segunda-feira, agosto 20, 2012

VI(m) D(o)ENTE

Se acham que o facto da Salsicha estar grávida é curioso, esperem até saber como é que me foi dito.

Naquele dia, eu e a Tininha não queríamos trabalhar, enfim, o costume.  Tínhamos coisas para fazer, presos para visitar, despachos para cumprir, mas estava muito calor e apetecia-nos era gastar dinheiro, pelo que decidimos ir finalmente à Taróloga de Benfica, profissional de estimação lá do mulherio do escritório.

Nunca lá tínhamos ido, mas desde que ela previra, com 6 meses de antecedência, coisas medonhas que estou absolutamente proibida de aqui reproduzir, eu e Tininha nem pensámos duas vezes. 

Primeiro foi a Tininha. Depois de a senhora acertar com precisão cirúrgica na confusão épica que é a sua vida amorosa, questões de saúde e de trabalho que mais uma vez estou vedada de contar, ficámos as duas com muito respeitinho. A seguir fui eu.

Nem tive tempo para aquecer a cadeira. Ainda nem tinha puxado a saia para a frente quando ela sentenciou logo:

 - " Vai ter um bebé "; " e é se já não está grávida"; "hum..deixe cá ver, sim, já está grávida".

Fiquei parada, com as mãos no forro, língua semi-dependurada e ar de estúpida. A Tininha gritou.

"Vai ser um menino" - acrescentou a senhora, na que se revelou ser ba consulta de Tarot mais rápida de todos os tempos (e ainda assim relação qualidade/preço/emoção francamente bestial)

A pantomineira da Tininha voltou a gritar. Eu continuei com a boca aberta e uma vontade incrível de vomitar. Por falar nisso, vomitar é agora o meu segundo nome (yeahhh deixei de ser Susana Sofia)

PS - A Tininha ainda não recuperou do susto. 

PS2 - (Acrescentado às 20h51): Ó MEU DEUS ISTO VAI SER UM BABY BLOG!!!

quinta-feira, agosto 16, 2012

Salsicha Grávida: Salsichinha a caminho

E o inevitável aconteceu, engravidei e em Fevereiro nasce-me uma criança.

E não, eu não faço o amor  (eu sou uma menina, dou-me ao respeito), a realidade é que numa noite de terramoto escala 6.1 de Richter em Maio, o sofá cama onde eu dormitava juntamente com o Pedro em Itália, sacudiu-se de tal maneira que acabei virada de pernas para o ar, estremunhada e de esperanças.

Perguntam-me qual foi a reacção do Pedro quando eu lhe disse. Não sei, não vi.  Estávamos num parque de estacionamento do nosso centro de saúde, eu atirei-lhe com o teste positivo para cima do colo tipo granada-caseira e gritei "VAIS SER PAI" e fugi espavorida pelo parque fora, a dar aos braços envergonhada pelas minhas próprias palavras.

Por mero caso, uma hora antes, eu e o Pedro fomos ao nosso médico de família. Fui  à consulta em último, e aproveitei para dizer ao sr. doutor que estava grávida mas que o Pedro ainda não sabia.

Médico  (de semblante preocupado) : "Mas...a Susana sabe...tem consciência de que o Pedro vai para a Guiné??"

Silêncio.

Susana   (titubeando)  : " Mas...mas... ele volta?"

Médico  (em declarado pânico) : "Eu acho... quer dizer, não sei, bem.. eu acho que sim!!"

Mistério desvendado: parece que o Pedro pediu na consulta as vacinas correspondentes para ir à Guiné-Equatorial, país ao qual eventualmente irá, mas em trabalho e durante apenas 2 semanas.  Médico abelhudo e Susana grávida e parva de todo a perguntar se o pai da criança volta...

Ainda,

Susana (ainda a suar) : "Dr, eu tenho medo... AINDA SOU MUITO NOVA PARA SER MÃE...!!!"

Médico (procurando qualquer coisa na minha ficha clínica): "Mas afinal.., espere..., então mas afinal quantos anos a Susana tem?"

Susana (em voz sumida) : "Quase 32..."

Médico: (sem paciência): "Pois é, uma verdadeira  Mãe Adolescente.".


É assim que me sinto.
Será que esta criança vai ler o meu blogue? Meu Deus, tanta asneira, tanta idiotice junta, que credibilidade a minha enquanto Mãe...Quão difícil será rectificar este blogue desde Julho de 2005?




domingo, junho 17, 2012

A Minha Traveca

Infelizmente nem todos percebem o tipo de humor (palerma ou não) que se faz aqui. Sei que andam por aí umas almas que acham que não gosto de homossexuais e que gozo com transexuais.
Não é verdade. As histórias que aqui conto acontecem precisamente porque me DOU COM ELES e faço questão de estar presente na vida de quem gosto. Eu trato os transexuais com quem me dou por TRAVECAS, o meu namorado por Suga Pilas e os gays amigos por Abafadores de Palhinhas porque os tenho no coração. Os preconceitos são das pessoas que se levam tão a sério e, Meu Deus, como eu tenho medo dessa gente que se tem em tão grande conta. MANQUEM-SE.


Fui beber um cafezinho com a minha Traveca Preferida -  (um dentinho só, dois metros, um toutiço, lembram-se?..uma espécie de Luisão ainda sem cirurgia de redesignação sexual), que entretanto já saiu da prisão e infelizmente recaiu no vício,

Cafezinho esse que culminou numa ida às compras no Pingo Doce que me deixou quase a zeros porque eu não sei dizer não a uma pessoa que sei que não come (aliás, por acaso até consegui verbalizar um rotundo NÃO, quando por entre pacotes de leite e cereais de chocolate, aquela aproveitadora me pediu um aparelho de TDT e ainda uma base da Maybelline de 18 euros para esconder aquela barba!).

