segunda-feira, janeiro 30, 2006

O Salsicha foi violentado

Hoje quando me apercebi que tinha já 682 (seiscentos e oitenta e dois) visitantes, e após dar algumas cabrioletas no ar, resolvi averiguar o modo como estes vinham aqui parar. Ou seja, o que motiva estes desocupados leitores a espreitarem este blog

Devido ao meu sentido de humor inebriante- pensei
ou quiçá à escrita escorreita e de grande nobreza de sentimentos - completei

quando vou ao sitemeter, vejo que a última entrada tinha sido feita através desta bela coisa:

http://br.search.yahoo.com/search?p=pentes%20de%20a%C3%A7o%20para%20retirar%20as%20lendeas&prssweb=Buscar&ei=UTF-8&fr=FP-tab-web-t&fl=0&x=wrt&meta=all%3D1


note-se:

-pentes
-para
-retirar
-lêndeas

Traduzindo por miúdos,

houve algum piolhoso que, em desespero de causa e confiando na virtuosidade imbatível dos motores de busca cibernéticos, nomeadamente o Yahoo Search,

pensou que conseguiria encontrar e, passo a citar: "pentes de aço para retirar as lendeas",

neste blog RESPEITÁVEL,

Isto só porque eu escrevi uma vez, num post manhoso qualquer,que os miúdos do Projecto Crescer foram a uma extasiante visita a uma fábrica vidraceira e, ao invés de escutarem o senhor que dissertava sobre os seus segmentos de mercado,

se entretinham a tirar os piolhos uns aos outros!

Caro leitor com Pediculus Capitis,vulgo piolhos na cabeça:

Para retirar os ectoparasitas hematófagos NÃO LEIA O SALSICHA

APLIQUE A MEDICAÇÃO PIOLHICIDA!!!

domingo, janeiro 29, 2006

Nota de Rodapé

Andam por aí a cirandar boatos profanos de que, pura e simplesmente, o post do Castelo Branco seria fruto da minha imaginação.

Apesar desta, efectivamente, já ter dado conclusas provas de que se revolve nos emaranhados de uma mente fértil e desprovida de qualquer sentido de dignidade e profundidade,

a verdade é que a própria realidade nos ultrapassa muitas e muitas vezes,

Destarte, afianço que o post é verídico, embora com algumas nuances mais quixotescas, nomeadamente os saltinhos espavoridos pelo corredor que, natural e cientificamente,

me foram impedidos de verificar via voipbuster.


p.s. - se, por algum infortúnio, alguma autoridade judicária me inquirir sobre os factos passados, naturalmente que os negarei com veemência e, inclusive, indignação, salpicada por acusações baratas contra o Estado.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A receita era óptima, o nome é que pouco ortodoxo

A minha vida foi, desde cedo, pautada por péssimas decisões.

O engraçado é que demoro em média 7 dias para decidir coisas ultra-básicas e depois, ao fim e ao cabo, essa decisão estará, sem sombra de dúvida, totalmente errada.

Tudo isto começou quando a minha professora da primária nos pediu para irmos a um livro de receitas e copiarmos uma de sobremesas.

Lá fui eu espiolhar a Maria Lurdes Modesto e o seu Livro Tradicional de Cozinha Portuguesa, no qual se encontravam, para meu desespero, mais de 100 receitas de bolos e doces.

Demorei 3 dias para escolher a receita. Depois lá escolhi uma que era curtinha (sempre fui preguiçosa) e sem muitos ingredientes, não que tivesse que fazer a receita mas não estava para ser apanhada em falso e admitir que não percebia nada de cozinha (ainda hoje não percebo).

No dia em que a professora nos pediu os títulos das receitas, para se inteirar do que tinhamos feito:

Marta - "mouse de chocolate"
Duarte - "Semi-frio de baunilha"
Catarina - "Gelatina de morango"

Susana (ar orgulhoso, olhando em volta de modo a que todos os meninos a pudessem ouvir, a si e à sua receita escolhida com tanta dedicação): PUDIM DE ÁGUA!!

Silêncio compungente.


E esta é a história de uma vida.

