sexta-feira, dezembro 29, 2006

Evitem a nacional 2

Vou hoje de viagem para Portimão.

Na mala, para além do secador novo da Rowenta, das botas, tops e cereais da Kelog´s levo:

- trivial pursuit
- party & co
- uno (sweet jesus)
- pictionary (junior!)
- e 3 jogos para a playstation

Palavra de honra,(psiu, calem-se) ainda há uns meses me mortificava por ir fazer a provecta idade de 26 anos mas descobri, afinal, que há muito tempo que estou acabada.

Por favor, abstenham-se de contar o quão acelerada foi a vossa passagem de ano. Qualquer relato de episódio mais excitante do que jogar três rodadas do "keimps" a pares será considerado uma afronta à parca dignidade da autora deste blogue.

Até para o ano, que nenhum de nós seja estatística.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Corporatión mierdosa

Não sou muito apologista da teoria da conspiração, mas tenho cá para mim que cada reclame (outdoor ou televiso) que a Corporatión Dermosetética lança, é unica e exclusivamente para me levar aos arames, quiçá ao abismo da loucura.

Depois daquele mimo de "Os homens não gostam de celulite", ao que a indústria feminina deveria ter enfaticamente respondido " e as mulheres não gostam de pilas ranhosas com menos de 24 cm".

(sabendo que 97% das mulheres têm celulite, e sabendo que só 3% dos homens têm pirocas acima dos 20 cm, acho melhor mas é cada um dos sexos remeter-se às suas impefeições, caladinhos e sem grande alarido, que assim ficam todos a ganhar. ou a perder menos.)

Hoje de manhã sou obrigada a visionar o novo anúncio daquela espelunca.

O homem convida a mulher para sair ao que ela responde, e bem, "não fiz a depilação".

Ele, de um modo inqualificavelmente porco, chauvinista e atroz, responde: "mas tu ainda te depilas?" (a mensagem-base é: sua grande labrega, ainda andas de volta da cera quente quanto poderias ter-te já submetido ao tratamento de fotodepilaçao a um preço simbólico?)

Haveria ele de me perguntar semelhante coisa. Acordava passadas 2 horas num curral de porcos amarrado a uma manjedoura. E novo arraial de murraças até ele perceber que isso não só não se pergunta a uma senhora, como é suposto demonstrar que não se percebe minimamente do assunto.

Não gostam de celulite e querem depilações fotoeléctricas! Mais alguma coisinha?

sábado, dezembro 23, 2006

So this is Christmas...

Quando era pequena passava 364 dias à espera do próximo dia de natal; 364 dias à espera do meu aniversário e, no tempo em que as estações do ano ainda se regiam pelo calendário gregoriano e pela lei de Deus, 300 dias pelo primeiro dia de praia.

(Quando menciono "pequena" refiro-me aos meus primeiros 13 anos de vida. Depois dei o meu primeiro beijo e as minhas prioridades viraram-se todas do avesso).

Isto para dizer que amanhã é véspera de Natal e não não estou em estado de choque farejando tudo o que é buraco à procura de prendas, gritando vivas corredor adentro. Não estou a rezar os mercenários 3 Pai-Nosso e 3 Ave-Maria para ver se me dão um "Crocodilo Dentista" nem um walkman para as cassetes dos Popeline.

Amanhã já é 24 de Dezembro e estou muito contente porque cá continuo com os meus.

Feliz Natal para todos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Natal, wee

Quando eu tinha uns 14 anos e estava sentada à mesa na ceia de Natal, fui advertida pelo meu pai para fazer menos barulho. Com efeito, eu, a mais velha de 12 primos, liderava as hostes e cantava a plenos pulmões esse saudoso hit dos Europe: “it´s the final countdown!!” , a que cada primo, por respectiva ordem de idades, respondia “tururu-ruuuu, tururututuuuuu!!”

Ao fim da 5ª vez, e ainda ia o refrão na minha prima Ana Maria, apanhei uma lambada sem apelo nem agravo, isto à frente de toda a gente.

As crianças sustiveram a respiração, até que a prima mais novinha, ainda não sabendo muito bem distinguir o Bem do Mal, rejubila com o tabefe rindo-se ruidosamente e batendo as palminhas. O gáudio pegou-se pelo que em pouco mais de 2 segundos a mesa natalícia desdobrava-se em gargalhada colectiva.

Menos eu, evidente. Com as pupilas sanguinárias, lanço um olhar poderoso ao meu pai.
Ele, meio sem jeito, ri-se e diz:

- Não ias em contagem decrescente? Lá deves ter chegado ao zero...

E desata a mesa noutra barrigada de riso.

E são assim os meus natais. Repletos de amor, dignidade e compaixão.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Terror na auto-estrada IV

Tenho um pavor profundo por algo que, regra geral, penso não intimidar ninguém.

Não sei explicar, mas cada vez que avisto um polícia sinaleiro e este emite uma ordem qualquer, a minha vista turva, começo a ver desfocado e não consigo simplesmente apreender o que me estão a ordenar.

Ontem à noite, aqui numa Belas empenhada em obras, vejo uma dessas coisas no meio da estrada. À medida que me aproximo sinto as minhas células nervosas a ficarem privadas de oxigénio. Nada posso fazer, aquele monstro está no meio da estrada a olhar para mim como quem diz “anda cá que já te vou mimear uma ordem dúbia e trapaceira e depois não percebes, não cumpres e eu apito, vou atrás de ti, mando-te encostar, o tráfego atrás de ti acumula-se, turistas tiram fotos e faço-te passar uma vergonha incalculável” (Belém, Janeiro de 2006)

Quanto a ontem, testemunhas presenciais asseguram que ele esticou um braço e com a mão direita fez-me sinal para avançar. Eu quase que juro que o polícia bateu as palmas, prendeu os polegares nos suspensórios e dançou o Quebra-Nozes.

Fiquei na dúvida entre avançar, parar, fazer inversão de marcha em cima da passadeira ou atirar-me contra o muro dos Correios. Pelo sim pelo não, avancei e fechei os olhos.

Saí incólume, como eu adoro golpes de sorte.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Parabéns...




"If I lay here
If I just lay here"

Gajas...

Código de Hamurabi 1600 a.C., sociedade babilónica, capítulo IX relativo à injuria e difamação:

127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode provar deverá arrastar-se esse homem perante o juiz e tosquiando-lhe (??) a fronte.

132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro homem, mas ela não é encontrada em contacto com outro, ela deverá saltar ao rio pelo seu marido.

Portanto, se alguém difama uma freira ou uma respeitada senhora de sociedade, e nada se provar, o desditoso criminoso é submetido à vergonha incomparável de lhe tosquiarem (mais rigor, babilónicos, mais rigor!) a testa. (ficamos num indelével mistério caso seja acossada uma noviça ou a legítima esposa de um carroceiro)

Se uma senhora casada é difamada por burburinhos sexuais, e não se confirmar a marotice, atira-se ao rio e sublinho que não é molhar os pezinhos à beira-mar mas sim lançar-se de cabeça do ponto mais alto da cidade.

Posto isto, façamos a conjugação das duas disposições legais:

Se houver difamação e for tudo uma grande mentira:

- o difamador, a não ser que seja uma aberração da natureza e tenha barba na testa, sai exactamente como entrou: ileso.
- A difamada, cujo único crime é ser mulher babilónica casada, suicida-se, e atenção, não é pela sua desonra, mas sim pela do idiota do marido!

Tremo só de pensar se vivesse neste época. Ou tinha a sorte de ser gajo e andava sempre no gozanço a lançar rumores sórdidos sobre miúdas com a malta da associação ou era gaja e acabava invariavelmente aos 13 anos com os queixos sepultados no fundo do mar. (Por isso é que tinham jardins suspensos. Para o mergulho ser maior.)

segunda-feira, dezembro 18, 2006

O meu rabo, na tua cara.

