quinta-feira, março 20, 2008

Era mesmo esta que me faltava

Isto há coisas que não lembram a ninguém, especialmente após os meus 3 ou 4 posts invejosos versando sobre raparigas bonitas e vistosas.

Há uns dias a Bianca, aproveitando uma distracção minha, avistou um gato e atirou-se muro fora com as 3 patas que lhe restam e desapareceu numa bisga. Só tive tempo de ir buscar as chaves e correr rua abaixo não fosse ela ficar definitivamente aleijada.

Ia eu, note-se, de pijama desirmanados (calças das ovelhas e camisola dos pinguins), sem soutien, de meias rotas e cabelos gordurosos ao vento, quando vem a subir a rua, a pé, na minha direcção, uma rapariga de dois metros, loira e de botas altas, que dá pelo nome de Merche Romero.

Afrouxei o sufciente de lhe lançar uns olhos gulosos e observar sofregamente tudo o que os meus olhos alcançavam.

E, meus confrades, que dor. Nenhuma mulher, acabada de acordar mas de bons sentimentos como a minha pessoa, deveria ser sumetida a tamanha humilhação. E lá continuei eu, de peúga rota em riste, na demanda do cão aleijado,

isto enquanto Merche Romero subia segura e bem formosa a minha rua (que, pasme-se, até nem tem saída).

Ora passados 3 dias, voltei a ver Merche.
E deste vez eu até estava vestida. De fato completo e botas altas. E caramba, continuei exactamente com a mesma sensação, basicamente uma refugiada libanesa, com ranho no nariz e cabelo colado à testa.

Dias depois o mistério resolveu-se. Um ex da dita é o meu mais recente vizinho, e não me refiro obviamente ao Cristiano, se não não estaria aqui a escrever estas linhas ao computador mas sim de binóculo em punho escondida no sotão,

pelo que algo me diz que me vou sentir ratazana de esgoto, lodosa e rexumenga muitas mais vezes que seria de esperar na minha própria terra, na minha própria rua.

"Ah e tal, é gira mas é bem burra, não te preocupes" - consolam-me os amigos.
Pois preocupo-me. E muito. E o menino Renato vai-me mas é passar a ir buscar ao quarteirão de cima que eu não quero cá misturas.