Más decisões, mais do que tempo para as ponderar, e com mais ou menos ingredientes sai, invariavelmente,

uma grande e cozinhada merda.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

José Castelo Branco e o verdadeiro susto

Ontem, na hora de almoço, eu e o meu irmão resolvemos aproveitar as chamadas gratuitas para números fixos do Voipbuster e telefonámos para a residência do Sr. José Castelo Branco, já que o meu irmão tem os números de todas as pessoas e mais algumas devido ao que ele chama de "engenharia social", vulgo piratices manhosas.

era para ter sido para a Belle Dominique mas não descobrimos o número (o meu irmão, leviano, até sugeriu que ela era um homem e estaria registado como Manuel Domingues. Devaneios..)


Atendeu-nos um senhor, o Carlos, brasileiro efeminado, cheio de retoques verbais e colocações de voz particularmente afectadas. O meu irmão, saloio das Beiras e sem qualquer preocupação em fazer um bom trabalho, ri-se à cara podre enquanto manda chamar o "Zé Castelo".

Homossexual - E quem é que deseja falar?

O meu irmão (sotaque bracarense) - Sou o Xico Alpendre, conhecido por Totinegro amigo dele desde os tempos de Santo António dos Cavaleiros!

Homossexual - ah..sei..Só um momento

Passados 10 minutos volta:

Homossexual:oi..o Sr. José Castelo Branco pede para informar que o Sr. deve estar enganado porque nunca morou nesse lugar.

Meu irmão - não? deve estar confundido! Bom, eu sou irmão do Conde de Valbom, era para convidar o Zé para ir à festa dos seus 60 anos, ali no Palácio do Marquês da Fronteira. Paciência, o Fernando ficará com muita pena..

Homossexual: espere um segundo então, por favor,

Passados 3 minutos volta só se ouve:

- táaa?Quem falaaa? - voz aflitivamente apaneleirada do zé


Então o meu irmão, ganhando balanço e colocando-se o mais perto possível do microfone, faz uma pausa e manda o arroto mais monumental que se possa imaginar, com a duração mínima de, pelo menos 4 segundo, e a décibéis claramente proibidos pelos regulamentos administrativos.

- aiii!! - ouve-se num tom amedrontado

- que horror! - já ao longe - o telefone ainda com a ligação, mas o Zé a pôr-se certamente a milhas, eu a imaginá-lo aos saltinhos amaricados, espavorido pelo corredor.

O empregado abeira-se do telefone e lá o desliga, eu rebentada de riso, com falta de ar ao canto do quarto.

- poça, até fiquei mal disposto, - confidencia o meu irmão, acalmando o estômago violentado.

Tão depressa não beberá ele uma água das pedras sem se lembrar do Xico Alpendre.

sábado, janeiro 21, 2006

O silêncio vale ouro

Quando andava na primária tinha uma amiga minha que era a Andreia.

A Andreia ia todos os dias com uma roupa diferente para a escola e todos os santos dias a mãe dela ia ter ao recreio para lhe dar uma sandes e um sumo, e todos os dias lá estava a mãe dela as 6h da tarde para ir buscar no seu fancy carro.

O resto da turma emporcalhava-se o mais que podia, mas não muito porque a roupa tinha que durar pelo menos 2 dias. Quando chegávamos do recreio, suados e mais mortos que vivos, atacávamos a palete de leite que o Estado oferecia e aí sim, cagávamo-nos verdadeiramente com o leite com chocolate a escorrer-nos pelos queixos e a aninhar-se nos antebraços.

Estas diferenças eu até podia aceitar. Mas houve um dia em que a Andreia me disse que a mãe não a deixava ver televisão depois das 19h e que, por conseguinte, nunca tinha visto o Macgyver.

Aí, e após um leve espasmo, toda a minha comiseração por um ser da mesma espécie se me assomou e explodi:

- TU NUNCA VISTE O MACGYVER??

Nesse dia quando a mãe da Andreia a veio buscar, tive questão de ter uma conversinha com a senhora. Esta, uma cinquentona com 1.75, cabelo cinzento repuxado num frio carrapito, e de rosto cerrado, perguntou-me o que é que eu queria.

Expliquei-lhe atabalhoadamente: "O Macgyver é muito bom, ver a série até nos pode salvar a vida, está a fazer um grande mal à Andreia, imagine se um dia uma de nós é raptada. Eu ao menos sei cortar as cordas com uma gaiola vazia. A Andreia nunca saberá"!

Ela olhou para mim com um ar suspeito.

No dia seguinte perguntei-lhe: então, a tua mãe disse-te se domingo podes ver o Macgyver??

