domingo, junho 21, 2009

reiki e as práticas anais

Na semana passada tive a rica ideia de fazer reiki. Não fazia a mínima ideia do que era, se consistia numa simples meditação, se era individual ou em dinâmica de grupo, se tinha que fazer cenas maradas esotéricas (como pendurar os calcanhares atrás das orelhas, como vi fazer, horrorizada, numa aula de yoga) enfim, fui na absoluta ignorância.

Afinal era uma espécie de consulta com um mestre, numa sala na penumbra, com incensos e música celestial. Eesse homem , sempre caloroso, colocou-me questões pessoais enquanto tirava apontamentos e escrevia no computador. De repente o telemóvel dele toca e, desculpando-se, sai da sala.

Uma vontade incontrolável de espreitar o computador e ler o que ele escreveu sobre mim assola-me... hesito...e, como bom diabo-da-tasmânia que sou, sem qaisquer resguardos éticos levanto-me da cadeira, circundo a mesa e olho para o écran.

Numa janela minimizada um site gay, com uma data de fotos de homens em tronco nu cheios de pêlos, um pouco gordos e bastantes feios. Numa outra um chat gay, com umas 5 ou 6 conversações em simultâneo com nicks bizarros.

Primeiro a petrificação, mas depois o sangue recomeça a circular-me nas veias e dá-me uma vontade indescritível de rir, rir até não poder mais. Mas rapidamente tive que me conter, calçar um chinelo que entretanto que me tinha saído de um pé e voltar a sentar-me na cadeira com um ar absolutamente amoroso. A consulta decorreu lindamente, com direito a aberturas de chakras e pavores semelhantes.

No final ele perguntou-me se eu me sentia melhor. Pensei nas probabilidades de ir a uma consulta de reiki com um mestre que afinal nem ouviu nada do que eu disse e está é mortinho para meter uma pila na boca e ri-me mais uma vez respondendo que me sentia muito bem tinha sido uma hora bem passada.

À porta perguntou-me se nos veríamos novamente, referindo-se obviamente a nova consulta e eu disse "claro!" acrescentando para mim: "sábado, no arraial gay pride meu granda abafador de croquetes!". Ri-me mais uma vez e fui para o carro, feliz.