sábado, agosto 20, 2016

"Vergonha é roubar e ser apanhado". Grande máxima.

Eu acho que todos os casais devem nutrir entre si uma sentida admiração.

E toda a gente sabe que eu adoro o Pedro.

Infelizmente ele descobriu que, quando fomos ao cinema ver o filme “Perdido em Marte”, que eu era ainda mais apartada do mundo real do que ele supunha, e sim, foi logo no início que o Pedro percebeu que eu não era a morena misteriosa e quase sobredotada que lhe quis fazer crer (dope!).

Quando vi o desgraçado do Matt Damon em Marte, sozinho e abandonado, cheio de fomeca e quase a alucinar, estranhei: - “olha lá. Mas por que é que os outros ranhosos não voltam a Marte o mais rapidamente possível? Por que raio ele há-de morrer de fome??”

- “Porque iriam demorar muito”. – responde, fitando o écran.

“Bolas, não me digas que o rapaz não se aguenta umas semanas com umas sementes e a beber o próprio chichi” (revirei os olhos, pensando numa belíssima frase que ouvi a um  transmontano, referindo-se à nossa juventude:VÓS HOJE SOIS FEITOS DE MERDA”).

- “Uma semana em que sentido”? – perguntou, já meio irritado com as interrupções.

- “ Olha, no sentido lato da coisa, semana com dias úteis, sei lá” – respondi, também cansada de respostas secas e parvas.

- “Mas, Susana, não se vai a Marte em semanas”.

Estranho. Não se vai?

- “OK, dias, umas semanas, um mês, whatever, ele aguenta-se não é..”

- “Susana, não se demora menos de 2 anos a ir a Marte” – o Pedro fixou-me, tentando perceber se eu estava a gozar com ele.

O QUÊ????????????????” – pensei, credo!!!!! Que alienada espacial que eu sou! Tentei remediar.

-  “Então que enviem isso numa sonda normal. Qual é o stresss?” – disfarcei o melhor que pude, atento o facto de achar até há 10 segundos atrás,  que me punha em Marte em 8 dias.

- “MAS QUAL SONDA?? Não andam propriamente aí sondas em Marte a comunicar com o nosso planeta !Quer dizer, Já houve uma ou duas, não correu muito bem”. – Irritou-se ele.

Não existem sondas em Marte? 2.º choque emocional. RAIOS PARTAM O SISTEMA SOLAR E VIAGENS ESPACIAIS E OS BURACOS NEGROS E ESSAS COISAS COMPLICADAS! Eu quero é bolos e ler livros biográficos.

Fiquei remoída, sabia lá que em Marte não andavam sondas em alegres expedições. Fiquei a matutar: eu não sou burra por não saber, sou burra por me deixar apanhar.


Volto à minha constatação inicial. Os casais têm que se admirar. Deus me conserve as maminhas por muitos e bons anos.

Agasalha o croquete, e então?


O meu enteado chega a casa cabisbaixo. O tal querubim loiro de que já falei infra.
Vem de um fim-de-semana com a mãe e, intrigada, pergunto-lhe o que se passa. Tem relutância em dizer. Percebo que envolve algum castigo e sinto pena, porque ele é mesmo uma criança muito doce e ingénua, e quem o conhece subscreve de certeza. Atrevo-me até a dizer que é o menino mais delicado e ternurento que conheço.
Podes dizer-me o que se passou….” – incentivo.
Ele fita o chão, as beiças trémulas. Vejo-o chorar mas percebo que não quer falar e até eu, que sou um javali selvagem em matéria de discrição e respeito pelo silêncio dos outros, deixo-o em paz.
O pai entra na sala. olha para ele com ar reprovador. A seguir, também me fita, com ar de poucos amigos.  (Alerta medo)
- “A  mãe deste tirou-lhe o tablet 1 mês”.
Eu:”coitadinho, que horror!!” - enquanto na realidade penso que o horror vai ser o facto de eu não poder ver Dr Phil à noite para levar com a Chica Vampiro.
- “ Coitadinho??! Diz lá o que fizeste Afonso ” – ordena o pai.
E o miúdo na beirinha do sofá, as lágrimas a molharem-lhe a t-shirt.
- “Então a mãe deste gajo mando-o ir para a mesa jantar e ele vira-se para ela:
- “Olhá lá mãe, tu a partir de hoje chamas-me PICHA DE AÇO, ouviste? Não é Afonsinho, é PICHA DE AÇO.”
Eu estremeci. Picha de Aço era um mito do meu liceu. Adoro, esteve escrito na parede da Igreja de Queluz anos a fio. Confesso que utilizo várias vezes essa expressão porque a acho francamente boa…
O Pedro olhava para mim. Eu aconcheguei as mamas dentro do soutien numa sofrível manobra de diversão. Pedro não desviou o olhar.
Ri amareladamente: “Pagava para ser mosca, tu não?”
Oiço um seco - “Não.”
Senti-me patega. Até dias mais tarde ter lido no Expresso “Estudo comprova que dizer asneiras faz bem à saúde” (http://expresso.sapo.pt/queroestudarmelhor/qemnoticias/estudo-comprova-que-dizer-asneiras-faz-bem-a-saude=f869735)

Momento de Glória. Esta madrasta é do mais benéfico para a saúde mental que qualquer enteado podia almejar. Obrigada, muito obrigada. 

Salsicha Vai ser Remodelado (este layout de hoje está diferente mas foi sem querer)

Comecei este blog em 2005. Não, não vou encerrá-lo, vou renová-lo. (Acho que se chama reconfigurar o layout ou template ou qualquer coisa semelhante. Não me apetece ir pesquisar no Google.)

Será no dia 1 de Setembro (Deus me ajude), com direito a Facebook e trinta por uma linha,e eu que só quero é escrever.

Passaram-se 11 anos. Passei de estagiária pobre e bastante limitada em vários sentidos, a advogada com 2 (duas) estagiárias pobres e tão limitadas quanto eu era (meninas…o apreço que tenho por vós… especialmente por si Paula, que até me organizou o casamento!).

Se eu fosse o fantasma do futuro (ou do passado), enfim, se pudesse voltar atrás no tempo, diria a essa Susana de 2005 o que se segue:

Susana, sua velhaca, tens olho para a coisa, começas um blogue cujo 1.º post versa sobre a Leonor Poeiras, e que é muito gira e não sei quê… e PIMBA, DEZ ANOS DEPOIS descobrirás que ela é SAPATONA. Grande intuição Susana, grande intuição :)

E não desmoralizes. Agora estás a estagiar a custo zero, mas um dia quando fores advogada poderás fazer o mesmo aos outros. E verás que faz todo o sentido!  Ah, e se te sentes orgulhosa de trabalhar na Rua Castilho, que finesse, terás todo o gosto em saber que daqui a uma década terás o teu próprio escritório na Avenida da República e existe uma coisa chamada Facebook para te gabares disso a toda a gente”.

SPOILER – terás um rol de namorados, mas faz parte. (O teu futuro marido e pai do teu filho acha que não, mas ele não tem razão ).

