quarta-feira, janeiro 29, 2014

A minha Barriga ( parte XXVII)

A semana passada, numa ida simpática ao bairro típico da Cova da Moura, encontro-me com o meu cliente.

Perfil técnico do mencionado cliente:

 - cabo-verdiano de 2ª geração com personalidade francamente criminógena,
 - desconhecimento absoluto das regras básicas de vivência em sociedade,
 - 20 filhos dispersos, mas nenhuma pensão de alimentos, nem um brinquedo nem um par de sapatos entregue às crianças (argumento demolidor: as mães portam-se mal).

Basicamente, uma pessoa encantadora.

Devia-me dinheiro, mas como é usual entre a minha clientela, só se lembrou disso quando foi apanhado novamente pela polícia, acabou por ser solto mas novo processo-crime às costas.

A realidade é que ele estava verdadeiramente aflito. E eu também me dava jeito o dinheiro, daí a minha ida à Cova da Moura, uma vez que ele de tão borrado que estava não saiu durante 2 dias do perímetro da rua dele, escondido atrás de uns canaviais.

Cheguei ao pé dele às 8 da noite, cansada, olheirenta, um caco humano.

Berrei-lhe logo : O MEU DINHEIRO PÁ??!!! NEM PENSES QUE AMANHÃ VOU AO TEU JULGAMENTO! SÓ COM O CU APERTADO É QUE TE LEMBRAS DE MIM NÃO É? PAGA O QUE DEVES!! P-A-G-A!

Ele, numa pilha de nervos, no seu português acrioulado : DÔTORA NÃO MI ESTRESSA!!!!! JÁ ISTOU ESTRESSADO O SUFICIENTE, DOTÔRA NÃO MI ES..

E de repente parou. Arregalou as vistas e olhou para mim com olhos de ver.

"Dotôra" - disse com uma voz surpreendida

 "MAS QUI BARRIGA É ESSA HEIN????! MEU DEUS!!

Num micro-segundo percebi que de tão irritada que estava não tinha contraído a barriga como faço eficazmente desde os meus 14 anos. Estava com uma pança de taberneiro inacreditável,  mesmo com as collants redutoras, o que claramente o perturbou.

O MEU DINHEIRO PÁ!!! - continuei eu, perdendo o meu amor-próprio em prol do pagamento da prestação do carro.

Ele sem tirar os olhos da minha barriga sacou das notas, uma a uma, e entregou-mas, mecanicamente.

Naquele dia um mito caiu e deixei de ser a musa branca e boa dos cabo-verdianos da zona para ser uma pançuda avarenta igual a tantas outras velhas desdentadas da estrada da Damaia.

Mas não faz mal. Continuo com a minha comunidade das Travecas. Para essas serei sempre a Suprema Deusa, afinal basta não ter barba e maçã de adão. Travecas Power 4 ever ( e venham lá as comissões de assistentes sociais da comarca da Amadora fazerem comentários depreciativos sobre os meus textos).


Um grande OLÁ a todos, voltei ao activo! (sem ginástica, claro)