quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Memórias e Sociopatia. E Amor.

Hoje o Francisco faz 3 anos. E agora compreendo aqueles comentários absurdos dos adultos, quando olhavam para nós, crianças, e diziam "ai é assim que vemos como o tempo passsa!". Pois é. Eu diria mais, diria que o mundo está perdido, que o universo faz pouco sentido, que os buracos negros existem e isto é tudo muito confuso. E para culminar, há uns tempos dei uma ordem ao Francisco e ele respondeu-me "vou pensar no teu caso". A sério que percebo melhor a termo-dinâmica gravitacional, que o meu filho, que nasceu praticamente ontem, responder-me como se fosse gente.


Mas este post não é sobre ele. Não, para variar, é sobre mim.


Há 3 anos atrás, eu estava o maior farrapo físico possível de que há memória. Disforme, com uma  cesariana que correu bem, mas uma epidural que correu mal e me fez ficar pouco melhor que um protozoário. Se me tivessem pedido para levantar um braço  e tossir, ou girar a cabeça e deitar a língua de fora, eu pediria clemência ou a injecção letal.

Estava tão inchada que, para coçar o nariz, tive que pedir ajuda a uma auxiliar. Quando tentava coçar a ponta do nariz com o dedo, toda a minha mão abarcava a cara e revolvia-me o cabelo até à nuca.

 Era oficial, eu tinha a mão de um orangotango macho, e realmente eu não faço ideia como é que os grandes primatas coçam partes pequenas.....enfim, coisas simples, que damos por garantidas. Agora quando tenho comichão no nariz, saboreio cada coçadela delicada com o dedo indicador, suave e elegantemente, tentando esquecer o barril humano que fui.

E é por falar nesse momento de decrepitude física, que hoje quero contar outra história.

Começa assim:

O meu marido para mim, com ar sério (o que indica sempre duas coisas, ou está mesmo a falar a sério, ou está a gozar o prato) (o que para mim constitui sempre uma charada divertidíssima) :

Ele: "Tu realmente, no espaço de poucas horas, consegues dizer as coisas mais diversificadas  e acreditar piamente nelas."
Eu: "Como assim?"
Ele: "Ontem, quando te vias ao espelho de manhã, em cuecas, olhaste para o rabo e disseste "ui, que categoria!"

"Depois, ao fim da tarde, quando foste correr uns metros e chegaste a casa, voltaste a examinar o rabo ao espelho e disseste "ó Meu Deus,  estou a a ficar sem rabo, estou a perder peso e a ficar sem rabo, não pode ser!!" "

E depois, pediste-me para te tirar uma foto de frente e de trás para mandar para as amigas da corrida, e só te ouvi gritar: "Ó MEU DEUS, Ó MEU DEUS, QUE LOUCURA, QUE CU GIGANTE É ESTE? TENHO UM CU DE OBESA MÓRBIDA, MAS O QUE É QUE ISTO?!!!"

Fiquei caladita, porque me recordava do dia anterior e do que tinha dito, mas não tinha a noção que as coisas cronologicamente enunciadas daquela maneira, soava a psicopatia de grau moderado.

"Tu adoras esta roleta-russa de emoções não adoras?"-  perguntei eu, com um ar esperançado.
Ele continuou a dissecar o seu salmão. Não disse nada.

"Nunca saber o que se espera, nada é rotina! É espectacular, não é?! Uma rapariga honesta, do qual tudo se pode esperar, que sorte!" - continuei ansiosa, sentindo claramente a libertação de hormonas no sangue pelas glândulas supra-renais.

Ele (sério, super sexy): "Sim, gosto. E é por isso que vamos ficar juntos até ao resto da vida." E sorriu.

Que delícia, gostarem de nós pelo que somos, sem termos o stress de tentar esconder defeitos e disfarçar as pulsões sádicas. Leitores, sejam sempre vocês mesmos, mas se forem raparigas, usem sempre cinta  no 1.º encontro.





8 comentários:

Be disse...

Parabéns ao salsicha pequeno mas no fundo quero mesmo é saber se esse rabo está no ponto ou não. Nada de confusões, não tenho fetiches com rabos de gaja mas também sofro desse mal de não me conseguir avaliar e mudar de opinião 30 vezes, não ao longo do dia mas no espaço de segundos. O marido avaliou? Afinal eles é que são os especialistas e o meu diz-me sempre "estás magra!!" o que só por si levanta suspeitas.

Agora a sério... Parabéns!

a.i. disse...

