domingo, março 26, 2006

Salsicha e o merecido descanso

Tudo tem um início e um fim.

Mas poderá ter, eventualmente, uma suspensão, interrupção, enfim, uma qualquer vicissitude que determine, em certo momento, a paragem de algo.

Eu vou suspender indefinidamente este blogue, por motivos pessoais que, neste momento, me impedem de ter o (sumido) humor que vocês gentilmente me atribuem. Mas adianto que muito gostaria de o recomeçar, mais que não fosse por ser um bom augúrio de que, apesar de tudo, melhores tempos virão e tudo que cai ao chão pode, esforçadamente, levantar-se.


Obrigada a todos, foram 203 post que adorei escrever!

Inté.

sábado, março 25, 2006

Preferia o vulgo --!

Arranjei um DVD com exercícios gímnicos, daqueles para fazer em casa com uma esteira e halteres de 1,5 kg.

Este que eu tenho é de uma produtora francesa, com um personal trainner e 2 anorécticas a ajudarem-me na exemplificação prática das várias sequências.

Fui vestir a melhor farpela desportiva, com umas leggings de lycra pretas antigas que já só me ficam pelo meio do rabo, uma t-shirt justinha com conquilhas para as ditas não saltitarem demasiado, umas soquetes brancas da Coq Sportif, fita à Rambo, protectores de pulsos e joelheiras da Nike.

Fui buscar à despensa dois pacotes de sumo do LIDL de 1lt cada e a mantinha do cão a fazer de tapete.

Enfim, após 1 hora de preparativos emocionantes, com os olhos marejados ponho no play, e eis que tenho que escolher fazer o DVD em fracês ou optar pela tradução portuguesa.


Em má hora o fiz. Logo de chofre oiço um emigrante de Lausanne a dizer "bóm dia! O meu nóme é Olibiê e bou sere o bosso personale treiner na seguinte (sibilante) mêia hóura"

e eu - oh não, que pesadelo.
Até que oiço o pior:

"bamos começár com os exercícios dos ombros e em seguida o dos NADEGUÊIROS"


Por amor de Deus.


A sério, exijo saber quem é o tradutor certificado deste pesadelo.
E o bimbo que lhe foi atrás na locução.

sexta-feira, março 24, 2006

Creature From The Black Lagoon - 1954

Por falar em máscaras grotescas,

nem a propósito, ontem saído meu cubículo e fui à estreia de "V de Vingança".

Não sei se estão a ver a personagem, mas dá-me a impressão que se isto fosse há uns anos atrás,

e os meus pais repetissem a dose de irresponsabilidade que tiveram quando permitiram que eu visionasse, através de uns óculos multicolores, "O Monstro da Lagoa Negra",

e após o qual eu, literalmente, defequei nas jardineiras e recusei-me a ficar sozinha numa divisão durante os 5 anos subsequentes;

e me deixassem ver o filme que anteriormente vos citei,

eu teria, pura e simplesmente, e após um estado catatónico de alguns segundos, morrido de susto.

Aposto que os Wachowski também tiveram experiências sinistras com o Palhaço Pobre.

quinta-feira, março 23, 2006

Saudade, saudade

Por falar em pais e portas adentro,

nunca vos aconteceu fazerem birras terríveis para comerem, logo após o paizinho sair de casa, isto porque podem fazer gato-sapato da mãe, até porque se ela nos bater apenas ficaremos com um bocadinho de vermelhidão, aliada a uma certa comichão,

ao invés das tareias do pai, que nos deixam a esfregar o rabo com halibut durante uma noite, sendo que na manhã seguinte quando tomamamos banho ainda têm a marca da mão gigante de homem?

Uma tarde, pela enésima vez, fui depenicando o peixe até o meu pai se levantar da mesa para sair de casa.

Ele beija a minha mãe, dá-me um piparote na cabeça que quase enfio as espinhas pelo nariz adentro e diz-me "come isso tudo" e sai de casa.

Esperei 10 segundos (não, chamem-me burra!) findos os quais me levantei da cadeira, atirei com o prato ao ar, exigi mais groselha e arrotei ruidosamente. Depois, desejosa de ouvir o meu cd dos ministar, fui a saltitar pelo corredor fora, com as trancinhas negras a rodopiarem ao vento e a cantarolar feliz, até que dobro a esquina e estava o meu pai escondido atrás de um móvel.

Nem tive reacção.

Lá sai aquele bisonte, 1.80 e 110 kilos, "o que é que estás aqui a fazer?"

