segunda-feira, outubro 30, 2006

OE 2007

Eu sou, por natureza, gastadora compulsiva. Estranhamente sou também, e afianço que é verdade, uma sovina de primeira apanha, semítica até mais não, completamente agarrada ao dinheiro. O que origina, como se pode imaginar, um duelo de emoções que me deixam diariamente, na melhor das hipóteses, completamente extenuada como se tivesse apanhado uma daquelas sovas que só se tem uma vez na vida.

Para me organizar fiz um orçamento até Maio de 2006. Estabeleci as despesas fixas e impreteríveis, as despesas eventuais, um aforro completamente intocável, e um fundo de maneio razoável para alegrar a minha vida (que representará talvez 15% do meu salário).

Dia 20 de Outubro, dia de pagamento,

9h00: com a língua de fora e o coração apertado termino a feitura o meu orçamento que afixo na minha prateleira laboral e assino com grande pompa e circunstância perante o olhar enlevado e orgulho dos meus colegas.

17h20: olho para todos os lados, assobio para o tecto, mãos nos bolsos e andar descontraído, colo-me à prateleira e tento emendar umas coisinhas.

- COM QUE ENTÃO JÁ NO ORÇAMENTO RECTIFICATIVO NÃO É?!! - gritam em uníssono, enquanto riem burlescamente do meu flagra.


Com amigos assim... Percebem agora porque é que eu me viro para as coisas materiais?

Com sorte era da Páscoa

Torre de Belém. 18h.

O rio vaza e avistam-se degraus imundos.
Mas não é tudo.

Uma ratazana gigante, completamente putrefacta e da qual até tive alguma pena, jaz de pernas para o ar com a língua de fora.

Eu observo-a com algum interesse mórbido, agrada-me aquela imobilidade final, o fechar de um ciclo. Estou como que suspensa, num misto de compreensão e assentimento.

De repente aparece nem sei bem de onde uma miudinha gorducha com uns tótós, tão afogueada que até se lhe acarminou as beiças e queda-se frente a frente com o animal.
Observa-o ainda com mais interesse do que eu e grita para trás:

- OH MÃE, OLHA, UM COELHINHO!! E aponta para o bicho recamboleando o tornozelo bojudo.

PORRA! UM COELHINHO?!

A ingenuidade das crianças tem, efectivamente, que ser delimitada nem que seja à chapadona. Se fosse minha filha era corrida dali ao pontapé até aprender a diferença entre um coelhinho e uma ratazana de esgoto.

Qualquer dia peço a um miúdo para me ir comprar um quilo de azeitonas e ele traz-me dois pares de peúgas de lã parda, com sorte ainda com um pé cheio de cascaria calosa lá dentro.

Adultos do meu país: não facilitem, ok?

quinta-feira, outubro 26, 2006

Amor com amor se paga

última hora, veiculada pela "Nova Gente" (medo. terror. não se apoquentem, roubei no dentista)

"Liz Taylor está de casamento marcado aos 74 anos"

Não me choca o facto de estar noiva aos 74.
Não me choca que o faça pela 9ª vez.
Não me choca ter sido uma das mais bobozudas dos anos 20 e agora parecer uma grande bêbeda com lepra.

O que me choca verdadeiramente é ele ter tido o lampejo de amor sincero quando a Lyz foi acometida de uma necrose isquémica seguida de uma valente infecção cardíaca.

alguém disponível para lhe fazer um desenho?

quarta-feira, outubro 25, 2006

Subtileza desportiva

Notícia no Destak:

“78 detidos, de 20 estabelecimentos prisionais, remam hoje no V Torneio Nacional Prisional de Remo Indoor”.

Não, brincas. Já os estou a ver Guadiana fora, nadando com fatos de imersão hipotérmicos e Marrocos no horizonte.

a ingratidão

Quem me conhece sabe que não sou propriamente bafejada por grandes dotes culinários. Ontem, por inspiração dos arcanjos, e quiçá mesmo divina, cozinhei um peito de peru gratinado e saiu tudo perfeito.
Avanço com um pacote de natas e, num toque final, rego embevecida aquela obra prima. Começo a arrumar a cozinha (informo que haviam panos da loiça dependuradas no candeeiro e luvas de forno esquecidas no congelador) mas de repente estaco, lendo horrorizada que o prazo de validade das natas já havia terminado há quase 1 ano
Em piloto automático e cega de raiva volto a cozinhar o jantar. Escusado será dizer que ficou uma real bosta pelo que o meu pai e o meu irmão, após risada geral de 5 minutos boicotam os pratos e vão comer torradas com manteiga.
Eu bem que jurei a pés juntos que a tachada anterior tinha ficado perfeita, mas infelizmente ninguém assistiu ao meu momento de glória. Assim, para além de autista culinária passei por mentirosa.

