quarta-feira, novembro 29, 2006

Recordações

Ainda na senda dos instrumentos matemáticos:
Decidi arremessar a calculadora/conversora armário adentro (6 colegas em polvorosa, barufustando de rabo para o ar, com nuvens de fumo a sair pelas orelhas em busca da máquina perdida) e rebusquei ansiosamente nos meus baús do sotão.
Após anos de separação, encontro aquilo que procuro.
Amarelada, bafienta, mas é minha. Beijo-a com carinho e levo-a para o trabalho.
Com os olhos marejados, recordo a companhia, os leais ensinamentos, as risadas comuns.

Em cima da mesa, ei-la em todo o seu recordado esplendor:

“A Tabuada do Ratinho”. A ratar desde 1955.

Herbs Parte II




Conselho de Administração Herbalife International
Reunião Geral de Aprovação de Contas 2005

terça-feira, novembro 28, 2006

O conversor anti-cristão

Eu não gosto de maldizer, mas na minha sala existe uma máquina calculadora que também faz conversor de euros que é a personificação exacta do Diabo.

A semana passada tive que fazer umas contas que não batiam de maneira nenhuma certas. Aquilo tinha que dar 6 mil e tal euros e dava-me muito mais. Repeti a operação aritmética vezes sem conta, e o resultado nunca era o que eu esperava.
Chorei, solucei, limpei o ranho às mangas até que alguém tem um rasgo de caridade e me explica que eu estava a fazer a conta em euros..eslovacos.

Hoje, com um ar compungido, mas secretamente alegre dou uma notícia aos colegas: “Lamento, mas o conversor morreu hoje para a vida”, e deposito-o cuidadosamente em cima da mesa murmurando o que pareciam ser umas breves palavras fúnebres mas que eram na realidade um agradecimento velado ao Criador.

“Susana, carrega no on”– dizem-me, sem sequer tirarem os olhos do monitor.

Bolas, já não basta ter que trabalhar, ainda tenho que o fazer com instrumentos puramente luciféricos.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Jesus revisitado num Congolês

A quase um mês desse dia tão fofo que é o Natal, participo na campanha do Banco Alimentar.

A porta automática abre-se e vejo um congolês com um 1.90, calças da tropa e Duffy preto, um boné meio sujo, mãos calejadas com unhas compridas e um franco mau aspecto.

“Quer contribuir para o Banco Alimentar contra a Fome?” – pergunto eu com voz trémula, preparada a qualquer momento para levar com um pau no lombo e fugir a sete pés.

O congolês, que vinha a fumar o seu cigarro, puxa o saco com força, dirige-se ao caixote do lixo e com um gesto brusco apaga a beata.

Passados 10 minutos sai com dois sacos numa mão e uma prenda pequenina na outra. Deposita os sacos no carrinho do Banco Alimentar e enfia a prenda no bolso.
Sai do Continente de Alfragide com as mãos completamente vazias.

6 pacotes de leite, uma garrafa de azeite e 3 kgs de arroz.

Serviu-me a lição.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Elsa Raposo ou a samantha fox dos tempos modernos

Caríssimos,

A ninfomania não é uma coisa necessariamente má. Decompondo a Elsa Raposo, vulgo ninfomanica eventualmente não assumida, encontro várias questões:

Qual é afinal o problema numa mulher ter uma capacidade infinita de amar?
Em que mundo mesquinho é que vivemos e no qual não toleramos ver ninguém embuída de felicidade, muito menos uma senhora?
Porque são vários homens seguidos? O amor é eterno enquanto dura. E tanto vale ser 2 semanas, 2 anos ou duas décadas. Foi proveitoso enquanto existiu, e luto só há para quem precisa dele.

Uns necessitam de um ano para se recomporem, há quem precise de um dia, quem dita afinal o prazo do sofrimento atroz ou simplesmente de uma tristeza subtil?
Qual é afinal o problema da Elsa Raposo encontrar em cada homem o amor da sua vida? No seu desequilíbrio, é feliz. Permanentemente feliz.

Os filhos? Amam-na, certamente. Independentemente de escândalos, tricas e pais adoptivos, mãe há só uma.

Eu gosto da Elsa Raposo. (E ODEIO A PATRÍCIA TAVARES!!! FALSA, MAMAS SETENTRIONAIS 100% POLIURETANO!)


(amanha reconto o número de visitantes.)

Cristiano: I´m loving it.

Eu amo a sexyness do Cristiano Ronaldo.
Sim, tem ar andrajoso, faltam-lhe dois dentes, os restante 30 estão chumbados, tem borbulhas, arrota e não articula complementos directos com advérbios de modo.