E eu "vou à casa de banho", amaldiçoando a hora em que os meus pais tinham comprado aquele t4 em que o wc era precisamente no lado oposto.

E ele "ah vais, anda cá que eu ajudo-te", e ergue a botifarra no ar e eu a fugir corredor fora, ainda com os bigodes cheios de groselha a gritar pela minha mãe.

Bons velhos tempos. Hoje em dia limita-se a tirar-me a chave do carro. É compreensível. Com 45 anos já não consegue levantar a perna acima do joelho.

Criança ávida, adulto infeliz

Sempre tive pavor a palhaços, uma vez na festa de Natal da EDP um palhaço com cara de quisto pediu uma criança para ir ao palco. Sempre fui hiper-envergonhada, ao contrário dos meus provincianos pais que, entusiasmados com o convite me atiraram das escadas abaixo pelo que eu, cheia de ranho e chorar convulsivamente me vi no meio do meu pior pesadelo.

Até que claro os palhaços, que embora não o pareçam são humanos (mas afianço que já vi jacarés menos assustadores) se fartaram de mim e me recambiaram de volta para o meu lugar. Lá fui contente, até me deparar com a cara sanguinária dos meus pais e passou-me logo a vontade de rir.

Isto para dizer que sempre tive horror a palhaços, a cabeçudos do Entrudo, ao pessoal dos ranchos, enfim a tudo o que cheire a máscara exagerada.

Mas, não obstante esta fobia, lembro-me perfeitamente que quando o meu pai se mascarava de Pai Natal e eu, inocentemente, pensava que era mesmo alguém que se tinha dado ao trabalho de viajar da Lapónia a Queluz para me dar umas prendas apesar de,

dia sim dia sim fazer estragos em tudo o que fosse humanamente possível, e ter sido ameaçada de escola de correcção durante anos a fio,

(não é suposto o Pai Natal estar a par disto? Tipo relatórios da Comissão de Menores? Meu Deus fui tão ingénua)

enfim, quando eu via o Pai Natal lança-me aos pés dele, cobria-o de beijos, arrastava-o por um braço e obrigava-o a sentar no sofá, isto enquanto sacava de dentro de uma mochila da Hello Kitty pacotinhos de leite com chocolate e merendas de fiambre e lhe oferecia altruistamente, sempre à espera do retorno.

Pergunto-me eu agora,2 décadas depois:

Não era suposto eu correr velozmente na direcção oposta sempre que via um homem com uma manta vermelha, com papel higiénico a fazer de barba (ainda não havia a loja dos chineses), a calçar o 44, e com uma cervejita na mão a entrar pela minha porta dentro?

Resposta: claro que não, ele vinha para me dar presentes! Até podia ser um chimpazé octogenário, agressivo e vestido de mulher, eu haveria sempre de o reconfortar com bons tremoços e água-pé, miminhos para quem tinha vindo de tão longe para me agraciar com bons brinquedos.

Enfim, a ganância sobrepunha-se ao temor reverencial a coisas estranhas, e em situações nas quais o meu instinto me diria habitulamente a piscar "Foge" "Foge", naquela altura gritava "vende-te" "vende-te" (se te venderes para o ano há mais!).

Criança mais deplorável.

terça-feira, março 21, 2006

O 14 (CATORZE)

Recebi hoje a nota do exame da Ordem. Tive 14,10.

Antes de me parabenizarem efusivamente atentem só nisto:

fiz o exame em Dezembro, tive 7.
repeti o exame em Fevereiro tive 14.

Eu acho que me deveria ser dado um bónus no valor de 50% por ter tido a singular capacidade de me cultivar intelectualmente em exactamente o dobro num período de 60 dias (e notem que houve pelo meio Natal e Ano Novo), ao ponto de num espaço de 2 meses passar de burra que mete dó, a perspicaz com alguma genialidade.

é pena é não ter dispensado com distinção, situação que ocorreu com os restantes estagiários que tiveram 14, já que eu fui a única a não ter conseguido angariar 1700 créditos, mas só 1675 porque um dos relatórios continha um "erro" que ainda hoje não percebi qual é.

Ou seja, caso esse malfadado relatório estivesse certo, eu teria os 1700 créditos, e, seria, desde há exactamente 6 horas, oficialmente advogada.

