quarta-feira, março 11, 2009

Quem quer ser prostituta?

Todas as noites tenho que passar pelo IST. Como é sabido, nas esquinas deste Instituto costumam parar umas senhoras pouco recomendáveis, commumente chamadas de "putas do Técnico". Ora estas senhoras, cujas maiores competências sociais deveriam ser, aparentemente, equilibrarem-se numa parede e rodarem uma bolsinha, revelam-se afinal seres bastante perspicazes e de grande intuição.

As meninas, nunca são as mesmas. Em passo estugado, caminho com a maior naturalidade, escondendo mestriamente o meu medo de que, confundindo-me como uma delas, as prostitutas me batam ou simplesmente toquem e que eu contraia gonorreia. Ora quinze dias depois destas incursões nocturnas, descobri duas coisas:

1.º - as prostitutas são, mais uma vez sublinho, seres bastante intuitivos, que facilmente apreendem que eu não sou mulher de biscates, não ofereço qualquer tipo de concorrência, pelo que sou simplesmente invisível e ignoram-me de uma forma quase que cruel;

2.º - os homens são totalmente estúpidos.

É que eu vou sempre irrepreensivelmente vestida, sem decotes e saracoteios, carregada de livros e muitas vezes até levo os óculos e se o dia foi mesmo longo já troquei para os ténis. Mas os homens (não todos, mas os suficientes para eu ficar lixada), burros que nem portas e toldados pela excitação sexual, enconstam os carros, fazem sinais de luzes, chamam-me acenando as manápulas ou com um breve "pssstt", uns sorrindo, outros borrados de medo, mas nunca se inibindo de pensarem que sou meretriz!

As putas, mulheres sensatas esclarecidas, observam divertidas - e eu...
bem, eu nem olho para os condutores, mas vou cá com um mau feitio de quem é que capaz de lhes partir a cara em dois e continuo nervosa o meu caminho.

Portanto, Mulheres, independentemente da ocupação profissional, inteligentes.
Homens, independentemente da profissão ou veículo automóvel, lamento - deprimentes.