domingo, setembro 10, 2006

Diga bom dia com Mokambo!

Nos filmes as coisas fluem sempre bem.

Comigo e na realidade, corre sempre tudo basicamente mal.

Cenário perfeito:

último andar de um prédio reconstruído em Alfama, com janelas viradas para o rio, com a mesma vista do miradouro de Santa Luzia onde, aliás, se situa o dito.

Susana acabada de acordar, com a frescura e a ligeireza dos seus vinte, sem óculos, sem lentes, só ela e a Natureza, vejo figuras difusas ao longe, os barcos a cruzarem o Tejo, o mosteiro ergue-se ao longe e deve ser bem grande porque eu, sem óculos não vejo literalmente nada.

Sinto-me a Ana dos cabelos ruivos, numa manhã solarenga em comunhão com tudo o que há de bom na vida. Espreito por entre a janelinha do quarto, e ponho uma perna de fora. Sentada no parapeito, com os braços cruzados no peito, aí fico eu uns bons minutos, pensando que não pode haver nada melhor que aquilo.

De repente oiço risos abafados. Sem óculos remeto-me praticamente à condição de invisual. Olho para trás e semi-cerro os olhos tentando perceber donde vem o riso e afinal, porque se riem. Os risos ouvem-se cada vez mais alto e um burburinho aumenta de tom.

Tacteio a mesa de cabeceira mesmo ao lado da janela, encontro os óculos e começa-se a fazer luz. As sombras que eu via ao longe, indistintas e longínquas, encontravam-se afinal a 4 metros de mim.

Eram turistas pendurados no miradouro que, vendo uma idiota como eu, de micro-cuecas e soutien, (que vergonha Meu Deus, nem sequer estavam a condizer!)logo se puseram a chamar os restantes compatriotas. Só tenho tempo de me atirar novamente para dentro do quarto mas ainda tive a delicadeza de tentar cerrar as pernas, o que, convenha-se, é bastante difícil quando estamos em plena queda livre num soalho de tijoleira e vendo a morte a passar-nos diante dos olhos.

Oiço novos risos e para ripostar fecho a janela com toda a força. Um espanta-espíritos que, sabe-se lá porquê, foi colocado fora e não dentro da casa desprende-se e cai lá em baixo. Novos risos e só em apetece metralhar aqueles turistas anormais.

Deixei de ser a Ana dos cabelos ruivos e sinto-me a Noiva do Chucky. Quais barquinhos a passear no tejo, quais águas-furtadas de poetas, bando de voyers chilenos era cairem todos do 28 e serem trucidados um por um.

freaks!

9 comentários:

Anónimo disse...

Tantas mentiras, Susana... Porquê?

susana disse...

quão entediante é a tua vida para achares que um episódio mais incomum é mentira? ah já sei, o suficiente para leres atentamente este blogue!

Anónimo disse...

O que vale é que tu respondes... Tornas a minha vida entediante num delicioso diálogo com a emoção.
Mas tu não deixas de ser uma grandessíssima mentirosa!

Carlos Sampaio disse...

foste de férias? :)

:P

Eu disse...

desta bela "aventura do dia" (como o panrico...) Eu retenho duas palavrinhas para a posteridade da minha memória: "mosteiro" e "micro-cuecas"

susana disse...

ferias? não, lá vou de férias para alfama!! é a casa da Dr. Joaquina Chicau, mui ilustre advogada e companheira de misérias.
anónimo, faço minhas as tuas palavras, na íntegra e até à ultima vogal ("a" que transmuto para "o")

Anónimo disse...

Qualquer pessoa que conhece a Joaquina sabe que essa história é uma tremenda mentira... Porque não avisas ao menos os leitores que tudo o que aqui descreves são puras mentiras. Já chega, Susy!!!

susana disse...

e lá conheces a Joaquina seu amorfo!vais comigo à janela do quarto e tiras as tuas existenciais dúvidas pode ser?

BR disse...

Ai ai, que isto parece uma batalha campal. Permitam-me meter o bedelho e perguntar. E se, eventualmente, por acaso ou não, a Susana estivesse a mentir? Qual era o problema? Alminhas tristes sem nome: se não gostam, não leiam.
Eu gosto, leio, rio-me sozinha e se fossem mentiras seria a mesmíssima coisa, podem apostar.

Um abraço,
BR