quinta-feira, agosto 23, 2007

Nasceu uma estrela. Origem: Desconhecida

Olá.

Hoje faço 27 anos e vou-vos contar porque é que neste dia, 23, descobri uma verdade horripilante.

Este ano o meu pai resolveu pintar a casa toda por dentro. Quando eu me apercebi de semelhante intenção, o meu coração parou. Explico: Eu tenho um péssimo hábito - chunga, é certo, mas tão reconfortante que é: colar cenas nas paredes.

A minha sorte até agora foi o meu pai nunca ter pintado o meu quarto. O que significa 7 anos ininterruptos de coladelas nas paredes, nem eu própria sei bem de quê,

mas essencialmente posters de macacos vestidos de bebés e com duas fraldas (juro, não sei o que me deu), luas com caras e querubins em tons pastel, enfim, tudo isto colado com fita-cola daquelas para atar ligaduras, é que a minha mãe trabalhava no Hospital do Desterro e trazia essas gosmas de graça para casa (vulgo furtadas).

Por isso, se fizerem um pequeno esforço, conseguirão imaginar o estado lastimável das paredes por debaixo daqueles posters de refinado bom gosto.

Dia 19: o meu pai pinta a sala - tremo
Dia 20: o meu pai pinta o corredor - continuo temerosa
Dia 21: o meu pai anuncia que vai começar a pintar os quartos. Não diz qual será o primeiro - fico com dor de barriga. Começa pelo do meu irmão.
Dia 22: antes de eu ir trabalhar apercebo-me que se dirige ao meu quarto. Saio de casa em estado catatónico.

Dia 22 às onze da noite, já quase dia 23 : pé ante pé meto as chaves à porta. Não oiço gritos nem urros cossacos. Benzo-me e vou cumprimentar os meus pais.

Faltam 15 minutos para a meia-noite ou seja, para deixar de ser a Susana, a Javardola e voltar ser a recordação afectuosa daquele bebé, um pouco estranho de enormes pés, mas no fundo uma promissora promessa e consolo para aqueles ansiosos jovens pais.

Já viste as paredes do teu quarto? - oiço eu vindo da sala.

Dirijo-me a ele e faço o meu olhar de traquinice, só me faltou a fisga no bolso e os peúgos rotos a arrastar pelo chão.

Deu-me um beijo e um calduço suave, encarando-me com um sorriso carinhoso no rosto. "Vitória", pensei. "Que timming excepcional"!

Hoje passei a manhã INTEIRA a raspar a parede com uma espátula e diluente celuloso. E palavra de honra que ainda não acabei. Só posso ser adoptada.

segunda-feira, agosto 20, 2007

SPORTING

6ªF vendi-me.

Em traços gerais, porque a história é longa:

- 6ª à noite
- matar tempo entre as 20h e as 23h
- solidão

não, não me prostituí.

Pior. Fui ver o Sporting-Académica. (eu sou do Benfica).


Pior ainda:

O meu irmão, que me levou, assistiu ao jogo num camarote onde estavam os familiares do capitão de equipa. Eu, a preta da família, assisti ao jogo entalada entre um gajo semi-nu a tocar tambor e cheirar a azedo, letras garrafais escritas no peito "Directivo XXI", e entre uma azeiteira simplesmente assustadora que cuspia a valorosos decibéis " Ó Briosa vai p´puta que vos pariu",

não sei o que é que se passou, mas quando dei por mim, entoava muito animada hinos e expressões bizarras tipo "Tunél" e "Stotofixe", sem nunca sequer ter percebido afinal a que equipa pertencia a baliza à minha frente, e acreditem...

foi tãaaao fofo! E palavra, quase que me vieram as lágrimas aos olhos quando cantei "Até morrer, Sporting Allez", primeiro de comoção depois, um súbito ataque de riso só de imaginar se aqueles histéricos sonhassem que eu era do Benfica.

Enfim, lá saí contente: matei as três horas e no dia seguinte saí no Record.

Pudera, a única gaja com dentes na claque.

PS- Directivo Ultra XXI , se alguém nessa claque souber ler, afianço que este blogue é meramente lúdico e acabo por caricaturar um pouco o cenário. De qualquer forma, não sabem onde eu moro.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Nova lei da imigração

Descobri um local onde qualquer clima de terror armado tipo Serra Leoa parece brincadeirinha de boiolas.

Quem já lá foi, sabe reconhecer imediatamente o sítio a que me refiro.

Os que ainda não acertaram, nunca foram. Ao SEF.

O Sef é um local simplesmente aterrador, escuro como breu (e não me refiro à homogeneidade dos africanos). A primeira vez que lá entrei, e afianço que ainda não tinha transposto os dois sapatinhos, ouvi um sonoro "OIÇA LÁ SUA PALHAÇA ONDE É QUE VOCÊ PENSA QUE VAI?".

Já nem me lembro o que balbuciei, mas ainda antes de lhe responder já eu estava a ouvir do ouro lado , num claro sotaque nordestino, " É PUTA É, VAI-SE PÔR NO FIM DA FILA!", apoiada por vigorosos aplausos de uns quantos ignorantes que nem percebiam o português e me olhavam lascivamente para os tornozelos.

Enfim, um cenário bucólico, ideal para uma jovem de 26 anos se desenvolver emocional e socialmente. Começo a sentir saudades da faculdade.

quinta-feira, agosto 16, 2007

A proprietária

oh joy oh happiness tenho um portátil no meu quarto há 15 dias.

15 dias? então porque não escrevi antes? fácil: o portátil foi-me gentilmente cedido por australiano, tipo da austrália, e o teclado é simplesmente uma coisa assustadora. Como eu sou um bocado burra, o meu irmão não me ajuda, o meu pai chega cansado da labuta e o meu namorado mora longe, eu, na minha sacramental ignorância achei que, por algum motivo, eu tinha que criar atalhos nas teclas para todos os caracteres que faltavam. E eram muitos. o ç, o ~, os acentos, uma parafernália de letras que sempre tive por certas e afinal percorrem insondáveis caminhos conforme os países e respectivos continentes.

Isto para dizer que durante 15 dias tentei colocar atalhos em todas as letrazinhas. Claro que para me lembrar das teclas tive que criar um caderninho e, posteriormente, fazer umas etiquetas e colocar com um bocado de cuspo mais ou menos onde calhava.

Graças ao meu bom Deus, e estando eu já prestes a ter um colapso nervoso daqueles que dão psicose e eventual internamento,

chorando baba e ranho por demorar 5 minutos a escrever a palavra coração e acertar com os parentesis e abre-aspas, chega finalmente o meu irmão de férias, ri-se às gargalhadas com as minhas etiquetas salivadas e cheias de dedadas bem sujas,

e em 30 segundos vai ao painel de controle, altera a opção de "teclado - portugal" e vai para a casa de banho, ainda a enxugar as lágrimas do rosto.

Eu, por turno, não sabia se também havia de secar as minhas ou continuar a chorar num registo dilacerado.

Optei por me rir. E por contar a toda a gente. Sou pouco esperta mas lambi um Toshiba a custo zero. MUAHHHHHHH