sábado, março 06, 2021

Tchau Blogue! Em 2006 toquei-te com 245 posts, em 2020 com 3! Não és tu... nem eu. É o desgaste próprio das relações (agora tenho um site, mais jovem e mais apelativo). Sem ressentimentos, espero.

 

Um “blogue”, nos tempos hodiernos, caiu em desuso.  Fui esclarecida (dolorosamente) por vários nativos digitais, vulgo Geração Z (e que hoje têm a mesma idade que eu tinha quando fiz o blogspot - lágrima saudosa),

que esta plataforma de comunicação, situa-se ali por entre a 3ª Revolução Industrial (entre a fase da central hidroelétrica e a do motor de combustão interna); mas não mais avançado que isso (portanto, muito atrás das Tecnologias 4.0. onde, aparentemente, hoje estamos).

Note-se que o meu paupérrimo legado chama-se “Salsicha não te desgraces”. Não tenho quaisquer aspirações a singrar no Sistema M2M (“Machine to Machine”. Não googlem, ficarão ainda mais confusos, tal como eu).

Ainda assim, disse-me o brio profissional (que o tenho, sou geração X – nova lágrima), que devia fazer um site. Ei-lo:


https://salsichanaotedesgraces.pt/

(Tenho cá para mim que não dá para carregar directamente neste link. Geração X 4ever)




domingo, fevereiro 21, 2021

Estudo em casa #só que não

 Há uns meses atrás, em ambiente pandémico, fui incumbida de esclarecer umas questões mais nebulosas, relacionadas com problemas do #estudo em casa. Mui responsavelmente, tive que chamar à colação diversas entidades.

Desfaço-me em telefonemas (o problema é actual e não se compadece com esperas de emails nem cartas registadas);

e, contrariamente às minhas expectativas, no que se revelou ser uma experiência de realidade paralela eu, em dois dias consegui falar com todos os intervenientes! Todos! Logo eu, que levo baile de todas as telefonistas dos tribunais da comarca de Lisboa, que me desligam o telefone na cara,

consegui encetar imediatamente sério diálogo com o Ministério, Direcção Geral disto, Inspecção-Geral daquilo, Institutos e afins. Oficialmente, sou uma gaja cheia de expediente, esperta que nem um alho.

Faltavam-me unicamente duas pessoas, uma com uma Associação de surdos e uma Associação de Migrantes não sei de onde.

Note-se, eu vinha com uma grande moral.

Ligo para a Associação dos surdos lá das Berlengas,  uma vez que o presidente de direcção tinha umas explicações sérias para dar... Atende-me uma senhora e eu identifico-me.

 - E eu QUERO (repare-se que eu NUNCA uso a palavra “quero”, mas sim “gostaria”,  eu estava claramente possessa) falar com o Dr. …, ele está ?

 -Hum,  deixe-me ver…já chegou– respondeu secamente. – Mas ele não a pode atender. O Sr. Dr….

- EU não tenho muito tempo,  é urgente, é do interesse DELE falar comigo!

- Mas repita, quem é a Sra., por gentileza? – pergunta.

- Já lhe disse o meu nome.

- Sim, mas o que faz?

- Quer ir por aí? Se eu for APENAS UMA MÃE já não me atendem, é? (credo, imbuída de puro poder)

- Não tem nada a ver…só estav…

- Então identifique-se, por favor, para eu esclarecer no relatório quem foi que me impediu de falar com o Dr…

- Eu não a impedi, eu simpl… -

Ai a merda, pensei. Já se ia justificar com desculpas, a ranhosa!! Mas eu estava imparável, em modo de justiceira autoritária:

- O Dr. está, passe a chamada se fizer o obséquio.

- Olhe minha senhora eu, até passava, mas o Dr … É SURDO! Mande e-mail, adeus e boa tarde.  

E desligou-me o telefone na cara. ARGGGGGHHH maior vexame da minha vida!

 

O meu Eu Interior:



 

sexta-feira, novembro 20, 2020

Parabéns, meu Harry Houdini



Hoje o meu marido Pedro faz 42 anos. Diz que eu sou a 5.ª filha dele, como negar? 

Sou mesmo uma frescura.

Foi há 2 anos, quando ele fez 40 anos, que eu fiz-lhe uma festa surpresa num espaço muito aprazível: o antigo bar da Belle Dominique (que  tem ideias bestiais, quem é?). Então Pedro sobe para cima do palco do bar, rodeado pelos amigos mais próximos e alguma família, todos sentadinhos numa plateia de amorosas cadeiras de madeira, tipo escola-primária,

Dá um grande suspiro, agradece a presença de todos e começa um discurso que desperta a particular atenção da plateia.

Ele pigarreia e diz que espera que - “esta tenha sido a primeira metade da minha vida” (fiz uma apressada operação mental e assenti, viver 80 anos parece-me bastante razoável).

Havia um certo remexer nas cadeiras, provavelmente pela utilização de palavras como: “falecer”, “meio da vida“, “gerações vindouras” e “cromado em forno de lenha”.

