sexta-feira, dezembro 29, 2006

Evitem a nacional 2

Vou hoje de viagem para Portimão.

Na mala, para além do secador novo da Rowenta, das botas, tops e cereais da Kelog´s levo:

- trivial pursuit
- party & co
- uno (sweet jesus)
- pictionary (junior!)
- e 3 jogos para a playstation

Palavra de honra,(psiu, calem-se) ainda há uns meses me mortificava por ir fazer a provecta idade de 26 anos mas descobri, afinal, que há muito tempo que estou acabada.

Por favor, abstenham-se de contar o quão acelerada foi a vossa passagem de ano. Qualquer relato de episódio mais excitante do que jogar três rodadas do "keimps" a pares será considerado uma afronta à parca dignidade da autora deste blogue.

Até para o ano, que nenhum de nós seja estatística.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Corporatión mierdosa

Não sou muito apologista da teoria da conspiração, mas tenho cá para mim que cada reclame (outdoor ou televiso) que a Corporatión Dermosetética lança, é unica e exclusivamente para me levar aos arames, quiçá ao abismo da loucura.

Depois daquele mimo de "Os homens não gostam de celulite", ao que a indústria feminina deveria ter enfaticamente respondido " e as mulheres não gostam de pilas ranhosas com menos de 24 cm".

(sabendo que 97% das mulheres têm celulite, e sabendo que só 3% dos homens têm pirocas acima dos 20 cm, acho melhor mas é cada um dos sexos remeter-se às suas impefeições, caladinhos e sem grande alarido, que assim ficam todos a ganhar. ou a perder menos.)

Hoje de manhã sou obrigada a visionar o novo anúncio daquela espelunca.

O homem convida a mulher para sair ao que ela responde, e bem, "não fiz a depilação".

Ele, de um modo inqualificavelmente porco, chauvinista e atroz, responde: "mas tu ainda te depilas?" (a mensagem-base é: sua grande labrega, ainda andas de volta da cera quente quanto poderias ter-te já submetido ao tratamento de fotodepilaçao a um preço simbólico?)

Haveria ele de me perguntar semelhante coisa. Acordava passadas 2 horas num curral de porcos amarrado a uma manjedoura. E novo arraial de murraças até ele perceber que isso não só não se pergunta a uma senhora, como é suposto demonstrar que não se percebe minimamente do assunto.

Não gostam de celulite e querem depilações fotoeléctricas! Mais alguma coisinha?

sábado, dezembro 23, 2006

So this is Christmas...

Quando era pequena passava 364 dias à espera do próximo dia de natal; 364 dias à espera do meu aniversário e, no tempo em que as estações do ano ainda se regiam pelo calendário gregoriano e pela lei de Deus, 300 dias pelo primeiro dia de praia.

(Quando menciono "pequena" refiro-me aos meus primeiros 13 anos de vida. Depois dei o meu primeiro beijo e as minhas prioridades viraram-se todas do avesso).

Isto para dizer que amanhã é véspera de Natal e não não estou em estado de choque farejando tudo o que é buraco à procura de prendas, gritando vivas corredor adentro. Não estou a rezar os mercenários 3 Pai-Nosso e 3 Ave-Maria para ver se me dão um "Crocodilo Dentista" nem um walkman para as cassetes dos Popeline.

Amanhã já é 24 de Dezembro e estou muito contente porque cá continuo com os meus.

Feliz Natal para todos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Natal, wee

Quando eu tinha uns 14 anos e estava sentada à mesa na ceia de Natal, fui advertida pelo meu pai para fazer menos barulho. Com efeito, eu, a mais velha de 12 primos, liderava as hostes e cantava a plenos pulmões esse saudoso hit dos Europe: “it´s the final countdown!!” , a que cada primo, por respectiva ordem de idades, respondia “tururu-ruuuu, tururututuuuuu!!”

Ao fim da 5ª vez, e ainda ia o refrão na minha prima Ana Maria, apanhei uma lambada sem apelo nem agravo, isto à frente de toda a gente.

