segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Momento bíblico

Lembram-se de uma história bíblica em que Labão, pai de Lia, (a mais velha) e Raquel, oferece a mão da sua caçula a Jacob, não sem antes lhe ordenar 7 anos de trabalhos no campo?

E depois de labutar 7 anos ele é enganado já que, na noite de núpcias, Raquel é trocada no meio da penumbra por Lia. Jacob, na manhã seguinte e após descobrir o embuste, é obrigado a trabalhar mais 7 anos se quiser casar finalmente com Raquel...

Bem, hoje acordei de noite com insónias e pus-me a matutar no assunto.

Esse Labão estaria bem tramado pelas autoridades judiciárias contemporâneas se resolvesse repetir a gracinha neste séc. 21

Senão, vejamos:

Tráfico - Mas que é isto?? andar a vender as filhas a desconhecidos? PIOR! - é um crime QUALIFICADO, pelas relações de parentesco.

- Lenocínio. Obrigá-las a entregar o corpo em vista a obter trabalhos forçados no campo por um homem forte e vigoroso. Quem o mandou ter filhas? Procriasse varão!

- Coacção. Nem quero imaginar a tensão coactiva sobre aquele desgraçado, homem no vigor da sua juventude ansiando dementemente pela esposa casta e linda. Por alguma razão ele queria a mais nova, certo?

- Escravidão. Não tem outro nome. 14 anos a trabalhar de sol a sol é, definitivamente,muito mais que escravidão, é doentio! (por muito boa que fosse a paga! diziam que a Raquel era cá um miminho..)


E sabem o que é passar a noite de núpcias aninhado na esposa e, na manhã seguinte apercebem-se que não só copularam com um coirão tão feio que mais parece um escroto, como ainda têm que trabalhar mais 7 anos para viver condignamente com uma esposa ao lado que possam levar para passear e mostrar aos amigos nas festas de aldeia?

Palavra de honra, no meio de tanta mesquinhez, acho que o Gutemberg se enganou na impressão, o meu Deus só poderia ter baptizado esse homem de Grande Lambão!

Faltou o "m".

Ficou o historial criminoso. No livro mais lido de todos os tempos.

Mau negócio.

domingo, fevereiro 19, 2006

Reflexão maometana

O Alvim é rabo.

Filhos da Droga 2

Nunca fizeram uma grande asneira e depois pensaram:

"Poça, se calhar Deus ficou zangado comigo".

E sabem que isso não é nada auspicioso...por isso tremelicam de arrependimento, ficando a torcer para que Deus já se tenha esquecido.

E depois pensam: "bolas, se Deus já se esqueceu, neste momento deve-se estar a recordar!"

Findo este pequeno momento de reflexão tentam pensar no nada, no vazio, de modo a que não sejam apanhados em falso, nas porcarias que já fizeram?

E depois pensam, "bem, isto de ter um Pai omnisciente tem muito que se lhe diga, que ganda m.."

E após pensarem isto não ficam à espera que, literalmente, vos caia um raio em cima, por pensamento tão impuro?

Depois esta última indagação não ficam completamente mortificados por terem efectivamente achado, nem que por um micro-segundo, que Deus poderia ser cruel a esse ponto? E não ficam à espera que, e agora sim,após esta heresia venha um grande castigo dos céus, personificado em labaredas de fogo e esqueletos neuro-obcessivos?

A sério, há alturas do dia em que, após esta cadeia sucessiva de perguntas e auto-respostas,qual delas a mais estúpida, entro num ciclo vicioso tão deprimente que fico a falar sozinha, pior, a conversar diligentemente com os dedos anelares e a fantasiar episódios grotescos.

Tipo agora, em que escrevo este post, murmuro insanidades e espreito por cima dos ombros sempre à espera do fariseu Nicodemos (o célebre cobrador de impostos semítico) a esbofetear-me rancoroso por ainda não ter entregue o IRS de 2005.

Joana, tens razão.
Tenho mesmo que largar as drogas.

Home sweet home

Mais um episódio triste da minha vida:

Ontem, sábado à noite, a trovejar violentamente e a chover a potes,

tomei a resolução sensata de ficar em casa. Eram 18h e pus-me a analisar criteriosamente o site da tv cabo, fazendo um esquema com horas e canais, de forma a conseguir ver o maior número possível de horas televisivas, sempre ao seu mais alto nível.

Começava às 21h com o AXN - CSI, passava para o Pepole & Arts às 21h, com A Promovida, em seguida veria o Scrubs na Sic Radical, findo o qual assistiria, novamente na Sic Radical ao South Park, passando de seguida para Sic Mulheres com o Sexo e a Cidade, acabando, finalmente, com o filme A Última Testemunha no canal inicial, o AXN.

Voltei a refazer o esquema porque me dei conta que, por exemplo, e no que diz respeito à Sic Radical, não rentabilizaria o tempo disponível a ver 2 séries cómicas, haveria sim que prescrutar qualquer coisa mais didática, tipo Mar Portuguez na Sic Notícias. Mas depois tive que mudar o programa a seguir, senão a Carrie Bradshaw não me cairia bem após as epopoeias nacionais.

Refiz toda a análise anterior, vezes e vezes sem conta, até me deparar com o programa nocturno perfeito. E fiquei contente porque faltavam apenas 5 minutos para começar o 1.º visionamento, no AXN.


Vi a 1ª parte. Com os olhos fechados consegui arrastar-me até à televisão, desligando-a. Atirei-me para cima da cama esgotada psicologicamente, mas ainda com o discernimento suficiente para saber que esta seria a noite de sábado mais degradante dos últimos anos.

Depois lembrei-me:

"não, houve uma vez que a minha vizinha me arrastou para o Tabernáculo da Fé, igreja baptista em Mira-Sintra".

Assunto resolvido, esqueci os remorsos.

Um porquinho chamado "FOGE!"

Este post é dedicado a todas as meninas que fazem anos durante a época dos saldos, do género pleno Agosto tipo eu,

e quando vão com os olhos delirantes de febre abrir as prendas, língua pendente e a salivar abundantemente, completamente esfaimadas por dinheiro, vulgo notas de 20

deparam-se com paninhos da loiça, enternecedoramente bordados com patinhos e laguinhos, pintainhos e coelhinhos e outros motivos igualmente cruéis,

ou, pior, com um envelope (daqueles em que já nos cheira a Freeport, ou, se formos mais pobres ainda, a Zara da Amadora)

em que lá dentro está um postal de aniversário a desejar-nos muita paz e saúde!

SAÚDE?? Eu fico é DOENTE! Onde já se viu postaizinhos! Só faltam é ser com os mlfadados pintainhos e coelhinhos. E olhem que normalmente envolvem porquinhos ou vaquinhas falantes..

Estou com uma raiva a animais campestres que tenho a impressão que se me derem um cordeirinho nos anos, o esfacelo em 10 bocados e atiro-os pela janela. Não sem a antes lhe espetar daquelas colherzinhas para tirar o esparguete no rabo e arremessá-lo vezes sem contra contra a porta da despensa.

Nos meus anos,e volto a repetir, lembrem-se: sou alérgica a pechisbeque e adoro ouro branco.

sábado, fevereiro 18, 2006

Carta Aberta

Querem que partilhe algo de muito degradante convosco?

Não, não me façam esgares horrizados como quem não está nem para aí virado, porque ao fim e ao cabo, e apesar de este blogue não ser propriamente o rotten, sei que adoram tudo o que cheire a instintos homicidas e pernas desfeitas.

Tudo isto para dizer,

que aqui há usn dias escrevi um post assertivo, bastante comovedor e com grande relevância político-ambiental (em que pedia a ajuda desesperada às autoridades competentes de forma a repôr o appearance do salsicha)

e cujo título rezava assim

"Ai deste que não tenha 5 comentários, no mínimo".

Nem vos vou dizer quantas pessoas responderam. Espero que se redimam no presente post, senão nunca mais haverá historietas com as seguintes frases:

- plaquetas de cócó de pombo
- bati com o septo no portão
- fui à serra de sintra ao parque das merendas e acabei por assistir acidentalmente a uma reunião secreta entre a classe operária dos antílopes e o sindicato sapateiro das osgas marítimas.

E nem se alvitre que as osgas não têm pés. Uma imaginação espicaçada move montanhas. Ou serras. de Sintra.

Querem mais post estúpidos como estes? Então assumam-se, seus blogofóbicos enpedernidos.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A senciência

Eu sei.

Sinto-vos.

Tacteio-vos.

Calco-vos.

Cheiro-vos.

Efabulo-vos.

Saboreio-vos


Sei.

por isso,

QUERO A MERDA DOS COMENTÁRIOS AOS MEUS POSTS SEUS IMISCUIDORES DISSIMULADOS!

Outra vez o autocarro

Eu e os autocarros...Devo advertir que esta história é verídica embora claro, e como não podia deixar de ser, salpicada de alguns devaneios imaginativos, mas não muitos (ok, alguns, verão quais são, certamente).

Ia hoje na malfadada 144, atolada de livros gigantes, quando me resolvo a depô-los no banco vazio ao meu lado.

Depois de passar ali num bairro manhoso ao pé de Alfragide, penso que o Bairro do Zambujal, e após terem entrado no autocarro algumas pessoas com um ar mais suspeito,

o motorista faz uma curva apertada e os meus livros escorregam para o chão.

Devo antes de mais recordar que eram livros bem grandes, nomeadamente um Código de Processo Civil anotado, com o heróico número de 800 páginas que,

quando caiu ao chão, fez um barulho seco, um baque sonoro que se ouviu quase na Cruz de Pau.

Um nano segundo depois, o motorista encosta o autocarro e, sem se virar para trás, leva as mãos ao ar, em jeito de rendição.

Está tudo no mais pleno silêncio. Os passageiros entreolham-se, pensando que o motorista endoideceu de vez.

E só então percebo que ele pensa que os guineenses recém-entrados estão a fazer um saque audacioso ao cofrezinho dos bilhetes.

Pigarreio como quem não quer a coisa, tusso com bocadinho mais de força e, finalmente e a tremer, o motorista vira-se para nós.

Então vê o livro caído na coxia e percebe tudo. Lança um olhar cruel aos passageiros.

Não tenho muito por onde escapar. Para além dos 3 guineenses com o ar homicida, só estão 2 velhitos fofos mas que, infelizmente, têm cara de nem de saber ler a cartilha infantil quanto mais um código anotado.

Resto eu. Esboço um sorriso amarelo e, em biquinhos de pés vou buscar o livro, acenando com a mão como quem diz "não se aflija, já o tenho".

O homem, ainda a cambalear, vai-se apoiando nos assentos até finalmente se sentar de novo. Respira fundo, massaja as fontes, e, após um compasso de espera de 3 minutos arranca novamente.

Eu olho para os guineenses em jeito de cumplicidade à laia de "estes motoristas...fazem tudo para não chegar a horas!"

Os guineenses homicidas..lançaram-me um olhar de desprezo e vaticinei uma chacina eminente.

Saí escoltada pelos casal idoso, enquanto de dentro do autocarro os pretinhos me ameaçavam de punho fechado.


Com dizia a minha catequista do 9.º volume: CAGUEI E ANDEI!

Se bem que isto melhor se aplicaria ao motorista.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

O dia em que quase matei um ente querido

Sabem aqueles episódios que desejamos nunca ter vivenciado? Aquelas coisas que nos arrependemos para sempre?

Um dia estava a ver "Crime She Wrote", com a admirável Angela Lansbury. Era o meu programa preferido, e vivia uma semana inteira à espera que desse na televisão.

Não será então de estranhar que uma vez, sentada orgasmicamente a ver a série, tenha enxotado o meu irmão quando ele se abeirou do sofá para me aborrecer.

Primeiro, e sem descolar os olhos da televisão, dei-lhe uma estalada fraquinha, garanto que não fez muito barulho.

Da segunda vez, micro-segundos mais tarde, já lhe dei um bofetão com a mão aberta.

Como se ele insistisse em importunar-me com os seus guinchinhos de menina, viro-me na direcção dele para lhe pregar uma sova de meia noite, eis quando senão

vejo o meu irmão completamente ROXO, a agarrar na garganta e a tentar respirar, função essa que, manifestamente não estava a conseguir, já que andava aos círculos pela sala, indo embater na mesa de centro antes de cair redondo no chão com um gemido já fraco.

Olho para a mesa e vejo lá um prato com uma carne de porco à alentejana. Com um raciocínio lógico brilhante, compreendo que ele está a tentar lutar com um pedação enorme de bácoro entalado na garganta!

Espojado no chão, agarro-lhe uma perna e vou a arrastá-lo até às escadas do meu prédio, até que toco a todas as campainhas do meu andar e grito por socorro.

Lá aparece uma velhota que lhe faz respiração boca a boca e lhe sacode o diafragma e o miúdo sobrevive.

Mas estava tão fraco que nem teve força de me esconjurar pelo mal-entendido.