Basicamente, começa por dizer que está grato pela vida que tem. Que não poderia desejar mais. (Os meus olhos tremelicam ligeiramente, comovidos). Continua dizendo que se sente grato pelo seu dia-a-dia, que é muito importante viver o presente, feliz com o que se tem. Porque o presente é o Agora: o passado já foi, e o futuro ainda não existe.

Continuo a fitá-lo com tamanho amor, tal como a minha cadela Yupi me mirava quando eu lhe descascava uma maçã e lhe dava à boca (com aqueles dentinhos tão branquinhos e hálito tão quentinho, que fofura Meu Deus), coisa que hoje NÃO FAÇO NEM AOS MEUS FILHOS! Eu lá tenho tempo para descascar frutas, a vitamina está é na casca.

E de repente, a voz dele embarga-se. Quer dedicar uma palavra especial à pessoa que o tem acompanhado nestes anos. E que espera que o acompanhe até ao fim da vida: idosos, felizes com a prole. Juntos numa vida preenchida de boas memórias.

Quem me conhece sabe que esta desenvoltura toda que aparento esconde, na realidade, a minha brutal timidez. Por isso, quando ele diz isto, sinto uma dor de barriga, e a última coisa que quero fazer é ir para cima do palco. Tenho os intestinos revolvidos, e rompi as collants naqueles lanhos das cadeiras de madeira. O panorama geral não tinha a sexyness mínima exigida e eu não alego de improviso.

Começo a escorregar discretamente na cadeira, da maneira mais elegante que uma pessoa que está a recuperar de uma gravidez de 30 kg pode escorregar, que é: zero. Na realidade, não escorrego: descaio em solavancos, enquanto a Tininha me dá cotoveladas de emoção.

E eis quando o Pedro profere, com grande honorabilidade:

“Esta pessoa faz parte de mim.      Ela é metade de mim.          Esta pessoa…é o meu IRMÃO”.

?????

 

OPÁ , QUÉSTA MERDA?!     OLHA PIÇA PARA TI, OK?!!!!

As pessoas louvam, grande alvoroço. Enquanto aplaudem, os meus amigos olham também para mim, em risota contida, enquanto eu estou agonizante, a debater-me pela vida para subir outra vez na cadeira.

No fim da noite, perguntei discretamente se, por acaso, reflectindo melhor, para ele não existiria  um ex-aequo entre o irmão e eu.  Não. O irmão está com ele desde o dia zero da sua existência. 

Credo, isto é que juntar doutrina filosófica com teoria científica. Que mestria notável. (Sou muito competitiva, mas não posso alterar o facto de ser uma não-nascitura no ano de 1978). 

Não perguntei qual o meu lugar no seu sistema de pontuações. Mas, independentemente da posição, sei que sou importante o suficiente para ele me tentar assustar, fingindo que levitava. Eu realmente lá vi uma pantufa pelo ar, mas foi tão arcaico que deu dó. E tive que filmar.


Legenda: “ÉS TÃO RIDÍCULO!” (mas tão, tão sexy). Parabéns.




 




quarta-feira, agosto 05, 2020

CHÉQUIA: PARTE II

Continuação da Chéquia:

Depois de nos termos apercebido que o GPS-MARAVILHA nos presenteou com o caminho com MENOR NÚMERO de quilómetros mas, ao mesmo tempo, caminho em que levamos mais do DOBRO DO TEMPO -  num país que me pareceu, no mínimo, aterrorizante, e irmos por trilhos secundários supostamente para abreviar a viagem,

deixei de ter fé na Inteligência Artificial. A sério, defequei nisso tudo, o meu marido que peça o divórcio (maior acérrimo dessa trampa), quero lá saber, exijo mapas, ponto final.

Atravessámos assim a Eslováquia, a uns alucinantes 60km/h, em estradas de cabras, com veados a lançarem-se elegantemente de uma berma para a outra, tipo Companhia Nacional de Bailado. Fizemos contas: se uma reles mossa custava €800, passar a ferro um veado daqueles devia dar uns €7.200, mais a multa  adicional da polícia que nos proíbe de atropelarmos animais (?! –  normativo legal desnecessário, não…tipo: acidentes,já ouviram falar? Eu lá quero matar o bambi, manquem-se).

Ou seja, se aviássemos um desses  animais suicidas, teríamos não só que chorar as mossas do seguro, como desenvencilhar-nos do cadáver antes que chegassem as autoridades - que, aparentemente, pululam por todas as estradas secundárias daquele país, não me perguntem porquê (talvez porque efectivamente o filme de terror Hostel tem toda a razão de ser).

Caraças, por que motivo não fizemos o seguro extra…que idiotas…se o arrependimento matasse, ficávamos logo ali os 2 esticados.

A minha mãe nem se apercebeu que tínhamos ido parar à Eslováquia, e que não estávamos propriamente numa estável auto-estrada Viena-Praga a 160km/h. (mas realmente estranhou termos demorado 4h45, em vez das supostas 2h00 de viagem).