Como assim não sucedeu sou, desde há 6 horas, a pessoa com mais remorsos, questões existenciais, "e se eu tivesse substituído o relatório", "e se eu não fosse calona", " e se eu não deixasse tudo para a última da hora",

enfim, a pessoa com mais tentação de escortanhar os pulsos porque me vou hoje deitar, com advogada-estagiária carimbada na testa,

enquanto poderia estar a telefonar para todos os amigos e a fazer chegar a mensagem a todos os inimigos de que, afinal, até sou uma pessoa esperta.

O que se confirmou é que, viva os anos que viver, tenho que ter muito cuidado para não dar cianeto aos filhos em vez de vitamina c, e não pôr o cão no cesto da roupa suja e as cuecas na trela.

Enfim, vou dormir porque tenho muito remorso para digerir.
E agora sim, parabenizem-me toda.

segunda-feira, março 20, 2006

Comida vs Mundo (como eu amo a comida)

Ontem comi tanto tanto tanto,

tantos bolos, semi-frios, chocolates, sumos com gás, salsichas com Ketchup, e bacalhau com natas até cair para o lado,

que, pela 1ª vez na minha vida, me senti mesmo muito mal.

Hoje acordei, fiz 200 abdominais, dei uma corridinha no bosque do Clube de Campo, passei as cadelas (as 2, isoladamente!!), só bebi chá sem açúcar, uma saladinha de frutas e água, muita água.

Agora cheguei a casa, perfeitamente exausta, olhei para a mesa da cozinha e só vejo sobras e restos e fatias de tudo e mais alguma coisa.

Ainda pensei em meter tudo no lixo, tipo à self made woman do séc. 21, despejar tudo no saco do lixo e virar as costas às tentações.

Mas tive que afastar essa ideia peregrina. O mais certo era a minha mãe chegar a casa e dar-me um arraial de porrada, seguidamente chegar o meu pai, ela (delatora nata) contar-lhe e eu apanhar outra vez. Sem falar na chegada do meu irmão, após a qual eu teria que ser foragida durante os 60 dias seguintes.

Só funciona nos filmes de gajas emancipadas..Na vida real a comida custa caro, e temos mesmo que comer sobras até ao fim da semana, e a nossa família não tem que pagar pelos nossos devaneios dietéticos porque afinal eles tambêm têm fome e, acima de tudo, gula.

Claro que já despejei a panelinha da sopa de couve roxa pelo cano abaixo, com a conivência do irmão e a complacência de ambos os progenitores.

Ajuda-se, precisa-se

Quando estou perfeitamente saturada de estar a estudar, o que normalmente ocorre 15 minutos após o início do mesmo, e se prolonga pelas posteriores 12 horas,

fico a olhar o candeeiro do tecto e a pensar:

se existem 6000 advogados no país

e existem 100 vagas para escritórios decentes

então, em termos estatísticos eu tenho x% de hipóteses de entrar.

Então, fico durante uma série infindável de horas, a tentar descobrir essa variável x até que fico com dores de cabeça e esgotada psicologicamente.

E a achar que sou, na verdade, bastante burra quer na vertente jurídica, quer na matemática,

e que assim não vou, definitivamente, a lado nenhum.

Lanço o repto: afinal, qual é o valor de x? Respondam, é todo uma sanidade que está em causa, e se, afinal, o valor foi ridicularmente baixo, dispenso comentários jocosos porque traumatizada já eu estou desde Setembro.

Obrigada.

sexta-feira, março 17, 2006

O meu regresso à escola

Hoje fui inscrever a minha mãe novamente nos exames nacionais, já que ela está na Faculdade de Letras mas quer mudar para a pior faculdade do Mundo: a de Direito.

Não a consgui dissuadir, até porque ela mais teimosa que eu, e tive mesmo que ir ao meu antigo liceu.

Passados 10 anos (com a mesma insuficiência económica, o mesmo juízo, 20 quilos a mais e amigos a menos- mas com telemóvel, note-se)

regresso ao meu 2.º lar.

Só vi foi gente chunga, pitas estupidas, miúdos bêbedos e broncos e professores lívidos a tentarem passar despercebidos nos corredores. Enfim, foi um momento enternecedor.

O pior foi quando eu percebi que aqueles ranhosos pensavam que euzinha estava lá para concluir o 12.º e fazer exames nacionais.

Imediatamente resolvi o problema: agarrei no telemóvel, meti no silêncio, e comecei a falar com um amigo imaginário que por acaso, no minha pensamento egocêntrico , era um acessor do Ministro do Ambiente e me estava a pedir (reformulo, implorar) que eu lhe concedesse um parecer jurídico.