- Não, isso não disse. Mas proibiu-me de brincar contigo.

Eu e a minha grande boca.

Os nomes todos que eu quero chamar à Ordem mas não posso porque me habilito a sanções disciplinares

Ainda remoendo:

tive a mais alta remuneração dada a um estagiário por um julgamento:70 contos por 10 minutos,

se até um juíz se apercebeu que eu me esforcei,

porque é que a Ordem, pares inter pares, me acossa assim?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

A Relíquia

Hoje soube que chumbei no exame da Ordem.

Como consolo reparei nos outros 70% de chumbo. Como desconsolo tenho tudo o resto.

E eu preocupada com a oral..nem lá vou conseguir pôr os cotos!

sábado, janeiro 14, 2006

A crueldade parental

Hoje quando cheguei a casa da fac, tinha um puff lindo cor de rosa, no meio da sala. Todos já tinha saído, pelo que pude gozar aquele momento com a mais alta carga emocional possível, sem correr o risco de me acharem compeltamente demente. (o meu sonho foi sempre ter um puff cor de rosa.

Descalço as botas, arregaço a saia e v ou a correr da outra ponta do quarto e atiro-me de braços e pernas abertas para cima dele. Se pensam que algo de mau vai acontecer, desenganem-se. Era tão seguro e macio como eu sempre sonhei.

Puxei o lustro com o rabo, mostrei-lhe o meu diário, perfumei-o com a minha loção de corpo da Lâncome, apresentei-o á Bianca e até fiz ginástica - sentando-me e agarrando-me às pontas, fui a saltitar colada ao puff até ao corredor, e, embora tenha chegado lá mais morta que viva foi uma experiência que recordarei com desvelado carinho ( no caminho inverso é que já tive que vir a arrastá-lo, que a minha constituição óssea já não está para brincadeiras).

Adormeço aninhada no meu recente amor quando sou acordada por uma voz vociferadora, a minha mãe num estado de elementar de fúria, que gradualmente se vai transformando na mais pura demência: "O QUE TU ESTÁS A FAZER?!!".

e eu, arqueando o sobrolho, pois não estava mesmo a perceber, e em jeito de pergunta: "estou a dormir no meu puf?.."

e a minha mãe: " NÃO, NÃO ESTÁS! ESTÁS É A LEVAR UMA SOVA SE NÃO GIRARES DAÍ PARA FORA!

e eu a olhar para a minha mãe, sangue do meu sangue, nunca a ouvi dizer uma asneira na minha vida mas acho que naquele momento ela as estava capaz de dizer todas, por ordem alfabética e, inclusive, sob a forma de arroto.

Fugi dali para fora, mas ainda tive tempo de a ver colocar o meu puff num saco da Habitat e meter um laçarote, junto a um cartão festivo que julgo ser de aniversário. Alguma porca vai ficar bem contente hoje, e infelizmente não sou eu.

Qualquer dia faço um saboroso salmão no forno, com coentros picados, parmesão ralado e leite creme fresco e mariquices gastronómicas que a minha mãe adora e depois grito-lhe aos ouvidos: " OLHA LÁ NÃO SABES QUE ISTO É PARA OFERECER AO BANCO ALIMENTAR NÃO!!? FAZ MAS É FAVOR DE TIRAR AS MÃOZINHAS GULOSAS DO TACHO, SUA GRANDESSÍMA LAMBONA!

Depois dizem que têm filhos hiperactivos.

Sexta-feira 13

Ontem, dia 13:

- não ganhei o euromilhões (nem me lembrei de me apostar, dumb!)

- fiquei atolada num beco em Santos porque houve um carro que resolveu estacionar no meio da rua, e foi à sua vida, deixando-me num estado de nervos já que nem podia fazer marcha-atrás (já andar para a frente foi o degredo que foi!!), nem podia desabafar porque era a única pessoa sóbria,

depois quando nos lembrámos de levantar as escovas do carro, e colar folhas lambidas de jornais no parabrisas do veículo e deixámos um bilhete repleto de asneiras e ameaças ilícitas,

apareceu a polícia, que com cara de poucos amigos nos perguntou o que é nós pensávamos que estávamos a fazer, (e eu a a tentar esconder o bilhete ofensivo no meio do soutien)

aflitinha para fazer chichi, e possessa com aqueles polícias com ar de engatatões do Cacém de Cima, começo a gritar que era tudo uma pouca-vergonnha e, inclusive, eles eram uma vergonha, quando eram precisos para actuar e multar carros não faziam nada,

e um polícia a perguntar-me, de cacetete na mão, se eu tinha estado a beber,

eu de mão na anca, qual sopeira recé-licenciada:

- bebi sim, senhor agente, 3 sumóis de ananás e um ice tea de manga - algum inconveniente?