Enfim, conversa puxa conversa - adianto-vos já que, à parte de ela não se mancar que é uma traveca muito feia, é no entanto, uma mulher muito, mas muito inteligente (O problema dela é mesmo a droga, e para a ter faz de tudo. De tudo mesmo, mas isso ficará para outro post).

No meio desse café, ela conta-me como foi presa pela 1ª vez. E eu fiquei chocada quando ela me fala em Roubo. Não era suposto a minha amiga Roubar mas sim Furtar, ou seja, sem violência. Contou-me ela e JURO, MAS JURO MESMO, TUDO VERDADE!:

Trav - " A Susana, sabe como é, quando ficamos com um cliente fixo que gosta de nós é como se saísse a lotaria né? Então eu comecei a ir com um senhor todo fino que até tinha um cargo importante, que andava numa cadeira de rodas, e e eu até pensava que era paraplégico mas depois  logo na 2ª noite fomos para o motel, eu fui à casa de banho e deixei-o na cadeira de rodas, pensando que ele ia balançar as pernas e ficar deitado e quietinho em cima da cama


Susana, qual não é o meu susto quando regressei  e ele ESTAVA DE PÉ, com o tronco peludo e 2 cotos a esbracejar!  ai amor, que grande susto que eu apanhei que até me ia dando um ataque!

Bem, quer dizer, o senhor lá tinha umas pernas de plástico, ao princípio deu-me um nojo mas passado uns tempos habituei-me e até nem desgostava dele, a verdade é que era um homem muito amável que se preocupava comigo. (eu ainda estava a limpar as lágrimas dos gestos que ela fez para demonstrar os cotos a barbatear)

O pior é que eu já dava na branca, e precisava mesmo de dinheiro, na altura tinha um namorado que me começou a dar ideias, para eu assaltar a casa do velho, e eu sempre a dizer que não, porque ele até pagava bem, e não valia a pena arranjar confusão, até que um dia ele me convenceu.
Bem, E o que eu fiz deu-me 5 anos de cana.


Choca-me... - disse eu

Uma das noites, ele levou-me para casa dele, estávamos na cama, na brincadeira, então ganhei coragem, amarrei-o à cama, e roubei-lhe tudo o que tinha. Ficou ainda lá umas horas atado.


Que horror! coitado do velho! - gritei


Bem, amarrá-lo à cama, bem, isso também não é assim tão grave! Ele gritava muito, mas eu sempre a pensar no dinheiro, na altura eram seis mil contos, eu estava pensar ir para a Suíça...,  O pior foi que ... (e escondeu a cara por entre os guardanapos que tinha no soutien  a fazer de mamas) o pior foi que eu deixei-o amarrado e ainda por cima... ROUBEI-LHE AS PERNAS E ESCONDI-AS!


MEU DEUS! - lancei horrorizada


Pois... quer dizer, com a confusão, eu queria esconder-lhe as perninhas para ele depois não fugir, mas  até acabei por levar uma comigo, depois ele lá se libertou dos atacadores, arrastou-se para o telefone e chamou a Judiciária.


  Fui apanhada no Conde Redondo. Nunca imaginei que ele tivesse coragem de fazer queixa, foi uma vergonha para ele! E na Boa-Hora, enfim, levei com os 5 anos por roubo". - concluiu ela, com o ar mais natural deste mundo (enfim, o mais natural que lhe é possível, se nos abstrairmos da imagem de um Luisão com um top de licra e micro-saia a roçar-lhe as bordas do rabo)


5 (cinco) anos de prisão. Para ela foi duro, para o senhor foi um escândalo, para mim deu-me uma história que eu nunca hei-de esquecer. O raio da traveca é tão esperta, só é pena é que com a droga lhe dê para o mal...

E TDT.. sinceramente, que mulher tão abusada!!!

sexta-feira, abril 20, 2012

Adoro-vos brazucas, não levem a mal.

O Pedro foi ao Brasil em trabalho.

O Pedro é lindo, inteligente, é a coisa mais sexy deste mundo, absolutamente adorável.

As brasileiras são sabidas.

Mandei-lhe e-mail: "Cuidado com as Jucineides nas praias de Fortaleza que ao que consta engravidam só de te cheirarem as cuecas".

Recebi a resposta: "Pormenor encantador do Ceará é a beleza exótica das pessoas. Elas e eles. Nunca vi um rácio tão desfavorável para uma população. Na certa, 99 em cada 100 pessoas têm semelhanças com os seus ascendentes, nomeadamente com os seus avós após falecerem."

(Teve ainda o cuidado de me dizer que "Aqui no centro fica a praia do Futuro, onde o célebre grupo de trolhas ficou do lado errado da parede de cimento. É medonho. Areia e água imundas.")

Falei com um cliente meu, preso, e que é de Fortaleza ( e para lá vai ser recambiado muito em breve). Perguntei-lhe acerca da beleza das meninas.

Derivaldo Afrânio (ansioso por falar, sou a única visita dele)- "Xiii... Beleza? As mulheres do sul sim... Mas as do Ceará?!Dotôra, se eu vou num calçadão, ou na fila de um banco, qualquer lugar...nossa o que não falta é MULHER FEIA!!!"

"E a dotôra é linda..." - acrescentou maroto, imbuído do espírito confiante de quem dá uma boa notícia a alguém e espera retribuição.

"Sim, eu sei" - respondi secamente, desviando o olhar da sua cara horripilenda de antílopes das estepes.




sábado, março 31, 2012

Ele já mudou de PIN

A semana passada estava com uma pessoa cujo nome não irei revelar mas que chamarei de "José".

Fomos almoçar a um restaurantezinho muito simpático, mas incrivelmente pequeno, com as mesas todas atravancadas umas em cima das outras.

Após uma lauta refeição, tivemos que pagar. Bem, ele teve, já que ma ofereceu. Como eu era a pessoa que estava mais próxima do balcão, levei o cartão de multibanco dele, decorei o código, e passando por cima de cabeças e mesas lá cheguei ao senhor da caixa.

