quinta-feira, dezembro 17, 2009

Susana e a sua inteligência emocional de foca

Conversando com o seu amigo José que é cego:

Susana - só há pouco tempo é que descobri que cada país tem a sua linguagem braille e gestual, nunca tal coisa me tinha ocorrido.

José - pois é... há braille português, chinês....são alfabetos convencionais.

Susana, lembrando-se de uma vez em que um professor lhe tinha ensinado que para dizer "Mário Soares" só tinham que apertar as próprias bochechas:

- olha lá, então como é que vocês dizem "Mário Soares"?

José (cogitando) humm..... Mário Soares - pronunciou.

- Sou cego, não sou mudo!-riu-se ele.


Estupidifico nas prisões.

terça-feira, dezembro 01, 2009

O MITO

Alguns de vós já devem te ouvido falar daquele homem que, num laivo de inspiração, resolveu um dia assaltar a Polícia Judiciária (precisamente o edifício do Combate ao Banditismo) e, noutro laivo de inspiração, resolveu contratar-me para o defender.

A Unidade do Combate ao Banditismo da PJ é um edifício gigantesco, com controlo perimetral, corpo de seguranças, sensores de alarmes, monitorização de circuitos de câmaras e portas de metal com contactos magnéticos.

O nosso protagonista é um jovem caga-tacos de 1.60, com a cara marcada pelo acne e muito tempo livre. Um certa noite resolve furtar umas coisinhas mas, para seu infortúnio, optou por roubar as instalações da PJ, facto que ele desconhecia em absoluto (uma vez que nas traseiras do prédio nada identificava o edifício).

Juiz (com voz de trovão assassino): COM QUE ENTÃO NÃO SABIA?!!! QUE ENGRAÇADO, VEJA A COINCIDÊNCIA: NUMA RUA COM TANTOS EDIFÍCIOS VAI LOGO ASSALTAR A POLÍCIA JUDICIÁRIA, TEVE MESMO AZAR HOMEM! PENSE LÁ BEM, SABIA OU NÃO SABIA QUE ESTAVA A ENTRAR NA DCCB? AFINAL, POR QUE É ENTROU NESSE EDIFÍCIO E NÃO NOUTRO? RESPONDA!

Jovem (quase a desmaiar de terror,com voz de pífaro): dr. juiz...a sério... dr. juiz, juro que não sabia..., foi de noite e eu... e eu...olhe, eu apenas assaltei o único edifício que tinha a janela aberta.. E num rés-do-cháo...

Apoteose de riso, numa sala de audências lotada.

Cara do Director Nacional da PJ: Intraduzível;
Cara do Arguido: Bexigosa e arrependida;
Cara da Susana: Resplandecente, a gozar o prato como nunca.

quinta-feira, novembro 12, 2009

O tesouro

Juro que já começo a sentir vergonha de contar as histórias dos meus clientes e nada ter para ofertar quanto à minha vida pessoal, mas a realidade dura é esta: sou uma nódoa social.

Fui encontrar um Paulinho algemado por um braço a um banco numa das nossas esquadras. Num choro estrangulado, este infeliz toxicodependente revela-me que foi consumidor de heroína durante 13 anos, mas que agora está recuperado.

- Então Sr. Paulo... afinal o que é que lhe aconteceu? - questionei, deixando de fora afinal, a única pergunta que me interessava: onde é que andavam os dentes dele e por que é que tinha uns ténis caterpillar?

- pois.. estava eu a fazer uma ganzinha... tá a ver.. uma ganzinha...e chegou a bófia, fez-me a revista e apanhou-me desprevenido! Mas eram apenas 2 bolotas de erva e dotôra, é para consumo mêmo! Eu não vendo nada!! - afiançou num ar desgraçado.

- 2 bolotas? de haxixe? Realmente não me parece nada de especial. E onde é tinha as bolotas? - questionei,desfolhando a Lei da Droga.

- ...Num saquinho dentro das cuecas.

Silêncio. Parei a leitura.

- Dotôra, nas cuecas que é para não me roubarem a ganza, que ali a malta de Pedrouços é avariada! - esclareceu o toxicodependente.

- Pois, está bem... e o pormenor do saquinho? É que parece que é mesmo para venda....

- Dotôra, pela minha saúde! (HIV sem dentes...) Não é nada para venda, o saquinho é só ... é só para não cheirar mal!

- ... Aquele cheiro a.. ´tá a ver? cheiro a ....rabo...

rolling on the floor laughing

Quanto eu não gosto de uma pessoa genuína, de alma e cueca aberta.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Final Feliz

História, para variar, de clientes (definitivamente nao tenho muitos amigos). Um ciganito quase anão de 16 anos foi preso na noite anterior. A família queria uma advogada, eu queria um dinheirinho. Interesses conciliados, lá vou eu para as fachadas envidraçadas do novo campus da justiça.

