel e limpava o narizinho fungoso, resultado de um útil choradinho mas, confesso, bastante cansativo.
Por fim, a funcionária lá se compadeceu e levantou-se indo buscar o documento necessário.
Eu, vitoriosa, sorri maquiavelicamente e recolhi os documentos espalhados pela mesa.
De repente, surge-me vindo nem sei bem de onde, um pequeno marginal, meio aciganado com franco mau aspecto e a ponta de uma arma branca a sorrir num bolso de um casaco.
"Ó Meu Deus, será possível ser roubada aqui em pleno guichet?" interroguei-me eu
O ciganolas debruçou-se sobre mim encostando-se-me ao ouvido:
(e eu "Ó Meu Deus, será possível ser roubada, apalpada e, quiçá, violada em pleno guichet?")
"Olhe, peço imensa desculpa, corro o risco de ser indelicado mas penso que devo adverti-la que, da maneira como está sentada, estará, eventualmente, a expor-se demasiado".
E afastou-se gingando com a sua arma num bolso e a mão no noutro.
Atordoada, lá puxei o elástico das cuecas e fiquei cabisbaixa, chorosa não por ter as ditas de fora mas porque continuo a ser uma grandessíssima atrasada preconceituosa.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Ajuda especializada
Hoje abri a minha primeira conta de poupança.
Passados 25 minutos, retornei derrotada ao banco para perguntar o que fazer, caso pretendesse levantar já algum dinheiro.
Bati fundo na minha curta e depauperada existência.
Passados 25 minutos, retornei derrotada ao banco para perguntar o que fazer, caso pretendesse levantar já algum dinheiro.
Bati fundo na minha curta e depauperada existência.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Conspurcação de uma menor
Quando eu frequentei pela 1ª vez um ginásio, já lá vai mais de uma década, tive um sábio instrutor de musculação (sim, a sério, são um adjectivo e substantivos que efectivamente se podem conjugar!) que me advertiu que:
O homem e a mulher fazem parte do reino animal e comportam-se como tal. As fêmeas só querem cuidar das crias e os machos só querem copular indistintamente com todas elas.
Após ouvir conversas intermináveis de amigas que não têm sexo há 2 anos mas já pensam em que maternidade querem ir parir (CUF Descobertas está em 1.º lugar), e de amigos que se esmifram em mentiras labirínticas para poderem cobrir a amiga, a amiga da amiga e uma prima de Fornos de Algodres da amiga da amiga (haja fôlego para tanta amizade), suspeitei que o sábio musculoso tinha razão.
Felizmente lembrei-me que tenho terror a partos, vaginas dilatadas e vulvas inchadas.
E um namorado que é macho mas muito gaja e abomina confusão.
Hoje olho para trás e acho que o eremita musculoso queria era tirar uma lasquinha.
É atrasado tem teorias parvas. Não o quero para pai dos meus filhos.
O homem e a mulher fazem parte do reino animal e comportam-se como tal. As fêmeas só querem cuidar das crias e os machos só querem copular indistintamente com todas elas.
Após ouvir conversas intermináveis de amigas que não têm sexo há 2 anos mas já pensam em que maternidade querem ir parir (CUF Descobertas está em 1.º lugar), e de amigos que se esmifram em mentiras labirínticas para poderem cobrir a amiga, a amiga da amiga e uma prima de Fornos de Algodres da amiga da amiga (haja fôlego para tanta amizade), suspeitei que o sábio musculoso tinha razão.
Felizmente lembrei-me que tenho terror a partos, vaginas dilatadas e vulvas inchadas.
E um namorado que é macho mas muito gaja e abomina confusão.
Hoje olho para trás e acho que o eremita musculoso queria era tirar uma lasquinha.
É atrasado tem teorias parvas. Não o quero para pai dos meus filhos.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O Paquiderme
Hoje manhã houve um tremor de terra e o edifício abanou todo. Como eu estou no 3.º andar, a repercussão foi ainda maior.
