sábado, dezembro 13, 2008

Bimby 4ever

Quando eu era mais nova, desde os meus 14 anos, esta minha mãe xeiretava tudo o que fosse possível acerca da minha privada. Suponho que fosse para proteger as minhas virtudes e dotes de donzela imaculada, certo é que, qualquer que tenha sido a sua motivaçao, a minha mãe falhou, e muito, embora eu não possa acusá-la de não se ter esforçado:

-Nos acampamentos da catequese, lá estava ela vestida de caqui escondida atrás das sebes;
- nas míticas raves à tarde no liceu, lá estava ela de auscultadores a um canto a fingir que metia som;
- nas festas de anos, fazia sempre questão de entrar com um lanchinho enquanto jogávamos ao "quarto escuro", tendo sempre conseguido estragar todos os beijos com língua, apalpanços de rabos e roçares de maminhas que se proporcionaram na minha adolescência.

Enfim, todo um conjunto de situações que me faziam passar vergonhas e me sugestionaram que o que a minha mãe queria é que eu ficasse a viver com ela para todo o sempre, e, obviamente, muito virgem e burra. No entanto, este meu entendimento tem vindo a ser posto em causa, uma vez que descobri que, neste momento, o que a minha mãe quer é ver-me da casa para fora.

Começou subtilmente, com umas conversas acerca das minhas primas mais novas, que já sairam do lar, desfiando ainda o rol das filhas das amigas que já se haviam emancipado. Depois, tornou-se mais explícita, e eu fui ouvindo e calando. Mas, o mês passado, o golpe foi muito baixo.

A minha mãe chegou a casa com uma Bimby debaixo do braço. Fiquei louca de alegria, quase que perdi os sentidos com a emoção. E ela "Susana, isto fica para ti, mas só abres quando tiveres na tua casa nova".

Fiquei confusa.

"Mas mãe, eu vivo contigo".
"Eu sei." - vincou ela, dando meia-volta com o meu tesouro, escondendo-o algures nas profundidades da garagem.

Ainda só toquei na Bimby uma vez. Sonho com ela todos os dias. Já comecei a ver casas em Algés.

terça-feira, dezembro 02, 2008

O espectro do Banco Alimentar

Não sou de intrigas, mas duas horas de voluntariado no Banco Alimentar num supermercado equivalem , em termos de exaustão emocional, a um mês de ansiedade esperando pela conta da PT e a tareia que se segue (o horror inominável, especialmente quando se tem o namorado em Angola).

Tudo no Banco Alimentar me irrita.


- quer contribuir? - pergunto eu, sorriso nos lábios, linda e lampeirinha que nem um anjo
- ah a minha mãe já deu esta manhã.

( e então minha p..., o que é que eu tenho a ver com isso? e tu, não tens mãozinhas para dar aos pobres, o que é que a tua mãe tem a ver com o assunto ? E ontem que eu saiba não é hoje minha grande porca suína) - pensei eu, com um sorriso nos lábios após responder - "Concerteza, obrigada!"

- ah, já dei à bocado. (com alguma imaginação ou vergonha na cara, alguns inventam um qualquer nome de cadeia de supermercados)
(e então meus grandas sumíticos socialistas, custa muito oferecer uma segunda vez é?? E eu lá tenho cara de parva para acharem que me fico com essa resposta e continuamos todos amigos, como se nada fosse e o mundo continuasse a girar?!)

E uma coisa me intriga: fico sinceramente fula quando as pessoas não respondem ao apelo alimentar. Fico, confesso. Apetece-me desferir pontapés na cabeça, injuriá-los até à quinta casa, faço um esforço danado para não demonstrar a ira crescente que me assola.

Mas esta minha fúria nada se compara quando um "não" é proferido por um gajo do ginásio, daqueles armários quadrados todos musculados e com gel espetado naquelas cabeças ocas.
Bule-me sinceramente com os nervos. Todo o meu ser se eriça e apetece-me quebrar ossos.
Deve ter uma explicação científica, mas de momento nada me ocorre. Odeio simplesmente gajos do ginásio que não levam o saquinho do Banco Alimentar.


Portanto, tudo bons sentimentos nesta linda iniciativa de acçõo social. E vocês, contribuiram?