O Quim Zé explica-me sucintamente que roubou uns telemóveis a uns rapazes e deu-lhes umas chapadas, mas parece-me verdadeiramente arrependido e chora como um bebé. Os telemóveis foram recuperados e os ofendidos fugiram a sete pés e nem quiseram ser ouvidos. Enfim, tudo corria lindamente e perspectivava-se um lindo serão a contar notas de € 50.

No corredor do piso, acenei sorridente ao acampamento cigano que entretanto se tinha formado lá fora e que me observava atentamente através das paredes vidradas.

Começa o interrogatório, parece-me que o juiz se compadece deste ciganito de boné sujo, adivinha-lhe uma vida de miséria... Sem mãe, criado pelo pai e irmãs, vende calças e pijamas na Serra da Luz. Surpreendentemente, estudou até ao 7.º ano e, pasme-se! o ciganito-criança até se encontra inscrito num Centro de Emprego!

- Isso é muito positivo, para um jovem da sua idade que já não deseja prosseguir os estudos- enaltece o juiz (eu sorrio, embevecida)
- Então e nunca foi chamado? - pergunta-lhe
- Eu? Já, mas eu não fui! (o meu sorriso esmorece)
- Não foi porquê?
- Era uma cena..tipo idosos - explica-se - não sei dizer, tipo idosos. (o meu sorriso desaparece)
- Mas não foi?
- EU??!! - indigna-se o ciganito - LAVAR O CU AOS VELHOS ?! ! É que já lá estou!

Prisão preventiva. CREIO em um só Deus,Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas... Consegui fugir pela garagem.

Não há um único delinquente, independentemente da etnia, que jogue com o baralho todo neste país.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O estranho caso do BPN e os peitos de lona

Num destes domingos, após a minha chegada de férias:

Avó (fazendo conversa): então Susana, já sabes que que encontraram coisas muito valiosas ali na... na... na retrete do genro da Ti Maria da Capelina?

Eu (sem ter a certeza de ter compreendido o cerne da questão) - Hein??

Avó (muito circunspecta na sua cadeira) : Sim senhora, coisas importantes, muito valiosas!

Eu - Na retrete? Do genro da Ti Maria da Capelina? Quem é esse?!

Avó - é o genro dela! é aquele que não tarda nada está mas é com uma pulseira num pé!

Eu - Pulseira num pé?

Avó - Aquele... ´ca mulher tem um peito de lona!

Eu (cada vez mais intrigada): Peito de lona?? Não percebi ainda nada

Avó (impaciente): olha cala-te, não me apoquentes!

Entretanto passa a minha mãe a rir-se e descodifica:

- Acho que ela está a falar do Dias Loureiro, que se casou com a filha da Ti Capelina lá da terra ao que parece ela meteu mamas de silicone... Bem, fizeram uma busca a casa deles encontraram uns documentos importantes através de uma passagem na casa de banho para um anexo. Ah, acho que a tua avó pensa que ele vai de pulseira electrónica. Não sei, por enquanto ainda não foi.

Volto-me lentamente na direcção da minha avó.

Ela continua impassível, luneta no fundo do nariz a olhar-me como se eu fosse uma criatura particularmente imbecil por não compreender o seu raciocínio exemplar.

Tenho medo de envelhecer.

sexta-feira, julho 10, 2009

Homem Aranha e a peruca loira

Fui preparar no início deste ano o julgamento de um dos meus clientes mais antigos e que me são mais queridos. Comecei a ouvir muito atenta, com papel e caneta em punho. No fim, acabei a visita com os olhitos marejados de riso: leiam a odisseia verídica do homem que já fá foi considerado o melhor assaltante/trepador de prédios da zona de Lisboa e que é afinal um dos homem mais amorosos e adoráveis que conheço: (e cujo história posso contar porque já está condenado)

Preso (meio envergonhado, pigarreando)- : "Drª, isto foi assim:

Eu e o outro decidimos ir roubar umas coisinhas nuns apartamentos, eu subi pelos estendais, disfarçado com uma peruca loira a fingir de mulher e ele ficou cá em baixo para apanhar o material. Eu subi a um 5º andar ,tirei as cenas e vou à janela da cozinha para as atirar cá para baixo, o pior é que ele tinha adormecido debaixo de um carro e eu não podia ir chamá-lo!

Agarrei então numa fruteira da mesa da cozinha e começo a atirar-lhe com a fruta mas ele não acordou então vou e atiro-lhe com a fruteira aos pneus do carro. Ele lá acordou e apanhou o material todo do chão - umas moedas de colecção e um fato de Karting. O problema foi que com o estardalhaço da fruteira a malta do prédio acordou e começaram num berreiro.