Ora, nano-segundos antes do impacto eu levantei-me da secretária e fui buscar uns códigos à prateleira. Estava eu a recolher o de 2003 quando toda a sala se virou para mim. Estaquei com o código na mão e devolvi-lhes o olhar.
“Susana, foste tu?”
“Fui eu o quê?”
“FUJA FUJAM! ISTO VAI ABAIXO, FUJAM PELAS ESCADAS!” – gritou alguém no corredor
E parte tudo em debandada comigo atrás. Chegámos cá abaixo e a malta toda excitada, com a mão no peito e a suspirarem fundo. Cruzei os braços, de trombas, e virei a cara para o lado.
“Que foi Susana?”
Nem respondi.
Há um sismo que abana um edifício que comporta 1100 empregados e perguntam-me se fui eu a levantar-me da cadeira.
Mas sabem o que é verdadeiramente mau? É que eu não senti absolutamente nada. E depois ainda pensei que estavam a gozar e fui a última a fugir, só o fazendo porque encontrei naquele virote um bom motivo para ir para a rua beber café.
2 conclusões:
- o meu hipotálamo não está a fazer um bom trabalho.
- Nunca mais falo aos meus colegas.
Ora, nano-segundos antes do impacto eu levantei-me da secretária e fui buscar uns códigos à prateleira. Estava eu a recolher o de 2003 quando toda a sala se virou para mim. Estaquei com o código na mão e devolvi-lhes o olhar.
“Susana, foste tu?”
“Fui eu o quê?”
“FUJA FUJAM! ISTO VAI ABAIXO, FUJAM PELAS ESCADAS!” – gritou alguém no corredor
E parte tudo em debandada comigo atrás. Chegámos cá abaixo e a malta toda excitada, com a mão no peito e a suspirarem fundo. Cruzei os braços, de trombas, e virei a cara para o lado.
“Que foi Susana?”
Nem respondi.
Há um sismo que abana um edifício que comporta 1100 empregados e perguntam-me se fui eu a levantar-me da cadeira.
Mas sabem o que é verdadeiramente mau? É que eu não senti absolutamente nada. E depois ainda pensei que estavam a gozar e fui a última a fugir, só o fazendo porque encontrei naquele virote um bom motivo para ir para a rua beber café.
2 conclusões:
- o meu hipotálamo não está a fazer um bom trabalho.
- Nunca mais falo aos meus colegas.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Bom Dia!
Hoje de manhã, aqui na Expo, desfilou uma imponente parada policial, com as autoridades engalanadas nos seus lustrosos uniformes e montadas em cima de poderosos alazões de sangue puro.
Os airosos polícias, a quem só faltavam dois penachos atrás de cada orelha e uma pluma espetada no rabo tamanha era a vaidade que os consumia, olhavam para todos os lados certificando-se que nem uma única alma desviava os olhos de tamanha parada.
Eu, na realidade, fui uma dessas pessoas. É que não consegui mesmo deixar de olhar para dois polícias que, lado a lado, trotavam em cima dos respectivos cavalos, os quais, sem qualquer sentido de dignidade e respeito pela ética militar derrocavam violentas conchas de bosta em frente ao Vasco da Gama. Atenção, sublinho, não estamos a falar de amorosos montinhos, mas sim de dejectos de proporções simplesmente inqualificáveis. E que lançaram no ar (já de si pouco impoluto graças ao Tejo) um odor peculiar, ligeiramente almiscarado com notas secas, que deixou os peões atordoados e os condutores aliviados por estarem hermeticamente protegidos.
Enfim, um momento único de contribuição para o prestígio e valorização moral das forças armadas. A juntar aquele em que ia com mais duas amigas e o bófia arrota para uma delas: "eh cavalona, partia-te essa bilha toda!"
Os airosos polícias, a quem só faltavam dois penachos atrás de cada orelha e uma pluma espetada no rabo tamanha era a vaidade que os consumia, olhavam para todos os lados certificando-se que nem uma única alma desviava os olhos de tamanha parada.
