Num destes azafamados dias, tive que ir à Segurança Social.
Debruçada sobre a mesa, com uma mão agarrava a funcionária pelos colarinhos e clamava misericórdia enquanto com a outra segurava um lencinho de papel e limpava o narizinho fungoso, resultado de um útil choradinho mas, confesso, bastante cansativo.
Por fim, a funcionária lá se compadeceu e levantou-se indo buscar o documento necessário.
Eu, vitoriosa, sorri maquiavelicamente e recolhi os documentos espalhados pela mesa.
De repente, surge-me vindo nem sei bem de onde, um pequeno marginal, meio aciganado com franco mau aspecto e a ponta de uma arma branca a sorrir num bolso de um casaco.
"Ó Meu Deus, será possível ser roubada aqui em pleno guichet?" interroguei-me eu
O ciganolas debruçou-se sobre mim encostando-se-me ao ouvido:
(e eu "Ó Meu Deus, será possível ser roubada, apalpada e, quiçá, violada em pleno guichet?")
"Olhe, peço imensa desculpa, corro o risco de ser indelicado mas penso que devo adverti-la que, da maneira como está sentada, estará, eventualmente, a expor-se demasiado".
E afastou-se gingando com a sua arma num bolso e a mão no noutro.
Atordoada, lá puxei o elástico das cuecas e fiquei cabisbaixa, chorosa não por ter as ditas de fora mas porque continuo a ser uma grandessíssima atrasada preconceituosa.
Será que só sou eu que vejo laivos de pedofilia na relação do Manuel O Português e o Zezinho de "O meu Pé de Laranja Lima"? 9 (NOVE) anos depois do início deste blogue muita gente alvitrou sobre tudo menos isto. Portanto tenho concluir que sim, sou só eu.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Ajuda especializada
Hoje abri a minha primeira conta de poupança.
Passados 25 minutos, retornei derrotada ao banco para perguntar o que fazer, caso pretendesse levantar já algum dinheiro.
Bati fundo na minha curta e depauperada existência.
Passados 25 minutos, retornei derrotada ao banco para perguntar o que fazer, caso pretendesse levantar já algum dinheiro.
Bati fundo na minha curta e depauperada existência.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Conspurcação de uma menor
Quando eu frequentei pela 1ª vez um ginásio, já lá vai mais de uma década, tive um sábio instrutor de musculação (sim, a sério, são um adjectivo e substantivos que efectivamente se podem conjugar!) que me advertiu que:
O homem e a mulher fazem parte do reino animal e comportam-se como tal. As fêmeas só querem cuidar das crias e os machos só querem copular indistintamente com todas elas.
Após ouvir conversas intermináveis de amigas que não têm sexo há 2 anos mas já pensam em que maternidade querem ir parir (CUF Descobertas está em 1.º lugar), e de amigos que se esmifram em mentiras labirínticas para poderem cobrir a amiga, a amiga da amiga e uma prima de Fornos de Algodres da amiga da amiga (haja fôlego para tanta amizade), suspeitei que o sábio musculoso tinha razão.
Felizmente lembrei-me que tenho terror a partos, vaginas dilatadas e vulvas inchadas.
E um namorado que é macho mas muito gaja e abomina confusão.
Hoje olho para trás e acho que o eremita musculoso queria era tirar uma lasquinha.
É atrasado tem teorias parvas. Não o quero para pai dos meus filhos.
O homem e a mulher fazem parte do reino animal e comportam-se como tal. As fêmeas só querem cuidar das crias e os machos só querem copular indistintamente com todas elas.
Após ouvir conversas intermináveis de amigas que não têm sexo há 2 anos mas já pensam em que maternidade querem ir parir (CUF Descobertas está em 1.º lugar), e de amigos que se esmifram em mentiras labirínticas para poderem cobrir a amiga, a amiga da amiga e uma prima de Fornos de Algodres da amiga da amiga (haja fôlego para tanta amizade), suspeitei que o sábio musculoso tinha razão.
Felizmente lembrei-me que tenho terror a partos, vaginas dilatadas e vulvas inchadas.
E um namorado que é macho mas muito gaja e abomina confusão.
Hoje olho para trás e acho que o eremita musculoso queria era tirar uma lasquinha.
É atrasado tem teorias parvas. Não o quero para pai dos meus filhos.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O Paquiderme
Hoje manhã houve um tremor de terra e o edifício abanou todo. Como eu estou no 3.º andar, a repercussão foi ainda maior.
Ora, nano-segundos antes do impacto eu levantei-me da secretária e fui buscar uns códigos à prateleira. Estava eu a recolher o de 2003 quando toda a sala se virou para mim. Estaquei com o código na mão e devolvi-lhes o olhar.
“Susana, foste tu?”
“Fui eu o quê?”
“FUJA FUJAM! ISTO VAI ABAIXO, FUJAM PELAS ESCADAS!” – gritou alguém no corredor
E parte tudo em debandada comigo atrás. Chegámos cá abaixo e a malta toda excitada, com a mão no peito e a suspirarem fundo. Cruzei os braços, de trombas, e virei a cara para o lado.
“Que foi Susana?”
Nem respondi.
Há um sismo que abana um edifício que comporta 1100 empregados e perguntam-me se fui eu a levantar-me da cadeira.
Mas sabem o que é verdadeiramente mau? É que eu não senti absolutamente nada. E depois ainda pensei que estavam a gozar e fui a última a fugir, só o fazendo porque encontrei naquele virote um bom motivo para ir para a rua beber café.
2 conclusões:
- o meu hipotálamo não está a fazer um bom trabalho.