SPOILER 2- Achas que tens uns quilos a mais? ESTÚPIDA APROVEITA MAS É PARA ANDAR TODA NUA AGORA porque a partir daqui a coisa não melhora.”

E basicamente seria isto.

Ps - Acabei de ler este post com extrema ternura ao teu/meu marido. 

Olhou para mim e sorriu. Um olhar límpido e amoroso.  E disse-me: “Não achas giro o guarda-redes do Paços de Ferreira  chamar-se “Defendi? É como o outro do rugby inglês que se chama Dino Lamb-Cona. Lamb – cordeiro, cheio de lã, estás a ver? É tudo bom!”.


E riu-se. E eu também. Lamb-Cona é realmente muito bom. 
E será assim a tua vida. 

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Memórias e Sociopatia. E Amor.

Hoje o Francisco faz 3 anos. E agora compreendo aqueles comentários absurdos dos adultos, quando olhavam para nós, crianças, e diziam "ai é assim que vemos como o tempo passsa!". Pois é. Eu diria mais, diria que o mundo está perdido, que o universo faz pouco sentido, que os buracos negros existem e isto é tudo muito confuso. E para culminar, há uns tempos dei uma ordem ao Francisco e ele respondeu-me "vou pensar no teu caso". A sério que percebo melhor a termo-dinâmica gravitacional, que o meu filho, que nasceu praticamente ontem, responder-me como se fosse gente.


Mas este post não é sobre ele. Não, para variar, é sobre mim.


Há 3 anos atrás, eu estava o maior farrapo físico possível de que há memória. Disforme, com uma  cesariana que correu bem, mas uma epidural que correu mal e me fez ficar pouco melhor que um protozoário. Se me tivessem pedido para levantar um braço  e tossir, ou girar a cabeça e deitar a língua de fora, eu pediria clemência ou a injecção letal.

Estava tão inchada que, para coçar o nariz, tive que pedir ajuda a uma auxiliar. Quando tentava coçar a ponta do nariz com o dedo, toda a minha mão abarcava a cara e revolvia-me o cabelo até à nuca.

 Era oficial, eu tinha a mão de um orangotango macho, e realmente eu não faço ideia como é que os grandes primatas coçam partes pequenas.....enfim, coisas simples, que damos por garantidas. Agora quando tenho comichão no nariz, saboreio cada coçadela delicada com o dedo indicador, suave e elegantemente, tentando esquecer o barril humano que fui.

E é por falar nesse momento de decrepitude física, que hoje quero contar outra história.

Começa assim:

O meu marido para mim, com ar sério (o que indica sempre duas coisas, ou está mesmo a falar a sério, ou está a gozar o prato) (o que para mim constitui sempre uma charada divertidíssima) :

Ele: "Tu realmente, no espaço de poucas horas, consegues dizer as coisas mais diversificadas  e acreditar piamente nelas."
Eu: "Como assim?"
Ele: "Ontem, quando te vias ao espelho de manhã, em cuecas, olhaste para o rabo e disseste "ui, que categoria!"

"Depois, ao fim da tarde, quando foste correr uns metros e chegaste a casa, voltaste a examinar o rabo ao espelho e disseste "ó Meu Deus,  estou a a ficar sem rabo, estou a perder peso e a ficar sem rabo, não pode ser!!" "

E depois, pediste-me para te tirar uma foto de frente e de trás para mandar para as amigas da corrida, e só te ouvi gritar: "Ó MEU DEUS, Ó MEU DEUS, QUE LOUCURA, QUE CU GIGANTE É ESTE? TENHO UM CU DE OBESA MÓRBIDA, MAS O QUE É QUE ISTO?!!!"

Fiquei caladita, porque me recordava do dia anterior e do que tinha dito, mas não tinha a noção que as coisas cronologicamente enunciadas daquela maneira, soava a psicopatia de grau moderado.

"Tu adoras esta roleta-russa de emoções não adoras?"-  perguntei eu, com um ar esperançado.
Ele continuou a dissecar o seu salmão. Não disse nada.

"Nunca saber o que se espera, nada é rotina! É espectacular, não é?! Uma rapariga honesta, do qual tudo se pode esperar, que sorte!" - continuei ansiosa, sentindo claramente a libertação de hormonas no sangue pelas glândulas supra-renais.

Ele (sério, super sexy): "Sim, gosto. E é por isso que vamos ficar juntos até ao resto da vida." E sorriu.

Que delícia, gostarem de nós pelo que somos, sem termos o stress de tentar esconder defeitos e disfarçar as pulsões sádicas. Leitores, sejam sempre vocês mesmos, mas se forem raparigas, usem sempre cinta  no 1.º encontro.





terça-feira, dezembro 29, 2015

A Guerra dos Tronos (versão humanizada)

Parece que tenho um problema, não obstante eu não ver isso como necessariamente mau.

Ao que consta, eu acho quase todas as pessoas do mundo parecidas comigo, especialmente as aparentemente menos afortunadas.

Vejo um prognata, pergunto se o queixo não é parecido.
Vejo um amblíope, pergunto se o olhar meio esgazeado não tem semelhanças.
Vejo uma rechonchuda de 215 Kgs,  pergunto se as minhas coxas são mais magras.


O Pedro lá vai respondendo, penso que na maior parte das vezes nem se dá ao trabalho de olhar.Até ontem. 

Estávamos a ver a Guerra dos Tronos. Perguntei-lhe a dada altura: “Não achas que esta pessoa dá ares de mim? Qualquer coisa na boca, ou nos dentes, não sei?..”

Pedro (Olhando para as duas babes, a rainha do cabelo prateado e a mulatinha que é a criada dela): Hein? Qual delas?

Eu: Aquele preto, o  pirata. Tem ali qualquer coisa, parece-me na boca, não sei, acho que tem um sorriso franco.

Pedro (olhando para o bisonte que é o chefe dos piratas , um costa-marfinense de 2 toneladas): Pá.. sinceramente… nem sei que te diga. Olha, sim, és.


Sorri, tranquilizada. Com este sorriso franco que me caracteriza.


A triste ideia do costume.


Este Natal tive a brava ideia de cozinhar qualquer coisa para o jantar. Naturalmente não seria nada de típico, apenas algo comestível.

Pai: Mas o quê?
Eu: Então, na Bimby, fazia um bacalhau com natas muito bom.
Pai: Mas porquê na Bimby? Não estou a ver grande vantagem…
Eu: Então, na Bimby é muito mais fácil e rápido.
Pai: Mas porquê?O que é que cozinhavas?
Eu: Então.. eu cozinhava hum… aquilo que o bacalhau com natas leva. Que é… aquilo que compõe o bacalhau com natas…(cérebro a patinar no vazio e no abstracto) - (pensa Susana, pensa, ignora os comentários sórdidos, as risadas sub-reptícias, as..)
Pedro: ahahahhahahh!!!



Conversa terminada. Já não faço nada para ninguém. 



E muitas mais.