Snif

Tive que ir no fim de semana a Espanha, conduzindo um turbo 2.5. Para mim, que andei 2 anos num Seat Marbella, (carro (?) que, para além de não ter um pingo de dignidade era tão seguro como um refúgio de zinco em noite de trovoada e frequentemente ultrapassado por bandos de caracóis. Engessados. ),parecia que estava a conduzir num sonho.

Mãos no volante, olhos na estrada, avisto logo após a fronteira, já dentro de território nacional, uma placa gigante na qual se lia: “LISBOA – 294 KM”. O telemóvel toca, era o meu pai e precisava do carro. Informo-o da distância que ainda falta e prometo novos contactos quando estivesse a aproximar-me. Passados 8 minutos telefono-lhe, satisfeita:

“ Tou, Pai? Sou eu, olha, já só faltam 107 km”. Silêncio do outro lado.

“Susana, ignora os marcos pequeninos da berma da estrada e lê só as placas grandes azuis. Faltam 107 para acabar essa estrada, mas faltam 300 para chegares aqui.” e desliga-me o telemóvel na cara. “Santo Deus” – ainda ouvi eu antes dele desligar.

(Também estranhei ter feito 200 km em pouco mais de 5 minutos, mas acho que perdi a noção da realidade montada no jacto-bomba).

Estive a pensar calmamente e resolvi atribuir as culpas à Brisa. Pois e tal, maior rede de auto-estradas ibérica, com uma evolução brilhantemente sustentada e linda história de sucesso empresarial bla bla bla.Que tal não brincarem com os sentimentos dos outros e acabarem com esses marcos ridículos a indicar os kms restantes para o fim de uma via? WHO CARES, FOR GOD´S SAKE?! Quero é saber quantos faltam para chegar sã e salva ao meu destino.

Cheguei a casa e voltei a ouvir o mesmo: “E é esta gente licenciada.”.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

O Infortúnio

Ontem fui brutalmente arrancada da cama às 23h00.(Para quem me conhece bem, sabe que isso equivale a acordarem-me às 5h da manhã, aos pontapés na nuca, enquanto me fazem lanhos na testa e me obrigam a cuspir metade dos dentes)

Era o meu irmão. Arrastando-me por uma perna, força-me a visualizar qualquer coisa no portátil dele.
É um vídeo caseiro do telemóvel. Mostra o Ruy de Carvalho, o Vitorino de Almeida, e mais uns quantos actores em amena cavaqueira com ele. “Já filmei hoje ” – informa, orgulhoso.

RAP a semana passada, protagonista cinematográfico nesta. Com cachet pago pelo ICAM, vulgo nós, cidadãos malfadados.
É triste, mas começo a desenvolver um sentimento inqualificável em relação a este ser deprimente que vive no quarto ao lado do meu. Conheci-o pequenino, com um escroto minúsculo e trocando amorosamente os “ss” por “x” .

E agora é este ser inominável que só me dá desgostos - não trabalha mas tem uma conta choruda, faz filmes mas é trôpego, vegeta o dia todo mas diz que estuda muito no IST, joga no casino e nunca perde, é roto mas só tem namoradas giras.

Que incentivo é este para se ser um elemento válido da sociedade como até agora fui? Cumpridora como poucas, bem-educada e responsável, trabalhadora e afável, consciente e bem-formada.

Amanhã vou-me colocar à porta do centro de dia da paróquia, com 10 gramas de haxixe numa mão e duas reservas de urânio na outra. Roubo tudo quanto é velhote, subtraio as suas próprias bengalas e ainda lhes aplico vigorosas bordoadas na bacia.

Depois é ir para casa, lançar-me para o sofá de braços estendidos e esperar pela boa sorte.
Ou pela brigada de narcotráfico.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Silicone vs idade

Hoje vi, pela primeira vez na minha vida, umas mamas de silicone ao vivo.

(Aquele Solinca é, definitivamente, um antro vivo de entretenimento desgarrado). Estava eu nos balneários, quando me viro e me deparo com uns globos reluzentes e recheados de uma quarentona enxuta. Esta, sem qualquer pejo (pudera!), passeava-se sedutoramente por entre os cacifos apertados. E eu sempre a mirá-la despudoradamente, pois, reitero, nunca antes havia visto duas mamas tão bojudas e adoráveis.

Problema que se coloca: eu sei que são giras e hipnotizantes, a sério, demorei mais de 4 minutos até conseguir desviar o olhar.
Mas haverá pessoa alguma nesta Terra que não lhes pegue e tenha um terror indescritível de as vazar ou até mesmo rebentar com uma apertadela ou carícia mais vigorosa?? Se eu apalpasse uma daquelas mamas retesadas provavelmente faria com que a quarentona fosse projectada contra a despensa das toalhas. (E não se brinca com as fracturas nesta idade).

Enfim, a tia lá mostrou radiante as mamas e eu, que regra geral não me fico, tive um laivo de auto-censura e não lhes mostrei as minhas. Ficava notoriamente a perder.

Vai daí baixei-me e apanhei os chinelos exibindo-lhe gloriosamente o RABO!
Round 1 => ganho.

Terror Natalício: almoço de empresa

Hoje descobri que o almoço natalício da minha equipa (em sentido lato) de trabalho se cifra no simbólico montante de 20 euros.

Note-se que:

- é um almoço, não é jantar
- continuamos a ter que picar o ponto às 14h00
- não se bebe em serviço
- troco uma média de 2,5 palavras com cada colega por TRIMESTRE

Afigura-se-me que alguém vai ficar sofrer uma súbita patologia na noite antes do almocinho.
Se for necessário, em hora de ponta, entalo uma perna no elevador e lanço-me de braços abertos para o chão de mosaico. Só saio de lá amparada pelos seguranças e com a certeza que, pelo menos, 40% dos colegas assistiram ao sinistro.

E que 100% não leu este post.

domingo, dezembro 10, 2006

A Causa das Coisas

Dois namoros desfeitos,
um terceiro tremido,
madrugadas em claro salivando,
uma noite de gravações com os olhos delirantes de febre
um degradante esconder por detrás de uma sebe nos estúdios cinemate

por causa do grande, do único, do verdadeiro amor platónico da minha vida: (fiquemo-nos pelo platonismo, fiz a profissão de fé, crisma e dei catequese até ao 3.º volume, não quero passear no limbo por parcos momentos de festim carnal

NOT!)

O supra-sumo RAP´iano.

O mais perto que consegui chegar dele foi vê-lo de relance reflectido nos meus sapatos (mesmo invertido aquele homem permanece um sonho)

O judas do meu irmão,que não gosta de me ficar atrás em nada (inclusive esquizofrenia crónica), que até só gosta de gajas e vilependia tudo quanto lhe cheire a sexo oposto, resolveu lá ir também e almejou isto:



(Para além de 25 minutos de conversa ininterrupta).
(é o def de casaco castanho)

Conclusão:
- A partir deste post tenho um terceiro namoro terminado.
- Procederei a uma deserdação fraternal que, não só não me causará uma dor dilacerante como obstará a que lhe tenha que comprar uma prenda de aniversário no próximo dia 16. (reitero mais uma vez que a vingança serve-se fria e eu estou num estado de ebulição quase cósmica)

Furem-me as orelhas, espanquem-me o fémur ou torçam-me o umbigo. Mas NÃO ME ESBULHEM NEM PRIVEM DE PERTO COM O MEU RAP. (continuam a dar-se alvíssaras por pelo menos 4 dígitos do telemóvel. E-mail dá direito a consultas jurídicas gratuitas mais uma caixa de Ferrero Roché. Das pequenas.)

quinta-feira, dezembro 07, 2006

4ª feira cinzas

Há dias que são de um marasmo aflitivo.