E um outro polícia "então mostre lá esse papel que ia deixar"

e eu (que remédio!) "tome lá, mas olhe que eu ainda devia ter escrito pior"

O polícia lê, dá a ler ao outro, riem-se , e colam o bilhete no meio do capot.

Ainda bem que os nossos agentes detêm algum nível, se bem que básico, de comicidade.

Lá conseguimos sair daquele inferno, para, 40 metros à frente, pararmos por falta de bateria.

Passei as 2 horas seguintes sentada no passeio, a olhar para os beirais dos telhados e a contar o número de plaquetas de cócó de pombos até, finalmente,

aparecerem 4 amigos alcoolizados que ajudaram a pôr o carro a pegar (não sem antes terem quase cilindrado 2 namorados góticos que caminhavam silenciosos no passeio, graças a Deus que estes tiveram discernimento para literalmente se pendurarem no estendal de um rés do chão).

cheguei a casa e o aquecedor do meu quarto estava no nível 2... Não aguentei e cedi às emoções latentes. Chorei, chorei e chorei.

E depois ri-me. Aquele bilhete colado no capot era mesmo uma conspurcação desde a primeira maíscula até ao último caracter desenhado! É nestas alturas que adoro o meu lado mais carroceiro.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Sara, se me vires na RTPI, muda para a RTL

Hoje em dia fazem-se conhecimentos a uma velocidade estonteante.

Cruzamos caminhos com pessoas distintas, de lugares longínquos e que podem ter tudo a ver connosco.

É msn, hi5, chats, fotologs..uma série inimaginável de potenciais relações humanas.

No meu tempo não era nada assim, é triste mas o meu 1.º contacto social extra-lisbonense foi aos 8 anos quando escrevi uma carta a uma miúda que queria ter correspondentes, no Agora Escolha, e apareceu a morada dela em rodapé.

Essa miúda, de seu nome Sara, revelou ser uma grande def, burra que fazia dó, escrevia cheia de erros e só falava de coisas completamente estúpidas como a reconstrução do coreto da aldeia dela e coisas que não lembravam a ninguém. (ah, e adorava o Michael Jackson, sintomático certo?)

tanto tempo perdido..porque eu não consegui pura e simplesmente coarctar os sonhos áquela mongolóide porque eu acabei por ser a única correspondente dela.

Felizmente casou-se aos 13 anos, foi viver para o Luxemburgo e eu deixei de a aturar.

Vi foi a Vera Roquette um dia destes no El Corte Inglés e bem que me apeteceu enfiar-lhe um estaladão na fuça. E ainda por cima a Ana dos Cabelos Ruivos perdia sempre para o compacto do Totobola!

Péssimas recordações.

O meu 1.º desmaio

Numas férias que passei em Londres, fui dada como desaparecida.

Na realidade, uma amiga minha, não me encontrando no ponto de encontro as horas - por motivos dos quais não me orgulho, nomeadamente, paixão avassaladora e fulminante por um londrino que me levou a ver o pôr do sol em Brighton a 150 km- ,

começou a hiperventilar porque os pacotes de leite eram realmente muito dramáticos e tinham milhentas fotos de pessoas desparecidas,
começando a imaginar-me esquartejada num qualquer beco de Oxford Street.

Na manhã seguinte dirigiu-se à esquadra mais próximo da nossa casa, em Nothing Hill, e, num pranto, deu-me, oficialmente, como "missing person".

nesse dia à noite, lá dei com a minha casa, e vi-a fungosa, a soluçar nas escadas, completamente borrada de rímel e com dois rolos de papel higiénico ao lado. Quando me viu levantou-se maravilhada.

ia-lhe a dar um abraço para a reconfortar quando recebo, inesperadamente, a chapadona da minha vida.

Acto reflexo, dou-lhe uma chapada também, gesto que se revelou idiota porque ainda não tinha recuperado o equilíbrio desda a noite anterior e quando dou por mim estou estatelada no chão, com uma grande lasca na perna e uma p.. de dor de cabeça.