- Nunca mais falo aos meus colegas.
Ora, nano-segundos antes do impacto eu levantei-me da secretária e fui buscar uns códigos à prateleira. Estava eu a recolher o de 2003 quando toda a sala se virou para mim. Estaquei com o código na mão e devolvi-lhes o olhar.
“Susana, foste tu?”
“Fui eu o quê?”
“FUJA FUJAM! ISTO VAI ABAIXO, FUJAM PELAS ESCADAS!” – gritou alguém no corredor
E parte tudo em debandada comigo atrás. Chegámos cá abaixo e a malta toda excitada, com a mão no peito e a suspirarem fundo. Cruzei os braços, de trombas, e virei a cara para o lado.
“Que foi Susana?”
Nem respondi.
Há um sismo que abana um edifício que comporta 1100 empregados e perguntam-me se fui eu a levantar-me da cadeira.
Mas sabem o que é verdadeiramente mau? É que eu não senti absolutamente nada. E depois ainda pensei que estavam a gozar e fui a última a fugir, só o fazendo porque encontrei naquele virote um bom motivo para ir para a rua beber café.
2 conclusões:
- o meu hipotálamo não está a fazer um bom trabalho.
- Nunca mais falo aos meus colegas.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Bom Dia!
Hoje de manhã, aqui na Expo, desfilou uma imponente parada policial, com as autoridades engalanadas nos seus lustrosos uniformes e montadas em cima de poderosos alazões de sangue puro.
Os airosos polícias, a quem só faltavam dois penachos atrás de cada orelha e uma pluma espetada no rabo tamanha era a vaidade que os consumia, olhavam para todos os lados certificando-se que nem uma única alma desviava os olhos de tamanha parada.
Eu, na realidade, fui uma dessas pessoas. É que não consegui mesmo deixar de olhar para dois polícias que, lado a lado, trotavam em cima dos respectivos cavalos, os quais, sem qualquer sentido de dignidade e respeito pela ética militar derrocavam violentas conchas de bosta em frente ao Vasco da Gama. Atenção, sublinho, não estamos a falar de amorosos montinhos, mas sim de dejectos de proporções simplesmente inqualificáveis. E que lançaram no ar (já de si pouco impoluto graças ao Tejo) um odor peculiar, ligeiramente almiscarado com notas secas, que deixou os peões atordoados e os condutores aliviados por estarem hermeticamente protegidos.
Enfim, um momento único de contribuição para o prestígio e valorização moral das forças armadas. A juntar aquele em que ia com mais duas amigas e o bófia arrota para uma delas: "eh cavalona, partia-te essa bilha toda!"
Os airosos polícias, a quem só faltavam dois penachos atrás de cada orelha e uma pluma espetada no rabo tamanha era a vaidade que os consumia, olhavam para todos os lados certificando-se que nem uma única alma desviava os olhos de tamanha parada.
Eu, na realidade, fui uma dessas pessoas. É que não consegui mesmo deixar de olhar para dois polícias que, lado a lado, trotavam em cima dos respectivos cavalos, os quais, sem qualquer sentido de dignidade e respeito pela ética militar derrocavam violentas conchas de bosta em frente ao Vasco da Gama. Atenção, sublinho, não estamos a falar de amorosos montinhos, mas sim de dejectos de proporções simplesmente inqualificáveis. E que lançaram no ar (já de si pouco impoluto graças ao Tejo) um odor peculiar, ligeiramente almiscarado com notas secas, que deixou os peões atordoados e os condutores aliviados por estarem hermeticamente protegidos.
Enfim, um momento único de contribuição para o prestígio e valorização moral das forças armadas. A juntar aquele em que ia com mais duas amigas e o bófia arrota para uma delas: "eh cavalona, partia-te essa bilha toda!"
terça-feira, fevereiro 06, 2007
As aparências
Aqui há umas noites estava no carro e o namorado aponta para umas ervas e diz:
“Olha ali que grande ratazana”
Debruçada sobre a janela observando-a atentamente acrescento:
“Ai é enorme, parece um coelhinho”.
Silêncio. Ele numa voz compassiva,
- “Vês...”
O meu olhar tornou-se vítreo e fiquei pálida como um círio.
Tornei-me naquilo que abominei ser. Por segundos fui a menina bojuda da Torre de Belém a confundir um rato de esgoto com um adorável leporídeo. Mas caramba, a ratazana do outro post estava em plenas exéquias fúnebres, imóvel de pernas para o ar, esta avistei-a de soslaio pois fugiu num ápice por entre as couves!
Conclusão sumária:
A miúda era mesmo burra
e as ratazanas também
eu não
e coelhos são só para pendurar nas oliveiras de cabeça para baixo e fazer arroz na Páscoa.
Adoro cães
“Olha ali que grande ratazana”
Debruçada sobre a janela observando-a atentamente acrescento:
“Ai é enorme, parece um coelhinho”.
Silêncio. Ele numa voz compassiva,
- “Vês...”
O meu olhar tornou-se vítreo e fiquei pálida como um círio.
Tornei-me naquilo que abominei ser. Por segundos fui a menina bojuda da Torre de Belém a confundir um rato de esgoto com um adorável leporídeo. Mas caramba, a ratazana do outro post estava em plenas exéquias fúnebres, imóvel de pernas para o ar, esta avistei-a de soslaio pois fugiu num ápice por entre as couves!
Conclusão sumária:
A miúda era mesmo burra
e as ratazanas também
eu não
e coelhos são só para pendurar nas oliveiras de cabeça para baixo e fazer arroz na Páscoa.
