Houve uma pessoa que me escreveu e disse que o facto de eu ter passado a moderar os comentários reflecte a minha posição de, eventualmente,
não ser boa pessoa e não gostar de discutir nem receber críticas.
É notório que este ser amorfo pura e simplesmente nunca leu o blogue nem sequer os comentários.
Porque sou apologista da filantropia e gosto muito de partilhar, adianto-te que nunca recusei um comentário
mas infelizmente há uma pessoa, leitora deste blogue, que sofre de perturbações mentais e e escreve 10 comentários pornográficos ou simplesmente dementes por dia, para cada post, escrevendo ainda ameaças graves.
Por consideração a quem me lê, e devido aos muitos pedidos para que moderasse os comentários pois chegava a ser confrangedor ter que ler semelhante coisa,
acedi, e deixou de ser automático.
Por conseguinte, arruma as botinhas e o acordeão, e vai chatear outro blogue, porque se bateste à porta errada foi, definitivamente, esta.
Freak
Será que só sou eu que vejo laivos de pedofilia na relação do Manuel O Português e o Zezinho de "O meu Pé de Laranja Lima"? 9 (NOVE) anos depois do início deste blogue muita gente alvitrou sobre tudo menos isto. Portanto tenho concluir que sim, sou só eu.
quinta-feira, maio 03, 2007
Quem é? O Preconceito, novamente.
Recebi ontem um arguido.
Mulato, um verdadeiro armário, vinha com a cara feita num bolo, repleta de hematomas e nódoas negras.
Sentou-se à minha frente a um metro de mim.
Instintivamente, segurei no telefone portátil pronta a desferir-lhe um golpe mortal caso tivesse a infeliz ideia de me agredir e tentei descalçar uma das botas para me melhor colocar em debandada.
Muito calmo, esteve 10 minutos ininterruptos a elucidar-me sob as suas anteriores condenações e levantou-se para ir embora.
Para quebrar o gelo, eu, sempre com as minhas brilhantes e oportunas intervenções, aponto para as equimoses e digo "então adeus e até ao dia julgamento, não se meta é em mais confusões!"
Ele estaca e olha para mim.
Um arrepio percorre-me e penso interiormente que, daí a um minuto, se não falecer, ficarei pelo menos comatosa no Amadora-Sintra.
"Confusões?" – inquire
Esboço o famigerado sorriso icterício.
"Sou diabético há muitos anos. Ultimamente, quando vou pôr os meus miúdos ao infantário ou vamos brincar para o jardim, fico sem força e desmaio.
No Sábado estava na Igreja à espera da minha filha que ia a sair da catequese e bati na esquina de um banco. Levei 12 pontos".
diabetes?
catequese?
filha?
Igreja?
Com os olhos marejados, só não o levei para minha casa, deitei-o no sofá , calcei-lhe uns peuguinhos da Serra da Estrela, enrolei-o num cobertor de lã caprina e depositei-lhe um beijo amoroso na testa
porque simplesmente não calhou.
Senegalês escoriado – bhacccc
Senegalês religioso e diabético – quero. adoro.
Mulato, um verdadeiro armário, vinha com a cara feita num bolo, repleta de hematomas e nódoas negras.
Sentou-se à minha frente a um metro de mim.
Instintivamente, segurei no telefone portátil pronta a desferir-lhe um golpe mortal caso tivesse a infeliz ideia de me agredir e tentei descalçar uma das botas para me melhor colocar em debandada.
Muito calmo, esteve 10 minutos ininterruptos a elucidar-me sob as suas anteriores condenações e levantou-se para ir embora.
Para quebrar o gelo, eu, sempre com as minhas brilhantes e oportunas intervenções, aponto para as equimoses e digo "então adeus e até ao dia julgamento, não se meta é em mais confusões!"
Ele estaca e olha para mim.
Um arrepio percorre-me e penso interiormente que, daí a um minuto, se não falecer, ficarei pelo menos comatosa no Amadora-Sintra.
"Confusões?" – inquire
Esboço o famigerado sorriso icterício.
"Sou diabético há muitos anos. Ultimamente, quando vou pôr os meus miúdos ao infantário ou vamos brincar para o jardim, fico sem força e desmaio.
No Sábado estava na Igreja à espera da minha filha que ia a sair da catequese e bati na esquina de um banco. Levei 12 pontos".
diabetes?
catequese?
filha?
Igreja?
Com os olhos marejados, só não o levei para minha casa, deitei-o no sofá , calcei-lhe uns peuguinhos da Serra da Estrela, enrolei-o num cobertor de lã caprina e depositei-lhe um beijo amoroso na testa
porque simplesmente não calhou.
Senegalês escoriado – bhacccc
Senegalês religioso e diabético – quero. adoro.
sexta-feira, abril 20, 2007
m...´s anatomy
Fui ao centro de saúde (inominado, para não ser presa daqui a 4 dias). Ir aquele antro psicotrópico é sempre uma experiência aterradora, especialmente o acto de sentar nos sofás mais andrajosos que há memória, repletos de todos os bichos conhecidos na ciência da Parasitologia, e ainda ficar frente a frente com a minha médica de família que suspeito desconhecer a totalidade das consoantes.
Há já algum tempo que a epitetei como a profissional mais burra de todos os tempos, de todas as civilizações, de todos os campos gravitacionais.
Esta semana, depois de 5 horas nos famigerados e mega-povoados sofás, entrei no gabinete da médica ainda a coçar-me por dentro da blusa num processo complexo de limagem de antebraço (pulga ou piolho, acabei por não descobrir). A doutora, extremosa como sempre, nem perguntou o motivo da comichão. (Suspeito que se entrasse de braço dado com um macaco idoso a escorregar por uma liana ela nem bateria uma pestana).
Respirei fundo, refreei o meu ímpeto maléfico de lhe dar um pontapé na fuça e estendi-lhe um relatório de umas análises com uma mão coçando-me aflitivamente com a outra.
"Você não tem nada" – respondeu aquele Cu diplomado.
Como nada, pensei. Ainda nem há 20 segundos tinha lido nas observações o nome da infecção.
"Drª, penso que..penso que não, acho que tenho.." – titubeei eu
"Não tem nada" – repetiu
"Então e isso que está aí escrito nas observações?" – questionei em voz sumida
"Hum. Ah,está bem" - condescendeu
Palavra de honra. Não existe uma merdinha qualquer de um juramento de Hipócrites ou Hipólito? Será que o mencionado senhor sonha que semelhante negligência estava prestes a ser cometida não fosse a sagacidade e lucidez de espírito desta pobre sobrevivente que hoje (miraculosamente!) vos escreve?
Sempre gostava de saber o que é aquela primata antropóide estava a fazer nesse dia.
Eu, ofendida e em pose altiva, pelo menos aquela que é permitida a uma pessoa acossada de pulgas-saltimbancas desde os dedos dos pés até à base da nuca, saí do gabinete.
Nunca mais lá volto, Deus queira que nunca mais fique doente ou então que me dê clarividência para me auto-medicar. Coitado do Pobre.
Há já algum tempo que a epitetei como a profissional mais burra de todos os tempos, de todas as civilizações, de todos os campos gravitacionais.
Esta semana, depois de 5 horas nos famigerados e mega-povoados sofás, entrei no gabinete da médica ainda a coçar-me por dentro da blusa num processo complexo de limagem de antebraço (pulga ou piolho, acabei por não descobrir). A doutora, extremosa como sempre, nem perguntou o motivo da comichão. (Suspeito que se entrasse de braço dado com um macaco idoso a escorregar por uma liana ela nem bateria uma pestana).
Respirei fundo, refreei o meu ímpeto maléfico de lhe dar um pontapé na fuça e estendi-lhe um relatório de umas análises com uma mão coçando-me aflitivamente com a outra.
"Você não tem nada" – respondeu aquele Cu diplomado.
Como nada, pensei. Ainda nem há 20 segundos tinha lido nas observações o nome da infecção.
"Drª, penso que..penso que não, acho que tenho.." – titubeei eu
"Não tem nada" – repetiu
"Então e isso que está aí escrito nas observações?" – questionei em voz sumida
"Hum. Ah,está bem" - condescendeu
Palavra de honra. Não existe uma merdinha qualquer de um juramento de Hipócrites ou Hipólito? Será que o mencionado senhor sonha que semelhante negligência estava prestes a ser cometida não fosse a sagacidade e lucidez de espírito desta pobre sobrevivente que hoje (miraculosamente!) vos escreve?
Sempre gostava de saber o que é aquela primata antropóide estava a fazer nesse dia.
Eu, ofendida e em pose altiva, pelo menos aquela que é permitida a uma pessoa acossada de pulgas-saltimbancas desde os dedos dos pés até à base da nuca, saí do gabinete.
Nunca mais lá volto, Deus queira que nunca mais fique doente ou então que me dê clarividência para me auto-medicar. Coitado do Pobre.
terça-feira, abril 17, 2007
CARAMELO! CHOCOLATE
Estou sem palavras.
Há 20 minutos atrás, enquanto deambulava pelo maravilhoso mundo da Wkipédia pesquisando sem qualquer rumo criterioso (jurista estatal blá blá blá), deparei-me com uma lista de síndromes. Emocionada e, convenha-se, com louvável paciência e tempo livre, analisei um a um.
De repente, sem apelo nem agravo travo conhecimento com o síndrome de Ehlers-Danlos ou Cutis elastica.
Aprofundo esta doença genética. Descubro que um dos sinais consiste em tocar com a língua no nariz.
Lentamente, em frente ao monitor, estico a língua.
Após uma breve hesitação e muito cautelosamente, soergo-a na vertical.
Grito lancinante.
Tremendo, leio o resto do artigo e descubro que o grau de gravidade do síndrome determina a expectativa de vida do paciente.
...Xau amigos. Depois de ter passado pela nefasta sensação da língua a acariciar-me gentilmente a testa suspeito que não vou chegar à ternura dos 40.
2 conclusões se retiram:
- se eu fosse depravada e solitária grandes aventuras se adivinhariam (nota do editor: não sou)
- F...se antes isto que o de Tourette
Há 20 minutos atrás, enquanto deambulava pelo maravilhoso mundo da Wkipédia pesquisando sem qualquer rumo criterioso (jurista estatal blá blá blá), deparei-me com uma lista de síndromes. Emocionada e, convenha-se, com louvável paciência e tempo livre, analisei um a um.
De repente, sem apelo nem agravo travo conhecimento com o síndrome de Ehlers-Danlos ou Cutis elastica.
Aprofundo esta doença genética. Descubro que um dos sinais consiste em tocar com a língua no nariz.
Lentamente, em frente ao monitor, estico a língua.
Após uma breve hesitação e muito cautelosamente, soergo-a na vertical.
Grito lancinante.
Tremendo, leio o resto do artigo e descubro que o grau de gravidade do síndrome determina a expectativa de vida do paciente.
...Xau amigos. Depois de ter passado pela nefasta sensação da língua a acariciar-me gentilmente a testa suspeito que não vou chegar à ternura dos 40.
2 conclusões se retiram:
- se eu fosse depravada e solitária grandes aventuras se adivinhariam (nota do editor: não sou)
- F...se antes isto que o de Tourette
sexta-feira, abril 13, 2007
Perguntas Diárias PARTE I
- A Shakira é ou não prima do Cocas? Se não é prima, detém ou não um qualquer laço de parentesco com o mencionado batráquio? Será plausível uma mera coincidência de pregas vocais e véu palatino? Hum...i dont think so.
- Quem foi o egrégio e brilhante estratega do marketing que resolveu criar o desodorizante que dura 48 horas?
- Porque é que ninguém ainda deu uma chapada valente na Iva Domingues, a artista anteriormente conhecida por Iva Pamela ex-partner do saudoso Carlos Ribeiro no Made in Portugal ou lá o que era aquilo? Será que sou só eu que acho que ela é uma pobre coitada , gira, é certo, mas dolorosamente burra, com a mania que é perspicaz , completamente parcial, com piadas de mau gosto e armada em estrela naquele programa de sanita? Algo me diz que já sei porque é o Pedro Mourinho deu bem à soleta!
- Como é que é possível que em pleno sec. XXI ainda HAJA (ANÓNIMO ANÓNIMO AQUI ESTÁ O TEU MOMENTO DE GLÓRIA! UM ERRO POR TI CORRIGIDO! QUE PENA NÃO TERES NAMORADA NEM AMIGOS, QUÃO ORGULHOSOS FICARIAM ELES POR SEMELHANTE FEITO?! OH EGRÉGIO ANÓNIMO COMO TE PODEREI AGRADECER A SAGAZ CONJUGAÇÃO DESDE VERBO?! DINIS, CAUTELA! CASO ELE CORRIJA MAIS UM ERRO (UM!) FICARÁ EMPATADO CONTIGO! seres pensantes que não saibam que circular na faixa da direita a uma velocidade superior à das outras NÃO É uma ultrapassagem nos termos do código estradal? Como é que é possível um casal de namorados não se falar durante uma semana só o fazendo após parecer verbal de um sub-director da DGV? Hum. É bem possível. E emocionante. Principalmente quando se ganha.
- Como é que é possível ainda ninguém se ter apercebido que o filme Zona J originou uma das maiores injustiças de que há memória no patético panorama cinematográfico português: a Núria Madruga, cuja prestação teatral dispensa comentários, aliás, não dispensa, é um perfeito e frondoso cagalhoto que nem mexer os olhos sabe, anda por aí nas telenovelas, e o Félix Fontoura, par amoroso, que até nem se saiu mal e deveria ter visto o seu talento ser melhor explorado, só porque era pretinho está hoje a vender sapatos à comissão na Guimarães da Amadora.
- Quem foi o egrégio e brilhante estratega do marketing que resolveu criar o desodorizante que dura 48 horas?
- Porque é que ninguém ainda deu uma chapada valente na Iva Domingues, a artista anteriormente conhecida por Iva Pamela ex-partner do saudoso Carlos Ribeiro no Made in Portugal ou lá o que era aquilo? Será que sou só eu que acho que ela é uma pobre coitada , gira, é certo, mas dolorosamente burra, com a mania que é perspicaz , completamente parcial, com piadas de mau gosto e armada em estrela naquele programa de sanita? Algo me diz que já sei porque é o Pedro Mourinho deu bem à soleta!
- Como é que é possível que em pleno sec. XXI ainda HAJA (ANÓNIMO ANÓNIMO AQUI ESTÁ O TEU MOMENTO DE GLÓRIA! UM ERRO POR TI CORRIGIDO! QUE PENA NÃO TERES NAMORADA NEM AMIGOS, QUÃO ORGULHOSOS FICARIAM ELES POR SEMELHANTE FEITO?! OH EGRÉGIO ANÓNIMO COMO TE PODEREI AGRADECER A SAGAZ CONJUGAÇÃO DESDE VERBO?! DINIS, CAUTELA! CASO ELE CORRIJA MAIS UM ERRO (UM!) FICARÁ EMPATADO CONTIGO! seres pensantes que não saibam que circular na faixa da direita a uma velocidade superior à das outras NÃO É uma ultrapassagem nos termos do código estradal? Como é que é possível um casal de namorados não se falar durante uma semana só o fazendo após parecer verbal de um sub-director da DGV? Hum. É bem possível. E emocionante. Principalmente quando se ganha.
- Como é que é possível ainda ninguém se ter apercebido que o filme Zona J originou uma das maiores injustiças de que há memória no patético panorama cinematográfico português: a Núria Madruga, cuja prestação teatral dispensa comentários, aliás, não dispensa, é um perfeito e frondoso cagalhoto que nem mexer os olhos sabe, anda por aí nas telenovelas, e o Félix Fontoura, par amoroso, que até nem se saiu mal e deveria ter visto o seu talento ser melhor explorado, só porque era pretinho está hoje a vender sapatos à comissão na Guimarães da Amadora.
quinta-feira, abril 12, 2007
A verdade da mentira**
A associação a que pertenço convidou um conhecido grupo de hip hop, para animar uma tarde das nossas crianças, com cantigas, coreografias e sermão típico das boas práticas e costumes,
convite esse a que o grupo generosamente acedeu, em pleno período das férias pascais.
Antes da actuação (que se revelou o máximo e proporcionou uma tarde muito bem passada, que fez a miudagem delirar e gritar até ficarem roucos), um membro do grupo dirigiu-se a nós pedindo para tirar umas fotos.
- claro, claro – apressámo-nos nós a concordar, orgulhosos de aquele grupo querer uma recordação nossa associação.
- Ao fim e ao cabo também serve para a nossa própria publicidade... – reconheceu o famoso vocalista.– Sempre damos a conhecer uma outra vertente da banda, mais humana, percebes? Mais que trovadores urbanos somos pessoas com sentimentos e preocupações.
Um outro membro questionou:
- Vocês são muito conhecidos não são? Estivemos a pesquisar, têm casas nos Açores e na Madeira não têm? Ainda são umas 2 mil crianças, vivem mesmo nas casas da associação não é? – num misto de interesse e verdadeiro apreço.
Olhei para os 21 ranhosos amorosos que por ali pululavam. Lembrei-me das instalações concedidas com muito boa vontade mas simplesmente bafientas, numa das salas ligeiramente podres da paróquia.
Algo na minha cabeça piscava como um neón e me advertia “PERIGO, PERIGO, estes gajos acham que nós somos uma outra associação e se eu disser alguma coisa se calhar arrumam as trouxas
e bazam, bazam, e vão para casa, casa.
E eu, (abrindo a pestana tana) sorrio complacente: - Fazemos o que podemos...
Nunca uma mentira me soube tão bem.
Quer dizer, de certeza que já houve, mas por agora não me recordo.
convite esse a que o grupo generosamente acedeu, em pleno período das férias pascais.
Antes da actuação (que se revelou o máximo e proporcionou uma tarde muito bem passada, que fez a miudagem delirar e gritar até ficarem roucos), um membro do grupo dirigiu-se a nós pedindo para tirar umas fotos.
- claro, claro – apressámo-nos nós a concordar, orgulhosos de aquele grupo querer uma recordação nossa associação.
- Ao fim e ao cabo também serve para a nossa própria publicidade... – reconheceu o famoso vocalista.– Sempre damos a conhecer uma outra vertente da banda, mais humana, percebes? Mais que trovadores urbanos somos pessoas com sentimentos e preocupações.
Um outro membro questionou:
- Vocês são muito conhecidos não são? Estivemos a pesquisar, têm casas nos Açores e na Madeira não têm? Ainda são umas 2 mil crianças, vivem mesmo nas casas da associação não é? – num misto de interesse e verdadeiro apreço.
Olhei para os 21 ranhosos amorosos que por ali pululavam. Lembrei-me das instalações concedidas com muito boa vontade mas simplesmente bafientas, numa das salas ligeiramente podres da paróquia.
Algo na minha cabeça piscava como um neón e me advertia “PERIGO, PERIGO, estes gajos acham que nós somos uma outra associação e se eu disser alguma coisa se calhar arrumam as trouxas
e bazam, bazam, e vão para casa, casa.
E eu, (abrindo a pestana tana) sorrio complacente: - Fazemos o que podemos...
Nunca uma mentira me soube tão bem.
Quer dizer, de certeza que já houve, mas por agora não me recordo.
terça-feira, abril 10, 2007
Se a Yuppi sonhasse
Indo eu para o jantar de uma amiga bióloga que reunia nessa noite, em sua casa, outros colegas de profissão e veterinários, fui interveniente num infeliz sinistro tendo atropelado um cão ao pé de um cruzamento.
(Para quem me conhece bem, sabe que o verbo atropelar acoplado ao substantivo cão não auspicia nada de muito proveitoso. Com efeito, posso sinceramente afiançar que sob o meu ponto de vista atropelar um cão é uma acção muito semelhante quiçá, equivalente, a segurar um bebé por um tornozelo arremessando-o repetidamente de cabeça contra a esquina bem polida de um armário).
Depois de uma pancada forte e seca, oiço um ganir desesperante. Imediatamente, e com o sangue frio que me é característico, larguei as mãos do volante tendo com as mesmas tapado os ouvidos, cerrando os olhos com força e baloiçando-me autistamente à espera que aquele som terminasse e alguém acudisse o animal porque eu estava noutra dimensão.
Passados uns segundos uma mulher bate no vidro. Acena-me um ok e diz que o cão está bem. E, para meu grande espanto, vejo o cãozinho amoroso a saracotear-se alegremente ao lado do carro. Estupefacta, suspiro fundo e sigo o meu caminho. Chego a casa da minha amiga e, ainda a tremer, conto a história. Depois, remato com o final feliz e sorrio aliviada para todos quanto me ouvem.
Estranhamente, vejo rostos fechados e testas franzidas.
Um dos amigos da amiga elucida-me:
- Bem, o mais provável é esse cãozinho ter andado mais 30 metros e ter-se esticado morto no meio do chão, devido a uma enorme hemorragia interna.
E prosseguiu, filosófico: - Basicamente todos os seus órgãos vitais entram em falência e minutos depois do embate deve ter sofrido um choque hipovolémico afogando-se no seu próprio fluxo sanguíneo enquanto fica sem oxigénio e as todas as células morrem após um estado profundo de sofrimento.
Politraumatizada, levei a mão ao peito, certificando-me que ainda respirava.
(Para quem me conhece bem, sabe que o verbo atropelar acoplado ao substantivo cão não auspicia nada de muito proveitoso. Com efeito, posso sinceramente afiançar que sob o meu ponto de vista atropelar um cão é uma acção muito semelhante quiçá, equivalente, a segurar um bebé por um tornozelo arremessando-o repetidamente de cabeça contra a esquina bem polida de um armário).
Depois de uma pancada forte e seca, oiço um ganir desesperante. Imediatamente, e com o sangue frio que me é característico, larguei as mãos do volante tendo com as mesmas tapado os ouvidos, cerrando os olhos com força e baloiçando-me autistamente à espera que aquele som terminasse e alguém acudisse o animal porque eu estava noutra dimensão.
Passados uns segundos uma mulher bate no vidro. Acena-me um ok e diz que o cão está bem. E, para meu grande espanto, vejo o cãozinho amoroso a saracotear-se alegremente ao lado do carro. Estupefacta, suspiro fundo e sigo o meu caminho. Chego a casa da minha amiga e, ainda a tremer, conto a história. Depois, remato com o final feliz e sorrio aliviada para todos quanto me ouvem.
Estranhamente, vejo rostos fechados e testas franzidas.
Um dos amigos da amiga elucida-me:
- Bem, o mais provável é esse cãozinho ter andado mais 30 metros e ter-se esticado morto no meio do chão, devido a uma enorme hemorragia interna.
E prosseguiu, filosófico: - Basicamente todos os seus órgãos vitais entram em falência e minutos depois do embate deve ter sofrido um choque hipovolémico afogando-se no seu próprio fluxo sanguíneo enquanto fica sem oxigénio e as todas as células morrem após um estado profundo de sofrimento.
Politraumatizada, levei a mão ao peito, certificando-me que ainda respirava.
quinta-feira, abril 05, 2007
Bom gosto? Hilarious
Ontem fui a casa da minha avó deitar fora o equivalente a meia tonelada de coisas que não lembram a ninguém, vulgo lixo. Esta é uma tradição que já se vai mantendo há alguns anos, dado que esta minha querida avó tem uma incapacidade técnica para distinguir as coisas úteis daquelas que, não só não têm qualquer utilidade prática, como até são desconcertantes do ponto de vista vegeto-animal
Assim, depois de muito choro e bramidos lancinantes lá consegui que a velhinha barricada na casa de banho me desse voluntariamente coisas que aqui me esquivo de denunciar porque acima de tudo temo que isto tudo possa ser genético e daqui a 50 anos vêm-me cobrar este texto.