Óbvio que no decorrer daqueles 10 segundos que mediaram a saída da minha cadeira até à chegada ao balcão, esqueci-me do código.

Não muito subtilmente, até porque o restaurante estava cheio, todos conversavam e havia o burburinho típico da hora das refeições arrisquei:

- Olha, como é que é .. aquilo?

"José" - "Susaninha, "ODISSEIA NO ESPAÇO"

Eu - "HEIN?"

"José" (num tom de voz mais elevado) - "ODISSEIA NO ESPAÇO!"

Eu (enfastiada) - "Opá, eu quero é saber "aquilo"!"

"José" (berrando lá do fundo da sala) - "ODISSEIA NO ESPAÇO!!!KUBRICK!!"

Desconhecido danado que aguardava lugar de pé à porta da entrada - "MINHA SENHORA: DOIS ZERO ZERO UM!"

Silêncio desconfortável na sala.

Vêem-me as lágrimas aos olhos e marco o PIN.

Saímos os dois o mais sorrateiramente possível (o que não foi fácil dado que o meu amigo sofre de olho preguiçoso, vulgo não vê a ponta de um corno, e quase todos os presentes no restaurante o tiveram que ajudar a agarrar na bengala e sair atrás de mim).

Mais uma vez silêncio, até ele se desatar a rir.

Abomino Cult Movies.




domingo, março 25, 2012

Vida Boa






Para provar que invento muito, mas não minto.




1 - A gata psicótica com compulsão sexual que se alambuza na urina das crianças n.º 1 e 2;


2 - A criança n.º 1 que faz chichi e não puxa o autoclismo e tem um fetiche por caudas;


3 - A criança n.º 2 sem dentes que grita "Anger" dos Downset (HOSTILITY TOWARDS THE OPPOSITION!!!!!!) aos meus ouvidos em TODAS as viagens de carro.




Aliás, escrevo neste momento no blogue para fugir ao barulho de Faith No More. Algo me diz que vou recomeçar os posts semanais de fones nos ouvidos e lágrimas nos olhos.

domingo, março 18, 2012

Nem sei que título pôr

Há coisa de ano e meio que sou oficialmente e, preparem-se, "madrasta"(Chocante, eu sei). As crianças, de 6 e 7 anos ( espertos que nem ratos, que choramingam para o pai lhes atar as sapatilhas mas entram no carro e cantam Alice in Chains em berros demoníacos) enfim, estes dois loiros de olhos verdes/azuis têm efectivamente duas características engraçadas.


A 1ª é que os adoráveis querubins jogam "Gears of War III" (nível hard) aniquilando monstros humanóides com lança-chamas e com moto-serras, utilizando comandos com controladores duplo-analógicos, salvando a Humanidade



A 2ª é que quando dá a Rosa Fogo na SIC o mundo inteiro pára.



Apesar de cá em casa as novelas não constarem das nossas opções televisivas, certo é que os miúdos seguem-nas com sofreguidão e fazem questão de reproduzir fielmente as cenas de amor (especialmente os da Alma Gémea, taradice pegada), dizendo com sotaque brasileiro "me dá um beijo amor", "isso é sexo forçado!", "vamos fazer sexo" e "quero fazer sexo Ivan", enquanto de olhos fechados e bocas abertas e línguas de fora, acariciam as próprias costas com os bracitos cruzados, vivenciando intensamente o momento.



Nós estamos acostumados ( efectivamente ainda só não me habituei ao facto de antes de irem tomar banho fazerem sempre questão de me mostrarem o rabo ficando com os tomatitos dependurados); mas claramente que o resto do mundo não.



Ontem fomos jantar fora com os tios dos miúdos, irmão do Pedro e respectiva mulher, senhora de grande sensibilidade. No final da refeição o mais velho pediu um Calipo. Foi o fim do mundo em cuecas.



Cenário: miúdo de 7 anos com as duas mãos a agarrarem carinhosamente o Calipo, com a língua a rodopiar e os cílios a piscar , ar lânguido e um " VAMOS FAZER SEXO AMOR!"perfeitamente audível no parque de estacionamento. Semblante pálido da tia e olhares incrédulos dos casais presentes.



Lá explicámos o mais rápido possível que para estas amorosas crianças, fazer sexo são beijos na boca, beijos estes que suscitam as curiosidades normais nestas idades (eu acho que não era assim, mas também só dava o Sassaricando e Sassá Mutema)apesar da tia, lívida, continuar com a mão no peito, ainda assombrada pelo fellatio homossexual que afinal só acorreu na cabeça dos adultos.



Pessoalmente, achei extremamente divertido. Vou tentar fazê-los comer em frente aos bisavós.

domingo, março 04, 2012

O teste.

Depois do último post que foi um hit e atingiu 506 comentários, sendo quinhentos e um a dizerem "amo-te", ou ainda na variante "amo-te meu amor" (desse egrégio leitor que se chama Anónimo), voltei.

O Pedro ofereceu-me há uns tempos uma gatinha persa de 4 meses. Eu sorri, contente, embora soubesse que isto seria uma avaliação informativa para aferir as minhas competências maternais (vulgo não deixar morrer o animal). Não obstante saber que as mesmas são praticamente nulas não me preocupei demasiado, afinal alimentar o animal e manter a caixa limpa de cocós parecia-me algo relativamente simples.

Não é :(

Comprei orgulhosa um saco de friskies para gatos, coisa fina de 4 euros. Ora no dia seguinte tinha a casa pejada de fezes diarreicas nos sítios mais incríveis que se possam imaginar. Erro n.º 1: Friskies sim. Gatos não. Gatinhos.

Depois de saudades loucas da minha Yupi (não morreu, está em Belas), afeiçoei-me a este bicho (Nina) exigindo-lhe beijos e obrigando-a a recebê-los, uns atrás dos outros, com os seus bigodes húmidos. Húmidos? Sim, depois de tantas trocas de manifestação de amor humano/gatídeo, apanhei-a DENTRO da sanita (atenção, não é a beber da sanita, é dentro dela mesmo) a deleitar-se muma absoluta luxúria com o chichi dos miúdos (descobri tardiamente que as crianças não puxam o autoclismo quando fazem chichi, apenas o n.º 2. Weird..) Erro n.º 2: Beijos sim. Na boca não.

