quinta-feira, março 29, 2018

Maternidade, outra vez


Já tive o meu 2.º filho. Quase 2 meses depois deste nascimento, sinto-me a regressar à vida real, provinda de uma espécie de Brumas de Avalon do Puerpério. Poderia ter sido um período místico e comevedor,  mas não, foi um profundo DESESPERO. Ao género de, e muito simplistamente, “como é que me fui meter nesta merda outra vez. Este pensamento começou horas antes da cesariana e terminou, sensivelmente, ontem.

Este bebé, o João, é muito fofo: tem um cabelo farto e preto que lhe cai elegantemente sobre o pescoço e as orelhas, assim como um nariz ainda meio esborrachado, não recuperado do inchaço. Desde o início que me fez lembrar alguém, mas quem seria? Pensei, pensei, avaliei-o. Subitamente, uma epifania:

O meu filho João é a cara chapada do Clancy Wiggum, chefe da polícia dos Simpson. Em versão saudável, não corrupta e fofinha. Deus me ajude.

Nos dias que passei na maternidade, andei a cirandar pelos quartos todos. O mulherio, que está na tal fase apalermada das brumas nebulosas do pós-parto, quedava-se todas pelos seus  aposentos, e se não fosse eu andar a percorrer corredores e a espreitar para dentro dos quartos, não teria constatado 3 coisas:

1.º- Que o meu filho (não obstante assemelhar-se a um desenho animado), era o bebé mais distinto daquela maternidade, com as suas suíças elegantes e cabelo hirsuto, um ar meio bebé/meio revisor oficial de contas. Um orgulho.

2.º  Ao invés, eu era a mãe com o ar mais desgraçado daquele hospital. Curiosamente, no 1.º dia, constatei que fui a única a fazer cesariana. Em bom rigor, tinha a obrigação moral de ser a mais aprumada, uma vez que a minha bacia não abriu e a vagina permaneceu intacta. Mas a realidade é que há algo em mim (uma maldição? genética?) que não me permite ficar com um ar de pessoa após um parto. Uma cara gigantesca de balão, com uns dentes lá perdidos no meio da boca. Um retrato fiel da galinácea do “Chicken Run”.

3.º - Apesar de estar um farrapo,  inicialmente senti-me um farrapo jovem, com imenso potencial para recuperar. Foi por isso que encarei com profundo horror, a quantidade de mães muito mais NOVAS do que eu! Um escândalo!!  Mães que horas antes tinham o cérvix completamente escanquerado mas, em questão de horas, estavam prontas para ir ao cinema.  Ao meu lado  ficou uma rapariga de 19 anos, fresca e airosa. Reflecti: eu com 19 anos tinha que pedir autorização à minha mãe para ir à Feira do Livro, quanto mais atrever-me a ter relações sexuais completas.

A realidade é que os meus 37 anos, ao lado daquela juventude folgosa, colocaram-me naquela semana numa situação de pré-menopusa e foi uma sensação muito, muito estranha. Ou seja, eu parecia não só uma Galinha, mas uma Galinha VELHA. À saída, tiram-me uma fotografia. Eu bem que não queria, mas lá apanhei o cabelo e apresentei meu melhor sorriso. Ficou algo semelhante a isto:







5 comentários:

Silent Man disse...

Muitos parabéns Susana! Para ti e para o teu João, bebé pequenito mas distinto, tal e qual a mãe, mesmo sendo das mais velhas da maternidade!

Felicidades aos quatro!

Be disse...

Já tinha saudades disto e já tinha pensado em quantos bebés terias tido nesta pausa gigante...
Felicidades

redonda disse...

Muitos Parabéns e de certeza que para os dois pequeninos és a mãe mais jovem e mais bonita do mundo!
um beijinho
Gábi

wine, wine and more wine.. disse...

parabens, escreve...

Ana disse...

Não posso deixar de dar os parabéns e comentar que a sensação da idade podia ser bem pior: eu, 45 anos, filho e filha mais velhos já no início da idade adulta (tinham, na altura, 17 e 21 anos, respectivamente), voltei à maternidade - para ter, também, um João - em meados de 2016.
O peso da idade não melhorou com o tempo: era muito mais fácil aguentar más noites aos 23 do que aos 45. :-)
Mas tudo vale a pena: a pequena peste é o ai-jesus da família toda, e isso compensa até que, eventualmente, eu venha a ter de assistir à queima das fitas dele já numa cadeira de rodas ;-)