Eu tive que fugir outra vez pelos estendais abaixo, entretanto aparecem na rua 2 psp da damaia que andavam a fazer a ronda e o meu companheiro esconde-se dentro do caixote do lixo com o material todo, mas deixa o blusão do Karting preso no pedal do caixote e a bófia apanha-o. Eles a mim não me viram, então eu desço pelos estendais para a estrada e finjo que não é nada comigo, mas esqueci-me que tinha a peruca loira, eles olham para mim e sou logo pranxado naquele momento!

Prontos, e foi só isto".


E para mim foi o bastante, uma barrigada de riso. E para os ofendidos do 5.º andar também, que quando foram à audiência de julgamente não puderam deixar de rir quando recordaram o momento em que foram fazer o reconhecimento à "Mulher Aranha", como a Polícia maldosamente o apelidou.

Moral da história: dois anos e meio de prisão efectiva, uma tarde bem passada e uma grande lição: se tiver grande agilidade e uma enorme força de vontade de furtar, ESCONDA A PIRUCA!

Vale e Azevedo - extraditado JÁ!

Esta semana resolvi ofertar uma televisão à minha reclusa transsexual de estimação (o tal preto de dois metros de altura e apenas um dente), que mês após mês se lamuriava da falta que aquele objecto que fazia.

Esta tarde, um bocado mal-humorada, lá entro eu no estabelecimento prisional com a televisão às costas, cheia de calor e com os pés cheios de bolhas.

Entra em grande a minha traveca, super-cheirosa do seu recente banho das 17h00, a anunciar-me orgulhosa que tinha ganho o campeonato de playstation da prisão, que o seu namorado estava na cela deitado em tronco nu, em pulgas para irem ver um filmezinho (na posição de conchinha adiantou), na minha recém ofertada televisão...

Depois de um dia de cão, apeteceu-me estrafegá-la e dar-lhe uns pontapés no dente.

Mas limitei-me a ser maldosa e perguntei-lhe: "ah que giro, só é pena terem que ir ver o portugal no coração enfim, não haver nada de jeito nos 4 canais"...

- "4 canais?! ai não, que horror, graças a Deus o Vale e Avedo deixou a tv cabo paga até ao ano de 2012.Hoje à noite vamos ver o Rancho das Coelhinhas na Sic Radical" - confidenciou-me ela, piscando o olho lampeira.

Raiva.

- Mais de 110 de canais!! - acrescentou.

Conclusão jurídico-processual: Odeio o Vale e Azevedo.

domingo, junho 21, 2009

reiki e as práticas anais

Na semana passada tive a rica ideia de fazer reiki. Não fazia a mínima ideia do que era, se consistia numa simples meditação, se era individual ou em dinâmica de grupo, se tinha que fazer cenas maradas esotéricas (como pendurar os calcanhares atrás das orelhas, como vi fazer, horrorizada, numa aula de yoga) enfim, fui na absoluta ignorância.

Afinal era uma espécie de consulta com um mestre, numa sala na penumbra, com incensos e música celestial. Eesse homem , sempre caloroso, colocou-me questões pessoais enquanto tirava apontamentos e escrevia no computador. De repente o telemóvel dele toca e, desculpando-se, sai da sala.

Uma vontade incontrolável de espreitar o computador e ler o que ele escreveu sobre mim assola-me... hesito...e, como bom diabo-da-tasmânia que sou, sem qaisquer resguardos éticos levanto-me da cadeira, circundo a mesa e olho para o écran.

Numa janela minimizada um site gay, com uma data de fotos de homens em tronco nu cheios de pêlos, um pouco gordos e bastantes feios. Numa outra um chat gay, com umas 5 ou 6 conversações em simultâneo com nicks bizarros.

Primeiro a petrificação, mas depois o sangue recomeça a circular-me nas veias e dá-me uma vontade indescritível de rir, rir até não poder mais. Mas rapidamente tive que me conter, calçar um chinelo que entretanto que me tinha saído de um pé e voltar a sentar-me na cadeira com um ar absolutamente amoroso. A consulta decorreu lindamente, com direito a aberturas de chakras e pavores semelhantes.

No final ele perguntou-me se eu me sentia melhor. Pensei nas probabilidades de ir a uma consulta de reiki com um mestre que afinal nem ouviu nada do que eu disse e está é mortinho para meter uma pila na boca e ri-me mais uma vez respondendo que me sentia muito bem tinha sido uma hora bem passada.

À porta perguntou-me se nos veríamos novamente, referindo-se obviamente a nova consulta e eu disse "claro!" acrescentando para mim: "sábado, no arraial gay pride meu granda abafador de croquetes!". Ri-me mais uma vez e fui para o carro, feliz.

quarta-feira, maio 13, 2009

Por que não fui anestesiada?