Certo é que para lá desencantei uma serapilheira gigante repleta de malas e sapatos. Não sei precisar a idade cronológica, mas penso que da era pré-25 de Abril (mas já pós-1932). Munida de luvas esterilizadas, pego naquilo com um cuidado ínfimo de forma a que nada me tocasse e dirijo-me ao caixote do lixo. Infelizmente o saco, demasiado cheio e demasiado bafiento para se aguentar com atroz tormento, rompe-se todo e cai tudo no chão.
Surpreendida, observo com atenção e constato que no meio daquele aterro de entulho se vislumbram dezenas de pares de sapatos e outras tantas malas completamente usáveis nesta moda de meia estação. Se eu tivesse a mania da suspeição, quase que diria que os big boss da Lanidor, Zara, Massimo, Decenio e afins desceram dos seus ateliês de tecelagem e enfiaram-se na adega da minha avó à procura do mais remoto e inqualificável lixo urbano.
Ou seja, este verão, tudo o que seja sapatos feios de avós e tias-avós virgens da Moimenta da Beira (assim como contentores de roupa usada - colecta 1983-84), está super, super chiquê.
Agora na Páscoa vou à terra vasculhar os armários e Deus me perdoe o pecado da soberba mas sim, este ano, eu vou brilhar!
E ver muito ratinho morto no meio dos baús à pala do sulfato de sódio, quem mandou não ser roedor silvestre?
Assim, depois de muito choro e bramidos lancinantes lá consegui que a velhinha barricada na casa de banho me desse voluntariamente coisas que aqui me esquivo de denunciar porque acima de tudo temo que isto tudo possa ser genético e daqui a 50 anos vêm-me cobrar este texto.
Certo é que para lá desencantei uma serapilheira gigante repleta de malas e sapatos. Não sei precisar a idade cronológica, mas penso que da era pré-25 de Abril (mas já pós-1932). Munida de luvas esterilizadas, pego naquilo com um cuidado ínfimo de forma a que nada me tocasse e dirijo-me ao caixote do lixo. Infelizmente o saco, demasiado cheio e demasiado bafiento para se aguentar com atroz tormento, rompe-se todo e cai tudo no chão.
Surpreendida, observo com atenção e constato que no meio daquele aterro de entulho se vislumbram dezenas de pares de sapatos e outras tantas malas completamente usáveis nesta moda de meia estação. Se eu tivesse a mania da suspeição, quase que diria que os big boss da Lanidor, Zara, Massimo, Decenio e afins desceram dos seus ateliês de tecelagem e enfiaram-se na adega da minha avó à procura do mais remoto e inqualificável lixo urbano.
Ou seja, este verão, tudo o que seja sapatos feios de avós e tias-avós virgens da Moimenta da Beira (assim como contentores de roupa usada - colecta 1983-84), está super, super chiquê.
Agora na Páscoa vou à terra vasculhar os armários e Deus me perdoe o pecado da soberba mas sim, este ano, eu vou brilhar!
E ver muito ratinho morto no meio dos baús à pala do sulfato de sódio, quem mandou não ser roedor silvestre?
quarta-feira, abril 04, 2007
A Shakira mexe-se bem e canta muito mal - mas é FAMOSA
Devo anunciar que hoje de manhã ia-se perdendo (oh eufemismo adocicado!) uma adorável blogger nestas acidentadas estradas portuguesas.
Eram 8h45 e a minha pessoa ia-se esbardanando toda debaixo de um camião com 5 eixos. Ia eu a atravessar uma passadeira da Expo e o mencionado pesado tenta travar mas, para meu infortúnio, vem a escorregar rua fora e eu com uns altos pretos de 9 cm tento correr pela vida mas o máximo que almejo foram 4 ridículos passos achinesados.
Felizmente o mega-camião trava e não me mata. O senhor pede desculpa, mas segue. Eu, profundamente irada perante tamanha insolência, tento trepar até à janela do condutor e dar-lhe umas chapadas. Mas, como continuo com os famigerados saltos altos, fico-me apenas pelas intenções, fazendo mega-manguitos e gritando umas asneiras valentes.
Estava eu ainda nesses propósitos ( "Assassino, bandido!") quando atento bem no camião. Em letras garrafais (garrafais..tss tss - Times New Roman tamanho 390) leio:
SHAKIRA´S BIG WORLD
Calei-me imediatamente e fui a correr veloz atrás do camião. Meu Deus, ser atropelada/ferida não mortalmente pelo veículo da senhora - que atenção: não gosto, mete-me medo e se ela me perguntasse as horas naquele vozeirão de Hércules num beco escuro de noite eu desmaiaria imediatamente transida de purro terror -
foi o passo mais próximo da fama que já alguma vez dei. Ainda tentei que uma das roda me passasse por cima de um dos sapatos, chamei John, Jim, Jack, mas o condutor do pesado ia lesto quase que parecia um ligeiro e desapareceu-me do horizonte.
Desapontada, imaginei-me na Cuf a ser cumprimentada por uma Shakira chorosa e combalida, desgostosa de semelhante acto cometido por um dos seus subordinados. Um concerto a ser adiado, a TVI a entrevistar-me, a minha professora da primária "sempre soube que ela ia ser alguém".
Não foi ainda desta que saí do anonimato.
Eram 8h45 e a minha pessoa ia-se esbardanando toda debaixo de um camião com 5 eixos. Ia eu a atravessar uma passadeira da Expo e o mencionado pesado tenta travar mas, para meu infortúnio, vem a escorregar rua fora e eu com uns altos pretos de 9 cm tento correr pela vida mas o máximo que almejo foram 4 ridículos passos achinesados.
Felizmente o mega-camião trava e não me mata. O senhor pede desculpa, mas segue. Eu, profundamente irada perante tamanha insolência, tento trepar até à janela do condutor e dar-lhe umas chapadas. Mas, como continuo com os famigerados saltos altos, fico-me apenas pelas intenções, fazendo mega-manguitos e gritando umas asneiras valentes.
Estava eu ainda nesses propósitos ( "Assassino, bandido!") quando atento bem no camião. Em letras garrafais (garrafais..tss tss - Times New Roman tamanho 390) leio:
SHAKIRA´S BIG WORLD
Calei-me imediatamente e fui a correr veloz atrás do camião. Meu Deus, ser atropelada/ferida não mortalmente pelo veículo da senhora - que atenção: não gosto, mete-me medo e se ela me perguntasse as horas naquele vozeirão de Hércules num beco escuro de noite eu desmaiaria imediatamente transida de purro terror -
foi o passo mais próximo da fama que já alguma vez dei. Ainda tentei que uma das roda me passasse por cima de um dos sapatos, chamei John, Jim, Jack, mas o condutor do pesado ia lesto quase que parecia um ligeiro e desapareceu-me do horizonte.
Desapontada, imaginei-me na Cuf a ser cumprimentada por uma Shakira chorosa e combalida, desgostosa de semelhante acto cometido por um dos seus subordinados. Um concerto a ser adiado, a TVI a entrevistar-me, a minha professora da primária "sempre soube que ela ia ser alguém".
Não foi ainda desta que saí do anonimato.
domingo, abril 01, 2007
Pulícia Jodiciária (manobras de distracção para não me apanharem no Google)
Sábado passado tive a rica ideia de ir ao exame da PJ artilhada com numerosos apontamentos complementares não autorizados, colocados estrategicamente em vários recantos do meu corpo e peças de vestuário.
À saída de casa, reflecti sobre a prudência de semelhante acto.
Nãoera exame da Faculdade de Direito
Não era exame da Ordem
Era a PJ.
Se esta instituição detivesse alguma dignidade material, no mínimo ofereceria dois labradores à entrada da faculdade, um paisana a fumar junto às casas de banho, uma mulher a revistar-nos as cuecas, outra a introduzir-nos dedos no recto, um coordenador no telhado a interceptar chamadas telefónicas e um agente encoberto infiltrando-se nas conversas.
Fiquei com tamanha dor de barriga que desembaracei-me das cábulas e atirei tudo para a bagageira, levando apenas os 2 códigos.
Infelizmente, o único rex que para lá vi foi um cão famélico orbitado de moscas, o telhado estava deserto e ninguém me revistou excepto um supervisionador de provas que me despiu com os olhos enquanto limpava o cuspo dos cantos da boca.
Depois de ter asssistido, profundamente enojada e durante 3 horas ininterruptas, a pessoal a copiar desencantando cábulas das orelhas e de entre os dedos dos pés, fui a praguejar e blafesmar o caminho inteiro para casa.
Que bando de meninas, não é nada como nos filmes.
(Senhores inspectores que mesmo após a manobra ardilosa do título cá venham parar após cerrada investigação no Google:
este blog tem um intuito meramente lúdico e não corresponde, de todo, a qualquer situação verdadeira que tenha ocorrido na minha vida. Basicamente, invento numerosos eventos caricatos de maneira a ludibriar alguns visitantes mais crédulos, nunca me ocorrendo trapacear para entrar em tão prestigiosa organização.
Aproveito desde já para tecer os maiores elogios à v/ corporação, adiantando ainda que moro ao pé dos GOE e sopro sempre um breve beijo quando os vejo ali em Carenque.
Sou uma cidadã temente à lei e o único sinal que desrespeitei na minha vida foi um atrás do ombro esquerdo que tive que remover cirurgicamente pois não ficava mesmo nada bem com tops de alcinhas
Susbcrevo-me respeitosamente,
Salsicha Girl)
À saída de casa, reflecti sobre a prudência de semelhante acto.
Nãoera exame da Faculdade de Direito
Não era exame da Ordem
Era a PJ.
Se esta instituição detivesse alguma dignidade material, no mínimo ofereceria dois labradores à entrada da faculdade, um paisana a fumar junto às casas de banho, uma mulher a revistar-nos as cuecas, outra a introduzir-nos dedos no recto, um coordenador no telhado a interceptar chamadas telefónicas e um agente encoberto infiltrando-se nas conversas.
Fiquei com tamanha dor de barriga que desembaracei-me das cábulas e atirei tudo para a bagageira, levando apenas os 2 códigos.
Infelizmente, o único rex que para lá vi foi um cão famélico orbitado de moscas, o telhado estava deserto e ninguém me revistou excepto um supervisionador de provas que me despiu com os olhos enquanto limpava o cuspo dos cantos da boca.
Depois de ter asssistido, profundamente enojada e durante 3 horas ininterruptas, a pessoal a copiar desencantando cábulas das orelhas e de entre os dedos dos pés, fui a praguejar e blafesmar o caminho inteiro para casa.
Que bando de meninas, não é nada como nos filmes.
(Senhores inspectores que mesmo após a manobra ardilosa do título cá venham parar após cerrada investigação no Google:
este blog tem um intuito meramente lúdico e não corresponde, de todo, a qualquer situação verdadeira que tenha ocorrido na minha vida. Basicamente, invento numerosos eventos caricatos de maneira a ludibriar alguns visitantes mais crédulos, nunca me ocorrendo trapacear para entrar em tão prestigiosa organização.
Aproveito desde já para tecer os maiores elogios à v/ corporação, adiantando ainda que moro ao pé dos GOE e sopro sempre um breve beijo quando os vejo ali em Carenque.
Sou uma cidadã temente à lei e o único sinal que desrespeitei na minha vida foi um atrás do ombro esquerdo que tive que remover cirurgicamente pois não ficava mesmo nada bem com tops de alcinhas
Susbcrevo-me respeitosamente,
Salsicha Girl)
quinta-feira, março 29, 2007
Arma Letal 1
Lembram-se daquele frasco de doce de gila, que tão negligentemente ofereci ao meu diabético pai ? Tentei remediar o estrago, comprei-lhe as peúguinhas mas o certo é que fiquei com a compota ao deus-dará.
Vai daí, lembrei-me de a reciclar e oferecer à minha avó materna agora no seu 74.º aniversário.
Ontem veio cá jantar. Após o lauto festim desencanta um saco plástico do LIDL e endereça-mo:
- Toma Susana, é aquele doce de gila. Não gostei, mais valia o pão-de-ló – apalestrou ela, com uma profunda sensibilidade nazi.
O meu pai olhou para mim. Eu olhei para ele. Sorri. Ele não.
Conclusão, saiu-me bem cara aquela prenda de € 2.
Fiquei com um pai ofendido, uma avó desconsiderada e um produto simplesmente ascórbico nas mãos.
(vou guardá-lo para a troca de prendas com os meus colegas. Que não lerem este blog, naturalmente).
Vai daí, lembrei-me de a reciclar e oferecer à minha avó materna agora no seu 74.º aniversário.
Ontem veio cá jantar. Após o lauto festim desencanta um saco plástico do LIDL e endereça-mo:
- Toma Susana, é aquele doce de gila. Não gostei, mais valia o pão-de-ló – apalestrou ela, com uma profunda sensibilidade nazi.
O meu pai olhou para mim. Eu olhei para ele. Sorri. Ele não.
Conclusão, saiu-me bem cara aquela prenda de € 2.
Fiquei com um pai ofendido, uma avó desconsiderada e um produto simplesmente ascórbico nas mãos.
(vou guardá-lo para a troca de prendas com os meus colegas. Que não lerem este blog, naturalmente).
segunda-feira, março 26, 2007
O Cabeleireiro e o Homossexual
Já há algum tempo que foi por mim constatado que todos os cabeleireiros são homossexuais.
Excepto um amigo meu que, pelo contrário, nada deve às hormonas masculinas e esquemas tipológicos de sedução, engate a fins, e sempre se saiu muito bem com o sexo oposto. Demasiado bem, dirão alguns compinchas invejosos, que ficam a jogar póquer em casa enquanto ele se diverte pelas noites catalãs.
Este fim de semana ficámos todos num quartel militar.
Ele, um relações públicas por excelência, conversava entusiasticamente com dois ou três militares.
Eu, cujo cabelo desenfreado (e o qual nunca, numa vida de 26 anos consegui dominar) insistia em entrar olhos, nariz e orelhas adentro, fui ter com ele e pedi-lhe que me pusesse um ganchinho.
Ele logo agarrou no dito e, com inigualável mestria manejou-o de forma a que a minha franja psicótica se mantivesse 10 minutos acachapada à cabeça.
3 homens completamente imóveis fitavam o meu amigo num misto de horror e incompreensão.
Aquele que ainda há 1 minuto conversava num vozeirão de macho tinha não só acabado de pegar num gancho da Hello Kitty, como o tinha manuseado e, inclusive, colocá-lo destramente numa cabeça humana, sem ter furado nenhum olho ou orifício mais próximo.
Pior, tinha ainda chamado a mencionada cabeça para, veja-se!, o colocar do outro lado para "ficares com o rosto menos pesado e um visagismo mais leve".
Realmente, mexer em cabelos não é necessariamente gay. Mas só em casos muito, muito especiais.
Excepto um amigo meu que, pelo contrário, nada deve às hormonas masculinas e esquemas tipológicos de sedução, engate a fins, e sempre se saiu muito bem com o sexo oposto. Demasiado bem, dirão alguns compinchas invejosos, que ficam a jogar póquer em casa enquanto ele se diverte pelas noites catalãs.
Este fim de semana ficámos todos num quartel militar.
Ele, um relações públicas por excelência, conversava entusiasticamente com dois ou três militares.
Eu, cujo cabelo desenfreado (e o qual nunca, numa vida de 26 anos consegui dominar) insistia em entrar olhos, nariz e orelhas adentro, fui ter com ele e pedi-lhe que me pusesse um ganchinho.
Ele logo agarrou no dito e, com inigualável mestria manejou-o de forma a que a minha franja psicótica se mantivesse 10 minutos acachapada à cabeça.
3 homens completamente imóveis fitavam o meu amigo num misto de horror e incompreensão.
Aquele que ainda há 1 minuto conversava num vozeirão de macho tinha não só acabado de pegar num gancho da Hello Kitty, como o tinha manuseado e, inclusive, colocá-lo destramente numa cabeça humana, sem ter furado nenhum olho ou orifício mais próximo.
Pior, tinha ainda chamado a mencionada cabeça para, veja-se!, o colocar do outro lado para "ficares com o rosto menos pesado e um visagismo mais leve".
Realmente, mexer em cabelos não é necessariamente gay. Mas só em casos muito, muito especiais.
quinta-feira, março 22, 2007
xarope de seiva?
Ainda reportando aquele assunto da minha burra, andrajosa e socialmente lastimável conhecida que quer ir fazer os exames da PJ - esquecendo-se do pormenor de que não consegue correr, mal respira e praticamente não anda (já se alvitrou que ela teria um ou dois pares de grilhões ocultados pelos tornozelos) –
ontem ela veio falar comigo e com umas amigas.
Conversou nem 5 minutos. Afastou-se. Vimo-la a descer, devagar devagarinho, tal qual como tivesse acabado de parir um filho e não quisesse rebentar os pontos do perineu.
Ficámos quedas a observar o fenómeno. Após uns minutos de atenta reflexão, alguém quebrou o silêncio e avançou:
- Talvez vá fazer uma rigorosa dieta.
Ficámos caladas a olhar para ela.
- Quer dizer..talvez fique a soro – corrigiu
Continuámos a fitá-la.
- Ok, se calhar só lá manda uma perna.
Muito bem, gosto de raciocínios assim. Segmentados mas puramente lógicos.
ontem ela veio falar comigo e com umas amigas.
Conversou nem 5 minutos. Afastou-se. Vimo-la a descer, devagar devagarinho, tal qual como tivesse acabado de parir um filho e não quisesse rebentar os pontos do perineu.
Ficámos quedas a observar o fenómeno. Após uns minutos de atenta reflexão, alguém quebrou o silêncio e avançou:
- Talvez vá fazer uma rigorosa dieta.
Ficámos caladas a olhar para ela.
- Quer dizer..talvez fique a soro – corrigiu
Continuámos a fitá-la.
- Ok, se calhar só lá manda uma perna.
Muito bem, gosto de raciocínios assim. Segmentados mas puramente lógicos.
segunda-feira, março 19, 2007
Pai há só um. mas por pouco
Hoje, dia do Pai, cometi o maior sacrilégio que tenho memória.
Logo pela manhã, o meu pai foi-me esconjurar ao quarto, bradando que eu sou sempre a mesma coisa, uma grande mandriona e "levanta os pés e põe-nos a mexer!".
Pois é, desta vez não levantei os ditos e rodopiei-os em pequenos círculos, obedecendo em sentido estrito à ordem clamada (o meu sentido de humor é simplesmente fascinante).
Não, desta vez eu corri para os braços dele, exclamei "Feliz Dia do Pai!!" e ofereci-lhe uma lembrancinha que comprei à Marta, para ajudar o Grupo de Jovens dela: um frasco de um doce de gila caseiro.
Bem, se o arrependimento matasse o homem tinha-se fulminado diante dos meus olhos. Com um ar repleto de remorso e amargura, o sr. meu pai agradeceu-me emocionado e enfiou a viola no saco.
Chego ao trabalho, orgulhosa de tamanha lição de generosidade.
Anuncio a dádiva.
Vira-se uma colega: - "Mas ó Susana, o teu pai não tens diabetes?"
"F.., ca..., q m..!"
- " Bem, mais valia dares-lhe logo duas cápsulas de cianeto".
É o que dá uma gaja esforçar-se e tentar inovar.
Lá vou eu ter que ir à Massimo comprar-lhe o anual par de peúgos.
Logo pela manhã, o meu pai foi-me esconjurar ao quarto, bradando que eu sou sempre a mesma coisa, uma grande mandriona e "levanta os pés e põe-nos a mexer!".
Pois é, desta vez não levantei os ditos e rodopiei-os em pequenos círculos, obedecendo em sentido estrito à ordem clamada (o meu sentido de humor é simplesmente fascinante).
Não, desta vez eu corri para os braços dele, exclamei "Feliz Dia do Pai!!" e ofereci-lhe uma lembrancinha que comprei à Marta, para ajudar o Grupo de Jovens dela: um frasco de um doce de gila caseiro.
Bem, se o arrependimento matasse o homem tinha-se fulminado diante dos meus olhos. Com um ar repleto de remorso e amargura, o sr. meu pai agradeceu-me emocionado e enfiou a viola no saco.
Chego ao trabalho, orgulhosa de tamanha lição de generosidade.
Anuncio a dádiva.
Vira-se uma colega: - "Mas ó Susana, o teu pai não tens diabetes?"
"F.., ca..., q m..!"
- " Bem, mais valia dares-lhe logo duas cápsulas de cianeto".
É o que dá uma gaja esforçar-se e tentar inovar.
Lá vou eu ter que ir à Massimo comprar-lhe o anual par de peúgos.
sexta-feira, março 16, 2007
Retrato de um País
Ontem fiquei mais 45 minutos para além do meu horário de trabalho, a terminar um processo. Quando saí da sala dei de caras com o Director. Este, profundamente chocado, olhou para mim como se eu o tivesse mandado vendar os olhos, pegar numa lambreta e obrigado a fazer acrobacias no Poço da Morte.
Encostou-se à ombreira da porta e, após uns segundos de recobro, perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer.
Estive a analisar um processo – adiantei.
O Sr. Director perscrutou-me, incrédulo. E eu, de um azul ciático, esboço um sorriso demente e fico estática no mesmo sítio.
Fitou-me mais uma vez chocado e acabou por ir-se embora, voltando-se ainda 2 ou 3 vezes para se certificar que eu não era um espectro óptico exorcizado.
45 (quarenta e cinco minutos!). Nem quero imaginar o que sucederia se lá tivesse ficado uma hora completa. (No mínimo uma acção de inabilitação seguida de internamento compulsório).
Encostou-se à ombreira da porta e, após uns segundos de recobro, perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer.
Estive a analisar um processo – adiantei.
O Sr. Director perscrutou-me, incrédulo. E eu, de um azul ciático, esboço um sorriso demente e fico estática no mesmo sítio.
Fitou-me mais uma vez chocado e acabou por ir-se embora, voltando-se ainda 2 ou 3 vezes para se certificar que eu não era um espectro óptico exorcizado.
45 (quarenta e cinco minutos!). Nem quero imaginar o que sucederia se lá tivesse ficado uma hora completa. (No mínimo uma acção de inabilitação seguida de internamento compulsório).
quarta-feira, março 14, 2007
A maldade
Soube que uma rapariga minha conhecida vai fazer o exame para a PJ, já no final deste mês.
Situação Fáctica:
Mede 1.55 e pesa 81 kg (nota de rodapé: valor estimativo arredondado por defeito).
É má, estúpida e cheira a adega de viticultor .
Não é particularmente esperta mas está a estudar aturadamente para os exames escritos.
Situação Hilariante:
Ela não sabe que para entrar para a Polícia Judiciária, não basta ter brilhante nota e dar umas corridinhas com as mamonas a ondular seduzindo inspectores-júri com taras sado-obesas. Existe mesmo um requisito mínimo, que inclui uma tabela anexa e que indica que meias-lecas como nós, de 1.55 a 1.60 têm que ter no máximo 58 kilos bem medidos nas balanças oficiais.
Auto-Avaliação:
Básica? Sou.
Má? Concedo.
DELATORA? Jamais.
Elemento moral da história:
Não vou abrir a boca.
Situação Fáctica:
Mede 1.55 e pesa 81 kg (nota de rodapé: valor estimativo arredondado por defeito).
É má, estúpida e cheira a adega de viticultor .
Não é particularmente esperta mas está a estudar aturadamente para os exames escritos.
Situação Hilariante:
Ela não sabe que para entrar para a Polícia Judiciária, não basta ter brilhante nota e dar umas corridinhas com as mamonas a ondular seduzindo inspectores-júri com taras sado-obesas. Existe mesmo um requisito mínimo, que inclui uma tabela anexa e que indica que meias-lecas como nós, de 1.55 a 1.60 têm que ter no máximo 58 kilos bem medidos nas balanças oficiais.
Auto-Avaliação:
Básica? Sou.
Má? Concedo.
DELATORA? Jamais.