Há dias em que, em menos de 24 horas:

- sou atropelada duas vezes
1ª vez – 18h de ontem) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo, não atento na via pública, o condutor não atenta em mim, vou a rebolar avenida fora.
2.ª vez – 8h de hoje) vou a correr com os calcanhares a bater no rabo e atento numa rapariga com um cinto lindo castanho de pele, a cair sobre uma túnica verde-água e não atento numa carrinha de ciganos a fazer marcha-atrás. Apesar da carrinha só Ter lotação para 7, de lá sairam 15, qualquer um deles vociferando vermelhos com os punhos no ar.

- descubro que o meu irmão vai ser actor num co-produção franco-portuguesa, vai ganhar um balúrdio, viver em Veneza e eu aqui a choramingar 75 euros por umas botas na SEASIDE e trancada no meu quarto.


BALANÇO:


1.º atropelamento) um par de calças rotas e 50 transeuntes com o dia ganho
2.º atropelamento) não consigo traduzir por palavras. Experimentem só colocarem-se atrás de uma carrinha de salteadores, provavelmente repleta de droga e mercadoria contrafeita, levarem com os pára-choques traseiros na testa e de lá verem sair uma manada de ciganos com cara não só de poucos amigos, como arriscaria de NENHUM AMIGO e quiçá família nuclear. Experiência de quase-morte, asseguro.

- a situação com o meu irmão é que parece mais bicuda. Esta inveja em dose industrial está-me a custar a digerir. Quase que preferia levar com os pára-choques dianteiros de uma família de foragidos, toda nua, com chuva de granizo e à frente de uma taberna de carroceiros.

Ah ah, toda nua também não. Com uma toalhinha de bidet enrolada à volta do antebraço.

Eu sei, eu sei, devia ir averiguar melhor esta pancada na testa.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Criminalidade violenta

Hoje encontrei um amigo meu comboio.
Cabisbaixo e taciturno, entretém-se com a biqueira do sapato, enquanto esfrega as mãos inquietas e me explica que lhe assaltaram a casa no dia anterior.

“A sério? Que horror!” – pronuncio-me eu, acometida de uma pena tremenda deste jovem que labuta diariamente para ter qualquer coisinha de seu e de um momento para o outro se vê despojado do seu espólio.

“E que levaram?” – pergunto.

Ele soergue o olhar dorido, fita-me com os olhos baços e mortiços e oiço numa voz sumida:

“Nada. Não me levaram nada” - e centra-se na linha do horizonte, mordendo o lábio num esforço contido, infrutífero contudo, pois vislumbro duas grossas lágrimas naquele amigo de uma vida.

“Nada? Mas isso é bom!” – alegro-me

Fita-me novamente, a cólera assoma-se-lhe num ápice:

“AI É? GOSTAVAS DE TER UMA CASA REPLETA DE CENAS FIXES E FOSSE LÁ UM GATUNO RANHOSO E VASCULHASSE CADA CANTO, CADA PRATELEIRA, CADA MÓVEL, CADA GAVETA DAS CUECAS, CADA BAÚ E NÃO QUISESSE NEM UMA MERDA QUE FOSSE? NEM A TELEVISÃO, NEM O DVD, NEM A PLAYSTATION? GOSTAVAS? QUEM É QUE ELE JULGA QUE ELE É ? E A VERGONHA QUE PASSEI QUANDO O POLÍCIA LÁ FOI E ME DISSE SER COMPLETAMENTE INÉDITO NA HISTÓRIA DA LINHA DE SINTRA ALGUÉM TER ASSALTADO UMA CASA E NÃO SE TER DADO AO TRABALHO DE ROUBAR UMA COLHER DE PAU QUE FOSSE? GOSTAVAS?”

Abraço-o ternamente e aceno com a cabeça.
Já não basta sermos a geração recibos verdes e sermos pobres como Job e ainda confrontados com ladrões profundamente não-éticos que nos espetam com a cruel verdade pelos olhos adentro.

A partir de hoje só terei a certeza que estou bem sucedida na vida quando me furtarem, no mínimo dos mínimos e sem qualquer concessão um valor base de € 1200.

Senhor ladrão da linha de Sintra, pense duas vezes antes de partir um coração desta maneira.Se algum dia por uma ideia iluminada se lembrar de assaltar o meu lar, tenha uma réstia de vergonha e faça de conta que vibrou louca e economicamente com a minha colecção de t-shirts do Snoopy. Ou brincos de pechisbeque.
Mas não me submeta a tamanha crueldade.

domingo, dezembro 03, 2006

Interdito ao namorado:

Ontem fui assistir às gravações dos Gato Fedorento. Casualmente lá estabeleço contacto visual com o amor platónico da minha vida, adorável e maravilhoso, genial e brilhante RAP (nesta grandeza de comparações o Cristiano está ridicularmente no fundo da cadeia alimentar) e sussuro-lhe um sentido "amo-te".

Ele ignora-me e continua a sua imitação de Paulo Bento.

Tenho cá para mim que o RAP é mestre nas artes do amor. Desconsiderou-me propositadamente para que eu o deseje ainda mais ardentemente. Mas desde que li O Meu Pipi não só não fui acometida de laivos sexuais mas também de sentimentos de amor profundamente vitorianos.

Ee é oficialmente perfeito e não há estratégia, por mais bem montada que esteja, que me faça gostar ainda mais dele. A não ser, evidentemente, que me confesse que ganhou um qualquer prémio internacional no valor mínimo de 12 milhões de euros.

Próximo sábado já lá estou batida.
E se Deus mo permitir amassada num qualquer canto manhoso da rouloutte da produção.

Episódio ante-mortem

Um dia antes de perder o meu passe (que, pasme-se,reapareceu miraculosamente após 2 semanas e 30 cabeçadas na parede + um bilhete CP-10 viagens e 3 noites mal dormidas só de pensar quem é que o tinha apanhado e se se estaria a rir da minha fotografia depois)

saio do comboio, vejo o autocarro na paragem pronto a sair e corro até ele. Mas corro mesmo violentamente, com os saltos das botas prestes a colapasarem a qualquer momento, uma mão na barriga e outra noutras partes menos tonificadas para o coeficiente de atrito dinâmico ser menor (sublinho que vou ignorar qualquer comentário intelectual que tente corrigir o meu vocabulário científico)

Eu salto para o autocarro, este retoma a sua marcha, abro a mala e tento tirar a carteira. O senhor motorista carrega no botão para fechar a porta e contorna a rotunda da paragem. A minha mão entretando continua perdida nos confins da mala e a outra tenta agarrar-se ao varão.

Não consegue. E eu vejo-me na seguinte situção:

uma mão desaparecida em combate
a outra tentando alcançar um varão que pura e simplesmente não está ao seu alcance
um autocarro em movimento
a fazer uma grandessíssima curva
uma porta que, não obstante estar prestes a ser fechada, naquele momento objectiva e científicamente continua aberta
eu em pleno processo de queda livre à rectaguarda

e 80 anormais olhando-me ansiosos querendo saber se eu sou daquele tipo de pessoas que resolve morrer mesmo em hora de ponta só para chatear a vida dos outros.

Vinda não sei de onde surge a mão calejada de um homem, viçosa e no fulgor da idade, que me agarra e me iça autocarro adentro. O sr. motorista, hilariante como qualquer homem medíocre de 50 anos :"ó menina, você tão depressa entrava como saía!"

E eu,
pupilas dilatas,
pulso lento e débil
obnubilação mental
lívida e com o coração em taquicardia

lá esgalho um obrigada ao ucraniano redentor e encosto-me esgotada à máquina dos bilhetes.

