sábado, setembro 30, 2006

umsemabrigoumamigo.planetaclix.pt

Não sou de intrigas, mas Alguém contou-me que os sem-abrigo (tugas, cheire-se a dupla adjectivação), estando em digressão no campeonato do mundo de futebol, algures na Tanzânia ou país semelhante,

fizeram birra e foram dormir na rua porque o alojamento onde ficaram, que albergou 200 e tal pessoas, só tinha 19 chuveiros.

Ilações despreendidas:

- então e só se lhes dá para o asseio naquele hemisfério em particular porquê?
- então e se um sem-abrigo quer prevaricar isso lá é greve que se faça?
- alguém, inclusive direcção, se lembrou de revezamentos banhísticos por turnos?


soturnamente, fica a pergunta no ar: alguém, efectivamente, e após a confusão instaurada tomou banho naquela semana?

repito: durante um mundial de futebol, os jogadores, homens feitos e de feromonas activas, passaram uma esponjita que fosse por aqueles corpos suados?


A Epal lá do burgo ficou a perder.
Mas o suicídio colectivo da Tanzânia Airways será certamente bem mais dramático.

sexta-feira, setembro 29, 2006

...

Já passei vergonhas brutais,
mas nada que se compare a isto:

Tendo eu marcado uma entrevista com um coordenador de um projecto de que queria fazer parte, foi-me comunicado que a mesma seria num café dentro do Saldanha Residence, já que a sede estava com obras ou coisa afim.

Lá se marcou a hora e eu, no dia combinado, apresentei-me com o meu melhor vestido acabada de sair do cabeleireiro e, modéstia à parte, completamente amorosa.

Eram 18h30 e eu já estava pontualmente sentada numa mesa do andar de baixo do dito café, esperando que o Senhor Coordenador chegasse, se dirigisse ao patamar superior, altura em que eu me dirigiria reverencialmente à sua pessoa, apresentando-me como a voluntária esperada.

Passados uns minutos aparece um homem de uns 30 anos, sobe, e eu qual meretriz de 3º classe sigo-o.

"olá, penso que está à minha espera" - adianto eu, muito pespireta e despachada.

"Não..penso que está equivocada". e olha para mim com pena. "Para a próxima combine uma flor na lapela" - esclarece ele, com um ligeiro piscar de olhos (VERÍDICO)

Ainda atordoada vou ter com a senhora do balcão e pergunto muito baixinho:

"Por acaso não sabe se já chegou o sr. coordenador da associação xx?"

"Não sei" - responde ela com sotaque brasileiro. "Como é que ele é?"

"Náo faço ideia, nunca o vi"

"JURACYYYYYYY " grita ela, para outra empregada do outro lado do café

"ESTA SENHORA VEM-SE ENCONTRA COM UM SENHOR MAS NÃO SABE QUEM ELE É, NINGUÉM PERGUNTOU POR ELA?

O café em peso com olhos postos em mim. As desvirtudes dos engates na net, pensarão eles certamente.

"O QUÊ?"

"EU DISSE QUE ESTA SENHORA VEM ENCONTRAR-SE COM UM SUJEITO MAS NÃO SABE COMO É QUE ELE É!"

continuam todos a olhar e cheios de pena, eu morta de vergonha, a desfazer-me em agradecimentos e já a fugir porta fora prestes a cortar os pulsos.
Transponho a soleira choco de frente com o coordenador, e, desfeitas as confusões, lá voltamos a entrar.

Sinceramente, penso que só faltaram as palmas. Os frequentadores do café com os olhos marejados de lágrimas, as balconistas soprando beijos e emitindo sinais de força, o pedinte com um sorriso enternecido, o cão, coxo, rodeado de mosquitos acenando num sinal de apreço.

Eu se pudesse enfiava-me num buraco nem que estivesse pejado de ratazanas de esgoto.

Próxima vez nem que a sede esteja a arder em benzina, com uma praga de louva-a-deus e snipers defronte do parapeito. Cafés, JAMAIS.