Elemento moral da história:
Não vou abrir a boca.
segunda-feira, março 12, 2007
Despique desigual
Hoje logo pela fresquinha, ligo a televisão e fico ao corrente de um sem número de roubos não sei do quê (cabos de bronze ou ferro ou similares), numa terreola bragantina, que obstaram a que os seus habitantes pudessem usufruir da electricidade.
Jornalista (num tom profissional, sereno e circunspecto): então e como é que se apercebeu que tinha falhado a electricidade?
O Verdadeiro Português (com um ar nobre e compungido)- ´Tão, eu ´tava na Internet. A ver.. (pausa) na internet..a pesquisar. A ver umas coisas... (Pausa) (ganhando balanço) Estava a pesquisar– completa ele, mas com os olhos fitos nas algibeiras.
Sabem onde estão as "Mulheres de Bragança", que tão bravamente pugnaram pela recatez dos seus lares contra as brasileiras assanhadas?
Estão num cantinho enegrecido junto à lareira a chorarem copiosamente pelos tempos que eram e já não voltam a ser.
Transmontanas esforçadas –0 / Pornografia Livre- 30
Jornalista (num tom profissional, sereno e circunspecto): então e como é que se apercebeu que tinha falhado a electricidade?
O Verdadeiro Português (com um ar nobre e compungido)- ´Tão, eu ´tava na Internet. A ver.. (pausa) na internet..a pesquisar. A ver umas coisas... (Pausa) (ganhando balanço) Estava a pesquisar– completa ele, mas com os olhos fitos nas algibeiras.
Sabem onde estão as "Mulheres de Bragança", que tão bravamente pugnaram pela recatez dos seus lares contra as brasileiras assanhadas?
Estão num cantinho enegrecido junto à lareira a chorarem copiosamente pelos tempos que eram e já não voltam a ser.
Transmontanas esforçadas –0 / Pornografia Livre- 30
sexta-feira, março 09, 2007
Homem, mas dos honestos
Ontem não comemorei o Dia Internacional da Mulher, porque basicamente sou um homem.
Chegada do ginásio, e garanto-vos que é a verdade nua e crua, a primeira coisa que faço é arregaçar as mangas, ficar praticamente em ceroulas e obrigar cada colega meu a apalpar-me os bíceps, tríceps e, num dia particularmente produtivo, os glúteos e a parte interna das coxas.
Em tempos ria-me impiedosamente da boçalidade e trejeitos rurais dos gajos da musculação, daqueles que, fazendo 40 flexões e levantando 60 kgs se prostravam frente ao espelho mirando-se jubilosos de hercúleo feito, e lançavam breves olhares de soslaio certificando-se que, no mínimo, três sócios e dois visitantes cirandavam nas redondezas.
Actualmente sou aquela que faz meia flexão de joelhos (assumidamente aldrabada) , levanta uma toalha com um braço e a garrafa de água mais chave do cacifo na outra e fica assim, imóvel , bebendo sofregamente a sua imagem reflectida no espelho, e cada vez que, à laia de músculo uma ligeira batata, bem, hum..., enfim, uma minúscula ervilha assoma no seu (em tempos taberneiro!) braço,
lança urros de alegria e abraça o primeiro indigente que lhe apareça no meio da rua.
Esperem até conseguir levantar uma barra.
Chegada do ginásio, e garanto-vos que é a verdade nua e crua, a primeira coisa que faço é arregaçar as mangas, ficar praticamente em ceroulas e obrigar cada colega meu a apalpar-me os bíceps, tríceps e, num dia particularmente produtivo, os glúteos e a parte interna das coxas.
Em tempos ria-me impiedosamente da boçalidade e trejeitos rurais dos gajos da musculação, daqueles que, fazendo 40 flexões e levantando 60 kgs se prostravam frente ao espelho mirando-se jubilosos de hercúleo feito, e lançavam breves olhares de soslaio certificando-se que, no mínimo, três sócios e dois visitantes cirandavam nas redondezas.
Actualmente sou aquela que faz meia flexão de joelhos (assumidamente aldrabada) , levanta uma toalha com um braço e a garrafa de água mais chave do cacifo na outra e fica assim, imóvel , bebendo sofregamente a sua imagem reflectida no espelho, e cada vez que, à laia de músculo uma ligeira batata, bem, hum..., enfim, uma minúscula ervilha assoma no seu (em tempos taberneiro!) braço,
lança urros de alegria e abraça o primeiro indigente que lhe apareça no meio da rua.
Esperem até conseguir levantar uma barra.
terça-feira, março 06, 2007
Q.E. = 0
Sábado, numa escala, depois dos dez minutos mais entediantes de toda a minha vida, sou chamada para falar com um detido.
Vou até aos calabouços, saltitante e pró-activa, e deparo-me com o alegado criminoso.
Dirijo-me à cela e avisto o menino mais amoroso, mas quando digo amoroso, é mesmo FOFUXO na mais genuína e gritante acepção da palavra.
Um rapazinho dos seus 18 aninhos, olhos enormes rasos de água, ponteados por umas enormes pestanas pretas, estava sentado num banco com os bracinhos cruzados no colo. As mãos, nervosas, aquietavam os cotovelos nus, e a pobre criança tremia como varas verdes, olhando para a biqueira dos sapatos numa vergonha inominável. Quando se apercebeu da minha presença, ergueu os olhos suplicantes, e , com o beicinho a tremer, levou as mãos ao peito numa prece contrita. Basicamente, pareceu-me um gatinho recém-nascido à procura de um pires de leite e uma pequena posta de perca do rio.
Encostei-me docemente às grades e, olhando-o directamente naqueles maviosos olhos azuis perguntei-lhe num tom maternal: "então, porque é que estás aqui?"
- "assalto à mão armada, com caçadeira de canos serrados"
E eu, discretamente, afasto-me das grades
e faço o sinal da cruz
(E ele, continuando
"posse de droga, tentativa de homicídio" - E mais uns quantos crimes os quais nem sabia que existiam quanto mais o regime penal aplicável).
Fugi calabouços fora, a repensar a minha inteligência emocional e capacidade de avaliar pessoas e situações. Nitidamente, é má. Condoídamente (levará acento?) má.
Vou até aos calabouços, saltitante e pró-activa, e deparo-me com o alegado criminoso.
Dirijo-me à cela e avisto o menino mais amoroso, mas quando digo amoroso, é mesmo FOFUXO na mais genuína e gritante acepção da palavra.
Um rapazinho dos seus 18 aninhos, olhos enormes rasos de água, ponteados por umas enormes pestanas pretas, estava sentado num banco com os bracinhos cruzados no colo. As mãos, nervosas, aquietavam os cotovelos nus, e a pobre criança tremia como varas verdes, olhando para a biqueira dos sapatos numa vergonha inominável. Quando se apercebeu da minha presença, ergueu os olhos suplicantes, e , com o beicinho a tremer, levou as mãos ao peito numa prece contrita. Basicamente, pareceu-me um gatinho recém-nascido à procura de um pires de leite e uma pequena posta de perca do rio.
Encostei-me docemente às grades e, olhando-o directamente naqueles maviosos olhos azuis perguntei-lhe num tom maternal: "então, porque é que estás aqui?"
- "assalto à mão armada, com caçadeira de canos serrados"
E eu, discretamente, afasto-me das grades
e faço o sinal da cruz
(E ele, continuando
"posse de droga, tentativa de homicídio" - E mais uns quantos crimes os quais nem sabia que existiam quanto mais o regime penal aplicável).
Fugi calabouços fora, a repensar a minha inteligência emocional e capacidade de avaliar pessoas e situações. Nitidamente, é má. Condoídamente (levará acento?) má.
sexta-feira, março 02, 2007
Runaway Train
Já vos aconteceu estarem a sair do metro, correndo pela vida para tentarem apanhar o comboio,
verem o monitor que anuncia as partidas e chegadas e repararem que, curiosamente nesse mesmo minuto, está prevista a entrada de um Roma Areeiro na linha 8,
então sobem meio estropiados as escadas rolantes e, felizes (suspirando de alívio!), ouvem o barulho da locomotiva,
mas depois reparam que estão numa ponta da plataforma e o Roma Areeiro passa por vós e estranhamente parece ir parar somente na outra ponta,
então vocês correm, calcanhares nas costas e braços esvoaçantes (versão Tom Sawyer/Entrecampos) tentando alcançar a última composição,
e, finalmente, apercebem-se que o comboio NÃO está a chegar mas sim a IR-SE EMBORA,
e que estão a correr esbaforidos estação fora, perseguindo um comboio em pleno andamento, enquanto os palermas da linha 7 e linha 2 de dedo em riste apontam para vocês e se riem à boca podre?
Já?
Muito mais aquietada, obrigada.
(PS- houve quem alvitrasse, e mal (aqui no cubículo laboral) que este post tem demasiadas semelhanças com outro. Desafiei-os a nomearem qual. Não conseguiram. Estendo a pergunta (e uma paulada na testa) a quem tiver a mesma opinião. )
verem o monitor que anuncia as partidas e chegadas e repararem que, curiosamente nesse mesmo minuto, está prevista a entrada de um Roma Areeiro na linha 8,
então sobem meio estropiados as escadas rolantes e, felizes (suspirando de alívio!), ouvem o barulho da locomotiva,
mas depois reparam que estão numa ponta da plataforma e o Roma Areeiro passa por vós e estranhamente parece ir parar somente na outra ponta,
então vocês correm, calcanhares nas costas e braços esvoaçantes (versão Tom Sawyer/Entrecampos) tentando alcançar a última composição,
e, finalmente, apercebem-se que o comboio NÃO está a chegar mas sim a IR-SE EMBORA,
e que estão a correr esbaforidos estação fora, perseguindo um comboio em pleno andamento, enquanto os palermas da linha 7 e linha 2 de dedo em riste apontam para vocês e se riem à boca podre?
Já?
Muito mais aquietada, obrigada.
(PS- houve quem alvitrasse, e mal (aqui no cubículo laboral) que este post tem demasiadas semelhanças com outro. Desafiei-os a nomearem qual. Não conseguiram. Estendo a pergunta (e uma paulada na testa) a quem tiver a mesma opinião. )
terça-feira, fevereiro 27, 2007
O Congolês II
Num destes azafamados dias, tive que ir à Segurança Social.
Debruçada sobre a mesa, com uma mão agarrava a funcionária pelos colarinhos e clamava misericórdia enquanto com a outra segurava um lencinho de papel e limpava o narizinho fungoso, resultado de um útil choradinho mas, confesso, bastante cansativo.
Por fim, a funcionária lá se compadeceu e levantou-se indo buscar o documento necessário.
Eu, vitoriosa, sorri maquiavelicamente e recolhi os documentos espalhados pela mesa.
De repente, surge-me vindo nem sei bem de onde, um pequeno marginal, meio aciganado com franco mau aspecto e a ponta de uma arma branca a sorrir num bolso de um casaco.
"Ó Meu Deus, será possível ser roubada aqui em pleno guichet?" interroguei-me eu
O ciganolas debruçou-se sobre mim encostando-se-me ao ouvido:
(e eu "Ó Meu Deus, será possível ser roubada, apalpada e, quiçá, violada em pleno guichet?")
"Olhe, peço imensa desculpa, corro o risco de ser indelicado mas penso que devo adverti-la que, da maneira como está sentada, estará, eventualmente, a expor-se demasiado".
E afastou-se gingando com a sua arma num bolso e a mão no noutro.
Atordoada, lá puxei o elástico das cuecas e fiquei cabisbaixa, chorosa não por ter as ditas de fora mas porque continuo a ser uma grandessíssima atrasada preconceituosa.
Debruçada sobre a mesa, com uma mão agarrava a funcionária pelos colarinhos e clamava misericórdia enquanto com a outra segurava um lencinho de papel e limpava o narizinho fungoso, resultado de um útil choradinho mas, confesso, bastante cansativo.
Por fim, a funcionária lá se compadeceu e levantou-se indo buscar o documento necessário.
Eu, vitoriosa, sorri maquiavelicamente e recolhi os documentos espalhados pela mesa.
De repente, surge-me vindo nem sei bem de onde, um pequeno marginal, meio aciganado com franco mau aspecto e a ponta de uma arma branca a sorrir num bolso de um casaco.
"Ó Meu Deus, será possível ser roubada aqui em pleno guichet?" interroguei-me eu
O ciganolas debruçou-se sobre mim encostando-se-me ao ouvido:
(e eu "Ó Meu Deus, será possível ser roubada, apalpada e, quiçá, violada em pleno guichet?")
"Olhe, peço imensa desculpa, corro o risco de ser indelicado mas penso que devo adverti-la que, da maneira como está sentada, estará, eventualmente, a expor-se demasiado".
E afastou-se gingando com a sua arma num bolso e a mão no noutro.
Atordoada, lá puxei o elástico das cuecas e fiquei cabisbaixa, chorosa não por ter as ditas de fora mas porque continuo a ser uma grandessíssima atrasada preconceituosa.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Ajuda especializada
Hoje abri a minha primeira conta de poupança.
Passados 25 minutos, retornei derrotada ao banco para perguntar o que fazer, caso pretendesse levantar já algum dinheiro.
Bati fundo na minha curta e depauperada existência.
Passados 25 minutos, retornei derrotada ao banco para perguntar o que fazer, caso pretendesse levantar já algum dinheiro.
Bati fundo na minha curta e depauperada existência.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Conspurcação de uma menor
Quando eu frequentei pela 1ª vez um ginásio, já lá vai mais de uma década, tive um sábio instrutor de musculação (sim, a sério, são um adjectivo e substantivos que efectivamente se podem conjugar!) que me advertiu que:
O homem e a mulher fazem parte do reino animal e comportam-se como tal. As fêmeas só querem cuidar das crias e os machos só querem copular indistintamente com todas elas.
Após ouvir conversas intermináveis de amigas que não têm sexo há 2 anos mas já pensam em que maternidade querem ir parir (CUF Descobertas está em 1.º lugar), e de amigos que se esmifram em mentiras labirínticas para poderem cobrir a amiga, a amiga da amiga e uma prima de Fornos de Algodres da amiga da amiga (haja fôlego para tanta amizade), suspeitei que o sábio musculoso tinha razão.
Felizmente lembrei-me que tenho terror a partos, vaginas dilatadas e vulvas inchadas.
E um namorado que é macho mas muito gaja e abomina confusão.
Hoje olho para trás e acho que o eremita musculoso queria era tirar uma lasquinha.
É atrasado tem teorias parvas. Não o quero para pai dos meus filhos.
O homem e a mulher fazem parte do reino animal e comportam-se como tal. As fêmeas só querem cuidar das crias e os machos só querem copular indistintamente com todas elas.
Após ouvir conversas intermináveis de amigas que não têm sexo há 2 anos mas já pensam em que maternidade querem ir parir (CUF Descobertas está em 1.º lugar), e de amigos que se esmifram em mentiras labirínticas para poderem cobrir a amiga, a amiga da amiga e uma prima de Fornos de Algodres da amiga da amiga (haja fôlego para tanta amizade), suspeitei que o sábio musculoso tinha razão.
Felizmente lembrei-me que tenho terror a partos, vaginas dilatadas e vulvas inchadas.
E um namorado que é macho mas muito gaja e abomina confusão.
Hoje olho para trás e acho que o eremita musculoso queria era tirar uma lasquinha.
É atrasado tem teorias parvas. Não o quero para pai dos meus filhos.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O Paquiderme
Hoje manhã houve um tremor de terra e o edifício abanou todo. Como eu estou no 3.º andar, a repercussão foi ainda maior.
Ora, nano-segundos antes do impacto eu levantei-me da secretária e fui buscar uns códigos à prateleira. Estava eu a recolher o de 2003 quando toda a sala se virou para mim. Estaquei com o código na mão e devolvi-lhes o olhar.
“Susana, foste tu?”
“Fui eu o quê?”
“FUJA FUJAM! ISTO VAI ABAIXO, FUJAM PELAS ESCADAS!” – gritou alguém no corredor
E parte tudo em debandada comigo atrás. Chegámos cá abaixo e a malta toda excitada, com a mão no peito e a suspirarem fundo. Cruzei os braços, de trombas, e virei a cara para o lado.
“Que foi Susana?”
Nem respondi.
Há um sismo que abana um edifício que comporta 1100 empregados e perguntam-me se fui eu a levantar-me da cadeira.
Mas sabem o que é verdadeiramente mau? É que eu não senti absolutamente nada. E depois ainda pensei que estavam a gozar e fui a última a fugir, só o fazendo porque encontrei naquele virote um bom motivo para ir para a rua beber café.
2 conclusões:
- o meu hipotálamo não está a fazer um bom trabalho.
- Nunca mais falo aos meus colegas.
Ora, nano-segundos antes do impacto eu levantei-me da secretária e fui buscar uns códigos à prateleira. Estava eu a recolher o de 2003 quando toda a sala se virou para mim. Estaquei com o código na mão e devolvi-lhes o olhar.
“Susana, foste tu?”
“Fui eu o quê?”
“FUJA FUJAM! ISTO VAI ABAIXO, FUJAM PELAS ESCADAS!” – gritou alguém no corredor
E parte tudo em debandada comigo atrás. Chegámos cá abaixo e a malta toda excitada, com a mão no peito e a suspirarem fundo. Cruzei os braços, de trombas, e virei a cara para o lado.
“Que foi Susana?”
Nem respondi.
Há um sismo que abana um edifício que comporta 1100 empregados e perguntam-me se fui eu a levantar-me da cadeira.
Mas sabem o que é verdadeiramente mau? É que eu não senti absolutamente nada. E depois ainda pensei que estavam a gozar e fui a última a fugir, só o fazendo porque encontrei naquele virote um bom motivo para ir para a rua beber café.
2 conclusões:
- o meu hipotálamo não está a fazer um bom trabalho.
- Nunca mais falo aos meus colegas.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Bom Dia!
Hoje de manhã, aqui na Expo, desfilou uma imponente parada policial, com as autoridades engalanadas nos seus lustrosos uniformes e montadas em cima de poderosos alazões de sangue puro.
Os airosos polícias, a quem só faltavam dois penachos atrás de cada orelha e uma pluma espetada no rabo tamanha era a vaidade que os consumia, olhavam para todos os lados certificando-se que nem uma única alma desviava os olhos de tamanha parada.
Eu, na realidade, fui uma dessas pessoas. É que não consegui mesmo deixar de olhar para dois polícias que, lado a lado, trotavam em cima dos respectivos cavalos, os quais, sem qualquer sentido de dignidade e respeito pela ética militar derrocavam violentas conchas de bosta em frente ao Vasco da Gama. Atenção, sublinho, não estamos a falar de amorosos montinhos, mas sim de dejectos de proporções simplesmente inqualificáveis. E que lançaram no ar (já de si pouco impoluto graças ao Tejo) um odor peculiar, ligeiramente almiscarado com notas secas, que deixou os peões atordoados e os condutores aliviados por estarem hermeticamente protegidos.
Enfim, um momento único de contribuição para o prestígio e valorização moral das forças armadas. A juntar aquele em que ia com mais duas amigas e o bófia arrota para uma delas: "eh cavalona, partia-te essa bilha toda!"
Os airosos polícias, a quem só faltavam dois penachos atrás de cada orelha e uma pluma espetada no rabo tamanha era a vaidade que os consumia, olhavam para todos os lados certificando-se que nem uma única alma desviava os olhos de tamanha parada.
Eu, na realidade, fui uma dessas pessoas. É que não consegui mesmo deixar de olhar para dois polícias que, lado a lado, trotavam em cima dos respectivos cavalos, os quais, sem qualquer sentido de dignidade e respeito pela ética militar derrocavam violentas conchas de bosta em frente ao Vasco da Gama. Atenção, sublinho, não estamos a falar de amorosos montinhos, mas sim de dejectos de proporções simplesmente inqualificáveis. E que lançaram no ar (já de si pouco impoluto graças ao Tejo) um odor peculiar, ligeiramente almiscarado com notas secas, que deixou os peões atordoados e os condutores aliviados por estarem hermeticamente protegidos.
Enfim, um momento único de contribuição para o prestígio e valorização moral das forças armadas. A juntar aquele em que ia com mais duas amigas e o bófia arrota para uma delas: "eh cavalona, partia-te essa bilha toda!"
terça-feira, fevereiro 06, 2007
As aparências
Aqui há umas noites estava no carro e o namorado aponta para umas ervas e diz:
“Olha ali que grande ratazana”
Debruçada sobre a janela observando-a atentamente acrescento:
“Ai é enorme, parece um coelhinho”.
Silêncio. Ele numa voz compassiva,
- “Vês...”
O meu olhar tornou-se vítreo e fiquei pálida como um círio.
Tornei-me naquilo que abominei ser. Por segundos fui a menina bojuda da Torre de Belém a confundir um rato de esgoto com um adorável leporídeo. Mas caramba, a ratazana do outro post estava em plenas exéquias fúnebres, imóvel de pernas para o ar, esta avistei-a de soslaio pois fugiu num ápice por entre as couves!
Conclusão sumária:
A miúda era mesmo burra
e as ratazanas também
eu não
e coelhos são só para pendurar nas oliveiras de cabeça para baixo e fazer arroz na Páscoa.
Adoro cães
“Olha ali que grande ratazana”
Debruçada sobre a janela observando-a atentamente acrescento:
“Ai é enorme, parece um coelhinho”.
Silêncio. Ele numa voz compassiva,
- “Vês...”
O meu olhar tornou-se vítreo e fiquei pálida como um círio.
Tornei-me naquilo que abominei ser. Por segundos fui a menina bojuda da Torre de Belém a confundir um rato de esgoto com um adorável leporídeo. Mas caramba, a ratazana do outro post estava em plenas exéquias fúnebres, imóvel de pernas para o ar, esta avistei-a de soslaio pois fugiu num ápice por entre as couves!
Conclusão sumária:
A miúda era mesmo burra
e as ratazanas também
eu não
e coelhos são só para pendurar nas oliveiras de cabeça para baixo e fazer arroz na Páscoa.
Adoro cães
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
A Quebra
Há quem tenha avançado que eu estou viciada no Casino.
Elucido que eu estou viciada sim, mas em algo muito mais (sotaque mineiro) gostoso...
Caros confrades,
estou oficialmente convertida ao “Lost”. O engraçado é que ainda antes de ter visto um único episódio, já sabia a história toda até à 3ª série, episódio 6, filmado em Novembro de 2006 nos E.U.A: Veículos informativos: =>wikipédia + www.lostinlost.globolog.com.br
Por favor, viciem-se, para poderem conversar comigo e trocarmos ideias, bilhetinhos e fazermos conspirações. Advirto que tenho uma teoria particularmente inteligente mas só a divulgarei quando tiver assegurados pelo menos um estrado num palco de 25 cm e 5 holofotes sobre a minha pessoa (o estrado estará sob, espero).
E meu Deus,
Perdoa-me atempadamente pela quebra dos seguintes mandamentos:
6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras
9.º- Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10.º - Não cobiçar as coisas alheias.
MAS QUE DIVINDADE GREGAÉ AQUELA A QUE DÃO O NOME DE SAWYER? E como é possível ao 3.º dia Fazeres coisas tão belas e ao 4.º Mandá-las para outro continente??
God, make me Pure but not yet.
Elucido que eu estou viciada sim, mas em algo muito mais (sotaque mineiro) gostoso...
Caros confrades,
estou oficialmente convertida ao “Lost”. O engraçado é que ainda antes de ter visto um único episódio, já sabia a história toda até à 3ª série, episódio 6, filmado em Novembro de 2006 nos E.U.A: Veículos informativos: =>wikipédia + www.lostinlost.globolog.com.br
Por favor, viciem-se, para poderem conversar comigo e trocarmos ideias, bilhetinhos e fazermos conspirações. Advirto que tenho uma teoria particularmente inteligente mas só a divulgarei quando tiver assegurados pelo menos um estrado num palco de 25 cm e 5 holofotes sobre a minha pessoa (o estrado estará sob, espero).