A coisa até nem estava a correr mal, aparte do cocó desenfreado e dos bigodes de urina.

O pior foi quando um dia estava na sala a ver o America Next Top Model e oiço miar mesmo ao meu lado. Um miar esquisito, muiiiito esquisito. Olhei na direcção do gemido e à minha frente, a menos de um palmo desenrolou-se um verdadeiro filme de terror.

Uma gata.
Um cio.
Uma vagina escancarada de cor vermelha a verter secreções acastanhadas e um períneo brilhante e dengoso a 2 cm do meu nariz.

Não aguentei a pressão. Foi uma mistura de miúdo do Sozinho em Casa a pôr after sahave com Tom Sawyer a fugir rio abaixo... só sei que gritei e atravessei num tiro o corredor a tremer.

Curiosamente, o Pedro percebe bué de genitália feminina dos gato e lidou bem com o facto da nossa gatinha de 6 meses já ser afinal uma porca do hi5 de enorme receptividade sexual.

Não sei se passei no teste da competência parental ou não, mas que sofro tal como uma mãe que vê a sua filha (que ainda ontem brincava com O Meu Pequeno Pónei) a exibir dengosamente, de rabo alçado, uma vulva inchada e purpúrica... isso sofro.

Não sou de intrigas, mas ia jurar que a Yupi já nasceu velha e menopáusica. Pela minha saúde (refluxo urinário grau IV, desvio do septo nasal grotescos), nunca vi nem um dozeavo do que se passou naquele dia, naquele sofá. Moral da história: Adoro bebés. Pequeninos.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Peso Pesado e a Filosofia Ocidental

Malta,

Urge dizer-vos que tenho visto o Peso Pesado (e também a Casa dos Segredos ocasionalmente, mas isso não é para contar a ninguém) (e ficará para outro post).

Tenho uma colega de faculdade nessa Herdade, a gorducha Marta (simpática mesmo), e ontem eu e o Pedro voltámos a espreitar o programa.

E chegámos a uma conclusão. Amo o Pedro e fomos feitos um para o outro.

Com efeito, após uma altercação lá na Herdade não sei bem com o quê, ouvimos o gordo Alfredo que pesa 200kg a gritar,

(sendo que um outro lhe disse em plena discussão "tens 200kg mas não me assustas" e eu e Pedro ao mesmo tempo "f...não te assustas mas devias! ")

E foi aí que tivemos, ao mesmo tempo, uma epifania. Ao ouvir o gordinho Alfredo, de 200kg, na mais completa indignação e fúria, olhámos um para o outro e dissemos ao mesmo tempo:

"Roto!".

Ao mesmo tempo! O amor é tão cúmplice...

Após a constatação que o Alfredo é gay ( e acho muito bem, a genitália masculina é amorosa), o Pedro, que é um filósofo conceptual e gosta de analisar tudo ao pormenor, após um período de breve reflexão afirmou:

"Se o Alfredo for passivo, garanto-te que é frustrado."

"Porquê?"

"Porque com 200kgs acredita que é preciso mais de meio metro de piça para lhe atravessar aquelas bordas do cu". "E olha que meio metro não é fácil de arranjar. E eu não posso lá ir porque não sou roto".

Reitero o meu amor por Pedro,

Esse grande homem que prioriza o seu olhar sobre a condição humana e a retrata magistralmente.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Auto-avaliação: nota 5 (0/5)

Só uma pequena anotação da última conversa que tive com o meu irmão:

- Então minha grande besta , vais para esses países medonhos russos e bielo-russos, mesmo tendo visto o Hostel 1 e 2?

- E... que queres dizer com isso?

- Não tens receio de ir para esses motéis sinistros, em que dormes em quartos de 15 pessoas, a pagar €3,50 ? Uma espécie de ameaça velada que paira sobre ti durante a noite?

- E por que razão teria medo?

- ...Não tens medo de ir parar a uma camarata com seres tipo, hum... clinicamente perversos? Psicopatas, psicotrópicos e afins? Pessoas de quem deverias ter medo, muito medo!


O meu irmão sorriu e lançou-me um olhar sobranceiro.


- Susana. minha grande estúpida:

EU SOU A PESSOA ESQUISITA DE QUEM OS OUTROS 14 DEVEM TER MEDO.

Nunca fui calada com tanta propriedade. Nuno, os meus sinceros parabéns.



quarta-feira, agosto 31, 2011

Nuno, A Derradeira Ilusão de Óptica .





Olá. Este é o meu irmão Nuno, já tão amplamente denegrido neste blogue (e rádio comercial).

O meu irmão Nuno, como bem sabe quem o conhece, é um grandessíssimo chulo. Como Judas seboso que frontalmente se assume, faz mil e um negócios, engana-me sempre que pode ( e eu deixo sempre enganar-me), conseguindo safar-se SEMPRE MAS SEMPRE MESMO de qualquer situação, gozando a vida como um verdadeiro lorde inglês.

No fundo é um bode ranhoso (mas é o meu irmãozinho de quem gosto tanto).

Agora, atentem:

Eu este ano fui passear a Monsaraz e a Dornes.
O meu irmão foi à Rússia.
O ano passado fui ao Funchal.
O meu irmão foi à Las Vegas, México e Califórnia.

Nessa medida, e no seguimento do post infra, tenho-vos a dizer que o meu irmão, ao invés do famigerado tio do namorado Maxo-Pila é, oficialmente,

A ÚLTIMA MATRIOSKA (Mini-Pila), ao contrário do que a sua foto (tirada em Moscovo) sugere!