Eu, na realidade, fui uma dessas pessoas. É que não consegui mesmo deixar de olhar para dois polícias que, lado a lado, trotavam em cima dos respectivos cavalos, os quais, sem qualquer sentido de dignidade e respeito pela ética militar derrocavam violentas conchas de bosta em frente ao Vasco da Gama. Atenção, sublinho, não estamos a falar de amorosos montinhos, mas sim de dejectos de proporções simplesmente inqualificáveis. E que lançaram no ar (já de si pouco impoluto graças ao Tejo) um odor peculiar, ligeiramente almiscarado com notas secas, que deixou os peões atordoados e os condutores aliviados por estarem hermeticamente protegidos.
Enfim, um momento único de contribuição para o prestígio e valorização moral das forças armadas. A juntar aquele em que ia com mais duas amigas e o bófia arrota para uma delas: "eh cavalona, partia-te essa bilha toda!"
terça-feira, fevereiro 06, 2007
As aparências
Aqui há umas noites estava no carro e o namorado aponta para umas ervas e diz:
“Olha ali que grande ratazana”
Debruçada sobre a janela observando-a atentamente acrescento:
“Ai é enorme, parece um coelhinho”.
Silêncio. Ele numa voz compassiva,
- “Vês...”
O meu olhar tornou-se vítreo e fiquei pálida como um círio.
Tornei-me naquilo que abominei ser. Por segundos fui a menina bojuda da Torre de Belém a confundir um rato de esgoto com um adorável leporídeo. Mas caramba, a ratazana do outro post estava em plenas exéquias fúnebres, imóvel de pernas para o ar, esta avistei-a de soslaio pois fugiu num ápice por entre as couves!
Conclusão sumária:
A miúda era mesmo burra
e as ratazanas também
eu não
e coelhos são só para pendurar nas oliveiras de cabeça para baixo e fazer arroz na Páscoa.
Adoro cães
“Olha ali que grande ratazana”
Debruçada sobre a janela observando-a atentamente acrescento:
“Ai é enorme, parece um coelhinho”.
Silêncio. Ele numa voz compassiva,
- “Vês...”
O meu olhar tornou-se vítreo e fiquei pálida como um círio.
Tornei-me naquilo que abominei ser. Por segundos fui a menina bojuda da Torre de Belém a confundir um rato de esgoto com um adorável leporídeo. Mas caramba, a ratazana do outro post estava em plenas exéquias fúnebres, imóvel de pernas para o ar, esta avistei-a de soslaio pois fugiu num ápice por entre as couves!
Conclusão sumária:
A miúda era mesmo burra
e as ratazanas também
eu não
e coelhos são só para pendurar nas oliveiras de cabeça para baixo e fazer arroz na Páscoa.
Adoro cães
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
A Quebra
Há quem tenha avançado que eu estou viciada no Casino.
Elucido que eu estou viciada sim, mas em algo muito mais (sotaque mineiro) gostoso...
Caros confrades,
estou oficialmente convertida ao “Lost”. O engraçado é que ainda antes de ter visto um único episódio, já sabia a história toda até à 3ª série, episódio 6, filmado em Novembro de 2006 nos E.U.A: Veículos informativos: =>wikipédia + www.lostinlost.globolog.com.br
Por favor, viciem-se, para poderem conversar comigo e trocarmos ideias, bilhetinhos e fazermos conspirações. Advirto que tenho uma teoria particularmente inteligente mas só a divulgarei quando tiver assegurados pelo menos um estrado num palco de 25 cm e 5 holofotes sobre a minha pessoa (o estrado estará sob, espero).
E meu Deus,
Perdoa-me atempadamente pela quebra dos seguintes mandamentos:
6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras
9.º- Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10.º - Não cobiçar as coisas alheias.