Não tenham pena.
Estou há 19 anos a pagar pelo sucedido.

Amadora, esse paraíso na Terra

Quão contraditória é uma residência ao pé de uma certa estação de comboios da linha de Sintra denominada "Amadora Palace"?

Mas esta gente pensa que ludibria alguém?!

Ou estão convencidos que camuflam brilhantemente o facto do recepcionista ter não uma mas duas arma no coldre, e o segurança atrás dele uma arma branca a respontar do cuecão ?

Que degredo..Os próprios assaltantes devem rir-se à boca podre desses ardis geniais!

O assédio

Eu tenho um fã.

Não, mais uma vez não cucuritem os galos, não zurrem os burros, não chiem os ratos, não crocitem os corvos, nem guinchem os porcos (chiu Nuno, é uma ordem!).

O fã que me assedia diariamente com o olhar lânguido e língua estrategicamente pendente no lado esquerdo da boca é:

- o senhor do Bar da Universidade
- aflitivamente baixo (só chega até à prateleira dos salgados)
- tem uma dentadura assaz duvidosa (vislumbrei até hoje 4 dentes, 3 dos quais em estado mórbido de decomposição, e com umas gengivas castanho pálido muito intrigantes).
- 2 faixas etárias acima, vulgo velho como um escroto (44/52)


e por fim, e à laia de conclusão:

- tem um ligeiro atraso. Não, minto,

é simplesmente estúpido, aliado a um abissal atraso.

Ontem fui jantar ao bar.

Detectei logo os sinais de excitação físca, perfeitamente manifestos mas que preferi ignorar pois, afinal de contas, ia jantar e não queria estar com o estômago revolvido pela imagem daquele homem nu.

Ele, suando em bica e sorrindo com aqueles dentinhos apodrecidos, franzindo o sobrolho com o seu ar sensual e que me fez lembrar o Homem Elefante,

fez-me sinal para aproximar e, em jeito de confidência, sussurou-me que, por ser para mim, me ia "fazer um jeitinho".

Rezei para que ele não dispusesse do seu órgão sexual em plena cantina pensando que me deleitaria, mas, pelos vistos, a sua ideia era mesmo ajudar-me no que concernia à minha refeição.

Eu tinha pedido e pago uma tosta,

mas logo o imaginei a trazer-me 1 prato de strogonoff e batatinhas, com um sumo de laranja natural e uma taça de gelatina, e eventualmente com uma dose de arroz.

Ele vai para a copa, e quando sai, com um ar deveras suspeito, escondendo-se do resto dos colegas e ludibriando as câmaras de vigilância,

dá-me já um saco cheio,

e antes de eu o abrir, confidencia-me lascivamente:

"Em vez de 2 guardanapinhos..pus aqui 4!! Só para ser para a menina...".

E juro que quase me pareceu que me soprou um beijo, mas entretanto eu já tinha fugido a uma tal rotação que ainda estava ele a dizer "até amanhã princesa" e já a porta do bar tinha batido.

Pulha! Frustar-me as expectativas alimentícias daquela maneira.. A tosta soube-me a nada, ainda por cima acorriam-me imagens do anãozito nu.

Não sei para quando a recuperação, mas só espero não desenvolver traumas sexuais relacionados com a comida.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Vou sentar-me e esperar

olhem, arzahhhhh para esta merda de blogue que tanto está bem como a seguir já está todo virado do avesso. Agora não tem o site meter, nao tem foto, não tem posts recentes, nem meses longíquos.

Desconjunturou-se todo e eu CAGUEI BEM DE ALTO (literalmente, porque eu não faço cócó, sou uma menina, e o Gonçalo sabe bem disso, sou um ser abençoado, um anjinho iluminado, sou muito fofinha),

por isso enquanto isto nao voltar ao normal OU ALGUÉM ME AJUDE porque o irmão que tenho em casa vale tanto como uma mão cheia de merda e outra cheia de nada!,

vou barricar-me na sala, a ver dvd´s, comer chetoo´s e pensar nos posts maravilhendos que poderia estar a escrver e que, manifestamente, não estarei.

Em momento oportuno voltarei a esta bodega.

Ai deste que não tenha 5 comentários, no mínimo

Por favor,

alguma alma caridosa se apiede do meu desespero e me ajude a tirar as letras azuis e restantes idiotices que coloquei no malfadado dia 9 de Fevereiro e agora não sei como tirar? E nem se diga para eu voltar ao sítio e repôr como estava pois, obviamente, e atendendo ao pomenor não despiciendo de que não sou, ao contrário de muita má-língua que por aqui ciranda, atrasada mental, motivo pelo qual já tentei fazer a tarefa supra,

nessa medida agradeço complacência para este meu suplício, concretizada em directrizes práticas e eficazes..

Obrigada

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Informação Escatológica

Bolas,

tive que voltar porque me lembrei que não intitulei o post infra.

E se há coisa que eu gosto é de merdas perfeitinhas.

Chamar-lhe-ei "O Desabafo".
Não sei se já repararam (espero que não, senão há indícios sérios que não têm vida própria, uma conflituosidade inter-social acentuada, e, por demais evidente, uma hetero-exclusão comunitária perturbadora, vulgo PESSOAL SEM AMIGOS)

mas eu hoje já escrevi uma data de posts,

cada um mais sem sentido e amoral que o outro,

pela simples razão de que, amanhã, tenho a repetição do exame da Ordem,

e, como qualquer estudante preguiçosa, desorganizada e cábula que se preze, já inventei mil e uma coisas para fazer,

inclusive lavei a banheira com Cif, tarefa que, ao fim de 2 minutos, achei demasiadamente afrontosa à minha condição de..enfim, qualquer coisa que me impede de executar a empreitada supra-mecionada,

só para não ter que estudar.

Pelo que me voltei a sentar frente a este teclado para vos dizer isto mesmo que vos acabei de transmitir.

E dizer nada em tanto é obra certo? Só me dá é para o mal. Lá para os contratos de impugnações paulianas não me dá tanto a veia artística.

Arghhh façam-me parar!

Vou desligar o pc no botão do reset com o dedo do pé.

é favor não atentar às novas alterações mundanas deste blog

Caros,

Estou bastante desolada, porque o meu irmão é que teve a brilhante ideia de apalhaçar o blogue com pormenores giros.

Mostrou-me uma coisa ou outra e depois foi sair.

O certo é que eu me entusiasmei, andei a mexer em coisas com nomes insofismáveis tipo html e dashboar, pelo que no fim da brincadeira me apercebi que tinha posto o salsichinha meio virado do avesso, com comentários estúpidos tipo "o meu olho gigante"

e agora não só os não consigo tirar,

como os post mais recentes ficaram num azul escuro (meio cobalto, meio metalizado) e nem eu, que os sei de cor, consigo perceber o que dizem.

é uma tragédia, e suspeito vagamente que ele fez de propósito.

Lá porque escutei a conversa dele ao telefone,já tive a minha paga não?! Um pontapé daquela perna elefantísica

ainda por cima com sabor (ele espetou-ma na boca) a VENENO!

Snif

Ai os cãezinhos tão giros

Não me levem a mal.. eu adoro animais,

mas estão a ver aquelas situações,

em que estamos de cócoras atrás da porta da sala, a tentar diligentemente ouvir uma conversa ao telefone,

entre o nosso irmão e uma miúda, há já quase 10 minutos,

na mesma posição, quase sem respirar, com os joelhos esfolados, os ombros deslocados e o rabo a descair para trás?

e, ao mesmo tempo, rimo-nos muito baixinho, quase afogando-nos com o esforço de contenção, enquanto tentamos explicar à nossa mãe, do outro lado do corredor, que não estamos a fazer nada de mal, para ela dar meia volta de modo a que consigamos continuar a ouvir a conversa?

Pois, o problema dos animais é que, sem qualquer pudor, e em qualquer tipo de situações, quer estejamos naquela situação há 1 ou 30 minutos, acabam por nos denunciar. Sempre.

Aquele cão vinha da sala, ar abatido, arrastando-se pela divisão. Quando dobra a esquina vê-me naqueles propósitos. Claro que para um animal que não faz nada o dia inteiro, ver a dona naquela posição é um petisco pincelado a mel.

Primeiro começa a abanar o rabo. Antes de entrar em pânico faço-lhe sinal com a mão para ele vir sem grande alarido.

Porque algum motivo é cão, burro que nem uma porta, interpreta o meu aceno como um convite tácito para brincar. Começa a saltitar à minha volta, latindo alegremente, olhando também para o meu irmão como que a convidá-lo para uma grande brincadeira.

Nem tenho tempo para lhe dar um pontapé.

Só vejo surgir o peúgo roto do meu irmão e, quando me preparo para fugir apanho com aquela meia nojenta, à qual vem atrelado um dedo do pé com ar suspeito.

Nem pude reclamar. A minha dignidade não mo permitiu.

Limitei-me a dar um chapadão no cão e a imaginar o desfecho da conversa telefónica.

Um conselho? Na lojinha..escolham os peixes.

Desculpa..

Cláudia, (pigarreio)


Hum... lembras-te de me terem dado um vibrador na minha Benção das Fitas, com a forma de um golfinho e azul?

Lembras-te de eu o ter guardado no bolso do casado pendurado no roupeiro?

Lembras-te de ele ter um dia desaparecido? (perguntavas-me diariamente pela saúde dele..)

Bem, eu realmente deitei-o fora,

Isto porque a minha mãe um dia o encontrou no guarda-fatos,

Perguntou-me o que era aquilo e o que estava ali a fazer,

E eu disse-lhe que era TEU E MO TINHAS PEDIDO PARA GUARDAR!

Ela ficou horrorizada e disse para eu tirar aquilo dali para fora.

Por isso é que ela te olha agora com alguma desconfiança, e não te comprou prenda de Natal este ano.

Mas vê isto pelo meu prisma: FUI OBRIGADA A DEITAR O MEU GOLFINHO FORA!!

Tu ficaste apenas com a fama. E o meu proveito? snif

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Outra vez o poema

Poema ao Milésimo:


és roto, nem te acusaste,
shame on you caro leitor
mas porque aqui entraste
e sempre me visitaste
não te reprovo com vigor
condecoro-te com louvor
brincadeira, achas que sim?
bonificar quem entra.. enfim..
de mansinho, armado em esperto
em vez de surgir de peito aberto

fazendo ecoar por este mundo,
durante toda uma vida,
(contento-me com um segundo)
o salsicha não tem medida

é meu, é profundo. (lolada)

Interpelação admonitória

Caríssimos Confreires,


obrigado por NADA!!!

Se ontem alguém cá tivesse vindo, que não veio, mas por algum acaso insusceptível de compreensão viesse, da parte das Produções Fictícias,

o certo é que teria encontrado um vasto e inóspito deserto interactivo, um monólogo patético entre a minha pessoa e o meu alter ego, devaneios de meia idade que nunca os supus ter mas agora até já estou assustada,

já que sou só eu a falar, é só 0 comentários em tudo o que escrevo e nem o 1000 leitor se atreveu a denunciar-se, visitando-me sob a forma de anónimo, por ser mais dignificante do que ter que, frontalmente, confessar que me lê.


Hum.. estou deveras conspurcada com estes procedimentos, e toda a minha áurea de ser peculiar se esfumou, não passando agora de uma lunática que beija o cão e mata os periquitos à fome.


É lamentável.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

URGENTE!!

Desocupados amigos,

Há, se bem que ínfima, uma micro-possibilidade de alguém das Produções Fictícias ler este blogue, porque mandei há pouco mais de 7 minutos um e-mail para eles, bastante deprimente e desesperado, com o único objectivo de participar num sketch,

motivo o qual me forçou a puxar os galões e, à falta de melhor, (corpo da Soraia, leia-se)

lhes meter pelos olhos adentro aquilo que tenho de melhor: o salsichinha

(a dança no poste fica reservada exclusivamente para o Gonçalo)

É FAVOR, POR CONSEGUINTE,


colocarem comentários a enaltecerem as minhas grandes qualidades,

quer físicas,

quer físicas!,

abstenham-se de missivas que contenham palavras como "cu de bomba, badocha, óbelixa, cara de cu", como já apanhei aqui,

e realcem tudo o que há de melhor, inventando sempre que necessário, mas de uma forma realista e convincente.

Sereis recompensados.

No sketch farei um sinal imperceptível aos meus amigos leitores, à laia de exemplo, abano o rabinho de frente para a câmara, gritando "in your face cristina do gouxa"

Será, decerto, um momento enternecedor.

Obrigada.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Falso alarme

Não tenho palavras. Estou literalmente boquiaberta (tanto o quanto a minha parastesia me permite).

Isto passou de 1000 (weee) visitantes para 930 (dooop)

Estou farta de ti, hacker desocpuado. Qualquer dia apanhas na tromba, estou-te a avisar.

1000 visitantes!!!

Bolas, isto foi um pouco mais rápido do que eu pensava!

