sexta-feira, abril 20, 2007

m...´s anatomy

Fui ao centro de saúde (inominado, para não ser presa daqui a 4 dias). Ir aquele antro psicotrópico é sempre uma experiência aterradora, especialmente o acto de sentar nos sofás mais andrajosos que há memória, repletos de todos os bichos conhecidos na ciência da Parasitologia, e ainda ficar frente a frente com a minha médica de família que suspeito desconhecer a totalidade das consoantes.

Há já algum tempo que a epitetei como a profissional mais burra de todos os tempos, de todas as civilizações, de todos os campos gravitacionais.

Esta semana, depois de 5 horas nos famigerados e mega-povoados sofás, entrei no gabinete da médica ainda a coçar-me por dentro da blusa num processo complexo de limagem de antebraço (pulga ou piolho, acabei por não descobrir). A doutora, extremosa como sempre, nem perguntou o motivo da comichão. (Suspeito que se entrasse de braço dado com um macaco idoso a escorregar por uma liana ela nem bateria uma pestana).

Respirei fundo, refreei o meu ímpeto maléfico de lhe dar um pontapé na fuça e estendi-lhe um relatório de umas análises com uma mão coçando-me aflitivamente com a outra.

"Você não tem nada" – respondeu aquele Cu diplomado.

Como nada, pensei. Ainda nem há 20 segundos tinha lido nas observações o nome da infecção.
"Drª, penso que..penso que não, acho que tenho.." – titubeei eu

"Não tem nada" – repetiu

"Então e isso que está aí escrito nas observações?" – questionei em voz sumida

"Hum. Ah,está bem" - condescendeu

Palavra de honra. Não existe uma merdinha qualquer de um juramento de Hipócrites ou Hipólito? Será que o mencionado senhor sonha que semelhante negligência estava prestes a ser cometida não fosse a sagacidade e lucidez de espírito desta pobre sobrevivente que hoje (miraculosamente!) vos escreve?

Sempre gostava de saber o que é aquela primata antropóide estava a fazer nesse dia.
Eu, ofendida e em pose altiva, pelo menos aquela que é permitida a uma pessoa acossada de pulgas-saltimbancas desde os dedos dos pés até à base da nuca, saí do gabinete.

Nunca mais lá volto, Deus queira que nunca mais fique doente ou então que me dê clarividência para me auto-medicar. Coitado do Pobre.

terça-feira, abril 17, 2007

CARAMELO! CHOCOLATE

Estou sem palavras.

Há 20 minutos atrás, enquanto deambulava pelo maravilhoso mundo da Wkipédia pesquisando sem qualquer rumo criterioso (jurista estatal blá blá blá), deparei-me com uma lista de síndromes. Emocionada e, convenha-se, com louvável paciência e tempo livre, analisei um a um.
De repente, sem apelo nem agravo travo conhecimento com o síndrome de Ehlers-Danlos ou Cutis elastica.

Aprofundo esta doença genética. Descubro que um dos sinais consiste em tocar com a língua no nariz.

Lentamente, em frente ao monitor, estico a língua.
Após uma breve hesitação e muito cautelosamente, soergo-a na vertical.
Grito lancinante.

Tremendo, leio o resto do artigo e descubro que o grau de gravidade do síndrome determina a expectativa de vida do paciente.

...Xau amigos. Depois de ter passado pela nefasta sensação da língua a acariciar-me gentilmente a testa suspeito que não vou chegar à ternura dos 40.

2 conclusões se retiram:
- se eu fosse depravada e solitária grandes aventuras se adivinhariam (nota do editor: não sou)
- F...se antes isto que o de Tourette

sexta-feira, abril 13, 2007

Perguntas Diárias PARTE I

- A Shakira é ou não prima do Cocas? Se não é prima, detém ou não um qualquer laço de parentesco com o mencionado batráquio? Será plausível uma mera coincidência de pregas vocais e véu palatino? Hum...i dont think so.

- Quem foi o egrégio e brilhante estratega do marketing que resolveu criar o desodorizante que dura 48 horas?