Na realidade, eu e o meu pai disfarçámos de forma exímia. Via pelo retrovisor que ele tinha o rosto crispado, e de vez em quando ficava com os olhos marejados - quando nos desviámos por milésimos de segundo de mais um sensato veado atirar-se para o outro lado da estrada.

 É oficial, o animal mais estúpido do mundo é a minha gata Nina, e em honroso segundo lugar, TODOS os  veados da Eslováquia (Ao que consta os da Chéquia são bem mais evoluídos).

O meu irmão e a desgraçada da minha cunhada, grávida de 40 semanas e 2 dias, ainda nos aguardavam, exauridos emocionalmente (lembrem-se que tínhamos perdido o voo das 7h da manhã, sendo que chegámos a este simpático país às 5h30 da manhã do dia seguinte!).

Chegámos mortos de vergonha, mortos de fome e mortos de medo das multas, porque o meu pai de vez em quando perdia a cabeça e acelerava até aos 70km (fiou-se nas margens de tolerância. Deu merda, claro. Recebeu as multas em Março).

Eu fiquei em choque com o frio, com o facto da minha cunhada ser daquelas grávidas que se saracoteiam escada acima escada abaixo, sem arfar uma única vez. E eu ainda não tinha visto nada. Mas quando digo nada, é mesmo nada.

Visitámos o museu dos sapatos, e ao fim de 2h30 juro que tive que me sentar. Ela lá cirandava alegremente, a mostrar botas dos cossacos e sapatilhas do Homem das Neves.

Bem, a estoica Erika esteve grávida até às 42 semanas e 2 dias. Até que, já com 2 voos desmarcados, e o terceiro iminente, eu e a minha mãe entreolhámo-nos e lançámo- nos aos tornozelos inchados dela e pedimos-lhes pelo AMOR DE DEUS E JESUS CRISTO, para induzir o parto.

Tive sorte porque ela é católica e comoveu-se, é que a República Checa é o 5.º país do MUNDO com maior número de ateus!

Uma indução de 2 dias. Credo. Acho que os nasciturnos  pressentem que é um país gélido e agarram-se às paredes do útero. E assim nasceu a tão esperada bebé!! Linda, olhos azuis deliciosos (recordo que o meu irmão é um estranho misto de argelino com mauritano, nada contra, gente honesta).

Claro que o nome gerou discórdia. O meu irmão sempre sonhou ter uma Leonor (adoro betos do gueto). Problema: Leonor é a maior marca de detergentes da roupa na Chéquia! Ahaha,  o que eu me desconchavei a rir quando soube de semelhante coisa.

Após mediação familiar, tratados de paz e idas ao notário, ambos concordaram em chamar-lhe Isabella. Justíssimo.

Eu fico é em choque quando descubro que na Chéquia os bebés têm unicamente o nome do pai! Se fosse eu a grávida tuga casada com um checo…fugia logo com o bebé nos braços, placenta pelas pernas abaixo, e ia a correr a sete pés para o consulado de Portugal.  

Horas depois beijocámos a Isabella Alexandre toda, e fomos a correr para a Áustria pela auto-estrada certa. O carro  estava impecável, entrámos no avião a horas.

E aí…O HORROR.

Vi um vídeo que a minha mãe tinha recebido pelo WhatsApp e NÃO TINHA REPARADO (simplesmente o nascimento da neta, nada digno de nota).

Então é assim: o chanfrado do meu irmão filmou o PARTO TODO; nós  vimos tudo! (logo eu que tenho horror a vaginas escancaradas como sabem), intraduzível: um cenário dantesco de sangue no chão, cabeça felpuda a emergir e gritos, imensos gritos. Para terminar em beleza, a médica fala com o meu irmão em checo, ele fica todo contente, põe o telemóvel sabe Deus onde, coloca-se defronte da desgraçada da grávida/puérpera, puxa a Isabella pelos ombros e SACA-A DA VAGINA DA MÃE!! COM AS PRÓPRIAS MÃOS!

Liguei em pânico à Erika e avisei-a que havia um vídeo com tudo à mostra! Ela, ser humano adorável, gentil, bondoso, respondeu calmamente “no problem”.

Estamos em Agosto e ainda tenho pesadelos. O meu pai não fala sobre o sucedido, ficou contemplativo (mecanismo de negação?).  Aposto que não volta a engravidar a minha mãe.



sábado, maio 09, 2020

Chéquia: Parte I


O meu irmão foi pai, em Janeiro de 2020. Sim, choque. Para quem foi acompanhando o blogue, eu sei … ele era apenas uma criança estúpida presa no corpo de um rapaz feio, mas realmente cresceu e já tem 35 anos. Há uns anos enamorou-se de uma checa, foi viver para aquele país que, aos olhos dele, é simplesmente soberbo. Adiante.