Foi só o tempo de eu ir à casinha de banho e eis quando se me deparo com a obrigação (reformulo) prazer imenso de dedicar um poema à milésima pessoa que, por acaso, nao faço ideia de quem seja porque entrou anónimo.

Anónimo:

Um dia no meu site entraste
e pelos vistos retornaste
és uma pessoa culta e muito esperta
Ao contrario de mim que sou pouco certa.

IMPORTANTE!

Ó Meu Deus, que emoção, faltam só 3 pessoas para os 1000 visitantes!!!

Devo adiantar que vou escrever uma pequena prosa em honra ao meu milésimo leitor.

Tenho é que abster-me de vir aqui tantas vezes senão arrisco-me a fazer uma auto-serenata.

O que não deixaria de ter a sua graça mas, em ultima instância, é muito degradante.

Resta-me esperar. E que ganhe o mais desocupado.

O meu cão anfíbio

Nunca vos aconteceu virarem-se de repente e o vosso cão está a olhar para vocês, com um ar misterioso e os olhos brilhantes, como quem tem alguma coisa para dizer mas por qualquer motivo está impedido, como quase uma necessidade imperiosa imperiosa de falar e, ao mesmo tempo, permanecer calado?

Confesso que me passaram algumas ideias pela cabeça.

Do género ser um animal preso numa armadilha fantasiosa, estilo contos de Grimm de 1760.

Experimentei. Não resultou.



E daí? E se fosse mesmo um príncipe? Quem riria por último?

Show business

Cada vez me convenço mais que as figuras públicas são, ao fim e ao cabo, uma grande merda como nós os mortais.

Já tinha suspeitado disto quando uma vez, em pleno Jardim Zoológico, vi o Carlos Moniz, cujo programa "A Casa do Tio Carlos" bombava nas horas.

Empoleirei-me em cima da manjedoura dos dromedários enquanto lhe soprava beijos, e gesticulava para chamar a sua atenção. Mesmo quando fui manietada pelos funcionários e arrastada até ao atendimento administrativo para me pedirem contas da incauta acção, o Tio Carlos olhou para mim com um ar melindrado e prosseguiu o seu caminho, sem sequer acenar um adeus.

Passados uns tempos foi aquele episódio com o Bonga, que já qui relatei. Mesmo totalmente espojada no chão, com os cotovelos e joelhos dolorosamente arruinados, sem um dente e a sangrar abundantemente do sobrolho, esse senhor foi capaz de esboçar um gesto de apreço, continuando a fumar o seu cigarro e enquanto o meu gemido cada vez mais fraco se deixada de ouvir até, finamente, perder os sentidos no meio do parque de estacionamento.

Anos mais tarde vi o José Malhoa na Costa da Caparica, enrolado aos beijos com uma loira de 25 anos, cheia de celulite mas mesmo assim demasiado boa para aquela trampa.
Quando tentei acenar-lhe, simulando um gesto como quem vai telefonar, neste caso para a esposa traída dizendo "Srª Malhoa? Sabe onde está o seu marido?", e rindo-me selvaticamente com o gosto antecipado desta chantagem,

o certo é que ele olhou para mim e ignorou-me, continuando com as suas lascívias repulsivas.

A semana passada, numa discoteca lisbonense, vejo a Cristina do "Você na TV". Não resisti e lancei-me aos pés dela, dizendo "adoro-te adoro-te és tão linda".

Acto contínuo a Cristina deu-me uma ligeira biqueirada com o estilete da sua sandália e, apesar de me ter feito um furinho no braço, ainda me consegui agarrar aos seus tornezelos, enquanto ela armada em estrela chamava um amigo da musculação, que me pontapeou nas costelas e com gestos obscenos me disse para eu ir copular.


Mas o que é que se passa com esta gente? Se são conhecidos são graças a pessoas anónimas como nós, que lhes compramos os discos, copiamos as roupas e gozamos com as suas gaffes!

Hás-de cá vir, Cristina. Telefono para o Gouxa em directo e mando o meu irmão arrotar-te grotescamente na cara.

Estúpida.

Renove-se as boas vindas!

Más notícias:

o hacker holográfico que vivia apenas na minha cabeça aluncinada pelos vistos ressuscitou,

porque eu tinha um post a desabafar sobre os meus dois periquitos nojentos, mortos à fome, post esse que eu já vi aqui neste blogue maravilhoso e que, inacreditavelmente, já aqui NÃO ESTÁ!

Se alguém leu esse post por favor diga-me, porque senão posso, eventualmente (não muito, duvidar da minha sanidade mental.

O post versava sobre um casal chamado Papo Seco e Meia Noite, que me andam a atormentar sob a forma de hieroglifos num bloco de notas,

e terminava com um pedido de tréguas.

Eu ainda não estou assim tão doida...

domingo, fevereiro 05, 2006

O servicinho

Hoje o meu pai apareceu-me a berrar no meu quarto, a dizer que havia verniz vermelho espalhado pelas loiças da casa de banho, e que se eu achava que aquilo nao dava trabalho a limpar, então que levantasse o meu real traseiro e fosse lá tirar aquela porcaria.

Muito condignamente levantei-me da cadeira onde estava a estudar e, sem lhe dirigir palavra, calcei as minhas pantufas gigantes de pés de pedinte com as meias rotas e os dedões à mostra (um must da Michelle K)e enlacei o robe,

e lá fui eu para a casa de banho onde, com um pouco de acetona e algodão, retirei aquele verniz vermelhão da bancada, atirei os restos para a sanita, lavei as mãos e fui-me embora.

Há dias em que dá gosto fazer nojices sem querer, deixá-las lá por preguiça, e no dia seguinte ser chamada à atenção e desfazer-me da imundice em 20 segundos.

Ficou lá bem caladinho, a remoer-se por eu nao me ter lamuriado e implorado perdão.

Muuuu ahh ahhh ahhh!!!!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Esclarecimento

Estabelecimento Prisional de Caxias.

mas não agoirem!!

Aviso:

Por favor, quero advertir que o meu e-mail susana.alexandre@gmail.com, estará temporariamente desactivado, pela monumental vergonha que terei passado desde o dia 1 de Fevereiro,

data em que, por infortúnio do destino,

resolvi mandar um em-mail privado para uma pessoa de um fórum jurídico,

e-mail esse,

esperem, ainda que me custa falar no assunto,


foi enviado sem querer para o endereço geral do fórum.


Devo dizer que a missiva continha grande parte das ASNEIRAS eruditas no período pós-medieval português (séc.XVI),

e quase todas as contemporâneas, incluindo os dialectos da Cruz de Pau e Bairro de Santa Fiolomena,

isto para basicamente qualificar criteriosamente o mentor da lista e 90% dos restantes participantes.

Ainda nem tive coragem de ir ver o que se passou. Por isso, qualquer assunto susi_nunes@hotmail.com, esperem só que seja saneada da lista e se esqueçam da minha existência o que,

a avaliar pela dimensão dos impropérios que lhes foram dirigidos,

demorará aproximadamente 2 meses, isto se não fizerem participação disciplinar e eu for presa.

altura em que me contactarão provavelmente em D.65478@epc.pt.


Fica dado o recado!

segunda-feira, janeiro 30, 2006

O Salsicha foi violentado

Hoje quando me apercebi que tinha já 682 (seiscentos e oitenta e dois) visitantes, e após dar algumas cabrioletas no ar, resolvi averiguar o modo como estes vinham aqui parar. Ou seja, o que motiva estes desocupados leitores a espreitarem este blog

Devido ao meu sentido de humor inebriante- pensei
ou quiçá à escrita escorreita e de grande nobreza de sentimentos - completei

quando vou ao sitemeter, vejo que a última entrada tinha sido feita através desta bela coisa:

http://br.search.yahoo.com/search?p=pentes%20de%20a%C3%A7o%20para%20retirar%20as%20lendeas&prssweb=Buscar&ei=UTF-8&fr=FP-tab-web-t&fl=0&x=wrt&meta=all%3D1


note-se:

-pentes
-para
-retirar
-lêndeas

Traduzindo por miúdos,

houve algum piolhoso que, em desespero de causa e confiando na virtuosidade imbatível dos motores de busca cibernéticos, nomeadamente o Yahoo Search,

pensou que conseguiria encontrar e, passo a citar: "pentes de aço para retirar as lendeas",

neste blog RESPEITÁVEL,

Isto só porque eu escrevi uma vez, num post manhoso qualquer,que os miúdos do Projecto Crescer foram a uma extasiante visita a uma fábrica vidraceira e, ao invés de escutarem o senhor que dissertava sobre os seus segmentos de mercado,

se entretinham a tirar os piolhos uns aos outros!

Caro leitor com Pediculus Capitis,vulgo piolhos na cabeça:

Para retirar os ectoparasitas hematófagos NÃO LEIA O SALSICHA

APLIQUE A MEDICAÇÃO PIOLHICIDA!!!

domingo, janeiro 29, 2006

Nota de Rodapé

Andam por aí a cirandar boatos profanos de que, pura e simplesmente, o post do Castelo Branco seria fruto da minha imaginação.

Apesar desta, efectivamente, já ter dado conclusas provas de que se revolve nos emaranhados de uma mente fértil e desprovida de qualquer sentido de dignidade e profundidade,

a verdade é que a própria realidade nos ultrapassa muitas e muitas vezes,

Destarte, afianço que o post é verídico, embora com algumas nuances mais quixotescas, nomeadamente os saltinhos espavoridos pelo corredor que, natural e cientificamente,

me foram impedidos de verificar via voipbuster.


p.s. - se, por algum infortúnio, alguma autoridade judicária me inquirir sobre os factos passados, naturalmente que os negarei com veemência e, inclusive, indignação, salpicada por acusações baratas contra o Estado.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A receita era óptima, o nome é que pouco ortodoxo

A minha vida foi, desde cedo, pautada por péssimas decisões.

O engraçado é que demoro em média 7 dias para decidir coisas ultra-básicas e depois, ao fim e ao cabo, essa decisão estará, sem sombra de dúvida, totalmente errada.

Tudo isto começou quando a minha professora da primária nos pediu para irmos a um livro de receitas e copiarmos uma de sobremesas.

Lá fui eu espiolhar a Maria Lurdes Modesto e o seu Livro Tradicional de Cozinha Portuguesa, no qual se encontravam, para meu desespero, mais de 100 receitas de bolos e doces.

Demorei 3 dias para escolher a receita. Depois lá escolhi uma que era curtinha (sempre fui preguiçosa) e sem muitos ingredientes, não que tivesse que fazer a receita mas não estava para ser apanhada em falso e admitir que não percebia nada de cozinha (ainda hoje não percebo).

No dia em que a professora nos pediu os títulos das receitas, para se inteirar do que tinhamos feito:

Marta - "mouse de chocolate"
Duarte - "Semi-frio de baunilha"
Catarina - "Gelatina de morango"

Susana (ar orgulhoso, olhando em volta de modo a que todos os meninos a pudessem ouvir, a si e à sua receita escolhida com tanta dedicação): PUDIM DE ÁGUA!!

Silêncio compungente.


E esta é a história de uma vida.

Más decisões, mais do que tempo para as ponderar, e com mais ou menos ingredientes sai, invariavelmente,

uma grande e cozinhada merda.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

José Castelo Branco e o verdadeiro susto

Ontem, na hora de almoço, eu e o meu irmão resolvemos aproveitar as chamadas gratuitas para números fixos do Voipbuster e telefonámos para a residência do Sr. José Castelo Branco, já que o meu irmão tem os números de todas as pessoas e mais algumas devido ao que ele chama de "engenharia social", vulgo piratices manhosas.

era para ter sido para a Belle Dominique mas não descobrimos o número (o meu irmão, leviano, até sugeriu que ela era um homem e estaria registado como Manuel Domingues. Devaneios..)


Atendeu-nos um senhor, o Carlos, brasileiro efeminado, cheio de retoques verbais e colocações de voz particularmente afectadas. O meu irmão, saloio das Beiras e sem qualquer preocupação em fazer um bom trabalho, ri-se à cara podre enquanto manda chamar o "Zé Castelo".

Homossexual - E quem é que deseja falar?

O meu irmão (sotaque bracarense) - Sou o Xico Alpendre, conhecido por Totinegro amigo dele desde os tempos de Santo António dos Cavaleiros!

Homossexual - ah..sei..Só um momento

Passados 10 minutos volta:

Homossexual:oi..o Sr. José Castelo Branco pede para informar que o Sr. deve estar enganado porque nunca morou nesse lugar.

Meu irmão - não? deve estar confundido! Bom, eu sou irmão do Conde de Valbom, era para convidar o Zé para ir à festa dos seus 60 anos, ali no Palácio do Marquês da Fronteira. Paciência, o Fernando ficará com muita pena..

Homossexual: espere um segundo então, por favor,

Passados 3 minutos volta só se ouve:

- táaa?Quem falaaa? - voz aflitivamente apaneleirada do zé


Então o meu irmão, ganhando balanço e colocando-se o mais perto possível do microfone, faz uma pausa e manda o arroto mais monumental que se possa imaginar, com a duração mínima de, pelo menos 4 segundo, e a décibéis claramente proibidos pelos regulamentos administrativos.