As crianças sustiveram a respiração, até que a prima mais novinha, ainda não sabendo muito bem distinguir o Bem do Mal, rejubila com o tabefe rindo-se ruidosamente e batendo as palminhas. O gáudio pegou-se pelo que em pouco mais de 2 segundos a mesa natalícia desdobrava-se em gargalhada colectiva.

Menos eu, evidente. Com as pupilas sanguinárias, lanço um olhar poderoso ao meu pai.
Ele, meio sem jeito, ri-se e diz:

- Não ias em contagem decrescente? Lá deves ter chegado ao zero...

E desata a mesa noutra barrigada de riso.

E são assim os meus natais. Repletos de amor, dignidade e compaixão.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Terror na auto-estrada IV

Tenho um pavor profundo por algo que, regra geral, penso não intimidar ninguém.

Não sei explicar, mas cada vez que avisto um polícia sinaleiro e este emite uma ordem qualquer, a minha vista turva, começo a ver desfocado e não consigo simplesmente apreender o que me estão a ordenar.

Ontem à noite, aqui numa Belas empenhada em obras, vejo uma dessas coisas no meio da estrada. À medida que me aproximo sinto as minhas células nervosas a ficarem privadas de oxigénio. Nada posso fazer, aquele monstro está no meio da estrada a olhar para mim como quem diz “anda cá que já te vou mimear uma ordem dúbia e trapaceira e depois não percebes, não cumpres e eu apito, vou atrás de ti, mando-te encostar, o tráfego atrás de ti acumula-se, turistas tiram fotos e faço-te passar uma vergonha incalculável” (Belém, Janeiro de 2006)

Quanto a ontem, testemunhas presenciais asseguram que ele esticou um braço e com a mão direita fez-me sinal para avançar. Eu quase que juro que o polícia bateu as palmas, prendeu os polegares nos suspensórios e dançou o Quebra-Nozes.

Fiquei na dúvida entre avançar, parar, fazer inversão de marcha em cima da passadeira ou atirar-me contra o muro dos Correios. Pelo sim pelo não, avancei e fechei os olhos.

Saí incólume, como eu adoro golpes de sorte.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Parabéns...




"If I lay here
If I just lay here"

Gajas...

Código de Hamurabi 1600 a.C., sociedade babilónica, capítulo IX relativo à injuria e difamação:

127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode provar deverá arrastar-se esse homem perante o juiz e tosquiando-lhe (??) a fronte.

132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro homem, mas ela não é encontrada em contacto com outro, ela deverá saltar ao rio pelo seu marido.

Portanto, se alguém difama uma freira ou uma respeitada senhora de sociedade, e nada se provar, o desditoso criminoso é submetido à vergonha incomparável de lhe tosquiarem (mais rigor, babilónicos, mais rigor!) a testa. (ficamos num indelével mistério caso seja acossada uma noviça ou a legítima esposa de um carroceiro)

Se uma senhora casada é difamada por burburinhos sexuais, e não se confirmar a marotice, atira-se ao rio e sublinho que não é molhar os pezinhos à beira-mar mas sim lançar-se de cabeça do ponto mais alto da cidade.

Posto isto, façamos a conjugação das duas disposições legais:

Se houver difamação e for tudo uma grande mentira:

- o difamador, a não ser que seja uma aberração da natureza e tenha barba na testa, sai exactamente como entrou: ileso.
- A difamada, cujo único crime é ser mulher babilónica casada, suicida-se, e atenção, não é pela sua desonra, mas sim pela do idiota do marido!

Tremo só de pensar se vivesse neste época. Ou tinha a sorte de ser gajo e andava sempre no gozanço a lançar rumores sórdidos sobre miúdas com a malta da associação ou era gaja e acabava invariavelmente aos 13 anos com os queixos sepultados no fundo do mar. (Por isso é que tinham jardins suspensos. Para o mergulho ser maior.)

segunda-feira, dezembro 18, 2006

O meu rabo, na tua cara.