Eu nunca tinha lá ido: sem filhos, fui a destinos que me eram mais aprazíveis; com filhos, e após a peregrina aventura de ter ido aos estúdios do Harry Potter em Londres (sonho de pré-adultez), e ter ficado uma semana com 3 menores; não faço ideia como é que alguém se aventura a ir mais longe que Badajoz. 

Eu e os meus pais marcámos viagem para Viena, aeroporto equidistante do de Praga, mas mais económico. Com relutância, lá marco para 3 dias após a data prevista para o parto. Por mim teria ido logo às 38 semanas, para a apanhar ainda grávida que nem um pote e assistir a tudo desde o início, com um baldezinho médio de pipocas.

O voo era às 7h30 da manhã, por isso na noite anterior vou para casa dos meus pais. Ahh que bom regressar ao meu antigo quarto, longe de casa, sem guerras para mediar e casas de banho para inspeccionar e estar simplesmente sozinha.

Deito-me na minha antiga cama e tento ver televisão. Choque. NÃO VEJO! Literalmente não vejo, as legendas são minúsculas, a minha televisão é para lá de pré-histórica e eu vou fazer 40 anos.

Nessa madrugada acordamos, vamos para ao aeroporto com uma larga antecedência: o meu pai é o monarca da pontualidade. Lá andámos a ver souvenirs - umas latas de sardinha giras, queijadas de Sintra, ginginhas e vamos para o gate.

Zona de embarque deserta - não me admira, o tuga é sempre aquele atraso de vida…

Não, esperem, somos informados que NÓS acabámos de perder o avião.

A minha mãe ia tendo um enfarte, que constrangimento alheio meu Deus, o meu pai fica perturbadoramente calado (recriminando-se interiormente), e eu fico traumatizada, a segurar a minha mãe e a pensar no anunciado mega jantar checo prometido pelo meu irmão.

Eu sei que ainda eram 7h da manhã, mas só via deliciosos acepipes a passarem em câmara lenta à minha frente. Ainda por cima havia uma enxurrada de gente checa para nos receber em festa, com fanfarra de majoretes e foguetes. QUE VERGONHA.

Bilhetes novamente comprados, um dia inteiro no aeroporto (dali já ninguém arrancava o meu lastimoso pai), ar miserável e às 19h embarcamos finalmente, rumo à Áustria.

Eu choro sempre nas descolagens e aterragens, e também vou boa parte do caminho em soluços entrecortados. Sim, faço parte do gang de gente estranha que não percebe que, estatisticamente, é mais provável morrer num acidente de carro do que de avião, pois este é MUITO MAIS SEGURO. É super seguro enquanto TUDO ESTIVER BEM com as rodinhas lá no ar, gaivotas distantes, os motores sem chamas, trem de aterragens com os fusíveis todos.

MAS, se acontecer alguma coisa, TENHO ZERO DE PROBABILIDADE DE NÃO MORRER, dá para perceber a diferença? Peço perdão se tenho o meu instinto de sobrevivência astronomicamente alto.

Choradeira voo todo, encostada a uma compreensiva alemã (os meus pais ficaram mais à frente, a fingirem que não me conheciam) - a minha mãe ainda olhava para trás de vez em quando para se rir, e depois cochichava com o meu pai e hilariavam-se para ali os dois. Sem ressentimentos. Aterrámos em Viena. Alugámos um carro e dois alertas sérios do funcionário do rent a car:

1.º Comprar a vinheta da auto-estrada na Republica Checa, logo na PRIMEIRA estação de serviço depois da fronteira. Coimas severas.
2.º- Aconselhável seguro extra, contra mossas no carro. Ri-me. O meu pai é anti-seguros, é um perfeccionista. Se é para conduzir, não só é para NÃO TER acidentes, como também ANTECIPAR AS ESTUPIDEZES dos outros condutores e evitá-los, sem que eles mesmos se apercebam. (Acho que os elementos clássicos da Natureza ou causas fortuitas não contam para o meu pai).      

Apesar de advertido do  IMENSO GELO existente nas estradas em pleno Janeiro, o meu pai é um homem prudente, mas confiante. Faz ponto de honra em não ter seguro suplementar. Então fica estipulado que cada mossa no carro serão 800€. Fair enough seus lambões, pensou o meu pai.

E lá vamos nós no carro, todos pipocas com destino a ZLIN, na República Checa. O meu pai liga logo o seu GPS, todo fancy e infalível, e pede que o co-pilote. A minha mãe estava ao lado dele, mas costuma atrapalhar mais que ajudar, por isso ele nem se deu ao trabalho de perguntar. (Digamos que eu ao pé da minha mãe sou um poço de serenidade, eficiência e atenção. Sim, é grave a esse nível - mas tem muitas qualidades, verão quais).

Lá vamos nós seguindo criteriosamente o GPS, o meu pai fez apenas uma vez o percurso Viena- Zlin, no carro do meu irmão, mas até reconhece alguns lugares, tudo jóia, o mundo é lindo.