MAS QUE DIVINDADE GREGAÉ AQUELA A QUE DÃO O NOME DE SAWYER? E como é possível ao 3.º dia Fazeres coisas tão belas e ao 4.º Mandá-las para outro continente??
God, make me Pure but not yet.
Elucido que eu estou viciada sim, mas em algo muito mais (sotaque mineiro) gostoso...
Caros confrades,
estou oficialmente convertida ao “Lost”. O engraçado é que ainda antes de ter visto um único episódio, já sabia a história toda até à 3ª série, episódio 6, filmado em Novembro de 2006 nos E.U.A: Veículos informativos: =>wikipédia + www.lostinlost.globolog.com.br
Por favor, viciem-se, para poderem conversar comigo e trocarmos ideias, bilhetinhos e fazermos conspirações. Advirto que tenho uma teoria particularmente inteligente mas só a divulgarei quando tiver assegurados pelo menos um estrado num palco de 25 cm e 5 holofotes sobre a minha pessoa (o estrado estará sob, espero).
E meu Deus,
Perdoa-me atempadamente pela quebra dos seguintes mandamentos:
6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras
9.º- Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10.º - Não cobiçar as coisas alheias.
MAS QUE DIVINDADE GREGAÉ AQUELA A QUE DÃO O NOME DE SAWYER? E como é possível ao 3.º dia Fazeres coisas tão belas e ao 4.º Mandá-las para outro continente??
God, make me Pure but not yet.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Ronaldo, a micro-versão
Ontem, no casino de Lisboa, fico frente a frente com um chinês.
Até aqui nada de inaudito, é sabido que no casino coabitam 58 asiáticos por cada 2 europeus e 0.005 afro-hindus.
O que se revelou verdadeiramente intrigante foi o facto deste chinês, e passe, obviamente a alarvidade racial que dentro de 5 segundos vou escrever mas que corresponde, afinal a uma constatação estético-visual,
Este chinês era, na realidade, BONITO. Eu sei, eu sei, sou uma mentirosa compulsiva e a grande maioria dos meus posts estão despudoradamente adulterados. Mas, afianço-vos, aquele exemplar possuía traços fortes, maxilares bem definidos, testa larga e confiante. O cabelo, despenteado, era de um preto-azeviche brilhante e bem cuidado. Uma boca pequena, mas cheia, brancos alvos e um sorriso doce. Sem mencionar, claro, dois olhitos rasgados simplesmente amorosos, que saltitavam alegremente pelas várias casas da roleta.
Enfim, gostei. E gostei também de saber, hoje no Diário da Manhã, que o Sr. Chinês é uma nova aquisição do Benfica.
É simplesmente irrefutável: eu tenho faro para a coisa - cheiro futebolistas à distância.
(e ANTES DOS JOGOS, que sob o ponto de vista higiénico-sanitário torna a façanha muito mais meritória).
Até aqui nada de inaudito, é sabido que no casino coabitam 58 asiáticos por cada 2 europeus e 0.005 afro-hindus.
O que se revelou verdadeiramente intrigante foi o facto deste chinês, e passe, obviamente a alarvidade racial que dentro de 5 segundos vou escrever mas que corresponde, afinal a uma constatação estético-visual,
Este chinês era, na realidade, BONITO. Eu sei, eu sei, sou uma mentirosa compulsiva e a grande maioria dos meus posts estão despudoradamente adulterados. Mas, afianço-vos, aquele exemplar possuía traços fortes, maxilares bem definidos, testa larga e confiante. O cabelo, despenteado, era de um preto-azeviche brilhante e bem cuidado. Uma boca pequena, mas cheia, brancos alvos e um sorriso doce. Sem mencionar, claro, dois olhitos rasgados simplesmente amorosos, que saltitavam alegremente pelas várias casas da roleta.
Enfim, gostei. E gostei também de saber, hoje no Diário da Manhã, que o Sr. Chinês é uma nova aquisição do Benfica.
É simplesmente irrefutável: eu tenho faro para a coisa - cheiro futebolistas à distância.