Aquietem os vossos corações preocupados. Sei por fonte segura que ele não lê este blogue (hihihi)

PS-Pedro, adorei as nossas férias



sexta-feira, agosto 19, 2011

Sorte da tia

Escrevo-vos este post atraves de um irritante teclado espanhol, pelo que o mesmo seguira sem qualquer acentuacao e a pontuacao falhou a meio (desisti.Reconheco a superioridade intelectual deste computador e ja nao estou para me aborrecer mais)

A proposito de um atleta afro-americano do Belenenses gigante que conheci, aflorei a conversa mais batida do mundo:

Eu: coitadas das coreanas, aquilo para fazer filhos deve ser triste. Falo com as mulheres dos meus clientes, olha que as sao tomenses ate saltam.
Ele: dizem isso dos africanos, mas olha que o meu tio V.... tem ca uma destas pilas
Eu : a serio? estou chocada, ele ate e um bocado caga tacos, pequenino
Ele: eu sei, mas tem um pilao que so visto
Eu: mas como e que tu sabes?
Ele: jogamos futebol e estamos nos balnearios

Matuto. O tio dele realmente nao e nada alto e aquilo faz-me especie.

Eu: mas olha la, quer dizer, pila grande, mas pila grande tipo o que?

Ele reflecte alguns segundos, perspegando os olhos no tecto.

Ele: Hum... Estas a ver as Matrioskas?
Eu (nao muito segura de perceber aquilo que ele vai dizer) sim... que tem?
Ele: Bem... Digamos que ... Olha, imagina que existia uma Matrioska de Pilas,

Silencio

Ele: Estas a imaginar ou nao
Eu: sim...
Ele: Entao digamos que na formula das Matrioska de Pilas, a do meu tio seria a do exterior.

Desatei-me a rir.

Ainda tive o discernimento para lhe perguntar qual seria a dele, e ele a hombridade de confessar que estaria là pelos meios.

Quando voltei a cumprimentar o senhor quinquagenario, fi=lo com todo um outro respeito.

quinta-feira, agosto 18, 2011

A importância de ser-se Susana

Depois de me ter queixado da falta e saudades do meu seio familiar, chegou a vez, em boa consciência, de me vangloriar da importância da minha presença nessa mesma casa e escrever aqui, em letras garrafais, que acho UM PERFEITO ESCÂNDALO NINGUÉM CHORAR A MINHA AUSÊNCIA!

Fá-lo-ei em breves linhas:

1 - A minha velha cadela Yupi (17 anos), andava com uma comichão doida na boca, escafiando violentamente os seus bigodes e já tendo inclusive uma ferida (situação comentada telefonicamente pela minha mãe).

2- A minha mãe volta-me a ligar e reporta-me orgulhosa e freneticamente que o lambão do veterinário queria cobrar-lhe 30 euros para observar o cão , mas ela foi muito mais esperta e dirigiu-se à loja das rações dos animais.

eu fico calada a ouvir o seguimento do monólogo

3- Depois, a minha mãe diz-me que a senhora das rações a informou que aquela ferida derivava certamente das gânfias do animal, e que, naturalmente, as devia cortar e na ferida aplicar uma pomada de bactericida que aquilo passava rápido. Aconselhou-a ainda a comprar o amoroso abajour para cabeças de cão (os chamados colares isabelinos). A minha mãe declina educadamente dizendo que o meu pai faria um.

4 - Custo do incidente canino: 5 euros pela pomadinha (o meu pai fez literalmente um abajour de um garrafão de azeite e prendeu-o com um atacador) . Mãe orgulhosa desliga o telefonema ainda a blafesmar contra o judeu do veterinário.

5 - Mãe volta a ligar, ligeiramente preocupada, dizendo que o cão andava um pouco abatido, mas que devia ser da vergonha do abajour (o facto de ser uma anciã dá-lhe um certo estatuto nos cães cá da rua).

6 - Mãe liga no dia seguinte, aflorando o isolamento persistente do cão, e mencionando, inclusive, o aspecto um pouco fungoso (palavras dela) da ferida.

6 - Vou finalmente a casa.

7 - O cão tem, objectivamente, metade da cara podre.

8 - Histérica, obrigo-a a ir ao veterinário.

9 - Cão sujeito imediatamente a intervenção cirúrgica no Hospital Veterinário do Restelo, para extirpação de um abcesso de um dente que já lhe estava a carcomer as entranhas.

10 - Custo total do incidente: 350 euros da cirurgia, mais 50 de consultas, mais 45 de medicamentos, mais os 5 da pomada da estúpida da mulher das rações.

11 - Ri-me sadicamente para a minha mãe. Tudo teria sido evitado se eu estivesse em cssa porque, aparentemente, eu sou a única pessoa normal que nela habitava. Ter-se-ia pago a consulta inicial do veterinário (30 euros), que facilmente lhe administraria um antibiótico e anti-inflamatório.

Percebo no olhar da Yupi que ficou muito fragilizada com a situação. Não pela ferida (mais focinho, menos focinho, tanto se lhe dá). Mas pela facto da minha mãe, no fundo, a sua mãe também!, não só ser uma grande avara como completa e absolutamente alienada.

Faltava lá eu e todos reconheceram a preciosidade da minha presença. Acho que a minha existência terrena é, simplesmente, um profundo milagre.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Salsicha e a Prostituição nos motores de busca mais incompetentes do mundo

Estando hoje imbuída do maior espírito inquisidor, resolvi investigar melhor este blogue e descobri uma opção que diz: ESTATÍSTICAS.

Logo ali se me deparou uma parafernália de opções para eu perceber quem lê, por que lê, como chega aqui, entre outras coisas que não consegui perceber muito bem...

Agora, os agradecimentos cá do fundo: piston do meu coração, a maçã de eva e o desassossego.

A seguir, um TERRORISMO SOCIAL que nunca pensei vivenciar:

Para se chegar à salsicha girl, a maior parte dos curiosos vem pelo "salsicha não te desgraces" (normal, julgo).