- Porque é que ninguém ainda deu uma chapada valente na Iva Domingues, a artista anteriormente conhecida por Iva Pamela ex-partner do saudoso Carlos Ribeiro no Made in Portugal ou lá o que era aquilo? Será que sou só eu que acho que ela é uma pobre coitada , gira, é certo, mas dolorosamente burra, com a mania que é perspicaz , completamente parcial, com piadas de mau gosto e armada em estrela naquele programa de sanita? Algo me diz que já sei porque é o Pedro Mourinho deu bem à soleta!

- Como é que é possível que em pleno sec. XXI ainda HAJA (ANÓNIMO ANÓNIMO AQUI ESTÁ O TEU MOMENTO DE GLÓRIA! UM ERRO POR TI CORRIGIDO! QUE PENA NÃO TERES NAMORADA NEM AMIGOS, QUÃO ORGULHOSOS FICARIAM ELES POR SEMELHANTE FEITO?! OH EGRÉGIO ANÓNIMO COMO TE PODEREI AGRADECER A SAGAZ CONJUGAÇÃO DESDE VERBO?! DINIS, CAUTELA! CASO ELE CORRIJA MAIS UM ERRO (UM!) FICARÁ EMPATADO CONTIGO! seres pensantes que não saibam que circular na faixa da direita a uma velocidade superior à das outras NÃO É uma ultrapassagem nos termos do código estradal? Como é que é possível um casal de namorados não se falar durante uma semana só o fazendo após parecer verbal de um sub-director da DGV? Hum. É bem possível. E emocionante. Principalmente quando se ganha.

- Como é que é possível ainda ninguém se ter apercebido que o filme Zona J originou uma das maiores injustiças de que há memória no patético panorama cinematográfico português: a Núria Madruga, cuja prestação teatral dispensa comentários, aliás, não dispensa, é um perfeito e frondoso cagalhoto que nem mexer os olhos sabe, anda por aí nas telenovelas, e o Félix Fontoura, par amoroso, que até nem se saiu mal e deveria ter visto o seu talento ser melhor explorado, só porque era pretinho está hoje a vender sapatos à comissão na Guimarães da Amadora.

quinta-feira, abril 12, 2007

A verdade da mentira**

A associação a que pertenço convidou um conhecido grupo de hip hop, para animar uma tarde das nossas crianças, com cantigas, coreografias e sermão típico das boas práticas e costumes,
convite esse a que o grupo generosamente acedeu, em pleno período das férias pascais.

Antes da actuação (que se revelou o máximo e proporcionou uma tarde muito bem passada, que fez a miudagem delirar e gritar até ficarem roucos), um membro do grupo dirigiu-se a nós pedindo para tirar umas fotos.

- claro, claro – apressámo-nos nós a concordar, orgulhosos de aquele grupo querer uma recordação nossa associação.

- Ao fim e ao cabo também serve para a nossa própria publicidade... – reconheceu o famoso vocalista.– Sempre damos a conhecer uma outra vertente da banda, mais humana, percebes? Mais que trovadores urbanos somos pessoas com sentimentos e preocupações.

Um outro membro questionou:
- Vocês são muito conhecidos não são? Estivemos a pesquisar, têm casas nos Açores e na Madeira não têm? Ainda são umas 2 mil crianças, vivem mesmo nas casas da associação não é? – num misto de interesse e verdadeiro apreço.

Olhei para os 21 ranhosos amorosos que por ali pululavam. Lembrei-me das instalações concedidas com muito boa vontade mas simplesmente bafientas, numa das salas ligeiramente podres da paróquia.

Algo na minha cabeça piscava como um neón e me advertia “PERIGO, PERIGO, estes gajos acham que nós somos uma outra associação e se eu disser alguma coisa se calhar arrumam as trouxas

e bazam, bazam, e vão para casa, casa.

E eu, (abrindo a pestana tana) sorrio complacente: - Fazemos o que podemos...

Nunca uma mentira me soube tão bem.
Quer dizer, de certeza que já houve, mas por agora não me recordo.

terça-feira, abril 10, 2007

Se a Yuppi sonhasse

Indo eu para o jantar de uma amiga bióloga que reunia nessa noite, em sua casa, outros colegas de profissão e veterinários, fui interveniente num infeliz sinistro tendo atropelado um cão ao pé de um cruzamento.