Ainda estou a tentar descobrir onde é que o motorista vive, mas a Vimeca é sempre parca em informações. A vingança serve-se fria, e duas semanas depois continuo no mais perfeito estado de radiação cósmica. Actualização do crime perfeito ainda antes do Natal. Mantenham-se alerta.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Recordações

Ainda na senda dos instrumentos matemáticos:
Decidi arremessar a calculadora/conversora armário adentro (6 colegas em polvorosa, barufustando de rabo para o ar, com nuvens de fumo a sair pelas orelhas em busca da máquina perdida) e rebusquei ansiosamente nos meus baús do sotão.
Após anos de separação, encontro aquilo que procuro.
Amarelada, bafienta, mas é minha. Beijo-a com carinho e levo-a para o trabalho.
Com os olhos marejados, recordo a companhia, os leais ensinamentos, as risadas comuns.

Em cima da mesa, ei-la em todo o seu recordado esplendor:

“A Tabuada do Ratinho”. A ratar desde 1955.

Herbs Parte II




Conselho de Administração Herbalife International
Reunião Geral de Aprovação de Contas 2005

terça-feira, novembro 28, 2006

O conversor anti-cristão

Eu não gosto de maldizer, mas na minha sala existe uma máquina calculadora que também faz conversor de euros que é a personificação exacta do Diabo.

A semana passada tive que fazer umas contas que não batiam de maneira nenhuma certas. Aquilo tinha que dar 6 mil e tal euros e dava-me muito mais. Repeti a operação aritmética vezes sem conta, e o resultado nunca era o que eu esperava.
Chorei, solucei, limpei o ranho às mangas até que alguém tem um rasgo de caridade e me explica que eu estava a fazer a conta em euros..eslovacos.

Hoje, com um ar compungido, mas secretamente alegre dou uma notícia aos colegas: “Lamento, mas o conversor morreu hoje para a vida”, e deposito-o cuidadosamente em cima da mesa murmurando o que pareciam ser umas breves palavras fúnebres mas que eram na realidade um agradecimento velado ao Criador.

“Susana, carrega no on”– dizem-me, sem sequer tirarem os olhos do monitor.

Bolas, já não basta ter que trabalhar, ainda tenho que o fazer com instrumentos puramente luciféricos.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Jesus revisitado num Congolês

A quase um mês desse dia tão fofo que é o Natal, participo na campanha do Banco Alimentar.

A porta automática abre-se e vejo um congolês com um 1.90, calças da tropa e Duffy preto, um boné meio sujo, mãos calejadas com unhas compridas e um franco mau aspecto.

“Quer contribuir para o Banco Alimentar contra a Fome?” – pergunto eu com voz trémula, preparada a qualquer momento para levar com um pau no lombo e fugir a sete pés.

O congolês, que vinha a fumar o seu cigarro, puxa o saco com força, dirige-se ao caixote do lixo e com um gesto brusco apaga a beata.

Passados 10 minutos sai com dois sacos numa mão e uma prenda pequenina na outra. Deposita os sacos no carrinho do Banco Alimentar e enfia a prenda no bolso.
Sai do Continente de Alfragide com as mãos completamente vazias.

6 pacotes de leite, uma garrafa de azeite e 3 kgs de arroz.

Serviu-me a lição.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Elsa Raposo ou a samantha fox dos tempos modernos

Caríssimos,

A ninfomania não é uma coisa necessariamente má. Decompondo a Elsa Raposo, vulgo ninfomanica eventualmente não assumida, encontro várias questões:

Qual é afinal o problema numa mulher ter uma capacidade infinita de amar?
Em que mundo mesquinho é que vivemos e no qual não toleramos ver ninguém embuída de felicidade, muito menos uma senhora?
Porque são vários homens seguidos? O amor é eterno enquanto dura. E tanto vale ser 2 semanas, 2 anos ou duas décadas. Foi proveitoso enquanto existiu, e luto só há para quem precisa dele.

Uns necessitam de um ano para se recomporem, há quem precise de um dia, quem dita afinal o prazo do sofrimento atroz ou simplesmente de uma tristeza subtil?
Qual é afinal o problema da Elsa Raposo encontrar em cada homem o amor da sua vida? No seu desequilíbrio, é feliz. Permanentemente feliz.

Os filhos? Amam-na, certamente. Independentemente de escândalos, tricas e pais adoptivos, mãe há só uma.

Eu gosto da Elsa Raposo. (E ODEIO A PATRÍCIA TAVARES!!! FALSA, MAMAS SETENTRIONAIS 100% POLIURETANO!)


(amanha reconto o número de visitantes.)

Cristiano: I´m loving it.

Eu amo a sexyness do Cristiano Ronaldo.
Sim, tem ar andrajoso, faltam-lhe dois dentes, os restante 30 estão chumbados, tem borbulhas, arrota e não articula complementos directos com advérbios de modo.

E ENTÃO?? Homens iludidos, consciencializem-se que não há mulher alguma em todo o mundo que, em honesta confissão, não ansiasse por quatro minutos com o espécime. Nem que fosse só despi-lo com os olhos. Com, sem, saco na cabeça, isso é deixado ao livre-arbítrio de cada uma. Sim.. da sua mulher, da sua namorada, e até da sua madrinha.

Há qualquer coisa apavoradamente magnética naquele miúdo.
- E não, não é o dinheiro. – Lembrem-se que o encontro de 3.º grau poderia durar até 4 minutos, que proveitos económicos retiraria eu daí?
- E não, não é o poder. Ele afinal é apenas um homem e nenhuma mulher lhe faria qualquer tipo de concessão que o levasse a sonhar ser, por mais remotamente que fosse, seu semelhante quanto mais seu superior.


(Tenho que acabar este post rapidamente, incomoda-me salivar e (outro verbos menos condignos) em público.)

P.S. - Renato, a sexyness é dele, e a Salsicha Girl é tua (humana, como todas as outras mas com uma líbido completamente sincera). Não vale a ficar amuado ok?

terça-feira, novembro 21, 2006

BT´s e outras m.

Ouvi eu hoje nos balneários do Solinca, derreada por mais uma hora de cardio frenética, escorregando pelo cacifo abaixo e a recobrar lentamente os sentidos:

“Então Guida, ontem não vieste ao ginásio?”
“Não, ontem obriguei-me a não vir”.

Tenho as leggings, tenho os ténis, tenho os tops sexys. Definitivamente, não tenho a atitude!
a não vir?”
Estas espécimes deviam ser todas escorraçadas da península.

domingo, novembro 19, 2006

Constatações matemáticas ( e sociais)

Não querendo parecer velhaca nem queixinhas,

mas sabem quantos é que dos crédulos herbalifeanos estavam nas saladas e afins na zona de restauração do Vasco da Gama, após a famigerada convenção?

0 -(ZERO) (NENHUM)

e sabem quantos é que estavam na Pizza Hut, Mac e KFC?

TODOS! (e com caixinhas repletas de comprimidos estranhos, de meter o Júlio inteiro a um canto, tremendo e a chorar baixinho)


Pelo amor da santa. Ao menos disfarcem.

Tu estás mesmo lá Pai

Discuti um dia destes com o respectivo sobre o maravilhoso mundo da Herbalife (que eu abomino execravelmente).

Depois de um dia inteiro a remoer sobre o assunto, esmurrando o ar e pontapenado paredes, tartamudeando impropérios e blasfémias demasiado pesadas para aqui serem reproduzidas,

lá me acalmei e decidi que, por muito que não goste de Herbaife, tenho que permitir que outros à minha volta pensem na questão e, numa fase mais avançada, me dirijam a palavra para eventualmente discutir o assunto.