Snif

Tive que ir no fim de semana a Espanha, conduzindo um turbo 2.5. Para mim, que andei 2 anos num Seat Marbella, (carro (?) que, para além de não ter um pingo de dignidade era tão seguro como um refúgio de zinco em noite de trovoada e frequentemente ultrapassado por bandos de caracóis. Engessados. ),parecia que estava a conduzir num sonho.

Mãos no volante, olhos na estrada, avisto logo após a fronteira, já dentro de território nacional, uma placa gigante na qual se lia: “LISBOA – 294 KM”. O telemóvel toca, era o meu pai e precisava do carro. Informo-o da distância que ainda falta e prometo novos contactos quando estivesse a aproximar-me. Passados 8 minutos telefono-lhe, satisfeita:

“ Tou, Pai? Sou eu, olha, já só faltam 107 km”. Silêncio do outro lado.

“Susana, ignora os marcos pequeninos da berma da estrada e lê só as placas grandes azuis. Faltam 107 para acabar essa estrada, mas faltam 300 para chegares aqui.” e desliga-me o telemóvel na cara. “Santo Deus” – ainda ouvi eu antes dele desligar.

(Também estranhei ter feito 200 km em pouco mais de 5 minutos, mas acho que perdi a noção da realidade montada no jacto-bomba).

Estive a pensar calmamente e resolvi atribuir as culpas à Brisa. Pois e tal, maior rede de auto-estradas ibérica, com uma evolução brilhantemente sustentada e linda história de sucesso empresarial bla bla bla.Que tal não brincarem com os sentimentos dos outros e acabarem com esses marcos ridículos a indicar os kms restantes para o fim de uma via? WHO CARES, FOR GOD´S SAKE?! Quero é saber quantos faltam para chegar sã e salva ao meu destino.

Cheguei a casa e voltei a ouvir o mesmo: “E é esta gente licenciada.”.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

O Infortúnio

Ontem fui brutalmente arrancada da cama às 23h00.(Para quem me conhece bem, sabe que isso equivale a acordarem-me às 5h da manhã, aos pontapés na nuca, enquanto me fazem lanhos na testa e me obrigam a cuspir metade dos dentes)

Era o meu irmão. Arrastando-me por uma perna, força-me a visualizar qualquer coisa no portátil dele.
É um vídeo caseiro do telemóvel. Mostra o Ruy de Carvalho, o Vitorino de Almeida, e mais uns quantos actores em amena cavaqueira com ele. “Já filmei hoje ” – informa, orgulhoso.

RAP a semana passada, protagonista cinematográfico nesta. Com cachet pago pelo ICAM, vulgo nós, cidadãos malfadados.
É triste, mas começo a desenvolver um sentimento inqualificável em relação a este ser deprimente que vive no quarto ao lado do meu. Conheci-o pequenino, com um escroto minúsculo e trocando amorosamente os “ss” por “x” .

E agora é este ser inominável que só me dá desgostos - não trabalha mas tem uma conta choruda, faz filmes mas é trôpego, vegeta o dia todo mas diz que estuda muito no IST, joga no casino e nunca perde, é roto mas só tem namoradas giras.

Que incentivo é este para se ser um elemento válido da sociedade como até agora fui? Cumpridora como poucas, bem-educada e responsável, trabalhadora e afável, consciente e bem-formada.

Amanhã vou-me colocar à porta do centro de dia da paróquia, com 10 gramas de haxixe numa mão e duas reservas de urânio na outra. Roubo tudo quanto é velhote, subtraio as suas próprias bengalas e ainda lhes aplico vigorosas bordoadas na bacia.

Depois é ir para casa, lançar-me para o sofá de braços estendidos e esperar pela boa sorte.
Ou pela brigada de narcotráfico.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Silicone vs idade

Hoje vi, pela primeira vez na minha vida, umas mamas de silicone ao vivo.