Adoro cães
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
A Quebra
Há quem tenha avançado que eu estou viciada no Casino.
Elucido que eu estou viciada sim, mas em algo muito mais (sotaque mineiro) gostoso...
Caros confrades,
estou oficialmente convertida ao “Lost”. O engraçado é que ainda antes de ter visto um único episódio, já sabia a história toda até à 3ª série, episódio 6, filmado em Novembro de 2006 nos E.U.A: Veículos informativos: =>wikipédia + www.lostinlost.globolog.com.br
Por favor, viciem-se, para poderem conversar comigo e trocarmos ideias, bilhetinhos e fazermos conspirações. Advirto que tenho uma teoria particularmente inteligente mas só a divulgarei quando tiver assegurados pelo menos um estrado num palco de 25 cm e 5 holofotes sobre a minha pessoa (o estrado estará sob, espero).
E meu Deus,
Perdoa-me atempadamente pela quebra dos seguintes mandamentos:
6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras
9.º- Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10.º - Não cobiçar as coisas alheias.
MAS QUE DIVINDADE GREGAÉ AQUELA A QUE DÃO O NOME DE SAWYER? E como é possível ao 3.º dia Fazeres coisas tão belas e ao 4.º Mandá-las para outro continente??
God, make me Pure but not yet.
Elucido que eu estou viciada sim, mas em algo muito mais (sotaque mineiro) gostoso...
Caros confrades,
estou oficialmente convertida ao “Lost”. O engraçado é que ainda antes de ter visto um único episódio, já sabia a história toda até à 3ª série, episódio 6, filmado em Novembro de 2006 nos E.U.A: Veículos informativos: =>wikipédia + www.lostinlost.globolog.com.br
Por favor, viciem-se, para poderem conversar comigo e trocarmos ideias, bilhetinhos e fazermos conspirações. Advirto que tenho uma teoria particularmente inteligente mas só a divulgarei quando tiver assegurados pelo menos um estrado num palco de 25 cm e 5 holofotes sobre a minha pessoa (o estrado estará sob, espero).
E meu Deus,
Perdoa-me atempadamente pela quebra dos seguintes mandamentos:
6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras
9.º- Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10.º - Não cobiçar as coisas alheias.
MAS QUE DIVINDADE GREGAÉ AQUELA A QUE DÃO O NOME DE SAWYER? E como é possível ao 3.º dia Fazeres coisas tão belas e ao 4.º Mandá-las para outro continente??
God, make me Pure but not yet.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Ronaldo, a micro-versão
Ontem, no casino de Lisboa, fico frente a frente com um chinês.
Até aqui nada de inaudito, é sabido que no casino coabitam 58 asiáticos por cada 2 europeus e 0.005 afro-hindus.
O que se revelou verdadeiramente intrigante foi o facto deste chinês, e passe, obviamente a alarvidade racial que dentro de 5 segundos vou escrever mas que corresponde, afinal a uma constatação estético-visual,
Este chinês era, na realidade, BONITO. Eu sei, eu sei, sou uma mentirosa compulsiva e a grande maioria dos meus posts estão despudoradamente adulterados. Mas, afianço-vos, aquele exemplar possuía traços fortes, maxilares bem definidos, testa larga e confiante. O cabelo, despenteado, era de um preto-azeviche brilhante e bem cuidado. Uma boca pequena, mas cheia, brancos alvos e um sorriso doce. Sem mencionar, claro, dois olhitos rasgados simplesmente amorosos, que saltitavam alegremente pelas várias casas da roleta.
Enfim, gostei. E gostei também de saber, hoje no Diário da Manhã, que o Sr. Chinês é uma nova aquisição do Benfica.
É simplesmente irrefutável: eu tenho faro para a coisa - cheiro futebolistas à distância.
(e ANTES DOS JOGOS, que sob o ponto de vista higiénico-sanitário torna a façanha muito mais meritória).
Até aqui nada de inaudito, é sabido que no casino coabitam 58 asiáticos por cada 2 europeus e 0.005 afro-hindus.
O que se revelou verdadeiramente intrigante foi o facto deste chinês, e passe, obviamente a alarvidade racial que dentro de 5 segundos vou escrever mas que corresponde, afinal a uma constatação estético-visual,
Este chinês era, na realidade, BONITO. Eu sei, eu sei, sou uma mentirosa compulsiva e a grande maioria dos meus posts estão despudoradamente adulterados. Mas, afianço-vos, aquele exemplar possuía traços fortes, maxilares bem definidos, testa larga e confiante. O cabelo, despenteado, era de um preto-azeviche brilhante e bem cuidado. Uma boca pequena, mas cheia, brancos alvos e um sorriso doce. Sem mencionar, claro, dois olhitos rasgados simplesmente amorosos, que saltitavam alegremente pelas várias casas da roleta.
Enfim, gostei. E gostei também de saber, hoje no Diário da Manhã, que o Sr. Chinês é uma nova aquisição do Benfica.
É simplesmente irrefutável: eu tenho faro para a coisa - cheiro futebolistas à distância.
(e ANTES DOS JOGOS, que sob o ponto de vista higiénico-sanitário torna a façanha muito mais meritória).
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Será que? Não.
Caríssimos,
É com incontido orgulho que declaro que nada escrevi esta semana porque,
Tambores-check
Tamboristas-check
Rufos crescentes-check
Estive a trabalhar!!!!
...
Num processo judicial de um amigo meu.
No horário de expediente.
Ainda não foi desta que justifico as vossas contribuições à máquina administrativa.
Sorry...
