quinta-feira, maio 10, 2007

Condução sem carta. Dá para acreditar?

E o insólito aconteceu.


Ontem estava particularmente bem disposta. Tinha um julgamento de manhã, mas uma coisa ligeirinha, sem dramas.


Lá fui eu para o tribunal, a assobiar contente com o casaco pendurado ao ombro e óculos de sol a enfrentar confiante o mundo.


Começa a audiência, o juiz fala, o procurador, fala, e a Susana começa a discursar. Não sou de intrigas nem falsas modéstias, mas quando estou bem disposta falo e até falo bem.

Ainda a procissão ia no adro, e eu, inflamada exaltava as virtudes do meliante que ali estava, quando este, subitamente, se agarra ao peito e cai no chão.


Sem saber muito bem o que fazer, e até porque não sou de deixar coisas a meio, ainda largo duas ou três palavritas sumidas. Mas depois de o ver estendido no chão a minha sensibilidade feminina, vulgo 6º sentido, manifestou-se e aí eu achei por bem calar-me.


De qualquer forma, também não me parece que naquela altura alguém me estivesse a ouvir, especialmente a juíza que se tinha levantado e levado a mão à cabeça desesperada e a procuradora que fugiu como um tiro para o segundo piso, onde decorria um julgamento de vários médicos.


Depois, lá vem o INEM, leva o meu arguido e eu fico na sala, sozinha, sentada numa cadeira ao canto


ridícula na toga xs que não me serve, a olhar para a biqueira da bota e a pensar para com os meus botões que tudo mas tudo me acontece.


Felizmente o arguido sobreviveu ao ataque cardíaco e foi internado.


Agora a questão que se coloca:
Quem é que lhe vai comunicar a sentença?
CREDO, EU NÃO!

ps- para os mais incrédulos, é favor confirmar na secretaria dos juízos criminais de lisboa

19 comentários:

a lice disse...

Vida de advogada não é fácil...:)

Angela disse...

Ó meu deus!!!!
Já me aconteceu uma ou outra coisa estranha em julgamento (principalmente os que decorriam durante as escalas), agora isto é demais... bolas..!

marco disse...

caso bicudo.....!

Anónimo disse...

Tens a certeza que ele não fingiu só para não ouvir a sentença? Se formos a ver ter um ataque cardiago e ficar-se bem ou ouvir que se vai estar não sei quantos anos na prisão, não sei o que é melhor.

Pedro Ferreira

Isabel Paixão disse...

Jesus!

Pratas disse...

Susana, se gostas de ler talvez queiras dar um salto neste projecto:

http://umcontode.blogspot.com/2007/04/captulo-i.html

Perverso disse...

qual foi a sentença? ir para casa com uma valente diarreia?

Tó do Samouco disse...

Se calhar o teu discuro não estava a agradar ao arguido, que viu a vida a andar para trás!

http://samoucoaorubro.blogspot.com/

Pedro disse...

O que o stress faz às pessoas :|
Bem, quanto à comunicação da sentença: podem sempre aproveitar que o homem está no hospital para lhe comunicarem o desfecho... ao menos sempre está mais perto de médicos e respectivo aparato de reanimação...

Isabel disse...

eu já tive uma cigana a "incorporar"... afinal era só um ataque de hipilépsia. giro, giro foi ver os juizes a fugirem, a funcionária desorientada, os 34923 familiares da cigana de volta dela, os advogados a tentarem chegar à porta e ninguem se lembrar de chamar o INEM. Como eu te entendo...

Luísa disse...

Eu cá usaria isso para pedir justiça, aquando da repetição das alegações finais...
Mas isso sou eu que sou uma cabra insensível e que gosto de impressionar os juizes... : )))

Carlos Sampaio disse...

Tu uma advogada! Quem diria! Quanto orgulho!!! Bem me parecia que os treinos que fazias de leitura de "Uma aventura" serviam para alguma coisa! Enquanto isso eu lia o Patinhas à caça de tesouros... E agora sou um desgraçado de um designer! :P

A minha mãe bem preferia que fosse médico... mas pronto.

Bxana disse...

Bem, bateste os records de cenas estranhas em tribunal!

C'um catano!

cold water disse...

Ainda assim não me parece que ganhes o prémio de julgamentos insólitos.

Há uns anos atrás, no palácio, corria um julgamento em que eram testemunhas marido e mulher.
Já na sala de testemunhas o marido morre, presumo que de ataque de identica natureza.

Ora, a meretissima, ao invés de terminar de imediato, encerrar a sessão...nãaaaaaaaa
Chamou-se o Delegado para vir levantar o corpo e obrigou-se a mulher, cuja cara metade jazia morta no chão frio de mármore, a testemunhar, porque não existia fundamento para adiar.
Isto aconteceu de facto.

Belos colegas, que confrontados com uma cena destas não abandonaram de imediato o local...
Era o que eu faria.

Peste disse...

lol

vá lá...não bateu a bota menos mal...

Mia disse...

O que não dá para acreditar é no tempo infinito que demoras até escreveres outro post! Váááá!!!

brit com disse...

Este blog foi nomeado para o prémio "Blog com Tomates". Para mais informações visite http://blogcomtomates.blogspot.com

Rafeiro Perfumado disse...

O quê?!? Então com um discurso tão inflamado e não conseguiste que ele fosse absolvido? Francamente, Susana...

Sandra, João e Afonso disse...

Ainda eu acho que só amim é que me acontecem coisas estranhas! Bolas!