Depois de um monólogo esclarecedor na fila para a Secretaria, de aproximadamente 15 minutos, em que os miúdos levaram uma overdose de direitos reais, criminais, laborais e obrigacionais. Em relação ao ambiente realmente falei pouco, alertei só para a punibilidade do abate de criprestes na Lourinhã, (se é que existem em Portugal..).

Só depois de os ver com um olhar de profunda admiração é que desliguei a chamada.

Uma década depois, o mesmo megalomanismo.

Susana, doce Susana

Fui assistir às orais da Ordem. Estive a ouvir durante 40 minutos a oral de uma rapariga, mas no fim acabei por soçobrar ao desespero, não aprendia nada ali, estava a ser um espectáculo muito constrangedor porque ela era realmente muito má.

Chego cá fora e está uma amiga minha,

"Porra,Tininha, nunca vi uma gaja tão burra na minha vida, como é que ela está a fazer oral e nós chumbámos no exame escrito é algo que ainda estou para perceber. Aquilo com certeza que "comeu" alguém na Comissão de Avaliação! Ainda por cima é feia como os cornos!"

"Ah, estes são o maridos e os pais " - elucida ela, com voz tremelicante e a esfregar ansiosamente uma mão na outra.

Olho então para trás de mim e estão 3 pessoas observando-me atónitos.

temi pela minha vida, mas fiquei mais aliviada quando a senhora desatou a chorar e o marido e o genro tiveram que a consolar.
Aproveitei para fugir.

Eu e o meu grande sentido de oportunidade.

terça-feira, março 14, 2006

Volta Hacker Holográfico, começo a ficar seriamente desgastada contigo

Não sei o que é que a minha vida deve ter de tão excitante já que, pela 2ª vez na minha existência, violentaram o meu e-mail.

(Só espero é que esse criminoso tenha ficado bem podre porque nesse e-mail não há nada de emocionante, exceptuando talvez umas newsletters do Eros Ramazzoti e as novidades de Taize - última, última a oração da noite acabou com Laudate omni gente!)


Desta vez a situação foi um pouco mais melodramática porque deixei também de aceder ao msn.

aproveito então este tempo de antena para dizer que meu novo e-mail é susanalexandre@gmail.com,

msn ainda não tenho porque o meu irmão disse que vai dar muito trabalho e que agora tem mais que fazer.

Por conseguinte, só após um surto de boa-vontade fraternal e uma dose inigualável de paciência para aturar chantagens é que conseguirei comunicar novamente convosco.


Até lá

domingo, março 12, 2006

Tudo é Para Sempre

Ontem sonhei que os Donna Maria me tinham pedido para os adicionar no Hi5.

Até aqui tudo bem, para quem já sonhou que tinha sido condecorada num evento oficial, por ter inventado o automóvel(!), isto numa cerimónia completamente desprovida de som e com cangurus em vez de pessoas (engalanados e tudo, com direito a smoking e a cigarrilha; confesso que não em lembro bem das fêmeas, usavam uma espécie de gorro artesanal, com 2 pompons nas orelhas, em suma assustadores)

este pequeno sonho não foi nada de especial.


O pior vem a seguir. A minha afilhada faz hoje anos e eu viro-me para ela "nem sabes, os Donna Maria pediram-me que os adicionasse no hi5"

e ela, no alto dos seus 13 anos, menosprezando a conquista: "o que é isso?"

Lá expliquei, Marisa, dos Onda Choc, mais 2 gajos, com fortes influências da música electrónica e uma alma profundamente portuguesa.

Depois lembrei-me, foi simplesmente um sonho. E demorei aproximadamente 12 horas para me aperceber disso.

A sério, afianço-vos,já tive alguns delírios sociopatas vergonhosos, mas este abalou-me mesmo.


Marisa, onde andas? (Estou no canal Paulo de Carvalho + António Variações)

sábado, março 11, 2006

Epicondilite lateral, vulgo DOR DE COTOVELO

Para além do salsicha ter sido condecorado,

também eu fui promovida a esquizofrénica patológica,
já que a pessoa que acha que o meu blogue é "muito mau" (e não o pior do mundo, como sabem gosto de extrapolar) colocou a hipótese virtual do comentário colocado pela Elsa, a minha prima, não ter sido mais, afinal, que um desdobramento do meu alter ego.

Ademais, considerou que a expressão do Gonçalo "borraste-te na cueca" foi, e passo a citar "totalmente ridícula, quiçá despropositada".