Já eram 11h noite (ó jantar faustoso… cobicei-te tanto). Andámos, andámos, a porra da fronteira nunca mais chegava, a auto-estrada era lastimável. Andámos mais uns 45 minutos e finalmente passámos o que parecia ser uma zona limítrofe do pós-guerra. Fronteira?... Invulgar, no mínimo.

Pareceu-me ver polícias uniformizados, mas depois constatei que os funcionários do serviço do lixo também tinham uma farpela parecida. Ainda hoje não sei o que eram.

Uns camiões atravessados no que me parecia ser uma berma, roulottes de churros (fome, fome). Continuámos, um ambiente algo seboso, rodeados por uma zona florestal sombria, pouquíssima iluminação, estrada mal alcatroada. Estranho. Uns metros à frente, eis a estação de serviço onde teríamos que comprar a vinheta da auto-estrada checa.

Saio eu e o meu pai. Piso solo checo e só quero pedir desesperadamente um hamburger. Entramos numa estação de serviço completamente às moscas, com 4 metros quadrados. Escura, com um cheiro estranho. Já vi cenários de thrillers  BEM MAIS AMISTOSOS que este.

O meu pai aborda a funcionária, uma senhora muito simpática mas muito mal-parecida e,  por entre gestos - porque aparentemente ela NÃO PERCEBE NADA DE INGLÊS ( e o meu pai não domina ainda o checo, mas está a aprender),

Ele, numa sinalética adorável diz, friccionando polegar e indicador: “want to buy” e faz um quadrado com as mãos (vinheta), aponta para o chão e diz “Czech” e finge que conduz um volante.

Ela reage estranhamente. Acho que pensa que É UM ASSALTO. Realmente ele foi muito expressivo. Não me choca ele ter-lhe transmitido gestualmente: dá-me todo o teu dinheiro, senão ponho-te num caixão e enterro-te no subsolo checo e fujo a sete pés no meu carro.

E eu não tinha melhor apresentação, olheirenta, literalmente agarrada a um hamburguer (que ainda hoje não sei o que era porque não conseguia ler a embalagem e não tinha bonecos ilustrativos).

Então a senhora diz, apontando também para o chão: NO, NO CZECH!

Eu e meu pai entreolhámo-nos. Dirijo-me a ela com um mau pressentimento.
- NO CZECH?

- NO! – respondeu  -NO CZECH! Aponta novamente para o chão e grita: SLOVENSKO!

Viro-me para o meu pai. – Slovensko? Em que sentido?!

- Slovensko no sentido de: ESLOVÁQUIA! Estamos no PAÍS ERRADO!


Ó C´UM C…! Instinto de sobrevivência reage instantaneamente. Atenção: NADA CONTRA eslovacos/eslovaquienses:

MAS EU VI A MERDA DO FILME HOSTEL! NÃO ME LIXEM!! VAMOS MORRER TODOS!

 (ok, óbvio que sobrevivi para contar a história. Mas com que custo?)

FIM DA I PARTE




segunda-feira, abril 27, 2020

HIPERFOCO 2


Continuação:

Por quem sois, boa gente… então acharam que ERA EU na foto? Eu ainda NÃO FIZ A CIRURGIA e não, não ANDO ENROLADA EM CELOFANE .

No ano passado, fui então à consulta com o 1.º cirurgião, o tal que tinha a casa centesimal (não acredito que não sabia isto), a mais que o 2.º .

Eu até conheço bem o hospital, mas tenho-vos a dizer que o piso da cirurgia plástica reconstrutiva é diametralmente oposta do de obstetrícia ou ortopedia (pessoas distintas vs grávidas e coxos feios).

Foi a hora e meia mais emocionante que passei, à espera de uma consulta, em toda a minha vida. Todos se entreolhavam furtivamente, tentando perceber o que levaria cada um de nós ali. (Eu então, estava possessa, em modo de espionagem  soviética).

Eu bem que perscrutei (narizes, queixadas, mamas de uvas, carecas, flancos gorduchos), mas f…. que me caia aqui um raio, se aqueles filhos da mãe já não tinham sido todos intervencionados e iam às consultas de manutenção de pós-operatório.

Outra hipótese:  levavam, como eu, um mega body redutor (que me custou quase 150€, e que só uso em dias de suplício emotivo), e que escolhi precisamente para a consulta com o Professor Dr., para esta ser mais impactante (para ambos).

Chamam o meu número, levanto-me da cadeira, totalmente embalada a vácuo. Entrei radiosa na sala da consulta, nasci para a Tragicomédia.

O médico tinha exactamente a mesma cara de cu que aparecia na foto do site do hospital. Eu sabia tanta coisa da vida pessoal dele que chegava a ser ridículo. O tal escândalo, a solução encontrada pela Administração Hospitalar, a casa para arrendar em Oeiras e bem…a parte mais infantil do Hiperfoco: pedi ao Pedro para ver a facturação da Unipessoal dele, na base de dados empresarial eInforma (à conta disto descobri também a morada de casa).