Logo a seguir, em 2.º lugar, vem um sugestivo "como ser prostituta" e, num honroso 7.º lugar, ex-aequo com "odeio a bimby", aparece um adorável"como se tornar prostituta"!

(Penso que é interessante analisar como as pessoas distinguem o pormenor de ser-se prostituta e a de se tornar prostituta. É reconfortante perceber que as pessoas não se sentem logo umas porcas, ao invés, tentam antes descortinar todas as vertentes prostíbulas que se lhes apresentam. Meretrizes cautelosas, no fundo. Ou lenocidas prudentes(lenocinas? o código penal não lhes dá nome).

Dirijo-me agora à horda de gente esquisita que cá vem inadvertidamente parar: não sei por que motivo o motor de busca vos trouxe a mim, e que espécie de circuitos sexuais é que frequentam.

Não tenho nada de concreto para vos ensinar, a não ser que, ainda assim, Jesus vos ama.
E que ser-se prostituta não é, efectivamente, crime. Mas fazer-se massagens prostáticas a 20 euros quase que juro que é. Absolutamente lamentável.

Quero a minha querida Mãe. MÃE. MÃE. MÃE.

É verdade, não tenho escrito. A minha vida mudou e, em agradecimento aos inúmeros comentários (na sua grande maioria carinhosos insultos), vejo-me na contigência e, afinal, grande prazer, de partilhar convosco o meu último ano. Perceberão assim, espero, o porquê de me ser cientificamente impossível escrever neste blogue e se mereço ou não a vossa total compreensão.

Exemplo aleatório de 2 episódios domésticos (dos mais de 20 que detenho), que me fazem exaurir mentalmente:

1.º episódio)
Ele chega a casa. Vai tirar um iogurte ao frigorífico mas aquieta-se à porta deste.
- O que é isto? - ri-se ele a olhar de esguelha para mim
- O quê - respondo eu com ar abstraído, enquanto limpo discretamente a nhanha de melancia que esparramei pela centésima vez na mesa, com a ponta da minha echarpe.
- Bem, este post-it bastante ilustrativo que diz (pigarreia): "Base de sopa: cebola, água, cenoura, batata. Cozer em água 20 minutos e esmigalhar. Rechear com agriões, espinafres ou couves. Só no fim.".

Nem soube muito bem o que dizer. Já estudei muito, adoro ler, e tenho uma excelente memória. Mas bolas, antes fazer um tutorial de como resolver um cubo de rubik do que o flagelo de permanecer numa cozinha mais do que 3 minutos (tempo que considero estritamente necessário para compor uma sande de fiambre e um iogurte açucarado num tabuleiro e desandar dali o mais rápido possível).

E para quem se está a interrogar neste momento: sim, sempre que preciso de fazer uma sopa necessito de ir ao youtube, digitar "fazer sopa" (melhor site do mundo: SABORINTENSO - obrigada Neuza, és linda) e ir pondo no pause à medida que o vídeo avança, saltitando entre o fogão e o laptop. E sim, NÓS NAMORAMOS, somos muito felizes e sublinho que faço maravilhas noutras coisas.

2.º episódio - dos tais 20 Deus meu)
Abro o cesto de roupa suja para pôr as farpelas do menino a lavar (o que me dobra a responsabilidade por não ser roupa minha) e deparo-me com um cenário medonho. Calções cremes com riscas azuis escuras; boxers brancos com um boneco da Sininho verde fluorescente; t-shirt bege com uns desenhos com toda a tabela de cores existentes no mundo inteiro e não estou a exagerar.

Estou sozinha em casa, sinto-me perdida e faço a única coisa que uma menina criada a compotas de morango e um milhão de beijinhos tem que fazer: começar a chorar copiosamente e ligar para o telemóvel da mãe.

Felizmente tudo se resolve. Por entre soluços, vou escolhendo os dois montinhos de roupa de cor e roupa branca conforme as indicações dela - não só nada convencida daquilo que faço, como completamente chocada por pôr as minhas preciosas cuecas cor de salmão no monte de roupa branca (tipo, não é máquina de roupa branca e máquina de roupa com cores??? é só impressão minha ou o salmão, o turquesa e o cinzento são efectivamente CORES ? Até fico confusa a tentar explicar isto, imagine-se o tumulto de EFECTIVAMENTE COLOCAR A ROUPA NA MÁQUINA!)

Eu sei que isto passa. Que um dia farei isto de olhos vendados, com uma perna às costas, dobrada ao meio, a esticar o cabelo e a fumar um cigarrinho. Mas, acreditem - enquanto isso não acontece (tipo saber seleccionar a mais brilhosa hortaliça ou o melhor espadarte fumado) sinto-me, oficialmente, um triste espectáculo.

Repito: faço outras maravilhas.

sábado, abril 16, 2011

Quantas vergonhas explanadas ao longo destes 6 anos de blogue? Inúmeras. Maior que esta? Nenhuma.

Não sou de criar intrigas, mas a problemática de praticamente vivermos com uma pessoa, na casa dela, passa unicamente pela seguinte questão: Como, pelo santo amor de Deus, mas como é que vocês conseguem utilizar descansada e relaxadamente uma sanita que não é e nunca foi nossa?


E refiro-me concretamente ao acto de defecar, vulgo fazer um cocó. (Acho realmente horrendo não escrever no blogue há meses e depois vir com esta conversa, mas acreditem que foi ela mesmo que me conseguiu fazer sentar neste computador e desabafar).

E agora, o horror social do ano: Susana vive então 6 dias por semana numa casa. E um dia por semana na sua própria casa. Susana não faz cocó durante 6 dias, porque no escritório não consegue, trabalham lá 15 pessoas. Então, Susana carrega diariamente no ventre um pequeno ser, que dá à luz sempre que dorme na sua própria casa.

Até que um dia, enche-se de coragem, e, na casa que não é sua mas que estava vazia, baixa as calças e faz um firme e bojudo cocó. E vai trabalhar, feliz por ter ultrapassado este obstáculo.