Saí então do meu local de emprego, erguendo os meus doces olhos ainda húmidos do desgosto nesse mundo cruel chamado Parque das Nações, quando vislumbro, num ápice, uma mulher com uma placa a dizer "Herbalife Team Cooach" e um sorriso glorioso.

Ainda não tinha tido tempo de me recuperar do susto quando dobro a esquina e vejo 130 mil pessoas com essa placa ao pescoço, a gritarem em várias línguas, cheios de saquinhos e sacolas, papéis e papéizinhos, placas e plaquetas e todos com um ar transbordante de felicidade e harmonia.

"CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE HERBALIFE NO PAVILHÃO ATLÂNTICO" , li.



Deus e o seu sentido de humor refinado.
"Quero aborrecer a Susana. Covil de leões como Daniel? Filho sacrificado como Abrãao? Esposa trocada como Jacob?"

"Não. Vou enviá-la para a Torre de Babel da Herbalife. Pode ser até que aprenda aramaico".

Estou de cama a recobrar.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A Superação

Quando fui morar para Belas e me apercebi que da minha casa à estação ainda ia uma certa distância tive um colapso físico.

Após dias de reanimação a sais minerais, recobrei e passei a deslocar-me para a dita no meu veículo automóvel.

1 ano depois fiquei a achar que o autocarro fazia lindamente a vez do carro, até porque já nem me preocuparia com questões despiciendas como estacionamento e gasolina e sempre andava um bocadinho até à paragem. Fiquei então íntima da Vimeca, orgulho da minha terra, salvação da minha vida.

1 ano depois cheguei à conclusão que caminhar durante meia-hora para a estação era mesmo o melhor remédio, fazia bem, sabia bem, respirava-se ar puro e enrijecia-se as coxas.

1 ano depois, tenho medo. Isto de nós cada vez mais tentarmos transpor os nossos limites pode roçar a insanidade. Quando der por mim vou para a Expo às arrecuas, em marcha acelerada e anilhas de 3 kg atascadas aos tornozelos.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Esqueçam

Está sanado o mistério.

São duas competições distintas.
De qualquer forma adorava que esse tuga se sagrasse campeão mundial e ficasse em 9.º lugar no concurso local da Pampilhosa da Serra.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Quebra-cabeças

Vi no Metro um dia destes (também leio o Público!!)

que um português, Tiago não sei quê, tinha-se sagrado o mês passado campeão do mundo em bodyboard, e, este fim-de-semana, grangeou mais uma vez a admiração entre os seus pares ao vencer o campeonato
da Europa.

Por isso é que eu não gosto de desporto.
Pura e simplesmente transcende-me.

domingo, novembro 05, 2006

Quem passaja os meus peúgos

Acho que ainda não vos disse que a minha mãe trocou o curso de Filosofia pelo de Direito.

Para mim, considerei um duplo alívio, já que os trabalhos universitários que tenho que fazer não só versam sobre assuntos os quais domino minimamente (ainda hoje preciso de psicoterpia por causa das cinco vias do conhecimento do S. Tomás de Aquino) como ainda me dá um certo gosto oferecer todos os meus apontamentos e livros já sublinhados, encarando no fundo a minha mãe como uma discípula obediente e estudiosa.

Isto até ter passado uma manhã de Domingo inteira a explicar-lhe o processo da fiscalização abstracta das leis constitucionais, assim como as leis avulsas viosigodas em contraposição com as sumérias.

Nem me fez o almoço.
Merda para o cultivo intelectual.

O Progenitor parte VII

Desde 2ªf que tenho um pai altamente fragilizado em casa, com um braço ao peito e demasiado tempo livre para estar confinado às nossas quatro paredes. Durante a semana queixou-se sempre que ouvia um barulho no sotão, irregular e muito estranho.

- São ratos, pai, são ratos - disse eu, qual Rainha D. Isabel com rosas no regaço.
- que ratos, sua burra se o chão é de cimento!

Hoje, domingo, às 9 da manhã e após me ter deitado às 5h30, o meu pai bate à porta do meu quarto, anunciando com voz calma e firme:

- Susana, temos uma cobra no sotão. Levanta-te, vai à garagem e traz-me a enxada. Vai ter comigo lá acima. E afasta-se, deixando-me num estado comatoso de puro terror.

Para que percebam a dimensão da tragédia, adianto-vos que uma vez, na terra da minha avó, vi uma pele de cobra presa nos ciprestes, (o bicho devia tê-la mudado há relativamente pouco tempo porque ainda estava lustrosa e luzidia), e quando me apercebi bem do que era larguei a fugir e só me voltaram a pôr a vista em cima numa povoação vizinha às 8h da noite a cabecear autistamente à porta de um lagar.

Fui à garagem, sempre a olhar para todos os cantos de vassoura em riste e fui buscar a enxada. Subi ao sotão, atirei-a o mais perto possível dos pés do meu pai e fugi como se não houvesse amanhã. Barriquei-me com a minha mãe dentro da casa de banho e esperámos pacientemente pelo óbito do animal.

Passados nem 5 minutos entra o meu pai novamente em casa.
"Já está" - grita ele ao fundo, na cozinha, numa voz animada.
"Dó, olha que eu não quero ver isso!" - responde ela.
"Cortei-a à metade" - clarifica, e de rompante abre a porta da casa de banho, com uma coisa preta na mão espetando aquilo diante do nosso nariz.

Só não caí redonda no chão porque já não tinha grande espaço. A minha mãe manda o berro da vida dela e arremessa-se de cabeça para dentro da banheira.

O meu pai, às gargalhadas e só com um braço, exibe triunfante um imponente tubo preto de plástico das canalizações, que atira para dentro da banheira onde está a minha mãe

"Não vi o que era, só encontrei isto" - elucida ele risonho,

enquanto não se apercebe que cometeu um erro crasso. Caríssimos, nunca veiculem um tubo de plástico a uma mulher que aos 45 anos se vê escondida atrás da coluna do seu chuveiro. Só não lhe destroçou o outro braço porque senão não tem ninguém para lhe tirar o carro da garagem.

oficialmente, a minha casa é, a partir de hoje, a 5ª dimensão.

segunda-feira, outubro 30, 2006

OE 2007

Eu sou, por natureza, gastadora compulsiva. Estranhamente sou também, e afianço que é verdade, uma sovina de primeira apanha, semítica até mais não, completamente agarrada ao dinheiro. O que origina, como se pode imaginar, um duelo de emoções que me deixam diariamente, na melhor das hipóteses, completamente extenuada como se tivesse apanhado uma daquelas sovas que só se tem uma vez na vida.

Para me organizar fiz um orçamento até Maio de 2006. Estabeleci as despesas fixas e impreteríveis, as despesas eventuais, um aforro completamente intocável, e um fundo de maneio razoável para alegrar a minha vida (que representará talvez 15% do meu salário).

Dia 20 de Outubro, dia de pagamento,

9h00: com a língua de fora e o coração apertado termino a feitura o meu orçamento que afixo na minha prateleira laboral e assino com grande pompa e circunstância perante o olhar enlevado e orgulho dos meus colegas.

17h20: olho para todos os lados, assobio para o tecto, mãos nos bolsos e andar descontraído, colo-me à prateleira e tento emendar umas coisinhas.

- COM QUE ENTÃO JÁ NO ORÇAMENTO RECTIFICATIVO NÃO É?!! - gritam em uníssono, enquanto riem burlescamente do meu flagra.


Com amigos assim... Percebem agora porque é que eu me viro para as coisas materiais?

Com sorte era da Páscoa

Torre de Belém. 18h.

O rio vaza e avistam-se degraus imundos.
Mas não é tudo.

Uma ratazana gigante, completamente putrefacta e da qual até tive alguma pena, jaz de pernas para o ar com a língua de fora.