Acho que neste fim de semana me aconteceu o pior pesadelo que podia ocorrer na vida de uma pessoa com alguma dignidade. Fui para o hospital de ambulância e, acreditem, não ocorreram problemas de maior a não o que se segue:

Susana deitada numa maca a congeminar: Meu Deus, vão-me despir? Como está a minha depilação? Tenho os peúgos rotos com um grande nó na ponta? Mentalmente, revi:

- virilhas - ok
- meia-perna - ok
- axilas - ok
- peúgos... semi-rotos - D´oh!

Enfim, penso que o meu grande calcanhar de aquiles eram mesmo as alças dilaceradas pelo tempo e umas meias pouco apresentáveis (é das botas, juro). De resto, tudo tranquilo.

Até que uma auxiliar me tenta despir (eu estava meio adormecida), a fim de me enfiar uma bata e oiço-a a praguejar sozinha:

- Chiça. Merda!

E eu sem perceber bem o que estava a acontecer.

E ela continuava, sozinha: - Que grande merda! e dava estalinhos entredentes em sinal de desagrado. Até que grita e eu, mesmo semi-inconsciente, estremeci de vergonha:

- Porra, alguém me ajuda a tirar as calças de ganga a esta miúda parecem que estão é coladas ao cu, mais à merda!

E vem mais uma auxiliar para ajudá-la a arrancar as minhas calças de ganga justinhas e fazerem-nas passar, primeiro pelo rabo e depois pelas ancas.

Sempre achei que os meus jeans eram sexys. Até serem precisas duas mulheres de meia-idade para mos arrancarem de mim própria. Penso que não tenho grande maturidade.

terça-feira, maio 05, 2009

A essência do tempo

Hoje de manhã estive num julgamento com vários arguidos traficantezecos. Um dos advogados de defesa, questionando o polícia sobre manobras de vigilância que tinham sido efectuadas sobre dois dos arguidos, numa casa de banho de uma estação da cp,

- e querendo, no fundo, demonstrar que os 2 arguidos (o constituinte dele e o meu), pelo tempo que lá estiveram podiam não estar necessariamente a delinquir, mas quiçá a urinar, avança:

advogado : "sr. agente, quanto tempo demoraram os 2 arguidos na casa de banho da estação de comboios?"
polícia: "não me recordo, 3 minutos... não sei precisar...entre 3 minutos...talvez 15"
advogado: "ó sr. agente..., tem que ser mais preciso! é que de 3 minutos a 15 minutos vai uma grande distância! Eu em 3 minutos posso fazer um simples xixi mas em 15 minutos é claro que já posso estar a fazer outras coisas!"

meu arguido - que é claramente retardado mental e deve ser inimputável: YA DREAD, A ALIVIAR UM CAGALHÃO!!

Se corei? Não.
Não corei porque morri.

domingo, abril 12, 2009

Demasiadas horas de Youtube

Estava eu aqui neste domingo pascal, pensando piedosamente nos desígnios que o Senhor me reservava, quando matutei no seguinte:

Vocês não acham, sinceramente, que a pessoa mais bela de todo o universo, desde os tempos imemoriais até ao dia de hoje é a miúda do videoclip da Lambada??

Não querendo cercear as vossas opiniões, mas realmente vocês já atentaram, com olhos de ver, naquela rapariguinha (12 anos no máxim, como é que é possível), que se saracoteia e nos envolve naquele video dos Kaoma, no longínquo ano de 89 ? Loira, esguia, simplesmente perfeita, olhar meigo... e o cabelo...o cabelo, meu Deus?! O mundo parou, a minha respiração entrecortou-se, fiquei presa no tempo.

O pretinho do videoclip (feio que nem um urso, que não deve ter nem 9 anos e não lhe chega nem aos queixos)enfim, um pobre ranhoso das favelas tenta corajosa (e comovedoramente) a sua sorte mas, afinal meus caros, afinal... quem não tentaria?!

Tecnicamente, este post serve para esclarecer o seguinte: No início deste blogue, em 2005, em afirmei, sem falsos pudores que, se mo fosse permitido, eu daria uma voltinha com a Monica Belluci.

Pois fica aqui a correcção : revisitado o vídeo dos Kaoma no Youtube, eu daria uma voltinha sim, mas com a miúda da Lambada. Monica desculpa, mas eu não sou de meias verdades. Muito menos neste sacrossanto domingo pascal.

Estou absolutamente apaixonada.

quarta-feira, março 11, 2009

Quem quer ser prostituta?

