sexta-feira, setembro 29, 2006

...

Já passei vergonhas brutais,
mas nada que se compare a isto:

Tendo eu marcado uma entrevista com um coordenador de um projecto de que queria fazer parte, foi-me comunicado que a mesma seria num café dentro do Saldanha Residence, já que a sede estava com obras ou coisa afim.

Lá se marcou a hora e eu, no dia combinado, apresentei-me com o meu melhor vestido acabada de sair do cabeleireiro e, modéstia à parte, completamente amorosa.

Eram 18h30 e eu já estava pontualmente sentada numa mesa do andar de baixo do dito café, esperando que o Senhor Coordenador chegasse, se dirigisse ao patamar superior, altura em que eu me dirigiria reverencialmente à sua pessoa, apresentando-me como a voluntária esperada.

Passados uns minutos aparece um homem de uns 30 anos, sobe, e eu qual meretriz de 3º classe sigo-o.

"olá, penso que está à minha espera" - adianto eu, muito pespireta e despachada.

"Não..penso que está equivocada". e olha para mim com pena. "Para a próxima combine uma flor na lapela" - esclarece ele, com um ligeiro piscar de olhos (VERÍDICO)

Ainda atordoada vou ter com a senhora do balcão e pergunto muito baixinho:

"Por acaso não sabe se já chegou o sr. coordenador da associação xx?"

"Não sei" - responde ela com sotaque brasileiro. "Como é que ele é?"

"Náo faço ideia, nunca o vi"

"JURACYYYYYYY " grita ela, para outra empregada do outro lado do café

"ESTA SENHORA VEM-SE ENCONTRA COM UM SENHOR MAS NÃO SABE QUEM ELE É, NINGUÉM PERGUNTOU POR ELA?

O café em peso com olhos postos em mim. As desvirtudes dos engates na net, pensarão eles certamente.

"O QUÊ?"

"EU DISSE QUE ESTA SENHORA VEM ENCONTRAR-SE COM UM SUJEITO MAS NÃO SABE COMO É QUE ELE É!"

continuam todos a olhar e cheios de pena, eu morta de vergonha, a desfazer-me em agradecimentos e já a fugir porta fora prestes a cortar os pulsos.
Transponho a soleira choco de frente com o coordenador, e, desfeitas as confusões, lá voltamos a entrar.

Sinceramente, penso que só faltaram as palmas. Os frequentadores do café com os olhos marejados de lágrimas, as balconistas soprando beijos e emitindo sinais de força, o pedinte com um sorriso enternecido, o cão, coxo, rodeado de mosquitos acenando num sinal de apreço.

Eu se pudesse enfiava-me num buraco nem que estivesse pejado de ratazanas de esgoto.

Próxima vez nem que a sede esteja a arder em benzina, com uma praga de louva-a-deus e snipers defronte do parapeito. Cafés, JAMAIS.

5 comentários:

Danny disse...

Ain´t life a b**** once and a while?? Vê as coisas de outra maneira, pela perspectiva cristã: a tua infelicidade permitiu que outros pudessem desenvolver o dom da compaixão!!! Tem de se pensar sempre de forma positiva... :P

Ahedonia disse...

Oh my f*kin God, o que eu me ri!
Já me tens proporcionado alguns momentos de boa disposição com algumas entradas espirituosas, keep it up! É revigorante ler um blog de uma rapariga que sabe não se levar demasiado a sério e rir de si própria, partilhando as suas desventuras em português irrepreensível. Muito bom! keep it up

Carlos Sampaio disse...

E HEH EHHE!!!

A tua vida...
Merece um patrocínio!

Gustavo disse...

continuas com piada:)

mas agora vai lá ao meu blog que eu preciso da ajuda de toda a gente!!

:D

susana disse...

gustavo ao CC!