Grave, grave é que o meu pai já se lamuriou junto das minha mãe implorando para que ela abandone a faculdade no período nocturno.

É impressão minha ou é totalmente desleal fazer-se comparações com uma mãe no activo há já 25 anos?
Estou profundamente sentida. Homens ingratos..ainda por cima riem-se e não lavam nem um pratinho de biscoitos. Hoje vai tudo corrido a massa com atum.

terça-feira, outubro 24, 2006

Psico

Escrevo só para anunciar que já existem não um, não dois, mas sim 3 stalkers (stockers, já vi que estão atentos) na minha vida. (vocês sabem bem quem são). (vocês, psicopatas, não os leitores)

Hoje o 3º, que me incomoda e me repugna particularmente, ganhou logo o dia às 9h. Vinha no comboio a salivar, fingindo ler um livro manhoso da colecção Bianca, lançando-me de soslaio olhares repletos de paixão (juro que é verdade! Nota-se! Transpira-se!). Chegados à estação do Oriente, saímos exactamente ao mesmo tempo. O facto de ele medir 1.45 mesmo com sapatos de sola compensada e de eu trazer umas botas cujo salto de 8 cm me elevava quase às linhas de alta tensão não o abonava propriamente, pelo que quando aquele arlequim ridículo se volta para mim, (fingindo que não me tinha visto), dá-me um encontrão e bate mesmo com a cara no meu umbigo e aí permanece enfiado uns largos segundos, como se não houvesse amanhã.


Questão que se coloca: porque é que eu não tenho admiradores normais? Porque é que são todos psicopatas, dementes mentais ou simplesmente estúpidos como este? Que baixeza de nível terei eu para que estas avantesmas saídas do Júlio se arroguem do direito de me dirigirem a palavra, ainda por cima desta maneira simplesmente deprimente? Não terão medo de mim? Não imponho respeito pelo meu porte altivo e segurança de movimentos? Quem é que eles pensam que são para erguerem aqueles olhitos raquíticos acima da altura dos meus tornozelos?

Próxima vez que se me dirigirem lanço-lhes um morteiro no meio dos olhos.
... Mas pior que um psicopata, só mesmo um psicopata zarolho a coxear atrás de mim.

Cheira-me a beco sem saída.

Autch

Ontem lá fui ver os XL Femme, ou, como eu carinhosamente lhes chamo, Donna Maria.

Para variar, um estrondo e, para mim delicioso já que o B, completamente apaixonado pela vocalista, a tal Marisa Pinto ex-Onda Choquiana e que canta descalça, ofereceu-lhe, no fim do concerto, um cd comprado com o maior desvelo amoroso de que há memória. Ela, comovida, agradece docemente e confidencia baixinho: “Nem sei o que te diga. Elis Regina é a minha deusa. Vou ouvi-lo todo ainda hoje, o meu namorado também adora, vai ser um final de noite lindo. Obrigada..mesmo” e vai-se embora aos saltinhos, enquanto o meu amigo se dilacera cadeira abaixo, batendo contrito com uma mão no peito outra na testa “estúpido, estúpido” .

Escusado será dizer que eu e minha Joana nos desmanchámos ainda a miúda não tinha virado costas. Sinceramente, vi o sofrimento estampado no rosto de um adulto de 27 anos mas mesmo assim não consegui deixar de chorar a rir durante uns bons dois minutos, limpando os olhos às bordas da toalha com o diafragma já dorido.

Telefonei-lhe hoje, parece que vai meter baixa. Psiquiátrica, suponho. Ninguém apanha um abalo destes e se recompõe assim tão facilmente.

segunda-feira, outubro 23, 2006

O Homem

Li num blogue que os gajos só servem para uma coisa: “para assoprar (sic) quando temos um cisco no olho”.