É com incontido orgulho que declaro que nada escrevi esta semana porque,
Tambores-check
Tamboristas-check
Rufos crescentes-check
Estive a trabalhar!!!!
...
Num processo judicial de um amigo meu.
No horário de expediente.
Ainda não foi desta que justifico as vossas contribuições à máquina administrativa.
Sorry...
quarta-feira, janeiro 24, 2007
O Vício ou as notas de 500
Ontem fui ter com o meu irmão ao casino de Lisboa. Neste último mês tornei-me sócia de uma parelha-maravilha ao disponibilizar-lhe o capital necessário para ele efectuar apostas na roleta. Basicamente eu largo o guito ele abençoa-o com a sua estratégia.
Idiota, murmurarão vocês, enquanto se apiedam desta que aqui escreve.
Calminha, replicarei eu, molhando o indicador enquanto faço a contagem das notas.
Dez pessoas em roda de uma máquina virtual, nove literalmente apopléticas. De vez em quando ouvia-se um “P.. da máquina, que granda filha da p..., que m.. de máquina, f...-se que esta m... tá toda f..., c.. ma f..”. Nas primeiras vezes ainda me assustei mas à 6.º: “ SUA P... NÃO TE FICAS A RIR, MÁQUINA DE UM C.... VOU-TE PARTIR TODA, AI TÁS-TE A RIR TÁS A CRESCER PRA MIM???” e eu olho para o homem, colérico, a levantar a mão a um televisor como quem diz “vá, responde lá agora sempre quero ver o que é que dizes”, e o televisor, coitado, simplesmente a mostrar o jogo e susceptível de ser digitado para se efectuar a aposta, sinceramente senti pena daquele ser amorfo.
Saímos com um sorriso na cara e o dinheirinho no bolso.
O meu irmão é muito cagalhoto em inúmeras situações, mas noutras lá se redime e torna-se num ser híbrido quase que, atrever-me-ei, interessante.
(embora indubitavelmente semítico e de uma avareza aflitiva, onde é que já se viu 10% a quem generosa e altruisticamente injectou o capital?)
Idiota, murmurarão vocês, enquanto se apiedam desta que aqui escreve.
Calminha, replicarei eu, molhando o indicador enquanto faço a contagem das notas.
Dez pessoas em roda de uma máquina virtual, nove literalmente apopléticas. De vez em quando ouvia-se um “P.. da máquina, que granda filha da p..., que m.. de máquina, f...-se que esta m... tá toda f..., c.. ma f..”. Nas primeiras vezes ainda me assustei mas à 6.º: “ SUA P... NÃO TE FICAS A RIR, MÁQUINA DE UM C.... VOU-TE PARTIR TODA, AI TÁS-TE A RIR TÁS A CRESCER PRA MIM???” e eu olho para o homem, colérico, a levantar a mão a um televisor como quem diz “vá, responde lá agora sempre quero ver o que é que dizes”, e o televisor, coitado, simplesmente a mostrar o jogo e susceptível de ser digitado para se efectuar a aposta, sinceramente senti pena daquele ser amorfo.
Saímos com um sorriso na cara e o dinheirinho no bolso.
O meu irmão é muito cagalhoto em inúmeras situações, mas noutras lá se redime e torna-se num ser híbrido quase que, atrever-me-ei, interessante.
(embora indubitavelmente semítico e de uma avareza aflitiva, onde é que já se viu 10% a quem generosa e altruisticamente injectou o capital?)
terça-feira, janeiro 23, 2007
Albânia -> Chelas
Há 2 anos atrás, Lisboa recebeu o encontro mundial juvenil de Taizé, no qual, num amoroso abraço ecuménico, se distribuiu várias nacionalidades por várias paróquias. Após 2 dias descobri, sem grande surpresa confesso, (esta minha alma esclarecida alumia-me os meandros mais obscuros da humanidade) que:
- Os italianos, suecos, finlandeses, holandeses, franceses e monegascos foram todos colocados na Linha de Cascais, nas paróquias, a título meramente exemplificativo, de Paço D´Arcos, Oeiras, Algés e Parede.
- Os romenos, moldavos, lituanos, ucranianos e tártaros da crimeia foram todos corridos a pontapé para a Damaia e a Reboleira, conhecendo inclusive dois polacos que foram repatriados para o Cacém.
Eu - ah e tal já repararam que mandaram os pobrezinhos para as zonas mais ranhosas? Os bielorussos ficaram todos num pequeno sotão do Pendão, os de Milão em luxosos aposentos nas casas estorilenses espraiadas à beira-mar.
Alguém ligeiramente ofendido e que não mora no município da capital: Então o que é que se retira do facto de 5 chechenos terem ido parar a Torres Vedras?
Olhei para ele, esbocei um sorriso amarelo (o que a juntar aos olhos auspicia mesmo uma valente anemia falciforme) e concluí que não havia saída. Eu e a minha grande boca suburbana.
- Os italianos, suecos, finlandeses, holandeses, franceses e monegascos foram todos colocados na Linha de Cascais, nas paróquias, a título meramente exemplificativo, de Paço D´Arcos, Oeiras, Algés e Parede.
- Os romenos, moldavos, lituanos, ucranianos e tártaros da crimeia foram todos corridos a pontapé para a Damaia e a Reboleira, conhecendo inclusive dois polacos que foram repatriados para o Cacém.
Eu - ah e tal já repararam que mandaram os pobrezinhos para as zonas mais ranhosas? Os bielorussos ficaram todos num pequeno sotão do Pendão, os de Milão em luxosos aposentos nas casas estorilenses espraiadas à beira-mar.