E ENTÃO?? Homens iludidos, consciencializem-se que não há mulher alguma em todo o mundo que, em honesta confissão, não ansiasse por quatro minutos com o espécime. Nem que fosse só despi-lo com os olhos. Com, sem, saco na cabeça, isso é deixado ao livre-arbítrio de cada uma. Sim.. da sua mulher, da sua namorada, e até da sua madrinha.

Há qualquer coisa apavoradamente magnética naquele miúdo.
- E não, não é o dinheiro. – Lembrem-se que o encontro de 3.º grau poderia durar até 4 minutos, que proveitos económicos retiraria eu daí?
- E não, não é o poder. Ele afinal é apenas um homem e nenhuma mulher lhe faria qualquer tipo de concessão que o levasse a sonhar ser, por mais remotamente que fosse, seu semelhante quanto mais seu superior.


(Tenho que acabar este post rapidamente, incomoda-me salivar e (outro verbos menos condignos) em público.)

P.S. - Renato, a sexyness é dele, e a Salsicha Girl é tua (humana, como todas as outras mas com uma líbido completamente sincera). Não vale a ficar amuado ok?

terça-feira, novembro 21, 2006

BT´s e outras m.

Ouvi eu hoje nos balneários do Solinca, derreada por mais uma hora de cardio frenética, escorregando pelo cacifo abaixo e a recobrar lentamente os sentidos:

“Então Guida, ontem não vieste ao ginásio?”
“Não, ontem obriguei-me a não vir”.

Tenho as leggings, tenho os ténis, tenho os tops sexys. Definitivamente, não tenho a atitude!
a não vir?”
Estas espécimes deviam ser todas escorraçadas da península.

domingo, novembro 19, 2006

Constatações matemáticas ( e sociais)

Não querendo parecer velhaca nem queixinhas,

mas sabem quantos é que dos crédulos herbalifeanos estavam nas saladas e afins na zona de restauração do Vasco da Gama, após a famigerada convenção?

0 -(ZERO) (NENHUM)

e sabem quantos é que estavam na Pizza Hut, Mac e KFC?

TODOS! (e com caixinhas repletas de comprimidos estranhos, de meter o Júlio inteiro a um canto, tremendo e a chorar baixinho)


Pelo amor da santa. Ao menos disfarcem.

Tu estás mesmo lá Pai

Discuti um dia destes com o respectivo sobre o maravilhoso mundo da Herbalife (que eu abomino execravelmente).

Depois de um dia inteiro a remoer sobre o assunto, esmurrando o ar e pontapenado paredes, tartamudeando impropérios e blasfémias demasiado pesadas para aqui serem reproduzidas,

lá me acalmei e decidi que, por muito que não goste de Herbaife, tenho que permitir que outros à minha volta pensem na questão e, numa fase mais avançada, me dirijam a palavra para eventualmente discutir o assunto.

Saí então do meu local de emprego, erguendo os meus doces olhos ainda húmidos do desgosto nesse mundo cruel chamado Parque das Nações, quando vislumbro, num ápice, uma mulher com uma placa a dizer "Herbalife Team Cooach" e um sorriso glorioso.

Ainda não tinha tido tempo de me recuperar do susto quando dobro a esquina e vejo 130 mil pessoas com essa placa ao pescoço, a gritarem em várias línguas, cheios de saquinhos e sacolas, papéis e papéizinhos, placas e plaquetas e todos com um ar transbordante de felicidade e harmonia.

"CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE HERBALIFE NO PAVILHÃO ATLÂNTICO" , li.



Deus e o seu sentido de humor refinado.
"Quero aborrecer a Susana. Covil de leões como Daniel? Filho sacrificado como Abrãao? Esposa trocada como Jacob?"

"Não. Vou enviá-la para a Torre de Babel da Herbalife. Pode ser até que aprenda aramaico".

Estou de cama a recobrar.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A Superação

Quando fui morar para Belas e me apercebi que da minha casa à estação ainda ia uma certa distância tive um colapso físico.

Após dias de reanimação a sais minerais, recobrei e passei a deslocar-me para a dita no meu veículo automóvel.

1 ano depois fiquei a achar que o autocarro fazia lindamente a vez do carro, até porque já nem me preocuparia com questões despiciendas como estacionamento e gasolina e sempre andava um bocadinho até à paragem. Fiquei então íntima da Vimeca, orgulho da minha terra, salvação da minha vida.

