terça-feira, janeiro 10, 2006

O meu 1.º desmaio

Numas férias que passei em Londres, fui dada como desaparecida.

Na realidade, uma amiga minha, não me encontrando no ponto de encontro as horas - por motivos dos quais não me orgulho, nomeadamente, paixão avassaladora e fulminante por um londrino que me levou a ver o pôr do sol em Brighton a 150 km- ,

começou a hiperventilar porque os pacotes de leite eram realmente muito dramáticos e tinham milhentas fotos de pessoas desparecidas,
começando a imaginar-me esquartejada num qualquer beco de Oxford Street.

Na manhã seguinte dirigiu-se à esquadra mais próximo da nossa casa, em Nothing Hill, e, num pranto, deu-me, oficialmente, como "missing person".

nesse dia à noite, lá dei com a minha casa, e vi-a fungosa, a soluçar nas escadas, completamente borrada de rímel e com dois rolos de papel higiénico ao lado. Quando me viu levantou-se maravilhada.

ia-lhe a dar um abraço para a reconfortar quando recebo, inesperadamente, a chapadona da minha vida.

Acto reflexo, dou-lhe uma chapada também, gesto que se revelou idiota porque ainda não tinha recuperado o equilíbrio desda a noite anterior e quando dou por mim estou estatelada no chão, com uma grande lasca na perna e uma p.. de dor de cabeça.

Finalmente ela abraça-me e diz-me baixinho "estúpida! não me voltes a fazer isto!estou tão contente por te ver...pensava que tinhas desaparecido".

Eu também a abraço e digo-lhe "se avisaste os meus pais parto-te a boca"

ao que ela responde: "eu não, o consulado português é que lhes telefonou"

Foi nesta altura que perdi os sentidos.