Alguém ligeiramente ofendido e que não mora no município da capital: Então o que é que se retira do facto de 5 chechenos terem ido parar a Torres Vedras?
Olhei para ele, esbocei um sorriso amarelo (o que a juntar aos olhos auspicia mesmo uma valente anemia falciforme) e concluí que não havia saída. Eu e a minha grande boca suburbana.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Mu
Auferido o precioso salário, aqui vou eu (fogo no rabo, - que rabo? – perguntará o costumado anónimo) directa à casa das malas. Ao fim de 4 meses de namoro a uma carteira linda de pele castanha, estico o American Express Platina e saio da loja radiante, abraçada à espécime com as beiças a tremer de felicidade.
À noite vou ao cinema, mas como entretanto haviam esgotado os bilhetes para o “Scoop”, lá entro, meio contrariada, no único filme disponível aquela hora: “Geração Fastfood”. Arrepiando caminho, esclareço que no final fui obrigada a visionar uma cena de abate bovino, no qual se viam vacas a serem içadas por uma perna num prelúdio de acto homicida e assisti a todo um ciclo produtivo que ocorre no matadouro.
Após 10 minutos de membros estraçalhados, de olhos obliterados, litradas de sangue jorrado e pele arrancada, fico meio tonta e levanto-me.
Olho para a mala nova, nem 24 horas na minha posse, e, agarro-a enojada com a pontinha de dois dedinhos, pedindo mil perdões ao animal que ali jazia.
Acto contínuo, passo pela zona de restauração e fiquei louca a salivar por um duplo cheeseburger.
Comi-o e já é oficial, sou um ser humano totalmente execrável.
À noite vou ao cinema, mas como entretanto haviam esgotado os bilhetes para o “Scoop”, lá entro, meio contrariada, no único filme disponível aquela hora: “Geração Fastfood”. Arrepiando caminho, esclareço que no final fui obrigada a visionar uma cena de abate bovino, no qual se viam vacas a serem içadas por uma perna num prelúdio de acto homicida e assisti a todo um ciclo produtivo que ocorre no matadouro.
Após 10 minutos de membros estraçalhados, de olhos obliterados, litradas de sangue jorrado e pele arrancada, fico meio tonta e levanto-me.
Olho para a mala nova, nem 24 horas na minha posse, e, agarro-a enojada com a pontinha de dois dedinhos, pedindo mil perdões ao animal que ali jazia.
Acto contínuo, passo pela zona de restauração e fiquei louca a salivar por um duplo cheeseburger.
Comi-o e já é oficial, sou um ser humano totalmente execrável.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Sexo forte? Isto?
Cenário idílico, o amanhecer numa falésia do Guincho. O meu namorado, com a sua voz forte mas timbre doce sussurra-me:
- Tens os lábios mais bonitos que já alguma vez vi.
Sorrio, envergonhada, incitando-o a continuar:
- E o teu narizinho perfeito, que eu sei que é teu, só teu, és senhora do teu nariz!
Eu coro, rindo-me baixinho e querendo ouvir mais;
- E os teus olhos..
Soergue-me o queixo, cuidadosamente, olhando-me nos olhos com uma doçura infinita:
- E os teus olhos..
Olhar mais atento
- Estranho, os teus olhos são...são amarelos, têm em baixo uma bolsa de gordura, tipo sebo saturado. Tens que ver isso, olhos amarelados não pode ser coisa boa. Será que é contagioso? Que horror, é que são mesmo amarelados!
Honra e bom proveito não cabem em saco estreito. Irada virei costas ao ocaso e obriguei-o a levar-me a casa.
- Tens os lábios mais bonitos que já alguma vez vi.
Sorrio, envergonhada, incitando-o a continuar:
- E o teu narizinho perfeito, que eu sei que é teu, só teu, és senhora do teu nariz!
Eu coro, rindo-me baixinho e querendo ouvir mais;
- E os teus olhos..
Soergue-me o queixo, cuidadosamente, olhando-me nos olhos com uma doçura infinita:
- E os teus olhos..
Olhar mais atento
- Estranho, os teus olhos são...são amarelos, têm em baixo uma bolsa de gordura, tipo sebo saturado. Tens que ver isso, olhos amarelados não pode ser coisa boa. Será que é contagioso? Que horror, é que são mesmo amarelados!
Honra e bom proveito não cabem em saco estreito. Irada virei costas ao ocaso e obriguei-o a levar-me a casa.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
É idiota, ´tás a ver?
Fui hoje à minha primeira consulta de pré-operatório oftalmológico num hospital público.
Entrei lá às 9h30, a hora previamente marcada, e fui atendida às 13h15.
Mal entro vejo um médico novo, de rosto irado e olhos coléricos.
- ESTÃO A CHAMAR POR SI DESDE AS 9 HORAS!!! PARA A PRÓXIMA ESTEJA MAIS ATENTA! FRANCAMENTE!!!
Dos grasnidos que coligi pareceu-me ainda que me chamou um ou outro nome, de qualquer forma fiquei a titubear porque algo ali me transcendia.
- Mas eu ... – inicio
- Estou a brincar Susana! Estou só a brincar - ri-se enquanto me aperta a mão vigorosamente.
Já não é muito normal um desconhecido fazer-nos isto.
Já não é muito normal um desconhecido licenciado em Medicina fazer-nos isto.
Mas alguém cometer semelhante acto (muito espirituoso, por sinal) a quem esteve 3 anos, repito, três (três) anos em lista de espera é completamente suicida.
Olhei para o espelho das letras e apeteceu-me quebrar-lho em pleno crânio. Desviei a atenção para uns óculos garrafais com dois kgs de lentes e imaginei-os desferidos sobre um baixo ventre desprevenido.