Eu e o Pedro competimos em muitas coisas. Acho que ele nem sabe. Reformulo, eu compito sozinha com ele  em muitas coisas. Perco em quase todas, mas batalho na mesma.  

Eu: Eu quando era miúda fiquei com um rim quase defeituoso, estava muito doente.
Ele: Quando era miúdo, tive uma meningite. Fiquei em coma 13 dias.

Eu: Aqui há uns anos, lá em Ferreira do Zêzere, eu e os meus primos vimos alguma coisa muito parecida com um  Ovni.
Ele: Quando era miúdo,  tinha uma guia espiritual chamada Bárbara. Era encantadora. Já encarnou.

Eu: Ganhei um prémio no antigo canal People & Arts. Escrevi a melhor frase.
Ele: Ganhei um prémio na bomba de gasolina da Lançada. Não fiz nada, limitei-me a entrar e a ser o 1.º cliente, até tive majoretes a saltar e fogo de artifício.

 Eu: Tenho alguns pressentimentos. Na véspera do 11 de Setembro, tive um pressentimento de que algo de mau se ia passar (inventei um pouco)
Ele: Eu só soube do 11 de Setembro no dia 1 de Janeiro. Estava no Big Brother, não nos avisaram.


Desisto. Não dá.

segunda-feira, setembro 21, 2015

Miss Piggy (e não sou eu)

Recentemente, tive que gramar com os meus enteados a recitarem de cor frases do filme “Balas e Bolinhos 3” (para quem não conhece, é um filme português carregado de asneiras do início ao fim, relatando as peripécias do Toni, do Rato, do Culatra entre outros encantos).

O meu enteado mais novo, de 10 aninhos, um querubim loiro de olho azul, um menino meigo que nem um corcel, gentil e amável estava divertidíssimo a contar-me as piadas do filme, e a certa altura conta:

ah, e depois o Toni pediu ao Culatra um fígado no mercado negro  para fazer um transplante para o pai que estava doente!”

Fiquei simplesmente a olhar para ele.

Depois o Culatra disse que tinha uma vesícula, uma tíbia e um intestino grosso mas não tinha nenhum fígado!”

Revirei os olhos e olhei para o Pedro.

“E depois o Culatra disse : ah, espera,  é verdade, tenho ali um fígado de porco em óptimo estado, ainda o mês passado vendi um. E funciona que é uma maravilha, o único problema é que a mulher todas as noites lhe tem que dar bolotas para o jantar”.

O puto riu-se muito sozinho da história que contavaSuspirei.

E depois o Toni disse: olha lá tem cuidado com o fígado de porco, que eu não quero que o meu pai ande aí a  esgalhar o pessegueiro à  pala da Miss Piggy!”

Fiquei transida de terror.


“Olha lá ó Susana, o que é que é…


Colapsei  emocionalmente.  Só pensava  “preciso de um buraco para me enfiar, socorrro, Ó Meu Deus, ó Meu Deus ajuda-me, salva-me, o filho NÃO É MEU, piedade!”

Olha lá Susana, o que é que é…” – repetiu ele, se calhar pensando que eu não o estava a ouvir

E eu “TIRA-ME DAQUI MÃEEEEEEEEEZINHAAAA!!!!!”



“O que é que é a Miss Piggy?”


sábado, setembro 19, 2015

Serviço Público, não precisam de agradecer.

Hoje a minha querida prima teve um bebé. Quando fui visitá-la à maternidade,  assomei a minha cabecita na porta do quarto e mandei-lhe um tchau. Ela virou-se o pescoço para mim, numa posição esquisitíssima tipo exorcista, e penso ter ouvido "Porca e P.." entre outras, mas não tenho a certeza. 

Desculpei-me: "Ouve lá, querias mesmo que te dissesse a verdade?que querias que fizesse??" 

Não se conta a pré-mamãs o que se passa durante o trabalho de parto :( Não se conta.

Mas eu vou contar porque todos os meus amigos sabem que sou boca podre e que não me podem contar segredos, (nem os meus eu guardo quanto mais). Continuando, isto do parto tem que ser segredo entre as mulheres senão a espécie humana extingue-se. Descobri, com 32 anos, (tenho reparado que as descobertas que fiz nos últimos anos são tão vergonhosas que nem sei como é que alguém no seu perfeito juízo casou comigo), que quando se fala de dilatação de  2 dedos, 6 dedos, 10 dedos, não se está a falar numa vagina a abrir-se... Ela realmente está a abrir-se, mas a dor da dilatação e dos dedos é doutra coisa.

Quando se fala de dilatação e aberturas de 10 dedos, estão a referir-se  a uns mega ossos ou lá o que é aquilo dentro do útero, uma espécie de manípulos do pinball (epá, que linda metáfora que inventei agora), que se abrem para  o bebé nascer. Porque se os ossos estivessem já abertos o bebé escorregava e caía no chão (e aleijava-se).

Atenção, não me interpretem mal, a vagina realmente continua lá aberta, e do mais aberta que possam imaginar. Aliás,  está inacreditavelmente escaqueirada, parece impossível voltar a recompor-se e a ser uma Sra. Vagina, dizem que sim (o meu colega de sala diz que não. Olá Sandra, tudo bem?)  Mas essa é a parte que se aguenta perfeitamente, mesmo quando rasga até ao rabo.

Agora tenham paciência, os ossos a abrirem na barriga é que e uma coisa que eu ainda estou para descobrir como é que as mulheres voltam a ser gente depois daquilo.

O engraçado, é que eu nem passei por isso (smile) Não dilatei nadinha, nem 1 milímetro.  Posso ser uma chiba, quadrilheira, admito, mas há que reconhecer que o meu corpo sabe bem o que faz. 

O meu esperto corpo fechou-se em copas (ao contrário da ocorrência 9 meses antes). Mas quais dedinhos de dilatação, qual carapuça!  Os médicos desistiram dos ossos tronchudos e fizeram-me cesariana. Quando me avisaram, comecei a rir-me toda por dentro e das outras mulheres vaginentas dilaceradas, que lá continuam a espernear.

Fui preparada para a cesariana. Mal entrei no bloco, caí em mim, percebi que ia ser operada e vieram-me as lágrimas aos olhos, fiquei com diarreia e acreditei piamente que podia falecer. Comecei a tremer tanto de medo que levei uma lambada da anestesista , com o consentimento da minha sogra enfermeira-parteira, para eu estar quieta e me dar a epidural. Pedi para me amarrarem as mãos porque tive medo de não me conseguir controlar e cometer uma loucura.

Entretanto comecei a rezar um Pai-Nosso mas tive que parar a meio porque já estava me estava a baralhar com a Ladaínha da Nossa Senhora do Rosário. Desisti de pensar e disse simplesmente : "Meu Deus,  em toda a tua misericórdia, ajuda-me, prometo que não me volto a meter numa destas, terei um único filho e vou ser muito feliz".