E meu Deus,
Perdoa-me atempadamente pela quebra dos seguintes mandamentos:
6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras
9.º- Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10.º - Não cobiçar as coisas alheias.
MAS QUE DIVINDADE GREGAÉ AQUELA A QUE DÃO O NOME DE SAWYER? E como é possível ao 3.º dia Fazeres coisas tão belas e ao 4.º Mandá-las para outro continente??
God, make me Pure but not yet.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Ronaldo, a micro-versão
Ontem, no casino de Lisboa, fico frente a frente com um chinês.
Até aqui nada de inaudito, é sabido que no casino coabitam 58 asiáticos por cada 2 europeus e 0.005 afro-hindus.
O que se revelou verdadeiramente intrigante foi o facto deste chinês, e passe, obviamente a alarvidade racial que dentro de 5 segundos vou escrever mas que corresponde, afinal a uma constatação estético-visual,
Este chinês era, na realidade, BONITO. Eu sei, eu sei, sou uma mentirosa compulsiva e a grande maioria dos meus posts estão despudoradamente adulterados. Mas, afianço-vos, aquele exemplar possuía traços fortes, maxilares bem definidos, testa larga e confiante. O cabelo, despenteado, era de um preto-azeviche brilhante e bem cuidado. Uma boca pequena, mas cheia, brancos alvos e um sorriso doce. Sem mencionar, claro, dois olhitos rasgados simplesmente amorosos, que saltitavam alegremente pelas várias casas da roleta.
Enfim, gostei. E gostei também de saber, hoje no Diário da Manhã, que o Sr. Chinês é uma nova aquisição do Benfica.
É simplesmente irrefutável: eu tenho faro para a coisa - cheiro futebolistas à distância.
(e ANTES DOS JOGOS, que sob o ponto de vista higiénico-sanitário torna a façanha muito mais meritória).
Até aqui nada de inaudito, é sabido que no casino coabitam 58 asiáticos por cada 2 europeus e 0.005 afro-hindus.
O que se revelou verdadeiramente intrigante foi o facto deste chinês, e passe, obviamente a alarvidade racial que dentro de 5 segundos vou escrever mas que corresponde, afinal a uma constatação estético-visual,
Este chinês era, na realidade, BONITO. Eu sei, eu sei, sou uma mentirosa compulsiva e a grande maioria dos meus posts estão despudoradamente adulterados. Mas, afianço-vos, aquele exemplar possuía traços fortes, maxilares bem definidos, testa larga e confiante. O cabelo, despenteado, era de um preto-azeviche brilhante e bem cuidado. Uma boca pequena, mas cheia, brancos alvos e um sorriso doce. Sem mencionar, claro, dois olhitos rasgados simplesmente amorosos, que saltitavam alegremente pelas várias casas da roleta.
Enfim, gostei. E gostei também de saber, hoje no Diário da Manhã, que o Sr. Chinês é uma nova aquisição do Benfica.
É simplesmente irrefutável: eu tenho faro para a coisa - cheiro futebolistas à distância.
(e ANTES DOS JOGOS, que sob o ponto de vista higiénico-sanitário torna a façanha muito mais meritória).
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Será que? Não.
Caríssimos,
É com incontido orgulho que declaro que nada escrevi esta semana porque,
Tambores-check
Tamboristas-check
Rufos crescentes-check
Estive a trabalhar!!!!
...
Num processo judicial de um amigo meu.
No horário de expediente.
Ainda não foi desta que justifico as vossas contribuições à máquina administrativa.
Sorry...
É com incontido orgulho que declaro que nada escrevi esta semana porque,
Tambores-check
Tamboristas-check
Rufos crescentes-check
Estive a trabalhar!!!!
...
Num processo judicial de um amigo meu.
No horário de expediente.
Ainda não foi desta que justifico as vossas contribuições à máquina administrativa.
Sorry...
quarta-feira, janeiro 24, 2007
O Vício ou as notas de 500
Ontem fui ter com o meu irmão ao casino de Lisboa. Neste último mês tornei-me sócia de uma parelha-maravilha ao disponibilizar-lhe o capital necessário para ele efectuar apostas na roleta. Basicamente eu largo o guito ele abençoa-o com a sua estratégia.
Idiota, murmurarão vocês, enquanto se apiedam desta que aqui escreve.
Calminha, replicarei eu, molhando o indicador enquanto faço a contagem das notas.
Dez pessoas em roda de uma máquina virtual, nove literalmente apopléticas. De vez em quando ouvia-se um “P.. da máquina, que granda filha da p..., que m.. de máquina, f...-se que esta m... tá toda f..., c.. ma f..”. Nas primeiras vezes ainda me assustei mas à 6.º: “ SUA P... NÃO TE FICAS A RIR, MÁQUINA DE UM C.... VOU-TE PARTIR TODA, AI TÁS-TE A RIR TÁS A CRESCER PRA MIM???” e eu olho para o homem, colérico, a levantar a mão a um televisor como quem diz “vá, responde lá agora sempre quero ver o que é que dizes”, e o televisor, coitado, simplesmente a mostrar o jogo e susceptível de ser digitado para se efectuar a aposta, sinceramente senti pena daquele ser amorfo.
Saímos com um sorriso na cara e o dinheirinho no bolso.
O meu irmão é muito cagalhoto em inúmeras situações, mas noutras lá se redime e torna-se num ser híbrido quase que, atrever-me-ei, interessante.
(embora indubitavelmente semítico e de uma avareza aflitiva, onde é que já se viu 10% a quem generosa e altruisticamente injectou o capital?)
Idiota, murmurarão vocês, enquanto se apiedam desta que aqui escreve.
Calminha, replicarei eu, molhando o indicador enquanto faço a contagem das notas.
Dez pessoas em roda de uma máquina virtual, nove literalmente apopléticas. De vez em quando ouvia-se um “P.. da máquina, que granda filha da p..., que m.. de máquina, f...-se que esta m... tá toda f..., c.. ma f..”. Nas primeiras vezes ainda me assustei mas à 6.º: “ SUA P... NÃO TE FICAS A RIR, MÁQUINA DE UM C.... VOU-TE PARTIR TODA, AI TÁS-TE A RIR TÁS A CRESCER PRA MIM???” e eu olho para o homem, colérico, a levantar a mão a um televisor como quem diz “vá, responde lá agora sempre quero ver o que é que dizes”, e o televisor, coitado, simplesmente a mostrar o jogo e susceptível de ser digitado para se efectuar a aposta, sinceramente senti pena daquele ser amorfo.
Saímos com um sorriso na cara e o dinheirinho no bolso.
O meu irmão é muito cagalhoto em inúmeras situações, mas noutras lá se redime e torna-se num ser híbrido quase que, atrever-me-ei, interessante.
(embora indubitavelmente semítico e de uma avareza aflitiva, onde é que já se viu 10% a quem generosa e altruisticamente injectou o capital?)
terça-feira, janeiro 23, 2007
Albânia -> Chelas
Há 2 anos atrás, Lisboa recebeu o encontro mundial juvenil de Taizé, no qual, num amoroso abraço ecuménico, se distribuiu várias nacionalidades por várias paróquias. Após 2 dias descobri, sem grande surpresa confesso, (esta minha alma esclarecida alumia-me os meandros mais obscuros da humanidade) que:
- Os italianos, suecos, finlandeses, holandeses, franceses e monegascos foram todos colocados na Linha de Cascais, nas paróquias, a título meramente exemplificativo, de Paço D´Arcos, Oeiras, Algés e Parede.
- Os romenos, moldavos, lituanos, ucranianos e tártaros da crimeia foram todos corridos a pontapé para a Damaia e a Reboleira, conhecendo inclusive dois polacos que foram repatriados para o Cacém.
Eu - ah e tal já repararam que mandaram os pobrezinhos para as zonas mais ranhosas? Os bielorussos ficaram todos num pequeno sotão do Pendão, os de Milão em luxosos aposentos nas casas estorilenses espraiadas à beira-mar.
Alguém ligeiramente ofendido e que não mora no município da capital: Então o que é que se retira do facto de 5 chechenos terem ido parar a Torres Vedras?
Olhei para ele, esbocei um sorriso amarelo (o que a juntar aos olhos auspicia mesmo uma valente anemia falciforme) e concluí que não havia saída. Eu e a minha grande boca suburbana.
- Os italianos, suecos, finlandeses, holandeses, franceses e monegascos foram todos colocados na Linha de Cascais, nas paróquias, a título meramente exemplificativo, de Paço D´Arcos, Oeiras, Algés e Parede.
- Os romenos, moldavos, lituanos, ucranianos e tártaros da crimeia foram todos corridos a pontapé para a Damaia e a Reboleira, conhecendo inclusive dois polacos que foram repatriados para o Cacém.
Eu - ah e tal já repararam que mandaram os pobrezinhos para as zonas mais ranhosas? Os bielorussos ficaram todos num pequeno sotão do Pendão, os de Milão em luxosos aposentos nas casas estorilenses espraiadas à beira-mar.
Alguém ligeiramente ofendido e que não mora no município da capital: Então o que é que se retira do facto de 5 chechenos terem ido parar a Torres Vedras?
Olhei para ele, esbocei um sorriso amarelo (o que a juntar aos olhos auspicia mesmo uma valente anemia falciforme) e concluí que não havia saída. Eu e a minha grande boca suburbana.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Mu
Auferido o precioso salário, aqui vou eu (fogo no rabo, - que rabo? – perguntará o costumado anónimo) directa à casa das malas. Ao fim de 4 meses de namoro a uma carteira linda de pele castanha, estico o American Express Platina e saio da loja radiante, abraçada à espécime com as beiças a tremer de felicidade.
À noite vou ao cinema, mas como entretanto haviam esgotado os bilhetes para o “Scoop”, lá entro, meio contrariada, no único filme disponível aquela hora: “Geração Fastfood”. Arrepiando caminho, esclareço que no final fui obrigada a visionar uma cena de abate bovino, no qual se viam vacas a serem içadas por uma perna num prelúdio de acto homicida e assisti a todo um ciclo produtivo que ocorre no matadouro.
Após 10 minutos de membros estraçalhados, de olhos obliterados, litradas de sangue jorrado e pele arrancada, fico meio tonta e levanto-me.
Olho para a mala nova, nem 24 horas na minha posse, e, agarro-a enojada com a pontinha de dois dedinhos, pedindo mil perdões ao animal que ali jazia.
Acto contínuo, passo pela zona de restauração e fiquei louca a salivar por um duplo cheeseburger.
Comi-o e já é oficial, sou um ser humano totalmente execrável.
À noite vou ao cinema, mas como entretanto haviam esgotado os bilhetes para o “Scoop”, lá entro, meio contrariada, no único filme disponível aquela hora: “Geração Fastfood”. Arrepiando caminho, esclareço que no final fui obrigada a visionar uma cena de abate bovino, no qual se viam vacas a serem içadas por uma perna num prelúdio de acto homicida e assisti a todo um ciclo produtivo que ocorre no matadouro.
Após 10 minutos de membros estraçalhados, de olhos obliterados, litradas de sangue jorrado e pele arrancada, fico meio tonta e levanto-me.
Olho para a mala nova, nem 24 horas na minha posse, e, agarro-a enojada com a pontinha de dois dedinhos, pedindo mil perdões ao animal que ali jazia.
Acto contínuo, passo pela zona de restauração e fiquei louca a salivar por um duplo cheeseburger.
Comi-o e já é oficial, sou um ser humano totalmente execrável.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Sexo forte? Isto?
Cenário idílico, o amanhecer numa falésia do Guincho. O meu namorado, com a sua voz forte mas timbre doce sussurra-me:
- Tens os lábios mais bonitos que já alguma vez vi.
Sorrio, envergonhada, incitando-o a continuar:
- E o teu narizinho perfeito, que eu sei que é teu, só teu, és senhora do teu nariz!
Eu coro, rindo-me baixinho e querendo ouvir mais;
- E os teus olhos..
Soergue-me o queixo, cuidadosamente, olhando-me nos olhos com uma doçura infinita:
- E os teus olhos..
Olhar mais atento
- Estranho, os teus olhos são...são amarelos, têm em baixo uma bolsa de gordura, tipo sebo saturado. Tens que ver isso, olhos amarelados não pode ser coisa boa. Será que é contagioso? Que horror, é que são mesmo amarelados!
Honra e bom proveito não cabem em saco estreito. Irada virei costas ao ocaso e obriguei-o a levar-me a casa.
- Tens os lábios mais bonitos que já alguma vez vi.
Sorrio, envergonhada, incitando-o a continuar:
- E o teu narizinho perfeito, que eu sei que é teu, só teu, és senhora do teu nariz!
Eu coro, rindo-me baixinho e querendo ouvir mais;
- E os teus olhos..
Soergue-me o queixo, cuidadosamente, olhando-me nos olhos com uma doçura infinita:
- E os teus olhos..
Olhar mais atento
- Estranho, os teus olhos são...são amarelos, têm em baixo uma bolsa de gordura, tipo sebo saturado. Tens que ver isso, olhos amarelados não pode ser coisa boa. Será que é contagioso? Que horror, é que são mesmo amarelados!
Honra e bom proveito não cabem em saco estreito. Irada virei costas ao ocaso e obriguei-o a levar-me a casa.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
É idiota, ´tás a ver?
Fui hoje à minha primeira consulta de pré-operatório oftalmológico num hospital público.
Entrei lá às 9h30, a hora previamente marcada, e fui atendida às 13h15.
Mal entro vejo um médico novo, de rosto irado e olhos coléricos.
- ESTÃO A CHAMAR POR SI DESDE AS 9 HORAS!!! PARA A PRÓXIMA ESTEJA MAIS ATENTA! FRANCAMENTE!!!
Dos grasnidos que coligi pareceu-me ainda que me chamou um ou outro nome, de qualquer forma fiquei a titubear porque algo ali me transcendia.
- Mas eu ... – inicio
- Estou a brincar Susana! Estou só a brincar - ri-se enquanto me aperta a mão vigorosamente.
Já não é muito normal um desconhecido fazer-nos isto.
Já não é muito normal um desconhecido licenciado em Medicina fazer-nos isto.
Mas alguém cometer semelhante acto (muito espirituoso, por sinal) a quem esteve 3 anos, repito, três (três) anos em lista de espera é completamente suicida.
Olhei para o espelho das letras e apeteceu-me quebrar-lho em pleno crânio. Desviei a atenção para uns óculos garrafais com dois kgs de lentes e imaginei-os desferidos sobre um baixo ventre desprevenido.
Respirei fundo e sorri falsamente (tenho uns olhos miseráveis mas um sorriso amoroso).
Estranho pensar que colocarei a minha visão à mercê de um ser humano que literalmente NÃO VÊ, nem com uma lupa multifocal, que é o palerma do hospital.
Entrei lá às 9h30, a hora previamente marcada, e fui atendida às 13h15.
Mal entro vejo um médico novo, de rosto irado e olhos coléricos.
- ESTÃO A CHAMAR POR SI DESDE AS 9 HORAS!!! PARA A PRÓXIMA ESTEJA MAIS ATENTA! FRANCAMENTE!!!
Dos grasnidos que coligi pareceu-me ainda que me chamou um ou outro nome, de qualquer forma fiquei a titubear porque algo ali me transcendia.
- Mas eu ... – inicio
- Estou a brincar Susana! Estou só a brincar - ri-se enquanto me aperta a mão vigorosamente.
Já não é muito normal um desconhecido fazer-nos isto.
Já não é muito normal um desconhecido licenciado em Medicina fazer-nos isto.
Mas alguém cometer semelhante acto (muito espirituoso, por sinal) a quem esteve 3 anos, repito, três (três) anos em lista de espera é completamente suicida.
Olhei para o espelho das letras e apeteceu-me quebrar-lho em pleno crânio. Desviei a atenção para uns óculos garrafais com dois kgs de lentes e imaginei-os desferidos sobre um baixo ventre desprevenido.
Respirei fundo e sorri falsamente (tenho uns olhos miseráveis mas um sorriso amoroso).
Estranho pensar que colocarei a minha visão à mercê de um ser humano que literalmente NÃO VÊ, nem com uma lupa multifocal, que é o palerma do hospital.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Anita vai ao grego
No Sábado passado fui a um jantar a casa de uma amiga, refeição essa que haveria de consistir num prato normal, cozinhado pela anfitriã, e um outro vegetariano, elaborado por um nosso amigo.
Quando entro na sala deparo-me com um cenário retirado directamente do 2.º capítulo do Génesis:
De um lado um tabuleiro delicioso de bacalhau com natas, com parmesão gratinado e acabamentos de luxo.
Do outro lado, um tabuleiro com meia dúzia de alcachofras, quatro beringelas e umas susbtâncias mortas que boiavam reluzentes atreladas a um par de grelos regados a vinagrete. Pareceu-me ainda vislumbrar (mas não garanto) uma anémona do mar viva com duas lentilhas a fazer de corninhos e um inverterbrado indecifrável que variava entre um cavalo-marinho e um peixe-abrótea há muito em decomposição.
Ah pois, e aqui o dilema bíblico... perante aquela mesa dividida, no fundo nada mais que a árvore da ciência do Bem e do Mal, que fazer?
- ferir susceptibilidades de um mui amigo vegetariano e dedicado, e alambazar, regalada, o meu bandulho naquele tentador bacalhau gratinado?
- Ferir susceptibilidades do meu nobre estômago e comer o que a mim, à vista desarmada, se me assemelhava a algo muito perto de cócó? (a dignidade da minha amiga estava, desde há muito, assegurada, pois um bando de indigentes esfomeados clamavam pelo bacalhau desde que lhe tinham posto a vista em cima)
Enfim, perante a questão, tomei a que me parecia ser a melhor e mais equitativa solução: comer um pouco de cada um dos pratos.
Adianto que o bacalhau soube-me a nêsperas, os grelos a cevada e nem com meio litro de tisana Pleno fiquei recomposta da violência a que submeti o meu sistema digestivo. Por segundos, visualizei o suco peptídeo a descer, fumegante, o meu duodeno, e então assomou-se-me tudo à boca à laia de represália.
Se tentarmos agradar a todos o mais provável é acabarmos com a cara ou o rabo na sanita, por isso, jovens deste país, não sejam provincianos como eu e tenham a hombridade de, perante semelhante situação, dar um passo em frente e, mão ao peito, olhar no horizonte afirmar: “amigos amigos, comezainas à parte. Eu opto pelo bacalhau e digo NÃO às beringelas”.
Quando entro na sala deparo-me com um cenário retirado directamente do 2.º capítulo do Génesis:
De um lado um tabuleiro delicioso de bacalhau com natas, com parmesão gratinado e acabamentos de luxo.
Do outro lado, um tabuleiro com meia dúzia de alcachofras, quatro beringelas e umas susbtâncias mortas que boiavam reluzentes atreladas a um par de grelos regados a vinagrete. Pareceu-me ainda vislumbrar (mas não garanto) uma anémona do mar viva com duas lentilhas a fazer de corninhos e um inverterbrado indecifrável que variava entre um cavalo-marinho e um peixe-abrótea há muito em decomposição.
Ah pois, e aqui o dilema bíblico... perante aquela mesa dividida, no fundo nada mais que a árvore da ciência do Bem e do Mal, que fazer?
- ferir susceptibilidades de um mui amigo vegetariano e dedicado, e alambazar, regalada, o meu bandulho naquele tentador bacalhau gratinado?
- Ferir susceptibilidades do meu nobre estômago e comer o que a mim, à vista desarmada, se me assemelhava a algo muito perto de cócó? (a dignidade da minha amiga estava, desde há muito, assegurada, pois um bando de indigentes esfomeados clamavam pelo bacalhau desde que lhe tinham posto a vista em cima)
Enfim, perante a questão, tomei a que me parecia ser a melhor e mais equitativa solução: comer um pouco de cada um dos pratos.
Adianto que o bacalhau soube-me a nêsperas, os grelos a cevada e nem com meio litro de tisana Pleno fiquei recomposta da violência a que submeti o meu sistema digestivo. Por segundos, visualizei o suco peptídeo a descer, fumegante, o meu duodeno, e então assomou-se-me tudo à boca à laia de represália.
Se tentarmos agradar a todos o mais provável é acabarmos com a cara ou o rabo na sanita, por isso, jovens deste país, não sejam provincianos como eu e tenham a hombridade de, perante semelhante situação, dar um passo em frente e, mão ao peito, olhar no horizonte afirmar: “amigos amigos, comezainas à parte. Eu opto pelo bacalhau e digo NÃO às beringelas”.
sábado, janeiro 13, 2007
Lol.
Esta semana, para não variar, encontrava-me na sala de trabalho partilhada com os restantes sub-30, quando, no meio da costumada demência infantil e graçolas despropositadas, ouve-se uma frase lançada não só com sotaque germânico mas com a seriedade que lhe é acoplada:
" AS AFTAS ARRRDEM E AS FRRRRRRIDAS IDEM"
Aquele gentio todo riu-se em uníssono.
Eu sorrio e acrescento: "ah, é coincidência não é? que quer dizer em alemão?"
Silêncio sepulcral na sala.
"Estou a gozar" - esclarece-me pacientemente a autora da piada hilariante. "É como dizer Sida em japonês - iraokumata"
Silêncio (meu)
Enfim, é a geração que temos, de invulgar, aguçada e acutilante inteligência social. De um humor cirurgicamente mordaz e requintado.
Requiem pela Função Pública.
" AS AFTAS ARRRDEM E AS FRRRRRRIDAS IDEM"
Aquele gentio todo riu-se em uníssono.
Eu sorrio e acrescento: "ah, é coincidência não é? que quer dizer em alemão?"
Silêncio sepulcral na sala.
"Estou a gozar" - esclarece-me pacientemente a autora da piada hilariante. "É como dizer Sida em japonês - iraokumata"
Silêncio (meu)
Enfim, é a geração que temos, de invulgar, aguçada e acutilante inteligência social. De um humor cirurgicamente mordaz e requintado.
Requiem pela Função Pública.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
ESTC
Ontem fui à Escola Superior de Teatro e Cinema, na Amadora. Se eu fosse de fazer intrigas quase que diria que:
- ou tinha sido violentamente abduzida e estava nos confins de outra galáxia
- ou, e numa perspectiva mais modesta, em pleno ensaio geral de uma pantomina do Cantiflas. (das piores, as últimas de 1970).
Depois de quase ter morrido de susto quando avistei uma rapariga literalmente igualzinha ao Aladino, com umas pantufas pontiagudas e umas calças de balão, apaguei-me definitivamente quando choquei de frente com uma miúda com umas gigantescas galochas vermelhas de verniz , com chapéu de guizos amarelo a condizer.
Com as minhas calças de vinco, casaco preto e botas de salto senti-me uma doente externa do Amadora Sintra. Mas esperei pacientemente pela minha amiga e fiz o ar mais composto que consegui.
Até ver um professor com umas peúgas da serra da estrela pelos joelhos, calçando uns All Star castanhos com umas línguas de fogo. Aí benzi-me e fugi escola fora, só parei na estação e escondi-me atrás de um congolês. Senti-me infinitamente mais segura.
- ou tinha sido violentamente abduzida e estava nos confins de outra galáxia
- ou, e numa perspectiva mais modesta, em pleno ensaio geral de uma pantomina do Cantiflas. (das piores, as últimas de 1970).
Depois de quase ter morrido de susto quando avistei uma rapariga literalmente igualzinha ao Aladino, com umas pantufas pontiagudas e umas calças de balão, apaguei-me definitivamente quando choquei de frente com uma miúda com umas gigantescas galochas vermelhas de verniz , com chapéu de guizos amarelo a condizer.
Com as minhas calças de vinco, casaco preto e botas de salto senti-me uma doente externa do Amadora Sintra. Mas esperei pacientemente pela minha amiga e fiz o ar mais composto que consegui.