De mim, ele só sabia o meu nome (!) (se é que tinha olhado para a agenda).

Pediu para me despir. Ainda hoje estou traumatizada por ter ido uma vez a um ortopedista (escrevi isto no blogue, em 2008), que me pediu para despir e para baixar as mãos até aos pés. Ora a minha pessoa, que ia somente queixar-se de uma hérnia nas costas, sabia lá que tinha que fazer exercícios e tirar as calças,

ficou ali com a alma doente e umas cuecas a dizer "follow me" bem no  MEIO DO RABO em letras vermelhas.

 https://salsichanaotedesgraces.blogspot.com/2008/11/?m=0   (o que eu já ri agora a reler isto),

Despi-me de uma assentada, super dramática. Baixo o heróico body até às ancas, Jessica Rabitt desaparece e fica Susana em modo de Anciã Africana Desnudada, e olho-o de frente, sem medo.

Vejo no olhar dele um lampejo muito, mas muito breve de surpresa. Os anos de experiência valem ouro, eu sempre disse. Mas os meus olhos de lince, atentos a qualquer reacção na pupila, não deixam escapar nada. Tive a confirmação que a minha situação clínica era, para ele, inesperada e séria.

Manuseou-me as mamas e, para minha surpresa, em vez de me levantar o avental da barriga, detém-se nos músculos por cima do umbigo. Estrafega-mos com as duas mãos.
   
- “ Quantas gravidezes? – inquiriu
- “Duas” - respondi (sei que parecem 14, mas foram apenas 2)
- “Quantos quilos ganhou?
- “Quase 30 em cada uma” 
-“Portanto 60 kgs ganhos, e 60 kgs perdidos.”

 Penso que beneficiaria de uma abdominoplastia, com transposição do umbigo e reparação músculo-aponevrótica.” CREDO.

- “ E o peito?” - perguntei
- “Uma redução mamária também é de ponderar, SE tiver problemas na coluna”.

Roleta russa de emoções. Por um lado fiquei a saber que lixei os músculos aponevróticos, sabe Deus o que isso é. Por outro lado, em relação ao peito, aquele “se” fez tanta diferença. Um brilhante cirurgião plástico (quiçá o melhor), a ajuizar que uma intervenção nas minhas mamas pelo umbigo (que por seu turno terá que ser transposto, medo, medo), só se justificaria caso me causassem dores! Oh Joy oh Happiness…

-  “Posso falecer nestas cirurgias?”
- “Sim, tem riscos associados”
- “Já lhe faleceu alguma paciente?”
-“ Sim”.

Silêncio.

-“Mas com comorbidades associadas, decorrentes de cirurgias bariátricas”.
- “Ok”. Saquei da agenda.”Para quando Prof.?”
- “Mas não quer pensar sobre o assunto”?
-  “Está pensado” (e estava, foi um pensamento processado num túnel vertiginoso do hiperfoco) - Dia 16 de  Dezembro, pode ser? As 2 cirurgias ao mesmo tempo?
- “Sim, mas não é o ideal”.
- “Mas pode?”
- “Sim”.

MARCADO. 

Consulta com 2.º cirurgião. Tudo muito similar ao 1.º hospital privado, com excepção da sala de espera, que era enorme e com toda uma panóplia de consultas de especialidade misturadas, não deu para perceber quem ia para o quê. Que pena.

Entrei, mandou-me logo deitar na marquesa. Era um homem muito, muito bonito, especialmente para quem está na antecâmara da sepultura (63 anos). Atirou-me as mamas para a direita e para esquerda. Levantou-me a barriga e espreitou.

Sentámo-nos. A conversa foi similar, embora este tenha dito que eu beneficiaria com a redução mamária, sem demais considerações.

- “Prof. Podemos já marcar na sua agenda, por favor” (ó Deus, só precisava de um poucochinho menos de impulsividade, um niquinho).
 - “Não quer pensar antes?”
- “Já pensei. Dia 16 de Dezembro?” (para ser ainda mais emocionante sair deste imbróglio).

MARCADO. Dois cirurgiões para o mesmo dia e sem qualquer estimativa cirúrgica. Sou oficialmente uma bomba-relógio. Entretanto, recebo o orçamento operatório de ambos. Um era ligeiramente mais caro que o outro, mas os dois muito próximos da  TOTAL INSUSTENTABILIDADE.

Choro um bocado e mando um email às respectivas assistentes a perguntar qual seria a estimativa monetária de apenas 1 cirurgia, a da barriga. Recebo os novos cálculos, limpo novamente as lágrimas, mas deito mãos ao trabalho. 

Num carpimento total, sofro, poupo dinheiro que sei que não conseguirei juntar até 16 de Dezembro, e por isso remarco a cirurgia, com ambos (óbvio), para o dia 16 de Abril.

Entrei num período profissional a que chamei “Honorários da Pança”, pois sempre que tinha um cliente novo ou extorquisse um antigo, focava-me em poupar uma percentagem para a cirurgia.