Agora façamos uma decomposição semântica: é impressão minha, ou esta brilhante frase está ao contrário? No meu campo graduado de vocábulos, ridículo é bem pior que despropositado, tens que rever os teus substantivos prioritários se quiseres singrar neste mundo cão sim?

De qualquer modo, não me compete a mim ensinar quem quer que seja, até porque para a disgrafia e a disortografia costumo recomendar apoio psicopedagógico,

destarte,

para quem acha que aquela expressão coloquial é estúpida,
bem que podia ter-se coibido de escrever TODA uma frase idiota.

sexta-feira, março 10, 2006

Salsicha condecorado:

Presunção e água benta..

Houve para aí algures um ecuménico,

que se lembrou de dizer que o meu blogue era o pior do mundo. E linkou para o salsicha.

Comentário de um leitor: " (...) Não percebi o porquê de ser "tão mau".Obrigado pelo link!"

Também eu agradeço ao meu bloguicida, mais um leitor para o alforge!

Paciência é uma virtude

Hoje de manhã acordei particularmente mal disposta.
Mau feitio, mesmo.

Tive que ir ao centro de saúde, conhecido pelas suas enfermeiras menopáusicas, buscar umas credenciais e, após tê-las recebido, disse "boa tarde".

Silêncio atroador do outro lado do guinchet.

Então fiquei parada, credencial na mão, sobrolho franzido.

Passados uns 5 segundos, ela com um ar enfastiado, falando comigo como se eu fosse burra (característica que me arrogo desde já não ter:

- "já está tudo".

retorqui: "eu sei, estou à espera que me retribua o boa tarde".

E fiquei imóvel, na mesma posição.

ouvi um burburinho na sala de estar, mas não quis nem saber.

Não sairia dali sem o cumprimento devido, senão haveria uma réplica, e das sonoras!

"Boa tarde" - respondeu ela, ar meio azangado, meio envergonhado.

Agarrei no envelope e saí porta fora. Ao passar pela janela ainda ouvi umas palmas sumidas.

Lá tenho medo de enfermeiras não? Próxima técnica que me seja desrespeitosa apanha um chuto na boca e obrigo-a a ir fazer cistografias a incontinentes.

snif também queria




é impressão minha ou a minha prima Joana tem semelhanças com a porca invejosa da Pimpinha Jardim?

quinta-feira, março 09, 2006

OS AMIGOS

É no meio deste stress citadino, e ideias peregrinas sobre colocações de bandas gástricas, reafirmação dos seios, o Mundo, o amor, os exames da Ordem, concursos administrativos,
que eu páro para pensar e me recordo da minha infância.

Brincava na rua, sirumba, polícias e ladrões, futebol humano, a escolha de equipas: "Araponga é meu", "Cláudia", "Bruno", "escolho a Xana"

e lá restava eu, a mais nova de todos, enfezada que metia dó, com os joelhitos tortos e pouca coordenação motora, indagando-me porque seria sempre a última a ser escolhida para os jogos,

mas, em contrapartida,

a primeira a ser lançada para debaixo dos carros quando a bola fugia para debaixo de um motor, e a única a ser lançada à altura de um primeiro andar, para ir buscar o boomerang à varanda da vizinha.

Tenho orgulho em dizer que cortei 2 sobrolhos, parti a cabeça, caí do vai-vém e espetei um pau no rabo que, até hoje, me dá dores e me fez deslocar o osso do cócxis.

Altura em que a nossa vida se resumia a brincadeira, ao parque na praceta, com baloiços construídos pelos nossos pais e avós, ao campo de futebol, aos jogos do guelas, às noites em roda, contando histórias assustadoras, aos piqueniques no monte, à fogueira dos Santos Populares, aos rebuçados do Sr. Almeida, as fugas à Careca Cigana, miúda das barracas que nos aterrorizava e nos perseguia quase até ao elevador.

Os namoros infantis, o sermos moços de recados dos mais velhos, o quarto-escuro na casa da Paula, os lanches da Toia, os jogos de mesa (25 em 1!), o espancar o amigo mas passados 10 minutos fazer as pazes

O verão, e todas as noites jogos, jogo das cores

(na na, isso é azul
- não é nada é verde turquesa
-que é isso? não vale inventar cores assim não brinco!

apanhada, stop, escondidas (eu vi-te eu vi-te "arrebenta" a bolha!),

jogo dos países. O "N" - Noruega, Nuno, nanás (nanás nao é nenhum fruto, batoteira!), Nadador-salvador, Nissan, Negro

(fosga-se granda batotas, negro não é cor,
- ai não ai não?
- NAO!
- então ponho noir
- isso é inglês, assim nao vale!)