(Aquele Solinca é, definitivamente, um antro vivo de entretenimento desgarrado). Estava eu nos balneários, quando me viro e me deparo com uns globos reluzentes e recheados de uma quarentona enxuta. Esta, sem qualquer pejo (pudera!), passeava-se sedutoramente por entre os cacifos apertados. E eu sempre a mirá-la despudoradamente, pois, reitero, nunca antes havia visto duas mamas tão bojudas e adoráveis.

Problema que se coloca: eu sei que são giras e hipnotizantes, a sério, demorei mais de 4 minutos até conseguir desviar o olhar.
Mas haverá pessoa alguma nesta Terra que não lhes pegue e tenha um terror indescritível de as vazar ou até mesmo rebentar com uma apertadela ou carícia mais vigorosa?? Se eu apalpasse uma daquelas mamas retesadas provavelmente faria com que a quarentona fosse projectada contra a despensa das toalhas. (E não se brinca com as fracturas nesta idade).

Enfim, a tia lá mostrou radiante as mamas e eu, que regra geral não me fico, tive um laivo de auto-censura e não lhes mostrei as minhas. Ficava notoriamente a perder.

Vai daí baixei-me e apanhei os chinelos exibindo-lhe gloriosamente o RABO!
Round 1 => ganho.

Terror Natalício: almoço de empresa

Hoje descobri que o almoço natalício da minha equipa (em sentido lato) de trabalho se cifra no simbólico montante de 20 euros.

Note-se que:

- é um almoço, não é jantar
- continuamos a ter que picar o ponto às 14h00
- não se bebe em serviço
- troco uma média de 2,5 palavras com cada colega por TRIMESTRE

Afigura-se-me que alguém vai ficar sofrer uma súbita patologia na noite antes do almocinho.
Se for necessário, em hora de ponta, entalo uma perna no elevador e lanço-me de braços abertos para o chão de mosaico. Só saio de lá amparada pelos seguranças e com a certeza que, pelo menos, 40% dos colegas assistiram ao sinistro.

E que 100% não leu este post.

domingo, dezembro 10, 2006

A Causa das Coisas

Dois namoros desfeitos,
um terceiro tremido,
madrugadas em claro salivando,
uma noite de gravações com os olhos delirantes de febre
um degradante esconder por detrás de uma sebe nos estúdios cinemate

por causa do grande, do único, do verdadeiro amor platónico da minha vida: (fiquemo-nos pelo platonismo, fiz a profissão de fé, crisma e dei catequese até ao 3.º volume, não quero passear no limbo por parcos momentos de festim carnal

NOT!)

O supra-sumo RAP´iano.

O mais perto que consegui chegar dele foi vê-lo de relance reflectido nos meus sapatos (mesmo invertido aquele homem permanece um sonho)

O judas do meu irmão,que não gosta de me ficar atrás em nada (inclusive esquizofrenia crónica), que até só gosta de gajas e vilependia tudo quanto lhe cheire a sexo oposto, resolveu lá ir também e almejou isto:



(Para além de 25 minutos de conversa ininterrupta).
(é o def de casaco castanho)

Conclusão:
- A partir deste post tenho um terceiro namoro terminado.
- Procederei a uma deserdação fraternal que, não só não me causará uma dor dilacerante como obstará a que lhe tenha que comprar uma prenda de aniversário no próximo dia 16. (reitero mais uma vez que a vingança serve-se fria e eu estou num estado de ebulição quase cósmica)

Furem-me as orelhas, espanquem-me o fémur ou torçam-me o umbigo. Mas NÃO ME ESBULHEM NEM PRIVEM DE PERTO COM O MEU RAP. (continuam a dar-se alvíssaras por pelo menos 4 dígitos do telemóvel. E-mail dá direito a consultas jurídicas gratuitas mais uma caixa de Ferrero Roché. Das pequenas.)

quinta-feira, dezembro 07, 2006

4ª feira cinzas

Há dias que são de um marasmo aflitivo.

