sábado, janeiro 23, 2010

História não-profissional mas que invarialmente mete ladrões

Ontem, sexta-feira, um idiota de um ladrão assaltou-me o carro que estava estacionado mesmo junto à PJ. Fora o pormenor do objecto furtado (o computador portátil do meu colega e amigo cego José), a situação foi de uma intensa e giríssima emoção.


1.º saimos os 2 (eu e o José) das instalações da PJ para regressarmos à viatura;
2.º regressámos e observámos (mais eu) que a pasta do portátil que estava brilhantemente escondida debaixo do banco do condutor, está agora vazia em cima do banco;
3.º lançámos impropérios contra os cabrões dos ladrões e dos advogados deles e regressámos indignados à Pj;
4.º Amena cavaqueira com os inspectores do piquete que se queixam também dos cabrões dos ladrões e dos advogados deles;
5.º José tem a peregrina ideia de dizer que eu fui a advogada do ladrão que assaltou a PJ;
6.º Silêncio inicial mas, para meu alívio, risota pegada;
7.º Eu, não querendo ficar atrás, tenho a peregrina ideia de contar que o José foi advogado de um ladrão que limpou 50 euros ao inspector que o tinha detido dizendo-lhe "se eu já não almoço, tu também não";
8.º Risada no piso inteiro: inspectores do piquete, seguranças e mulheres da limpeza.

Até que..

9.º Dizem-me que o meu veículo vai ser submetido a exame lofoscópico e de vestígios biológicos;
10.º Fico mortificada de vergonha só de pensar nos vestígios que devem estar escondidos naqueles bancos, mas não tenho alternativa senão entregar-lhes as chaves;
11.º Informam-me que encontraram impressões digitais muito nítidas, no vidro da frente na parte de dentro;
13.º Rezo interiormente para que não sejam as minhas patinhas nalguma noite de amor tresloucado;
14.º Tiram-me as impressões digitais, não coincidem. (alívio)

Às nove da noite voltamos finalmente para o carro, eis quando o José diz-me que o ladrão é muito estúpido, não levou o objecto mais valioso...

- Então? - perguntei eu
- A minha bengala de infra-vermelhos que vibra e fala. Vale mais de 1500€!

Pensámos ao mesmo tempo no mercado negro dos amblíopes e rimos noite fora.

sábado, janeiro 16, 2010

A Vingança (Parte VII)

(Nota de rodapé: a partir de hoje vou escrever todas as semanas. Mesmo.)

Durante duas décadas e meia, sofri horrores na mão de um irmão mais novo absolutamente doido. Imaginem um miúdo hiperactivo, no sentido clínico da coisa, que:


- em todos os transportes rodoviários e edifícios públicos do país, se lançava de pernas e braços abertos para o chão e ladrava selvaticamente, com olhos canídeos e quase que juro que conseguia fingir que espumava da boca;

- sempre que me via de namorado novo na escola (e, meu Deus, se fui impúdica), exigia quinhentos paus para se manter calado na hora de jantar, e mesmo assim, durante esta, com ar matreiro puxava a manga do nosso progenitor e dizia com ar manhoso: "sabes pai..." , apenas para me aterrorizar;

- nas colónias de férias dizia a toda a gente que eu tinha piolhos e carraças;

- em plena missa lançava arrotos monumentais e olhava para mim de lado, com ar surpreendido;

- atirava laranjas à cabeça dos traseuntes do 1.º andar e, se alguém fosse a casa pedir explicações, abria a porta com um aspecto transfigurado, de termómetro na boca a espirrar para um lenço.

Mas, anos depois, teve a paga que merecia. Foi trabalhar para a Disney em Londres. "Mas isso é bom", dizem vocês, "a fazer o quê?"
...

A FAZER JOGOS DE COMPUTADOR BEM MARICONÇOS DO URSINHO WINNIE THE POO !!




Portanto, o meu irmão trabalha com um mamífero da família dos ursídeos de pelagem amarela que veste um sensual top vermelho e está sempre rodeado dos seus amigos (e vive com o Piglet).


Sinto-me vingada.