Acho que nunca comentei por aqui (estou a perder a virgindade, como diria a autora deste maravilhoso blogue, bem-hajas por estar de regresso com mais assiduidade), mas hoje não resisto, dada a empatia que senti logo nas primeiras linhas.
O meu filho (e ainda me choco ao dizer isto), faz um ano para a semana!!! Vê só, devem ser do mesmo signo :) (que não sei qual é, sou ateia em relação aos signos).
Parabéns a ti, ao teu filho, e a esse teu marido. Simpatia também por esses momentos de dúvida que sentes quando ele te olha com ar sério. O meu também me consegue levar à certa com esse ar, sempre que está a gozar comigo (normalmente por eu não saber coisas).
Como ainda não perdi a forma abdominal da gravidez (que também terminou em cesariana), o pânico ao ler a parte em que dizes que estás a perder peso (o quê? há mulheres que conseguem perder peso?! não pode, o universo está perdido), desvaneceu-se ao ler o diálogo em que teu marido diz que foste "correr uns metros". Aha, muito bom ;)

catia ribeiro disse...

Parece uma conversa entre mim e o Oszkar. :)

Ricardo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...

Preciso de saber
Se ainda me queres ver
Preciso de saber
Que não me queres perder.

Ricardo Ribeiro.

Anónimo disse...

REENCONTRO
Bate forte e descontroladamente,
Meu coração que palpita por ti,
Será dor, será tristeza?
Por não ter um sinal de ti

No teu castelo te encontras
Com nada para me contar,
Tendo eu muito para divulgar
Se tu me deixares entrar.

Divulgar ao mundo inteiro
Apenas se tu deixares
Que o mundo pode ser nosso
Somente temos que batalhar.

Mundo este inconstante
Cheio de tripécias e aventuras,
Com pequenas lutas diárias
Ao sabor das tuas ternuras.

Grande parte das ternuras
São imaginárias bem sei,
Completadas com poucas
Bem reais..., já senti bem.

E assim vou navegando
Como um barco que bolina
Ao sabor do vento forte,
Sem ponto de chegada
Nem rota definida.

Sempre à espreita de porto seguro
Vou atravessando mar a dentro,
Com a ideia do presente
Piscando o olho ao futuro incerto.

Mas sem muitas ilusões
É preciso ter os pés no chão
Âncorados com o prazer
De uma possivel paixão.

Uma paixão ardente,
A transbordar de emoção,
Plena de desejos quentes
Com batimentos fortes do coração.

E assim quero continuar,

Palavras escritas com labor
E alguma(muita?) imperfeição,
Escritas com amor
Num cantinho em solidão.

Solidão que aperta mais
Por não ter teu chamamento,
Posso eu sonhar contigo?
Imagino o momento.

O momento do reencontro.
O momento do olhar.
O momento de vêr.
O momento de observar.

E não vou baixar os braços
Apesar de não te ouvir,
Meu coração me responde :
Escreve a sentir.

Alegria antecipada
Ao receber tua mensagem,
Minha alma está curada
E ganhei nova coragem.

Coragem para voltar
A ter tua visão,
Olhos postos em teu olhar
E perder-me na imensidão.

Imenso como o mar
São teus olhos meigos de plenitude e sedução,
Transportas contigo um dom,
Muito calor, carinho e compreensão.

Tenho medo da dor,
Pois o passado já vivi
E lágrimas chorei por ti,
Mas preparado eu estou
Secou a lágrima que ficou.

E agora que fazer?
Que me diz meu coração?
“- Precisas de saber,
o que diz seu coração...

Pára no largo da igreja
Talvez Senhor te proteja,
Pois pode ser que encontres
A beleza que cortejas.”

Minhas mãos não param
Loucas de emoção,
Minha ansiedade é tanta
Ir com calma é a melhor opção.

O coração ganha terreno
Às emotivas mãos,
Vou seguir o seu conselho,
Escuta-o então :

“- Não desistas antes de tempo
Tempo fortalece união,
Pensa bem no momento
Para não seres uma decepção.”

Anónimo disse...

Se não dizes nada é porque é tudo verdade e eu já fui.

Procurar uma pessoa
Com quem possa falar
E dizer-lhe ao ouvido
És tudo o que consigo sonhar!


Adeus e até...
Um novo olhar.

Susana disse...

Meninas, obrigada pelas vossas palavras e simpatia. Claramente que o rabo não está no ponto, mas não posso culpar a corrida. Ainda estou à procura de culpado sem ser eu, mas correr fez-me até bastante bem!