1 ano depois cheguei à conclusão que caminhar durante meia-hora para a estação era mesmo o melhor remédio, fazia bem, sabia bem, respirava-se ar puro e enrijecia-se as coxas.

1 ano depois, tenho medo. Isto de nós cada vez mais tentarmos transpor os nossos limites pode roçar a insanidade. Quando der por mim vou para a Expo às arrecuas, em marcha acelerada e anilhas de 3 kg atascadas aos tornozelos.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Esqueçam

Está sanado o mistério.

São duas competições distintas.
De qualquer forma adorava que esse tuga se sagrasse campeão mundial e ficasse em 9.º lugar no concurso local da Pampilhosa da Serra.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Quebra-cabeças

Vi no Metro um dia destes (também leio o Público!!)

que um português, Tiago não sei quê, tinha-se sagrado o mês passado campeão do mundo em bodyboard, e, este fim-de-semana, grangeou mais uma vez a admiração entre os seus pares ao vencer o campeonato
da Europa.

Por isso é que eu não gosto de desporto.
Pura e simplesmente transcende-me.

domingo, novembro 05, 2006

Quem passaja os meus peúgos

Acho que ainda não vos disse que a minha mãe trocou o curso de Filosofia pelo de Direito.

Para mim, considerei um duplo alívio, já que os trabalhos universitários que tenho que fazer não só versam sobre assuntos os quais domino minimamente (ainda hoje preciso de psicoterpia por causa das cinco vias do conhecimento do S. Tomás de Aquino) como ainda me dá um certo gosto oferecer todos os meus apontamentos e livros já sublinhados, encarando no fundo a minha mãe como uma discípula obediente e estudiosa.

Isto até ter passado uma manhã de Domingo inteira a explicar-lhe o processo da fiscalização abstracta das leis constitucionais, assim como as leis avulsas viosigodas em contraposição com as sumérias.

Nem me fez o almoço.
Merda para o cultivo intelectual.

O Progenitor parte VII

Desde 2ªf que tenho um pai altamente fragilizado em casa, com um braço ao peito e demasiado tempo livre para estar confinado às nossas quatro paredes. Durante a semana queixou-se sempre que ouvia um barulho no sotão, irregular e muito estranho.

- São ratos, pai, são ratos - disse eu, qual Rainha D. Isabel com rosas no regaço.
- que ratos, sua burra se o chão é de cimento!

Hoje, domingo, às 9 da manhã e após me ter deitado às 5h30, o meu pai bate à porta do meu quarto, anunciando com voz calma e firme:

- Susana, temos uma cobra no sotão. Levanta-te, vai à garagem e traz-me a enxada. Vai ter comigo lá acima. E afasta-se, deixando-me num estado comatoso de puro terror.

Para que percebam a dimensão da tragédia, adianto-vos que uma vez, na terra da minha avó, vi uma pele de cobra presa nos ciprestes, (o bicho devia tê-la mudado há relativamente pouco tempo porque ainda estava lustrosa e luzidia), e quando me apercebi bem do que era larguei a fugir e só me voltaram a pôr a vista em cima numa povoação vizinha às 8h da noite a cabecear autistamente à porta de um lagar.

Fui à garagem, sempre a olhar para todos os cantos de vassoura em riste e fui buscar a enxada. Subi ao sotão, atirei-a o mais perto possível dos pés do meu pai e fugi como se não houvesse amanhã. Barriquei-me com a minha mãe dentro da casa de banho e esperámos pacientemente pelo óbito do animal.

Passados nem 5 minutos entra o meu pai novamente em casa.
"Já está" - grita ele ao fundo, na cozinha, numa voz animada.
"Dó, olha que eu não quero ver isso!" - responde ela.
"Cortei-a à metade" - clarifica, e de rompante abre a porta da casa de banho, com uma coisa preta na mão espetando aquilo diante do nosso nariz.

Só não caí redonda no chão porque já não tinha grande espaço. A minha mãe manda o berro da vida dela e arremessa-se de cabeça para dentro da banheira.

O meu pai, às gargalhadas e só com um braço, exibe triunfante um imponente tubo preto de plástico das canalizações, que atira para dentro da banheira onde está a minha mãe

"Não vi o que era, só encontrei isto" - elucida ele risonho,

enquanto não se apercebe que cometeu um erro crasso. Caríssimos, nunca veiculem um tubo de plástico a uma mulher que aos 45 anos se vê escondida atrás da coluna do seu chuveiro. Só não lhe destroçou o outro braço porque senão não tem ninguém para lhe tirar o carro da garagem.

oficialmente, a minha casa é, a partir de hoje, a 5ª dimensão.