(e ANTES DOS JOGOS, que sob o ponto de vista higiénico-sanitário torna a façanha muito mais meritória).
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Será que? Não.
Caríssimos,
É com incontido orgulho que declaro que nada escrevi esta semana porque,
Tambores-check
Tamboristas-check
Rufos crescentes-check
Estive a trabalhar!!!!
...
Num processo judicial de um amigo meu.
No horário de expediente.
Ainda não foi desta que justifico as vossas contribuições à máquina administrativa.
Sorry...
É com incontido orgulho que declaro que nada escrevi esta semana porque,
Tambores-check
Tamboristas-check
Rufos crescentes-check
Estive a trabalhar!!!!
...
Num processo judicial de um amigo meu.
No horário de expediente.
Ainda não foi desta que justifico as vossas contribuições à máquina administrativa.
Sorry...
quarta-feira, janeiro 24, 2007
O Vício ou as notas de 500
Ontem fui ter com o meu irmão ao casino de Lisboa. Neste último mês tornei-me sócia de uma parelha-maravilha ao disponibilizar-lhe o capital necessário para ele efectuar apostas na roleta. Basicamente eu largo o guito ele abençoa-o com a sua estratégia.
Idiota, murmurarão vocês, enquanto se apiedam desta que aqui escreve.
Calminha, replicarei eu, molhando o indicador enquanto faço a contagem das notas.
Dez pessoas em roda de uma máquina virtual, nove literalmente apopléticas. De vez em quando ouvia-se um “P.. da máquina, que granda filha da p..., que m.. de máquina, f...-se que esta m... tá toda f..., c.. ma f..”. Nas primeiras vezes ainda me assustei mas à 6.º: “ SUA P... NÃO TE FICAS A RIR, MÁQUINA DE UM C.... VOU-TE PARTIR TODA, AI TÁS-TE A RIR TÁS A CRESCER PRA MIM???” e eu olho para o homem, colérico, a levantar a mão a um televisor como quem diz “vá, responde lá agora sempre quero ver o que é que dizes”, e o televisor, coitado, simplesmente a mostrar o jogo e susceptível de ser digitado para se efectuar a aposta, sinceramente senti pena daquele ser amorfo.
Saímos com um sorriso na cara e o dinheirinho no bolso.
O meu irmão é muito cagalhoto em inúmeras situações, mas noutras lá se redime e torna-se num ser híbrido quase que, atrever-me-ei, interessante.
(embora indubitavelmente semítico e de uma avareza aflitiva, onde é que já se viu 10% a quem generosa e altruisticamente injectou o capital?)
Idiota, murmurarão vocês, enquanto se apiedam desta que aqui escreve.
Calminha, replicarei eu, molhando o indicador enquanto faço a contagem das notas.
Dez pessoas em roda de uma máquina virtual, nove literalmente apopléticas. De vez em quando ouvia-se um “P.. da máquina, que granda filha da p..., que m.. de máquina, f...-se que esta m... tá toda f..., c.. ma f..”. Nas primeiras vezes ainda me assustei mas à 6.º: “ SUA P... NÃO TE FICAS A RIR, MÁQUINA DE UM C.... VOU-TE PARTIR TODA, AI TÁS-TE A RIR TÁS A CRESCER PRA MIM???” e eu olho para o homem, colérico, a levantar a mão a um televisor como quem diz “vá, responde lá agora sempre quero ver o que é que dizes”, e o televisor, coitado, simplesmente a mostrar o jogo e susceptível de ser digitado para se efectuar a aposta, sinceramente senti pena daquele ser amorfo.
Saímos com um sorriso na cara e o dinheirinho no bolso.
O meu irmão é muito cagalhoto em inúmeras situações, mas noutras lá se redime e torna-se num ser híbrido quase que, atrever-me-ei, interessante.
(embora indubitavelmente semítico e de uma avareza aflitiva, onde é que já se viu 10% a quem generosa e altruisticamente injectou o capital?)
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