Com que médico?! Não me preocupei com isso, resolvo muito melhor os problemas sob total pressão. Continuei a adiar. Mas, em Março deste ano,  tinha a consulta com cada um dos anestesistas, de cada um dos cirurgiões. Chegara o momento.

Googlei-os novamente. Hiperfoco de 15 minutos para cada um. Pedi ajuda a Deus, pois sei que isto é assunto sério, embora pareça fútil e pedi orientação espiritual. 

Eis que descubro, no meio de tanta merdice internética, uma Dissertação de um médico brasileiro para a obtenção do grau de Mestre, cujo Orientador tinha sido o 1.º cirurgião.

A dedicatória era terna, sincera, agradecia a sua “Capacidade de análise do perfil dos seus alunos, pelo seu Dom no ensino da Ciência inibindo sempre a vaidade em prol da simplicidade e eficiência”. Por instinto, googlei e esta frase está escrita por praticamente TODAS as dissertações por esse Brasil fora ahahaah!! Zucas levados da breca!

Mas o TEMA captou-me a atenção. Não era copiado (por isso não posso transcrever aqui), mas era semelhante a: (…)Competitividade: OS REAIS FACTORES DE ESCOLHA”.

Ainda a rir-me por causa da dedicatória, escusei-me de ler os factores.... Deus iluminou o meu caminho com sentido de humor. À cautela, googlei o 2.º médico. Nada de agradecimentos plagiados, poucos Orientandos… era um bonitão, mas era uma seca.

Enviei um e-mail à assistente do 2.º cirurgião, menti com quantos dentes tinha na boca (Deus franziu o sobrolho) e cancelei a cirurgia.

A outra ficou marcada para dia 16 de Abril de 2020 e paguei, com o coração despedaçado, parte dela.

PUMBA! Vírus, China, mortes, quarentena, pânico, máscaras fpp3. (Eu sei que as minhas sinapses falham, que sou uma pessoa impulsiva e errática, mas sei reconhecer uma pandemia quando ela me explode na cara). 

Cirurgia desmarcada, claro. Estou de quarentena, cheia de saúde, cheia de fome e cheia de comida na despensa, local onde me desloco amiúde e escondo deliciosa comida dos miúdos (pães de leite, donuts, ovos da Páscoa Ferrero Rocher), atrás de pacotes de amido de milho e latas de feijão frade.

Não, eles não lêem este blogue. Só vêem Tik Tok. Comida em segurança. Pança a crescer vertiginosamente.


sábado, abril 25, 2020

HIPERFOCO. Adoro.


Em plena pandemia do COVID-19 (tão agradecida por não ter familiares nem amigos doentes!), e com o tlm sempre a tocar por causa dos reclusos que, já por si são psicóticos, mas com medo da infecção são totalmente passados dos carretos;

levo com  um recluso particularmente histérico…um  ex-stripper do Babilónia, revoltadíssimo, a exigir que eu envie um email à Direcção Geral dos Serviços Prisionais, porque acha que uma das cozinheiras daquela prisão, é uma grandessíssima porca e NÃO LAVA AS MÃOS! Fingi que enviei o e-mail, basta pôr um espaço a mais na dgsp.pt que o e-mail não é entregue. Mas tenho o comprovativo de envio. E ele fica tão feliz. TÃO BURRO E TÃO FELIZ.

Adiante, trago hoje um assunto muito pertinente para o mundo hodierno: A CIRURGIA PLÁSTICA. E sim, este é um post dirigido a mulheres e homens, porque implantes capilares também contam como intervenção e, além disso, o dinheiro também irá sair da vossa conta, quer se apercebam, quer não.

Desde o ano de 2000 que tomei a decisão de reduzir a peitaça.Até que, no ano de 2018, percebi que voos mais altos se levantavam /descaiam. L  Afinal, atenta a nova Mega Pança de Sacristão, o resto era um NÃO-PROBLEMA.  

 Eu tenho duas características super engraçadas, mas que me causam alguns transtornos.

A primeira é que, por um lado, o meu foco de atenção é muito difícil de controlar voluntariamente mas, por outro lado (que reverso da medalha emocionante!), – ( que até pode parece ser uma bênção, mas também pode dar em divórcio): se existir algo que me atraia e seja fonte de estimulação, entro em modo de HIPERFOCO e esqueço não só as minhas necessidades básicas, como tudo o resto (tostadeiras ligadas, bebés com fome, chichi reprimido).

 (Posso dizer que só escrevo no BLOGUE em modo de HIPERFOCO, sem Pedro por perto).

A 2ª característica é a minha IMPULSIVIDADE, que me leva a dizer sim a tudo que me propõem e ainda vou mais longe: EXIJO DATAS! Depois, é só ter uma trabalheira danada para desfazer o que fiz de errado (que, regra geral, é QUASE TUDO).

Isto para dizer que um dia destes,  entrei em  HIPERFOCO em relação à cirurgia plástica, nomeadamente à   ADBOMINOPLASTIA, de preferência com redução mamária.