(Para quem me conhece bem, sabe que o verbo atropelar acoplado ao substantivo cão não auspicia nada de muito proveitoso. Com efeito, posso sinceramente afiançar que sob o meu ponto de vista atropelar um cão é uma acção muito semelhante quiçá, equivalente, a segurar um bebé por um tornozelo arremessando-o repetidamente de cabeça contra a esquina bem polida de um armário).

Depois de uma pancada forte e seca, oiço um ganir desesperante. Imediatamente, e com o sangue frio que me é característico, larguei as mãos do volante tendo com as mesmas tapado os ouvidos, cerrando os olhos com força e baloiçando-me autistamente à espera que aquele som terminasse e alguém acudisse o animal porque eu estava noutra dimensão.

Passados uns segundos uma mulher bate no vidro. Acena-me um ok e diz que o cão está bem. E, para meu grande espanto, vejo o cãozinho amoroso a saracotear-se alegremente ao lado do carro. Estupefacta, suspiro fundo e sigo o meu caminho. Chego a casa da minha amiga e, ainda a tremer, conto a história. Depois, remato com o final feliz e sorrio aliviada para todos quanto me ouvem.

Estranhamente, vejo rostos fechados e testas franzidas.
Um dos amigos da amiga elucida-me:

- Bem, o mais provável é esse cãozinho ter andado mais 30 metros e ter-se esticado morto no meio do chão, devido a uma enorme hemorragia interna.

E prosseguiu, filosófico: - Basicamente todos os seus órgãos vitais entram em falência e minutos depois do embate deve ter sofrido um choque hipovolémico afogando-se no seu próprio fluxo sanguíneo enquanto fica sem oxigénio e as todas as células morrem após um estado profundo de sofrimento.

Politraumatizada, levei a mão ao peito, certificando-me que ainda respirava.

quinta-feira, abril 05, 2007

Bom gosto? Hilarious

Ontem fui a casa da minha avó deitar fora o equivalente a meia tonelada de coisas que não lembram a ninguém, vulgo lixo. Esta é uma tradição que já se vai mantendo há alguns anos, dado que esta minha querida avó tem uma incapacidade técnica para distinguir as coisas úteis daquelas que, não só não têm qualquer utilidade prática, como até são desconcertantes do ponto de vista vegeto-animal

Assim, depois de muito choro e bramidos lancinantes lá consegui que a velhinha barricada na casa de banho me desse voluntariamente coisas que aqui me esquivo de denunciar porque acima de tudo temo que isto tudo possa ser genético e daqui a 50 anos vêm-me cobrar este texto.

Certo é que para lá desencantei uma serapilheira gigante repleta de malas e sapatos. Não sei precisar a idade cronológica, mas penso que da era pré-25 de Abril (mas já pós-1932). Munida de luvas esterilizadas, pego naquilo com um cuidado ínfimo de forma a que nada me tocasse e dirijo-me ao caixote do lixo. Infelizmente o saco, demasiado cheio e demasiado bafiento para se aguentar com atroz tormento, rompe-se todo e cai tudo no chão.

Surpreendida, observo com atenção e constato que no meio daquele aterro de entulho se vislumbram dezenas de pares de sapatos e outras tantas malas completamente usáveis nesta moda de meia estação. Se eu tivesse a mania da suspeição, quase que diria que os big boss da Lanidor, Zara, Massimo, Decenio e afins desceram dos seus ateliês de tecelagem e enfiaram-se na adega da minha avó à procura do mais remoto e inqualificável lixo urbano.

Ou seja, este verão, tudo o que seja sapatos feios de avós e tias-avós virgens da Moimenta da Beira (assim como contentores de roupa usada - colecta 1983-84), está super, super chiquê.

Agora na Páscoa vou à terra vasculhar os armários e Deus me perdoe o pecado da soberba mas sim, este ano, eu vou brilhar!
E ver muito ratinho morto no meio dos baús à pala do sulfato de sódio, quem mandou não ser roedor silvestre?

quarta-feira, abril 04, 2007

A Shakira mexe-se bem e canta muito mal - mas é FAMOSA

Devo anunciar que hoje de manhã ia-se perdendo (oh eufemismo adocicado!) uma adorável blogger nestas acidentadas estradas portuguesas.