Depois começaram a remexer-me as entranhas e a puxar a puxar, eu a sentir tudo ou pelo menos assim parecia e eu virei-me outra vez para Deus e disse-Lhe : "Pronto, ok, já percebi,  prometo que nunca mais vou fornicar, nem sequer em pensamento".

Depois saiu o Francisco. Não pude abraçá-lo porque ainda estava com os braços amarrados com as braçadeiras e ninguém mas tirou. (Foi um bocadinho triste, porque só lhe consegui beijar um bocadinho da cabeça e depois do rabo).

Entretanto lembrei-me das promessas feitas. D´OH! Voltei a fazer outra promessa, prometi que retirava todas as promessas anteriores, com efeitos retroactivos - por terem sido feitas num momento insano e em compensação ia a Fátima rezar aos Pastorinhos e pôr uma velinha à Nossa Senhora na Capela das Apariçoes.

Moral da história: para mim, tudo acabou em bem: ele nasceu lindo, a minha vagina continua um espanto, já fui a Fátima (a caminho do estabelecimento prisional de Leiria),e fornico de consciência tranquila.

Agora partos naturais?? Eu estive 27 horas numa maternidade com outras a parirem de partos naturais e Meu Deus, os gritos lancinantes mesmo vindos das entranhas, um som absolutamente intraduzível. CHIÇA!!!!! F....!! ! Ó MEU DEUS QUE CORAGEM, QUE LOUCURA!!!, QUE VAGINAS!! QUE HORROR PURO!!

Foi isto que omiti à minha prima. Descobriu por ela. E fiz muito bem.


Querida Zélia, sabes que este blogue é meramente recreativo ;) espero que tenhas uma hora pequenina no final de Dezembro! 

sexta-feira, janeiro 30, 2015

Secret Story 5: Vacas e Bois

Caros confrades,

3ª feira resolvo fazer a melhor surpresa de todos os tempos para o marido. O jantar.

Reflicto com as mãos pousadas na testa, leio livros, vou ao Google, volto a reler a receita, fico a suar em bica mas abro o congelador e aventuro-me.

Quando ele chega, - “Quésta merda??!”

E eu: “São lombos de novilho panados”.

Ele: “F…., isso é o maior desperdício que pode haver!! Sabes que o bife do lombo é a melhor parte? E vais panar?? F…, foi caríssimo no LIDL!

Respondo ainda meio aturdida: “Mas não são bifes, são lombos”.

Ele explica: “São bifes do lombo pá!! Que grande desperdício!

Nesse momento fico um pouco confusa, mas a ferver, e pronta para lhe dar um murro respondo: “Não, não sabia que isso dos bifes e lombos eram a melhor parte, e mesmo que soubesse?E então? Sabia lá que um lombo do bife ou que é era demasiado chique para ser panado!! Que paneleirices de merda. Cozer, assar, panar, quero lá saber, queria era fazer-te o jantar!”.

Ele: “A sério que não sabes que o bife do lombo é a melhor parte? Nunca viste o desenho do boi, lá no talho, com as partes todas identificadas”?

Eu fula da vida, mas chocada por me aperceber que um novilho era um boi e não uma vaca: “E não achas que eu tenho mais que fazer que olhar para um boi e decorar as partes, e mesmo assim, se as decorasse continuaria sem saber qual é a melhor porque ali o boi não tem pontuações!!!

E ele: “Pelo amor de Deus, toda a gente sabe que a parte do lombo é a melhor!”

Guess what Pedro: EU NÃO SABIA.

Choro copiosamente cheia de raiva do boi que eu achava que era vaca, e dele, e dos meus pais que não me obrigaram a cozinhar. Engraçado, sempre me ofereceram lambadas por tudo e por nada, cozinhar está quieta.

A retaliação? Gritos, greves de sexo ou chapadas no pescoço? Não. Inscrevi-me no curso ABC da Cozinha da Vaqueiro. E é o marido que vai largar €250 biscas para eu aprender a fazer o arroz.


Toma lá que já jantaste!!!




terça-feira, novembro 04, 2014

O meu casamento em 15 linhas, tirando o cabeçalho.

POR QUE É QUE ME ESQUECI DE ENCOLHER A BARRIGA EM TODAS AS FOTOS??!! QUE ESTÚPIDA!!!!! UMA VIDA INTEIRA A SONHAR COM ESTE DIA!! ERA SÓ ENCOLHER A BARRIGA, MEU DEUS QUE GRANDE ESTÚPIDA!!!!!



Susana gorducha consegue convencer o pai do filho a casar (como, só em mensagem privada)

Ele resigna-se e diz que sim, assoando-se à manga da camisa.

Susana toda contente começa a fazer ginásio e dieta, atentando no fotógrafo já contratado para o dia 4 de outubro.

Ele vê os resultados, alegra-se, e anda atrás dela guloso.

Ela quase que desmaia de exaustão, no meio de dietas, ginásio e fugas do noivo, tipo filme do Benny Hill.

Eles finalmente casam-se.

Ela engorda imediatamente 3 kgs.

Ele vê a vida dele andar para trás.

Tem a triste ideia de dizer "o teu corpo já acusa falta de ginásio".

Ela, histérica, telefona para a colega de escritório Tininha para ver se ainda há hipótese, a nível canónico, de anular o casamento contraído com o marido mais idiota de todos os tempos.

Tininha acalma a colega, enquanto esta chora e consola-se com uma fatia de bolo de after-eight.

Ele pede desculpa. No seu ar de gestor empedernido, mas pede.

Ela pensa em arrancar-lhe os últimos cabelos plantados na cabeça.  Depois de aturada reflexão não avança.

Ela, vingativa, opta por perder 2 kgs.

Fica bastante mais contente, desconfia que ele também deve estar mas a realidade é que desta vez o homem não se manifesta, temendo certamente pela sua escassa pelúcia, sabendo que é preso por ter cão e preso por não ter. ("ai agora estou mais magra??! e antes estava o quê ó palhaço")

Basicamente foi isto, adoram ou não uma boa história de amor?


quinta-feira, setembro 18, 2014

A minha despedida de solteira (incluirá strip?)

Já tive a minha despedida de solteira. Pedi expressamente para não levarem as pilas e as bandoletes de pénis. E foi como sempre sonhei (sim, eu sonho com tudo, eu sonho inclusive com uma ovação de pé nas Varas Criminais após alegações comoventes e consequente abolvição de um inocente qualquer) .

Tive a companhia das minhas amigas e primas, que me proporcionaram a esplêndida experiência de andar num tuk tuk (mata-velhos para novos, em pleno centro de Lisboa), agarrada aos suspensórios do condutor (Diogo, és grande), qual rédeas do melhor cabedal, enquanto ele relinchava(juro!!) e eu gritava histérica "Anda Estrela, Anda!) pelo Bairro Alto fora, enquanto turistas tiravam fotos.