Todas as noites tenho que passar pelo IST. Como é sabido, nas esquinas deste Instituto costumam parar umas senhoras pouco recomendáveis, commumente chamadas de "putas do Técnico". Ora estas senhoras, cujas maiores competências sociais deveriam ser, aparentemente, equilibrarem-se numa parede e rodarem uma bolsinha, revelam-se afinal seres bastante perspicazes e de grande intuição.

As meninas, nunca são as mesmas. Em passo estugado, caminho com a maior naturalidade, escondendo mestriamente o meu medo de que, confundindo-me como uma delas, as prostitutas me batam ou simplesmente toquem e que eu contraia gonorreia. Ora quinze dias depois destas incursões nocturnas, descobri duas coisas:

1.º - as prostitutas são, mais uma vez sublinho, seres bastante intuitivos, que facilmente apreendem que eu não sou mulher de biscates, não ofereço qualquer tipo de concorrência, pelo que sou simplesmente invisível e ignoram-me de uma forma quase que cruel;

2.º - os homens são totalmente estúpidos.

É que eu vou sempre irrepreensivelmente vestida, sem decotes e saracoteios, carregada de livros e muitas vezes até levo os óculos e se o dia foi mesmo longo já troquei para os ténis. Mas os homens (não todos, mas os suficientes para eu ficar lixada), burros que nem portas e toldados pela excitação sexual, enconstam os carros, fazem sinais de luzes, chamam-me acenando as manápulas ou com um breve "pssstt", uns sorrindo, outros borrados de medo, mas nunca se inibindo de pensarem que sou meretriz!

As putas, mulheres sensatas esclarecidas, observam divertidas - e eu...
bem, eu nem olho para os condutores, mas vou cá com um mau feitio de quem é que capaz de lhes partir a cara em dois e continuo nervosa o meu caminho.

Portanto, Mulheres, independentemente da ocupação profissional, inteligentes.
Homens, independentemente da profissão ou veículo automóvel, lamento - deprimentes.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Eu quero é que a bimby vá para o raio que a parta!

Não deixa de ser curioso eu ter saído de casa (glup...ainda me custa a escrever) e a questão que amiúde se coloca ser ..a bimby!!

esqueçam a bimby, eu já esqueci, por variadas razões:

1.º - a minha mãe ficou com ela, não ma ofereceu, suspeito que tenha ficado viciada após a feitura de uns croquetes que, pela primeira vez na vida dela não escorreram óleo por todos os poros e não nos deram a volta ao estômago;

2.º - entretanto descobri que mudar de casa é a maneira mais saudável de ficar anoréctica.
Pois é. sempre que chego a casa só me apetece abrir o firgorífico e sacar dois iogurtes e quiçá uma maçã reineta. - quero lá saber da bimby e das suas vitelas marinadas em molho de maracujá!!

E já gora, à laia de desabafo, o verdadeiro problema é que...... nestes últimos dias não só tenho medo dos fantasmas e miúdas exorcizadas, como também já tenho medo dos ladrões!

Nunca me tinha ocorrido, mas alertada por dezenas de vozes amigas e após demorada reflexão apercebi-me que um gatuno pode ser tão ou mais prejudical que uma alma penada.

Mas há alguém contente neste mundo com aquilo que a vida lhe proporciona?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

crescer

Caríssimos,

após 28 anos de uma experiência linda e maravilhosa que foi viver com os meus pais, saí de casa .
Como me sinto?

susana - tenho medo de aqui dormir
renato- não sejas parva, estás num 4.º andar, ninguém te entra pela casa adentro
susana - parvo és tu, não tenho medo de ladrões, tenho é medo dos fantasmas.

é chocante aperceber-me que após ter feito aquilo com que sonhei uma adolescência inteirinha, quando estou na minha casa só me consigo lembrar da miúda do Exorcista.

Qual liberdade, qual música alta, qual noitadas até às nove da matina... Naquela casa só se me assomam ideias sobre possessões demoníacas, cemitérios e espíritos maléficos.

Às vezes também penso que tenho que cozinhar sopa e passar as calças com vinco a ferro, mas é um terror diferente, mais subtil e menos nocivo.

E enquanto escrevo estas linhas os meus pêlos da nuca eriçam-se e olho para todos os lados, inclusive dentro do roupeiro (debaixo da cama já vi, espreito sempre quando entro em casa, ainda com a porta da entrada aberta para facilitar a fuga em caso de aparição).

Quem mandou a minha mãe deixar ver-te tanto filme estúpido em miúda? Como é que ela não alcançou as sequelas emocionais de me deixar ver o Alien- o oitavo passageiro? Acho que vou ver a Favorita para me acalmar. Não via uma telenovela completa desde o Sassaricando. Minto, desde o Roque Santeiro.