Eu observo-a com algum interesse mórbido, agrada-me aquela imobilidade final, o fechar de um ciclo. Estou como que suspensa, num misto de compreensão e assentimento.

De repente aparece nem sei bem de onde uma miudinha gorducha com uns tótós, tão afogueada que até se lhe acarminou as beiças e queda-se frente a frente com o animal.
Observa-o ainda com mais interesse do que eu e grita para trás:

- OH MÃE, OLHA, UM COELHINHO!! E aponta para o bicho recamboleando o tornozelo bojudo.

PORRA! UM COELHINHO?!

A ingenuidade das crianças tem, efectivamente, que ser delimitada nem que seja à chapadona. Se fosse minha filha era corrida dali ao pontapé até aprender a diferença entre um coelhinho e uma ratazana de esgoto.

Qualquer dia peço a um miúdo para me ir comprar um quilo de azeitonas e ele traz-me dois pares de peúgas de lã parda, com sorte ainda com um pé cheio de cascaria calosa lá dentro.

Adultos do meu país: não facilitem, ok?

quinta-feira, outubro 26, 2006

Amor com amor se paga

última hora, veiculada pela "Nova Gente" (medo. terror. não se apoquentem, roubei no dentista)

"Liz Taylor está de casamento marcado aos 74 anos"

Não me choca o facto de estar noiva aos 74.
Não me choca que o faça pela 9ª vez.
Não me choca ter sido uma das mais bobozudas dos anos 20 e agora parecer uma grande bêbeda com lepra.

O que me choca verdadeiramente é ele ter tido o lampejo de amor sincero quando a Lyz foi acometida de uma necrose isquémica seguida de uma valente infecção cardíaca.

alguém disponível para lhe fazer um desenho?

quarta-feira, outubro 25, 2006

Subtileza desportiva

Notícia no Destak:

“78 detidos, de 20 estabelecimentos prisionais, remam hoje no V Torneio Nacional Prisional de Remo Indoor”.

Não, brincas. Já os estou a ver Guadiana fora, nadando com fatos de imersão hipotérmicos e Marrocos no horizonte.

a ingratidão

Quem me conhece sabe que não sou propriamente bafejada por grandes dotes culinários. Ontem, por inspiração dos arcanjos, e quiçá mesmo divina, cozinhei um peito de peru gratinado e saiu tudo perfeito.
Avanço com um pacote de natas e, num toque final, rego embevecida aquela obra prima. Começo a arrumar a cozinha (informo que haviam panos da loiça dependuradas no candeeiro e luvas de forno esquecidas no congelador) mas de repente estaco, lendo horrorizada que o prazo de validade das natas já havia terminado há quase 1 ano
Em piloto automático e cega de raiva volto a cozinhar o jantar. Escusado será dizer que ficou uma real bosta pelo que o meu pai e o meu irmão, após risada geral de 5 minutos boicotam os pratos e vão comer torradas com manteiga.
Eu bem que jurei a pés juntos que a tachada anterior tinha ficado perfeita, mas infelizmente ninguém assistiu ao meu momento de glória. Assim, para além de autista culinária passei por mentirosa.

Grave, grave é que o meu pai já se lamuriou junto das minha mãe implorando para que ela abandone a faculdade no período nocturno.

É impressão minha ou é totalmente desleal fazer-se comparações com uma mãe no activo há já 25 anos?
Estou profundamente sentida. Homens ingratos..ainda por cima riem-se e não lavam nem um pratinho de biscoitos. Hoje vai tudo corrido a massa com atum.

terça-feira, outubro 24, 2006

Psico

Escrevo só para anunciar que já existem não um, não dois, mas sim 3 stalkers (stockers, já vi que estão atentos) na minha vida. (vocês sabem bem quem são). (vocês, psicopatas, não os leitores)

Hoje o 3º, que me incomoda e me repugna particularmente, ganhou logo o dia às 9h. Vinha no comboio a salivar, fingindo ler um livro manhoso da colecção Bianca, lançando-me de soslaio olhares repletos de paixão (juro que é verdade! Nota-se! Transpira-se!). Chegados à estação do Oriente, saímos exactamente ao mesmo tempo. O facto de ele medir 1.45 mesmo com sapatos de sola compensada e de eu trazer umas botas cujo salto de 8 cm me elevava quase às linhas de alta tensão não o abonava propriamente, pelo que quando aquele arlequim ridículo se volta para mim, (fingindo que não me tinha visto), dá-me um encontrão e bate mesmo com a cara no meu umbigo e aí permanece enfiado uns largos segundos, como se não houvesse amanhã.


Questão que se coloca: porque é que eu não tenho admiradores normais? Porque é que são todos psicopatas, dementes mentais ou simplesmente estúpidos como este? Que baixeza de nível terei eu para que estas avantesmas saídas do Júlio se arroguem do direito de me dirigirem a palavra, ainda por cima desta maneira simplesmente deprimente? Não terão medo de mim? Não imponho respeito pelo meu porte altivo e segurança de movimentos? Quem é que eles pensam que são para erguerem aqueles olhitos raquíticos acima da altura dos meus tornozelos?

Próxima vez que se me dirigirem lanço-lhes um morteiro no meio dos olhos.
... Mas pior que um psicopata, só mesmo um psicopata zarolho a coxear atrás de mim.

Cheira-me a beco sem saída.

Autch

Ontem lá fui ver os XL Femme, ou, como eu carinhosamente lhes chamo, Donna Maria.

Para variar, um estrondo e, para mim delicioso já que o B, completamente apaixonado pela vocalista, a tal Marisa Pinto ex-Onda Choquiana e que canta descalça, ofereceu-lhe, no fim do concerto, um cd comprado com o maior desvelo amoroso de que há memória. Ela, comovida, agradece docemente e confidencia baixinho: “Nem sei o que te diga. Elis Regina é a minha deusa. Vou ouvi-lo todo ainda hoje, o meu namorado também adora, vai ser um final de noite lindo. Obrigada..mesmo” e vai-se embora aos saltinhos, enquanto o meu amigo se dilacera cadeira abaixo, batendo contrito com uma mão no peito outra na testa “estúpido, estúpido” .

Escusado será dizer que eu e minha Joana nos desmanchámos ainda a miúda não tinha virado costas. Sinceramente, vi o sofrimento estampado no rosto de um adulto de 27 anos mas mesmo assim não consegui deixar de chorar a rir durante uns bons dois minutos, limpando os olhos às bordas da toalha com o diafragma já dorido.

Telefonei-lhe hoje, parece que vai meter baixa. Psiquiátrica, suponho. Ninguém apanha um abalo destes e se recompõe assim tão facilmente.

segunda-feira, outubro 23, 2006

O Homem

Li num blogue que os gajos só servem para uma coisa: “para assoprar (sic) quando temos um cisco no olho”.

E já vão 8 vantagens:

1) fazer as apostas na bwin
2) ir buscar o garrafão de gasóleo quando ficamos apeadas na a8
3) arranjar as varetas do chapéu-de-chuva e os varões dos cortinados
4) estacionar de espinha
5) desfragmentar a memória e formatar a motherboard (especialmente úteis neste item, caramba perceber de computadores é mesmo tarefa hercúlea)
6) lavar as portadas e enxaguar o chão da garagem
7)fazer-nos passar de nível no Arkanoid.

É com um carinho imenso que releio esta minha lista.
Sabendo que as mulheres vivem sempre mais uns anos dos que os homens e sabendo que nunca hei-de passar do nível 3 (mas oriento-me bem com o Pacman) tomei hoje uma grande decisão:

vou preservar o respectivo dentro de um balde de formol.

