segunda-feira, novembro 24, 2008

Podre parte VIII

Caríssimos descobri, pelos piores meios, que os ortopedistas que consultamos pela primeira vez não se limitam a analisar os nossos raios-x e ressonâncias magnéticas. Não. No mês passado, um ortopedista recusou a sacola dos exames que eu lhe estendia e pediu-me que me despisse.

Após um breve hesitação, acedi e fiquei apenas com a cueca da promoção da Calzedonia a 1 euro com o sugestivo dizer: "follow me" estampado a letras vermelhas bem no meio do rabo - (realmente o barato sai caro e a dignidade não tem preço).

Mas triste foi quando o ortopedista me pediu que tocasse com os dedos das mãos no chão, enquanto ele, à rectaguarda, avaliava a decrepitude da minha actuação:

Eu jovem viçosa no fulgor dos seus 28 anos, tentava chegar com os braços baloiçantes aos dedinhos dos pés, sendo que o máximo que consegui foi tocar e de relance no ínicio duma tíbia,

e, atenção, isto com os joelhos completamente entortados para dentro. Senti-me tão graciosa quanto um canguru a recolher bolotas na estrada, mas enquanto o marsápio tem pêlo, eu tinha apenas umas cuecas enfiadas pelo rabo adentro.

Suspirei de alívio quando ele me disse para me levantar, mas fiquei aterrorizada quando me mandou deitar na maca e içar o joelho ao nariz. Não pela parte de que obviamente a minha perna esticada aponta apenas e unicamente para o tecto, mas sim pela já habitual dicotomia mulher/depilação-não tenho tempo-fica para amanhã.

Bom, saí daquela Cuf como se tivesse levado uma tareia. Derrotada, humilhada e oficialmente podre a cair de caquética.Não sei como é possível fazer as aulas de power jump, com os joelhos a bater nas beiças, mas certo é que as faço e todinhas até ao fim.

Remeto-me às sábias palavras do padre Alberto, pároco da minha juventude que calava sempre as minhas questões difíceis (quem sou, donde venho, que Jesus espera de mim, porque é que o rapaz da escola de quem eu gosto se chama Ovídio Pequeno) com um encolher de ombros e um sumido"mistérios da fé..." e que me fazia bulir com os meus nervos adolescentes.

Tinhas razão Beto, tinhas razão. Mistérios da Fé. Eu sou a prova viva disso.