Há dias em que, em menos de 24 horas:

- sou atropelada duas vezes
1ª vez – 18h de ontem) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo, não atento na via pública, o condutor não atenta em mim, vou a rebolar avenida fora.
2.ª vez – 8h de hoje) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo e atento numa rapariga com um cinto lindo castanho de pele, a cair sobre uma túnica verde-água e não atento numa carrinha de ciganos a fazer marcha-atrás. Apesar da carrinha só Ter lotação para 7, de lá sairam 15, qualquer um deles vociferando vermelhos com os punhos no ar.

- descubro que o meu irmão vai ser actor num co-produção franco-portuguesa, vai ganhar um balúrdio, viver em Veneza e eu aqui a choramingar 75 euros por umas botas na SEASIDE e trancada no meu quarto.


BALANÇO:


1.º atropelamento) um par de calças rotas e 50 transeuntes com o dia ganho
2.º atropelamento) não consigo traduzir por palavras. Experimentem só colocarem-se atrás de uma carrinha de salteadores, provavelmente repleta de droga e mercadoria contrafeita, levarem com os pára-choques traseiros na testa e de lá verem sair uma manada de ciganos com cara não só de poucos amigos, como arriscaria de NENHUM AMIGO e quiçá família nuclear. Experiência de quase-morte, asseguro.

- a situação com o meu irmão é que parece mais bicuda. Esta inveja em dose industrial está-me a custar a digerir. Quase que preferia levar com os pára-choques dianteiros de uma família de foragidos, toda nua, com chuva de granizo e à frente de uma taberna de carroceiros.

Ah ah, toda nua também não. Com uma toalhinha de bidet enrolada à volta do antebraço.

Eu sei, eu sei, devia ir averiguar melhor esta pancada na testa.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Criminalidade violenta

Hoje encontrei um amigo meu comboio.
Cabisbaixo e taciturno, entretém-se com a biqueira do sapato, enquanto esfrega as mãos inquietas e me explica que lhe assaltaram a casa no dia anterior.

“A sério? Que horror!” – pronuncio-me eu, acometida de uma pena tremenda deste jovem que labuta diariamente para ter qualquer coisinha de seu e de um momento para o outro se vê despojado do seu espólio.

“E que levaram?” – pergunto.

Ele soergue o olhar dorido, fita-me com os olhos baços e mortiços e oiço numa voz sumida:

“Nada. Não me levaram nada” - e centra-se na linha do horizonte, mordendo o lábio num esforço contido, infrutífero contudo, pois vislumbro duas grossas lágrimas naquele amigo de uma vida.

“Nada? Mas isso é bom!” – alegro-me

Fita-me novamente, a cólera assoma-se-lhe num ápice:

“AI É? GOSTAVAS DE TER UMA CASA REPLETA DE CENAS FIXES E FOSSE LÁ UM GATUNO RANHOSO E VASCULHASSE CADA CANTO, CADA PRATELEIRA, CADA MÓVEL, CADA GAVETA DAS CUECAS, CADA BAÚ E NÃO QUISESSE NEM UMA MERDA QUE FOSSE? NEM A TELEVISÃO, NEM O DVD, NEM A PLAYSTATION? GOSTAVAS? QUEM É QUE ELE JULGA QUE ELE É ? E A VERGONHA QUE PASSEI QUANDO O POLÍCIA LÁ FOI E ME DISSE SER COMPLETAMENTE INÉDITO NA HISTÓRIA DA LINHA DE SINTRA ALGUÉM TER ASSALTADO UMA CASA E NÃO SE TER DADO AO TRABALHO DE ROUBAR UMA COLHER DE PAU QUE FOSSE? GOSTAVAS?”

Abraço-o ternamente e aceno com a cabeça.
Já não basta sermos a geração recibos verdes e sermos pobres como Job e ainda confrontados com ladrões profundamente não-éticos que nos espetam com a cruel verdade pelos olhos adentro.

