sábado, fevereiro 29, 2020

A importância da Fita Adesiva a dormir, vulgo método Buteyko


 Já aqui escrevi que falo bastante não só a dormir, como também  fico num estado semi-lúcido a ver televisão, chegando a ter alucinações. Asseguro, no entanto (a mim própria e aos outros), e faço ponto de honra nisso, que estou a tomar a mais plena das atenções ao que estou a ver:

- Pedro cuidado com a  curva, vais mais devagar– advirto eu.

- Susana, acorda, estamos a ver Netflix .

- Eu estou acordada! (tocaram-me num ponto sensível) – Eu até consigo reproduzir na íntegra a última legenda que passou.

                                        “ Sê corajosa, sabes que tens que ser o ganha-pão da tua família”.

- Susana, estamos a ver os Dois  Papas.  Garanto-te que nenhum velho disse isso.

 - Hum. Estranho.


Também quando já estou na  cama a dormir, faço confidências íntimas, arrancadas com todo o gosto pelo Pedro. Na última vez até escrevi num post, se bem se lembram, que a dormir lamentei-me- “Dói-me o pénis”.

Esta noite, o fenómeno repetiu-se. Mas foi desproporcionalmente pior L E olhem que já é muito ser-se gaja e sofrer da pila.

Pedro de manhã:

 - Sabes o que disseste esta noite?

- F… cum c…, ai a merda, tens que deixar de fazer isso! Tens que parar, eu estou a dormir, sinto-me  violada na minha intimidade!

- Olha por acaso até foste tu que me abordaste...

- F… e que estupidez é que  eu disse?

Riu-se. Pigarreou:


- “Passa-me aí esse pastelinho rápido,  que o Pedro agora não está a ver!”.


Porra.

 Sim, eu adoro comer. Tenho um amigo que me disse: “Se uma mulher olhasse para mim como tu olhas para este croquete, casava-me logo com ela".

O problema é que realmente, a única pessoa que eu não quero ver-me a comer como uma alienada na fase maníaca é, precisamente, o Pedro.

O ciclo é vicioso, as histórias são muitas.  Invitavelmente, cada vez que ele se ausenta de uma qualquer mesa de refeições (normalmente na casa dos meus pais ) -  (e para ir à casa de banho), eu fisgo logo um queijo brie  com nozes , ou um terço de um salame.

Há duas semanas, na casa dos meus pais, quando o Pedro se ausentou, comecei a deglutir a um velocidade vertiginosa um pão de alho que já estava parcialmente trincado. Por norma, a coisa passa despercebida, mas desta vez o Pedro voltou logo, muito mais veloz do que eu previra.

Foi absolutamente admirável o meu sangue-frio, mesmo a parecer UM RAIO DE UM HAMSTER com um manancial de comida escondida nas bochechas.

- Epá que granda desbaste que alguém deu aqui num pão, e fui só fazer o número 1”  - gozou ele.

Continuei imperturbável: ao domingo pululam pessoas na casa dos meus progenitores. É um verdadeiro CLUEDO, o criminoso pode ter ser sido qualquer um: eu, os meus primos, os meu filhos -  e não sabemos todos que as crianças são  umas grandessíssimas lambonas?

Voltando ao “Passa-me aí esse pastelinho rápido,  que o Pedro agora não está a ver!” Tentei:

- Não disse nada.

- Ai disseste disseste! Até te perguntei: de quê? E tu:  um qualquer, mas rápido!


Epá, que momento embaraçoso. Susana, pedir um pastel furtivo, à revelia do marido…ao próprio?! Seriously? Senti-me outra vez como um hamster. Aliás, devo ter sido um noutra vida: tenho o mesmo apetite,  as mesmas bochechas dilatáveis, a mesma pelúcia preta e aspecto cilíndrico.

A diferença é que os bichinhos distribuem bem o peso do corpo, e depois correm na rodinha todos atléticos  e sexys.  Eu sou um roedor acabado.


 Olá Pedro, já leste este post? Um grande beijinho para ti e para os teus interrogatórios pidescos.  Pénis molestados, pastéis  furtivos, qualquer dia ouves o que não  queres. Just saying.






sábado, fevereiro 22, 2020

Patrulha Pata, onde andam vocês, seus caninos mal amanhados, quando é realmente preciso?!


