terça-feira, abril 30, 2013

Advogada Razoável, Péssima Testemunha

Caríssimos,a história que vos vou contar agora é deveras linda. Atentem:

O mês passado, uma tipa bem montada num BMW X3 bateu-me no carro por trás.

Concedo que, posto desta forma, pareça fácil  perceber à primeira que foi ela quem teve a culpa. Mas a realidade é que eu sou uma gaja muito gaja, e quando levei com o carro na minha traseira entrei  em histeria e esqueci todas as regras estradais e não consegui mesmo discorrer sobre quem seria a culpada e tive vergonha de lhe perguntar.

Ela, que era gaja ainda mais gaja do que eu, começou aos saltinhos a dizer "ai ainda bem que ninguém se aleijou, ai que bom, ai que bom", acrescentando "os nossos carros não têm nada, só umas raspadelas graças a Deus" e continuando a saltitar de volta para o carro dela, soprou-me um n.º de telemóvel e um nome dizendo-me para guardar o contacto para o caso de precisar de alguma coisa e pôs-se ao fresco no seu X3.

Quando caí em mim fiquei possessa. Olhei para a traseira do carro e até a matrícula estava comida. Buracos eram uns 5, o símbolo da BMW estava raspado e os sensores da marcha-atrás já não existiam.  Liguei para o Pedro a chorar a dizer que me tinham batido no carro.

Ele perguntou-me se eu tinha chamado a polícia. -  "Não".
Perguntou-me ainda se tinha preenchido a participação amigável. -  "Não".
Respirando fundo, questionou-me sobre a matrícula do carro.  - "Não sei, não vi. Mas ela deu-me tenho um n.º de telemóvel" - acrescentei. Silêncio sepulcral do outro lado da linha.

Enfim, depois de passar por estúpida e doente por não ter sensores de marcha atrás liguei-lhe. Curiosamente ela atendeu, mas o certo é que despachou-me sem parcimónia e disse que voltava a ligar. Não ligou.

Fiquei com os olhos raiados de sangue e comecei a preparar a minha vingança cruel. Fui ao google e ao facebook pesquisar pelo nome e localidade. Encontrei-a facilmente. A mesma cara de cu, as mesmas orelhas de ratazana e cabelo lambido.

Esfreguei as mãos (meu Deus, a urgência demoníaca que me assolou) e em 10 minutos já sabia tudo sobre ela, filhos, escolas, trabalho, amigos, concursos públicos a que concorreu, casas que tinha para arrendar, pesquisei os pais dela e ex-marido (um dono de uma escola de condução cujo n.º de telefone guardei).
"Vou lixá-la" - decidi.  Afinal sabia tudo sobre ela e tinha mil e uma ideias...

Mas o certo é que passados uns 2 dias ela voltou a ligar e combinámos fazer a participação amigável, pelo que temporariamente coloquei de lado a minha sede de vingança, mas com o coração ainda  a destilar muita raiva mal gerida.

Combinei com ela no dia seguinte, ainda expectante se ela apareceria ou não. Ela compareceu sorridente,  com os papéis do seguro na mão.

NÃO ERA a  rapariga do Facebook. 

Hihihi


segunda-feira, abril 08, 2013

Sou mãe mas podia ser uma palhaça do circo com seios gigantes




 Caríssimos,

Já sou Mãe. De um vitelo com 4kgs, o que semi-justificou os meus 21 que ganhei nestes 9 meses. (Nunca mais pus os pés na nutricionista, não quero que ela se sinta má profissional perante este desastre ecológico). 

Na semana prevista para o parto, a médica piscou-me o olho e disse que estava na altura dos progenitores “namorarem” para ver se as contracções do útero e as substâncias libertadas – prolactina e afins resolviam a coisa. 

Ri-me. Primeiro numa suave risada, depois histericamente até me desfazer num mar de  lágrimas hormonais. 

Sexo? ÀS 40 SEMANAS, MAS ESTÁ TUDO DOIDO? Se eu tivesse um pingo de equilíbrio e excitação naquela altura ia mas era passar as camisas a ferro e fazer as camas de lavado, qual fazer sexo…Nem às 30 semanas quanto mais às 40.

E acabei por deixar a natureza seguir o seu curso. Não fiz o amor, não andei kms pelo calçadão (cientificamente impossível), nem dei saltinhos em cima de uma bola de pilates (se me desequilibrasse e tombasse ou para a direita ou para a esquerda era a minha morte, pura e simplesmente a minha morte).

 Não. Limitei-me a chorar copiosamente e a ir às urgências do  Hospital dia sim dia não para me controlarem a tensão.

E um dia ele resolveu sair. Rebentaram-me as águas, de um verde acastanhado que fiz questão de guardar num copo de iogurte para que os meus sogros vissem e cheirassem e me dissessem honestamente se eu ia morrer. Morrer não ia – afiançaram-me, mas tive mesmo que me despachar para a Maternidade porque o meu filho não queria esperar e já andava a borrar-se violentamente cá dentro.

Por falar em águas rebentadas, santa inocência, pensava eu que rebentavam de uma só vez. Tanta leitura especializada, tanto youtube, tantas consultas de obstrectícia, tanta ignorância. 

Passadas 16 horas ainda andava eu a chapinhar no meu próprio líquido amniótico, deixando um rasto verde atrás de mim pelos corredores do hospital fora, tentando tapar-me com a p.. da bata do hospital, que praticamente só me cobria os bicos das mamas, até eu bater o pé e dizer que não tinha aquele filho enquanto não me desse outra bata para tapar o rabo com dignidade.

E por falar em dignidade, são 17h20 e é tempo de outra mamada. Acredito que dar de mamar seja um acto de amor belo e contemplativo para quase todas as mães. Mas a verdade é que  no meu caso se por um lado vejo o meu filho a alimentar-se, por outro vejo-o a debater-se e a lutar pela vida, tentando respirar debaixo de um GIGANTESCO SEIO de 2 kgs..

Amamentar para mim? Sim, e chama-se FILME DE TERROR!

Até já...