Dr. DIVAGO

Hoje só tenho duas coisas para adiantar:

1.º - nunca, mas nunca, em toda a minha curta existência, vi uma rapariga trajada de pernas bonitas. deve haver uma causa-efeito, que transcende o facto dos sapatos serem simplesmente um horror medieval, que justifique o facto daquelas pobres miúdas parecerem freak-shows do Poço da Morte. Alvíssaras por uma, mas basta-me UMA ÚNICA foto que comprove documentalmente a existência de uma par de pernas que se possam anatomicamente reputar de tal, sem ligeiros assomos de vómito expectoral.

N.B - sou entendida em photoshop


2.º - Dica da semana: sempre que estiverem na via pública, desfigurados pelo tédio e com larica pela brincadeira,

experimentem fechar a caixa dos óculos com com toda a vossa força e à velocidade da luz, mesmo por detrás de um transeunte mais desprevenido,

e esperar que:

- ou ele erga as mãos em sinal de não-resistència e se atire para o meio da calçada de pernas abertas,

- ou simplesmente olhe para trás e comece a procurar coisas no chão que eventuamente tenham caído

para completar os cenários adianto que:

na 1ª situação convém que a faixa etária atingida seja entre os 35 e os 65, já que os sub não dão parte de fracos, e os sobre já não ouvem sequer.

na 2ª situação, se o tédio for mesmo desesperante, olhem para vossa esquerda e apontem para o meio das couves dizendo "está ali".

Confirmação, sim tenho 26 anos.

domingo, setembro 24, 2006

A oferta

A minha mãe ganhou um dia destes uma viagem a Santiago de Compostela num concurso de rádio qualquer. Este ganho é bem revelador da sua persistência, já que os responsáveis só tinham 5 para oferecer e ela lá desencatou uma 6ª.

Até aqui nada de extrordinário. Para quem já viu a própria mãe a dar uma sova de meia noite num quarentão viçoso que a tentou espreitar numas cabines de duche numa pousada da juventude em S. Pedro de Moel há muitos anos atrás (eu sou assim, caracterizada por traumas, traumas e mais traumas), imaginá-la a desesperar um radialista com chantagens emocionais e choradinhos pseudo-cristãos não se me afigurou difícil.

A questão revelou-se mais complexa quando eu descubro, surpreendida, que ela ganhou nada mais nada menos que uma viagem a Santiago de Compostela de 5 dias ..a pé.

Não sei o que me aflige mais, a audácia dos produtores ou a pobreza franciscana dos ouvintes.

Muito me hei-de eu rir com este generoso passatempo. Estou doida que a minha mãe se meta a caminho e me telefone desconsolada para a ir buscar já bem perto de Santiago

do Cacém.
Há-de apanhar o autocarro para Lisboa para não se armar em esperta. é que, convenhamos, isto do "a cavalo dado.." tem mesmo que ter limites...

sábado, setembro 23, 2006

A corrente utilitarista

Acabei de ouvir no telejornal que uma maternidade não sei de onde vai ser toda desmantelada e ia hoje o material a leilão ou coisa afim.
O jornalista, abelhudo empedernido e mente torpe e distorcida atira-se sobre um eventual adquirente e atira à queima roupa:

- ah e tal anda por aqui não é..e vai comprar alguma coisa? por exemplo, acha que vale a pena licitar uma mesa de ginecologia? e o incauto visitante, transido de medo, ainda surpreendido por ao fim de 45 anos estar finalmente na televisão,

pensa um bocadinho, saliva ligeiramente, as pupilas tornam-se turvas e delas emerge um olhar transversal, a língua avermelhada suspensa que quase lhe chega ao maxilar,

e, por momentos, eu própria fiquei a pensar no que é que aquele predador sexual do jornalista e influenciável tuga estariam a magicar.

e cheguei a uma conclusão: fiquei com pena de ter chegado a meio da reportagem e não saber onde e quando se realizará o leilão.

aceitam-se respostas rápidas, mas dispensam-se mensagens privadas.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Direito de Resposta ao abrigo da Lei n.º 2/99 de 13 de Janeiro

Barracas:

Sei o que fizeste a década passada. E confirma-se que amigo traído é sempre o último a saber.

Haja Hipocrisia e Alegria

Haja Casal Garcia..(a regar tanta mentira desde 1998)

domingo, setembro 10, 2006

Os Visitantes




este quadro não é meu, e, à parte dos visitantes da República Dominicana, Guatemala e Singapura, também não me parece que mesmo que eu dissesse que era meu, a ideia vingasse. Tudo isto para dizer que a bloguista do candyanime.blogs.sapo.pt descobriu que nada mais que 7 entidades alienígenas (santo Deus, será que era o saudoso Benji?)a visitaram recentemente.