- aiii!! - ouve-se num tom amedrontado

- que horror! - já ao longe - o telefone ainda com a ligação, mas o Zé a pôr-se certamente a milhas, eu a imaginá-lo aos saltinhos amaricados, espavorido pelo corredor.

O empregado abeira-se do telefone e lá o desliga, eu rebentada de riso, com falta de ar ao canto do quarto.

- poça, até fiquei mal disposto, - confidencia o meu irmão, acalmando o estômago violentado.

Tão depressa não beberá ele uma água das pedras sem se lembrar do Xico Alpendre.

sábado, janeiro 21, 2006

O silêncio vale ouro

Quando andava na primária tinha uma amiga minha que era a Andreia.

A Andreia ia todos os dias com uma roupa diferente para a escola e todos os santos dias a mãe dela ia ter ao recreio para lhe dar uma sandes e um sumo, e todos os dias lá estava a mãe dela as 6h da tarde para ir buscar no seu fancy carro.

O resto da turma emporcalhava-se o mais que podia, mas não muito porque a roupa tinha que durar pelo menos 2 dias. Quando chegávamos do recreio, suados e mais mortos que vivos, atacávamos a palete de leite que o Estado oferecia e aí sim, cagávamo-nos verdadeiramente com o leite com chocolate a escorrer-nos pelos queixos e a aninhar-se nos antebraços.

Estas diferenças eu até podia aceitar. Mas houve um dia em que a Andreia me disse que a mãe não a deixava ver televisão depois das 19h e que, por conseguinte, nunca tinha visto o Macgyver.

Aí, e após um leve espasmo, toda a minha comiseração por um ser da mesma espécie se me assomou e explodi:

- TU NUNCA VISTE O MACGYVER??

Nesse dia quando a mãe da Andreia a veio buscar, tive questão de ter uma conversinha com a senhora. Esta, uma cinquentona com 1.75, cabelo cinzento repuxado num frio carrapito, e de rosto cerrado, perguntou-me o que é que eu queria.

Expliquei-lhe atabalhoadamente: "O Macgyver é muito bom, ver a série até nos pode salvar a vida, está a fazer um grande mal à Andreia, imagine se um dia uma de nós é raptada. Eu ao menos sei cortar as cordas com uma gaiola vazia. A Andreia nunca saberá"!

Ela olhou para mim com um ar suspeito.

No dia seguinte perguntei-lhe: então, a tua mãe disse-te se domingo podes ver o Macgyver??

- Não, isso não disse. Mas proibiu-me de brincar contigo.

Eu e a minha grande boca.

Os nomes todos que eu quero chamar à Ordem mas não posso porque me habilito a sanções disciplinares

Ainda remoendo:

tive a mais alta remuneração dada a um estagiário por um julgamento:70 contos por 10 minutos,

se até um juíz se apercebeu que eu me esforcei,

porque é que a Ordem, pares inter pares, me acossa assim?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

A Relíquia

Hoje soube que chumbei no exame da Ordem.

Como consolo reparei nos outros 70% de chumbo. Como desconsolo tenho tudo o resto.

E eu preocupada com a oral..nem lá vou conseguir pôr os cotos!

sábado, janeiro 14, 2006

A crueldade parental

Hoje quando cheguei a casa da fac, tinha um puff lindo cor de rosa, no meio da sala. Todos já tinha saído, pelo que pude gozar aquele momento com a mais alta carga emocional possível, sem correr o risco de me acharem compeltamente demente. (o meu sonho foi sempre ter um puff cor de rosa.

Descalço as botas, arregaço a saia e v ou a correr da outra ponta do quarto e atiro-me de braços e pernas abertas para cima dele. Se pensam que algo de mau vai acontecer, desenganem-se. Era tão seguro e macio como eu sempre sonhei.

Puxei o lustro com o rabo, mostrei-lhe o meu diário, perfumei-o com a minha loção de corpo da Lâncome, apresentei-o á Bianca e até fiz ginástica - sentando-me e agarrando-me às pontas, fui a saltitar colada ao puff até ao corredor, e, embora tenha chegado lá mais morta que viva foi uma experiência que recordarei com desvelado carinho ( no caminho inverso é que já tive que vir a arrastá-lo, que a minha constituição óssea já não está para brincadeiras).

Adormeço aninhada no meu recente amor quando sou acordada por uma voz vociferadora, a minha mãe num estado de elementar de fúria, que gradualmente se vai transformando na mais pura demência: "O QUE TU ESTÁS A FAZER?!!".

e eu, arqueando o sobrolho, pois não estava mesmo a perceber, e em jeito de pergunta: "estou a dormir no meu puf?.."

e a minha mãe: " NÃO, NÃO ESTÁS! ESTÁS É A LEVAR UMA SOVA SE NÃO GIRARES DAÍ PARA FORA!

e eu a olhar para a minha mãe, sangue do meu sangue, nunca a ouvi dizer uma asneira na minha vida mas acho que naquele momento ela as estava capaz de dizer todas, por ordem alfabética e, inclusive, sob a forma de arroto.

Fugi dali para fora, mas ainda tive tempo de a ver colocar o meu puff num saco da Habitat e meter um laçarote, junto a um cartão festivo que julgo ser de aniversário. Alguma porca vai ficar bem contente hoje, e infelizmente não sou eu.

Qualquer dia faço um saboroso salmão no forno, com coentros picados, parmesão ralado e leite creme fresco e mariquices gastronómicas que a minha mãe adora e depois grito-lhe aos ouvidos: " OLHA LÁ NÃO SABES QUE ISTO É PARA OFERECER AO BANCO ALIMENTAR NÃO!!? FAZ MAS É FAVOR DE TIRAR AS MÃOZINHAS GULOSAS DO TACHO, SUA GRANDESSÍMA LAMBONA!

Depois dizem que têm filhos hiperactivos.

Sexta-feira 13

Ontem, dia 13:

- não ganhei o euromilhões (nem me lembrei de me apostar, dumb!)

- fiquei atolada num beco em Santos porque houve um carro que resolveu estacionar no meio da rua, e foi à sua vida, deixando-me num estado de nervos já que nem podia fazer marcha-atrás (já andar para a frente foi o degredo que foi!!), nem podia desabafar porque era a única pessoa sóbria,

depois quando nos lembrámos de levantar as escovas do carro, e colar folhas lambidas de jornais no parabrisas do veículo e deixámos um bilhete repleto de asneiras e ameaças ilícitas,

apareceu a polícia, que com cara de poucos amigos nos perguntou o que é nós pensávamos que estávamos a fazer, (e eu a a tentar esconder o bilhete ofensivo no meio do soutien)

aflitinha para fazer chichi, e possessa com aqueles polícias com ar de engatatões do Cacém de Cima, começo a gritar que era tudo uma pouca-vergonnha e, inclusive, eles eram uma vergonha, quando eram precisos para actuar e multar carros não faziam nada,

e um polícia a perguntar-me, de cacetete na mão, se eu tinha estado a beber,

eu de mão na anca, qual sopeira recé-licenciada:

- bebi sim, senhor agente, 3 sumóis de ananás e um ice tea de manga - algum inconveniente?

E um outro polícia "então mostre lá esse papel que ia deixar"

e eu (que remédio!) "tome lá, mas olhe que eu ainda devia ter escrito pior"

O polícia lê, dá a ler ao outro, riem-se , e colam o bilhete no meio do capot.

Ainda bem que os nossos agentes detêm algum nível, se bem que básico, de comicidade.

Lá conseguimos sair daquele inferno, para, 40 metros à frente, pararmos por falta de bateria.

Passei as 2 horas seguintes sentada no passeio, a olhar para os beirais dos telhados e a contar o número de plaquetas de cócó de pombos até, finalmente,

aparecerem 4 amigos alcoolizados que ajudaram a pôr o carro a pegar (não sem antes terem quase cilindrado 2 namorados góticos que caminhavam silenciosos no passeio, graças a Deus que estes tiveram discernimento para literalmente se pendurarem no estendal de um rés do chão).

cheguei a casa e o aquecedor do meu quarto estava no nível 2... Não aguentei e cedi às emoções latentes. Chorei, chorei e chorei.

E depois ri-me. Aquele bilhete colado no capot era mesmo uma conspurcação desde a primeira maíscula até ao último caracter desenhado! É nestas alturas que adoro o meu lado mais carroceiro.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Sara, se me vires na RTPI, muda para a RTL

Hoje em dia fazem-se conhecimentos a uma velocidade estonteante.

Cruzamos caminhos com pessoas distintas, de lugares longínquos e que podem ter tudo a ver connosco.

É msn, hi5, chats, fotologs..uma série inimaginável de potenciais relações humanas.

No meu tempo não era nada assim, é triste mas o meu 1.º contacto social extra-lisbonense foi aos 8 anos quando escrevi uma carta a uma miúda que queria ter correspondentes, no Agora Escolha, e apareceu a morada dela em rodapé.

Essa miúda, de seu nome Sara, revelou ser uma grande def, burra que fazia dó, escrevia cheia de erros e só falava de coisas completamente estúpidas como a reconstrução do coreto da aldeia dela e coisas que não lembravam a ninguém. (ah, e adorava o Michael Jackson, sintomático certo?)

tanto tempo perdido..porque eu não consegui pura e simplesmente coarctar os sonhos áquela mongolóide porque eu acabei por ser a única correspondente dela.

Felizmente casou-se aos 13 anos, foi viver para o Luxemburgo e eu deixei de a aturar.

Vi foi a Vera Roquette um dia destes no El Corte Inglés e bem que me apeteceu enfiar-lhe um estaladão na fuça. E ainda por cima a Ana dos Cabelos Ruivos perdia sempre para o compacto do Totobola!

Péssimas recordações.

O meu 1.º desmaio

Numas férias que passei em Londres, fui dada como desaparecida.

Na realidade, uma amiga minha, não me encontrando no ponto de encontro as horas - por motivos dos quais não me orgulho, nomeadamente, paixão avassaladora e fulminante por um londrino que me levou a ver o pôr do sol em Brighton a 150 km- ,

começou a hiperventilar porque os pacotes de leite eram realmente muito dramáticos e tinham milhentas fotos de pessoas desparecidas,
começando a imaginar-me esquartejada num qualquer beco de Oxford Street.

Na manhã seguinte dirigiu-se à esquadra mais próximo da nossa casa, em Nothing Hill, e, num pranto, deu-me, oficialmente, como "missing person".

nesse dia à noite, lá dei com a minha casa, e vi-a fungosa, a soluçar nas escadas, completamente borrada de rímel e com dois rolos de papel higiénico ao lado. Quando me viu levantou-se maravilhada.

ia-lhe a dar um abraço para a reconfortar quando recebo, inesperadamente, a chapadona da minha vida.

Acto reflexo, dou-lhe uma chapada também, gesto que se revelou idiota porque ainda não tinha recuperado o equilíbrio desda a noite anterior e quando dou por mim estou estatelada no chão, com uma grande lasca na perna e uma p.. de dor de cabeça.

Finalmente ela abraça-me e diz-me baixinho "estúpida! não me voltes a fazer isto!estou tão contente por te ver...pensava que tinhas desaparecido".

Eu também a abraço e digo-lhe "se avisaste os meus pais parto-te a boca"

ao que ela responde: "eu não, o consulado português é que lhes telefonou"

Foi nesta altura que perdi os sentidos.

A espiral da mentira

Ontem fui mais cedo para a faculdade e apanhei o autocarro das 16h15, uma hora antes que o habitual.

Entro no autocarro e eis quando senão me deparo com a figura imponente do condutor que me havia buzinado humilhantemente à frente da farmácia.

Ele sorriu docemente, compreensivo perante a minha condição clínica.
Eu também, e fui a mancar pela coxia fora, até me lembrar que, sendo manca, deveria era ter-me sentado logo nos primeiros bancos da frente (dooopp).
Entretanto estava lá a senhora do Instituto Óptico minha conhecia há anos (milhentos pares de óculos, e afinal estes eúltimos partidos pelos pés agigantados do meu irmão também sucumbiram, não há qualquer arranjo)e, cheia de pena, alto e bom som.

- ahhh!!, que é que lhe aconteceu filha?

e eu,sempre tão inventona, sem nada para dizer

- mas caíste? - insiste ela

e o condutor a olhar de esguelha pelo espelho


e eu a pensar: já não me posso divertir num acto isolado que logo uma cadeia de acontecimentos distintos entre si se interligam e me quebram este contentamento!

Lá esfarrapei uma desculpa, e tive que levar com comiserações efusivas da senhora até Alfragide.
Em Belém saio, e, com dificuldade, transponho os degraus até o passeio e aceno um vigoroso adeus ao condutor. Só quando o vejo fora do meu alcance é que desato a correr até à outra paragem, afinal ainda tinha que apanhar o 51 até ao fim da Rua da Junqueira!