É demasiado duro crescer

sábado, dezembro 13, 2008

Bimby 4ever

Quando eu era mais nova, desde os meus 14 anos, esta minha mãe xeiretava tudo o que fosse possível acerca da minha privada. Suponho que fosse para proteger as minhas virtudes e dotes de donzela imaculada, certo é que, qualquer que tenha sido a sua motivaçao, a minha mãe falhou, e muito, embora eu não possa acusá-la de não se ter esforçado:

-Nos acampamentos da catequese, lá estava ela vestida de caqui escondida atrás das sebes;
- nas míticas raves à tarde no liceu, lá estava ela de auscultadores a um canto a fingir que metia som;
- nas festas de anos, fazia sempre questão de entrar com um lanchinho enquanto jogávamos ao "quarto escuro", tendo sempre conseguido estragar todos os beijos com língua, apalpanços de rabos e roçares de maminhas que se proporcionaram na minha adolescência.

Enfim, todo um conjunto de situações que me faziam passar vergonhas e me sugestionaram que o que a minha mãe queria é que eu ficasse a viver com ela para todo o sempre, e, obviamente, muito virgem e burra. No entanto, este meu entendimento tem vindo a ser posto em causa, uma vez que descobri que, neste momento, o que a minha mãe quer é ver-me da casa para fora.

Começou subtilmente, com umas conversas acerca das minhas primas mais novas, que já sairam do lar, desfiando ainda o rol das filhas das amigas que já se haviam emancipado. Depois, tornou-se mais explícita, e eu fui ouvindo e calando. Mas, o mês passado, o golpe foi muito baixo.

A minha mãe chegou a casa com uma Bimby debaixo do braço. Fiquei louca de alegria, quase que perdi os sentidos com a emoção. E ela "Susana, isto fica para ti, mas só abres quando tiveres na tua casa nova".

Fiquei confusa.

"Mas mãe, eu vivo contigo".
"Eu sei." - vincou ela, dando meia-volta com o meu tesouro, escondendo-o algures nas profundidades da garagem.

Ainda só toquei na Bimby uma vez. Sonho com ela todos os dias. Já comecei a ver casas em Algés.

terça-feira, dezembro 02, 2008

O espectro do Banco Alimentar

Não sou de intrigas, mas duas horas de voluntariado no Banco Alimentar num supermercado equivalem , em termos de exaustão emocional, a um mês de ansiedade esperando pela conta da PT e a tareia que se segue (o horror inominável, especialmente quando se tem o namorado em Angola).

Tudo no Banco Alimentar me irrita.


- quer contribuir? - pergunto eu, sorriso nos lábios, linda e lampeirinha que nem um anjo
- ah a minha mãe já deu esta manhã.

( e então minha p..., o que é que eu tenho a ver com isso? e tu, não tens mãozinhas para dar aos pobres, o que é que a tua mãe tem a ver com o assunto ? E ontem que eu saiba não é hoje minha grande porca suína) - pensei eu, com um sorriso nos lábios após responder - "Concerteza, obrigada!"

- ah, já dei à bocado. (com alguma imaginação ou vergonha na cara, alguns inventam um qualquer nome de cadeia de supermercados)
(e então meus grandas sumíticos socialistas, custa muito oferecer uma segunda vez é?? E eu lá tenho cara de parva para acharem que me fico com essa resposta e continuamos todos amigos, como se nada fosse e o mundo continuasse a girar?!)

E uma coisa me intriga: fico sinceramente fula quando as pessoas não respondem ao apelo alimentar. Fico, confesso. Apetece-me desferir pontapés na cabeça, injuriá-los até à quinta casa, faço um esforço danado para não demonstrar a ira crescente que me assola.

Mas esta minha fúria nada se compara quando um "não" é proferido por um gajo do ginásio, daqueles armários quadrados todos musculados e com gel espetado naquelas cabeças ocas.
Bule-me sinceramente com os nervos. Todo o meu ser se eriça e apetece-me quebrar ossos.
Deve ter uma explicação científica, mas de momento nada me ocorre. Odeio simplesmente gajos do ginásio que não levam o saquinho do Banco Alimentar.


Portanto, tudo bons sentimentos nesta linda iniciativa de acçõo social. E vocês, contribuiram?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Podre parte VIII

Caríssimos descobri, pelos piores meios, que os ortopedistas que consultamos pela primeira vez não se limitam a analisar os nossos raios-x e ressonâncias magnéticas. Não. No mês passado, um ortopedista recusou a sacola dos exames que eu lhe estendia e pediu-me que me despisse.

Após um breve hesitação, acedi e fiquei apenas com a cueca da promoção da Calzedonia a 1 euro com o sugestivo dizer: "follow me" estampado a letras vermelhas bem no meio do rabo - (realmente o barato sai caro e a dignidade não tem preço).