 No dia 17 de Agosto de 2011, num post intitulado:  Quero a minha querida Mãe. Mãe. Mãe, escrevi o quão prostrada por ter que saber cozinhar bases de sopas (mesmo com cábulas), e fazer máquinas de roupa por cores. O mundo era lugar confuso.  Mas a esperança que eu depositava em mim própria era comovente. Vejamos:

“Eu sei que isto passa. Que um dia farei isto de olhos vendados, com uma perna às costas, dobrada ao meio, a esticar o cabelo e a fumar um cigarrinho. Mas, acreditem - enquanto isso não acontece (tipo saber seleccionar a mais brilhosa hortaliça ou o melhor espadarte fumado) sinto-me, oficialmente, um triste espectáculo. Repito: faço outras maravilhas.” http://salsichanaotedesgraces.blogspot.com/2011/08/quero-minha-querida-mae-mae-mae-mae.html


Susana, Susana, Susana…Resenha escrita aos dias vinte e dois  de Fevereiro de 2020:

1.º - Não fazes nada de jeito de olhos abertos, imagine-se vendados, já teria ardido o prédio inteiro.

 2.º - Gerir tarefas do lar com uma perna às costas e dobrada ao meio? E como é pensas que em 2020 andarias no meio da rua? Elegantérrima, de nobre e majestoso porte?! Dobrada ao meio e de pernas à banda andas sempre tu, em plena rua, toda quinadinha da ossatura.

3.º - Esticar o cabelo?! Hein? O cabelo lava-se e seca-se com a toalha das mãos, normalmente suja de alguma base . (Na realidade,  o truque  não são pranchas nem secadores, é usarmos camisolas com decote em V para não nos olharem para a cara).

4.º Fumar cigarrinho não, nunca!!O Rui Unas (fonte de Lei) sempre disse: “miúda que fuma, já pina”. Acho que  esta é uma das frases mais prodigiosas que ouvi e, em bom rigor,  condicionou-me até hoje. Sou uma miúda , não fumo e os meus filhos são, sob o ponto de vista canónico e científico, verdadeiros  Mistérios da Fé. 

Por isso Susana de 2011, …se te sentes um triste espectáculo nesse ano, compra um grande baldinho de pipocas e saltemos para 2020:

1.º -  Quarenta anos. Parecia ficção científica mas sim, o tempo anda e não é para trás. A parte boa é que, se numericamente falando tens 39 anos, o teu comportamento continua a não se coadunar com a idade cronológica. Pontinha de orgulho mal disfarçada :).

2.º- Asna, não, não aprendeste a cozinhar. (Um  místico disse que  tinhas  um bloqueio na cozinha. Tens é  um bloqueio intelectivo. Diferenciar espinafres e agriões?! São verdes, têm forma ramalhete, como não os confundir??; e espadarte fumado (?)  - devo ter visto no Google, não me lembro sequer disso existir, quanto mais de o comprar. Olha, merda para isso tudo).

3.º - Não lavas unicamente cuecas de 2 filhos emprestados de 5 e 6 anos, lavas mas é :
- incontáveis pares de boxers de galifões de 16 e 14  anos;
- cuecas do de 7 anos que ainda está a aprender a limpar o rabo e não está a ser fácil a aprendizagem;
- e trocas fraldas, o que é, no meio deste pesadelo hitchcockiano, um bálsamo para a tua saúde mental.

 Note-se, efectivamente fazes várias máquinas de roupa, mas não propriamente separadas por cores. Encadeamento técnico da separação roupística:

** Pões na máquina TUDO o que está na tulha de roupa suja, sentas-te no chão e calcas bem com os  pés o tambor, até não caber mais um alfinete.(Se der para pôr toalhas pões, se não, voltam para as respectivas casas de banho, que a sujidade não há-de ser assim tão intolerável).

Ademais,

4.º – Sobes umas escadas de um TRILICHE até literalmente ao tecto, lanças-te em voo picado para cima da útima cama e, com lágrimas de dor descendo pelo rosto,  tentas mudar os lençóis  conforme podes. Eu nem sei bem para onde fica a parte da cabeça ou dos pés, mas desconfio que o miúdo também não. E mais não te é exigido.

Sim,  leste bem, passaste de miúda jovial,  boa onda e risada fácil, para pessoa que tem que ir mandar fazer um triliche nos Foros da Amora (nada contra, grande terra, bons clientes).

Mas reiteiro, tal como em 2011: “Faço maravilhas”. Adaptadas à idade, claro, mas o compromisso e o esforço permanecem inalterados. E isso não tem preço, não se ensina, emana de uma personalidade intensa, imodestamente falando.


Se fosse homem casava comigo, claro, eventualmente com take away por perto e um grande desapego a camisolas de lã (reduzidas a 3 quartos de manga).

Um longo minuto de silêncio pelos sonhos distantes de mocidade.