Após um jantar repleto de jogos, nomeadamente o das perguntas ao noivo: "qual o prato que tu cozinhas que o Pedro mais gosta?"  e eu fico absolutamente siderada por ele afinal até gostar de alguma coisa que saia das minhas mão, arrisco: - "Ovos mexidos?". (Na realidade mal sei fritar um ovo, quanto mais mexê-lo). - "Não..., ele escreveu"endívias grelhadas com carpacio de vitela e azeite de nozes!". (ai gosto tanto dele, tem ideias tão engraçadas!).

Enfim, quase no fim do jantar, e por um incrível mero acaso, surge um convite de um cliente meu mânfio, que está preso, e ao saber que estou na despedida de solteira,  convida-nos a visitar um conhecido clube lisboeta de striptease de mulheres, gerido pelo seu irmão também mafioso. ( Não se preocupem, eles não leêm blogues. A sério que não leêm.).

Eu nem hesitei 2 vezes. Tristemente as miúdas partiraram em debandada para casa, a maior parte horrorizadas com o convite. Claro que eu e uma amiga fomos depois para Lisboa, e batemos à porta do clube super emocionadas.

Resumo breve:

- varões com mulheres nuas, cada uma mais bem feita que a outra, tirei montes de notas mentais
- vaginas pelo ar, mamas num virote (mas mesmo todas nuas, com piercings na vagina, e rabos primorosamente depilados)
- Várias despedidas de solteiros, de homens aparentemente normais, de camisa e sapatinhos. (vadios)

(ATENÇÃO GAJAS: Sempre que ele vos disser que FOI SÓ COM OS AMIGOS A UMA DESPEDIDA DE SOLTEIRO sem lap dance ou com lap não interessa, QUASE TODOS levaram com uma (duas, três, quatro sei lá) vagina e um ânus esfregados naquelas caras sebentas de depravados, bem, e o noivo que eu lá consegui descortinar no meio daquele ajuntamento de primatas, (ai Jesus, o que eu vi, pobre noiva, realmente a ignorância é uma benção. Se aquele fossse o meu noivo partia-lhe, no mínimo, com duas garrafa na cabeça e não havia copo-de-água para ninguém).

Mas caras leitoras, de confiam plenamente nos vossos maridos, e eles são absolutamente decentes e sem uma pontinha de lascívia, concedo que tenham saído imediatamente do clube e tenham esperado pelos amigos cá fora. Mas, pelo menos, naquele clube, não vi ninguém de braço cruzado na rua, mas sim todos encavalitados uns por cima dos outros em cima dos sofá, para verem melhor um buraquinho do rabo da stripper e, com algum esforço (nem muito!), levar com uma nalgada ou um pipi muito bem arranjado na cara.

- Éramos as únicas mulheres, e por causa disso acho que fizemos tanto ou mais sucesso do que as outras nuas, uma vez que nos tomaram por um sensual casal de lesbianas e começaram a salivar.

Eu tentei não me rir nem olhar muito, optei por trincar sedutoramente a palhinha da minha coca-cola e flirtar com uma rapariga virada do avesso num varão, pernas no ar e a deslizar pau abaixo, que eu até fechei os olhos, pensei mesmo que ela ia partir logo ali o pescoço. Não partiu, dirigiu-se directamente à nossa humilde mesa e acabei por levar com as mamas dela na minha cabeça e o rabo nos meus ombros.

E depois, a apoteose!! (hihihi, vou-me rir disto para todo o sempre): Ela, com o seu ar sedutor (um bocado simplório para meu gosto),  desafia-me e diz: "Fui uma menina má...". E eu, que acho que sou sempre muito esperta e apanho as indirectas todas no ar, cheguei a mão atrás, ganhei balanço e espetei-lhe com um palmadão no rabo que até se ouviu na cabine do duche!!

Nano-segundos depois, lembrei-me que não lhe podiamos tocar. Houve um pequeno momento de pânico. Preparámo-nos imediatamente para sermos expulsa daquele nobre estabelecimento e eventualmente levar uma sova da brasileira.

Mas nada aconteceu,  a srª stripper após um esgar de surpresa, até sorriu e virou as suas atenções para a minha parceira de lesbianismo esfregando-lhe os peitos de lona no nariz . Ri-me muito porque a minha amiga é do INEM e já viu muita coisa, mas naquele momento estava completamente branca, e depois de levar com as peitaças ainda a outra lhe meteu a mão na camisola e ela começa a escorregar pela cadeira abaixo em aflitivo estado.

Enfim, adorei...

À saída, a minha amiga parou-me, olhou-me nos olhos e disse: "Ganhei todo um novo respeito por ti.  Excelente actriz".

Eu respondi "Eu sei. E nunca, mas nunca na nossa vida, podemos deixar os nossos gajos ir a um clube de strip".

Na realidade o Pedro, na sua despedida de solteiro vai ver o Benfica-Moreirense.

hehehehe que grande toino!

segunda-feira, agosto 25, 2014

Holmes...amo-te. Watson (só para despistar)

Não é para me gabar - sim, claro que é, vou-me gabar como se não houvesse amanhã -  mas eu estou um ESPECTÁCULO!

5 palavras e uma expressão idiomática : Desespero, Holmes, Place, Personal, Trainer, e “perdi  o amor ao dinheiro” ( mas vale cada cêntimo).

Cômputo global:  Susana curvilínea, tonificada e deliciada consigo própria.

Hoje a Kelly Baron ou lá como se chama a brasileira do Pedro Guedes, remou mesmo ao meu lado. Confesso que ela é muito querida, sorridente e sexy.

Mas a realidade é que estive ao lado da Baron e não me senti um porco-montês!! Quer dizer, óbvio  que me senti mal, mas um desagrado  bastante relativo.

Cheguei  inclusive a corrigir a postura lombar ao nível máximo de esforço, toda estrelicada, assegurando-me que ela  tinha uma visão segura das minhas mamas, absolutamente arrebatadoras, acondicionadas num excelente soutien da Triumph.

Pois é, anuncio em primeira mão (para quem queira saber) (vá lá, todos?! Quase todos?), que as minhas mamas (gigantescas, assustaram o pediatra),estão METADE do tamanho e, apesar de ainda roçarem a linha abaixo do umbigo  - muitos smiles tristes :( :( ;( , com soutien juro que pareço a Miss Porca 2014.

Moral da história: … insegura, idiota, flageladora de gordinhas, chamem-me o que quiserem.

Mas neste momento…, bem enquanto escrevo, elevo as minhas esbeltas pernas em direcção ao candeeiro do tecto, e contemplo-as  a contra-luz,. …juro que até a pelúcia das coxas me parece harmoniosa….

Acho que libertei endorfinas em excesso. Espero não vir a ter problemas.


  

quinta-feira, julho 31, 2014

O DINHEIRO

Quando tinha 17 anos, o Pedro foi para uma (prestigiada) universidade no Canadá (1.º europeu a ser admitido) (POSSO GABÁ-LO? POSSO?! É que vou-me casar dia 4 de Outubro e quero gabar o meu Pedro). Sim, SALSICHA VAI-SE FINALMENTE CASAR Ó MEU DEUS, Ó MEU DEUS, BELISQUEM-ME!!!!!!!