Mas triste foi quando o ortopedista me pediu que tocasse com os dedos das mãos no chão, enquanto ele, à rectaguarda, avaliava a decrepitude da minha actuação:

Eu jovem viçosa no fulgor dos seus 28 anos, tentava chegar com os braços baloiçantes aos dedinhos dos pés, sendo que o máximo que consegui foi tocar e de relance no ínicio duma tíbia,

e, atenção, isto com os joelhos completamente entortados para dentro. Senti-me tão graciosa quanto um canguru a recolher bolotas na estrada, mas enquanto o marsápio tem pêlo, eu tinha apenas umas cuecas enfiadas pelo rabo adentro.

Suspirei de alívio quando ele me disse para me levantar, mas fiquei aterrorizada quando me mandou deitar na maca e içar o joelho ao nariz. Não pela parte de que obviamente a minha perna esticada aponta apenas e unicamente para o tecto, mas sim pela já habitual dicotomia mulher/depilação-não tenho tempo-fica para amanhã.

Bom, saí daquela Cuf como se tivesse levado uma tareia. Derrotada, humilhada e oficialmente podre a cair de caquética.Não sei como é possível fazer as aulas de power jump, com os joelhos a bater nas beiças, mas certo é que as faço e todinhas até ao fim.

Remeto-me às sábias palavras do padre Alberto, pároco da minha juventude que calava sempre as minhas questões difíceis (quem sou, donde venho, que Jesus espera de mim, porque é que o rapaz da escola de quem eu gosto se chama Ovídio Pequeno) com um encolher de ombros e um sumido"mistérios da fé..." e que me fazia bulir com os meus nervos adolescentes.

Tinhas razão Beto, tinhas razão. Mistérios da Fé. Eu sou a prova viva disso.

domingo, outubro 19, 2008

A Hérnia: O Início

Vou-vos contar uma história linda na minha vida.

Num belo fim de tarde no verão de 1992, tinha eu 12 anos, estava a flirtar com um rapaz vizinho da minha tia num café lá da rua. Entretanto, tive a brilhante ideia de me sentar na esplanada - não numa cadeira -, mas sim num pneu coberto de cimento com um cilindro de ferro, que servia habitualmente para encaixar o chapéu-de-sol da esplanada.

Acontece que o chapéu estava guardado na despensa e eu, armada em boa, resolvi sentar-me com grande atitude em cima desse pneu sem reparar no cilindro de ferro. Não consigo traduzir por palavras nem sequer expressões onomatopeicas, a dor excruciante que senti quando o meu cóxcis se rachou naquele ferro. Foi violento.

E violento foi também o facto de eu descobrir, com essa idade, que com o cóxcis fendido e todo o meu ser a entrar em shut down, eu não soltei um pio nem demonstrei a mais ligeira perturbação...

Pelo contrário, para não dar o braço a torcer e anunciar ao mundo que tinha o osso do rabo estilhaçado, eu aguentei UMA TARDE INTEIRA no café,lançando piadas e rindo-me das suas histórias, sem ele jamais suspeitar que aquele miuda que ali estava, deveria era ser imediatamente imobilizada numa maca a aguardar cirurgia.

Contas feitas, esse flirtzinho aos 12 anos rendeu-me uma deformação no último disco da coluna vertebral que por sua vez originou uma hérnia discal que, pasme-se, vive comigo há 14 anos... Foi claramente um flirt mal jogado,

e que nem sequer valeu a pena, uma vez que nesse mesmo ano ele foi viver para a terra dos avós em Vilarinho da Castanheira (nunca mais me esqueço) e quando o reencontrei há uns três anos, verifiquei desolada que ele tinha uns quantos dentes podres e dava-me, na melhor das hipóteses, pelo meu umbigo.

Concluo assim que, em situações embaraçosas que envolvam os conceitos de "rabo" , "ferro" e "fractura-luxação coccígea", ponderem os prós e contras de uma eventual chamada para a Emergência Médica.

- Caso optem pela chamada telefónica, adianto que podem poupar muitas dores de traseiro e muitos e muitos euros em analgésicos narcóticos e TACs sacro-lombares.

- Caso optem pela total discrição e por um resto de tarde a flirtar ( abstraindo portanto da Experiência de Quase-Morte de rachar o ânus até ao último ossinho), certifiquem-se apenas que esse rapaz:

1.º - vai continuar a viver na vossa comarca ou, caso tenha mesmo que se mudar, não vá parar ao município de Carrazeda de Ansiães ;

2.º - tem hábitos de higiene oral senão diários, pelo menos regulares;

3.º -metricamente falando, tem grandes probabilidades de, na fase pós-puberdade, não se quedar nuns horripilantes 1.62 .

