terça-feira, junho 18, 2019

Eu e a Zuca



Após uns meses de interregno, e de muita insistência de uma Brasileira de 25 anos, que casou com um homem rico de 50 anos, voltei a escrever.

A brasileira é giraça, com grande sexyness. Veio lá dos quintos dos infernos do Brasil, Fortaleza penso eu, onde o meu marido - por eventual precaução ou dizendo mesmo a sua opinião (nunca saberei), insistiu em que nunca tinha visto tanta mulher feia por cada metro quadrado. Instintivamente olhei-o de perfil, é o meu melhor ângulo.

Parte engraçada: a brasileira veste-se bem, é inteligente, é chique, daquela chiqueza que arrepanha o coração – por muito dinheiro que ganhe (que, note-se, não ganho), jamais terei aquele cenário.

Pior: é paciente, é cautelosa e eficiente. E é apaixonada pelo marido, que conheço pessoalmente e reconheço que para pessoa cinquentenária, está muito bem.

(Pequena pausa de choque, relembro-me que daqui a apenas 10 anos terei essa idade. Náusea.)

Portanto, a zuca que no primeiro parágrafo aparenta ser uma vaca sabida, surpreende agora o internauta com o seu perfil de mulher forte, uma Margaret Tatcher acabritada,  a Coco Chanel do Ceará.

Nem sei por que menciono Coco: “uma mulher deve ter 2 coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame”.  Apontamento mental:
1.º E eu uso o vestido preto exactamente com o quê? Descalça?
2.º O homem ama-me, mas há reciprocidade? Eu amo-o? 

Quem leu o blogue há uma vida atrás, deve recordar o infeliz que um dia encheu-me a caixa de comentários com precisamente 500 (quinhentos) “Amo-te”. Não fosse ele estar sob o jugo da Lei da Saúde Mental (internamento compulsivo por esquizofrenia paranoide pela minha pessoa. Aparentemente as esquizofrenias podem ter alvos directos, tipo pessoas, carros, garrafas de água. Um susto), até teria tido alguma graça.

Adiante, a brasuca é muito adorável. Fosse eu homossexual, traçava-a. Eu gosto de mulheres fortes. Não de compleição física (nada contra: been there, done that), mas de carácter. Eu aparento ser forte. E tento. Sou razoavelmente competente, mas nada se equipara a esta mulher.

A título meramente exemplificativo: eu tive um bebé, e passados 3 meses, estava ainda ao nível físico e social de um porco semi-inconsciente.

Ela teve 2 gémeas bem gordas. Passados 15 dias, ei-la a amamentar: uma em cada mama, telemóvel preso entre a orelha e o ombro - (ombros régios, muito bonitos) e a escrevinhar num Moleskine.

 - És tão eficiente, disse-lhe eu, empurrando discretamente o meu caderno da Staples para dentro da mala.
 - E tu és tão engraçada – respondeu ela. E chamando uma das enteadas, apresenta-ma e diz-lhe: esta é a Salsicha, aquela não conseguia fazer côcô (sic) na casa do namorado mas um dia ficou lá um TAROLO ENORME A BOIAR NA SANITA!

Riram-se imenso.

Reflecti. Esta brasuca é assertiva.  Num debate qualquer - que não envolvesse sociopatas ou travecas sem dentes -, eu nem o iniciava, dava-me logo por vencida, atirava o microfone ao ar e projectava-me  para o colo dela.

E a história preferida dela é a do Floater.

Cheguei a casa e fui relê-lo no embaraço do meu quarto, mesmo ao lado da fatídica casa de banho.. Opá…muito bom. Eu sou o máximo! Sou super engraçada. Ri-me como se fosse a primeira vez. Talvez porque me lembre como foram aqueles 10 segundos de conversa ao telefone, num crescendo formidável.

Nada a fazer, lamento. Sou muito espirituosa.  E graças a esta brasuca, apeteceu-me voltar a escrever.

Obrigada Zuca.Fosse eu solteira e homossexual, e não fosses tu de uma religião esquisita, lá das palhotas Cearenses, e muita areia para o meu camião, TENTAVA A MINHA SORTE.

E assim termino esta minha narrativa - uma espécie de Fábula de La Fontaine da Margem Sul, mas com todos os seus atributos: simples, bela e simbólica.

Não têm nada que agradecer.





5 comentários:

a idade não perdoa ou talvez sim disse...

Adorei

wine, wine and more wine.. disse...

Lindo, q saudades... Para mi a história do traveca e fenomenal... A da televisão tb. Please keep writing we definitely miss you tons ... I'm beijinho do outro lado do Atlântico

VidasTecidas disse...

Ahahah que saudades...essa do floater ficou na história. Até a minha mãe fala nisso as vezes 😁
Susana

redonda disse...

:)) Grande mulher essa brasileira sobretudo por te trazer de volta aqui!

Susana disse...

Obrigada, wine e redonda sempre no pedaço! Vidas...fico lisonjeada com a atenção da tua mãe !!
Aliás, fico muito agradecida a todos. Vocês 4.Por isso é que me virei para o facebook... mas não é a mesma coisa.

obrigada!