sexta-feira, setembro 28, 2007

A Dúvida

Esta semana fui assistir ao julgamento de uma colega, que envolvia um seu arguido um pouco sui generis, preso num estabelecimento prisional.

Fui com a minha amiga Zélia, comparsa das brincadeiras, e sentámo-nos as duas no banco das visitas, emocionadas com o início da audiência.

Mas o certo é que, ainda esta nem tinha sido aberta, já vinha um Sr. Funcionário Judicial, a suar em bica, lívido de desespero, sem articular palavra conexa:

- o arg.. o ar..fug.. arghhh o arg..

E eu e a Zélia a mirá-lo atentas, tentando decifrar a charada:

- o arg...arghhh...o arg..oh meu ..fug.. arghh e atirava com a cabeça para trás e a língua para fora,

Finalmente apareceu outro Funcionário, com um pacote de açúcar, enfiou-lho garganta abaixo e o homem lá recuperou a consciência:

- o arguido..ó meu Deus, o arguido... fugiu! Não está na cela, fugiu!

Motim na sala, só faltou os restantes arguidos atirarem-se janela fora, com pânico de um arguido foragido - quiçá armado - esquecendo-se, por momentos, que eles próprios, num certo momento da sua vida, foram uns pequenos patifes.

Até que vem uma Funcionária, lúcida como qualquer mulher que se preze, e acalmou os 2 Funcionários esclarecendo-os:

- O arguido já vem aí.

Burburinho.

E segundos depois, entra uma mulher de porte altivo, cabelos pretos escorridos, calças justas e botas altas, batôn nos lábios e o rabinho a dar a dar.

Silêncio.

- Foi erro do guarda, explica a Funcionária, enquanto olha invejosa para a D. Travesti

Pois é, parece que quem deveria ter metido o arguido na cela dos homens, se entreteve tanto e tão bem a olhar para as suas maminhas baloiçantes e quadris rebolantes, que se esqueceu estar perante um travesti NÃO OPERADO por isso, e para todos os efeitos legais, tinha um pénis (minúsculo e atrofiado, segundo me confidenciou - hihi) e dois testículos (pequenitos também, tipo isto..)

Mas no meio disto tudo, se há uma coisa que eu aprendi ou reforcei é:

- os homens são particularmente estúpidos, especialmente se estão à rectaguarda de um travesti, absorvendo o seu traseiro bojudo e a babarem-se farda abaixo.

- Eu, enquanto espectadora igualmente à rectaguarda, percebi que não vale a pena um travesti operar-se e pôr proteses no rabo,

se tem umas costas largas de dois metros que só lhes falta estar à porta do Mussulo a barrar entradas e a conduzir um saxo cup.

Espero que seja absolvido. a.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Um grito de revolta

Quem me conhece sabe que o meu cabelo tem vida própria. Só lhe falta ter dentes e dois olhos lá pelo meio. De resto, faz o que quer de mim, rebola-se, abespinha-se e depois faz um pequeno capacete do lado esquerdo que simpelsmente me enoja, mas é meu e vou ter que viver com isso.

Acontece que a única coisa que o semi-domina é um daqueles pentes tipo piolhos, com um cabo de aço muito fininho e que serve para fazer um risco decente em cima da cabeça.

Tendo eu ido a uma prisão que não é das mais rigorosas, levei o pente no meio de um livro. Quando a mala passou pela máquina raio-x, accionaram-se toda uma panóplia de sons agudos, luzes vermelhas e portas que se fecharam atrás de mim. Guardas armados até ao pescoço cercaram-me e obrigaram-me a abrir a mala.

Resignada, abri o livro e saquei do pente dos piolhos. Depois de um momento de descontracção, durante o qual os guardas se riram, e friso bem, RIRAM do meu pente, lá passei a mala outra vez pela máquina raio-x.

E mais uma vez a máqui a apitou louca, descontrolada, e guardas armados se posicionaram atrás de mim, evitando uma possível fuga.

- QUE MAIS TEM AÍ? - vociferou o chefe. Tremelicante, abro a minha mala e não vislumbro nada de mal.

- Nada..- asseguro, enquanto rezo baixinho para que não me abram a caixinha dos tampões maxi .

Pois é que foram mesmo directos a ela. Inspeccionaram-na, com ar intrigado, enquanto me apetecia gritar: NÃO SÃO TORPEDOS SENHORES, EU METO ISSO NO PIPI

Depois de uma breve inspeccionadela e alguns sorrisos cúmplices com os restantes colegas, o guarda devolve-me a caixa dos tampões, seguro que não foi aquilo que fez disparar a máquina. E com uma fila de 50 familiares dos presos atrás de mim, furiosos pelo tempo de espera, finalmente o denso mistério resolve-se:

- O QUE É ISTO? -pergunta ele enquanto segura num objecto comprido cor de rosa

- É um baton- esclarece, solícito, outro guarda mais novo.
- Ah, pois é, é um baton - confirma o chefe. - vá, passe lá

E devolvem-me o objecto supostamente letal, que de baton tem muito pouco, já que é um comprido frasco de perfume da sephora, mas enfim, o que eu queria era vir-me embora antes que as visitas me fizessem a folha.

- Desculpe, o meu pente - peço eu com os melhores modos que consigo.
E devolvem-mo rindo, mortinhos para me aconselharem Quitoso.

Tive pena daqueles pobres de espírito. Se não sabem sabem distinguir um baton de um frasco de perfume, sabe-se lá o que é que aquela gente inventa na intimidade. Ofereceram-me em tempos uma t-shirt que dizia "boys, clitoris it´s not a greek island"

Tudo isto para dizer que tenho pena daquelas esposas.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Só naquela

Palavra que não sou de intrigas (há quem afiance que sim),

mas, tipo: é impresão minha, ou o Jumbo de Alfragide desapareceu?
É que ou eu estou sempre muito bêbeda quando desço os cabos d´ávila ou então aquela coisa não está mesmo lá.

E como nunca ouvi ninguém interpelar-me dizendo "ó susana, já reparaste que o Jumbo já não está no mesmo sítio", e nos últimos tempos o que mais oiço é "susana, já reparaste que conduzes no meio da estrada estiveste a beber ou quê" ,

começo a pensar que isto talvez seja uma cabala, e, a ser, advirto desde já que a minha condução é perfeitamente ajustada à realidade social e NÃO A VOU alterar. Não gosto de me atirar às bermas,

peço perdão por ter visão lateral.

Caso não seja, tenho medo. Muito medo.