Continuando,

O Pedro teve que ficar em casa de uns tios-avós milionários e, ao mesmo tempo, possivelmente as pessoas mais forretas deste planeta.

Era mais o tio-avô. Do estilo de tomar uma banhoca por semana, de utilizar a piscina pública às 3ªs feiras porque é o dia em que qualquer pessoa pode entrar sem pagar, normalmente eram os sem-abrigo e o tio-avô.

 (Uma 3ª feira obrigou o Pedro a ir com ele. Pendurou as calças e a t-shirt. Disse-lhe que não era preciso dar 20 cêntimos por um cacifo, uma vez que no Canadá é tudo gente séria.. Quando chegou tinham-lhe roubado as calças, e o homem andou desesperado em cuecas pela rua, a abrir os caixotes do lixo com a bengala, a ver se ainda encontrava a carteira). (O Pedro manteve-se a uma distância de segurança/vergonha de 10 metros).

Portanto. Era milionário mas era avarento. Infelizmente sofria de leucemia e mais umas 3 ou 4 doenças que agora não me recordo.

Um dia o Pedro perguntou-lhe por que motivo ele não gozava simplesmente a velhice dele e da mulher, e usufruiam dos bens, dinheiro, casas que detinham. Por  que não davam a volta ao mundo num jacto particular e compravam uma ilha qualquer.

O tio-avô ficou incrédulo com a pergunta.

O senhor já tinha uns 70 anos, tinha tido 2 acidentes de trabalho, um dos quais bastante grave, que lhe encurtou uma perna (andava com aquela bota simpática compensada), o outro menos grave mas que lhe lixou a coluna e tinha que andar de bengala.

"Por que é que eu não gasto dinheiro??!!!"
"Sim, por que não vai com a sua mulher passear, jantar fora, qualquer coisa?

"Ó filho, tenho que poupar, sei lá se um dia não posso precisar!!!"

Repito: Leucémico, uma perna mais curta que a outra, a coxear que se desunhava, dobrado numa bengala. Mas guardava o seu milhão para uma qualquer eventualidade, não fosse acontecer-lhe qualquer coisa.

 (Fui ao freeport snif, sentimento de culpa a extravasar, por isso gozo com os outros. Mais velhos. E falecidos.)

Salsicha vai-se casar, tudo lhe é perdoado.






sexta-feira, julho 18, 2014

Se conduzir, não se esqueça de...

Este post é dedicado a todos que, em determinado momento, se sentiram os seres humanos mais rascas deste mundo. E a vida continua.

Ia eu toda satisfeita com o Pedro às compras no Modelo (adoro ir às compras domésticas, sinto-me sempre super adulta e responsável).

As sobremesas estavam todas a 50% de desconto – imediato!! O Pedro, conduzindo o carrinho das compras, adverte-me que os nossos gelados (Cornetos 4 ever) iriam ser levados em último lugar para não derreter. Fiquei algo desconsolada porque tinha um legítimo receio que eles se esgotassem, mas não tive alternativa senão ir à merda das hortaliças e afins atrás dele (ODEIO COUVES E COMPANHIA!!! DÃO-ME NERVOS!!). Respiro fundo e continuo a empurrar o carrinho do Francisco (entretido com os seus próprios pés).

Finalmente, as compras terminaram. Agarrei nos meus queridos gelados e fomos para uma caixa de pagamento. Por ainda estar na fila, depositei-os cuidadosamente na prateleira das revistas e espreitei sofregamente a revista Nova Gente.
OMG! A  Bernardina do S.S. 4 está grávida?! Really?”

Entretanto, outra caixa de pagamento, muito mais longe, mas sem ninguém, abriu. O Pedro alcança-a facilmente. Eu lá vou a arrastar-me como sempre com os sapatos novos da Zara (saldos).

**
Pedro (de cara fechada, incomodado): “É tudo?”
Eu (matutando e atingindo pensei: que estúpida, deixei lá os cornetos).
Volto para trás, por acaso até mais lesta que o costume e alcanço as duas caixas encantadoras de gelado. Regresso junto a ele com os cornetos numa mão, e a Bernardina gorda que nem uma texuga na outra (ainda não tinha acabado de ler. Para onde é que ela vai viver?)
**
**
Pedro (rosto impassível): “Tens mesmo  a certeza que não te estás a esquecer de nada?
Fico confusa. As compras todas direitinhas conforme a lista que elaborei com a língua de fora durante 10 minutos. Não faltam o queijo e os 5 litros leite (itens OBRIGATÓRIOS lá em casa). Não falta absolutamente nada, sou a dona de casa perfeita!

Olho para trás. Olho para os lados.

E ao longe, na antepenúltima caixa, está o carrinho do Francisco. Não consigo perceber se ele está a chorar ou não porque está realmente distante (mas por acaso até acho que nem está, não obstante terem-se aglomerado umas quantas pessoas).

Que grande merda! Sinto-me uma carteirista detida em flagrante no 28. E lá vou eu buscar o meu filho em passo acelerado, sorrindo para as pessoas que entretanto se juntaram, como quem fez uma partida ao filho para ele aprender a não ser traquinas.  

O Pedro nada disse. Não precisa.

Posteriormente descansou-me um certo padre, rindo-se: “Susana, não és nada a pior mãe do mundo!! Mas realmente andas lá pelo rol”. É um pároco com muito sentido de humor.

NOT. Que homem estúpido! O que há de pior que um enxovalhamento paroquial??!

Então, seres humanos que já se sentiram muito rascas e a quem dediquei este desabafo… já se ajuizam melhor? Naturalmente que o título completo deste post é "Se conduzir, não se esqueça que tem um filho de 17 meses abandonado numa fila de supermercado, por muito aliciantes que sejam outros estímulos, vulgo gelados e revistas".


 (P.f.: a existirem, preciso de comentários meigos)

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Resumo dos últimos 4 anos.

Era uma vez uma miúda simpática, muito dada e bem disposta, uma profissional liberal cheia de tempo e de frescuras.

Que encontrou um senhor igualmente bem-disposto, um verdadeiro gentleman

mas que não sabe pendurar os varões dos cortinados e que quando martela um prego cai parte da parede da sala, e ele diz que é apenas estuque (e então? é estuque e então? A parede partiu-se aos bocados ou não?)

(O que pôs em crise todas as minhas teorias de "eu quero é homens a sério, daqueles que sabem arranjar torradeiras")

E a isto chama-se AMOR.

 E o AMOR dá nisto.

Dá numa vergonha social muito grande, nem consegui dizer "estou grávida", porque isso implicaria revelar algumas coisas sobre a minha intimidade, então preferi dizer "vou ter um bebé", como quem diz " comi demasiada mousse, acho que vou ter uma dor de barriga" 

 E esta é a prova de que quando as pessoas estão em perigo iminente entram em absoluta negação.

E  que as pessoas ao seu redor têm tanto medo que dê a travadinha final que fazem-lhe as vontades todas, não obstante as recomendações obstétricas de "CESARIANA AGORA, DEIXEM-SE DE FOTOS"

ps - Mamas absolutamente... como direi?.. INCONSTITUCIONAIS.