E já vão 8 vantagens:

1) fazer as apostas na bwin
2) ir buscar o garrafão de gasóleo quando ficamos apeadas na a8
3) arranjar as varetas do chapéu-de-chuva e os varões dos cortinados
4) estacionar de espinha
5) desfragmentar a memória e formatar a motherboard (especialmente úteis neste item, caramba perceber de computadores é mesmo tarefa hercúlea)
6) lavar as portadas e enxaguar o chão da garagem
7)fazer-nos passar de nível no Arkanoid.

É com um carinho imenso que releio esta minha lista.
Sabendo que as mulheres vivem sempre mais uns anos dos que os homens e sabendo que nunca hei-de passar do nível 3 (mas oriento-me bem com o Pacman) tomei hoje uma grande decisão:

vou preservar o respectivo dentro de um balde de formol.

Ele é o rei yeah yeah

Vou fazer uma confissão à queima-roupa. Segurem-se.
Ia eu 6ª feira a ouvir fones, logo às 8h da manhã na estação de comboios. Repertório musical? ...Onda Choc, 1994. Antes de ser vaiada em praça pública impõe-se (quer dizer, não se impõe, mas não quero passar por totalmente estúpida) que explicite a seguinte situação:

Era a Marisa Pinto, vocalista dos Donna Maria que cantava uma dessas lindas cantigas (escrita por Ana Faria - mãe dos Queijinhos Frescos). Hoje vou ouvi-los. (Donna Maria, acho que os Queijinhos se azedaram em 1989). E vou falar com ela, que é uma querida (apesar de haver para aqui no meio deste blogue um post em que eu a descompus por se armar em fada e cantar descalça. Esqueçam isso. Eu, por incrível que pareça, também erro.)Por isso quis estar preparada para a surpreender hoje com os seus antigos êxitos e assim ter tema de conversa.

O problema só ocorreu quando os fones, nem sei bem como, sairam lá do buraquinho (isto não soa lá muito bem) e de repente o meu telemóvel começou a fazer ecoar por aquele Queluz fora uma canção aos altos berros em que a Marisa se esmifrava toda: “há muito tempo, que eu já sei, que só por ti, me apaixonei bla bla" que conta a história comovente de dois amigos que se amam perdidamente mas depois ele vai viver para outra cidade (pobres autores..) (e pobre de mim que os ouvia de olhos a brilhar e língua pendente de emoção)!

Ficou a estação em peso a olhar para mim.
Pessoas da minha idade observam-me com um desprezo inqualificável. Eu fiz o ar mais inteligente que a situação concedia e enfrentei-os um por um, em jeito de desafio. Forcei-os todos a baixarem o olhar e discretamente desliguei o telemóvel. Segui pela plataforma e fui esconder-me num nicho debaixo das escadas, enquanto batia com a cabeça no cimento e me apetecia atirar o dito da linha 3 abaixo.

Já pensei que amanhã tenho que levar as músicas mais intelectualmente alternativas que conheço. Que acham de Kasabian? Li não sei onde que davam grande estilo, e confesso que já os ouvi algures num sudoeste manhoso mas preferi ir para a barraquinha dos Kit Kat ver se lambia mais algum de graça e acabei por não lhes prestar grande atenção.

Repto: ajudem uma analfabeta musical e auxiliem-na a recuperar a dignidade perdida.
Não opinem à cara podre, queimada já eu ando por aquelas bandas.

sexta-feira, outubro 20, 2006

:(

Afinal, o que é pior?

- a espanhola de renda para pôr o papel higiénico
- o dálmata de loiça na entrada
- o quadro do menino triste a verter uma lágrima
- a fonte de mármore ranhoso do menino a fazer xixi, vulgo Manenken Pis
- a passadeira de plástico branco sobre uma passadeira de lã
- o boneco do arlequim sobre o naperon branco no sofá
- as bolas de naftalina nas arcas canforadas
- o bibelot do sapatinho de cristal a servir de porta-lápis
- os sete anões de gesso debaixo da nespereira


ou

- uma tia-avó com isto tudo e mais umas coisitas e que já me confirmou condescendentemente que me vai deixar o magnífico espólio por herança?

Vou estudar atentamente o regime jurídico da deserdação.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Gaja que é gaja remenda sempre a situação



Peço as minhas mais sinceras desculpas, mas tive mesmo que apagar a fotografia anexada ao último post. Na verdade, fui bastante ingénua ao pensar que as atenções se desviariam todas para as boobs e ninguém atentaria na minha mais literal cara de rabo. Engano. A primeira coisa que o meu irmão fez foi rebolar-se corredor fora rindo-se cruelmente da foto.


