sábado, outubro 26, 2013

Meu Filho e Bebégel = Nada a ver

Nota prévia: enquanto escrevo, o puto degladia-se consigo próprio aqui na cama e vejo pernas e braços e peúgas pelo ar, vou tentar abstrair-me mas juro que é uma tarefa quase hercúlea.

O que me traz aqui hoje foi o facto de eu, ao ser mãe, descobri que pura e simplesmente não consigo lidar com introdução de objectos em cavidades e orifícios. (Que não sejam meus, note-se).

Na realidade, ainda na maternidade, quando que me disseram para limpar as orelhas ao miúdo com um cotonete, eu ia simplesmente desmaiando. Voltaram a repetir-me a ordem, porque, pelo que eu percebi, só davam alta às mães minimamente preparadas para o ser.

Voltei a agarrar no cotonete, aproximei-me daquelas orelhinhas de ratinho e de repente senti o chão a fugir-me. Sentei-me numa cadeira e disse "Não consigo. Juro pela minha saúde que não consigo."  A enfermeira olhou para mim aturdida mas vendo-me branca e com uma data de outras mães com quem se aborrecer, deixou-me em paz.

Noutra noite mandou-me pôr soro num cotonete e limpar o nariz da criança. Eu mal dava com a cara do miúdo quanto mais com as narinas! Lá as descobri, mas eram mais pequenas que duas cabeças de alfinete. O cotonete assemelhava-se a um tronco de uma sequóia. Vi tudo desfocado e sentei-me na borda da cama. Vieram-me as lágrimas aos olhos e pensei "Eu quero a minha mãe".

Já em casa, o verdadeiro horror aconteceu. O Francisco sem conseguir fazer o seu cocó e o Pedro a tentar ensinar-me a estimulá-lo com um tubinho de Bebégel. Desta vez eu não ia desmaindo. Eu ia mesmo morrendo.

Só de o ver a aproximar-se do rabo do miúdo com um tubo, fiquei com a tensão baixa. Quando o vi a introduzi-lo, deitei-me na cama e trouxeram-me um copo de água com açúcar.

O Pedro, nessa semana, obrigou-me a assistir. Ludibriei-o. Fingi estar super determinada a aprender e disse : "Avança". Depois entortei os olhos desfocando o cenário, enquanto ia lançando frases como "ah, realmente não é assim tão difícil" ou "isso alivia-o tanto, que bom", dando inclusive ligeiros  gritinhos. Isto sem ver nada.

Até que chega o dia em que o Pedro me obriga a ser eu. E ele é, digamos, assertivo. Não tive escapatória. A tremer agarro no tubinho. Olho para aquele rabo minúsculo, aquele esfíncter inocente, clamando piedade.

Chorei. O Pedro só me dizia impaciente " Ouve, o teu filho tem cólicas, está a sofrer, precisa de ti"". E aí chorei como se não houvesse amanhã.

E quando o Pedro se ausentou uma semana inteira para Cabo Verde, o meu mundo desabou. Numa madrugada com o Francisco e o seu cocó entalado, tomo um Xanax de 0.5, agarro no famigerado tubinho cortado do Bebégel e aproximo-me.

O Francisco olha para mim. Eu olho para ele. Encaro a fralda, retiro-lha e eis que surge um Rabo Desamparado.

O Bebégel assemelha-se a um míssel, tenho a certeza que já vi torpedos menos ameaçadores.
Olho para o rabo e parece-me um anjo em forma de cu.
Chorei, ele chorava, até acho que o gato estava com um ar triste (a Nina dorme na minha cama).

Desta vez não chamei pela minha mãe. Agarrei numa mochila, no saco dele e fiz-me à ponte Vasco da Gama. (sim Pedro, é verdade! Guess what, não estavas aqui para me impedires!)

Posso ser a pior mãe do mundo, mas felizmente tenho a melhor.