Nesta foto reconheço perfeitamente o meu olhar esgazeado e sorriso azedo, com um único significado:

"Podes tirar a foto, mas se eu não gostar dela e não a apagares, irão existir vítimas graves. E não sou eu". (Penso que aqui o bebé pensou  que efectivamente a vítima poderia ser ele, mas na realidade referia-me ao pai  que insistia que eu tirasse uma foto no dia do teste do pezinho. Quem é que tira fotos no dia do teste do pezinho?! Quem?)

E tudo passou. Recompus-me do transtorno pós-cesáreo, a vida continuou, o bebé cresce feliz com leite da mãe e sopas da Bimby, os manos ficam felizes por terem um bebé na família a quem podem pegar numa perna e arrastar sala fora.

O pai gosta muito do bebé mas todos os dias me relembra que não pode ter mais um, porque já tendo 3, se tiver um 4.º  aos 35 anos toma uma cápsula de cianeto.

Mas eu sei que não toma. :)

Não, não estou grávida. A taróloga ainda não me disse nada.





quarta-feira, fevereiro 12, 2014

E tudo volta ao normal (not)

O Francisco faz 1 ano 2ª feira. Eu volto a repetir.: O Francisco faz 1 ano 2ª feira.

 SANTÍSSIMO NOME DE JESUS!!!

Ainda anteontem apanhei o susto da minha vida com a Taróloga no Fonte Nova de Benfica e agora o meu filho já tem um ano?

Ainda ontem iniciei afincadamente a minha mega-dieta para grávidas na adorável nutricionista para gestantes, engordei 21 kgs e nunca mais lá pus os pés por constrangimento alheio!!

Ainda ontem fiz sabe Deus o quê, uma vez que entretanto a minha memória piorou a 200%, sendo que também tento esquecer determinados períodos em que:

- enjoei de todos os cheiros existentes à face da terra, com especial incidência nos meus MÓVEIS DA SALA com o meu narigão inchado de porca;

- caminhei (ahaahahah hilarious, caminhei!) aos solavancos com as pernas/troncos retesados de tanta tensão e gordura  no difícil trajecto sofá/frigorífico  - frigorífico/sofá;

- andei permanentemente afogada em 2 bolas ultra-gigantes que suscitavam comentários e, juro, não eram lisonjeiros (Mamas. Assustadoras, mas clinicamente ainda eram mamas)

- HEMORRÓIDAS. Malta, a sério, não se brinca com coisas sérias, a srª das análises do Joaquim Chaves ficou tão perturbada que acabou por deixar escapar um "ai a menina depois vai ter mesmo que ser operada" depois de me tentar fazer uma colheita rectal com um micro-pauzinho e NÃO TER CONSEGUIDO (Nota de rodapé: Não fui operada. Voltou tudo ao sítio.Quase tudo).

O miúdo lá nasceu, gabado por toda a gente por saber mamar e chupar tão bem (aparentemente é uma aptidão que não é inata e requer alguma sensibilidade emocional)

E cresceu. Não desmesuradamente (mãe semi-anã, pai magricelas), mas bonito. Loiro, de olhos castanhos meio tortos como os meus, mas  que lhe confere um olhar diferente, misterioso (espero).

Não é por ser meu filho, mas acho que é um génio e é muito mais inteligente que todos as outras crianças, nomeadamente os irmãos Pedro e Afonso que já têm 10 e 9 anos. Temos pena, mas é.

1 ano. 2 dentes, unhas dos pés, tomates, tudo a que um bebé e sua mãe têm direito.

 E continuei a ser advogada, garantindo a comunidade traveca, ganhando romenos e conquistando cabo-verdianos, O meu próximo objectivo é malta de Leste, mas ainda não consegui.

Moral da história: Ter um filho é muito bom. E marido  também, especialmente matrimónio católico, por isso se me estás a ler Pedro Carmo, MANCA-TE.

E era só isto, nada de especial.

(MANCA-TE)


quarta-feira, janeiro 29, 2014

A minha Barriga ( parte XXVII)

A semana passada, numa ida simpática ao bairro típico da Cova da Moura, encontro-me com o meu cliente.

Perfil técnico do mencionado cliente:

 - cabo-verdiano de 2ª geração com personalidade francamente criminógena,
 - desconhecimento absoluto das regras básicas de vivência em sociedade,
 - 20 filhos dispersos, mas nenhuma pensão de alimentos, nem um brinquedo nem um par de sapatos entregue às crianças (argumento demolidor: as mães portam-se mal).

Basicamente, uma pessoa encantadora.

Devia-me dinheiro, mas como é usual entre a minha clientela, só se lembrou disso quando foi apanhado novamente pela polícia, acabou por ser solto mas novo processo-crime às costas.

A realidade é que ele estava verdadeiramente aflito. E eu também me dava jeito o dinheiro, daí a minha ida à Cova da Moura, uma vez que ele de tão borrado que estava não saiu durante 2 dias do perímetro da rua dele, escondido atrás de uns canaviais.

Cheguei ao pé dele às 8 da noite, cansada, olheirenta, um caco humano.

Berrei-lhe logo : O MEU DINHEIRO PÁ??!!! NEM PENSES QUE AMANHÃ VOU AO TEU JULGAMENTO! SÓ COM O CU APERTADO É QUE TE LEMBRAS DE MIM NÃO É? PAGA O QUE DEVES!! P-A-G-A!

Ele, numa pilha de nervos, no seu português acrioulado : DÔTORA NÃO MI ESTRESSA!!!!! JÁ ISTOU ESTRESSADO O SUFICIENTE, DOTÔRA NÃO MI ES..

E de repente parou. Arregalou as vistas e olhou para mim com olhos de ver.

"Dotôra" - disse com uma voz surpreendida

 "MAS QUI BARRIGA É ESSA HEIN????! MEU DEUS!!

Num micro-segundo percebi que de tão irritada que estava não tinha contraído a barriga como faço eficazmente desde os meus 14 anos. Estava com uma pança de taberneiro inacreditável,  mesmo com as collants redutoras, o que claramente o perturbou.

O MEU DINHEIRO PÁ!!! - continuei eu, perdendo o meu amor-próprio em prol do pagamento da prestação do carro.

Ele sem tirar os olhos da minha barriga sacou das notas, uma a uma, e entregou-mas, mecanicamente.

Naquele dia um mito caiu e deixei de ser a musa branca e boa dos cabo-verdianos da zona para ser uma pançuda avarenta igual a tantas outras velhas desdentadas da estrada da Damaia.

Mas não faz mal. Continuo com a minha comunidade das Travecas. Para essas serei sempre a Suprema Deusa, afinal basta não ter barba e maçã de adão. Travecas Power 4 ever ( e venham lá as comissões de assistentes sociais da comarca da Amadora fazerem comentários depreciativos sobre os meus textos).