Até ver um professor com umas peúgas da serra da estrela pelos joelhos, calçando uns All Star castanhos com umas línguas de fogo. Aí benzi-me e fugi escola fora, só parei na estação e escondi-me atrás de um congolês. Senti-me infinitamente mais segura.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
A Velhice
A semana passada recebi uma chamada da minha avó, que me comunica numa voz sofrida:
“Susana, hoje faltou a água, eu ando esquecida e não fechei a torneira, quando cheguei a casa tinha a cozinha toda inundada e agora certamente que estraguei a loja de baixo, só tem televisões e rádios, com certeza que nada se aproveita e eu vou ter que pagar tudo”.
Fez uma pausa e adiantou: “Não te preocupes que não vou deixar dívidas, vendo a minha casa e alugo um quartinho barato”.
Fui logo ter com ela, que, ainda em estado letárgico e agarrada a um terço, rezava condoída uns responsos e arranjava forças para começar o encaixotamento dos seus pertences.
Dirigi-me à tal loja dos electrodomésticos. O homem tinha apenas a soleira da porta pingada e mesmo assim quase que aposto que foi o “Jacob”, canídeo do homem do talho em pleno processo de marcação de território.
Depois de saber que não, não tinha que alugar um quartinho, revigorou-se-lhe a alma e, como qualquer velho que se preze, apressou-se a desancar a Junta, a Carris, o homem do talho e a Caixa Nacional de Pensões (já eu não ser metida ao barulho foi mero golpe de sorte).
Despedi-me com dois beijinhos: “a velhice não perdoa..” – ri-me
“Panela velha é que faz comida boa” - retorquiu
“Gaba-te cesto que..”
“Pimenta no cu dos outros é refresco.” – interrompeu-me, altiva, fechando-me a porta na cara.
É a riqueza da neta, esta minha avó.
“Susana, hoje faltou a água, eu ando esquecida e não fechei a torneira, quando cheguei a casa tinha a cozinha toda inundada e agora certamente que estraguei a loja de baixo, só tem televisões e rádios, com certeza que nada se aproveita e eu vou ter que pagar tudo”.
Fez uma pausa e adiantou: “Não te preocupes que não vou deixar dívidas, vendo a minha casa e alugo um quartinho barato”.
Fui logo ter com ela, que, ainda em estado letárgico e agarrada a um terço, rezava condoída uns responsos e arranjava forças para começar o encaixotamento dos seus pertences.
Dirigi-me à tal loja dos electrodomésticos. O homem tinha apenas a soleira da porta pingada e mesmo assim quase que aposto que foi o “Jacob”, canídeo do homem do talho em pleno processo de marcação de território.
Depois de saber que não, não tinha que alugar um quartinho, revigorou-se-lhe a alma e, como qualquer velho que se preze, apressou-se a desancar a Junta, a Carris, o homem do talho e a Caixa Nacional de Pensões (já eu não ser metida ao barulho foi mero golpe de sorte).
Despedi-me com dois beijinhos: “a velhice não perdoa..” – ri-me
“Panela velha é que faz comida boa” - retorquiu
“Gaba-te cesto que..”
“Pimenta no cu dos outros é refresco.” – interrompeu-me, altiva, fechando-me a porta na cara.
É a riqueza da neta, esta minha avó.
domingo, janeiro 07, 2007
A mete nojo
Esta semana fui chamada como SOS para acudir a uma boa amiga que tinha ficado sem namorado, do qual gosta imensamente e sem o qual não perspectiva vida futura alguma.
Estrada fora, a 150 à hora, lá chego a casa dela onde a encontro lavada em lágrimas.
Bla bla bla, pieguice para aqui, miminho para ali " e deixa estar que assim ficas melhor", "és uma mulher fantástica, vais ser muito feliz", até que ela, no meio de um soluço entrecortado e antes de um suspiro mais prolongado me diz:
"pois, e agora parece que toda a gente tirou a semana para me chatear, o editor da FHM inglesa já me mandou nao sei quantos e-mails para eu ser capa em Março, já estou cansada de tanta conversa e propostas de reunião".
E eu, o mais pausadamente que consegui, arfando ligeiramente até não conseguir respirar de todo: "Desculpa?... capa de Março da FHM inglesa?"
"Sim, que cena burgessa, já viste? como se eu não tivesse mais em que pensar"
A sério, nunca, em toda a minha larga existência, me apeteceu tanto partir os dentes a alguém.
E lá ficou ela, com o seu mega corpo de sonho a marinar o seu desgosto.
Estrada fora, a 150 à hora, lá chego a casa dela onde a encontro lavada em lágrimas.
Bla bla bla, pieguice para aqui, miminho para ali " e deixa estar que assim ficas melhor", "és uma mulher fantástica, vais ser muito feliz", até que ela, no meio de um soluço entrecortado e antes de um suspiro mais prolongado me diz:
"pois, e agora parece que toda a gente tirou a semana para me chatear, o editor da FHM inglesa já me mandou nao sei quantos e-mails para eu ser capa em Março, já estou cansada de tanta conversa e propostas de reunião".
E eu, o mais pausadamente que consegui, arfando ligeiramente até não conseguir respirar de todo: "Desculpa?... capa de Março da FHM inglesa?"
"Sim, que cena burgessa, já viste? como se eu não tivesse mais em que pensar"
A sério, nunca, em toda a minha larga existência, me apeteceu tanto partir os dentes a alguém.
E lá ficou ela, com o seu mega corpo de sonho a marinar o seu desgosto.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Evitem a nacional 2
Vou hoje de viagem para Portimão.
Na mala, para além do secador novo da Rowenta, das botas, tops e cereais da Kelog´s levo:
- trivial pursuit
- party & co
- uno (sweet jesus)
- pictionary (junior!)
- e 3 jogos para a playstation
Palavra de honra,(psiu, calem-se) ainda há uns meses me mortificava por ir fazer a provecta idade de 26 anos mas descobri, afinal, que há muito tempo que estou acabada.
Por favor, abstenham-se de contar o quão acelerada foi a vossa passagem de ano. Qualquer relato de episódio mais excitante do que jogar três rodadas do "keimps" a pares será considerado uma afronta à parca dignidade da autora deste blogue.
Até para o ano, que nenhum de nós seja estatística.
Na mala, para além do secador novo da Rowenta, das botas, tops e cereais da Kelog´s levo:
- trivial pursuit
- party & co
- uno (sweet jesus)
- pictionary (junior!)
- e 3 jogos para a playstation
Palavra de honra,(psiu, calem-se) ainda há uns meses me mortificava por ir fazer a provecta idade de 26 anos mas descobri, afinal, que há muito tempo que estou acabada.
Por favor, abstenham-se de contar o quão acelerada foi a vossa passagem de ano. Qualquer relato de episódio mais excitante do que jogar três rodadas do "keimps" a pares será considerado uma afronta à parca dignidade da autora deste blogue.
Até para o ano, que nenhum de nós seja estatística.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Corporatión mierdosa
Não sou muito apologista da teoria da conspiração, mas tenho cá para mim que cada reclame (outdoor ou televiso) que a Corporatión Dermosetética lança, é unica e exclusivamente para me levar aos arames, quiçá ao abismo da loucura.
Depois daquele mimo de "Os homens não gostam de celulite", ao que a indústria feminina deveria ter enfaticamente respondido " e as mulheres não gostam de pilas ranhosas com menos de 24 cm".
(sabendo que 97% das mulheres têm celulite, e sabendo que só 3% dos homens têm pirocas acima dos 20 cm, acho melhor mas é cada um dos sexos remeter-se às suas impefeições, caladinhos e sem grande alarido, que assim ficam todos a ganhar. ou a perder menos.)
Hoje de manhã sou obrigada a visionar o novo anúncio daquela espelunca.
O homem convida a mulher para sair ao que ela responde, e bem, "não fiz a depilação".
Ele, de um modo inqualificavelmente porco, chauvinista e atroz, responde: "mas tu ainda te depilas?" (a mensagem-base é: sua grande labrega, ainda andas de volta da cera quente quanto poderias ter-te já submetido ao tratamento de fotodepilaçao a um preço simbólico?)
Haveria ele de me perguntar semelhante coisa. Acordava passadas 2 horas num curral de porcos amarrado a uma manjedoura. E novo arraial de murraças até ele perceber que isso não só não se pergunta a uma senhora, como é suposto demonstrar que não se percebe minimamente do assunto.
Não gostam de celulite e querem depilações fotoeléctricas! Mais alguma coisinha?
Depois daquele mimo de "Os homens não gostam de celulite", ao que a indústria feminina deveria ter enfaticamente respondido " e as mulheres não gostam de pilas ranhosas com menos de 24 cm".
(sabendo que 97% das mulheres têm celulite, e sabendo que só 3% dos homens têm pirocas acima dos 20 cm, acho melhor mas é cada um dos sexos remeter-se às suas impefeições, caladinhos e sem grande alarido, que assim ficam todos a ganhar. ou a perder menos.)
Hoje de manhã sou obrigada a visionar o novo anúncio daquela espelunca.
O homem convida a mulher para sair ao que ela responde, e bem, "não fiz a depilação".
Ele, de um modo inqualificavelmente porco, chauvinista e atroz, responde: "mas tu ainda te depilas?" (a mensagem-base é: sua grande labrega, ainda andas de volta da cera quente quanto poderias ter-te já submetido ao tratamento de fotodepilaçao a um preço simbólico?)
Haveria ele de me perguntar semelhante coisa. Acordava passadas 2 horas num curral de porcos amarrado a uma manjedoura. E novo arraial de murraças até ele perceber que isso não só não se pergunta a uma senhora, como é suposto demonstrar que não se percebe minimamente do assunto.
Não gostam de celulite e querem depilações fotoeléctricas! Mais alguma coisinha?
sábado, dezembro 23, 2006
So this is Christmas...
Quando era pequena passava 364 dias à espera do próximo dia de natal; 364 dias à espera do meu aniversário e, no tempo em que as estações do ano ainda se regiam pelo calendário gregoriano e pela lei de Deus, 300 dias pelo primeiro dia de praia.
(Quando menciono "pequena" refiro-me aos meus primeiros 13 anos de vida. Depois dei o meu primeiro beijo e as minhas prioridades viraram-se todas do avesso).
Isto para dizer que amanhã é véspera de Natal e não não estou em estado de choque farejando tudo o que é buraco à procura de prendas, gritando vivas corredor adentro. Não estou a rezar os mercenários 3 Pai-Nosso e 3 Ave-Maria para ver se me dão um "Crocodilo Dentista" nem um walkman para as cassetes dos Popeline.
Amanhã já é 24 de Dezembro e estou muito contente porque cá continuo com os meus.
Feliz Natal para todos.
(Quando menciono "pequena" refiro-me aos meus primeiros 13 anos de vida. Depois dei o meu primeiro beijo e as minhas prioridades viraram-se todas do avesso).
Isto para dizer que amanhã é véspera de Natal e não não estou em estado de choque farejando tudo o que é buraco à procura de prendas, gritando vivas corredor adentro. Não estou a rezar os mercenários 3 Pai-Nosso e 3 Ave-Maria para ver se me dão um "Crocodilo Dentista" nem um walkman para as cassetes dos Popeline.
Amanhã já é 24 de Dezembro e estou muito contente porque cá continuo com os meus.
Feliz Natal para todos.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Natal, wee
Quando eu tinha uns 14 anos e estava sentada à mesa na ceia de Natal, fui advertida pelo meu pai para fazer menos barulho. Com efeito, eu, a mais velha de 12 primos, liderava as hostes e cantava a plenos pulmões esse saudoso hit dos Europe: “it´s the final countdown!!” , a que cada primo, por respectiva ordem de idades, respondia “tururu-ruuuu, tururututuuuuu!!”
Ao fim da 5ª vez, e ainda ia o refrão na minha prima Ana Maria, apanhei uma lambada sem apelo nem agravo, isto à frente de toda a gente.
As crianças sustiveram a respiração, até que a prima mais novinha, ainda não sabendo muito bem distinguir o Bem do Mal, rejubila com o tabefe rindo-se ruidosamente e batendo as palminhas. O gáudio pegou-se pelo que em pouco mais de 2 segundos a mesa natalícia desdobrava-se em gargalhada colectiva.
Menos eu, evidente. Com as pupilas sanguinárias, lanço um olhar poderoso ao meu pai.
Ele, meio sem jeito, ri-se e diz:
- Não ias em contagem decrescente? Lá deves ter chegado ao zero...
E desata a mesa noutra barrigada de riso.
E são assim os meus natais. Repletos de amor, dignidade e compaixão.
Ao fim da 5ª vez, e ainda ia o refrão na minha prima Ana Maria, apanhei uma lambada sem apelo nem agravo, isto à frente de toda a gente.
As crianças sustiveram a respiração, até que a prima mais novinha, ainda não sabendo muito bem distinguir o Bem do Mal, rejubila com o tabefe rindo-se ruidosamente e batendo as palminhas. O gáudio pegou-se pelo que em pouco mais de 2 segundos a mesa natalícia desdobrava-se em gargalhada colectiva.
Menos eu, evidente. Com as pupilas sanguinárias, lanço um olhar poderoso ao meu pai.
Ele, meio sem jeito, ri-se e diz:
- Não ias em contagem decrescente? Lá deves ter chegado ao zero...
E desata a mesa noutra barrigada de riso.
E são assim os meus natais. Repletos de amor, dignidade e compaixão.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Terror na auto-estrada IV
Tenho um pavor profundo por algo que, regra geral, penso não intimidar ninguém.
Não sei explicar, mas cada vez que avisto um polícia sinaleiro e este emite uma ordem qualquer, a minha vista turva, começo a ver desfocado e não consigo simplesmente apreender o que me estão a ordenar.
Ontem à noite, aqui numa Belas empenhada em obras, vejo uma dessas coisas no meio da estrada. À medida que me aproximo sinto as minhas células nervosas a ficarem privadas de oxigénio. Nada posso fazer, aquele monstro está no meio da estrada a olhar para mim como quem diz “anda cá que já te vou mimear uma ordem dúbia e trapaceira e depois não percebes, não cumpres e eu apito, vou atrás de ti, mando-te encostar, o tráfego atrás de ti acumula-se, turistas tiram fotos e faço-te passar uma vergonha incalculável” (Belém, Janeiro de 2006)
Quanto a ontem, testemunhas presenciais asseguram que ele esticou um braço e com a mão direita fez-me sinal para avançar. Eu quase que juro que o polícia bateu as palmas, prendeu os polegares nos suspensórios e dançou o Quebra-Nozes.
Fiquei na dúvida entre avançar, parar, fazer inversão de marcha em cima da passadeira ou atirar-me contra o muro dos Correios. Pelo sim pelo não, avancei e fechei os olhos.
Saí incólume, como eu adoro golpes de sorte.
Não sei explicar, mas cada vez que avisto um polícia sinaleiro e este emite uma ordem qualquer, a minha vista turva, começo a ver desfocado e não consigo simplesmente apreender o que me estão a ordenar.
Ontem à noite, aqui numa Belas empenhada em obras, vejo uma dessas coisas no meio da estrada. À medida que me aproximo sinto as minhas células nervosas a ficarem privadas de oxigénio. Nada posso fazer, aquele monstro está no meio da estrada a olhar para mim como quem diz “anda cá que já te vou mimear uma ordem dúbia e trapaceira e depois não percebes, não cumpres e eu apito, vou atrás de ti, mando-te encostar, o tráfego atrás de ti acumula-se, turistas tiram fotos e faço-te passar uma vergonha incalculável” (Belém, Janeiro de 2006)
Quanto a ontem, testemunhas presenciais asseguram que ele esticou um braço e com a mão direita fez-me sinal para avançar. Eu quase que juro que o polícia bateu as palmas, prendeu os polegares nos suspensórios e dançou o Quebra-Nozes.
Fiquei na dúvida entre avançar, parar, fazer inversão de marcha em cima da passadeira ou atirar-me contra o muro dos Correios. Pelo sim pelo não, avancei e fechei os olhos.
Saí incólume, como eu adoro golpes de sorte.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Gajas...
Código de Hamurabi 1600 a.C., sociedade babilónica, capítulo IX relativo à injuria e difamação:
127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode provar deverá arrastar-se esse homem perante o juiz e tosquiando-lhe (??) a fronte.
132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro homem, mas ela não é encontrada em contacto com outro, ela deverá saltar ao rio pelo seu marido.
Portanto, se alguém difama uma freira ou uma respeitada senhora de sociedade, e nada se provar, o desditoso criminoso é submetido à vergonha incomparável de lhe tosquiarem (mais rigor, babilónicos, mais rigor!) a testa. (ficamos num indelével mistério caso seja acossada uma noviça ou a legítima esposa de um carroceiro)
Se uma senhora casada é difamada por burburinhos sexuais, e não se confirmar a marotice, atira-se ao rio e sublinho que não é molhar os pezinhos à beira-mar mas sim lançar-se de cabeça do ponto mais alto da cidade.
Posto isto, façamos a conjugação das duas disposições legais:
Se houver difamação e for tudo uma grande mentira:
- o difamador, a não ser que seja uma aberração da natureza e tenha barba na testa, sai exactamente como entrou: ileso.
- A difamada, cujo único crime é ser mulher babilónica casada, suicida-se, e atenção, não é pela sua desonra, mas sim pela do idiota do marido!
Tremo só de pensar se vivesse neste época. Ou tinha a sorte de ser gajo e andava sempre no gozanço a lançar rumores sórdidos sobre miúdas com a malta da associação ou era gaja e acabava invariavelmente aos 13 anos com os queixos sepultados no fundo do mar. (Por isso é que tinham jardins suspensos. Para o mergulho ser maior.)
127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode provar deverá arrastar-se esse homem perante o juiz e tosquiando-lhe (??) a fronte.
132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro homem, mas ela não é encontrada em contacto com outro, ela deverá saltar ao rio pelo seu marido.
Portanto, se alguém difama uma freira ou uma respeitada senhora de sociedade, e nada se provar, o desditoso criminoso é submetido à vergonha incomparável de lhe tosquiarem (mais rigor, babilónicos, mais rigor!) a testa. (ficamos num indelével mistério caso seja acossada uma noviça ou a legítima esposa de um carroceiro)
Se uma senhora casada é difamada por burburinhos sexuais, e não se confirmar a marotice, atira-se ao rio e sublinho que não é molhar os pezinhos à beira-mar mas sim lançar-se de cabeça do ponto mais alto da cidade.
Posto isto, façamos a conjugação das duas disposições legais:
Se houver difamação e for tudo uma grande mentira:
- o difamador, a não ser que seja uma aberração da natureza e tenha barba na testa, sai exactamente como entrou: ileso.
- A difamada, cujo único crime é ser mulher babilónica casada, suicida-se, e atenção, não é pela sua desonra, mas sim pela do idiota do marido!
Tremo só de pensar se vivesse neste época. Ou tinha a sorte de ser gajo e andava sempre no gozanço a lançar rumores sórdidos sobre miúdas com a malta da associação ou era gaja e acabava invariavelmente aos 13 anos com os queixos sepultados no fundo do mar. (Por isso é que tinham jardins suspensos. Para o mergulho ser maior.)
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Snif
Tive que ir no fim de semana a Espanha, conduzindo um turbo 2.5. Para mim, que andei 2 anos num Seat Marbella, (carro (?) que, para além de não ter um pingo de dignidade era tão seguro como um refúgio de zinco em noite de trovoada e frequentemente ultrapassado por bandos de caracóis. Engessados. ),parecia que estava a conduzir num sonho.
Mãos no volante, olhos na estrada, avisto logo após a fronteira, já dentro de território nacional, uma placa gigante na qual se lia: “LISBOA – 294 KM”. O telemóvel toca, era o meu pai e precisava do carro. Informo-o da distância que ainda falta e prometo novos contactos quando estivesse a aproximar-me. Passados 8 minutos telefono-lhe, satisfeita:
“ Tou, Pai? Sou eu, olha, já só faltam 107 km”. Silêncio do outro lado.
“Susana, ignora os marcos pequeninos da berma da estrada e lê só as placas grandes azuis. Faltam 107 para acabar essa estrada, mas faltam 300 para chegares aqui.” e desliga-me o telemóvel na cara. “Santo Deus” – ainda ouvi eu antes dele desligar.
(Também estranhei ter feito 200 km em pouco mais de 5 minutos, mas acho que perdi a noção da realidade montada no jacto-bomba).
Estive a pensar calmamente e resolvi atribuir as culpas à Brisa. Pois e tal, maior rede de auto-estradas ibérica, com uma evolução brilhantemente sustentada e linda história de sucesso empresarial bla bla bla.Que tal não brincarem com os sentimentos dos outros e acabarem com esses marcos ridículos a indicar os kms restantes para o fim de uma via? WHO CARES, FOR GOD´S SAKE?! Quero é saber quantos faltam para chegar sã e salva ao meu destino.
Cheguei a casa e voltei a ouvir o mesmo: “E é esta gente licenciada.”.
Mãos no volante, olhos na estrada, avisto logo após a fronteira, já dentro de território nacional, uma placa gigante na qual se lia: “LISBOA – 294 KM”. O telemóvel toca, era o meu pai e precisava do carro. Informo-o da distância que ainda falta e prometo novos contactos quando estivesse a aproximar-me. Passados 8 minutos telefono-lhe, satisfeita:
“ Tou, Pai? Sou eu, olha, já só faltam 107 km”. Silêncio do outro lado.
“Susana, ignora os marcos pequeninos da berma da estrada e lê só as placas grandes azuis. Faltam 107 para acabar essa estrada, mas faltam 300 para chegares aqui.” e desliga-me o telemóvel na cara. “Santo Deus” – ainda ouvi eu antes dele desligar.
(Também estranhei ter feito 200 km em pouco mais de 5 minutos, mas acho que perdi a noção da realidade montada no jacto-bomba).
Estive a pensar calmamente e resolvi atribuir as culpas à Brisa. Pois e tal, maior rede de auto-estradas ibérica, com uma evolução brilhantemente sustentada e linda história de sucesso empresarial bla bla bla.Que tal não brincarem com os sentimentos dos outros e acabarem com esses marcos ridículos a indicar os kms restantes para o fim de uma via? WHO CARES, FOR GOD´S SAKE?! Quero é saber quantos faltam para chegar sã e salva ao meu destino.
Cheguei a casa e voltei a ouvir o mesmo: “E é esta gente licenciada.”.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
O Infortúnio
Ontem fui brutalmente arrancada da cama às 23h00.(Para quem me conhece bem, sabe que isso equivale a acordarem-me às 5h da manhã, aos pontapés na nuca, enquanto me fazem lanhos na testa e me obrigam a cuspir metade dos dentes)
Era o meu irmão. Arrastando-me por uma perna, força-me a visualizar qualquer coisa no portátil dele.
É um vídeo caseiro do telemóvel. Mostra o Ruy de Carvalho, o Vitorino de Almeida, e mais uns quantos actores em amena cavaqueira com ele. “Já filmei hoje ” – informa, orgulhoso.
RAP a semana passada, protagonista cinematográfico nesta. Com cachet pago pelo ICAM, vulgo nós, cidadãos malfadados.
É triste, mas começo a desenvolver um sentimento inqualificável em relação a este ser deprimente que vive no quarto ao lado do meu. Conheci-o pequenino, com um escroto minúsculo e trocando amorosamente os “ss” por “x” .
E agora é este ser inominável que só me dá desgostos - não trabalha mas tem uma conta choruda, faz filmes mas é trôpego, vegeta o dia todo mas diz que estuda muito no IST, joga no casino e nunca perde, é roto mas só tem namoradas giras.
Que incentivo é este para se ser um elemento válido da sociedade como até agora fui? Cumpridora como poucas, bem-educada e responsável, trabalhadora e afável, consciente e bem-formada.