Ele é o rei yeah yeah

Vou fazer uma confissão à queima-roupa. Segurem-se.
Ia eu 6ª feira a ouvir fones, logo às 8h da manhã na estação de comboios. Repertório musical? ...Onda Choc, 1994. Antes de ser vaiada em praça pública impõe-se (quer dizer, não se impõe, mas não quero passar por totalmente estúpida) que explicite a seguinte situação:

Era a Marisa Pinto, vocalista dos Donna Maria que cantava uma dessas lindas cantigas (escrita por Ana Faria - mãe dos Queijinhos Frescos). Hoje vou ouvi-los. (Donna Maria, acho que os Queijinhos se azedaram em 1989). E vou falar com ela, que é uma querida (apesar de haver para aqui no meio deste blogue um post em que eu a descompus por se armar em fada e cantar descalça. Esqueçam isso. Eu, por incrível que pareça, também erro.)Por isso quis estar preparada para a surpreender hoje com os seus antigos êxitos e assim ter tema de conversa.

O problema só ocorreu quando os fones, nem sei bem como, sairam lá do buraquinho (isto não soa lá muito bem) e de repente o meu telemóvel começou a fazer ecoar por aquele Queluz fora uma canção aos altos berros em que a Marisa se esmifrava toda: “há muito tempo, que eu já sei, que só por ti, me apaixonei bla bla" que conta a história comovente de dois amigos que se amam perdidamente mas depois ele vai viver para outra cidade (pobres autores..) (e pobre de mim que os ouvia de olhos a brilhar e língua pendente de emoção)!

Ficou a estação em peso a olhar para mim.
Pessoas da minha idade observam-me com um desprezo inqualificável. Eu fiz o ar mais inteligente que a situação concedia e enfrentei-os um por um, em jeito de desafio. Forcei-os todos a baixarem o olhar e discretamente desliguei o telemóvel. Segui pela plataforma e fui esconder-me num nicho debaixo das escadas, enquanto batia com a cabeça no cimento e me apetecia atirar o dito da linha 3 abaixo.

Já pensei que amanhã tenho que levar as músicas mais intelectualmente alternativas que conheço. Que acham de Kasabian? Li não sei onde que davam grande estilo, e confesso que já os ouvi algures num sudoeste manhoso mas preferi ir para a barraquinha dos Kit Kat ver se lambia mais algum de graça e acabei por não lhes prestar grande atenção.

Repto: ajudem uma analfabeta musical e auxiliem-na a recuperar a dignidade perdida.
Não opinem à cara podre, queimada já eu ando por aquelas bandas.

sexta-feira, outubro 20, 2006

:(

Afinal, o que é pior?

- a espanhola de renda para pôr o papel higiénico
- o dálmata de loiça na entrada
- o quadro do menino triste a verter uma lágrima
- a fonte de mármore ranhoso do menino a fazer xixi, vulgo Manenken Pis
- a passadeira de plástico branco sobre uma passadeira de lã
- o boneco do arlequim sobre o naperon branco no sofá
- as bolas de naftalina nas arcas canforadas
- o bibelot do sapatinho de cristal a servir de porta-lápis
- os sete anões de gesso debaixo da nespereira


ou

- uma tia-avó com isto tudo e mais umas coisitas e que já me confirmou condescendentemente que me vai deixar o magnífico espólio por herança?

Vou estudar atentamente o regime jurídico da deserdação.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Gaja que é gaja remenda sempre a situação



Peço as minhas mais sinceras desculpas, mas tive mesmo que apagar a fotografia anexada ao último post. Na verdade, fui bastante ingénua ao pensar que as atenções se desviariam todas para as boobs e ninguém atentaria na minha mais literal cara de rabo. Engano. A primeira coisa que o meu irmão fez foi rebolar-se corredor fora rindo-se cruelmente da foto.


Como estou escaldada, resolvi meter outra, desta feita já com o monitor, e, não querendo ser mazinha, reparem no peúgo branco dele! ahah hilariante! e as calças? ahahah!! e o cabelo? ahahah ahah!! atentem no e meu à-vontade.. com os ténes descaindo para o solo como quem diz "ai ai estamos tão desprotegidos, vamos aterrar com cuidado porque queremos chegar inteiros?". Não se vê logo que eu destilo classe? Ninguém diria que estive quase sempre de olhos fechados rezando o responso a Santo António e fazendo aquelas promessas imediatas que depois nos arrependemos e nunca chegamos a cumprir.

Posso adiantar que estava tão aterrada que nem consegui largar as duas mãos dos cordéis para fazer um manguito ao pessoal que se ria cá em baixo.
Só se alegram com o mal dos outros.

Gaja que é gaja..




Depois de uma viagem de parapente, uma necessidade premente: verificar se as ditas continuam no mesmo sítio, e se possível um pouco mais içadas.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Rewind

Que grande lamechice esta última postagem. Lembrem-me de nunca escrever nada ao som de Israel Kamakawiwo´ole, nomeadamente "somewhere over the rainbow"!

Não se preocupem. Aqui estou, manhosa como sempre: Gosto de que me façam rir, que tenham pulso em mim, da amizades desinteressadas, de calças da Pepe, livros do Camilo Castelo Branco e de bacalhau à lagareiro. Adoro os meus cães e gosto do anormal do meu irmão, apesar de ele ser uma assumida besta porque nunca me faz backups do disco do meu computador e acabo por perder sempre tudo por causa de vírus deveras ranhosos. - (obrigada Safriduo)

Constatação do ano

olá. vim só postar esta mensagem rafeira para dizer

que não há nada de mais lindo no mundo que assistir a uma trovoada medonha e gigantesca à meia-noite no cabo da Roca.

Acreditem, se quiserem.

ps. - a vida é maravilhosa.

domingo, outubro 15, 2006



Esta, é uma história triste.

O ano passado eu tentei abrir um frasco de verniz com os dentes. Sucede que eu consegui a invulgar proeza de desatarrachar e bifurcar praticamente um canino inteiro à pala dessa brincadeira.

Ontem precisava de pintar rapidamente os dedinhos dos pés e deparo-me com outro verniz hermeticamente fechado.Hesitei duas ou três vezes. Avancei.

Não dormi a noite inteira e fiquei com uma estalactite no lugar de um dente.

sábado, outubro 14, 2006

Vão fazer..se Deus quiser.

Palavra de honra (abstenham-se de comentários invejosos sff),

qualquer dia começo a cobrar visitas guiadas ao meu lar aos sábados de manhã.

Cenário: o meu pai incumbido de fazer o almoço, hoje bacalhau à brás, e a minha mãe vai ao supermercado. QuandO chega, a primeira coisa que faz é ir inspeccionar o tacho.

Ouve-se um grito.

- Onde é que está o chouriço?? - pergunta ela com os olhos sanguinários
- e lá bacalhau à brás leva chouriço?! - responde o meu pai
- pois claro que leva, eu ponho sempre!
- mas olha que história! nunca aqui se pôs chouriço no bacalhau!
- nunca se pôs? nunca se pôs mas pode-se pôr!
- e achas que vou estragar o meu bacalhau com chouriço?
- não há cá "teu" bacalhau? NO BACALHAU PÕE-SE O QUE SE QUISER OUVISTE?!
- AI É? AI PÕE-SE O QUE SE QUISER?!

Bem, foi esta última frase que me fez arrancar da cama. Conhecendo o meu pai como eu conheço, daqui só poderia sair um suave momento de distração.

Arrasto-me até à cozinha e vejo-o agarrar em 2 cachos de uvas gigantes, um frasco de compota e um patinho de loiça que costuma estar em cima da chaminé e despejar tudo dentro do tacho, agarrar numa colher de pau e calcar aquilo tudo.

Ainda ensonada, comi um pão com queijo e voltei para a cama.