Os amigos que mudaram de rua, de terra, de país.

O amigo que morreu, os amigos com que nunca mais falei, e os amigos que hoje ainda o são.

Hoje tenho uma mão cheia de tudo outra cheia de nada.
Cheia está aquela com todas as minhas recordações dos meus amigos,

A vida pode dar muitas voltas, mas o facto de nos termos conhecido e sido irmãos ninguém nos tira.

Na altura não o adivinhávamos, mas naqueles anos em que sonhámos, fizemos planos e pensámos no que a vida nos reservaria, pensando sempre no futuro e não atentando no presente, no momento exacto que estávamos a viver,

crescíamos, e éramos tudo uns para os outros.

Os meus amigos, os meus queridos amigos, foram os melhores que se poderiam ter.

O SUSTO

Ontem tive que ir conversar com o Gonçalo,que ja nao via ha quase 20 dias.

Fomos lá para a "quintinha" na aldeola, afastada da civilização, no meio do arvoredo sem vivalma nas redondezas. Ele esqueceu-se da chave e do comando do portão, pelo que ele me teve que lançar para o outro lado da vedação, não sem antes 20 minutos de ardilosas tentativas.

Fomos para a casa dos caseiros, muito fria mas o o sítio ideal para conversarmos.O que não me impede de afirmar, sempre com bastante medo, que aquela casa seria o cenário idilíco de um filme de terror.

Acendemos 3 velas, um aquecedor, e assim ficámos na penumbra, o tempo a passar e as conversas em catadupa.

Já deviam ser 2 da manhã quando as velas se apagam, num sopro, exactamente no mesmo segundo.

Estávamos sozinhos, muito sozinhos mesmo, num raio de 5 km.

Como é que as velas se apagaram exactamente no mesmo segundo,num quarto hermeticamente fechado, se nem sequer tinham sido acesas na mesma altura?

Ele, sempre muito sensível pergunta-me:
"borraste-te na cueca nao?"

e eu - "G, já sabe que sou uma menina, e não faço dessas coisas" e ri-me, para disfarçar o medo.

E ele continua

"bem, isto foi mesmo muito, mas muito bizarro".

De repente, a luz do aquecedor apaga-se. E ficamos envoltos na mais total escuridão.

Então eu grito e bazámos o mais rapidamente que podiamos, a merda foi que chegámos à vedação

e eu a gritar "atira-me atira-me", e ele com o meu rabo na cara dele, sem ver nada, e com os joelhos a tremer "f... és pesada!", e eu a debater-me sozinha esborrachada contra o muro "dá balanço, caraças atira-me!" e ele num esforço hercúleo lá me abraça a barriga das pernas e me arremessa para o outro lado, não sem antes eu bater com a cabeça na caixa do correio

Finalmente chegámos ao carro, eu toda rota e o Gonçalo semi-desfalecido.

"Próxima vez trazemos candeeiros" diz ele

PRÓXIMA VEZ?! Sou muito nova para morrer.

terça-feira, março 07, 2006

BIBI

Quem é quem é um advogado conhecido na nossa praça que escreveu a outro dizendo:

"salvo o devido respeito, você é uma grandessíssima merda"?


Grandes túbaros sim senhor... Não muito esperto, mas invejo-lhe a displicência!

Contra factos..

Para os indecisos da Herbalife:


Descobri hoje que o fundador da Herbalife morreu há uns anos, com a prosaica idade de 44, com uma enxurrada de comprimidos, drogas avulsas e, pasme-se, herbalife.


Mas já dizia o outro, não há má publicidade certo?

Sá. Machado? Não, Bandeira.

A Sofia Sá da da Bandeira é uma mulher...sui generis.


Por um lado tem 40 e tal anos e parece ter 17.

Por outro conseguiu escrever um livro e ser, concomitantemente, burra que faz dó.

Não sei que artifícios utilizará ela para sobreviver neste mundo cão (saberá ela como alimentar-se? e atravessar a estrada na passadeira?)

para além do nome sonoro e das beiças imensas,


a conclusão é que o quer que seja que ela faz,

eu também quero fazer (excepto lembrar-me que já me relacionei sexualmente com o Nicolau).

segunda-feira, março 06, 2006

Lês muito mas não me alegras

Já toda a gente sabe a história do Marcelo Rebelo de Sousa,

sim, porque eu tenho o condão de me chibar de tudo o que me prejudica,

mas respondendo a pedidos de várias famílias, aqui fica registado formalmente:


Em pleno exame do cadeirão mais aterrorizador da Faculdade, vulgo Direito Administrativo, no 2.º ano,que ainda hoje não percebo bem o que é (e não sei como ajudei um vizinho meu num despejo da Câmara, se calhar sou sobredotada e não sabia)

cadeira leccionada pelo MRS

estou eu muito entretida a tentar cabular quando me aparece o dito professor.