Desta feita deixei muitos turistas curiosos, mesmo à frente dos Pastéis. Tenho que parar com as minhas charadas, qualquer dia quando visitar Amsterdão tenho que ir munida com um par de canadianas!

O ROUBO-Post longo mas com grande moral

Um dia, numa colónia, fui acusada de roubar. E posso-vos garantir, já subtraí muita coisa, mas neste caso estava o mais inocentada possível.Foi na colónia de férias de castelo do bode, em 1993, turno de Agosto.

Uma grande parva que dormia na minha tenda, descobriu na minha mochila um soutien seu n.º32 (quando eu, com 13 anos, usava o 36). Claro que a colega era uma grande porca desleixada e atirou com aquilo para cima das minhas coisas e eu ao arrumar a minha mala nem reparei.

Foi-se queixar ao monitor dela que, por acaso, não gostava nada de mim porque eu, dias antes, havia-lhe chamado a atenção para os seus modos impróprios para com uma colona da minha idade que, ao efectuar um jogo de campo, trepava numa escada com uma grande mini-saia.

Ele foi-se então queixar do suposto furto ao Chefe de Campo que, na noite anterior, havia recebido queixa de mim já que eu, E MUITO BEM, me havia recusado a participar num espectáculo degrandante ao qual eles chavam "festival da canção" e que incluia coreografia e saias de folhos. Ora eu estava apaixonada por um miúdo da colónia e tinha mais que fazer do que pantominas infantis à frente dele!

conclusão: acusaram-me formalmente de roubar o soutien n.º32 que, certamente me teria dado muito jeito com 11 anos, e disseram que iam telefonar aos meus pais. (que telefonem pensei eu, só a minha mãe já usa o 42! ela sabe o que a casa gasta)

Nessa noite, a última da colónia, fez-se uma grande gala e atribuiram-se diplomas, de acordo com votações anteriores dos colonos
Eu fui eleita " A mais sexy" (ah, glorioso ano de 93) e dirigi-me ao palco. perante uma multidão de 130 pessoas agradeci (sim, que grande nomeação não haja dúvida), e mencionei o facto de ter sido acusada de roubar um soutien. Fiz questão de frisar quem me acusava (era a Maria Jorge, também, que merda de nome e feia como os cornos) e disse qq coisa como isto:

- a maria jorge usa o 32...(em tom de quem não quer a coisa)
(toda a gente se riu)

- EU NÃO USO O 32!!(com grande ênfase, à laia de discurso presidencialista)
(todos os rapazes assobiaram, uivaram e afins)

- e agora quem acha que para o ano deveriamos todos ir para o turno de Julho e cagar no de Agosto ponha o dedo no ar!

não houve tempo para fazer contagens porque imediatamente alguém me tirou o microfone e agarrou-me por um braço e levou-me outra vez à sala do Chefe de Campo onde me disse literalmente que estava farto de mim.

Mais tarde soube que a Maria Jorge caiu numa ribanceira abaixo e raspou uma mão no asfalto, pelo que ficou sem o dedo anelar. Não me ri claro, mas esbocei um sentido sorriso.

Duvido também que alguém se quisesse casar com aquilo.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

porque é que tenho as tarefas infra-mencionadas, e mais algumas as quais, por pudor n digo e estou aqui a brincar no salsicha

TAREFAS IMPRETERÍVEIS:


tenho que ir fazer um trabalho para ajudar a minha mãe, na cadeira sugestiva de Filosofia Medieval, sobre o S. Boaventura, certamente o teólogo/ filósofo mais aborrecido de todos os tempos.

tenho que ir trocar a minha escova da Gigashoping, eu sei, sou uma verdadeira atrasada, era tudo mentira, aquilo é uma real bosta e estou muito envergonhada por ter sequer anotado o n.º de telefone que deram na televisão.

tenho que ir ver se estou inscrita no centro do emprego, porque, eu sei é espantoso, NÃO ME LEMBRO SE ESTOU OU NÃO! O pior é que o meu centro de emprego é o da Amadora, certamente o mais cheio e decrépito de todos os centros estremadurenses.

tenho que preparar-me mentalmente que vou fazer a oral do exame de agregação à Ordem este mês e, por direito próprio, ser cilindrada pelo meu júri. Porque é que não escolhi Jornalismo? Porquê?

(mas aprendi coisas giras,por exemplo: se eu tentar matar o hamster da minha vizinha, punem-me rigorosamente. Se tentar cortar a perna da minha vizinha, não acontece nada, ficamos todos amigos) (com algumas reservas, claro, duvido que ela me convide novamente para o seu anivesário).

tenho que ir ao centro de saúde porque, e isto é trágico, com o início dos meus 25 anos (sempre que escrevo a minha idade hiperventilo. esperem. já está.) perdi a regalia do sistema de saúde da EDP. Só agora me apercebi das verdadeiras consequências. Passo a ser uma reles mortal com a senha na mão, a entediar-me de morte até que alguém se lembre que eu existo.


E estou aqui sentada, de pijama, com uma taça de cereais (bhacc) quase a vomitar-me, de lentes de contacto pq o meu irmão pisou os óculos, já vi uma grande mancha de chichi da yupi, que, para variar, demarca o seu território em pleno corredor e que terei que limpar rapidamente antes que comece a oxidar as juntas da parede.



AHHHH GLORIOSO 2006!!

domingo, janeiro 08, 2006

Around the World - (saudosos) East 17

Penso que a chantagem exercida sobre o meu irmão não foi, se calhar, particularmente eficaz, e ele anda a gozar com a minha cara.

Ele colocou-me um site meter, o tal contador, mas cheira-me que os dados estão viciados. Senão, vejamos:

entraram à volta de 60 pessoas.
Acredito perfeitamente.
Vou a ver detalhes sobre elas e, analisando criteriosamente sua proveniência constato que tenho pessoas de Singapura, Rússia, Timor, Roménia, Estados Unidos, Japão e México.

Quanto à menina de Singapura,por exemplo, quis-lhe deixar um agradecido olá, mas não fazia a mais pequena ideia onde se colocariam os comments, (descubram tb vocês):

這次也去了旗津港的海邊玩,吃了一些海產,還不錯。
總之,這次比賽結果雖不盡理想,希望不影響下次的心情,仍然每次比賽都全力以赴。
張貼人 mickey @ 8:49 下午 1 留言

O que equivale a dizer "post by mickey @ 8:49" (tanta chinesice para isto??) mas afinal onde estão os comentários? 1 留 será?

Cheirou-me a esturro. Fiquei a pensar se o meu irmão não andaria a gozar comigo. Bem capaz é ele de inventar um blogue de uma singapurense só para ter o prazer de viperinar a minha vida.

de qq forma, se alguém conhecer e existir realmente esta miúda:



Transmitam-lhe os meus sinceros cumprimentos e perguntem-lhe pela família.

sábado, janeiro 07, 2006

A minha tia I




Apresento-vos a minha tia octogenária.

Para além de grande contadora de histórias também adora maltratar o meu cão. Ele já sabe que, todos os Natais, e por amor ao Menino que nasceu em Belém, vai ter que levar grandes chapadas entre as orelhas, até ficar com os ouvidos a zumbir. Isto sim, é a verdadeira vida de cão, na acepção mais plena da expressão.

ps - reparem no olhar maléfico dela e no desespero incontido do animal.

deviam-me ter chumbado na carta - esqueçam, eu chumbei

Pela 2ª vez, a farmácia foi a minha salvação. E ao mesmo tempo, causa de embaraço, da qual saí, para variar, airosamente.

Fui comprar esta semana uma batôn para o cieiro. Neutrogena (€5), altamente amaricado mas que o meu Gonçalo usa. E lá há coisa pior do que o esponsal-macho ter melhores cuidados estéticos que a fêmea. Custou-me mt dar os 5 euros, mas mais que um batôn, comprei um pouco de dignidade (BASTA AOS BATÔNS DO LIDL).

Quando já estava a pagar, e o farmacêutico prestes a colocar a embalagem no saquinho, oiço uma panafernália de insultos, buzinas acirradas e nem precisei de olhar. Pois, era eu, claro.

Tinha estacionado o carro à frente da farmácia, e o autocarro 144 que ia para belém e que, curiosamente, é o que me leva para a fac todos os dias, estava impedido de passar devido ao meu miserável estacionamento.
Ainda não tinha transposto a soleira da porta já ia a antecipar um gozo vitorioso.

Saí a coxear dolorosamente e a arrastar a perna direita perante o olhar desconfiado do farmacêutico.
Coxeei, arrastei-me, manquei até à porta do carro, e, simulando um olhar de verdadeiro sofrimento, olhei para o condutor e pedi-lhe desculpa com uma mão, enquanto a outra segurava o saquinho da farmácia como quem diz " olha, vê,só vim aqui buscar a minha medicamentação semanal. É triste estar-se doente, e tu aí, vigoroso que nem um touro a carregar nos pedais. E vós, pessoas apinhadas que vão agarradas aos elásticos cujo nome não me recordo, calai-vos porque eu sofro mais que vocês todos juntos".

E, realmente, todos muito caladinhos assistiram à minha via-sacra igualmente silenciosa, apenas pautada por um sugestivo mancamento e olhar suplicante. Fiquei tão impressionada que quase me auto-convenci que pertencia a essa estatítica de pessoas com handicaps, que encontram mil obstáculos no dia a dia.

O meu é realmente não conseguir, pura e simplesmente, assumir os erros.
Mas divirto-me muito. (pois, têm razão, também é triste deleitar-me com divertimentos destes, mas eu não vi o Boat Trip, ao contrário de 95% daqueles que me lêem!)

Solicita-se empatia humana

E posso saber porque é que desde ontem 28 pessoas leram este blogue e pura e simplesmente não se pronunciaram? Posso aventar algumas hipóteses,

mas tenho demasiada preguiça para as concretizar.


Façam o favor de se manifestarem, porque se há pessoas que escrevem para exorcizar os seus fantasmas, graças a Deus ainda não cheguei a esse ponto! (não sei se o falar sozinha conta, de qualquer maneira não me desviem do assunto);

Shame on you caro leitor, que aqui vem saber que há pessoas mais desastradas que você, sabe-lo, confirma-o, e continua a vir aqui apenas saborear a desgraça alheia.

Por falar nisso, post supra.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Contador de visitantes

Para quem está a ler o meu salsicha pela 1ª vez (acontece diariamente, pressinto-o) não se assuste.

O facto de, pelo menos até à data de hoje, só estarem contabilizados 5 visistantes (cinco!!), não traduz a nobreza de sentimentos e profundidade aquiliana deste meu blogue. Traduz, evidentemente, a lerdice da progenitora que nunca soube instalar um contador de visitantes e que deixou arrastar esta situação por mais de 2 anos (minto, 6 meses e pouco).
Continuo sem saber instalar.
Mas felizmente tenho um irmão que, finalmente fez jus à sua condição de parente directo e, sob coacção psicológica, acedeu ao meu pedido.

Depois assomaram-se-me sentimentos ambivalentes:

por um lado respeito por tão simpático feito - (ainda me lembro quando ele nem sabia mexer no paintbrush..tempos saudosos)

por outro, viva repulsa e náuseas profundas porque ele foi ao meu quarto dizer-me que já tinha tudo feito e, concomitantemente, pisou os meus óculos com o seu corpo paquidérmico e partiu as 2 lentes.

Perdi 2 lentes, ganhei a certeza de 5 visistantes. Nem que seja para gozar. Não há má publicidade certo?

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Informações práticas

Quero avisar-vos, queridos leitores, que este blogue vai parecer finalmente um blogue a sério quando o apalhaçar com coisas giras, tipo editar links, meter a minha identificação com signos etc.

Isso acontecerá ainda hoje, caso consiga chantagear a tempo o meu irmão (é ele obviamente que fará as alterações, eu sou de Letras).
Caso não resulte, terei mesmo que esperar pelo fim de semana, altura em que detenho a posse do Opel e, por conseguinte, a vida amorosa do meu irmao nas mãos. (não quero com isto dizer que ele pratica sexo dentro do automóvel, mas sim que este o conduz ao sítio apropriado). E mesmo que seja dentro do automóvel, não vislumbro qualquer impedimento. Para além dos óbvios denominados "manete (?) das mudanças" e, Polícia Municipal.

Até lá!

MAI NADA!

o meu 1º de Janeiro de 2006

Como não iniciar um ano.

Ah o Ano Novo o Ano Novo...

Matei as resoluções todas ao 3.º dia

Dieta?
Como fui no 1.º dia do ano à tarde para uma albergaria, caríssima e em que ofertavam o pequeno almoço, vi-me obrigada a deglutir TUDO, mas rigorasamente Tudo, o que era meu por direito: croissants, pão com queijo, bolos, sumos, cereais (e nem gosto!). Depois de uma ligeira indisposição, em que perdi os sentidos por alguns segundos, apercebi-me que já não sou capaz de continuar (nem comecei) uma dieta este ano. Perdi a motivação. E agora, só mesmo em 2007.

