sexta-feira, maio 19, 2006

Era uma vez uma Yupi.

Não sei como vos escrevo estas linhas.


Ontem a minha mãe, de índole perfídia e profundamente maléfica, trouxe uma barrita de chocolate para mim.
Resisti aos instintos primitivos e limitei-me a jantar um copo de leite.
Hoje quando regressei do meu novo emprego (caso ainda haja alguém neste Portugal pequenino que ainda não saiba),

vejo a barrita, piscando o olhito matreiro em cima de uma cadeira na cozinha, já sem embrulho e tudo, pedindo-me para ser deglutida.
Debati-me, mais uma vez, numa célere luta interior, até que, finalmente, a gula vulgo larica triunfou,

e me lanço vorazmente sobre ela.

Mais tarde aparece o meu pai, vociferando e perguntando-me porque é que eu não limpei o cócó da yupi.

e eu "nao vi!"

e ele "como nao viste? é gigante mesmo à entrada!!"

eu "se é gigante e se o viste porque nao limpaste tu?"

"cala-te e vai mas é limpar" seguido de uma dissertação mundana sobre a mudança dos tempos, e se no tempo dele ele falasse assim com o meu avô era chicoteado no pelourinho da aldeia e açoitado com ramos de laranjeira.

Sosseguem-se os corações mais alvoraçados: não, a barrita não era cócó de cão. Mas quase.

pai, coçando a cabeça em estado pensativo "pois, aquilo de certeza que foi a barrita manhosa"

eu, em situação clínica pré-traumático mas muito cautelosa: "estás a falar do quê?"

pai, rindo-se com a singular lembrança "à bocado a tua mãe deu-lhe uma barra, comeu um bocado e vá lá que vomitou o resto, senão grande c... que iria para ali"

eu, azul-topázio, mão já à frente da boca "vomitou como?"

pai encolhendo os ombros cansado"oh, como querias que fosse? comeu e deitou fora"

su apoiada já na parede,ardendo em febre e de mão erguida suplicante: " e..alguém apanhou?"

conclui ele, à laia de despedida "a tua mãe deixou aí, pode ser que a Bianca goste"


A sério, quando apanhar o cão a jeito desfaço-o em pancada. (Só não faço o mesmo com a minha mãe porque teve o bom gosto de se me emprenhar e concedeu-me excelentes e portentosos genes ADNeicos. Que por acaso neste momento devem estar revolvidos na minha própria bílis porque ainda não consegui vomitar a barra.)
E ainda ingeri 190 calorias mastigadas de uma assentada.

Reiteiro o conselho já aqui uma vez prestado: na loja, escolham a tartaruga anã. Até porque em caso de asneira sempre conseguem persegui-la, violentá-la selvaticamente e lançá-la pelo esgoto.

Escusado será dizer que o cão anda foragido há já 3 horas.

1 comentário:

Carlos Sampaio disse...

AHAHAHA!!! De certeza que não comeste o...