Respirei fundo e sorri falsamente (tenho uns olhos miseráveis mas um sorriso amoroso).
Estranho pensar que colocarei a minha visão à mercê de um ser humano que literalmente NÃO VÊ, nem com uma lupa multifocal, que é o palerma do hospital.
Entrei lá às 9h30, a hora previamente marcada, e fui atendida às 13h15.
Mal entro vejo um médico novo, de rosto irado e olhos coléricos.
- ESTÃO A CHAMAR POR SI DESDE AS 9 HORAS!!! PARA A PRÓXIMA ESTEJA MAIS ATENTA! FRANCAMENTE!!!
Dos grasnidos que coligi pareceu-me ainda que me chamou um ou outro nome, de qualquer forma fiquei a titubear porque algo ali me transcendia.
- Mas eu ... – inicio
- Estou a brincar Susana! Estou só a brincar - ri-se enquanto me aperta a mão vigorosamente.
Já não é muito normal um desconhecido fazer-nos isto.
Já não é muito normal um desconhecido licenciado em Medicina fazer-nos isto.
Mas alguém cometer semelhante acto (muito espirituoso, por sinal) a quem esteve 3 anos, repito, três (três) anos em lista de espera é completamente suicida.
Olhei para o espelho das letras e apeteceu-me quebrar-lho em pleno crânio. Desviei a atenção para uns óculos garrafais com dois kgs de lentes e imaginei-os desferidos sobre um baixo ventre desprevenido.
Respirei fundo e sorri falsamente (tenho uns olhos miseráveis mas um sorriso amoroso).
Estranho pensar que colocarei a minha visão à mercê de um ser humano que literalmente NÃO VÊ, nem com uma lupa multifocal, que é o palerma do hospital.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Anita vai ao grego
No Sábado passado fui a um jantar a casa de uma amiga, refeição essa que haveria de consistir num prato normal, cozinhado pela anfitriã, e um outro vegetariano, elaborado por um nosso amigo.
Quando entro na sala deparo-me com um cenário retirado directamente do 2.º capítulo do Génesis:
De um lado um tabuleiro delicioso de bacalhau com natas, com parmesão gratinado e acabamentos de luxo.
Do outro lado, um tabuleiro com meia dúzia de alcachofras, quatro beringelas e umas susbtâncias mortas que boiavam reluzentes atreladas a um par de grelos regados a vinagrete. Pareceu-me ainda vislumbrar (mas não garanto) uma anémona do mar viva com duas lentilhas a fazer de corninhos e um inverterbrado indecifrável que variava entre um cavalo-marinho e um peixe-abrótea há muito em decomposição.
Ah pois, e aqui o dilema bíblico... perante aquela mesa dividida, no fundo nada mais que a árvore da ciência do Bem e do Mal, que fazer?
- ferir susceptibilidades de um mui amigo vegetariano e dedicado, e alambazar, regalada, o meu bandulho naquele tentador bacalhau gratinado?
- Ferir susceptibilidades do meu nobre estômago e comer o que a mim, à vista desarmada, se me assemelhava a algo muito perto de cócó? (a dignidade da minha amiga estava, desde há muito, assegurada, pois um bando de indigentes esfomeados clamavam pelo bacalhau desde que lhe tinham posto a vista em cima)
Enfim, perante a questão, tomei a que me parecia ser a melhor e mais equitativa solução: comer um pouco de cada um dos pratos.
Adianto que o bacalhau soube-me a nêsperas, os grelos a cevada e nem com meio litro de tisana Pleno fiquei recomposta da violência a que submeti o meu sistema digestivo. Por segundos, visualizei o suco peptídeo a descer, fumegante, o meu duodeno, e então assomou-se-me tudo à boca à laia de represália.
Se tentarmos agradar a todos o mais provável é acabarmos com a cara ou o rabo na sanita, por isso, jovens deste país, não sejam provincianos como eu e tenham a hombridade de, perante semelhante situação, dar um passo em frente e, mão ao peito, olhar no horizonte afirmar: “amigos amigos, comezainas à parte. Eu opto pelo bacalhau e digo NÃO às beringelas”.
Quando entro na sala deparo-me com um cenário retirado directamente do 2.º capítulo do Génesis:
De um lado um tabuleiro delicioso de bacalhau com natas, com parmesão gratinado e acabamentos de luxo.
Do outro lado, um tabuleiro com meia dúzia de alcachofras, quatro beringelas e umas susbtâncias mortas que boiavam reluzentes atreladas a um par de grelos regados a vinagrete. Pareceu-me ainda vislumbrar (mas não garanto) uma anémona do mar viva com duas lentilhas a fazer de corninhos e um inverterbrado indecifrável que variava entre um cavalo-marinho e um peixe-abrótea há muito em decomposição.
Ah pois, e aqui o dilema bíblico... perante aquela mesa dividida, no fundo nada mais que a árvore da ciência do Bem e do Mal, que fazer?
- ferir susceptibilidades de um mui amigo vegetariano e dedicado, e alambazar, regalada, o meu bandulho naquele tentador bacalhau gratinado?
- Ferir susceptibilidades do meu nobre estômago e comer o que a mim, à vista desarmada, se me assemelhava a algo muito perto de cócó? (a dignidade da minha amiga estava, desde há muito, assegurada, pois um bando de indigentes esfomeados clamavam pelo bacalhau desde que lhe tinham posto a vista em cima)
Enfim, perante a questão, tomei a que me parecia ser a melhor e mais equitativa solução: comer um pouco de cada um dos pratos.