Finalmente ela abraça-me e diz-me baixinho "estúpida! não me voltes a fazer isto!estou tão contente por te ver...pensava que tinhas desaparecido".

Eu também a abraço e digo-lhe "se avisaste os meus pais parto-te a boca"

ao que ela responde: "eu não, o consulado português é que lhes telefonou"

Foi nesta altura que perdi os sentidos.

A espiral da mentira

Ontem fui mais cedo para a faculdade e apanhei o autocarro das 16h15, uma hora antes que o habitual.

Entro no autocarro e eis quando senão me deparo com a figura imponente do condutor que me havia buzinado humilhantemente à frente da farmácia.

Ele sorriu docemente, compreensivo perante a minha condição clínica.
Eu também, e fui a mancar pela coxia fora, até me lembrar que, sendo manca, deveria era ter-me sentado logo nos primeiros bancos da frente (dooopp).
Entretanto estava lá a senhora do Instituto Óptico minha conhecia há anos (milhentos pares de óculos, e afinal estes eúltimos partidos pelos pés agigantados do meu irmão também sucumbiram, não há qualquer arranjo)e, cheia de pena, alto e bom som.

- ahhh!!, que é que lhe aconteceu filha?

e eu,sempre tão inventona, sem nada para dizer

- mas caíste? - insiste ela

e o condutor a olhar de esguelha pelo espelho


e eu a pensar: já não me posso divertir num acto isolado que logo uma cadeia de acontecimentos distintos entre si se interligam e me quebram este contentamento!

Lá esfarrapei uma desculpa, e tive que levar com comiserações efusivas da senhora até Alfragide.
Em Belém saio, e, com dificuldade, transponho os degraus até o passeio e aceno um vigoroso adeus ao condutor. Só quando o vejo fora do meu alcance é que desato a correr até à outra paragem, afinal ainda tinha que apanhar o 51 até ao fim da Rua da Junqueira!

Desta feita deixei muitos turistas curiosos, mesmo à frente dos Pastéis. Tenho que parar com as minhas charadas, qualquer dia quando visitar Amsterdão tenho que ir munida com um par de canadianas!

O ROUBO-Post longo mas com grande moral

Um dia, numa colónia, fui acusada de roubar. E posso-vos garantir, já subtraí muita coisa, mas neste caso estava o mais inocentada possível.Foi na colónia de férias de castelo do bode, em 1993, turno de Agosto.

Uma grande parva que dormia na minha tenda, descobriu na minha mochila um soutien seu n.º32 (quando eu, com 13 anos, usava o 36). Claro que a colega era uma grande porca desleixada e atirou com aquilo para cima das minhas coisas e eu ao arrumar a minha mala nem reparei.

Foi-se queixar ao monitor dela que, por acaso, não gostava nada de mim porque eu, dias antes, havia-lhe chamado a atenção para os seus modos impróprios para com uma colona da minha idade que, ao efectuar um jogo de campo, trepava numa escada com uma grande mini-saia.

Ele foi-se então queixar do suposto furto ao Chefe de Campo que, na noite anterior, havia recebido queixa de mim já que eu, E MUITO BEM, me havia recusado a participar num espectáculo degrandante ao qual eles chavam "festival da canção" e que incluia coreografia e saias de folhos. Ora eu estava apaixonada por um miúdo da colónia e tinha mais que fazer do que pantominas infantis à frente dele!

conclusão: acusaram-me formalmente de roubar o soutien n.º32 que, certamente me teria dado muito jeito com 11 anos, e disseram que iam telefonar aos meus pais. (que telefonem pensei eu, só a minha mãe já usa o 42! ela sabe o que a casa gasta)

Nessa noite, a última da colónia, fez-se uma grande gala e atribuiram-se diplomas, de acordo com votações anteriores dos colonos
Eu fui eleita " A mais sexy" (ah, glorioso ano de 93) e dirigi-me ao palco. perante uma multidão de 130 pessoas agradeci (sim, que grande nomeação não haja dúvida), e mencionei o facto de ter sido acusada de roubar um soutien. Fiz questão de frisar quem me acusava (era a Maria Jorge, também, que merda de nome e feia como os cornos) e disse qq coisa como isto:

- a maria jorge usa o 32...(em tom de quem não quer a coisa)
(toda a gente se riu)

- EU NÃO USO O 32!!(com grande ênfase, à laia de discurso presidencialista)
(todos os rapazes assobiaram, uivaram e afins)

- e agora quem acha que para o ano deveriamos todos ir para o turno de Julho e cagar no de Agosto ponha o dedo no ar!

não houve tempo para fazer contagens porque imediatamente alguém me tirou o microfone e agarrou-me por um braço e levou-me outra vez à sala do Chefe de Campo onde me disse literalmente que estava farto de mim.