Ginásio?
Como já não vou fazer a dieta, não vale a pena ir para o ginásio. Ainda por cima é um instrutor-homem, é difícil correr na passadeira e ao mesmo tempo parecer sexy. Isto sem falar na trepidação humilhante do piso.

Passear os cães todos os dias?
Como já não vou fazer dieta, não vale a pena ir cansar-me para a rua, com dois cães perfeitamente deprimentes (uma é coxa, outra é rato). E perfeitamente desobedientes.
Razão tinha o Gonçalo, quando quis comprar o canguru (Rambo, vai buscar-me as pantufas!! Aquecidas!)

Nunca mais é Dezembro.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ficámos todos com a fama. E o proveito? Nunca mostrei nada a ninguém! (minto.)

O tema da minha Consoada abalou as mentes mais conservadoras desta nossa Estremadura. Mas, pasmem-se!, houve temas bastante piores mas cujo meu (imenso, notório, vibrante) pudor me impede de delatar.

Conto apenas uma história, triste, advirto, de como toda uma geração pode sucumbir à desgraça por facto alheio.

Mais uma vez a minha tia-avó oitocentista, animada por uma ginginha, começou a bater as palmas desalmadamente e, chorando a rir recordou aquele episódio em que o padrinho dela mostrou o "pirilau" (picha Tia Quitas, picha!!!) a duas vizinhas, e em como foi escorraçado com varapaus pelas duas até cair numas balsas, pelo que ficou posteriormente conhecido com o cognome de "o balseiro".

Finalmente percebi porque é que a família da minha avó é conhecida lá em Tomar pela "família dos Balseiros".

Poderia ter descendido de um Álvares Cabral, ou um D. Fuas Roupinho. De um ex-regedor ou presidente da Junta. Mas não.

Tinha que descender de um tarado sexual ainda por cima boiola, que em vez de dar um enxerto de porrada em 2 fracas miúdas depois de lhes mostrar o artefacto, foge e ainda cai nuns picos, tendo sido assistido posteriormente pelo boticário lá da terra e obrigado a ficar prostrado na cama durante uma semana, até que as feridas abertas no rabo sarassem.

Estou consumida pela vergonha.

domingo, dezembro 25, 2005

a cura para a moléstia do século 21

Querem saber qual o tema de conversa na minha Consoada?

Uma tia-avó, quase centenária mais ainda muito lúcida, relembrou os velhos tempos. De grande pobreza mas, ao mesmo tempo, de grande entreajuda entre os habitantes das aldeias.

E o pormenor, curioso, das crianças usarem as chamadas "calças de cu aberto", ou seja calças sem fundilhos, para os petizes se aliviarem e limparem o rabo mais rapidamente às folhas de laranjeira.

Todos nos rimos um pouco, pensando nesses tempos difíceis mas, ao mesmo tempo, inocentes, pois apesar da promiscuidade (40, 50 cus por aldeia), não se ouvia falar nessa coisa da "pedofilia".

Após alguém mencionar este aspecto, instalou-se um silêncio sofrido na sala. Olhámos todos para o fundo do prato da sopa, desconfortáveis com o assunto. Claro que as crianças com menos de 22 anos riram baixinho, pois tudo o que lhes cheire a Bibi tem imensa graça.

Até que a minha tia-avó, no cimo dos seus 80 (iletrados) anos disse: "Pois, o fruto proibido.., na altura estava tudo mais que farto de ver os cus aos miúdos!"


Pronto. é no meio destas conversas inocentes que surgem grandes ideias.

Já estou a imaginar a nova colecção Primavera-Verão da Trafaluc Criança

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Barceló de Carvalho. Conhecido Internacionalmente por Bonga.

Bonga, esse maravilhoso cantor que, quando uma vez veio actuar aqui nos Bombeiros Voluntários, me ignorou completamente quando eu, armada em esperta e em grande fã ( apesar de só conhecer a Mariquinhas vem comigo para Angola), venho a correr a uma velocidade super-sónica para conseguir um autógrafo mas escorrego não sei em quê e me espeto mesmo com a boca em cima dos sapatos dele.

Pois sacudiu-me e nem sequer se dignou a olhar para baixo. E lá fiquei eu a chorar, com as collants que entretanto se romperam no asfalto e a saia no pescoço, e as cuecas da Betty Boop a acenarem sedutoramente a quem as quisesse ver.


Artista da m.. Era ir ao quarto da Mariquinhas e metê-la no trans-siberiano, ele que fosse buscá-la a Beijing e a convencesse outra vez para voltar. E demorasse muitos anos.

domingo, dezembro 18, 2005

Não mãe, estão é mesmo ganzados

Hoje vou escrever um post curto.

O meu irmão fez anos.
Convidou uns génios do Técnico mas que, infelizmente, são uns grandes drogados.

Infelizmente também, ficaram na mesa dos meus pais e da minha madrinha (as probabilidades não eram muitas, haviam mais de 40 pessoas, mas ninguém se quis sentar ao pé deles)

Não resisti: "Mãe, não notaste nada de estranho?"

a minha mãe, ser mais bondoso desta Terra "Susana, coitados, são simplesmente feios".

ó santa inocência, que proporcionas momentos hilariantes!

Antes D que S

Há professores que nunca o deveriam ser.

Conhecimentos..muitos, sensibilidade - ausente.

Hoje recordei-me de um episódio que não me traumatizou mas poderia tê-lo feito.

Foi no inverno de 1991.
Eu, para variar, tinha o nariz cheio de ranho, e como ainda não tinha entrado na adolescência, não tinha qualquer despudor em me assoar ruidosamente para aqueles lenços de pano. O meu, ainda me lembro, tinha um D bordado, monograma do nome do meu pai, isto porque os meus estavam todos para lavar.

O lenço, e isto sem querer entrar em muitos pormenores, tinha uma palete interessante de verdes, verde escuro, verde cromático, verde pálido, verde primário, verde deprimente, verde assustador, verde "Meu Deus como é que isto é possível? Vai já para a unidade de infecto-contagiosos!", nalguns pontos um castanho mais perturbador, alguns toques de amarelo, enfim, era um lenço bem aproveitado, e asseguro-vos que não tinha mais que algumas horas.

Para mal dos meus pecados, e porque levei um pontapé no rabo do Bocas, que era um guineense repetente, porque eu não o deixei apalpar-me, o meu lenço, assim como mais de metade dos meus pertences voaram para a outra ponta da sala e gerou-se uma grande confusão.

O professor manda toda a gente calar. Apanha o lenço com o ar mais enojado do mundo e pergunta, com os vómitos prestes a assomarem, qual anúncio da Control:

- "De quem é isto?"

Toda a gente calada.

Ele repetiu a pergunta.

E toda a gente continuou calada.

De repente ele vislumbra uma letra no meio daquela mucosidade visceral.


"DANIEL!! - Chama ele com voz de trovão. - Venha cá buscar isto que lhe pertence!"

e o desgraçado do Daniel a negar aterrorizado a propriedade daquele lenço.

" Não há cá mais ninguém com o nome começado por D - venha já cá buscar isto, antes que perca a paciência!"

E lá foi o Daniel, acossado por uma turma inteira às gargalhadas, vaiado por 30 crianças, nos 2 minutos mais humilhantes da sua vida, abrilhantados por toda a espécie de efeitos sonoros.

E eu, no meio, a rir-me sorrateiramente, com uma mão na boca a conter a gargalhada de alívio

e com a outra a esfregar ao rabo, no preciso sítio onde o animal do Bocas me tinha aplicado um chuto.

E claro, eternamente grata por naquele dia a minha avó ter tido a ideia de génio: Sabino? Não....Domingos. Vai-se chamar Domingos.

A Grande Lição

Eu e o Gonçalo andámos esta semana no último modelo da Chrysler, o Crossfire. Desportivo, e, para mim e na minha visão leiga muito parecido com o Kitt.

Andámos às voltas no Saldanha, ansiando para que nos calhassem todos os semáforos, isto de maneira a que o resto da ralé tivesse oportunidade de atentar religiosamente naquele carrinho.

As pessoas, compreensivelmente, babavam-se dramaticamente, incluindo um carro da polícia que ficou parado no meio de um cruzamento com prioridade e nos deixou passar para ver as elegantes linhas traseiras.

Gozámos com as pessoas nas paragens dos autocarros e ainda tentámos acertar em 2 ou 3 velhotes que ousaram colocar-se à frente do bólide para apanhar o 36 para os Olivais.

Depois, regressámos à garagem da Chrysler na Expo, onde o alugámos, e voltámos para casa de metro, indo pela linha vermelha, verde e azul, até chegarmos a São Sebastião. Eu segui depois para Sete Rios, onde o comboio proveniente de Alverca me levou até à estação Queluz/Belas.

O que eu aprendi nesse dia foi que num momento se pode estar na mó de cima, dentro de um Crossfire de 20 mil contos, e no outro a tiritar de frio na paragem da 179 para a Idanha. As pessoas medem-se pelos seus actos, e nunca, mas nunca, se deve julgar alguém pelo seu exterior.

Mentira.

O que eu aprendi é que fico podres de boa dentro daquele carro !!!

Nuno..meu irmão Nuno

Hoje o meu pai gritou comigo.

perguntou "quem é que cortou assim o queijo?"

notei, muito claramente, que havia um tom de censura velada na sua voz (semelhante à da conta de telefone Tele2, embora um pouco mais subtil). A auréola por cima dele latejava a verde fluorescente "perigo!perigo!"

Pelo que fiz o que sei fazer melhor, descartei as culpas para cima do meu irmão.

"Foi o Nuno" - delatei eu, com um profundo desprezo na voz, como quem diz "raios partam o miúdo, fez 21 anos este fim de semana a e ainda parece que anda na pré-primária a preparar os lanchinhos".

"ai dele quando chegar a casa!" - setenciou o meu pai - "vai ter que aprender! quando viver na casa dele pode fazer toda a m.. que quiser, aqui, NÃO!"


e eu assenti com a cabeça, praticamente lacrimejando à laia de " já não se fazem pais destes, bondosos e pacientes, com tanto apreço pela domesticidade do lar!"

Quando o vi fora do meu campo de visão, corri pela vida até ao meu quarto, telefonei para o 96 do meu irmão e mal ele atendeu implorei que se acusasse. Estranhamente, ele disse "está bem". Seria da idade? Um surto repentino de altruísmo??

Quando ele chegou a casa, já tarde, ainda ouvi o meu pai com voz de trovão: (e eu escondidinha debaixo dos cobertores)

- Com que então o queijo corta-se assim ?!!

Responta pronta e certeira:

"Não fui eu, foi o Dédé." E foi-se embora muito lampeiro, com aquele cu agigantado a desequilibrar os alicerces.

(Explicação científica: O Dédé é o melhor amigo do meu irmão, que ficou ontem a dormir cá em casa por causa do aniversário.)

Nunca senti tamanho reconhecimento para com o meu irmão. Denunciar um amigo, que nunca terá oportunidade de se defender e que, ao invés, cairá nas más graças dos meus pais para todo o sempre, que o repudiarão qual mãe solteira de grande promiscuidade,


para salvar o rabinho da minha irmã que, após 25 anos de vida, chacina o queijo e depois ainda o esconde dentro do frigorífico no compartimento das cenouras e alho francês para ninguém o descobrir..

é de homem.

Parabéns Nuno. Pela tua grande confusão interior e nítido desfazamento de prioridades.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

A minha triste sina

Transcrição de um livro odontológico:

"Rossendi (1993), diz que as parestesias são sensações estranhas, onde não há a total perda de sensibilidade.
Sendo reconhecidas por qualquer pessoa que já recebeu uma injeção de anestésico local em tratamentos odontológicos. Quando persistentes, indicam anormalidade das vias sensoriais. Segundo Madi (2000), as causas da parestesia podem ser as seguintes: (1) uma agressão traumática; (2) agressão que parte dos tecidos circundantes (inflamação, tumor que comprime o nervo, ou que, como a inflamação lhe ultrapassa os envoltórios e o invade); (3) lesões vasculares (neuropatias vasculares); (4) inflamação do nervo."

Pois Foi. Mais do que agressão traumática, foi o degredo total.
O Rossendi não é nenhum entendido, que meta as sensações estranhas nos entrefolhos! Isto é doloroso, triste, gótico, arrasador, sofrível, causador de pânico.
Nunca mais o Natal será o mesmo que os outros.

Agora que já vos fiz ficar com a voz embargada com a comoção, relembro que que os DVD´S "Sex and the City" estão em promoção, (packs de 1 série) no El Corte Inglés, a um preço simbólico de 49€,
caso estejam indecisos, sublinho que um livro do José Lins do Rego (Oficina do Livro) vai sempre bem em qualquer altura do ano, e estão a preços muito acessíveis. (também não desgosto de Frances Burnett).