Eram 8h45 e a minha pessoa ia-se esbardanando toda debaixo de um camião com 5 eixos. Ia eu a atravessar uma passadeira da Expo e o mencionado pesado tenta travar mas, para meu infortúnio, vem a escorregar rua fora e eu com uns altos pretos de 9 cm tento correr pela vida mas o máximo que almejo foram 4 ridículos passos achinesados.

Felizmente o mega-camião trava e não me mata. O senhor pede desculpa, mas segue. Eu, profundamente irada perante tamanha insolência, tento trepar até à janela do condutor e dar-lhe umas chapadas. Mas, como continuo com os famigerados saltos altos, fico-me apenas pelas intenções, fazendo mega-manguitos e gritando umas asneiras valentes.

Estava eu ainda nesses propósitos ( "Assassino, bandido!") quando atento bem no camião. Em letras garrafais (garrafais..tss tss - Times New Roman tamanho 390) leio:

SHAKIRA´S BIG WORLD

Calei-me imediatamente e fui a correr veloz atrás do camião. Meu Deus, ser atropelada/ferida não mortalmente pelo veículo da senhora - que atenção: não gosto, mete-me medo e se ela me perguntasse as horas naquele vozeirão de Hércules num beco escuro de noite eu desmaiaria imediatamente transida de purro terror -

foi o passo mais próximo da fama que já alguma vez dei. Ainda tentei que uma das roda me passasse por cima de um dos sapatos, chamei John, Jim, Jack, mas o condutor do pesado ia lesto quase que parecia um ligeiro e desapareceu-me do horizonte.

Desapontada, imaginei-me na Cuf a ser cumprimentada por uma Shakira chorosa e combalida, desgostosa de semelhante acto cometido por um dos seus subordinados. Um concerto a ser adiado, a TVI a entrevistar-me, a minha professora da primária "sempre soube que ela ia ser alguém".

Não foi ainda desta que saí do anonimato.

domingo, abril 01, 2007

Pulícia Jodiciária (manobras de distracção para não me apanharem no Google)

Sábado passado tive a rica ideia de ir ao exame da PJ artilhada com numerosos apontamentos complementares não autorizados, colocados estrategicamente em vários recantos do meu corpo e peças de vestuário.

À saída de casa, reflecti sobre a prudência de semelhante acto.

Nãoera exame da Faculdade de Direito
Não era exame da Ordem

Era a PJ.

Se esta instituição detivesse alguma dignidade material, no mínimo ofereceria dois labradores à entrada da faculdade, um paisana a fumar junto às casas de banho, uma mulher a revistar-nos as cuecas, outra a introduzir-nos dedos no recto, um coordenador no telhado a interceptar chamadas telefónicas e um agente encoberto infiltrando-se nas conversas.

Fiquei com tamanha dor de barriga que desembaracei-me das cábulas e atirei tudo para a bagageira, levando apenas os 2 códigos.

Infelizmente, o único rex que para lá vi foi um cão famélico orbitado de moscas, o telhado estava deserto e ninguém me revistou excepto um supervisionador de provas que me despiu com os olhos enquanto limpava o cuspo dos cantos da boca.

Depois de ter asssistido, profundamente enojada e durante 3 horas ininterruptas, a pessoal a copiar desencantando cábulas das orelhas e de entre os dedos dos pés, fui a praguejar e blafesmar o caminho inteiro para casa.

Que bando de meninas, não é nada como nos filmes.

(Senhores inspectores que mesmo após a manobra ardilosa do título cá venham parar após cerrada investigação no Google:

este blog tem um intuito meramente lúdico e não corresponde, de todo, a qualquer situação verdadeira que tenha ocorrido na minha vida. Basicamente, invento numerosos eventos caricatos de maneira a ludibriar alguns visitantes mais crédulos, nunca me ocorrendo trapacear para entrar em tão prestigiosa organização.

Aproveito desde já para tecer os maiores elogios à v/ corporação, adiantando ainda que moro ao pé dos GOE e sopro sempre um breve beijo quando os vejo ali em Carenque.

Sou uma cidadã temente à lei e o único sinal que desrespeitei na minha vida foi um atrás do ombro esquerdo que tive que remover cirurgicamente pois não ficava mesmo nada bem com tops de alcinhas

Susbcrevo-me respeitosamente,

Salsicha Girl)