À parte de uma cambada de anormais que me espreitam (amiguinhos ecuménicos uns, completamente ateus outros,)que eu identifico à légua e que passam bem por saturnianos tão grande é a camada anelar adiposa de inveja/pretensiosismo que os cobre,

não me consta que tenha sido visitada por alien algum. Se bem que uma vez alguém assinou um comment como Vicky - a menina robot.

Vou-me debruçar sobre o assunto.

Doces 80

Com os olhos marejados de lágrimas, beijo o meu novo DVD do "Crime, disse ela" e preparo-me para me deleitar nas minhas recordações de infância.

Com mil cuidados, coloco-o no leitor, sento-me no sofá, e com o coração a palpitar preparo-me para uma hora de pura magia.

Passados 5 ou 6 minutos já estava com a cara esborrachada no chão, braços abertos no sofá e as pernas no cimo da parede, morta de tédio e mais pobre €3,99 que os chulos do planeta agostini não fazem a coisa por menos.

As cores, um pavor. Som, indistinto e a Jessica Fletcher velha que nem Matusalém. O guião era para sub-13 e atenção que o 2.º dvd já custa o dobro.

Agostinianos: parem de destruir sonhos de criança. Querendo, reponham o 70x7 que traumatizada já eu estou desde esses domingos de 1988.

E se algum dia tiverem a triste ideia de relançar “David, o Gnomo” declaro-me inimputável e cometo mais que um crime. Quem vos avisa..

Diga bom dia com Mokambo!

Nos filmes as coisas fluem sempre bem.

Comigo e na realidade, corre sempre tudo basicamente mal.

Cenário perfeito:

último andar de um prédio reconstruído em Alfama, com janelas viradas para o rio, com a mesma vista do miradouro de Santa Luzia onde, aliás, se situa o dito.

Susana acabada de acordar, com a frescura e a ligeireza dos seus vinte, sem óculos, sem lentes, só ela e a Natureza, vejo figuras difusas ao longe, os barcos a cruzarem o Tejo, o mosteiro ergue-se ao longe e deve ser bem grande porque eu, sem óculos não vejo literalmente nada.

Sinto-me a Ana dos cabelos ruivos, numa manhã solarenga em comunhão com tudo o que há de bom na vida. Espreito por entre a janelinha do quarto, e ponho uma perna de fora. Sentada no parapeito, com os braços cruzados no peito, aí fico eu uns bons minutos, pensando que não pode haver nada melhor que aquilo.

De repente oiço risos abafados. Sem óculos remeto-me praticamente à condição de invisual. Olho para trás e semi-cerro os olhos tentando perceber donde vem o riso e afinal, porque se riem. Os risos ouvem-se cada vez mais alto e um burburinho aumenta de tom.

Tacteio a mesa de cabeceira mesmo ao lado da janela, encontro os óculos e começa-se a fazer luz. As sombras que eu via ao longe, indistintas e longínquas, encontravam-se afinal a 4 metros de mim.

Eram turistas pendurados no miradouro que, vendo uma idiota como eu, de micro-cuecas e soutien, (que vergonha Meu Deus, nem sequer estavam a condizer!)logo se puseram a chamar os restantes compatriotas. Só tenho tempo de me atirar novamente para dentro do quarto mas ainda tive a delicadeza de tentar cerrar as pernas, o que, convenha-se, é bastante difícil quando estamos em plena queda livre num soalho de tijoleira e vendo a morte a passar-nos diante dos olhos.

Oiço novos risos e para ripostar fecho a janela com toda a força. Um espanta-espíritos que, sabe-se lá porquê, foi colocado fora e não dentro da casa desprende-se e cai lá em baixo. Novos risos e só em apetece metralhar aqueles turistas anormais.

Deixei de ser a Ana dos cabelos ruivos e sinto-me a Noiva do Chucky. Quais barquinhos a passear no tejo, quais águas-furtadas de poetas, bando de voyers chilenos era cairem todos do 28 e serem trucidados um por um.

freaks!