Como estou escaldada, resolvi meter outra, desta feita já com o monitor, e, não querendo ser mazinha, reparem no peúgo branco dele! ahah hilariante! e as calças? ahahah!! e o cabelo? ahahah ahah!! atentem no e meu à-vontade.. com os ténes descaindo para o solo como quem diz "ai ai estamos tão desprotegidos, vamos aterrar com cuidado porque queremos chegar inteiros?". Não se vê logo que eu destilo classe? Ninguém diria que estive quase sempre de olhos fechados rezando o responso a Santo António e fazendo aquelas promessas imediatas que depois nos arrependemos e nunca chegamos a cumprir.

Posso adiantar que estava tão aterrada que nem consegui largar as duas mãos dos cordéis para fazer um manguito ao pessoal que se ria cá em baixo.
Só se alegram com o mal dos outros.

Gaja que é gaja..




Depois de uma viagem de parapente, uma necessidade premente: verificar se as ditas continuam no mesmo sítio, e se possível um pouco mais içadas.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Rewind

Que grande lamechice esta última postagem. Lembrem-me de nunca escrever nada ao som de Israel Kamakawiwo´ole, nomeadamente "somewhere over the rainbow"!

Não se preocupem. Aqui estou, manhosa como sempre: Gosto de que me façam rir, que tenham pulso em mim, da amizades desinteressadas, de calças da Pepe, livros do Camilo Castelo Branco e de bacalhau à lagareiro. Adoro os meus cães e gosto do anormal do meu irmão, apesar de ele ser uma assumida besta porque nunca me faz backups do disco do meu computador e acabo por perder sempre tudo por causa de vírus deveras ranhosos. - (obrigada Safriduo)

Constatação do ano

olá. vim só postar esta mensagem rafeira para dizer

que não há nada de mais lindo no mundo que assistir a uma trovoada medonha e gigantesca à meia-noite no cabo da Roca.

Acreditem, se quiserem.

ps. - a vida é maravilhosa.

domingo, outubro 15, 2006



Esta, é uma história triste.

O ano passado eu tentei abrir um frasco de verniz com os dentes. Sucede que eu consegui a invulgar proeza de desatarrachar e bifurcar praticamente um canino inteiro à pala dessa brincadeira.

Ontem precisava de pintar rapidamente os dedinhos dos pés e deparo-me com outro verniz hermeticamente fechado.Hesitei duas ou três vezes. Avancei.

Não dormi a noite inteira e fiquei com uma estalactite no lugar de um dente.

sábado, outubro 14, 2006

Vão fazer..se Deus quiser.

Palavra de honra (abstenham-se de comentários invejosos sff),

qualquer dia começo a cobrar visitas guiadas ao meu lar aos sábados de manhã.

Cenário: o meu pai incumbido de fazer o almoço, hoje bacalhau à brás, e a minha mãe vai ao supermercado. QuandO chega, a primeira coisa que faz é ir inspeccionar o tacho.

Ouve-se um grito.

- Onde é que está o chouriço?? - pergunta ela com os olhos sanguinários
- e lá bacalhau à brás leva chouriço?! - responde o meu pai
- pois claro que leva, eu ponho sempre!
- mas olha que história! nunca aqui se pôs chouriço no bacalhau!
- nunca se pôs? nunca se pôs mas pode-se pôr!
- e achas que vou estragar o meu bacalhau com chouriço?
- não há cá "teu" bacalhau? NO BACALHAU PÕE-SE O QUE SE QUISER OUVISTE?!
- AI É? AI PÕE-SE O QUE SE QUISER?!

Bem, foi esta última frase que me fez arrancar da cama. Conhecendo o meu pai como eu conheço, daqui só poderia sair um suave momento de distração.

Arrasto-me até à cozinha e vejo-o agarrar em 2 cachos de uvas gigantes, um frasco de compota e um patinho de loiça que costuma estar em cima da chaminé e despejar tudo dentro do tacho, agarrar numa colher de pau e calcar aquilo tudo.

Ainda ensonada, comi um pão com queijo e voltei para a cama.