Mais tarde soube que a Maria Jorge caiu numa ribanceira abaixo e raspou uma mão no asfalto, pelo que ficou sem o dedo anelar. Não me ri claro, mas esbocei um sentido sorriso.

Duvido também que alguém se quisesse casar com aquilo.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

porque é que tenho as tarefas infra-mencionadas, e mais algumas as quais, por pudor n digo e estou aqui a brincar no salsicha

TAREFAS IMPRETERÍVEIS:


tenho que ir fazer um trabalho para ajudar a minha mãe, na cadeira sugestiva de Filosofia Medieval, sobre o S. Boaventura, certamente o teólogo/ filósofo mais aborrecido de todos os tempos.

tenho que ir trocar a minha escova da Gigashoping, eu sei, sou uma verdadeira atrasada, era tudo mentira, aquilo é uma real bosta e estou muito envergonhada por ter sequer anotado o n.º de telefone que deram na televisão.

tenho que ir ver se estou inscrita no centro do emprego, porque, eu sei é espantoso, NÃO ME LEMBRO SE ESTOU OU NÃO! O pior é que o meu centro de emprego é o da Amadora, certamente o mais cheio e decrépito de todos os centros estremadurenses.

tenho que preparar-me mentalmente que vou fazer a oral do exame de agregação à Ordem este mês e, por direito próprio, ser cilindrada pelo meu júri. Porque é que não escolhi Jornalismo? Porquê?

(mas aprendi coisas giras,por exemplo: se eu tentar matar o hamster da minha vizinha, punem-me rigorosamente. Se tentar cortar a perna da minha vizinha, não acontece nada, ficamos todos amigos) (com algumas reservas, claro, duvido que ela me convide novamente para o seu anivesário).

tenho que ir ao centro de saúde porque, e isto é trágico, com o início dos meus 25 anos (sempre que escrevo a minha idade hiperventilo. esperem. já está.) perdi a regalia do sistema de saúde da EDP. Só agora me apercebi das verdadeiras consequências. Passo a ser uma reles mortal com a senha na mão, a entediar-me de morte até que alguém se lembre que eu existo.


E estou aqui sentada, de pijama, com uma taça de cereais (bhacc) quase a vomitar-me, de lentes de contacto pq o meu irmão pisou os óculos, já vi uma grande mancha de chichi da yupi, que, para variar, demarca o seu território em pleno corredor e que terei que limpar rapidamente antes que comece a oxidar as juntas da parede.



AHHHH GLORIOSO 2006!!

domingo, janeiro 08, 2006

Around the World - (saudosos) East 17

Penso que a chantagem exercida sobre o meu irmão não foi, se calhar, particularmente eficaz, e ele anda a gozar com a minha cara.

Ele colocou-me um site meter, o tal contador, mas cheira-me que os dados estão viciados. Senão, vejamos:

entraram à volta de 60 pessoas.
Acredito perfeitamente.
Vou a ver detalhes sobre elas e, analisando criteriosamente sua proveniência constato que tenho pessoas de Singapura, Rússia, Timor, Roménia, Estados Unidos, Japão e México.

Quanto à menina de Singapura,por exemplo, quis-lhe deixar um agradecido olá, mas não fazia a mais pequena ideia onde se colocariam os comments, (descubram tb vocês):

這次也去了旗津港的海邊玩,吃了一些海產,還不錯。
總之,這次比賽結果雖不盡理想,希望不影響下次的心情,仍然每次比賽都全力以赴。
張貼人 mickey @ 8:49 下午 1 留言

O que equivale a dizer "post by mickey @ 8:49" (tanta chinesice para isto??) mas afinal onde estão os comentários? 1 留 será?