Um grande OLÁ a todos, voltei ao activo! (sem ginástica, claro)

sábado, outubro 26, 2013

Meu Filho e Bebégel = Nada a ver

Nota prévia: enquanto escrevo, o puto degladia-se consigo próprio aqui na cama e vejo pernas e braços e peúgas pelo ar, vou tentar abstrair-me mas juro que é uma tarefa quase hercúlea.

O que me traz aqui hoje foi o facto de eu, ao ser mãe, descobri que pura e simplesmente não consigo lidar com introdução de objectos em cavidades e orifícios. (Que não sejam meus, note-se).

Na realidade, ainda na maternidade, quando que me disseram para limpar as orelhas ao miúdo com um cotonete, eu ia simplesmente desmaiando. Voltaram a repetir-me a ordem, porque, pelo que eu percebi, só davam alta às mães minimamente preparadas para o ser.

Voltei a agarrar no cotonete, aproximei-me daquelas orelhinhas de ratinho e de repente senti o chão a fugir-me. Sentei-me numa cadeira e disse "Não consigo. Juro pela minha saúde que não consigo."  A enfermeira olhou para mim aturdida mas vendo-me branca e com uma data de outras mães com quem se aborrecer, deixou-me em paz.

Noutra noite mandou-me pôr soro num cotonete e limpar o nariz da criança. Eu mal dava com a cara do miúdo quanto mais com as narinas! Lá as descobri, mas eram mais pequenas que duas cabeças de alfinete. O cotonete assemelhava-se a um tronco de uma sequóia. Vi tudo desfocado e sentei-me na borda da cama. Vieram-me as lágrimas aos olhos e pensei "Eu quero a minha mãe".

Já em casa, o verdadeiro horror aconteceu. O Francisco sem conseguir fazer o seu cocó e o Pedro a tentar ensinar-me a estimulá-lo com um tubinho de Bebégel. Desta vez eu não ia desmaindo. Eu ia mesmo morrendo.

Só de o ver a aproximar-se do rabo do miúdo com um tubo, fiquei com a tensão baixa. Quando o vi a introduzi-lo, deitei-me na cama e trouxeram-me um copo de água com açúcar.

O Pedro, nessa semana, obrigou-me a assistir. Ludibriei-o. Fingi estar super determinada a aprender e disse : "Avança". Depois entortei os olhos desfocando o cenário, enquanto ia lançando frases como "ah, realmente não é assim tão difícil" ou "isso alivia-o tanto, que bom", dando inclusive ligeiros  gritinhos. Isto sem ver nada.

Até que chega o dia em que o Pedro me obriga a ser eu. E ele é, digamos, assertivo. Não tive escapatória. A tremer agarro no tubinho. Olho para aquele rabo minúsculo, aquele esfíncter inocente, clamando piedade.

Chorei. O Pedro só me dizia impaciente " Ouve, o teu filho tem cólicas, está a sofrer, precisa de ti"". E aí chorei como se não houvesse amanhã.

E quando o Pedro se ausentou uma semana inteira para Cabo Verde, o meu mundo desabou. Numa madrugada com o Francisco e o seu cocó entalado, tomo um Xanax de 0.5, agarro no famigerado tubinho cortado do Bebégel e aproximo-me.

O Francisco olha para mim. Eu olho para ele. Encaro a fralda, retiro-lha e eis que surge um Rabo Desamparado.

O Bebégel assemelha-se a um míssel, tenho a certeza que já vi torpedos menos ameaçadores.
Olho para o rabo e parece-me um anjo em forma de cu.
Chorei, ele chorava, até acho que o gato estava com um ar triste (a Nina dorme na minha cama).

Desta vez não chamei pela minha mãe. Agarrei numa mochila, no saco dele e fiz-me à ponte Vasco da Gama. (sim Pedro, é verdade! Guess what, não estavas aqui para me impedires!)

Posso ser a pior mãe do mundo, mas felizmente tenho a melhor.



terça-feira, abril 30, 2013

Advogada Razoável, Péssima Testemunha

Caríssimos,a história que vos vou contar agora é deveras linda. Atentem:

O mês passado, uma tipa bem montada num BMW X3 bateu-me no carro por trás.

Concedo que, posto desta forma, pareça fácil  perceber à primeira que foi ela quem teve a culpa. Mas a realidade é que eu sou uma gaja muito gaja, e quando levei com o carro na minha traseira entrei  em histeria e esqueci todas as regras estradais e não consegui mesmo discorrer sobre quem seria a culpada e tive vergonha de lhe perguntar.

Ela, que era gaja ainda mais gaja do que eu, começou aos saltinhos a dizer "ai ainda bem que ninguém se aleijou, ai que bom, ai que bom", acrescentando "os nossos carros não têm nada, só umas raspadelas graças a Deus" e continuando a saltitar de volta para o carro dela, soprou-me um n.º de telemóvel e um nome dizendo-me para guardar o contacto para o caso de precisar de alguma coisa e pôs-se ao fresco no seu X3.

Quando caí em mim fiquei possessa. Olhei para a traseira do carro e até a matrícula estava comida. Buracos eram uns 5, o símbolo da BMW estava raspado e os sensores da marcha-atrás já não existiam.  Liguei para o Pedro a chorar a dizer que me tinham batido no carro.

Ele perguntou-me se eu tinha chamado a polícia. -  "Não".
Perguntou-me ainda se tinha preenchido a participação amigável. -  "Não".
Respirando fundo, questionou-me sobre a matrícula do carro.  - "Não sei, não vi. Mas ela deu-me tenho um n.º de telemóvel" - acrescentei. Silêncio sepulcral do outro lado da linha.

Enfim, depois de passar por estúpida e doente por não ter sensores de marcha atrás liguei-lhe. Curiosamente ela atendeu, mas o certo é que despachou-me sem parcimónia e disse que voltava a ligar. Não ligou.

Fiquei com os olhos raiados de sangue e comecei a preparar a minha vingança cruel. Fui ao google e ao facebook pesquisar pelo nome e localidade. Encontrei-a facilmente. A mesma cara de cu, as mesmas orelhas de ratazana e cabelo lambido.

Esfreguei as mãos (meu Deus, a urgência demoníaca que me assolou) e em 10 minutos já sabia tudo sobre ela, filhos, escolas, trabalho, amigos, concursos públicos a que concorreu, casas que tinha para arrendar, pesquisei os pais dela e ex-marido (um dono de uma escola de condução cujo n.º de telefone guardei).
"Vou lixá-la" - decidi.  Afinal sabia tudo sobre ela e tinha mil e uma ideias...

Mas o certo é que passados uns 2 dias ela voltou a ligar e combinámos fazer a participação amigável, pelo que temporariamente coloquei de lado a minha sede de vingança, mas com o coração ainda  a destilar muita raiva mal gerida.

Combinei com ela no dia seguinte, ainda expectante se ela apareceria ou não. Ela compareceu sorridente,  com os papéis do seguro na mão.

NÃO ERA a  rapariga do Facebook. 

Hihihi