Voltaram-se a falar neste momento que vos escrevo. Vão fazer bolos de gengibre.

sexta-feira, outubro 13, 2006

O degredo II

Se há coisa que eu tenho um real pavor, é de assistentes de loja que me espiolham e, gentilmente, perguntam se podem ajudar. Não sei se já aqui revelei, mas tenho o hábito diário de me ir encharcar em perfume na Sephora e na Companhia dos Perfumes. Lá sou unicamente importunada pelos seguranças que, convenha-se, enquanto homens são bastante fáceis de ludibriar. Basta fazer um sorriso de esguelha e, com a mão direita, despejo um J´Adore decote abaixo.

Ma agora vem o trauma da minha vida: a DOUGLAS!! Na verdade, a Douglas deve ter despendido quantias avultadíssimas em estratégias de asfixia psicológica, pois é a única loja em que eu entro para me perfumar e saio não só sem uma pinguinha de perfume mas com um objecto inútil e comprado licitamente.
Exemplo na última ida ao mundo da Douglas (e que eu me esfarrape aqui se voltarei mais alguma vez!):

- vou eu colada às paredes, escondendo-me por entre pilares, deslizando no chão de azulejo e soerguendo ocasionalmente a cabeça por cima das prateleiras, tentando alcançar desesperadamente o Light Blue de Dolce&Gabanna. Quando me faltava unicamente meio palmo para agarrar o dito, eis que surge um desses seres atemorizadores chamados “lojistas” que me pergunta se quero alguma coisa.

Pois há muita coisa que eu sei fazer. Inclusive mentir. Mas há qualquer coisa de fisiológico que me transfigura frente às assistentes. Eu feita ursa desorientada começo a inventar problemas como sobrancelhas desfiadas e pestanas quebradiças.

Conclusão: entrei lá à macho latino e saí de pantufas, com a porcaria de um rímel da Givenchi que me custou 22 euros mais dois reafirmantes de coxas da Clarins que me custaram 65 euros!! Um belo total de 87 euros (17 CONTOS E QUATROCENTOS!!!)

MEU DEUS EU SÓ QUERIA UM BORRIFO DE D&G!

E a ratazana da lojista com a sua bela comissão.
Comissão de boas vindas hei-de eu dar-lhe quando a apanhar na estação do Oriente e lhe der uma surra de meia-noite.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Paulo Coelho ou a arte de enlouquecer

Quando não tenho nada que fazer, estou deveras entediada e começo a roçar a insanidade, pesquiso coisas no Google (FSDTC - fonte suprema de todo o conhecimento). Nomeadamente coisas que odeio.

Última pesquisa efectuada “ rio piedra + paulo coelho”

Resposta: vários links (links? Sites? Páginas? Sítios, whatever, pessoas medonhas que GOSTAM de Paulo Coelho) que apresentavam títulos com as seguintes discrepâncias:


Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei

Sentei-me às Margens do Rio Piedra e Chorei

Sentei - me ao bordo do rio Piedra e chorei

Na beira do Rio Piedra sentei e chorei

Às margens do Rio Piedra eu sentei e chorei




Eu sei que isto em nada contribui para a vossa felicidade. Nem tão pouco para a minha, mas o que retiro daqui é que as próprias pessoas que o leram (e, pasme-se, gostaram), acabaram por, de uma maneira ou e outra, soçobrar ao evidente e literalmente ensandeceram.

(Da única vez em que eu peguei nesse livro, sentei-me na borda da toalha, bati com a cabeça nas rochas e, violentamente, solucei).

Próxima pesquisa: " Luciana Abreu ".

quarta-feira, outubro 11, 2006

Un Regalo

Toda a gente gosta de dar e receber miminhos. Umas mais que outras. Não escondo que por vezes uma boa lamparina bem aplicada me aquece o coração (dar e receber, consoante a situação)mas isso não implica que eu seja uma pessoa de maus sentimentos.

Longe disso. Por isso, e com toda o meu sobejamente conhecido altruísmo , ofereço-vos um miminho que li num blogue de uma querida leitora, acerca desta salsicha mal enchida(lolada, ok ok, salsichona robusta)que hoje aqui vos escreve:

"É que as depressões não se tratam só com fármacos tricíclicos ou heterocíclicos, inibidores das MAO ou da recaptação da Serotonina... Terapêutica não sujeita a receita médica em Salsicha não te desgraces

Muito à frente
"

fonte: http://aliensyndrome.blogspot.com/2006/02/que-as-depresses-no-se-tratam-s-com.html

ó Ana, por quem sois, é bondade sua..( salsicha enrubesce com os olhos fitos no chão)

P.S.- Curem-se vocês todos que eu já não tenho solução. Nem qualquer pingo de modéstia.

terça-feira, outubro 10, 2006

The Office

Tenho que confessar que esta semana propiciou momentos laborais gloriosos. Nomeadamente um que ocorreu hoje.