Foi tudo numa questão de dias. Só não o foi numa questão de horas, porque as consultas demoram tempo (arghhh  ESPERAR, que coisa INSANA!!!).

Até tive a brilhante ideia de inscrever-me num grupo de apoio de cirurgias plásticas em Portugal. Aderi durante 2 dias, tempo necessário para perceber que tinha que fugir dali a sete pés: só existiam ali pessoas dementes, a cometerem erros ortográficos GRAVÍSSIMOS , sem noção da realidade, com perguntas infantis. E pior ainda eram as respostas, de pessoas igualmente dementes, e que (porcas!), já tinham feito as cirurgias e ali exibiam as suas fotos do antes e depois.

Daquele grupo de alienadas não retiraria nada de produtivo. Tinha que ser eu a tratar disto. Inicio as hostilidades:  

FASE 1 DO HIPERFOCO DA CIRURGIA PLÁSTICA:

Pesquisei TODOS os licenciados em MEDICINA entre os anos de 1980 até 1985 (décadas de experiência, desde que actualizadas, parece-me bem).Desses, separei os 15 médicos com a melhor MÉDIA na ESPECIALIDADE de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética (tive que avaliar com acuidade o curriculum vitae de cada um). 

Depois, escolhi os DOUTORADOS. Entretanto apurei que uns já tinham morrido, outros não exerciam, alguns eram muito mal-parecidos. Quedei-me com uns 7 ou 8. Desses 7 ou 8, relevei outros requisitos: que fossem ou já tivessem sido  DIRECTORES DE SERVIÇO de Cirurgia Plástica de Hospitais PÚBLICOS, e que exercessem ou tivessem exercido as funções de Professores Universitários (informação disponível  no Diário da República). Apurei 3 médicos.

FASE 2
Agora, a parte dura. O 1.º e 2.º candidatos tinham apenas UMA CASA DECIMAL de diferença na média. Aliás, acho que nem era uma casa decimal, era 0,01 e eu não sei como é que isso se chama, enfim, os 2 tinham todos os requisitos básicos, ambos tinham estagiados nos mais prestigiados centros, frequentaram simpósios eloquentes, davam palestras. O 3.º era um velho conhecido da brigada do croquete e da tv, meio alucinado.


FASE 3
Evidentemente, tinha que dissecar a vida pessoal deles. Ver o curriculum vitae é muito fácil, mas descobrir ORDINARICES GIRAS é um assunto muito mais crítico. Com os nomes completos (sim, não basta o nome profissional),  embrenhei-me na sordidez da internet.

Eis quando, de repente, emoção das emoções: um deles tinha-se demitido por causa de um ENORME ESCÂNDALO INTERNO no hospital! O escândalo vinha discriminado e pareceu-me até um pouco injusto (não gosto de injustiças). Marquei logo consulta com ele. O 2.º tinha cara de poucos amigos (estilo Miguel Sousa Tavares, adoro, adoro). Também simpatizei e marquei consulta. O 3.º... necessidade ir à televisão? Risquei-o da lista.


Entretanto,

Monólogo da sogra (profissional de saúde) quando soube que eu estava a pensar fazer 2 cirurgias no mesmo dia:

1.º “As tuas mamas são lindas”. (Hum…argumento frágil, está a preparar-me para o seguinte);

2.º “A redução mamária é muito complexa, e ficam-se com grandes cicatrizes!”AHAHAH, hilariante! Sogra, que venha a cicatriz mais feia do mundo e a mama repuxadinha que eu assino já de cruz. Aliás, com cicatrizes posso eu bem, tenho uma na perna bem reluzente, de 8 cm, fonte de grande orgulho e manancial de histórias inventadas.

3.º “A redução mamária é muito complexa, perde-se muito sangue”. Hum...Não gosto de sangue, muito menos de perdas súbitas e abundantes de sangue, ainda por cima do meu, que é A negativo, um tipo super ranhoso. 

4.º” A abdominoplastia…quer dizer…qualquer mulher tem uma barriga, até fica bonito e.. “ Cala-se.
 Enquanto falava desapertei as calças de ganga, pus a pança de fora em todo o seu esplendor. Imagens que valem por mil palavras.

Silêncio.

Vi que estava com pena de mim. Até eu fiquei com pena dela por estar com pena de mim. Depois puxei as calças e voltei a ter pena apenas de mim própria.

-  Ok, faço primeiro a barriga. Depois logo se vê”. Tenho uma leve esperança que, com um ventre bonito, as mamas até pareçam mais sinceras.

Entretanto, já fui a 2 consultas com os 2 cirurgiões e foi escolha fácil. Muito fácil. No próximo post completo o resto, a escrita já já vai longa e tenho que dispersar antes que chegue o ditador. Acho que o João acabou por não lanchar (mas também ainda não se queixou)…


Até ao próximo post, amanhã . Agora vou retirar os seios de cima do teclado e esperar que desçam carinhosamente até ao umbigo.