Adianto que o bacalhau soube-me a nêsperas, os grelos a cevada e nem com meio litro de tisana Pleno fiquei recomposta da violência a que submeti o meu sistema digestivo. Por segundos, visualizei o suco peptídeo a descer, fumegante, o meu duodeno, e então assomou-se-me tudo à boca à laia de represália.
Se tentarmos agradar a todos o mais provável é acabarmos com a cara ou o rabo na sanita, por isso, jovens deste país, não sejam provincianos como eu e tenham a hombridade de, perante semelhante situação, dar um passo em frente e, mão ao peito, olhar no horizonte afirmar: “amigos amigos, comezainas à parte. Eu opto pelo bacalhau e digo NÃO às beringelas”.
sábado, janeiro 13, 2007
Lol.
Esta semana, para não variar, encontrava-me na sala de trabalho partilhada com os restantes sub-30, quando, no meio da costumada demência infantil e graçolas despropositadas, ouve-se uma frase lançada não só com sotaque germânico mas com a seriedade que lhe é acoplada:
" AS AFTAS ARRRDEM E AS FRRRRRRIDAS IDEM"
Aquele gentio todo riu-se em uníssono.
Eu sorrio e acrescento: "ah, é coincidência não é? que quer dizer em alemão?"
Silêncio sepulcral na sala.
"Estou a gozar" - esclarece-me pacientemente a autora da piada hilariante. "É como dizer Sida em japonês - iraokumata"
Silêncio (meu)
Enfim, é a geração que temos, de invulgar, aguçada e acutilante inteligência social. De um humor cirurgicamente mordaz e requintado.
Requiem pela Função Pública.
" AS AFTAS ARRRDEM E AS FRRRRRRIDAS IDEM"
Aquele gentio todo riu-se em uníssono.
Eu sorrio e acrescento: "ah, é coincidência não é? que quer dizer em alemão?"
Silêncio sepulcral na sala.
"Estou a gozar" - esclarece-me pacientemente a autora da piada hilariante. "É como dizer Sida em japonês - iraokumata"
Silêncio (meu)
Enfim, é a geração que temos, de invulgar, aguçada e acutilante inteligência social. De um humor cirurgicamente mordaz e requintado.
Requiem pela Função Pública.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
ESTC
Ontem fui à Escola Superior de Teatro e Cinema, na Amadora. Se eu fosse de fazer intrigas quase que diria que:
- ou tinha sido violentamente abduzida e estava nos confins de outra galáxia
- ou, e numa perspectiva mais modesta, em pleno ensaio geral de uma pantomina do Cantiflas. (das piores, as últimas de 1970).
Depois de quase ter morrido de susto quando avistei uma rapariga literalmente igualzinha ao Aladino, com umas pantufas pontiagudas e umas calças de balão, apaguei-me definitivamente quando choquei de frente com uma miúda com umas gigantescas galochas vermelhas de verniz , com chapéu de guizos amarelo a condizer.
Com as minhas calças de vinco, casaco preto e botas de salto senti-me uma doente externa do Amadora Sintra. Mas esperei pacientemente pela minha amiga e fiz o ar mais composto que consegui.
Até ver um professor com umas peúgas da serra da estrela pelos joelhos, calçando uns All Star castanhos com umas línguas de fogo. Aí benzi-me e fugi escola fora, só parei na estação e escondi-me atrás de um congolês. Senti-me infinitamente mais segura.
- ou tinha sido violentamente abduzida e estava nos confins de outra galáxia
- ou, e numa perspectiva mais modesta, em pleno ensaio geral de uma pantomina do Cantiflas. (das piores, as últimas de 1970).
Depois de quase ter morrido de susto quando avistei uma rapariga literalmente igualzinha ao Aladino, com umas pantufas pontiagudas e umas calças de balão, apaguei-me definitivamente quando choquei de frente com uma miúda com umas gigantescas galochas vermelhas de verniz , com chapéu de guizos amarelo a condizer.
Com as minhas calças de vinco, casaco preto e botas de salto senti-me uma doente externa do Amadora Sintra. Mas esperei pacientemente pela minha amiga e fiz o ar mais composto que consegui.
Até ver um professor com umas peúgas da serra da estrela pelos joelhos, calçando uns All Star castanhos com umas línguas de fogo. Aí benzi-me e fugi escola fora, só parei na estação e escondi-me atrás de um congolês. Senti-me infinitamente mais segura.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
A Velhice
A semana passada recebi uma chamada da minha avó, que me comunica numa voz sofrida:
“Susana, hoje faltou a água, eu ando esquecida e não fechei a torneira, quando cheguei a casa tinha a cozinha toda inundada e agora certamente que estraguei a loja de baixo, só tem televisões e rádios, com certeza que nada se aproveita e eu vou ter que pagar tudo”.
Fez uma pausa e adiantou: “Não te preocupes que não vou deixar dívidas, vendo a minha casa e alugo um quartinho barato”.
Fui logo ter com ela, que, ainda em estado letárgico e agarrada a um terço, rezava condoída uns responsos e arranjava forças para começar o encaixotamento dos seus pertences.
Dirigi-me à tal loja dos electrodomésticos. O homem tinha apenas a soleira da porta pingada e mesmo assim quase que aposto que foi o “Jacob”, canídeo do homem do talho em pleno processo de marcação de território.
Depois de saber que não, não tinha que alugar um quartinho, revigorou-se-lhe a alma e, como qualquer velho que se preze, apressou-se a desancar a Junta, a Carris, o homem do talho e a Caixa Nacional de Pensões (já eu não ser metida ao barulho foi mero golpe de sorte).