(não se preocupem que ele não me apanhou, ainda hoje sou mestrina nessas artes)


E o prof:

"Então..está mais gordinha"


E eu: (com menos 10 kg do que tenho hoje) sem mais nada para dizer do que um brilhante "Não, não estou"

"Ai está sim, vai ter que fazer uma dieta, mas só depois dos exames" e pisca o olho seguindo o seu caminho.


Eu em pleno exame, com uma cambada de burróides a olhar para mim, ponho-me a prescrutar os pneus e a chorar baixinho,

e agora pergunto-me eu,

porque é que um dos homens mais espertos do nosso país

tem a inteligência emocional de um lince ibérico?

Por algum motivo estes estão praticamente extintos,

e ai Marcelo, o que eu não dava para poder dizer o mesmo!

E sempre levei o 15

O actual Ministro da Presidência, Silva Pereira foi o 1.º professor a dar-me uma aula na Faculdade.

Fiquei aturdida como a boca dele se revirava enquanto falava extasiado dos círculos eleitorais e partidos políticos, com o cuspo a assomar-se ritmicamente nos cantos da boca de 10 em 10 segundos,

se calhar por causa disso,

traumas de falar em público imaginando que estou toda salivada,

ou simplesmente porque nunca tive nada de inteligente para dizer,

nunca abri a minha boquinha numa aula dele.


No fim do ano, tinha tido boas notas nos exames mas nunca tinha participado na aula e ele diz-me:

"Pois, não sei que nota he lhei-de dar...é que nunca tive o prazer de ouvir a sua voz!"

eu viro-me para ele:

e esboço um ternurento sorriso.


Burra talvez, coerente: sempre.

O equilíbrio

Por falar em filmes,


conheço uma pessoa, estudioso e circunspecto.

Média alta na Faculdade Direito Lisboa, trabalha num escritório considerado grande.
Um dia viro-me para ela e digo:

"Vi o Truman Show"

e ela: "E que tal?"

"Pensei que o Peter Weir fizesse melhor" - respondi

PIMBA

Apanhei um chapadão de meia noite em pleno bar da faculdade. E lá foi essa pessoa indignada corredor fora, como é que eu me havia atrevido a dizer mal de tal sumidade cinematográfica!


é na mão desta gente que os nossos interesses jurídicos estão acometidos.

Da próxima vez que meterem o senhorio em tribunal,

insanidade por insanidade contratem-me a mim.

Porque é que eu acho que sou um ser maravilhoso e especial:

Ontem, num vídeo-clube imenso, de quintiliões de filmes, sendo que só 1/5 eram porno,

consegui escolher, ao fim de 30 segundos, um único

que, por acaso, nem sabia estar nomeado para os Óscares (estou a estudar, não tenho a vossa vida)

e ganhou na categoria de melhor filme, vulgo Crash (não o de 98, grande porca aquela Holy Hunter)ou Colisão.


Para quem já levou (em tempos idos)2 horas a escolher, e trouxe para casa "Holacausto Canibal" ando a progredir substancialmente não?

sábado, março 04, 2006

a realidade

São 22h56 e faltam 4 minutos para o Sexo e a Cidade.

4 minutos para fazer 100 abdominais

4 minutos para ir trocar a fronha da almofada que já o devia ter sido a semana passada

4 minutos para limpar este teclado que até grainhas de uvas tem entre o Shift e o CapsLock

4 minutos para ir recolher as cadeiras que estão na rua porque com o vendaval nocturno de ontem uma quase que entrou pelo meu quarto adentro e me chacinou na minha própria cama.

Mas náo, aqui estou, ar lambido, arrastando-me pensoamente entre o meu quarto e este computador, escrevendo devaneios que ninguém irá ler ou se, o fizer, ficará intrigado com tamanha deprimência .


Pensava que com a idade esta cena das prioridades se alteravam.
Faço 26 em Agost, mas não auspicio nada de muito grandioso para os restantes 50.