Amanhã vou-me colocar à porta do centro de dia da paróquia, com 10 gramas de haxixe numa mão e duas reservas de urânio na outra. Roubo tudo quanto é velhote, subtraio as suas próprias bengalas e ainda lhes aplico vigorosas bordoadas na bacia.
Depois é ir para casa, lançar-me para o sofá de braços estendidos e esperar pela boa sorte.
Ou pela brigada de narcotráfico.
Era o meu irmão. Arrastando-me por uma perna, força-me a visualizar qualquer coisa no portátil dele.
É um vídeo caseiro do telemóvel. Mostra o Ruy de Carvalho, o Vitorino de Almeida, e mais uns quantos actores em amena cavaqueira com ele. “Já filmei hoje ” – informa, orgulhoso.
RAP a semana passada, protagonista cinematográfico nesta. Com cachet pago pelo ICAM, vulgo nós, cidadãos malfadados.
É triste, mas começo a desenvolver um sentimento inqualificável em relação a este ser deprimente que vive no quarto ao lado do meu. Conheci-o pequenino, com um escroto minúsculo e trocando amorosamente os “ss” por “x” .
E agora é este ser inominável que só me dá desgostos - não trabalha mas tem uma conta choruda, faz filmes mas é trôpego, vegeta o dia todo mas diz que estuda muito no IST, joga no casino e nunca perde, é roto mas só tem namoradas giras.
Que incentivo é este para se ser um elemento válido da sociedade como até agora fui? Cumpridora como poucas, bem-educada e responsável, trabalhadora e afável, consciente e bem-formada.
Amanhã vou-me colocar à porta do centro de dia da paróquia, com 10 gramas de haxixe numa mão e duas reservas de urânio na outra. Roubo tudo quanto é velhote, subtraio as suas próprias bengalas e ainda lhes aplico vigorosas bordoadas na bacia.
Depois é ir para casa, lançar-me para o sofá de braços estendidos e esperar pela boa sorte.
Ou pela brigada de narcotráfico.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Silicone vs idade
Hoje vi, pela primeira vez na minha vida, umas mamas de silicone ao vivo.
(Aquele Solinca é, definitivamente, um antro vivo de entretenimento desgarrado). Estava eu nos balneários, quando me viro e me deparo com uns globos reluzentes e recheados de uma quarentona enxuta. Esta, sem qualquer pejo (pudera!), passeava-se sedutoramente por entre os cacifos apertados. E eu sempre a mirá-la despudoradamente, pois, reitero, nunca antes havia visto duas mamas tão bojudas e adoráveis.
Problema que se coloca: eu sei que são giras e hipnotizantes, a sério, demorei mais de 4 minutos até conseguir desviar o olhar.
Mas haverá pessoa alguma nesta Terra que não lhes pegue e tenha um terror indescritível de as vazar ou até mesmo rebentar com uma apertadela ou carícia mais vigorosa?? Se eu apalpasse uma daquelas mamas retesadas provavelmente faria com que a quarentona fosse projectada contra a despensa das toalhas. (E não se brinca com as fracturas nesta idade).
Enfim, a tia lá mostrou radiante as mamas e eu, que regra geral não me fico, tive um laivo de auto-censura e não lhes mostrei as minhas. Ficava notoriamente a perder.
Vai daí baixei-me e apanhei os chinelos exibindo-lhe gloriosamente o RABO!
Round 1 => ganho.
(Aquele Solinca é, definitivamente, um antro vivo de entretenimento desgarrado). Estava eu nos balneários, quando me viro e me deparo com uns globos reluzentes e recheados de uma quarentona enxuta. Esta, sem qualquer pejo (pudera!), passeava-se sedutoramente por entre os cacifos apertados. E eu sempre a mirá-la despudoradamente, pois, reitero, nunca antes havia visto duas mamas tão bojudas e adoráveis.
Problema que se coloca: eu sei que são giras e hipnotizantes, a sério, demorei mais de 4 minutos até conseguir desviar o olhar.
Mas haverá pessoa alguma nesta Terra que não lhes pegue e tenha um terror indescritível de as vazar ou até mesmo rebentar com uma apertadela ou carícia mais vigorosa?? Se eu apalpasse uma daquelas mamas retesadas provavelmente faria com que a quarentona fosse projectada contra a despensa das toalhas. (E não se brinca com as fracturas nesta idade).
Enfim, a tia lá mostrou radiante as mamas e eu, que regra geral não me fico, tive um laivo de auto-censura e não lhes mostrei as minhas. Ficava notoriamente a perder.
Vai daí baixei-me e apanhei os chinelos exibindo-lhe gloriosamente o RABO!
Round 1 => ganho.
Terror Natalício: almoço de empresa
Hoje descobri que o almoço natalício da minha equipa (em sentido lato) de trabalho se cifra no simbólico montante de 20 euros.
Note-se que:
- é um almoço, não é jantar
- continuamos a ter que picar o ponto às 14h00
- não se bebe em serviço
- troco uma média de 2,5 palavras com cada colega por TRIMESTRE
Afigura-se-me que alguém vai ficar sofrer uma súbita patologia na noite antes do almocinho.
Se for necessário, em hora de ponta, entalo uma perna no elevador e lanço-me de braços abertos para o chão de mosaico. Só saio de lá amparada pelos seguranças e com a certeza que, pelo menos, 40% dos colegas assistiram ao sinistro.
E que 100% não leu este post.
Note-se que:
- é um almoço, não é jantar
- continuamos a ter que picar o ponto às 14h00
- não se bebe em serviço
- troco uma média de 2,5 palavras com cada colega por TRIMESTRE
Afigura-se-me que alguém vai ficar sofrer uma súbita patologia na noite antes do almocinho.
Se for necessário, em hora de ponta, entalo uma perna no elevador e lanço-me de braços abertos para o chão de mosaico. Só saio de lá amparada pelos seguranças e com a certeza que, pelo menos, 40% dos colegas assistiram ao sinistro.
E que 100% não leu este post.
domingo, dezembro 10, 2006
A Causa das Coisas
Dois namoros desfeitos,
um terceiro tremido,
madrugadas em claro salivando,
uma noite de gravações com os olhos delirantes de febre
um degradante esconder por detrás de uma sebe nos estúdios cinemate
por causa do grande, do único, do verdadeiro amor platónico da minha vida: (fiquemo-nos pelo platonismo, fiz a profissão de fé, crisma e dei catequese até ao 3.º volume, não quero passear no limbo por parcos momentos de festim carnal
NOT!)
O supra-sumo RAP´iano.
O mais perto que consegui chegar dele foi vê-lo de relance reflectido nos meus sapatos (mesmo invertido aquele homem permanece um sonho)
O judas do meu irmão,que não gosta de me ficar atrás em nada (inclusive esquizofrenia crónica), que até só gosta de gajas e vilependia tudo quanto lhe cheire a sexo oposto, resolveu lá ir também e almejou isto:

(Para além de 25 minutos de conversa ininterrupta).
(é o def de casaco castanho)
Conclusão:
- A partir deste post tenho um terceiro namoro terminado.
- Procederei a uma deserdação fraternal que, não só não me causará uma dor dilacerante como obstará a que lhe tenha que comprar uma prenda de aniversário no próximo dia 16. (reitero mais uma vez que a vingança serve-se fria e eu estou num estado de ebulição quase cósmica)
Furem-me as orelhas, espanquem-me o fémur ou torçam-me o umbigo. Mas NÃO ME ESBULHEM NEM PRIVEM DE PERTO COM O MEU RAP. (continuam a dar-se alvíssaras por pelo menos 4 dígitos do telemóvel. E-mail dá direito a consultas jurídicas gratuitas mais uma caixa de Ferrero Roché. Das pequenas.)
um terceiro tremido,
madrugadas em claro salivando,
uma noite de gravações com os olhos delirantes de febre
um degradante esconder por detrás de uma sebe nos estúdios cinemate
por causa do grande, do único, do verdadeiro amor platónico da minha vida: (fiquemo-nos pelo platonismo, fiz a profissão de fé, crisma e dei catequese até ao 3.º volume, não quero passear no limbo por parcos momentos de festim carnal
NOT!)
O supra-sumo RAP´iano.
O mais perto que consegui chegar dele foi vê-lo de relance reflectido nos meus sapatos (mesmo invertido aquele homem permanece um sonho)
O judas do meu irmão,que não gosta de me ficar atrás em nada (inclusive esquizofrenia crónica), que até só gosta de gajas e vilependia tudo quanto lhe cheire a sexo oposto, resolveu lá ir também e almejou isto:

(Para além de 25 minutos de conversa ininterrupta).
(é o def de casaco castanho)
Conclusão:
- A partir deste post tenho um terceiro namoro terminado.
- Procederei a uma deserdação fraternal que, não só não me causará uma dor dilacerante como obstará a que lhe tenha que comprar uma prenda de aniversário no próximo dia 16. (reitero mais uma vez que a vingança serve-se fria e eu estou num estado de ebulição quase cósmica)
Furem-me as orelhas, espanquem-me o fémur ou torçam-me o umbigo. Mas NÃO ME ESBULHEM NEM PRIVEM DE PERTO COM O MEU RAP. (continuam a dar-se alvíssaras por pelo menos 4 dígitos do telemóvel. E-mail dá direito a consultas jurídicas gratuitas mais uma caixa de Ferrero Roché. Das pequenas.)
quinta-feira, dezembro 07, 2006
4ª feira cinzas
Há dias que são de um marasmo aflitivo.
Há dias em que, em menos de 24 horas:
- sou atropelada duas vezes
1ª vez – 18h de ontem) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo, não atento na via pública, o condutor não atenta em mim, vou a rebolar avenida fora.
2.ª vez – 8h de hoje) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo e atento numa rapariga com um cinto lindo castanho de pele, a cair sobre uma túnica verde-água e não atento numa carrinha de ciganos a fazer marcha-atrás. Apesar da carrinha só Ter lotação para 7, de lá sairam 15, qualquer um deles vociferando vermelhos com os punhos no ar.
- descubro que o meu irmão vai ser actor num co-produção franco-portuguesa, vai ganhar um balúrdio, viver em Veneza e eu aqui a choramingar 75 euros por umas botas na SEASIDE e trancada no meu quarto.
BALANÇO:
1.º atropelamento) um par de calças rotas e 50 transeuntes com o dia ganho
2.º atropelamento) não consigo traduzir por palavras. Experimentem só colocarem-se atrás de uma carrinha de salteadores, provavelmente repleta de droga e mercadoria contrafeita, levarem com os pára-choques traseiros na testa e de lá verem sair uma manada de ciganos com cara não só de poucos amigos, como arriscaria de NENHUM AMIGO e quiçá família nuclear. Experiência de quase-morte, asseguro.
- a situação com o meu irmão é que parece mais bicuda. Esta inveja em dose industrial está-me a custar a digerir. Quase que preferia levar com os pára-choques dianteiros de uma família de foragidos, toda nua, com chuva de granizo e à frente de uma taberna de carroceiros.
Ah ah, toda nua também não. Com uma toalhinha de bidet enrolada à volta do antebraço.
Eu sei, eu sei, devia ir averiguar melhor esta pancada na testa.
Há dias em que, em menos de 24 horas:
- sou atropelada duas vezes
1ª vez – 18h de ontem) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo, não atento na via pública, o condutor não atenta em mim, vou a rebolar avenida fora.
2.ª vez – 8h de hoje) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo e atento numa rapariga com um cinto lindo castanho de pele, a cair sobre uma túnica verde-água e não atento numa carrinha de ciganos a fazer marcha-atrás. Apesar da carrinha só Ter lotação para 7, de lá sairam 15, qualquer um deles vociferando vermelhos com os punhos no ar.
- descubro que o meu irmão vai ser actor num co-produção franco-portuguesa, vai ganhar um balúrdio, viver em Veneza e eu aqui a choramingar 75 euros por umas botas na SEASIDE e trancada no meu quarto.
BALANÇO:
1.º atropelamento) um par de calças rotas e 50 transeuntes com o dia ganho
2.º atropelamento) não consigo traduzir por palavras. Experimentem só colocarem-se atrás de uma carrinha de salteadores, provavelmente repleta de droga e mercadoria contrafeita, levarem com os pára-choques traseiros na testa e de lá verem sair uma manada de ciganos com cara não só de poucos amigos, como arriscaria de NENHUM AMIGO e quiçá família nuclear. Experiência de quase-morte, asseguro.
- a situação com o meu irmão é que parece mais bicuda. Esta inveja em dose industrial está-me a custar a digerir. Quase que preferia levar com os pára-choques dianteiros de uma família de foragidos, toda nua, com chuva de granizo e à frente de uma taberna de carroceiros.
Ah ah, toda nua também não. Com uma toalhinha de bidet enrolada à volta do antebraço.
Eu sei, eu sei, devia ir averiguar melhor esta pancada na testa.
terça-feira, dezembro 05, 2006
Criminalidade violenta
Hoje encontrei um amigo meu comboio.
Cabisbaixo e taciturno, entretém-se com a biqueira do sapato, enquanto esfrega as mãos inquietas e me explica que lhe assaltaram a casa no dia anterior.
“A sério? Que horror!” – pronuncio-me eu, acometida de uma pena tremenda deste jovem que labuta diariamente para ter qualquer coisinha de seu e de um momento para o outro se vê despojado do seu espólio.
“E que levaram?” – pergunto.
Ele soergue o olhar dorido, fita-me com os olhos baços e mortiços e oiço numa voz sumida:
“Nada. Não me levaram nada” - e centra-se na linha do horizonte, mordendo o lábio num esforço contido, infrutífero contudo, pois vislumbro duas grossas lágrimas naquele amigo de uma vida.
“Nada? Mas isso é bom!” – alegro-me
Fita-me novamente, a cólera assoma-se-lhe num ápice:
“AI É? GOSTAVAS DE TER UMA CASA REPLETA DE CENAS FIXES E FOSSE LÁ UM GATUNO RANHOSO E VASCULHASSE CADA CANTO, CADA PRATELEIRA, CADA MÓVEL, CADA GAVETA DAS CUECAS, CADA BAÚ E NÃO QUISESSE NEM UMA MERDA QUE FOSSE? NEM A TELEVISÃO, NEM O DVD, NEM A PLAYSTATION? GOSTAVAS? QUEM É QUE ELE JULGA QUE ELE É ? E A VERGONHA QUE PASSEI QUANDO O POLÍCIA LÁ FOI E ME DISSE SER COMPLETAMENTE INÉDITO NA HISTÓRIA DA LINHA DE SINTRA ALGUÉM TER ASSALTADO UMA CASA E NÃO SE TER DADO AO TRABALHO DE ROUBAR UMA COLHER DE PAU QUE FOSSE? GOSTAVAS?”
Abraço-o ternamente e aceno com a cabeça.
Já não basta sermos a geração recibos verdes e sermos pobres como Job e ainda confrontados com ladrões profundamente não-éticos que nos espetam com a cruel verdade pelos olhos adentro.
A partir de hoje só terei a certeza que estou bem sucedida na vida quando me furtarem, no mínimo dos mínimos e sem qualquer concessão um valor base de € 1200.
Senhor ladrão da linha de Sintra, pense duas vezes antes de partir um coração desta maneira.Se algum dia por uma ideia iluminada se lembrar de assaltar o meu lar, tenha uma réstia de vergonha e faça de conta que vibrou louca e economicamente com a minha colecção de t-shirts do Snoopy. Ou brincos de pechisbeque.
Mas não me submeta a tamanha crueldade.
Cabisbaixo e taciturno, entretém-se com a biqueira do sapato, enquanto esfrega as mãos inquietas e me explica que lhe assaltaram a casa no dia anterior.
“A sério? Que horror!” – pronuncio-me eu, acometida de uma pena tremenda deste jovem que labuta diariamente para ter qualquer coisinha de seu e de um momento para o outro se vê despojado do seu espólio.
“E que levaram?” – pergunto.
Ele soergue o olhar dorido, fita-me com os olhos baços e mortiços e oiço numa voz sumida:
“Nada. Não me levaram nada” - e centra-se na linha do horizonte, mordendo o lábio num esforço contido, infrutífero contudo, pois vislumbro duas grossas lágrimas naquele amigo de uma vida.
“Nada? Mas isso é bom!” – alegro-me
Fita-me novamente, a cólera assoma-se-lhe num ápice:
“AI É? GOSTAVAS DE TER UMA CASA REPLETA DE CENAS FIXES E FOSSE LÁ UM GATUNO RANHOSO E VASCULHASSE CADA CANTO, CADA PRATELEIRA, CADA MÓVEL, CADA GAVETA DAS CUECAS, CADA BAÚ E NÃO QUISESSE NEM UMA MERDA QUE FOSSE? NEM A TELEVISÃO, NEM O DVD, NEM A PLAYSTATION? GOSTAVAS? QUEM É QUE ELE JULGA QUE ELE É ? E A VERGONHA QUE PASSEI QUANDO O POLÍCIA LÁ FOI E ME DISSE SER COMPLETAMENTE INÉDITO NA HISTÓRIA DA LINHA DE SINTRA ALGUÉM TER ASSALTADO UMA CASA E NÃO SE TER DADO AO TRABALHO DE ROUBAR UMA COLHER DE PAU QUE FOSSE? GOSTAVAS?”
Abraço-o ternamente e aceno com a cabeça.
Já não basta sermos a geração recibos verdes e sermos pobres como Job e ainda confrontados com ladrões profundamente não-éticos que nos espetam com a cruel verdade pelos olhos adentro.
A partir de hoje só terei a certeza que estou bem sucedida na vida quando me furtarem, no mínimo dos mínimos e sem qualquer concessão um valor base de € 1200.
Senhor ladrão da linha de Sintra, pense duas vezes antes de partir um coração desta maneira.Se algum dia por uma ideia iluminada se lembrar de assaltar o meu lar, tenha uma réstia de vergonha e faça de conta que vibrou louca e economicamente com a minha colecção de t-shirts do Snoopy. Ou brincos de pechisbeque.
Mas não me submeta a tamanha crueldade.
domingo, dezembro 03, 2006
Interdito ao namorado:
Ontem fui assistir às gravações dos Gato Fedorento. Casualmente lá estabeleço contacto visual com o amor platónico da minha vida, adorável e maravilhoso, genial e brilhante RAP (nesta grandeza de comparações o Cristiano está ridicularmente no fundo da cadeia alimentar) e sussuro-lhe um sentido "amo-te".
Ele ignora-me e continua a sua imitação de Paulo Bento.
Tenho cá para mim que o RAP é mestre nas artes do amor. Desconsiderou-me propositadamente para que eu o deseje ainda mais ardentemente. Mas desde que li O Meu Pipi não só não fui acometida de laivos sexuais mas também de sentimentos de amor profundamente vitorianos.
Ee é oficialmente perfeito e não há estratégia, por mais bem montada que esteja, que me faça gostar ainda mais dele. A não ser, evidentemente, que me confesse que ganhou um qualquer prémio internacional no valor mínimo de 12 milhões de euros.
Próximo sábado já lá estou batida.
E se Deus mo permitir amassada num qualquer canto manhoso da rouloutte da produção.
Ele ignora-me e continua a sua imitação de Paulo Bento.
Tenho cá para mim que o RAP é mestre nas artes do amor. Desconsiderou-me propositadamente para que eu o deseje ainda mais ardentemente. Mas desde que li O Meu Pipi não só não fui acometida de laivos sexuais mas também de sentimentos de amor profundamente vitorianos.
Ee é oficialmente perfeito e não há estratégia, por mais bem montada que esteja, que me faça gostar ainda mais dele. A não ser, evidentemente, que me confesse que ganhou um qualquer prémio internacional no valor mínimo de 12 milhões de euros.
Próximo sábado já lá estou batida.
E se Deus mo permitir amassada num qualquer canto manhoso da rouloutte da produção.
Episódio ante-mortem
Um dia antes de perder o meu passe (que, pasme-se,reapareceu miraculosamente após 2 semanas e 30 cabeçadas na parede + um bilhete CP-10 viagens e 3 noites mal dormidas só de pensar quem é que o tinha apanhado e se se estaria a rir da minha fotografia depois)
saio do comboio, vejo o autocarro na paragem pronto a sair e corro até ele. Mas corro mesmo violentamente, com os saltos das botas prestes a colapasarem a qualquer momento, uma mão na barriga e outra noutras partes menos tonificadas para o coeficiente de atrito dinâmico ser menor (sublinho que vou ignorar qualquer comentário intelectual que tente corrigir o meu vocabulário científico)
Eu salto para o autocarro, este retoma a sua marcha, abro a mala e tento tirar a carteira. O senhor motorista carrega no botão para fechar a porta e contorna a rotunda da paragem. A minha mão entretando continua perdida nos confins da mala e a outra tenta agarrar-se ao varão.
Não consegue. E eu vejo-me na seguinte situção:
uma mão desaparecida em combate
a outra tentando alcançar um varão que pura e simplesmente não está ao seu alcance
um autocarro em movimento
a fazer uma grandessíssima curva
uma porta que, não obstante estar prestes a ser fechada, naquele momento objectiva e científicamente continua aberta
eu em pleno processo de queda livre à rectaguarda
e 80 anormais olhando-me ansiosos querendo saber se eu sou daquele tipo de pessoas que resolve morrer mesmo em hora de ponta só para chatear a vida dos outros.
Vinda não sei de onde surge a mão calejada de um homem, viçosa e no fulgor da idade, que me agarra e me iça autocarro adentro. O sr. motorista, hilariante como qualquer homem medíocre de 50 anos :"ó menina, você tão depressa entrava como saía!"
E eu,
pupilas dilatas,
pulso lento e débil
obnubilação mental
lívida e com o coração em taquicardia
lá esgalho um obrigada ao ucraniano redentor e encosto-me esgotada à máquina dos bilhetes.
Ainda estou a tentar descobrir onde é que o motorista vive, mas a Vimeca é sempre parca em informações. A vingança serve-se fria, e duas semanas depois continuo no mais perfeito estado de radiação cósmica. Actualização do crime perfeito ainda antes do Natal. Mantenham-se alerta.
saio do comboio, vejo o autocarro na paragem pronto a sair e corro até ele. Mas corro mesmo violentamente, com os saltos das botas prestes a colapasarem a qualquer momento, uma mão na barriga e outra noutras partes menos tonificadas para o coeficiente de atrito dinâmico ser menor (sublinho que vou ignorar qualquer comentário intelectual que tente corrigir o meu vocabulário científico)
Eu salto para o autocarro, este retoma a sua marcha, abro a mala e tento tirar a carteira. O senhor motorista carrega no botão para fechar a porta e contorna a rotunda da paragem. A minha mão entretando continua perdida nos confins da mala e a outra tenta agarrar-se ao varão.
Não consegue. E eu vejo-me na seguinte situção:
uma mão desaparecida em combate
a outra tentando alcançar um varão que pura e simplesmente não está ao seu alcance
um autocarro em movimento
a fazer uma grandessíssima curva
uma porta que, não obstante estar prestes a ser fechada, naquele momento objectiva e científicamente continua aberta
eu em pleno processo de queda livre à rectaguarda
e 80 anormais olhando-me ansiosos querendo saber se eu sou daquele tipo de pessoas que resolve morrer mesmo em hora de ponta só para chatear a vida dos outros.
Vinda não sei de onde surge a mão calejada de um homem, viçosa e no fulgor da idade, que me agarra e me iça autocarro adentro. O sr. motorista, hilariante como qualquer homem medíocre de 50 anos :"ó menina, você tão depressa entrava como saía!"
E eu,
pupilas dilatas,
pulso lento e débil
obnubilação mental
lívida e com o coração em taquicardia
lá esgalho um obrigada ao ucraniano redentor e encosto-me esgotada à máquina dos bilhetes.