Um ligeiro bater à porta e irrompe bruscamente. Era a chefe na sala.
(Queria-nos quiçá apanhar em flagrante - Terá ela alcançado os seus intentos? - É com grande pesar que vos anuncio que sim.)

Quatro estavam em amena cavaqueira. Será assim tão vergonhoso? Sim, se três estiverem de pé a brincarem às cabeleireiras, e a fazerem tranças à menina-de-primeira-comunhão ao quarto elemento (eu). Com elásticos de prender dossiês. E garrafas de água a fingirem de amaciador e agrafadores a fazerem de máscara da Kerastase.
Tentando disfarçar, começamos todas a mexer e a remexer em papéis. Infelizmente os primeiros que me vieram parar às mãos (e que prontamente passei à minha colega) foram-me dados na estação de comboios e tinham escrito em letras garrafais “FRP – PROPOSTA REINVINDICATIVA 2007”. No mínimo, suspeito.

Outra dormia no sofá. Os vincos deste cravados na face direita não deixavam margem para dúvidas. Estava alapada há, pelo menos, 45 minutos. Ressonando, inclusive. (Esta nem tentou disfarçar.)

O último elemento safou-se melhor. Como estava a dormir em frente ao écran de costas para a porta passou por jurista expedito e dedicado. Felizmente, a chefe não reparou que ele, ansiando por mais espaço para colocar os seus cotovelos cansados, tinha colocado o teclado do computador..

EM CIMA DO MONITOR!!

A chefe olhou para todos, um a um. Ditou mais umas tarefas, atirou-me um ”que bonitas tranças" e saiu.

Agora não me venham reclamar que o dinheiro dos impostos, o meu salário blá blá e mais não sei o quê.
Quando trabalho, trabalho bem. E ninguém me paga estes sustos de levar o caixão à cova.

Ora pensem lá afinal se o vosso chefe não bate à porta?! Uma palavra: criminoso.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As probabilidades

Ontem estive a falar com um rapaz que este verão visitou a China, país de onde o seu mestre de kung fu é originário.

Esteve lá 15 dias, fartou-se de palmilhar planaltos e montanhas, esfregou-se em planícies fluviais, saltitou por entre serras e cordilheiras, apanhou com tempestades de poeira,observou com interesse as formções paleozóicas, foi a templos confucionistas, budistas e taoístas, submeteu-se à medicina tradicional e cruzou-se com milhares de chinesitos uns mais amigáveis que outros.

regressou são e salvo. Após 12 horas de viagem aterrou e sentiu-se feliz, em casa.

Sentimento esse que se fortaleceu daí a 15 minutos, já que teve a pregrina ideia de apanhar um táxi e quando chegou às escadas reparou que o taxista lhe havia dado duas moedas de 100$00 em vez de quatro moedas de €2.

Podia ter sido esquartejado, comido vivo, violado em restaurantes, atropelado naquele caos estradal ou simplesmente desaparecido na longínqua e vasta China.

Mas não, foi roubado à porta de casa em Sacavém.

Para quem anda no Kung Fu não dá propriamente uma heróica história para contar aos netos.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Telefone vs Jaguar

Hoje de manhã, a minha mãe ao telefone contando à irmã que tem um telemóvel novo:

mãe - ah sabes, comprei um telemóvel muito bom! Qual? não sei, ó DÓÓÓ (é o meu pai) que telemóvel é que eu tenho?

pai - é um nokia

e a minha mãe ia repetindo: é um nokia

pai, acrescentando: um N90

depois, já meio lançado que isto nos feriados manhã não há grande coisa com que nos divertirmos:

- turbo diesel
- binário elevado
- compressor volumétrico
- função overboost

e a ingénua da minha mãe ia papagueando as virtudes do super-nokia até que achou estranho esta última função. virou-se para trás e lá estávamos nós a rir-nos despudoradamente dela, mas com olhares compadecidos,

direi mesmo enternecidos, para com esta mulher de M grande, tão esperta para umas coisas tão burrita para outras.

Desconfio que hoje alguém dormirá na sala. e esclareço que não sou eu.

quarta-feira, outubro 04, 2006

1ª lição sexual

Não sei porquê, mas hoje lembrei-me de uma noite à muitos, muitos anos atrás.