Cheirou-me a esturro. Fiquei a pensar se o meu irmão não andaria a gozar comigo. Bem capaz é ele de inventar um blogue de uma singapurense só para ter o prazer de viperinar a minha vida.

de qq forma, se alguém conhecer e existir realmente esta miúda:



Transmitam-lhe os meus sinceros cumprimentos e perguntem-lhe pela família.

sábado, janeiro 07, 2006

A minha tia I




Apresento-vos a minha tia octogenária.

Para além de grande contadora de histórias também adora maltratar o meu cão. Ele já sabe que, todos os Natais, e por amor ao Menino que nasceu em Belém, vai ter que levar grandes chapadas entre as orelhas, até ficar com os ouvidos a zumbir. Isto sim, é a verdadeira vida de cão, na acepção mais plena da expressão.

ps - reparem no olhar maléfico dela e no desespero incontido do animal.

deviam-me ter chumbado na carta - esqueçam, eu chumbei

Pela 2ª vez, a farmácia foi a minha salvação. E ao mesmo tempo, causa de embaraço, da qual saí, para variar, airosamente.

Fui comprar esta semana uma batôn para o cieiro. Neutrogena (€5), altamente amaricado mas que o meu Gonçalo usa. E lá há coisa pior do que o esponsal-macho ter melhores cuidados estéticos que a fêmea. Custou-me mt dar os 5 euros, mas mais que um batôn, comprei um pouco de dignidade (BASTA AOS BATÔNS DO LIDL).

Quando já estava a pagar, e o farmacêutico prestes a colocar a embalagem no saquinho, oiço uma panafernália de insultos, buzinas acirradas e nem precisei de olhar. Pois, era eu, claro.

Tinha estacionado o carro à frente da farmácia, e o autocarro 144 que ia para belém e que, curiosamente, é o que me leva para a fac todos os dias, estava impedido de passar devido ao meu miserável estacionamento.
Ainda não tinha transposto a soleira da porta já ia a antecipar um gozo vitorioso.

Saí a coxear dolorosamente e a arrastar a perna direita perante o olhar desconfiado do farmacêutico.
Coxeei, arrastei-me, manquei até à porta do carro, e, simulando um olhar de verdadeiro sofrimento, olhei para o condutor e pedi-lhe desculpa com uma mão, enquanto a outra segurava o saquinho da farmácia como quem diz " olha, vê,só vim aqui buscar a minha medicamentação semanal. É triste estar-se doente, e tu aí, vigoroso que nem um touro a carregar nos pedais. E vós, pessoas apinhadas que vão agarradas aos elásticos cujo nome não me recordo, calai-vos porque eu sofro mais que vocês todos juntos".

E, realmente, todos muito caladinhos assistiram à minha via-sacra igualmente silenciosa, apenas pautada por um sugestivo mancamento e olhar suplicante. Fiquei tão impressionada que quase me auto-convenci que pertencia a essa estatítica de pessoas com handicaps, que encontram mil obstáculos no dia a dia.

O meu é realmente não conseguir, pura e simplesmente, assumir os erros.
Mas divirto-me muito. (pois, têm razão, também é triste deleitar-me com divertimentos destes, mas eu não vi o Boat Trip, ao contrário de 95% daqueles que me lêem!)

Solicita-se empatia humana

E posso saber porque é que desde ontem 28 pessoas leram este blogue e pura e simplesmente não se pronunciaram? Posso aventar algumas hipóteses,

mas tenho demasiada preguiça para as concretizar.


Façam o favor de se manifestarem, porque se há pessoas que escrevem para exorcizar os seus fantasmas, graças a Deus ainda não cheguei a esse ponto! (não sei se o falar sozinha conta, de qualquer maneira não me desviem do assunto);

Shame on you caro leitor, que aqui vem saber que há pessoas mais desastradas que você, sabe-lo, confirma-o, e continua a vir aqui apenas saborear a desgraça alheia.

Por falar nisso, post supra.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Contador de visitantes

Para quem está a ler o meu salsicha pela 1ª vez (acontece diariamente, pressinto-o) não se assuste.

O facto de, pelo menos até à data de hoje, só estarem contabilizados 5 visistantes (cinco!!), não traduz a nobreza de sentimentos e profundidade aquiliana deste meu blogue. Traduz, evidentemente, a lerdice da progenitora que nunca soube instalar um contador de visitantes e que deixou arrastar esta situação por mais de 2 anos (minto, 6 meses e pouco).
Continuo sem saber instalar.
Mas felizmente tenho um irmão que, finalmente fez jus à sua condição de parente directo e, sob coacção psicológica, acedeu ao meu pedido.