À noite ao telefone:


Ele: Então, hã, os meus parabéns!


Eu - Hein?


Ele: Fui à casa de banho e na sanita estava lá um floater a olhar para mim!


Eu (silêncio)


Ele: A sério, aquilo saiu mesmo de dentro ti?!


Eu (estado de choque)


Ele: O gajo era rijo hã?! Se tu visses como ele lutou pela vida!


Eu (horrorizada)


Ele: Olha que só o consegui partir pela espinha com duas descargas do autoclismo..


Eu: OK! JÁ PERCEBI A IDEIA!!!!


Ele: A sério, fico muito feliz por já cagares cá em casa!


Depois dos meus pruridos todos em fazer cocó, vou lá e sem qualquer pejo faço um de tal maneira, que flutua e rodopia durante 8 horas, nunca cedendo à morte precisando de mais duas descargas para desaparecer sanita adentro!

Voltei a carregar no ventre o meu progressivo alien.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Fui Mãe Natal. Duvido que volte a sê-lo.

(Post atrasado, mas muito sentido)

Dia 20 de Dezembro, fui com a minha associação distribuir umas prendinhas aos miúdos lá de um bairro. Naturalmente, recusei-me vestir de homem (Pai Natal) e optei pela versão feminina de Mãe Natal, de decote e casaco cintado, que sempre fui gaja de muito brio e sexyness - embora com umas calças vermelhas 44 h-o-r-r-í-v-e-i-s.

Finda a noite, prendas e cabazes entregues, suada mas feliz, apercebi-me que um velho absolutamente caquético acabara de cair de umas escadas abaixo e por aí ficara assustadoramente inerte, olhos revirados e língua dependurada.

Corri para ele o melhor que as calças 44 mo permitiam e esbofetei-o até revirar novamente os olhos a uma posição considerada relativamente normal (acho que se ele não ia morrendo do trambolhão ia morrendo da minha manobra de reanimação).

"ONDE MORA?! RÁPIDO!" - exclamei aterrorizada antes que ele morresse e eu ficasse em braços com um cadáver por identificar.

"terceiro c" - titubeou o velho mais velho que eu jamais havia visto na minha vida (acho que os cabo-verdianos duram todos claramente mais de 110 anos)

Subi ao 3.º c à velocidade da luz e toquei à porta.

Duas crianças abrem-me a porta. Primeiro, o pasmo silencioso. Depois, a felicidade espelhada nos rostos:

"AHHHHHHHHHH, É A MÃE NATALLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PRENDAAAAAAAASSSSSSSSSS!!"; " E O PAI NATAL?!" "PAI NATALLLLL!!!" - perguntam eles tentanto gulosamente espreitar por detrás de mim.

É realmente aflitivo. Os impacientes dos petizes saltitam e saltitam, e aparece um irmão mais novo, que por sua vez embala um outro ainda mais novo e todos batem palmas, e derretem-se em efusiva alegria até que eu tenho mesmo que avisar:

- hum... meus queridos, oiçam-me, os paizinhos estão?

- SIM!!!! SIM!!! MÃE NATAL!!!! PRENDAS!!!

-Então digam-lhes que... hum.. digam que caiu para ali um velho das escadas abaixo e deve ser o vosso avô, bisavô, ou coisa do género. Digam aos pais que é melhor irem lá abaixo ´tá? - explico eu enquanto arregaço as calças e preparo-me para fugir escada abaixo, mas com cuidado que o piso estava realmente escorregadio. E é o que faço, não sem antes me aperceber da choradeira crioula que já havia contagiado o prédio inteiro.

O homem sobreviveu (parece que tinha ido à rua fazer um chichi. Credo, é esta a famigerada sabedoria da Velhice?).

E eu fui, orgulhosamente e sem margem para dúvidas, no ano de 2010 a pior Mãe Natal de que há memória, sem saco de prendas e, pior, sem qualquer sensibilidade feminina para dar más/péssimas notícias.

Assim sou eu. Ansiosa pela quadra natalícia de 2011 ;)

quarta-feira, outubro 27, 2010

O caranguejo toxicodependente que lia clássicos franceses

Eu sei que era suposto falar da Madeira, parte II, mas voos mais nobres se levantam:

Eu e J, em julgamento de um recluso preso por nem sei quantas toneladas de crimes, e a responder, invariavelmente, por mais uns quantos. Na realidade, já iamos a rir no corredor antevendo os bons momentos que irira constituir aquela audiência de julgamento - (muito compungidos, no entanto, dada a dignidade da profissão e do cidadão se condói com a realidade do mundo do crime ).

E por que riamos nós? É que este senhor é, provavelmente taco a taco com a traveca, o cliente mais interessante e curioso que eu tenho. Vejamos: - toxicodependente há 25 anos, portador da doença bipolar, anarquista, ferrador de cavalos nos tempos livres, surdo de um ouvido mas técnico de som, cego de um olho mas tatuador profissional,fala 5 línguas, filho de um ex-embaixador, lê Émile Zola - "mas tenho uma preferência pelos escritores bizantinos" (medo!!), enfim, este julgamento por furtos simples prometia.

Pérolas avulsas:

(Explicando que tinha sido detido por populares furibundos à porta de um Pingo Doce)" Meretíssima, eu juro, eles atiraram-se a mim e eram à vontade mais de 15! Caí ao chão, placaram-me e eu fiquei para ali...olhe, eu fiquei para ali que nem um.. olhe, que nem um caranguejo de pinças para o ar! (contenho o riso visualizando a cena e nem posso olhar para o J);

"Meretíssima, palavra de honra, quando ouvi o carro da polícia... Meretíssima... eu juro por tudo quanto é sagrado, nunca em toda a minha vida me senti tão aliviado!" (Mais uma vez nem posso olhar para o J, e felizmente ele não me vê. Só o oiço num riso fininho tentando não se engasgar).

