quinta-feira, novembro 12, 2009

O tesouro

Juro que já começo a sentir vergonha de contar as histórias dos meus clientes e nada ter para ofertar quanto à minha vida pessoal, mas a realidade dura é esta: sou uma nódoa social.

Fui encontrar um Paulinho algemado por um braço a um banco numa das nossas esquadras. Num choro estrangulado, este infeliz toxicodependente revela-me que foi consumidor de heroína durante 13 anos, mas que agora está recuperado.

- Então Sr. Paulo... afinal o que é que lhe aconteceu? - questionei, deixando de fora afinal, a única pergunta que me interessava: onde é que andavam os dentes dele e por que é que tinha uns ténis caterpillar?

- pois.. estava eu a fazer uma ganzinha... tá a ver.. uma ganzinha...e chegou a bófia, fez-me a revista e apanhou-me desprevenido! Mas eram apenas 2 bolotas de erva e dotôra, é para consumo mêmo! Eu não vendo nada!! - afiançou num ar desgraçado.

- 2 bolotas? de haxixe? Realmente não me parece nada de especial. E onde é tinha as bolotas? - questionei,desfolhando a Lei da Droga.

- ...Num saquinho dentro das cuecas.

Silêncio. Parei a leitura.

- Dotôra, nas cuecas que é para não me roubarem a ganza, que ali a malta de Pedrouços é avariada! - esclareceu o toxicodependente.

- Pois, está bem... e o pormenor do saquinho? É que parece que é mesmo para venda....

- Dotôra, pela minha saúde! (HIV sem dentes...) Não é nada para venda, o saquinho é só ... é só para não cheirar mal!

- ... Aquele cheiro a.. ´tá a ver? cheiro a ....rabo...

rolling on the floor laughing

Quanto eu não gosto de uma pessoa genuína, de alma e cueca aberta.