Depois assomaram-se-me sentimentos ambivalentes:

por um lado respeito por tão simpático feito - (ainda me lembro quando ele nem sabia mexer no paintbrush..tempos saudosos)

por outro, viva repulsa e náuseas profundas porque ele foi ao meu quarto dizer-me que já tinha tudo feito e, concomitantemente, pisou os meus óculos com o seu corpo paquidérmico e partiu as 2 lentes.

Perdi 2 lentes, ganhei a certeza de 5 visistantes. Nem que seja para gozar. Não há má publicidade certo?

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Informações práticas

Quero avisar-vos, queridos leitores, que este blogue vai parecer finalmente um blogue a sério quando o apalhaçar com coisas giras, tipo editar links, meter a minha identificação com signos etc.

Isso acontecerá ainda hoje, caso consiga chantagear a tempo o meu irmão (é ele obviamente que fará as alterações, eu sou de Letras).
Caso não resulte, terei mesmo que esperar pelo fim de semana, altura em que detenho a posse do Opel e, por conseguinte, a vida amorosa do meu irmao nas mãos. (não quero com isto dizer que ele pratica sexo dentro do automóvel, mas sim que este o conduz ao sítio apropriado). E mesmo que seja dentro do automóvel, não vislumbro qualquer impedimento. Para além dos óbvios denominados "manete (?) das mudanças" e, Polícia Municipal.

Até lá!

MAI NADA!

o meu 1º de Janeiro de 2006

Como não iniciar um ano.

Ah o Ano Novo o Ano Novo...

Matei as resoluções todas ao 3.º dia

Dieta?
Como fui no 1.º dia do ano à tarde para uma albergaria, caríssima e em que ofertavam o pequeno almoço, vi-me obrigada a deglutir TUDO, mas rigorasamente Tudo, o que era meu por direito: croissants, pão com queijo, bolos, sumos, cereais (e nem gosto!). Depois de uma ligeira indisposição, em que perdi os sentidos por alguns segundos, apercebi-me que já não sou capaz de continuar (nem comecei) uma dieta este ano. Perdi a motivação. E agora, só mesmo em 2007.

Ginásio?
Como já não vou fazer a dieta, não vale a pena ir para o ginásio. Ainda por cima é um instrutor-homem, é difícil correr na passadeira e ao mesmo tempo parecer sexy. Isto sem falar na trepidação humilhante do piso.

Passear os cães todos os dias?
Como já não vou fazer dieta, não vale a pena ir cansar-me para a rua, com dois cães perfeitamente deprimentes (uma é coxa, outra é rato). E perfeitamente desobedientes.
Razão tinha o Gonçalo, quando quis comprar o canguru (Rambo, vai buscar-me as pantufas!! Aquecidas!)

Nunca mais é Dezembro.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ficámos todos com a fama. E o proveito? Nunca mostrei nada a ninguém! (minto.)

O tema da minha Consoada abalou as mentes mais conservadoras desta nossa Estremadura. Mas, pasmem-se!, houve temas bastante piores mas cujo meu (imenso, notório, vibrante) pudor me impede de delatar.

Conto apenas uma história, triste, advirto, de como toda uma geração pode sucumbir à desgraça por facto alheio.

Mais uma vez a minha tia-avó oitocentista, animada por uma ginginha, começou a bater as palmas desalmadamente e, chorando a rir recordou aquele episódio em que o padrinho dela mostrou o "pirilau" (picha Tia Quitas, picha!!!) a duas vizinhas, e em como foi escorraçado com varapaus pelas duas até cair numas balsas, pelo que ficou posteriormente conhecido com o cognome de "o balseiro".

Finalmente percebi porque é que a família da minha avó é conhecida lá em Tomar pela "família dos Balseiros".

Poderia ter descendido de um Álvares Cabral, ou um D. Fuas Roupinho. De um ex-regedor ou presidente da Junta. Mas não.

Tinha que descender de um tarado sexual ainda por cima boiola, que em vez de dar um enxerto de porrada em 2 fracas miúdas depois de lhes mostrar o artefacto, foge e ainda cai nuns picos, tendo sido assistido posteriormente pelo boticário lá da terra e obrigado a ficar prostrado na cama durante uma semana, até que as feridas abertas no rabo sarassem.

Estou consumida pela vergonha.