quarta-feira, março 31, 2010

Conchita e o Violador

Foi veiculado pela comunicação social que um certo violador levou uma surra de um skinnhead. Sorrio enternecida. É absolutamente amoroso como a realidade suplanta a ficção.

O skin jamais lhe poderia ter dado uma tareia. Por mais estranho que possa soar, confesso que ele até granjeia de alguma simpatia minha, uma vez que sempre se revelou um verdadeiro cavalheiro para com as minhas clientes transsexuais. A verdade é que quem lhe aplicou uns murritos só pode ter sido uma amiga dele, uma traveca de ideias fixas e punhos fortes.

Quando conheci esta "senhora" na prisão, sustive a respiração: tinha um rabo de silicone gigante, implantado décadas antes na Nicarágua por um talhante de vão de escada. Com o passar dos anos, o rabo descolou-se literalmente para os lados, pelo que as nádegas dela estavam em cima de cada anca e abanavam-se por todos os lados. Muito medo.

Quando a Conchita Cabeluda entrou na prisão, pensei que ia ser linchada numa questão de horas em pleno pátio.

Volvidas semanas, descobri que já tinha marido português na cela (casado e com filhos), aviava metade dos guineenses e era fonte de lei para todos, sem excepção, respeitada como ninguém (Já deixei de tentar perceber a população reclusa há muito tempo.)

Portanto:

- travecas medonhas mas líderes de opiniões em prisões masculinas? Estranho mas verdadeiro.
- skins violentos que mandam outros skin comprar tapetes felpudos para as travecas não andarem com os pés frios no chão da cela ? Estranho mas verdadeiro.
- violadores aterrados com skins, coladinhos às paredes que nem ratos sempre que se aproximam das celas deles, mas quando dão por isso estão mas é a levar com um murro no meio da cabeça de uma transsexual furiosa, com um rabo nicaraguense descosido dos lados?

Nem tenho palavras.

quarta-feira, março 10, 2010

Snowgirls 2011 - eu vou!

Fui ao snowgirls (gajas, snowboard, serra da estrela). Sempre soube que nem tenho preparação física para chegar com as mãos aos joelhos, quanto mais andar a arrastar uma prancha, serra acima serra abaixo dentro de umas botas de 4 kgs.

Eu sabia ao que ia, mas nunca suspeitei ser a piorzinha de 100 miúdas. Primeiro, todas tinham a vantagem de se conseguirem levantar sozinhas (É que isto de ser sempre içada por alguém, tipo a apanha da baleia, enfraquece-nos o orgulho e o corpo).

Depois tinham a preciosa vantagem de, apesar de não conseguirem ainda travar, conseguiam lançar-se para o chão e recomeçar tudo de novamente. Ora eu, por qualquer síndrome psíquico ainda desconhecido, tinha PAVOR de me atirar para o chão, sempre pensando que se o fizesse, e com os meus delicados pés presos à prancha, o osso da tíbia da perna esquerda ia para um lado e o fémur da direita para o outro. Nada bonito de se imaginar.

1ª descida:

Susana é içada pelo monitor,
coloca-se desportivamente de lado, preparando-se para surfar na neve ,
inicia a descida,
ganha balanço,
começa a achar que a descida está a ser vertiginosa de mais para a sua destreza física de foca,
distingue ao longe um grupo sentado de costas na neve, ouvindo atentamente um monitor.
imagina que se a prancha passar pelo meio deles é capaz de ainda decepar 5 ou 6,
pensa em atirar-se para o lado,
rapidamente afasta essa perigosa ideia uma vez que tem outra melhor,
projecta a voz e grita em plenos pulmões, ouvindo-se em toda a cadeia montanhosa: SAIAAAAAAAM DA FRENTEEEEEEEE!
o grupo olha para trás e lança-se em várias direcções,
Susana passa por entre eles, alguém a agarra pelo colete e ela cai enterrando-se na neve de cabeça para baixo,
Ouve vozes distantes,
Perguntam-lhe: "como é que te chamas?"
Ela desenterra a cabeça, atordoada,
"Susana" - responde baixinho (imaginando que a vão expulsar da estância),
"SUSANA, ÉS A MAIOR!" - gritam histéricos, enquanto batem palmas e pedem para tirar fotos, situação à qual acede bastante orgulhosa.

Quase tão emocionante quanto a queda da mota. Dei cabo de um joelho mas já marquei fisioterapia. E para o ano há mais.