Assinado: portadora de hérnia discal mais burra de todos os tempos.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Vai mas é

Tenho um amigo, o Pedro, que gosta imoderadamente dos sketches do Nuno Lopes nos Contemporâneos, principalmente dos "vai mas é trabalhar". Foi assim que eu, que não vejo muita televisão sem ser axn, ia ouvindo as façanhas do Nuno Lopes (que sempre achei uma sexyness total) e, um bocado à deriva, tomava a nota mental de que quando pudesse tinha que ir ver isso no youtube.

Ora no fim de semana passado fui descansar para a terra dos meus avós. Note-se que naquela aldeia só existem eucaliptos, cagalhotas de cabra e sete velhos. E pelos vistos, existe também o Nuno Lopes dos Contemporâneos.

Simpático, conversador e interessado. Medo. É que eu, sempre com tanto paleio para tudo, especialmente o que não interessa, não consegui articular ideias uma vez que nunca tinha visto o programa e ao tentar recordar desesperadamente as actuações do Pedro, apenas o vazio se me assomava.

Ao invés, o analfabeto do meu irmão apalastrava demoradamente sobre os Contemporâneos e o Programa da Maria (Rueff), tendo ainda desbobinado o sketche do anão praticamente por ordem alfabética. O Nuno Lopes ria-se abertamente e eu, ansiosa, olhava para um e para outro qual bola de ping-pong e tentava meter a colherada sempre que podia. O que, em abono da verdade, não aconteceu.

Então quando começaram os dois a discutir cinema sueco e a mencionar nomes que eu nem consigo aqui soletrar, dei-me finalmente por vencida e voltei a sentar-me na soleira da porta a apanhar sol. Passaram o resto da semana juntos, em passeatas e festinhas de aldeia sempre em aceso diálogo. Sim, já se alvitrou que eles seriam gays, mas acreditem, não sou uma entendida mas aquele actor parece-me bem macho.

O estranho disto nem foi bem olhar para a direita e ver uma horta com nabiças e repolhos, e olhar para a esquerda e ver o Nuno Lopes, deitado na minha espreguiçadeira a conversar em tronco nu.

O estranho foi saber que aquele que é considerado um dos melhores actores de teatro, cinema e televisão em Portugal, contratado pela Rede Globo e galardoado nos globos de ouro, no festival de cinema luso-brasileiro e no festival de cinema de berlim, achou que, num qualquer período da vida dele, conversar com o meu irmão seria bem mais proveitoso do que falar comigo! Francamente, o mundo está ou não perdido?

Spooky

sexta-feira, agosto 29, 2008

Guiada pela mão..

Tenho uma grande amiga minha que, não obstante ser muito iluminada para a realidade da vida, é muito séria e crê piamente que a masturbação é pecado e que Jesus recrimina. É bonita, sexy, inteligente e bem-formada, mas devido a qualquer perturbação congénita descompensou nalgum lado e tudo a que lhe cheire a clítoris fá-la benzer-se com uma mão e tapar-se pudicamente com a outra (sem, no entanto, se tocar).

Esta minha amiga, por volta do mês de Maio disse-me que me ia contar algo: ( a tremer de antecipação, pensei que ela fosse finalmente contar-me que se tinha "entretido" ! - o que me tornava vitoriosa após todas as discussões que já tivémos e que acabaram, invariavelmente, comigo roxa de nervos prestes a dar-lhe um pontapé na fuça para ver se ela se mancava para a vida )

e, com o seu ar sério e porte seguro explicou-me:

"Susana, já decidi que até o mais tardar até Setembro, se Deus quiser, vou sair do emprego onde estou, sem ferir quaisquer susceptibilidades dos meus patrões, vou arranjar um excelente trabalho, bem remunerado, com seguro médico e parque de estacionamento." Ri-me.


Ora esta minha amiga, que trabalhava com uns miudos ranhosos de 10 anos num pré-fabricado de lata num monte aqui perto,


viu o seu contrato a termo ser rescindido no dia 27 de Agosto e soube hoje, dia 29, que entrou num dos maiores grupos construtores portugueses, com seguro médico, lugar no parque de estacionamento e a ganhar dolorosamente bem. Vai começar a trabalhar 2ª feira, dia 1 de Setembro.


Senhor Jesus: peço mil desculpas pela "situação" de terça-feira à noite. Estava sozinha, desocupada.. Sei que actualmente estou demasiado conspurcada para Te pedir o quer que seja, mas espero que compreendas que não vivo perto do Renato e o meu corpo por vezes ressente-se. E se eu Te disser que não volto a pecar?


...sim, já sei. Inoportuna Omnipresência. :(