Estando
eu e Pedro a ver a nova série “O Exorcista”,
na nossa mais recente aquisição, chamada Raspberry
Pi, (que eu nem sei explicar bem o que é, mas basicamente é um chip que
contém todas as séries e filmes do mundo, quase todos com
legendas em português - SIM É VERDADE.
Eu vi o 1.º episódio do Dr. Phil, emitido em 2002, ou seja, há 14 anos, ia
morrendo de emoção);
Começámos
a ouvir a nossa vizinha num chavascal
sem precedentes. Não sei se alguma vez vos falei dela, mas é uma sensual e
inteligente mulher divorciada, por volta dos seus 50 anos (o Pedro discorda, nada
menciona quanto à sua sexyness (que é
inegável), diz é que é muito burra por causa das reuniões do condomínio.
Mas eu não acredito, dada a profissão dela - que não posso revelar;
Eu
acho que ele está apenas a disfarçar o seu interesse platónico pela vizinha,
porque é inegável que é muito sexy e sensual, logo só lhe resta aniquilar a
inteligência para me aquietar o ciúme.
Basicamente,
a senhora não faz o amor. Ela FAZ TUDO E UM PAR DE BOTAS e eu sou obrigada a
ouvir TUDO, especialmente se vou à casa de banho e a intimidade dela entra-me TODA
PELA CANALIZAÇÃO ADENTRO.
No
início foi chocante. Estamos a falar de um chavascal de barulheira e gritaria e
porcalhices que chegavam a durar 25 minutos!! Mas o que é isto?! Depois passou
para interessante, posteriormente para irritante. E felizmente, o rapaz (20
anos mais novo) um dia desapareceu.
Entretanto,
veio outro rapaz. Ditosamente, com este só sou obrigada a ouvi-los entre 10 a
15 minutos, haja algum bom-senso .
Voltando ao início, a tremer de medo a ver
essa nova série “O Exorcista”, com
Geena Davis, começo realmente a ouvir o que parecia ser uma possessão demoníaca,
a da vizinha. Fui
logo cuscar tudo à casa de banho.
Quando cheguei à sala o Pedro perguntou de forma bastante rude: “Com estes berros, deve ser é nas nalgas, não?”. E eu: “Ai Pedro, que dureza, que malcriado”. Mas reflecti e disse: “Sim, deve ser nas nalgas, Que horror, que
nojo, não há outra explicação para o que se está a passar ali. Porcalhona, uma Mãe de família!!!”
Era
absolutamente inconstitucional aquela barulheira e chiar da cama, que,
ironicamente, até nos remetia para o cenário inicial da miúda do exorcista,
em que ela pulava da cama até ao tecto,
alta gritaria e obscenidades do piorio.
Já
não havia condições sociais e de entretenimento para continuar a ver a série. Fomos
para a cama. Eu já estava a morrer de sono. E quando estou a morrer de sono, e
quero mesmo é dormir, eu digo ao Pedro: “PELO
AMOR DE DEUS, MISERICÓRDIA. PIEDADE”. E ele não me toca. Se eu disser outra
coisa qualquer (dor de cabeça etc), não há apelo nem agravo, vai tudo a eito,
mas um dia reparei que, se invocasse Deus ou Nossa Senhora de Fátima, ele recuava.
Bem,
apesar de estar com muito sono, com tamanha algazarra eu própria não tive
coragem de me negar e pedir Misericórdia. Disse foi logo: “Não comeces com grandes ideias e devaneios que eu estou muito cansada”.
(Ele sabe do que estou a falar - vocês não, sorry). Ele avançou. Eu protegi as partes pudendas/podengas com as minhas
mãozinhas, mais numa de Mãe recatada e cândida, do que um não-incentivo. É
quase uma obrigação moral não me vender logo por dois tostões e basicamente
era suposto ELE INSISTIR MAIS! Mas não insistiu. Disse:
“Tu pareces aqueles restaurantes (???) em que
nos apresentam o CARDÁPIO, com os menus do dia, mas depois já está tudo riscado, não há nada.” Depois
esganiçou a voz e imitou-me: “Ai a vizinha,
que horror, pocalhona” – para te esquivares àquilo que tu sabes”. Ri-me. “Depois matas-me logo
a expectativa ”daquilo”(sorry leitores, não posso escrever o que é na
blogosfera). Por fim, tapas-te toda com
as mãos! “
“Portanto,
em vez de dizeres o que não posso fazer,
diz-me o que eu posso fazer .”
E
ficou à espera da resposta, muito compenetrado. Eu ainda estava a pensar que ele me tinha chamado “cardápio”, e que
até tinha tido bastante graça, quando ouvi a vozinha dele esperançada: “Talvez uns peitinhos de frango? Posso?”
Desatei-me
a rir. Era a vizinha num berreiro e eu à gargalhada. Já não consegui fazer
absolutamente nada. Ria-me sempre. Entretanto a vizinha lá se calou, e o rapaz
também deixou de se ouvir.
Já eu tinha enxugado as lágrimas mas ainda estava
nas minhas dissertações filosóficas acerca da comicidade da palavra “cardápio”, que simplesmente adoro, a par das
palavras “pistachio”, “mochila”, “pijama” e “morcela”, quando me apercebo que o
Pedro tinha adormecido. Baixei gradualmente para o tom mais monocórdico que consegui e
assegurei-me que ele estava mesmo a dormir.
Fiquei
toda contente, mas no dia seguinte tive que me fingir ofendida. “Onde já se viu, marido meu a adormecer
comigo na cama??!! Este portento de
mulher??”. E agora perguntam os mais curiosos, mas assim ele não lê o
blogue e apanha-te nas tretas?
Não,
tenho a certeza que quando estava a adormecer pensou : “Amanhã, esta gaja vai fingir-se de ofendida, e dizer “Onde já se viu,
marido meu a adormecer comigo na cama??!! Este portento de mulher?? ”
É
o único problema das almas gémeas. Há muito pouco a esconder e fugir. Escapatória,
no meu caso, só clamando por Misericórdia,
Piedade e Clemência (uma delas basta).
Bolas.
Que Homem Honrado que eu tenho em casa. Que orgulho desmedido.