Agricultura biológica

Vergonha do dia:

Regressei após um ano de interregno ao ginásio, nome que eu carinhosamente atribuo a umas águas furtada pertencentes aos Bombeiros, com as paredes forradas a musgo e com 4 baldes um em cada canto, a evitar o desperdício de um bem precioso: água barrenta salpicada de elementos ácidos que cai do céu, vulgo chuvinha de Inverno.

Devo dizer que fazemos todos os exercícios gímnicos de casacos felpudos e capuz na cabeça, não porque somos o pessoal do Hip hop e quê mas porque temos mesmo muito frio.

Enfim, isto para dizer que saí de casa, e logo á saída do portão tinha um grande enlaçado de cócó, provavelmente um dos inúmeros ameigados da minha Bianca a mandar-lhe sinais amorosos (os cães são tão expressivos).

Pisei aquele montinho mas tive que ir a correr para o ginásio porque já estava atrasada. E tive mesmo que fazer a aula com os ténis porque não sabia que dos 300 metros que separam a minha casa daquele mundo olímpico iria ser presenteada com fezes quadrúpedes, senão teria ido munida com outro par!

Moral da história, o pessoal passou a hora inteira a snifar tentando descortinar que cheiro era aquilo e donde provinha.

Eu, com um ar profundamente enojado só ollhava reprovadoramente para o gajo que estava na máquina à minha esquerda que, inocente, já nem sabia onde haveria de se meter.

De regresso a casa vim a arrastar o pé, tentando apagar os vestígios criminosos.O plano saiu-me gorado porque o odor ainda estava realmente muito intenso.

Acabei por os ir dependurar no quintal,bem longe do meu quarto. Aproveitei para estrumar as beringelas.

Responsabilidade por factos ilícitos

Anteontem tive que ir à faculdade fotocopiar uns livros. Fui comprar o cartãozinho, e fui tirá-las à biblioteca, mas ao fim de uns 5 minutos a máquina começa a apitar e a piscar confusamente.

Eu via uns bonequitos, umas coisas em inglês, mas detesto tudo o que seja sinalépticas e sinais sonoros, fico sempre muito confusa e apetece-me fugir.

Mas as fotocópias eram tão importantes que eu me lancei à descoberta, e já que a funcionária andava a namoriscar um professor pelos corredores, achei que daria conta do recado.

Ao fim de uns quantos minutos, começo ao pontapé à máquina, abrir e a fechar a tampa gigante, a desligá-la da ficha e a saltar-lhe literalmente em cima.

Tive que dar-me por vencida.

A espumar de raiva, saco das folhas que já estavam fotocopiadas, alinhadas num tabuleiro, e preparo-me para me ir embora. Quando as retiro uma luz acende-se no visor e leio "Papel retirado, máquina pronta a copiar".

Ah, então era isto penso, e volto a abrir a tampa. De repento vejo um lanho monumental no superfície da máquina, uma espécie de fenda, quer dizer - o vidro estava mesmo partido.

Tirei o meu cartão das fotocópias, arrumei a mala e os livros, e fugi o mais sub-repticiamente possível.

Ontem voltei lá e no lugar da fotocopiadora estava uma cadeira .

Senti-me finalmente recompensada pela tormenta das propinas.

quinta-feira, março 02, 2006

Eu e o Pancho Villa

Preciso de ajuda especializada.

Há 10 ou 15 anos para cá que abomino o Carnaval.
Apetece-me esventrar aqueles recalcados que se vestem de mulher, assim como aqueles que, munidos de laranjas e melancias acham muita graça arremessar os referidos frutos a cabeças desprevenidas, a uma velocidade supersónica igual à que se escondem debaixo das marquises.

Horroriza-me os disfarces deploráveis, as serpentinas e os confettis.

Confesso que acho alguma graça às bombinhas de mau-cheiro, mas, mesmo assim, continuo a achar o Carnaval uma grande deprimência, um conjunto de ideias enfastiantes e acontecimentos simpelsmente tristes.

Por isso é que fiquei petrificada quando acordei, nesta 3ª feira dia 28,

ainda com resquícios de serpentinas dentro das orelhas e dependuradas nas pregas das nádegas,

e me lembrei que havia passado a noite, vestida à el mariachi, com um sombrero gigante e um poncho multicolor em pleno Bairro.

Deus, se me amares como ao filho pródigo, impede que alguém se recorde de mim naquela figura.

Se não me amares mas tiveres um especial carinho, faz com que aqueles pensem que eu estava vestida de criadinha francesa.

Ou de esteticista pernambucana.

Tudo, mas tudo, menos de revolucionário mexicano.