Obrigada pelo carinho desvelado com que me mimoseiam. Não mandem por via postal porque nunca estou em casa e tenho sempre que me arrastar até aos correios para levantar as encomendas.

E num horário muito pouco acessível (9h às 18h, onde já se viu?)

Mais uma vez, obrigada.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Pai há só um

À laia de comentário do post anterior, como querem que seja um adulto normal, se ouvi no outro dia,em plena hora sagrada de almoço o seguinte comentário entre o meu pai e uns amigos:

(amigos) - pois, isto os filhos só dão é despesa!

e o meu pai, em vez de intrepidamente lançar um olhar assassino a tais alarves e expulsá-los do seu lar cristão, onde coabita com a sua mulher mãe dos seus 2 filhos - sementes lindas do seu jardim,

corrobora dizendo,

- Pois, ao fim e ao cabo são capital sem retorno, ou melhor, investimentos de fundos perdidos.


Fundos Perdidos!!
Quando eu tiver dinheiro, agarro naquele homem , meto-o num cruzeiro para a Tasmânia, obrigo-o a fazer um safari na Tanzânia, a ir à Lua em expedição num vaivém russo, dormir no Four Seasons de Nova Iorque, ir fazer os fatos por medida à Versage, ir a Roma e comprar 3 Lamborgini diablo exotic coupe2 Dr 6.0 VT AWD um preto, um prateado, e um azul escuro, compro-lhe a Harley Inc. , pago ao Polansky para lhe lamber as botas e à Jessica Alba para rebolar o traseiro mesmo em frente ao nariz dele.

Depois exigirei o devido pedido de desculpas.

Sou, e com muito orgulho

Estive a ler um livro de Psicologia (em véspera de exame de agregação para a Ordem dá-me para isto...) (penso que é o meu subconsciente a fazer uma denegação nua e crua do Direito)

e finalmente consigo auto-qualificar-me em termos clínicos:

caríssimos,

Eu, Susana Nunes Alexandre, sou um Adulto Não Amadurecido.

Não sei se ria ou se me preocupe.

Como sou criança provavelmente rir-me-ei até até discernimento suficiente para me aperceber de quão mau isto é.

Fica a promessa solene de que, quando passar o estágio débil-infatilóide o comunico, por escrito, aqui no blog.
Até lá, continuo a escrever palermices que envolvem sempre, inolvidavelmente, as palavras "cócó", "maricas", "def" e alguns neologismos.

Tenham paciência.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Robot-Roto

Nunca esperei viver o suficiente contar esta situação que vi, profundamente horrorizada, com estes meus olhos..e que hoje partilho:

Estava a ver televisão, quando me é apresentado visualmente (num programa qualquer), o novo robot da Toyota, enfim, uma das já costumadas pancadas nipónicas.

Chama-se HRP-2, mede 1,54 pesa 58 quilos e tem 30 graus de liberdade, além de dois eixos na cintura.

E agora perguntam vocês: Para que servirá este novo robot humanóide?

- para intervir em meticulosas cirurgias cardiovasculares?
- para testar novos sistemas de protecção de airbags?
- para ..hum..nem sei bem para que é que servem os robots, para além de assustarem de morte alguém que os veja num beco escuro à noite,

mas enfim, não é DE CERTEZA, para aquilo que eu vi, nesse dia:

...o robot humanóide estava com duas GUEIXAS a(que também são, per si, coisas profundamente assustadoras), a DANÇAR PRIMOROSAMENTE , executando com esmero e doçura essa arte (?) ancestral, com um ar enlevado e balançado docemente os seus dois braços articulados de ferro fundido, e sedutoramente lançando as suas pernas de um lado para o outro, seduzindo os espectadores que batiam palmas entusiasticamente.

(graças a Deus ninguém se lembrou de o encharcar em pó de arroz nem de lhe pintar as beiças de vermelho-escarlate.)

Triste.

O Progresso o Progresso.. tantas vidas ceifadas para no fim nascer.. um robot assumidamente homossexual, vulgo "atraca de popa" ou, mais boçalmente, "caga para dentro".

Nessa noite nem consegui dormir .

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Milagre

Já não se podem cometer pequenos erros que logo estes nos perseguem para toda a vida...

O ano passado estava eu na casa da minha madrinha, com as minhas primas quando, sem querer, ( porque só sou cleptomaníaca com livros), agarrei no comando da televisão da sala e o pus na minha mala, pensando inocentemente que era a bateria do portátil.

Durante essa semana falei no msn com a minha prima:

elsa - ai, nem sabes, a desgraça que se abateu sob o meu lar!
susana - ai sim, então desabafa, que coisa horrível sucedeu?
elsa- o meu comando da sala desapareceu!!
susana - Por quem sois! isso é horrível, e agora?
elsa - e agora andamos todos chorososo cá em casa, o meu pai coitado, já perdeu a vontade de ver televisão e quando vem cansado do trabalho janta e deita-se logo na cama!
(o meu tio tem uma colecção de hérnias e tenta não levantar-se muitas vezes)

elsa- foi uma desgraça, e parece mentira, quem é que iria levar um comando aqui de casa!
susana - pois, olha era apanhar quem fez isso e espancá-lo até aprender a lição!

No fim de semana seguinte, abro a mala do portátil e vejo, qual rosas de Santa Isabel, o famigerado comando.

Imediatamente entrei em pânico. Não sabia se me haveria de livrar dele, mais concretamente atirá-lo para o Jamor, se discretamente voltar a colocá-lo na casa da minha madrinha, assim como quem não quer a coisa. Ou, 3ª opção, mas logo me ri pondo-a fora de questão: acusar-me e devolvê-lo.

Pois no domingo seguinte, com o ar mais comprometido do mundo, a assobiar baixinho e com os olhos postos num candelabro do tecto, aproximei-me sorrateiramente da televisão e, numa fracção de segundo, saco do comando do meu anorak (que até já tinha levantado ligeiras suspeitas pois estávamos em Junho ) não, é mentira, não levava anorak nenhum, mas enfim, saco do comando das cuecas, lamento mas é a mais pura das verdades e coloco-o em cima da televisão.

Passados uns minutos oiço a minha madrinha aos gritos "Ai meu querido Santo António, que tanto rezei o teu responso, me fizeste aparecer o comando"! e lançou-se aos pés de uma imagem que tem ao canto da sala, soluçando convulsivamente enquanto o resto da família se aproximava boquiaberta e com um fervoroso respeito perante tão grandioso milgare.

Eu saí de fininho, a andar literalmente de lado em pêzinhos de lã, até embater no meu pai, que, com um ar repreensivo me censurava silenciosamente por ter proporcionado tão triste espectáculo. Estava à espera de uma reprimenta valente, mas ele nem teve tempo porque teve que ir ajudar a minha avó a levantar-se pois esta já se havia lançado para o chão tentando beijar os pés do santinho.

Só a minha prima é que sabe a verdade. Cada vez que desaparece alguma coisa lá d casa manda-me uma mensagem a perguntar se eu tenho peças a mais no portátil. Desculpem sim? Ao menos dei sentidas alegrias aos crentes...e mais uma nota de rodapé no meu currículo religioso.

Sock sweet sock

Hoje é feriado.

Ontem, antes de me deitar, pensei e antecipei uma manhã gostosa, prostrada languidamente na cama a ver desenhos animados e a comer empadas..com a Yupi a acalorar-me os pés e o aquecimento no quarto a proporcionar um micro-clima digno dos deuses.

O certo é que, não eram ainda 9h, a minha mãe abre a porta de rajada, atira-me violentamente com 2 pares de péugos que, só não me acertaram num olho porque não calhou, ( e que me poderiam ter cegado uma vista para todo o sempre) e rosna:

- Paula Cristina! (é uma longa história, que conto no post supra) Comprei-te estas meias anti-derrapantes!
- o quê? - pergunto eu ainda meio abananada, arrancada cruelmente ao País dos Sonhos
- Andas sempre descalça, a lavar o chão, está pouco sujo não é?..Faz favor de aqui em diante, se te queres armar em selvagem, não uses os chinelos tão bons que tens,( a avó ainda te deu aquelas pantufas tão giras com o dromedário ), usas estes peúgos antiderrapantes que não se sujam tanto.Um dia, quando te casares, vai ser uma vergonha, onde já se viu, com chinelas tão boas..andas com as meias todas pretas parecem carvão!

Deixei de ouvir. Soçobrei ao sono e voltei a adormecer. Antes, porém, ainda tive discernimento para pensar que em nenhum outro lar deste Portugal uma mãe arranca o seu próprio filho, sangue do seu sangue, para lhe comunicar que tem 1 par de meias carapau-de-corridas .

Fiquei a pensar se havia de ficar feliz pela prenda ou triste pela manhã perdida. Optei pelo feliz.É que reparem na linha verdadeiramente anti-derrapante ainda não as experimentei) e nos olhos tortos do cão..não há quem resista...

quarta-feira, novembro 30, 2005

Os avôzinhos

Ontem vi um casal de velhotes amorosos no metro.

Se há coisa que eu mais adoro neste mundo, para além de bébés e cães é de velhos. Sou capaz de ficar uma eternidade a olhar embevecida para esses seres misteriosos que, acho, mereciam todas as honras terrenas, mais que não seja porque, na sua maioria, exercem a actividade mais linda do mundo que é a de serem avós.

Bem, ontem, vinha emaranhada nestes pensamentos delico-doces, cheia de ternura por esse casal que, mal se aguentando em pé, se apoiavam mutuamente um no outro, mas de mãozita dada e com uma atenção desvelada um para com o outro.

Eis quando senão chegam ao acesso para sair, e se largam imediatamente, indo cada um para o seu canal de saída, a passo militar e ar decidido. O velho saca do passe e abre a porta dele.

Entretanto a velhota olha para ele muito sabida e fica à espera. "De quê?" - pensei eu, resposta que logo obteria. À espera que ele passasse o seu passe pela canal dela.
Como estas passagens funcionam por sensores de movimento, o velhote teve tempo de abrir o dele, o dela, e de sairem cada um pela sua portinhola,que imediatamente se voltou a fechar atrás deles.

E lá foram eles, com um ar muito lampeiro, (cheirando-me que não era a primeira vez que incorriam em tal infracção), voltando a assumir segundos depois o ar de avós da santa terra, ansiando com as lágrimas nos olhos pela visita dos netinhos na Consoada, enquanto afagam o "Farrusco", sua única companhia nas serranias transmontanas.

Eu, pasmada, fiquei a pensar que, realmente, nunca me tinha lembrado daquilo, pois sempre que não tenho título válido para sair, colo-me literalmente a algum ser humano mais compreensivo e apanho com as portas laterais uma em cada nalga, ao mesmo tempo que a minha espinha dorsal é violentamente lançada para a frente, a cabeça para trás, o pescoço para o lado, esforçando-me sempre para manter um ar saudável, (esboçando até, por vezes, um leve sorriso como quem diz "até gosto, escusam de se estar a rir")

enfim, um espectáculo triste de se assistir.

Nesse dia aprendi que a idade é mesmo um posto (para além claro, dos elevados ensinamentos técnicos)! Provavelmente são incontinentes. Mas o dinheiro que poupam nos títulos gastam nas fraldas. Parece-me uma troca justa.

domingo, novembro 27, 2005

Eu sou assim..

Já me aconteceram várias coisas na vida.

Não me refiro a estas deprimentes que aqui conto. É natural que as mais agressivas as reserve para mim.

Mas hoje, acordei triste, o dia correu mal, a noite também se afigura péssima. E por isso, vou divagar um pouco, ao contrário do que é costume. Antes que bazem a velocidades recordistas, deixem-me só advertir-vos que, melancólica como estou, vou contar uma coisa que penso que nunca contei a ninguém.

Gente, vós não tendes mais que fazer do que esperar sofregamente pelos meus segredos mais recônditos?! Get a life..!

sábado, novembro 26, 2005

O 100.º POST!

É com lágrimas nos olhos e profundamente emocionada que vos anuncio que este é o meu 100.º post.

Reli um, logo no incício, que versava sobre as cores pastéis do canil de Mafra, escrito à pressão para perfazer o número lindo de 5 (!) posts. Mal sabia eu que, volvidos 5 meses, e muitos episódios decorridos, a saber:

- colónia anual do Projecto Crescer
-infecção urinária de Julho, Agosto, e Setembro (eu sou asseada, tenho é problemas nefrológicos)
- ida a Colónia
- festejo dos meus 25 anos (quarto de século)
- festejo de um ano e meio de namoro a 29 de Setembro (eu sei, assombroso não é?)
- ocorrência de erros médicos, por negligência grosseira
- paralização do lado esquerdo da face
- término do estágio
- ideia peregrina de tentar ser magistrada (eu sei, se eu, louca varrida, passo a ser um órgão de soberania, deixa de haver fé na Humanidade)
- choque causado pela notícia de saber que tenho que ir obrigatoriamente à oral, independentemente da nota que tiver no exame escrito que será no próximo dia 10, pois em vez de apresentar 1700 créditos, apresentei, por lapso, 1645. (esperem, deixem-me hiperventilar uns minutos)


voltei,

- confissão do episódio do frango na cara
- confissão do episódio do "Children´s Drugs"
- confissão do episódio da minha suposta gravidez num top da Zara

enfim... Obrigada por terem partilhado comigo estes momentos. Eu posso não ter o baralho todo, mas, vós sabem, em consciência, que também não têm.