Eu estava a ver o Fugitivo, era uma terça por volta das 21h. De repente aparece o meu irmão na sala aos saltos todo nu, com uns três anos, correndo esbaforido como quem foge pela vida. O motivo? Só poderia ser um, estava certamente a esquivar-se às mãozinhas higiéncias da minha mãe para não ter que ir tomar banho.

Sempre aos saltinhos,lá se escondeu atrás do sofá, atirou-se para cima da mesa de jantar, lançou -se sobre os cortinados até aterrar mesmo de cu em cima da minha cara.

E foi então que eu reparei: ele, rapaz e futuro homem, parecia-me que só tinha um testículo, ou como a minha mãe carinhosamente chamava "um tomatinho" (recorde-se que a criança ainda andava com o bacio atrás, não eram propriamente aquelas bolas tailandesas enormes anti-stress).

Em pânico, grito: MÃEEE, O NUNO SÓ TEM UM TOMATINHO!!

Ela, intrigada, não fosse o destino pregar-lhe alguma e ainda não ter reparado que tinha um filho mono-tomático,

abeirou-se da criança, afastou-lhe o pénes, que carinhosamente chamava "a piroquita", e suspirando aliviada, aquietou o meu desespero:

- Não Susana, ele tem dois tomatinhos, estão é dentro do mesmo saquinho (hoje em dia vulgo escroto nojento), vês como estão separados aqui por este risquinho? Um dia dará para perceber melhor, quando ele for mais crescido.

Suspirei de alívio e voltei a pregar os olhos na televisão. A criança, que para o exame minucioso havia sido dependurado por um braço qual saguim bébé na floresta tropical, voltou a aperceber-se do perigo eminente e, de rabo, piroquita e (afinal!) dois tomatinhos saltitantes lá debandou outra vez.

Foi a minha primeira e última lição sexual. Isto até ter visto um velho alucinado atrás do liceu de Queluz que perseguiu a mim, à Ana, à Paula e à Bia até ao adro da igreja, de mastro em alta com os bigodes ao vento e murmurando insanidades.

Após o susto inicial, lá olhei de soslaio e retirei as minhas ilações.
A minha mãe tem sempre razão.

terça-feira, outubro 03, 2006

D.MAIL 1

Hoje, no meio dos benefícios fiscais e regimes simplificados, aparece uma lufada de ar fresco: o maravilhoso catálogo das ideias uteis e originais da D.MAIL.PT.

Este intrigou-me:

Repulsor de ratos ultra-sónico
Código do Artigo 30687 € 24,90
IVA Incluído (eu sou assim, amiga do meu amigo e avanço sempre com os detalhes todos)

Não sei porquê, mas após ler as disposições conjugadas de repulsor + ratos + ultra-sónico, imaginei automaticamente um bando de ratazanas de dentuça afiada, fugindo espavoridamente de um buraco na despensa directamente para dentro do meu quarto, debaixo da cama ou quiçá dentro da gaveta das meias, ou seja dispersando-se salomonicamente por todas as divisões da casa, enquanto eu, aos saltos, tento salvar o cão e pôr-me a léguas de tal antro homicida.

Caramba, ao menos enquanto residiam numa morada certa e honesta como a despensa sempre estavam concentradas, quem sabe à volta de uma fogueira aquecendo as suas patinhas em noites de rigoroso inverno!
A partir do memomento em que uma alma mais inquieta se lembra de asesborrifar com repulsor, depreendo que elas agarrem nas trouxas e se vinguem semeando o pânico por um lar cristão como por exemplo o meu.

Chamem-me de antiquada ou mesmo e literalmente porcalhona: prefiro chacinar ratos com um bom veneno comprado na botica, e esperar pacientemente que eles quinem para o lado, ou mesmo esperar que apodreçam violentamente sempre que não sei do seu paradeiro. Mas ao menos sei com o que é que posso contar. Escuso de andar sempre colada às paredes, com saltos de agulha e atiçador de lareira na mão, sempre com o coração nas mãos e o vómito na garganta.

Depois desta cadeia toda de raciocínio (aguçadíssimo, refira-se), cheguei mas foi à conclusão que não moro propriamente na província e era o que mais faltava a minha linda casa com vista para a rotunda ter ratazanas colonizadas.

Bolas, tenho 2 cães e um irmáo, já me chega de bicharada.