Despedi-me com dois beijinhos: “a velhice não perdoa..” – ri-me
“Panela velha é que faz comida boa” - retorquiu
“Gaba-te cesto que..”
“Pimenta no cu dos outros é refresco.” – interrompeu-me, altiva, fechando-me a porta na cara.
É a riqueza da neta, esta minha avó.
“Susana, hoje faltou a água, eu ando esquecida e não fechei a torneira, quando cheguei a casa tinha a cozinha toda inundada e agora certamente que estraguei a loja de baixo, só tem televisões e rádios, com certeza que nada se aproveita e eu vou ter que pagar tudo”.
Fez uma pausa e adiantou: “Não te preocupes que não vou deixar dívidas, vendo a minha casa e alugo um quartinho barato”.
Fui logo ter com ela, que, ainda em estado letárgico e agarrada a um terço, rezava condoída uns responsos e arranjava forças para começar o encaixotamento dos seus pertences.
Dirigi-me à tal loja dos electrodomésticos. O homem tinha apenas a soleira da porta pingada e mesmo assim quase que aposto que foi o “Jacob”, canídeo do homem do talho em pleno processo de marcação de território.
Depois de saber que não, não tinha que alugar um quartinho, revigorou-se-lhe a alma e, como qualquer velho que se preze, apressou-se a desancar a Junta, a Carris, o homem do talho e a Caixa Nacional de Pensões (já eu não ser metida ao barulho foi mero golpe de sorte).
Despedi-me com dois beijinhos: “a velhice não perdoa..” – ri-me
“Panela velha é que faz comida boa” - retorquiu
“Gaba-te cesto que..”
“Pimenta no cu dos outros é refresco.” – interrompeu-me, altiva, fechando-me a porta na cara.
É a riqueza da neta, esta minha avó.
domingo, janeiro 07, 2007
A mete nojo
Esta semana fui chamada como SOS para acudir a uma boa amiga que tinha ficado sem namorado, do qual gosta imensamente e sem o qual não perspectiva vida futura alguma.
Estrada fora, a 150 à hora, lá chego a casa dela onde a encontro lavada em lágrimas.
Bla bla bla, pieguice para aqui, miminho para ali " e deixa estar que assim ficas melhor", "és uma mulher fantástica, vais ser muito feliz", até que ela, no meio de um soluço entrecortado e antes de um suspiro mais prolongado me diz:
"pois, e agora parece que toda a gente tirou a semana para me chatear, o editor da FHM inglesa já me mandou nao sei quantos e-mails para eu ser capa em Março, já estou cansada de tanta conversa e propostas de reunião".
E eu, o mais pausadamente que consegui, arfando ligeiramente até não conseguir respirar de todo: "Desculpa?... capa de Março da FHM inglesa?"
"Sim, que cena burgessa, já viste? como se eu não tivesse mais em que pensar"
A sério, nunca, em toda a minha larga existência, me apeteceu tanto partir os dentes a alguém.
E lá ficou ela, com o seu mega corpo de sonho a marinar o seu desgosto.
Estrada fora, a 150 à hora, lá chego a casa dela onde a encontro lavada em lágrimas.
Bla bla bla, pieguice para aqui, miminho para ali " e deixa estar que assim ficas melhor", "és uma mulher fantástica, vais ser muito feliz", até que ela, no meio de um soluço entrecortado e antes de um suspiro mais prolongado me diz:
"pois, e agora parece que toda a gente tirou a semana para me chatear, o editor da FHM inglesa já me mandou nao sei quantos e-mails para eu ser capa em Março, já estou cansada de tanta conversa e propostas de reunião".
E eu, o mais pausadamente que consegui, arfando ligeiramente até não conseguir respirar de todo: "Desculpa?... capa de Março da FHM inglesa?"
"Sim, que cena burgessa, já viste? como se eu não tivesse mais em que pensar"
A sério, nunca, em toda a minha larga existência, me apeteceu tanto partir os dentes a alguém.
E lá ficou ela, com o seu mega corpo de sonho a marinar o seu desgosto.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Evitem a nacional 2
Vou hoje de viagem para Portimão.
Na mala, para além do secador novo da Rowenta, das botas, tops e cereais da Kelog´s levo:
- trivial pursuit
- party & co
- uno (sweet jesus)
- pictionary (junior!)
- e 3 jogos para a playstation
Palavra de honra,(psiu, calem-se) ainda há uns meses me mortificava por ir fazer a provecta idade de 26 anos mas descobri, afinal, que há muito tempo que estou acabada.
Por favor, abstenham-se de contar o quão acelerada foi a vossa passagem de ano. Qualquer relato de episódio mais excitante do que jogar três rodadas do "keimps" a pares será considerado uma afronta à parca dignidade da autora deste blogue.
Até para o ano, que nenhum de nós seja estatística.
Na mala, para além do secador novo da Rowenta, das botas, tops e cereais da Kelog´s levo:
- trivial pursuit
- party & co
- uno (sweet jesus)
- pictionary (junior!)
- e 3 jogos para a playstation
Palavra de honra,(psiu, calem-se) ainda há uns meses me mortificava por ir fazer a provecta idade de 26 anos mas descobri, afinal, que há muito tempo que estou acabada.
Por favor, abstenham-se de contar o quão acelerada foi a vossa passagem de ano. Qualquer relato de episódio mais excitante do que jogar três rodadas do "keimps" a pares será considerado uma afronta à parca dignidade da autora deste blogue.
Até para o ano, que nenhum de nós seja estatística.
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