E para terminar (questionado acerca do seu arrependimento ): "Se estou arrependido?! Meretíssima, estou preso há já 1 ano e o que eu queria mesmo era, com o devido respeito e perdoe-me a expressão, era mas é fazer uma data de bebés com a minha mulher... Eu sei lá..., sei lá, uns 20 ou 30! "

Su e J deslizam cadeira abaixo a rir que nens uns perdidos, perante a simbólica mas pungente expressão "fazer uma data de bebés", já nem querendo saber com quem e muito menos a quantidade exacta!! Bem, bebés bebés, só se for com as pacientes do hospital psiquiátrico. Conseguimos o internamento em vez de pena de prisão. Duo Broa de Mel no seu melhor.

terça-feira, outubro 19, 2010

A Madeira, a UNESCO, e os Parvos Parte I

O meu sonho de criança foi desde sempre ir à Madeira. Nomeadamente visitar o Curral das Freiras e floresta Laurissilva, grande e glorioso património da Humanidade (bem, criança talvez não, apontemos talvez para os 26/27 . 28 no máximo. tenho 30. buáá).

Bem, este Verão fui então com uns amigos para o Funchal durante uma semana. Depois de ultrapassada a eterna questão de sempre - descolagem e aterragem em absoluto estado de pânico, aos murros e convulsões contra os assentos do avião e companheiros de viagem (sim, aviãofóbica, e então?);

fiz a voltinha recomendada: comi bolo do caco, vomitei-me nos teleféricos, bebi poncha e brisas até não apertar o cinto, abarrotei-me de bolos de mel, fiz amizade com baratas voadoras absolutamente gigantescas, beijei de língua todas as bandeirolas, cartazes, porta-chaves e t-shirts com o corpo do Cristiano (enfim, o normal) e passei,

juntamente com o ignorante do Nelson, a chamada grande, grande vergonha social:

Susana e Nelson, felicíssimos em terras de Bartolomeu Perestrelo e entretidos no comércio de rua: Muito bom dia, se faz favor, quanto custa este Caralhete ?

Vendedor de meia-idade (ligeiramente intrigado): Nâm pêrcebéi, éste quéé?

Nelson - em alto e bom som, para o senhor perceber o seu sotaque continental, referindo-se ao instrumento musical dos bonequinhos de pau adornados com trajes da região:

(Susana ficou desta vez calada, antevendo possível engano)

- Muito bom dia, se faz favor, quanto custa este C-A-R-A-L-H-E-T-E? - soletrou ele, enquanto apontava de dedo em riste e sorriso franco e aberto para os ditos bonequinhos.

Vendedor (revoltado até às entranhas): QUÉE??!!!! ÊSTE É ÂM BRÂMQUEINHE!!(Brinquinho) ÃM BRAMQUEINHE!! - SEI DAQUEI MÁLCRIADE! !! uivou ele, enquanto nos tentava acertar (maldosamente, mesmo!) com um Brinquinho, que de brinquinho não tinha nada, mais parecia um gigantesco mastro vertical com uma colónia de duendes a acasalar.

Enfim, quero crer que um amigo mais humorizado do Nelson o tenha enganado e, ele, inadvertidamente, nos tenha enganado a nós. Só sei que mal tivemos tempo de fugir colina abaixo (ultrapassando os carrinhos de cestos que, pelos vistos, atingem a alucinante velocidade de 0.02 km/hora).

Bonito, logo no 1.º dia na cidade do Funchal e já estávamos marcados por um comerciante andropáusico com objectos fálicos perfurantes na mão e uma vontade doida de nos sovar.

A viagem ao arquipélago prometia. ..E prometeu, conforme desfecho idiótico que seguirá oportunamente em brevíssimo post II (juro).

P-S- Um grande beijo para as senhoras da Biblioteca da UAL que parece que me lêem. Mistérios insondáveis, não os questiono.

domingo, setembro 12, 2010

30 anos e 20 dias

Como escrevinhei para aqui algures, depois de vir de férias escreveria com a regularidade desejada, quer por vocês, pacientes leitores, quer por mim própria, que criei o Salsicha com tanto amor e carinho num dia de estágio completamente desesperante, no ano de 2005.

5 anos depois, reflicto (respiro fundo, fecho os olhos suavemente, abro-os novamente, a realidade é crua e una): MEU DEUS DO CÉU, EU JÁ TENHO 30 ANOS!!!! COMO É POSSÍVEL SEMELHANTE DIABOLIZAÇÃO DA MINHA PESSOA??!! 30 ANOS!!

Lembro-me como se fosse ontem de estar em em Armação de Pêra, em pleno Agosto, a festejar os meus 10 anos orgulhosa que nem um pavão macho, e olhar compadecidamente para a minha mãe que, exactamente uma semana depois, perfez os 30. "30 anos" - pensei eu: "Coitadinha, qualquer dia bate as botas".

E agora, chegou a minha vez.

O que dantes era para mim a antecâmara da sepultura, é hoje em dia a minha idade biológica. O que verdadeiramente me vale, é que sei exactamente quem sou por dentro. Continuo a ser a mesma miúda ruim, amoral , burra e trafulha de sempre.

Noutro dia dei por mim a dizer a alguém: "quando for grande, vendo o Citroen e compro um Nissan Qashqai". A pessoa silenciou-se, confusa. Eu própria enrubesci.

Isto tudo para me desculpar por não ter escrito atempadamente. É que tive mesmo um momento de reflexão que, felizmente, passou relativamente rápido (essas coisas da introspecção reservam-me a minha futura adultez. Que há-de vir...mas não para já).

Até lá, viva a criancice, a falta de autonomia e espírito crítico. Viva o Salsicha, que iniciei com 25 anos e permanece igual aos 30, exactamente com o mesmo registo diabólico de pós-adolescente!

Teoricamente, sou adulta. Na prática, estou no limbo dos infantes. Ninguém tem 30 anos...