Um grande bem haja. Este blogue termina aqui.



Brincadeirinha. Vou só ali comer uns Manhãzitos (que mais parecem Manhozozitos porque são nojentos - mas a minha mãe ainda não foi ao pão hoje) e, naturalmente, voltarei.

Hasta

quinta-feira, novembro 24, 2005

Susana na A1

Já não me basta ser parastésica, como sou para-burra.

Hoje ia no meu carro, descansadinha a 70 à hora na A1, quando vejo uma ambulância atrás de mim, ainda um pouco longe, com as suas letrinhas vermelhas

Eu, que ia embalada docemente ao som de Faith No More, entro no meu estado característico de pânico, e já que estava na faixa do lado esquerdo tentei meter-me o mais à direita possível.

Por pouco não me enfaixei num campo hortícula, mas, tendo rogado à Virgem auxílio, fui poupada de tal vergonha, e limitei-me a ouvir 2 dezenas de buzinas simultâneas, profundamente indignadas, pais de família horrorizados, com as cabeças de fora e os punhos cerrados a chamarem-me nomes menos próprios e ameaçarem-me de pancada.

Depois deste suplício, fiquei mais aliviada porque se calhar a minha manobra suicida até serviu para salvar o pobre enfermo da ambulância, que entretanto passava à minha esquerda.


Quando ela me ultrapassou só me lembro de pensar: "parastésica estúpida"..

Era uma Toyota Hiace branca, com letras garrafais vermelhas a dizer "Triumph Internacional".

Matar-me por causa de uma carrinha cheia de cuecas e soutiens?
A minha família num sofrimento indizimável..e algures uma dona de casa hiper-excitada com as suas fio dental nº 44.

Tenho que largar as drogas.

OFICIALMENTE NÃO SE DESCE MAIS BAIXO QUE ISTO

Epístola do ser humano mais azarado do mundo aos seus confreires:

Caríssimos,

Hoje fui ao dentista remover os últimos pontos da minha cirugia a dois dentes inclusos.
Perguntar-me-ão vocês: "E foram eles removidos?"

Ao que responderei "sim, efectivamente foram".

Mas não se entusiasmem, não badalem os sinos, não zurrem os burros, não pipiem os mochos, não grasnem os patos. Não.

TOMEM ATENÇÃO:

Durante a micro-cirurgia de há 15 dias, o tão prendado destista rompeu-me vários nervos . O resultado foi a perda de sensibilidade no lado esquerdo da face, incluindo lábios e gengivas. Não achei muito normal, mas hoje perguntei-lhe o que se passava.

Reaparem, neste momento eu não sinto metade da cara mas tenho o conforto de saber que esta patologia se chama "parastesia", e vai regressar ao seu estado normal dentro de 1 ano .

Ops,

desculpem,

caí da cadeira no sentido figurado porque ainda não estou a acreditar no que ouvi hoje naquele consultório.

1 ano com metade da cara literalmente anestesiada. Nervos rompidos, dentes estraçalhados, ó Meu Deus, que mais tormentas me reservarás??

Já tomei 2 valiums porque não me sinto com forças de enfrentar o ano civil de 2005/2006 de boca à banda. Agradeço mensagens encorajadoras, já sabem é que não consigo retribuir convenientemente. O "obrigada" sai-me um pouco disforme. Aliás, vou evitar dizer o quer que seja na próxima temporada.

Até daqui a um ano,

Ass: Susana A Parastésica

segunda-feira, novembro 21, 2005

Esparrelas patriotas

Para o ordenamento jurídico português, se eu der um empurrão em alguém, e essa pessoa cair para o chão e, por um grande (gigantesco) azar lhe cair um raio em cima no preciso momento em que ela está prostrada, sou acusada de um crime de homicído por negligência.

Hoje está a trovejar. Vou andar na rua em passinhos de lã.

domingo, novembro 20, 2005

é um capachinho

Neste momento em que vos escrevo, o meu irmão ouve "A Cabana" do José Cid.
Pior: tem esse episódio musical menos feliz, em "repeat".

Porquê a informação? Não é para envergonhá-lo. é mesmo para desabafar. Estou a dar em louca.

Injustiças

Eu vivo em Belas. Tristemente, mas vivo.

Mas há, pelo menos, uma pessoa que vive numa terra alentejana chamada Estrumeira (colega do meu irmão, miúdo giro, divertido, inteligente). E é de lamentar. Não se dá hipóteses a habitantes em topomínias destas.
Eu sei, também sofro a discriminação na pele, por muito que tente insinuar que estou a escassos metros (centenas, em abono da verdade) do Clube de Campo. Tentei-o fazer sentir-se como um ser humano normal. Fiz-lhe um chá de cidreira, barrei-lhe um pão com compota, mostrei-lhe o meu vídeo da Profissão de Fé.
Tudo isto na esperança de o fazer esquecer que ele é, na realidade, um Estrumento ou, pior, um Estrumício.

Mas afinal, qual é o encanto de Linda-a-Velha? (reparem, dá-se uma no cravo outra na ferradura; foi linda, mas agora é velha, provavelmente sem dentes e incontinente).

Temos que ser uns para os outros.

Não havia alternativa

A minha mãe há muitos anos trabalhava num hospital civil de Lisboa, profundamente assustador, ali na Almirante Reis chamado Desterro.

Havia no serviço dela uma fotografia aumentada numa escala a 60%, com a legenda "Infeccção nas Criptas de Morgani".

Para terem uma ideia aproximada, a fotografia reportava um caso muito grave de hemorróidas e fissura anal, na qual se mostrava distintamente o que poderia acontecer a a um rabinho saudável caso o Morgani nos atacasse.

Pior: havia no quadro a seguir uma fotografia com a legenda "hemorroidectomia", a qual não consigo traduzir por palavras. Acreditem, não consigo.

Tudo isto para dizer que quando não tinha aulas, era obrigada a ir para o trabalho da minha mãe. Então tinha sempre que passar por esse corredor onde estavam as fotografias emolduradas (sim..que grande orgulho..) como quem passa pela Casa do Terror, a tremer e cheia de nojo.

Um dia, depois dessa temerosa provação do corredor, sentei-me na cadeira da minha mãe e, vendo um tubinho elástico todo catita, começo a soprar nele, colocando a outra extremidade nas orelhas, nariz e outros orifíciosque tais.

De repente levo com um carolo gigante, uma chapada brutal e um empurrão que me fez levantar vôo e, ao mesmo tempo, cuspir o tubinho, que outra coisa não era senão uma algália masculina.

A minha mãe, em pânico, gritava "isso é para pôr na pila dos homens!" e para mim, criança com 9 anos, não havia nada de mais monstruoso do que o falo masculino pelo que quase desmaiei de pavor.

Depois desse episódio deprimente recusei-me a ir para o emprego da minha mãe,pelo que ficou estipulado que, quando não houvesse aulas, iria para o emprego do meu pai, numa Central Eléctrica da EDP.

Na primeira vez que lá fui, ainda não tinham passados 20 minutos quando mexi numa fonte de alimentação. Qual não é o meu grande espanto quando oiço um barulhinho sinuoso e apanho um valente choque de 220 volts.

Todos os presentes ficaram preocupados mas depois riram-se muito, imagino que tenha sido um grande gáudio ver uma criança de 9 anos, com um vestidinho vermelho e verde xadrez, e uma boina verde a condizer, completamente chamuscada e ainda a fumegar.

A conclusão que retirei desta tormenta é que, mais triste que uma criança sujeita a visões hemorrodais e com uma algália masculina na boca, e que uma criança esturricada na presença de adultos é, sem sombra de dúvida,

uma criança sem opções. Passei a ficar sozinha em casa, considerou-se ser a alternativa mais segura.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Make Over



Não sei se já viram um programa que dá no People & Arts que, concomitantemente, me fascina e me causa repulsa. Em abono da verdade reconheço que me fascina mais do que me repulsa, porque o vejo religiosamente todas as noites, à uma da manhã.

E acreditem, o espectáculo que dou a tentar não soçobrar ao violento sono não é bonito de se ver. Mais: é profundamente patético.

O programa é "Extreme Makeover".

Pessoas basicamente feias submetem-se a cirugias plásticas e ficam muito giras (umas mais que outras, depende sempre da matéria prima).

Ora o que é que eu pensei:

Se este programa fosse feito em Portugal, escreveria eu uma carta à produção suplicando para que lipoaspirem, cortem, reduzam, suguem, façam o que for preciso para eu ficar melhor?

Resposta: Não. Em Portugal não.

Mas se eu estivesse de férias na Tanzânia e, miraculosamente, conseguisse ser seleccioanda, sim, obviamente que sim! (Tenho que começar a ir de férias com o Gonçalo e, se possível, influenciar os destinos turísticos da família).

A exigência não seria assim tão acentuada, apenas:

- cirurgia dentária, queria 7 dentinhos de cima com porcelana (branca, leitosa - sublime)
- levantamento de pálpebras para não parecer que tenho olhos à la Trissomia 21, que tenho e escusam de o negar;
- retracção do queixo (não muita, ligeiramente)
- colocação de maçãs do rosto (e, finalmente, saberei onde pôr blush, em vez de o pôr praticamente dentro das orelhas)
- pigmentação das olheiras, para um cor de pele pêssego-acetinado);
- colocação de sardas (adoro, adoro, adoro)
- lipoaspiração ao pescoço
- lipoaspiração aos braços
- lipoaspiração ao abdómen
- lipoaspiração às coxas
- colocação de músuculos na barriga das pernas (sub-reptícios, evidentemente)
- redução mamária

não, esqueçam, voltem a pôr as mamas,

- cirurgia oftalmológica
- extensões de cabelo até à 4º omoplata, num tom castanho escuro - acobreado

Pronto, basicamente era isto.

Mas, recordem-se, fora de Portugal, não quero os 11 distritos do país a rirem-se às minhas custas!

Vejam com os vossos próprios olhos. E tenham medo, muito medo


Ok. confessem lá que não ficaram tentados!

sexta-feira, novembro 04, 2005

Mais uma

Recordo este episódio com desvelado carinho, pois nesse dia sei que eu e o Gonçalo proporcionámos o momento de humor da noite a centenas de desconhecidos, estúpidos, mas desconhecidos.

Eu e ele fomos uma destas noites (em que conseguimos acertar o nosso confuso calendário) ao cinema.

Depois de enorme discussão na fila dos bilhetes, onde não faltaram ameaças, choro, amuos e pauladas, resolvemos ir ver "Virgem aos 40". Ainda meio aborrecidos e praticamente de costas voltadas entrámos na sala e sentámo-nos nos respectivos lugares, sempre fazendo questão de demonstrar que nos irritávamos mutuamente.

Mesmo antes do início do filme entraram dois homossexuais (não tem nada a ver, mas sabem que eu gosto de adjectivos), que prontamente nos informaram que estávamos sentados nos lugares deles. Cadeiras 15 e 16.

O Gonçalo, como sabem, não é muito bom de se assoar quando está chateado, e, em abono da verdade, refira-se que eu já lhe tinha esgotado quase toda a sua paciência. Escrevo só que os maricas não foram propriamente bem tratados.


A certa altura já todos os olhitos curiosos se debruçavam em nós os 4. (Sublinhe-se que a sala do cinema estava a abarrotar.)
Por fim, o Gonçalo é condescendente e diz em voz alta:

- Bem, se calhar foi a gaja estúpida dos bilhetes que se enganou.

e, alto e a bom som, depois de muito barafustar contra a senhora, e em tom de enfado pelos deprimentes homossexuais:

- onde é que já se viu, marcar-se 4 lugares para 2 cadeiras! eu tenho aqui no bilhete, cadeira 15 e 16 na sala 5.

Homossexuais:
- pois. é que esta é a sala 4.

Gonçalo
- então mas isto não é para "Virgem aos 40"?

Gargalhada geral na sala.

Resposta em coro:
- não, isto é para "Os Irmãos Grimm"

Susana, em alvoroço, a agarrar na mala e no casaco, já com uma perna na porta de saída, e em tom teatral:
- Gonçalo Manuel, se querias ver este filme bastava dizer, escusavas de fazer esta fita!
E fui-me embora mt ofendida, com a sala toda a rir-se.
Viémos embora, apanhámos o "Virgem aos 40" quase a meio.

Felizmente reconciliámo-nos.
Chegámos à conclusão que seria muito duro enfrentarmos aquela vergonha sozinhos.