Ainda estou a tentar descobrir onde é que o motorista vive, mas a Vimeca é sempre parca em informações. A vingança serve-se fria, e duas semanas depois continuo no mais perfeito estado de radiação cósmica. Actualização do crime perfeito ainda antes do Natal. Mantenham-se alerta.
quarta-feira, novembro 29, 2006
Recordações
Ainda na senda dos instrumentos matemáticos:
Decidi arremessar a calculadora/conversora armário adentro (6 colegas em polvorosa, barufustando de rabo para o ar, com nuvens de fumo a sair pelas orelhas em busca da máquina perdida) e rebusquei ansiosamente nos meus baús do sotão.
Após anos de separação, encontro aquilo que procuro.
Amarelada, bafienta, mas é minha. Beijo-a com carinho e levo-a para o trabalho.
Com os olhos marejados, recordo a companhia, os leais ensinamentos, as risadas comuns.
Em cima da mesa, ei-la em todo o seu recordado esplendor:
“A Tabuada do Ratinho”. A ratar desde 1955.
Decidi arremessar a calculadora/conversora armário adentro (6 colegas em polvorosa, barufustando de rabo para o ar, com nuvens de fumo a sair pelas orelhas em busca da máquina perdida) e rebusquei ansiosamente nos meus baús do sotão.
Após anos de separação, encontro aquilo que procuro.
Amarelada, bafienta, mas é minha. Beijo-a com carinho e levo-a para o trabalho.
Com os olhos marejados, recordo a companhia, os leais ensinamentos, as risadas comuns.
Em cima da mesa, ei-la em todo o seu recordado esplendor:
“A Tabuada do Ratinho”. A ratar desde 1955.
terça-feira, novembro 28, 2006
O conversor anti-cristão
Eu não gosto de maldizer, mas na minha sala existe uma máquina calculadora que também faz conversor de euros que é a personificação exacta do Diabo.
A semana passada tive que fazer umas contas que não batiam de maneira nenhuma certas. Aquilo tinha que dar 6 mil e tal euros e dava-me muito mais. Repeti a operação aritmética vezes sem conta, e o resultado nunca era o que eu esperava.
Chorei, solucei, limpei o ranho às mangas até que alguém tem um rasgo de caridade e me explica que eu estava a fazer a conta em euros..eslovacos.
Hoje, com um ar compungido, mas secretamente alegre dou uma notícia aos colegas: “Lamento, mas o conversor morreu hoje para a vida”, e deposito-o cuidadosamente em cima da mesa murmurando o que pareciam ser umas breves palavras fúnebres mas que eram na realidade um agradecimento velado ao Criador.
“Susana, carrega no on”– dizem-me, sem sequer tirarem os olhos do monitor.
Bolas, já não basta ter que trabalhar, ainda tenho que o fazer com instrumentos puramente luciféricos.
A semana passada tive que fazer umas contas que não batiam de maneira nenhuma certas. Aquilo tinha que dar 6 mil e tal euros e dava-me muito mais. Repeti a operação aritmética vezes sem conta, e o resultado nunca era o que eu esperava.
Chorei, solucei, limpei o ranho às mangas até que alguém tem um rasgo de caridade e me explica que eu estava a fazer a conta em euros..eslovacos.
Hoje, com um ar compungido, mas secretamente alegre dou uma notícia aos colegas: “Lamento, mas o conversor morreu hoje para a vida”, e deposito-o cuidadosamente em cima da mesa murmurando o que pareciam ser umas breves palavras fúnebres mas que eram na realidade um agradecimento velado ao Criador.
“Susana, carrega no on”– dizem-me, sem sequer tirarem os olhos do monitor.
Bolas, já não basta ter que trabalhar, ainda tenho que o fazer com instrumentos puramente luciféricos.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Jesus revisitado num Congolês
A quase um mês desse dia tão fofo que é o Natal, participo na campanha do Banco Alimentar.
A porta automática abre-se e vejo um congolês com um 1.90, calças da tropa e Duffy preto, um boné meio sujo, mãos calejadas com unhas compridas e um franco mau aspecto.
“Quer contribuir para o Banco Alimentar contra a Fome?” – pergunto eu com voz trémula, preparada a qualquer momento para levar com um pau no lombo e fugir a sete pés.
O congolês, que vinha a fumar o seu cigarro, puxa o saco com força, dirige-se ao caixote do lixo e com um gesto brusco apaga a beata.
Passados 10 minutos sai com dois sacos numa mão e uma prenda pequenina na outra. Deposita os sacos no carrinho do Banco Alimentar e enfia a prenda no bolso.
Sai do Continente de Alfragide com as mãos completamente vazias.
6 pacotes de leite, uma garrafa de azeite e 3 kgs de arroz.
Serviu-me a lição.
A porta automática abre-se e vejo um congolês com um 1.90, calças da tropa e Duffy preto, um boné meio sujo, mãos calejadas com unhas compridas e um franco mau aspecto.
“Quer contribuir para o Banco Alimentar contra a Fome?” – pergunto eu com voz trémula, preparada a qualquer momento para levar com um pau no lombo e fugir a sete pés.
O congolês, que vinha a fumar o seu cigarro, puxa o saco com força, dirige-se ao caixote do lixo e com um gesto brusco apaga a beata.
Passados 10 minutos sai com dois sacos numa mão e uma prenda pequenina na outra. Deposita os sacos no carrinho do Banco Alimentar e enfia a prenda no bolso.
Sai do Continente de Alfragide com as mãos completamente vazias.
6 pacotes de leite, uma garrafa de azeite e 3 kgs de arroz.
Serviu-me a lição.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Elsa Raposo ou a samantha fox dos tempos modernos
Caríssimos,
A ninfomania não é uma coisa necessariamente má. Decompondo a Elsa Raposo, vulgo ninfomanica eventualmente não assumida, encontro várias questões:
Qual é afinal o problema numa mulher ter uma capacidade infinita de amar?
Em que mundo mesquinho é que vivemos e no qual não toleramos ver ninguém embuída de felicidade, muito menos uma senhora?
Porque são vários homens seguidos? O amor é eterno enquanto dura. E tanto vale ser 2 semanas, 2 anos ou duas décadas. Foi proveitoso enquanto existiu, e luto só há para quem precisa dele.
Uns necessitam de um ano para se recomporem, há quem precise de um dia, quem dita afinal o prazo do sofrimento atroz ou simplesmente de uma tristeza subtil?
Qual é afinal o problema da Elsa Raposo encontrar em cada homem o amor da sua vida? No seu desequilíbrio, é feliz. Permanentemente feliz.
Os filhos? Amam-na, certamente. Independentemente de escândalos, tricas e pais adoptivos, mãe há só uma.
Eu gosto da Elsa Raposo. (E ODEIO A PATRÍCIA TAVARES!!! FALSA, MAMAS SETENTRIONAIS 100% POLIURETANO!)
(amanha reconto o número de visitantes.)
A ninfomania não é uma coisa necessariamente má. Decompondo a Elsa Raposo, vulgo ninfomanica eventualmente não assumida, encontro várias questões:
Qual é afinal o problema numa mulher ter uma capacidade infinita de amar?
Em que mundo mesquinho é que vivemos e no qual não toleramos ver ninguém embuída de felicidade, muito menos uma senhora?
Porque são vários homens seguidos? O amor é eterno enquanto dura. E tanto vale ser 2 semanas, 2 anos ou duas décadas. Foi proveitoso enquanto existiu, e luto só há para quem precisa dele.
Uns necessitam de um ano para se recomporem, há quem precise de um dia, quem dita afinal o prazo do sofrimento atroz ou simplesmente de uma tristeza subtil?
Qual é afinal o problema da Elsa Raposo encontrar em cada homem o amor da sua vida? No seu desequilíbrio, é feliz. Permanentemente feliz.
Os filhos? Amam-na, certamente. Independentemente de escândalos, tricas e pais adoptivos, mãe há só uma.
Eu gosto da Elsa Raposo. (E ODEIO A PATRÍCIA TAVARES!!! FALSA, MAMAS SETENTRIONAIS 100% POLIURETANO!)
(amanha reconto o número de visitantes.)
Cristiano: I´m loving it.
Eu amo a sexyness do Cristiano Ronaldo.
Sim, tem ar andrajoso, faltam-lhe dois dentes, os restante 30 estão chumbados, tem borbulhas, arrota e não articula complementos directos com advérbios de modo.
E ENTÃO?? Homens iludidos, consciencializem-se que não há mulher alguma em todo o mundo que, em honesta confissão, não ansiasse por quatro minutos com o espécime. Nem que fosse só despi-lo com os olhos. Com, sem, saco na cabeça, isso é deixado ao livre-arbítrio de cada uma. Sim.. da sua mulher, da sua namorada, e até da sua madrinha.
Há qualquer coisa apavoradamente magnética naquele miúdo.
- E não, não é o dinheiro. – Lembrem-se que o encontro de 3.º grau poderia durar até 4 minutos, que proveitos económicos retiraria eu daí?
- E não, não é o poder. Ele afinal é apenas um homem e nenhuma mulher lhe faria qualquer tipo de concessão que o levasse a sonhar ser, por mais remotamente que fosse, seu semelhante quanto mais seu superior.
(Tenho que acabar este post rapidamente, incomoda-me salivar e (outro verbos menos condignos) em público.)
P.S. - Renato, a sexyness é dele, e a Salsicha Girl é tua (humana, como todas as outras mas com uma líbido completamente sincera). Não vale a ficar amuado ok?
Sim, tem ar andrajoso, faltam-lhe dois dentes, os restante 30 estão chumbados, tem borbulhas, arrota e não articula complementos directos com advérbios de modo.
E ENTÃO?? Homens iludidos, consciencializem-se que não há mulher alguma em todo o mundo que, em honesta confissão, não ansiasse por quatro minutos com o espécime. Nem que fosse só despi-lo com os olhos. Com, sem, saco na cabeça, isso é deixado ao livre-arbítrio de cada uma. Sim.. da sua mulher, da sua namorada, e até da sua madrinha.
Há qualquer coisa apavoradamente magnética naquele miúdo.
- E não, não é o dinheiro. – Lembrem-se que o encontro de 3.º grau poderia durar até 4 minutos, que proveitos económicos retiraria eu daí?
- E não, não é o poder. Ele afinal é apenas um homem e nenhuma mulher lhe faria qualquer tipo de concessão que o levasse a sonhar ser, por mais remotamente que fosse, seu semelhante quanto mais seu superior.
(Tenho que acabar este post rapidamente, incomoda-me salivar e (outro verbos menos condignos) em público.)
P.S. - Renato, a sexyness é dele, e a Salsicha Girl é tua (humana, como todas as outras mas com uma líbido completamente sincera). Não vale a ficar amuado ok?
terça-feira, novembro 21, 2006
BT´s e outras m.
Ouvi eu hoje nos balneários do Solinca, derreada por mais uma hora de cardio frenética, escorregando pelo cacifo abaixo e a recobrar lentamente os sentidos:
“Então Guida, ontem não vieste ao ginásio?”
“Não, ontem obriguei-me a não vir”.
Tenho as leggings, tenho os ténis, tenho os tops sexys. Definitivamente, não tenho a atitude!
“a não vir?”
Estas espécimes deviam ser todas escorraçadas da península.
“Então Guida, ontem não vieste ao ginásio?”
“Não, ontem obriguei-me a não vir”.
Tenho as leggings, tenho os ténis, tenho os tops sexys. Definitivamente, não tenho a atitude!
“a não vir?”
Estas espécimes deviam ser todas escorraçadas da península.
domingo, novembro 19, 2006
Constatações matemáticas ( e sociais)
Não querendo parecer velhaca nem queixinhas,
mas sabem quantos é que dos crédulos herbalifeanos estavam nas saladas e afins na zona de restauração do Vasco da Gama, após a famigerada convenção?
0 -(ZERO) (NENHUM)
e sabem quantos é que estavam na Pizza Hut, Mac e KFC?
TODOS! (e com caixinhas repletas de comprimidos estranhos, de meter o Júlio inteiro a um canto, tremendo e a chorar baixinho)
Pelo amor da santa. Ao menos disfarcem.
mas sabem quantos é que dos crédulos herbalifeanos estavam nas saladas e afins na zona de restauração do Vasco da Gama, após a famigerada convenção?
0 -(ZERO) (NENHUM)
e sabem quantos é que estavam na Pizza Hut, Mac e KFC?
TODOS! (e com caixinhas repletas de comprimidos estranhos, de meter o Júlio inteiro a um canto, tremendo e a chorar baixinho)
Pelo amor da santa. Ao menos disfarcem.
Tu estás mesmo lá Pai
Discuti um dia destes com o respectivo sobre o maravilhoso mundo da Herbalife (que eu abomino execravelmente).
Depois de um dia inteiro a remoer sobre o assunto, esmurrando o ar e pontapenado paredes, tartamudeando impropérios e blasfémias demasiado pesadas para aqui serem reproduzidas,
lá me acalmei e decidi que, por muito que não goste de Herbaife, tenho que permitir que outros à minha volta pensem na questão e, numa fase mais avançada, me dirijam a palavra para eventualmente discutir o assunto.
Saí então do meu local de emprego, erguendo os meus doces olhos ainda húmidos do desgosto nesse mundo cruel chamado Parque das Nações, quando vislumbro, num ápice, uma mulher com uma placa a dizer "Herbalife Team Cooach" e um sorriso glorioso.
Ainda não tinha tido tempo de me recuperar do susto quando dobro a esquina e vejo 130 mil pessoas com essa placa ao pescoço, a gritarem em várias línguas, cheios de saquinhos e sacolas, papéis e papéizinhos, placas e plaquetas e todos com um ar transbordante de felicidade e harmonia.
"CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE HERBALIFE NO PAVILHÃO ATLÂNTICO" , li.
Deus e o seu sentido de humor refinado.
"Quero aborrecer a Susana. Covil de leões como Daniel? Filho sacrificado como Abrãao? Esposa trocada como Jacob?"
"Não. Vou enviá-la para a Torre de Babel da Herbalife. Pode ser até que aprenda aramaico".
Estou de cama a recobrar.
Depois de um dia inteiro a remoer sobre o assunto, esmurrando o ar e pontapenado paredes, tartamudeando impropérios e blasfémias demasiado pesadas para aqui serem reproduzidas,
lá me acalmei e decidi que, por muito que não goste de Herbaife, tenho que permitir que outros à minha volta pensem na questão e, numa fase mais avançada, me dirijam a palavra para eventualmente discutir o assunto.
Saí então do meu local de emprego, erguendo os meus doces olhos ainda húmidos do desgosto nesse mundo cruel chamado Parque das Nações, quando vislumbro, num ápice, uma mulher com uma placa a dizer "Herbalife Team Cooach" e um sorriso glorioso.
Ainda não tinha tido tempo de me recuperar do susto quando dobro a esquina e vejo 130 mil pessoas com essa placa ao pescoço, a gritarem em várias línguas, cheios de saquinhos e sacolas, papéis e papéizinhos, placas e plaquetas e todos com um ar transbordante de felicidade e harmonia.
"CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE HERBALIFE NO PAVILHÃO ATLÂNTICO" , li.
Deus e o seu sentido de humor refinado.
"Quero aborrecer a Susana. Covil de leões como Daniel? Filho sacrificado como Abrãao? Esposa trocada como Jacob?"
"Não. Vou enviá-la para a Torre de Babel da Herbalife. Pode ser até que aprenda aramaico".
Estou de cama a recobrar.
sexta-feira, novembro 10, 2006
A Superação
Quando fui morar para Belas e me apercebi que da minha casa à estação ainda ia uma certa distância tive um colapso físico.
Após dias de reanimação a sais minerais, recobrei e passei a deslocar-me para a dita no meu veículo automóvel.
1 ano depois fiquei a achar que o autocarro fazia lindamente a vez do carro, até porque já nem me preocuparia com questões despiciendas como estacionamento e gasolina e sempre andava um bocadinho até à paragem. Fiquei então íntima da Vimeca, orgulho da minha terra, salvação da minha vida.
1 ano depois cheguei à conclusão que caminhar durante meia-hora para a estação era mesmo o melhor remédio, fazia bem, sabia bem, respirava-se ar puro e enrijecia-se as coxas.
1 ano depois, tenho medo. Isto de nós cada vez mais tentarmos transpor os nossos limites pode roçar a insanidade. Quando der por mim vou para a Expo às arrecuas, em marcha acelerada e anilhas de 3 kg atascadas aos tornozelos.
Após dias de reanimação a sais minerais, recobrei e passei a deslocar-me para a dita no meu veículo automóvel.
1 ano depois fiquei a achar que o autocarro fazia lindamente a vez do carro, até porque já nem me preocuparia com questões despiciendas como estacionamento e gasolina e sempre andava um bocadinho até à paragem. Fiquei então íntima da Vimeca, orgulho da minha terra, salvação da minha vida.
1 ano depois cheguei à conclusão que caminhar durante meia-hora para a estação era mesmo o melhor remédio, fazia bem, sabia bem, respirava-se ar puro e enrijecia-se as coxas.
1 ano depois, tenho medo. Isto de nós cada vez mais tentarmos transpor os nossos limites pode roçar a insanidade. Quando der por mim vou para a Expo às arrecuas, em marcha acelerada e anilhas de 3 kg atascadas aos tornozelos.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Esqueçam
Está sanado o mistério.
São duas competições distintas.
De qualquer forma adorava que esse tuga se sagrasse campeão mundial e ficasse em 9.º lugar no concurso local da Pampilhosa da Serra.
São duas competições distintas.
De qualquer forma adorava que esse tuga se sagrasse campeão mundial e ficasse em 9.º lugar no concurso local da Pampilhosa da Serra.
quarta-feira, novembro 08, 2006
Quebra-cabeças
Vi no Metro um dia destes (também leio o Público!!)
que um português, Tiago não sei quê, tinha-se sagrado o mês passado campeão do mundo em bodyboard, e, este fim-de-semana, grangeou mais uma vez a admiração entre os seus pares ao vencer o campeonato
da Europa.
Por isso é que eu não gosto de desporto.
Pura e simplesmente transcende-me.
que um português, Tiago não sei quê, tinha-se sagrado o mês passado campeão do mundo em bodyboard, e, este fim-de-semana, grangeou mais uma vez a admiração entre os seus pares ao vencer o campeonato
da Europa.
Por isso é que eu não gosto de desporto.
Pura e simplesmente transcende-me.
domingo, novembro 05, 2006
Quem passaja os meus peúgos
Acho que ainda não vos disse que a minha mãe trocou o curso de Filosofia pelo de Direito.
Para mim, considerei um duplo alívio, já que os trabalhos universitários que tenho que fazer não só versam sobre assuntos os quais domino minimamente (ainda hoje preciso de psicoterpia por causa das cinco vias do conhecimento do S. Tomás de Aquino) como ainda me dá um certo gosto oferecer todos os meus apontamentos e livros já sublinhados, encarando no fundo a minha mãe como uma discípula obediente e estudiosa.
Isto até ter passado uma manhã de Domingo inteira a explicar-lhe o processo da fiscalização abstracta das leis constitucionais, assim como as leis avulsas viosigodas em contraposição com as sumérias.
Nem me fez o almoço.
Merda para o cultivo intelectual.
Para mim, considerei um duplo alívio, já que os trabalhos universitários que tenho que fazer não só versam sobre assuntos os quais domino minimamente (ainda hoje preciso de psicoterpia por causa das cinco vias do conhecimento do S. Tomás de Aquino) como ainda me dá um certo gosto oferecer todos os meus apontamentos e livros já sublinhados, encarando no fundo a minha mãe como uma discípula obediente e estudiosa.
Isto até ter passado uma manhã de Domingo inteira a explicar-lhe o processo da fiscalização abstracta das leis constitucionais, assim como as leis avulsas viosigodas em contraposição com as sumérias.
Nem me fez o almoço.
Merda para o cultivo intelectual.
O Progenitor parte VII
Desde 2ªf que tenho um pai altamente fragilizado em casa, com um braço ao peito e demasiado tempo livre para estar confinado às nossas quatro paredes. Durante a semana queixou-se sempre que ouvia um barulho no sotão, irregular e muito estranho.
- São ratos, pai, são ratos - disse eu, qual Rainha D. Isabel com rosas no regaço.
- que ratos, sua burra se o chão é de cimento!
Hoje, domingo, às 9 da manhã e após me ter deitado às 5h30, o meu pai bate à porta do meu quarto, anunciando com voz calma e firme:
- Susana, temos uma cobra no sotão. Levanta-te, vai à garagem e traz-me a enxada. Vai ter comigo lá acima. E afasta-se, deixando-me num estado comatoso de puro terror.
Para que percebam a dimensão da tragédia, adianto-vos que uma vez, na terra da minha avó, vi uma pele de cobra presa nos ciprestes, (o bicho devia tê-la mudado há relativamente pouco tempo porque ainda estava lustrosa e luzidia), e quando me apercebi bem do que era larguei a fugir e só me voltaram a pôr a vista em cima numa povoação vizinha às 8h da noite a cabecear autistamente à porta de um lagar.
Fui à garagem, sempre a olhar para todos os cantos de vassoura em riste e fui buscar a enxada. Subi ao sotão, atirei-a o mais perto possível dos pés do meu pai e fugi como se não houvesse amanhã. Barriquei-me com a minha mãe dentro da casa de banho e esperámos pacientemente pelo óbito do animal.
Passados nem 5 minutos entra o meu pai novamente em casa.
"Já está" - grita ele ao fundo, na cozinha, numa voz animada.
"Dó, olha que eu não quero ver isso!" - responde ela.
"Cortei-a à metade" - clarifica, e de rompante abre a porta da casa de banho, com uma coisa preta na mão espetando aquilo diante do nosso nariz.
Só não caí redonda no chão porque já não tinha grande espaço. A minha mãe manda o berro da vida dela e arremessa-se de cabeça para dentro da banheira.
O meu pai, às gargalhadas e só com um braço, exibe triunfante um imponente tubo preto de plástico das canalizações, que atira para dentro da banheira onde está a minha mãe
"Não vi o que era, só encontrei isto" - elucida ele risonho,
enquanto não se apercebe que cometeu um erro crasso. Caríssimos, nunca veiculem um tubo de plástico a uma mulher que aos 45 anos se vê escondida atrás da coluna do seu chuveiro. Só não lhe destroçou o outro braço porque senão não tem ninguém para lhe tirar o carro da garagem.
oficialmente, a minha casa é, a partir de hoje, a 5ª dimensão.
- São ratos, pai, são ratos - disse eu, qual Rainha D. Isabel com rosas no regaço.
- que ratos, sua burra se o chão é de cimento!
Hoje, domingo, às 9 da manhã e após me ter deitado às 5h30, o meu pai bate à porta do meu quarto, anunciando com voz calma e firme:
- Susana, temos uma cobra no sotão. Levanta-te, vai à garagem e traz-me a enxada. Vai ter comigo lá acima. E afasta-se, deixando-me num estado comatoso de puro terror.
Para que percebam a dimensão da tragédia, adianto-vos que uma vez, na terra da minha avó, vi uma pele de cobra presa nos ciprestes, (o bicho devia tê-la mudado há relativamente pouco tempo porque ainda estava lustrosa e luzidia), e quando me apercebi bem do que era larguei a fugir e só me voltaram a pôr a vista em cima numa povoação vizinha às 8h da noite a cabecear autistamente à porta de um lagar.
Fui à garagem, sempre a olhar para todos os cantos de vassoura em riste e fui buscar a enxada. Subi ao sotão, atirei-a o mais perto possível dos pés do meu pai e fugi como se não houvesse amanhã. Barriquei-me com a minha mãe dentro da casa de banho e esperámos pacientemente pelo óbito do animal.
Passados nem 5 minutos entra o meu pai novamente em casa.
"Já está" - grita ele ao fundo, na cozinha, numa voz animada.
"Dó, olha que eu não quero ver isso!" - responde ela.
"Cortei-a à metade" - clarifica, e de rompante abre a porta da casa de banho, com uma coisa preta na mão espetando aquilo diante do nosso nariz.
