sábado, outubro 15, 2016

INTERDITO A PAIS, SOGROS, TIOS E IDOSOS AFINS.

Estando eu e Pedro a ver a nova série “O Exorcista”, na nossa mais recente aquisição, chamada Raspberry Pi, (que eu nem sei explicar bem o que é, mas basicamente é um chip que contém todas as séries e filmes do mundo, quase todos com legendas em português  - SIM É VERDADE. Eu vi o 1.º episódio do Dr. Phil, emitido em 2002, ou seja, há 14 anos, ia morrendo de emoção);

Começámos a ouvir a nossa vizinha num chavascal sem precedentes. Não sei se alguma vez vos falei dela, mas é uma sensual e inteligente mulher divorciada, por volta dos seus 50 anos (o Pedro discorda, nada menciona quanto à sua sexyness (que é inegável), diz é que é muito burra por causa das reuniões do condomínio. Mas eu não acredito, dada a profissão dela - que não posso revelar;

Eu acho que ele está apenas a disfarçar o seu interesse platónico pela vizinha, porque é inegável que é muito sexy e sensual, logo só lhe resta aniquilar a inteligência para me aquietar o ciúme.

Basicamente, a senhora não faz o amor. Ela FAZ TUDO E UM PAR DE BOTAS e eu sou obrigada a ouvir TUDO, especialmente se vou à casa de banho e a intimidade dela entra-me TODA PELA CANALIZAÇÃO ADENTRO.

No início foi chocante. Estamos a falar de um chavascal de barulheira e gritaria e porcalhices que chegavam a durar 25 minutos!! Mas o que é isto?! Depois passou para interessante, posteriormente para irritante. E felizmente, o rapaz (20 anos mais novo) um dia desapareceu.

Entretanto, veio outro rapaz. Ditosamente, com este só sou obrigada a ouvi-los entre 10 a 15 minutos, haja algum bom-senso .

Voltando ao início, a tremer de medo a ver essa nova série “O Exorcista”, com Geena Davis, começo realmente a ouvir o que parecia ser uma possessão demoníaca, a da vizinha. Fui logo cuscar tudo à casa de banho. 

Quando cheguei à sala o Pedro perguntou de forma bastante rude: “Com estes berros, deve ser é nas nalgas, não?”. E eu: “Ai Pedro, que dureza, que malcriado”. Mas reflecti e disse: “Sim, deve ser nas nalgas, Que horror, que nojo, não há outra explicação para o que se está a passar ali. Porcalhona, uma Mãe de família!!!”

Era absolutamente inconstitucional aquela barulheira e chiar da cama, que, ironicamente, até nos remetia para o cenário inicial da miúda do exorcista, em que ela pulava da cama até ao tecto, alta gritaria e obscenidades do piorio.

Já não havia condições sociais e de entretenimento para continuar a ver a série. Fomos para a cama. Eu já estava a morrer de sono. E quando estou a morrer de sono, e quero mesmo é dormir, eu digo ao Pedro: “PELO AMOR DE DEUS, MISERICÓRDIA. PIEDADE”. E ele não me toca. Se eu disser outra coisa qualquer (dor de cabeça etc), não há apelo nem agravo, vai tudo a eito, mas um dia reparei que, se invocasse Deus ou Nossa Senhora de Fátima, ele recuava.

Bem, apesar de estar com muito sono, com tamanha algazarra eu própria não tive coragem de me negar e pedir Misericórdia. Disse foi logo: “Não comeces com grandes ideias e devaneios que eu estou muito cansada”. (Ele sabe do que estou a falar - vocês não, sorry).  Ele avançou. Eu protegi as  partes pudendas/podengas com as minhas mãozinhas, mais numa de Mãe recatada e cândida, do que um não-incentivo. É quase uma obrigação moral não me vender logo por dois tostões e basicamente era suposto ELE INSISTIR MAIS! Mas não insistiu. Disse:

Tu pareces aqueles restaurantes (???) em que nos apresentam o CARDÁPIO, com os menus do dia, mas depois já está tudo riscado, não há nada.”  Depois esganiçou a voz e imitou-me: “Ai a vizinha, que horror, pocalhona” –  para te esquivares àquilo que tu sabes”. Ri-me. “Depois  matas-me logo  a expectativa ”daquilo”(sorry  leitores, não posso escrever o que é na blogosfera). Por fim, tapas-te toda com as mãos! “

Portanto, em vez de dizeres o que não posso fazer, diz-me o que eu posso fazer .”

E ficou à espera da resposta, muito compenetrado. Eu ainda estava a pensar que ele me tinha chamado “cardápio”, e que até tinha tido bastante graça, quando ouvi a vozinha dele esperançada: “Talvez uns peitinhos de frango? Posso?”

Desatei-me a rir. Era a vizinha num berreiro e eu à gargalhada. Já não consegui fazer absolutamente nada. Ria-me sempre. Entretanto a vizinha lá se calou, e o rapaz também deixou de se ouvir.

Já eu tinha enxugado as lágrimas mas ainda estava nas minhas dissertações filosóficas acerca da comicidade da palavra “cardápio”, que simplesmente adoro, a par das palavras “pistachio”, “mochila”, “pijama” e “morcela”, quando me apercebo que o Pedro tinha adormecido. Baixei gradualmente  para o  tom mais monocórdico que consegui e assegurei-me que ele estava mesmo a dormir.

Fiquei toda contente, mas no dia seguinte tive que me fingir ofendida. “Onde já se viu, marido meu a adormecer comigo na cama??!!  Este portento de mulher??”. E agora perguntam os mais curiosos, mas assim ele não lê o blogue e apanha-te nas tretas?

Não, tenho a certeza que quando estava a adormecer pensou : “Amanhã, esta gaja vai fingir-se de ofendida, e dizer “Onde já se viu, marido meu a adormecer comigo na cama??!! Este portento de mulher?? ”

É o único problema das almas gémeas. Há muito pouco a esconder e fugir. Escapatória, no meu caso, só clamando por Misericórdia, Piedade e Clemência (uma delas basta).

Bolas. Que Homem Honrado que eu tenho em casa. Que orgulho desmedido.






6 comentários:

Anónimo disse...

Isto hoje foi de chorar a rir
Susana

Susana disse...

Eu também me rio muito. Mas sou tão suspeita.

L. das horas disse...

Porque é que eu não encontrei o teu blog antes??? Meu deus que me fartei de rir e chorar ao mesmo tempo! Parabéns pela escrita. Identifiquei-me num ponto ou noutro :P

Nerd disse...

Palavra de apreço para o teu homem que se deve ver nelas para te aguentar...

;)

Anónimo disse...

Muito Bom!!!.... só faltou a palavra "Piscina" para ficar completo! :)

Susana disse...

Nerd Manuel, que queres dizer com isso??
E quem és tu da "Piscina", que me conheces tão bem? Prima?