A partir de hoje só terei a certeza que estou bem sucedida na vida quando me furtarem, no mínimo dos mínimos e sem qualquer concessão um valor base de € 1200.

Senhor ladrão da linha de Sintra, pense duas vezes antes de partir um coração desta maneira.Se algum dia por uma ideia iluminada se lembrar de assaltar o meu lar, tenha uma réstia de vergonha e faça de conta que vibrou louca e economicamente com a minha colecção de t-shirts do Snoopy. Ou brincos de pechisbeque.
Mas não me submeta a tamanha crueldade.

domingo, dezembro 03, 2006

Interdito ao namorado:

Ontem fui assistir às gravações dos Gato Fedorento. Casualmente lá estabeleço contacto visual com o amor platónico da minha vida, adorável e maravilhoso, genial e brilhante RAP (nesta grandeza de comparações o Cristiano está ridicularmente no fundo da cadeia alimentar) e sussuro-lhe um sentido "amo-te".

Ele ignora-me e continua a sua imitação de Paulo Bento.

Tenho cá para mim que o RAP é mestre nas artes do amor. Desconsiderou-me propositadamente para que eu o deseje ainda mais ardentemente. Mas desde que li O Meu Pipi não só não fui acometida de laivos sexuais mas também de sentimentos de amor profundamente vitorianos.

Ee é oficialmente perfeito e não há estratégia, por mais bem montada que esteja, que me faça gostar ainda mais dele. A não ser, evidentemente, que me confesse que ganhou um qualquer prémio internacional no valor mínimo de 12 milhões de euros.

Próximo sábado já lá estou batida.
E se Deus mo permitir amassada num qualquer canto manhoso da rouloutte da produção.

Episódio ante-mortem

Um dia antes de perder o meu passe (que, pasme-se,reapareceu miraculosamente após 2 semanas e 30 cabeçadas na parede + um bilhete CP-10 viagens e 3 noites mal dormidas só de pensar quem é que o tinha apanhado e se se estaria a rir da minha fotografia depois)

saio do comboio, vejo o autocarro na paragem pronto a sair e corro até ele. Mas corro mesmo violentamente, com os saltos das botas prestes a colapasarem a qualquer momento, uma mão na barriga e outra noutras partes menos tonificadas para o coeficiente de atrito dinâmico ser menor (sublinho que vou ignorar qualquer comentário intelectual que tente corrigir o meu vocabulário científico)

Eu salto para o autocarro, este retoma a sua marcha, abro a mala e tento tirar a carteira. O senhor motorista carrega no botão para fechar a porta e contorna a rotunda da paragem. A minha mão entretando continua perdida nos confins da mala e a outra tenta agarrar-se ao varão.

Não consegue. E eu vejo-me na seguinte situção:

uma mão desaparecida em combate
a outra tentando alcançar um varão que pura e simplesmente não está ao seu alcance
um autocarro em movimento
a fazer uma grandessíssima curva
uma porta que, não obstante estar prestes a ser fechada, naquele momento objectiva e científicamente continua aberta
eu em pleno processo de queda livre à rectaguarda

e 80 anormais olhando-me ansiosos querendo saber se eu sou daquele tipo de pessoas que resolve morrer mesmo em hora de ponta só para chatear a vida dos outros.

Vinda não sei de onde surge a mão calejada de um homem, viçosa e no fulgor da idade, que me agarra e me iça autocarro adentro. O sr. motorista, hilariante como qualquer homem medíocre de 50 anos :"ó menina, você tão depressa entrava como saía!"

E eu,
pupilas dilatas,
pulso lento e débil
obnubilação mental
lívida e com o coração em taquicardia

lá esgalho um obrigada ao ucraniano redentor e encosto-me esgotada à máquina dos bilhetes.

Ainda estou a tentar descobrir onde é que o motorista vive, mas a Vimeca é sempre parca em informações. A vingança serve-se fria, e duas semanas depois continuo no mais perfeito estado de radiação cósmica. Actualização do crime perfeito ainda antes do Natal. Mantenham-se alerta.