Só não caí redonda no chão porque já não tinha grande espaço. A minha mãe manda o berro da vida dela e arremessa-se de cabeça para dentro da banheira.
O meu pai, às gargalhadas e só com um braço, exibe triunfante um imponente tubo preto de plástico das canalizações, que atira para dentro da banheira onde está a minha mãe
"Não vi o que era, só encontrei isto" - elucida ele risonho,
enquanto não se apercebe que cometeu um erro crasso. Caríssimos, nunca veiculem um tubo de plástico a uma mulher que aos 45 anos se vê escondida atrás da coluna do seu chuveiro. Só não lhe destroçou o outro braço porque senão não tem ninguém para lhe tirar o carro da garagem.
oficialmente, a minha casa é, a partir de hoje, a 5ª dimensão.
segunda-feira, outubro 30, 2006
OE 2007
Eu sou, por natureza, gastadora compulsiva. Estranhamente sou também, e afianço que é verdade, uma sovina de primeira apanha, semítica até mais não, completamente agarrada ao dinheiro. O que origina, como se pode imaginar, um duelo de emoções que me deixam diariamente, na melhor das hipóteses, completamente extenuada como se tivesse apanhado uma daquelas sovas que só se tem uma vez na vida.
Para me organizar fiz um orçamento até Maio de 2006. Estabeleci as despesas fixas e impreteríveis, as despesas eventuais, um aforro completamente intocável, e um fundo de maneio razoável para alegrar a minha vida (que representará talvez 15% do meu salário).
Dia 20 de Outubro, dia de pagamento,
9h00: com a língua de fora e o coração apertado termino a feitura o meu orçamento que afixo na minha prateleira laboral e assino com grande pompa e circunstância perante o olhar enlevado e orgulho dos meus colegas.
17h20: olho para todos os lados, assobio para o tecto, mãos nos bolsos e andar descontraído, colo-me à prateleira e tento emendar umas coisinhas.
- COM QUE ENTÃO JÁ NO ORÇAMENTO RECTIFICATIVO NÃO É?!! - gritam em uníssono, enquanto riem burlescamente do meu flagra.
Com amigos assim... Percebem agora porque é que eu me viro para as coisas materiais?
Para me organizar fiz um orçamento até Maio de 2006. Estabeleci as despesas fixas e impreteríveis, as despesas eventuais, um aforro completamente intocável, e um fundo de maneio razoável para alegrar a minha vida (que representará talvez 15% do meu salário).
Dia 20 de Outubro, dia de pagamento,
9h00: com a língua de fora e o coração apertado termino a feitura o meu orçamento que afixo na minha prateleira laboral e assino com grande pompa e circunstância perante o olhar enlevado e orgulho dos meus colegas.
17h20: olho para todos os lados, assobio para o tecto, mãos nos bolsos e andar descontraído, colo-me à prateleira e tento emendar umas coisinhas.
- COM QUE ENTÃO JÁ NO ORÇAMENTO RECTIFICATIVO NÃO É?!! - gritam em uníssono, enquanto riem burlescamente do meu flagra.
Com amigos assim... Percebem agora porque é que eu me viro para as coisas materiais?
Com sorte era da Páscoa
Torre de Belém. 18h.
O rio vaza e avistam-se degraus imundos.
Mas não é tudo.
Uma ratazana gigante, completamente putrefacta e da qual até tive alguma pena, jaz de pernas para o ar com a língua de fora.
Eu observo-a com algum interesse mórbido, agrada-me aquela imobilidade final, o fechar de um ciclo. Estou como que suspensa, num misto de compreensão e assentimento.
De repente aparece nem sei bem de onde uma miudinha gorducha com uns tótós, tão afogueada que até se lhe acarminou as beiças e queda-se frente a frente com o animal.
Observa-o ainda com mais interesse do que eu e grita para trás:
- OH MÃE, OLHA, UM COELHINHO!! E aponta para o bicho recamboleando o tornozelo bojudo.
PORRA! UM COELHINHO?!
A ingenuidade das crianças tem, efectivamente, que ser delimitada nem que seja à chapadona. Se fosse minha filha era corrida dali ao pontapé até aprender a diferença entre um coelhinho e uma ratazana de esgoto.
Qualquer dia peço a um miúdo para me ir comprar um quilo de azeitonas e ele traz-me dois pares de peúgas de lã parda, com sorte ainda com um pé cheio de cascaria calosa lá dentro.
Adultos do meu país: não facilitem, ok?
O rio vaza e avistam-se degraus imundos.
Mas não é tudo.
Uma ratazana gigante, completamente putrefacta e da qual até tive alguma pena, jaz de pernas para o ar com a língua de fora.
Eu observo-a com algum interesse mórbido, agrada-me aquela imobilidade final, o fechar de um ciclo. Estou como que suspensa, num misto de compreensão e assentimento.
De repente aparece nem sei bem de onde uma miudinha gorducha com uns tótós, tão afogueada que até se lhe acarminou as beiças e queda-se frente a frente com o animal.
Observa-o ainda com mais interesse do que eu e grita para trás:
- OH MÃE, OLHA, UM COELHINHO!! E aponta para o bicho recamboleando o tornozelo bojudo.
PORRA! UM COELHINHO?!
A ingenuidade das crianças tem, efectivamente, que ser delimitada nem que seja à chapadona. Se fosse minha filha era corrida dali ao pontapé até aprender a diferença entre um coelhinho e uma ratazana de esgoto.
Qualquer dia peço a um miúdo para me ir comprar um quilo de azeitonas e ele traz-me dois pares de peúgas de lã parda, com sorte ainda com um pé cheio de cascaria calosa lá dentro.
Adultos do meu país: não facilitem, ok?
quinta-feira, outubro 26, 2006
Amor com amor se paga
última hora, veiculada pela "Nova Gente" (medo. terror. não se apoquentem, roubei no dentista)
"Liz Taylor está de casamento marcado aos 74 anos"
Não me choca o facto de estar noiva aos 74.
Não me choca que o faça pela 9ª vez.
Não me choca ter sido uma das mais bobozudas dos anos 20 e agora parecer uma grande bêbeda com lepra.
O que me choca verdadeiramente é ele ter tido o lampejo de amor sincero quando a Lyz foi acometida de uma necrose isquémica seguida de uma valente infecção cardíaca.
alguém disponível para lhe fazer um desenho?
"Liz Taylor está de casamento marcado aos 74 anos"
Não me choca o facto de estar noiva aos 74.
Não me choca que o faça pela 9ª vez.
Não me choca ter sido uma das mais bobozudas dos anos 20 e agora parecer uma grande bêbeda com lepra.
O que me choca verdadeiramente é ele ter tido o lampejo de amor sincero quando a Lyz foi acometida de uma necrose isquémica seguida de uma valente infecção cardíaca.
alguém disponível para lhe fazer um desenho?
quarta-feira, outubro 25, 2006
Subtileza desportiva
Notícia no Destak:
“78 detidos, de 20 estabelecimentos prisionais, remam hoje no V Torneio Nacional Prisional de Remo Indoor”.
Não, brincas. Já os estou a ver Guadiana fora, nadando com fatos de imersão hipotérmicos e Marrocos no horizonte.
“78 detidos, de 20 estabelecimentos prisionais, remam hoje no V Torneio Nacional Prisional de Remo Indoor”.
Não, brincas. Já os estou a ver Guadiana fora, nadando com fatos de imersão hipotérmicos e Marrocos no horizonte.
a ingratidão
Quem me conhece sabe que não sou propriamente bafejada por grandes dotes culinários. Ontem, por inspiração dos arcanjos, e quiçá mesmo divina, cozinhei um peito de peru gratinado e saiu tudo perfeito.
Avanço com um pacote de natas e, num toque final, rego embevecida aquela obra prima. Começo a arrumar a cozinha (informo que haviam panos da loiça dependuradas no candeeiro e luvas de forno esquecidas no congelador) mas de repente estaco, lendo horrorizada que o prazo de validade das natas já havia terminado há quase 1 ano
Em piloto automático e cega de raiva volto a cozinhar o jantar. Escusado será dizer que ficou uma real bosta pelo que o meu pai e o meu irmão, após risada geral de 5 minutos boicotam os pratos e vão comer torradas com manteiga.
Eu bem que jurei a pés juntos que a tachada anterior tinha ficado perfeita, mas infelizmente ninguém assistiu ao meu momento de glória. Assim, para além de autista culinária passei por mentirosa.
Grave, grave é que o meu pai já se lamuriou junto das minha mãe implorando para que ela abandone a faculdade no período nocturno.
É impressão minha ou é totalmente desleal fazer-se comparações com uma mãe no activo há já 25 anos?
Estou profundamente sentida. Homens ingratos..ainda por cima riem-se e não lavam nem um pratinho de biscoitos. Hoje vai tudo corrido a massa com atum.
Avanço com um pacote de natas e, num toque final, rego embevecida aquela obra prima. Começo a arrumar a cozinha (informo que haviam panos da loiça dependuradas no candeeiro e luvas de forno esquecidas no congelador) mas de repente estaco, lendo horrorizada que o prazo de validade das natas já havia terminado há quase 1 ano
Em piloto automático e cega de raiva volto a cozinhar o jantar. Escusado será dizer que ficou uma real bosta pelo que o meu pai e o meu irmão, após risada geral de 5 minutos boicotam os pratos e vão comer torradas com manteiga.
Eu bem que jurei a pés juntos que a tachada anterior tinha ficado perfeita, mas infelizmente ninguém assistiu ao meu momento de glória. Assim, para além de autista culinária passei por mentirosa.
Grave, grave é que o meu pai já se lamuriou junto das minha mãe implorando para que ela abandone a faculdade no período nocturno.
É impressão minha ou é totalmente desleal fazer-se comparações com uma mãe no activo há já 25 anos?
Estou profundamente sentida. Homens ingratos..ainda por cima riem-se e não lavam nem um pratinho de biscoitos. Hoje vai tudo corrido a massa com atum.
terça-feira, outubro 24, 2006
Psico
Escrevo só para anunciar que já existem não um, não dois, mas sim 3 stalkers (stockers, já vi que estão atentos) na minha vida. (vocês sabem bem quem são). (vocês, psicopatas, não os leitores)
Hoje o 3º, que me incomoda e me repugna particularmente, ganhou logo o dia às 9h. Vinha no comboio a salivar, fingindo ler um livro manhoso da colecção Bianca, lançando-me de soslaio olhares repletos de paixão (juro que é verdade! Nota-se! Transpira-se!). Chegados à estação do Oriente, saímos exactamente ao mesmo tempo. O facto de ele medir 1.45 mesmo com sapatos de sola compensada e de eu trazer umas botas cujo salto de 8 cm me elevava quase às linhas de alta tensão não o abonava propriamente, pelo que quando aquele arlequim ridículo se volta para mim, (fingindo que não me tinha visto), dá-me um encontrão e bate mesmo com a cara no meu umbigo e aí permanece enfiado uns largos segundos, como se não houvesse amanhã.
Questão que se coloca: porque é que eu não tenho admiradores normais? Porque é que são todos psicopatas, dementes mentais ou simplesmente estúpidos como este? Que baixeza de nível terei eu para que estas avantesmas saídas do Júlio se arroguem do direito de me dirigirem a palavra, ainda por cima desta maneira simplesmente deprimente? Não terão medo de mim? Não imponho respeito pelo meu porte altivo e segurança de movimentos? Quem é que eles pensam que são para erguerem aqueles olhitos raquíticos acima da altura dos meus tornozelos?
Próxima vez que se me dirigirem lanço-lhes um morteiro no meio dos olhos.
... Mas pior que um psicopata, só mesmo um psicopata zarolho a coxear atrás de mim.
Cheira-me a beco sem saída.
Hoje o 3º, que me incomoda e me repugna particularmente, ganhou logo o dia às 9h. Vinha no comboio a salivar, fingindo ler um livro manhoso da colecção Bianca, lançando-me de soslaio olhares repletos de paixão (juro que é verdade! Nota-se! Transpira-se!). Chegados à estação do Oriente, saímos exactamente ao mesmo tempo. O facto de ele medir 1.45 mesmo com sapatos de sola compensada e de eu trazer umas botas cujo salto de 8 cm me elevava quase às linhas de alta tensão não o abonava propriamente, pelo que quando aquele arlequim ridículo se volta para mim, (fingindo que não me tinha visto), dá-me um encontrão e bate mesmo com a cara no meu umbigo e aí permanece enfiado uns largos segundos, como se não houvesse amanhã.
Questão que se coloca: porque é que eu não tenho admiradores normais? Porque é que são todos psicopatas, dementes mentais ou simplesmente estúpidos como este? Que baixeza de nível terei eu para que estas avantesmas saídas do Júlio se arroguem do direito de me dirigirem a palavra, ainda por cima desta maneira simplesmente deprimente? Não terão medo de mim? Não imponho respeito pelo meu porte altivo e segurança de movimentos? Quem é que eles pensam que são para erguerem aqueles olhitos raquíticos acima da altura dos meus tornozelos?
Próxima vez que se me dirigirem lanço-lhes um morteiro no meio dos olhos.
... Mas pior que um psicopata, só mesmo um psicopata zarolho a coxear atrás de mim.
Cheira-me a beco sem saída.
Autch
Ontem lá fui ver os XL Femme, ou, como eu carinhosamente lhes chamo, Donna Maria.
Para variar, um estrondo e, para mim delicioso já que o B, completamente apaixonado pela vocalista, a tal Marisa Pinto ex-Onda Choquiana e que canta descalça, ofereceu-lhe, no fim do concerto, um cd comprado com o maior desvelo amoroso de que há memória. Ela, comovida, agradece docemente e confidencia baixinho: “Nem sei o que te diga. Elis Regina é a minha deusa. Vou ouvi-lo todo ainda hoje, o meu namorado também adora, vai ser um final de noite lindo. Obrigada..mesmo” e vai-se embora aos saltinhos, enquanto o meu amigo se dilacera cadeira abaixo, batendo contrito com uma mão no peito outra na testa “estúpido, estúpido” .
Escusado será dizer que eu e minha Joana nos desmanchámos ainda a miúda não tinha virado costas. Sinceramente, vi o sofrimento estampado no rosto de um adulto de 27 anos mas mesmo assim não consegui deixar de chorar a rir durante uns bons dois minutos, limpando os olhos às bordas da toalha com o diafragma já dorido.
Telefonei-lhe hoje, parece que vai meter baixa. Psiquiátrica, suponho. Ninguém apanha um abalo destes e se recompõe assim tão facilmente.
Para variar, um estrondo e, para mim delicioso já que o B, completamente apaixonado pela vocalista, a tal Marisa Pinto ex-Onda Choquiana e que canta descalça, ofereceu-lhe, no fim do concerto, um cd comprado com o maior desvelo amoroso de que há memória. Ela, comovida, agradece docemente e confidencia baixinho: “Nem sei o que te diga. Elis Regina é a minha deusa. Vou ouvi-lo todo ainda hoje, o meu namorado também adora, vai ser um final de noite lindo. Obrigada..mesmo” e vai-se embora aos saltinhos, enquanto o meu amigo se dilacera cadeira abaixo, batendo contrito com uma mão no peito outra na testa “estúpido, estúpido” .
Escusado será dizer que eu e minha Joana nos desmanchámos ainda a miúda não tinha virado costas. Sinceramente, vi o sofrimento estampado no rosto de um adulto de 27 anos mas mesmo assim não consegui deixar de chorar a rir durante uns bons dois minutos, limpando os olhos às bordas da toalha com o diafragma já dorido.
Telefonei-lhe hoje, parece que vai meter baixa. Psiquiátrica, suponho. Ninguém apanha um abalo destes e se recompõe assim tão facilmente.
segunda-feira, outubro 23, 2006
O Homem
Li num blogue que os gajos só servem para uma coisa: “para assoprar (sic) quando temos um cisco no olho”.
E já vão 8 vantagens:
1) fazer as apostas na bwin
2) ir buscar o garrafão de gasóleo quando ficamos apeadas na a8
3) arranjar as varetas do chapéu-de-chuva e os varões dos cortinados
4) estacionar de espinha
5) desfragmentar a memória e formatar a motherboard (especialmente úteis neste item, caramba perceber de computadores é mesmo tarefa hercúlea)
6) lavar as portadas e enxaguar o chão da garagem
7)fazer-nos passar de nível no Arkanoid.
É com um carinho imenso que releio esta minha lista.
Sabendo que as mulheres vivem sempre mais uns anos dos que os homens e sabendo que nunca hei-de passar do nível 3 (mas oriento-me bem com o Pacman) tomei hoje uma grande decisão:
vou preservar o respectivo dentro de um balde de formol.
E já vão 8 vantagens:
1) fazer as apostas na bwin
2) ir buscar o garrafão de gasóleo quando ficamos apeadas na a8
3) arranjar as varetas do chapéu-de-chuva e os varões dos cortinados
4) estacionar de espinha
5) desfragmentar a memória e formatar a motherboard (especialmente úteis neste item, caramba perceber de computadores é mesmo tarefa hercúlea)
6) lavar as portadas e enxaguar o chão da garagem
7)fazer-nos passar de nível no Arkanoid.
É com um carinho imenso que releio esta minha lista.
Sabendo que as mulheres vivem sempre mais uns anos dos que os homens e sabendo que nunca hei-de passar do nível 3 (mas oriento-me bem com o Pacman) tomei hoje uma grande decisão:
vou preservar o respectivo dentro de um balde de formol.
Ele é o rei yeah yeah
Vou fazer uma confissão à queima-roupa. Segurem-se.
Ia eu 6ª feira a ouvir fones, logo às 8h da manhã na estação de comboios. Repertório musical? ...Onda Choc, 1994. Antes de ser vaiada em praça pública impõe-se (quer dizer, não se impõe, mas não quero passar por totalmente estúpida) que explicite a seguinte situação:
Era a Marisa Pinto, vocalista dos Donna Maria que cantava uma dessas lindas cantigas (escrita por Ana Faria - mãe dos Queijinhos Frescos). Hoje vou ouvi-los. (Donna Maria, acho que os Queijinhos se azedaram em 1989). E vou falar com ela, que é uma querida (apesar de haver para aqui no meio deste blogue um post em que eu a descompus por se armar em fada e cantar descalça. Esqueçam isso. Eu, por incrível que pareça, também erro.)Por isso quis estar preparada para a surpreender hoje com os seus antigos êxitos e assim ter tema de conversa.
O problema só ocorreu quando os fones, nem sei bem como, sairam lá do buraquinho (isto não soa lá muito bem) e de repente o meu telemóvel começou a fazer ecoar por aquele Queluz fora uma canção aos altos berros em que a Marisa se esmifrava toda: “há muito tempo, que eu já sei, que só por ti, me apaixonei bla bla" que conta a história comovente de dois amigos que se amam perdidamente mas depois ele vai viver para outra cidade (pobres autores..) (e pobre de mim que os ouvia de olhos a brilhar e língua pendente de emoção)!
Ficou a estação em peso a olhar para mim.
Pessoas da minha idade observam-me com um desprezo inqualificável. Eu fiz o ar mais inteligente que a situação concedia e enfrentei-os um por um, em jeito de desafio. Forcei-os todos a baixarem o olhar e discretamente desliguei o telemóvel. Segui pela plataforma e fui esconder-me num nicho debaixo das escadas, enquanto batia com a cabeça no cimento e me apetecia atirar o dito da linha 3 abaixo.
Já pensei que amanhã tenho que levar as músicas mais intelectualmente alternativas que conheço. Que acham de Kasabian? Li não sei onde que davam grande estilo, e confesso que já os ouvi algures num sudoeste manhoso mas preferi ir para a barraquinha dos Kit Kat ver se lambia mais algum de graça e acabei por não lhes prestar grande atenção.
Repto: ajudem uma analfabeta musical e auxiliem-na a recuperar a dignidade perdida.
Não opinem à cara podre, queimada já eu ando por aquelas bandas.
Ia eu 6ª feira a ouvir fones, logo às 8h da manhã na estação de comboios. Repertório musical? ...Onda Choc, 1994. Antes de ser vaiada em praça pública impõe-se (quer dizer, não se impõe, mas não quero passar por totalmente estúpida) que explicite a seguinte situação:
Era a Marisa Pinto, vocalista dos Donna Maria que cantava uma dessas lindas cantigas (escrita por Ana Faria - mãe dos Queijinhos Frescos). Hoje vou ouvi-los. (Donna Maria, acho que os Queijinhos se azedaram em 1989). E vou falar com ela, que é uma querida (apesar de haver para aqui no meio deste blogue um post em que eu a descompus por se armar em fada e cantar descalça. Esqueçam isso. Eu, por incrível que pareça, também erro.)Por isso quis estar preparada para a surpreender hoje com os seus antigos êxitos e assim ter tema de conversa.
O problema só ocorreu quando os fones, nem sei bem como, sairam lá do buraquinho (isto não soa lá muito bem) e de repente o meu telemóvel começou a fazer ecoar por aquele Queluz fora uma canção aos altos berros em que a Marisa se esmifrava toda: “há muito tempo, que eu já sei, que só por ti, me apaixonei bla bla" que conta a história comovente de dois amigos que se amam perdidamente mas depois ele vai viver para outra cidade (pobres autores..) (e pobre de mim que os ouvia de olhos a brilhar e língua pendente de emoção)!
Ficou a estação em peso a olhar para mim.
Pessoas da minha idade observam-me com um desprezo inqualificável. Eu fiz o ar mais inteligente que a situação concedia e enfrentei-os um por um, em jeito de desafio. Forcei-os todos a baixarem o olhar e discretamente desliguei o telemóvel. Segui pela plataforma e fui esconder-me num nicho debaixo das escadas, enquanto batia com a cabeça no cimento e me apetecia atirar o dito da linha 3 abaixo.
Já pensei que amanhã tenho que levar as músicas mais intelectualmente alternativas que conheço. Que acham de Kasabian? Li não sei onde que davam grande estilo, e confesso que já os ouvi algures num sudoeste manhoso mas preferi ir para a barraquinha dos Kit Kat ver se lambia mais algum de graça e acabei por não lhes prestar grande atenção.
Repto: ajudem uma analfabeta musical e auxiliem-na a recuperar a dignidade perdida.
Não opinem à cara podre, queimada já eu ando por aquelas bandas.
sexta-feira, outubro 20, 2006
:(
Afinal, o que é pior?
- a espanhola de renda para pôr o papel higiénico
- o dálmata de loiça na entrada
- o quadro do menino triste a verter uma lágrima
- a fonte de mármore ranhoso do menino a fazer xixi, vulgo Manenken Pis
- a passadeira de plástico branco sobre uma passadeira de lã
- o boneco do arlequim sobre o naperon branco no sofá
- as bolas de naftalina nas arcas canforadas
- o bibelot do sapatinho de cristal a servir de porta-lápis
- os sete anões de gesso debaixo da nespereira
ou
- uma tia-avó com isto tudo e mais umas coisitas e que já me confirmou condescendentemente que me vai deixar o magnífico espólio por herança?
Vou estudar atentamente o regime jurídico da deserdação.
- a espanhola de renda para pôr o papel higiénico
- o dálmata de loiça na entrada
- o quadro do menino triste a verter uma lágrima
- a fonte de mármore ranhoso do menino a fazer xixi, vulgo Manenken Pis
- a passadeira de plástico branco sobre uma passadeira de lã
- o boneco do arlequim sobre o naperon branco no sofá
- as bolas de naftalina nas arcas canforadas
- o bibelot do sapatinho de cristal a servir de porta-lápis
- os sete anões de gesso debaixo da nespereira
ou
- uma tia-avó com isto tudo e mais umas coisitas e que já me confirmou condescendentemente que me vai deixar o magnífico espólio por herança?
Vou estudar atentamente o regime jurídico da deserdação.
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