Voltaram-se a falar neste momento que vos escrevo. Vão fazer bolos de gengibre.

sexta-feira, outubro 13, 2006

O degredo II

Se há coisa que eu tenho um real pavor, é de assistentes de loja que me espiolham e, gentilmente, perguntam se podem ajudar. Não sei se já aqui revelei, mas tenho o hábito diário de me ir encharcar em perfume na Sephora e na Companhia dos Perfumes. Lá sou unicamente importunada pelos seguranças que, convenha-se, enquanto homens são bastante fáceis de ludibriar. Basta fazer um sorriso de esguelha e, com a mão direita, despejo um J´Adore decote abaixo.

Ma agora vem o trauma da minha vida: a DOUGLAS!! Na verdade, a Douglas deve ter despendido quantias avultadíssimas em estratégias de asfixia psicológica, pois é a única loja em que eu entro para me perfumar e saio não só sem uma pinguinha de perfume mas com um objecto inútil e comprado licitamente.
Exemplo na última ida ao mundo da Douglas (e que eu me esfarrape aqui se voltarei mais alguma vez!):

- vou eu colada às paredes, escondendo-me por entre pilares, deslizando no chão de azulejo e soerguendo ocasionalmente a cabeça por cima das prateleiras, tentando alcançar desesperadamente o Light Blue de Dolce&Gabanna. Quando me faltava unicamente meio palmo para agarrar o dito, eis que surge um desses seres atemorizadores chamados “lojistas” que me pergunta se quero alguma coisa.

Pois há muita coisa que eu sei fazer. Inclusive mentir. Mas há qualquer coisa de fisiológico que me transfigura frente às assistentes. Eu feita ursa desorientada começo a inventar problemas como sobrancelhas desfiadas e pestanas quebradiças.

Conclusão: entrei lá à macho latino e saí de pantufas, com a porcaria de um rímel da Givenchi que me custou 22 euros mais dois reafirmantes de coxas da Clarins que me custaram 65 euros!! Um belo total de 87 euros (17 CONTOS E QUATROCENTOS!!!)

MEU DEUS EU SÓ QUERIA UM BORRIFO DE D&G!

E a ratazana da lojista com a sua bela comissão.
Comissão de boas vindas hei-de eu dar-lhe quando a apanhar na estação do Oriente e lhe der uma surra de meia-noite.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Paulo Coelho ou a arte de enlouquecer

Quando não tenho nada que fazer, estou deveras entediada e começo a roçar a insanidade, pesquiso coisas no Google (FSDTC - fonte suprema de todo o conhecimento). Nomeadamente coisas que odeio.

Última pesquisa efectuada “ rio piedra + paulo coelho”

Resposta: vários links (links? Sites? Páginas? Sítios, whatever, pessoas medonhas que GOSTAM de Paulo Coelho) que apresentavam títulos com as seguintes discrepâncias:


Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei

Sentei-me às Margens do Rio Piedra e Chorei

Sentei - me ao bordo do rio Piedra e chorei

Na beira do Rio Piedra sentei e chorei

Às margens do Rio Piedra eu sentei e chorei




Eu sei que isto em nada contribui para a vossa felicidade. Nem tão pouco para a minha, mas o que retiro daqui é que as próprias pessoas que o leram (e, pasme-se, gostaram), acabaram por, de uma maneira ou e outra, soçobrar ao evidente e literalmente ensandeceram.

(Da única vez em que eu peguei nesse livro, sentei-me na borda da toalha, bati com a cabeça nas rochas e, violentamente, solucei).

Próxima pesquisa: " Luciana Abreu ".

quarta-feira, outubro 11, 2006

Un Regalo

Toda a gente gosta de dar e receber miminhos. Umas mais que outras. Não escondo que por vezes uma boa lamparina bem aplicada me aquece o coração (dar e receber, consoante a situação)mas isso não implica que eu seja uma pessoa de maus sentimentos.

Longe disso. Por isso, e com toda o meu sobejamente conhecido altruísmo , ofereço-vos um miminho que li num blogue de uma querida leitora, acerca desta salsicha mal enchida(lolada, ok ok, salsichona robusta)que hoje aqui vos escreve:

"É que as depressões não se tratam só com fármacos tricíclicos ou heterocíclicos, inibidores das MAO ou da recaptação da Serotonina... Terapêutica não sujeita a receita médica em Salsicha não te desgraces

Muito à frente
"

fonte: http://aliensyndrome.blogspot.com/2006/02/que-as-depresses-no-se-tratam-s-com.html

ó Ana, por quem sois, é bondade sua..( salsicha enrubesce com os olhos fitos no chão)

P.S.- Curem-se vocês todos que eu já não tenho solução. Nem qualquer pingo de modéstia.

terça-feira, outubro 10, 2006

The Office

Tenho que confessar que esta semana propiciou momentos laborais gloriosos. Nomeadamente um que ocorreu hoje.

Um ligeiro bater à porta e irrompe bruscamente. Era a chefe na sala.
(Queria-nos quiçá apanhar em flagrante - Terá ela alcançado os seus intentos? - É com grande pesar que vos anuncio que sim.)

Quatro estavam em amena cavaqueira. Será assim tão vergonhoso? Sim, se três estiverem de pé a brincarem às cabeleireiras, e a fazerem tranças à menina-de-primeira-comunhão ao quarto elemento (eu). Com elásticos de prender dossiês. E garrafas de água a fingirem de amaciador e agrafadores a fazerem de máscara da Kerastase.
Tentando disfarçar, começamos todas a mexer e a remexer em papéis. Infelizmente os primeiros que me vieram parar às mãos (e que prontamente passei à minha colega) foram-me dados na estação de comboios e tinham escrito em letras garrafais “FRP – PROPOSTA REINVINDICATIVA 2007”. No mínimo, suspeito.

Outra dormia no sofá. Os vincos deste cravados na face direita não deixavam margem para dúvidas. Estava alapada há, pelo menos, 45 minutos. Ressonando, inclusive. (Esta nem tentou disfarçar.)

O último elemento safou-se melhor. Como estava a dormir em frente ao écran de costas para a porta passou por jurista expedito e dedicado. Felizmente, a chefe não reparou que ele, ansiando por mais espaço para colocar os seus cotovelos cansados, tinha colocado o teclado do computador..

EM CIMA DO MONITOR!!

A chefe olhou para todos, um a um. Ditou mais umas tarefas, atirou-me um ”que bonitas tranças" e saiu.

Agora não me venham reclamar que o dinheiro dos impostos, o meu salário blá blá e mais não sei o quê.
Quando trabalho, trabalho bem. E ninguém me paga estes sustos de levar o caixão à cova.

Ora pensem lá afinal se o vosso chefe não bate à porta?! Uma palavra: criminoso.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As probabilidades

Ontem estive a falar com um rapaz que este verão visitou a China, país de onde o seu mestre de kung fu é originário.

Esteve lá 15 dias, fartou-se de palmilhar planaltos e montanhas, esfregou-se em planícies fluviais, saltitou por entre serras e cordilheiras, apanhou com tempestades de poeira,observou com interesse as formções paleozóicas, foi a templos confucionistas, budistas e taoístas, submeteu-se à medicina tradicional e cruzou-se com milhares de chinesitos uns mais amigáveis que outros.

regressou são e salvo. Após 12 horas de viagem aterrou e sentiu-se feliz, em casa.

Sentimento esse que se fortaleceu daí a 15 minutos, já que teve a pregrina ideia de apanhar um táxi e quando chegou às escadas reparou que o taxista lhe havia dado duas moedas de 100$00 em vez de quatro moedas de €2.

Podia ter sido esquartejado, comido vivo, violado em restaurantes, atropelado naquele caos estradal ou simplesmente desaparecido na longínqua e vasta China.

Mas não, foi roubado à porta de casa em Sacavém.

Para quem anda no Kung Fu não dá propriamente uma heróica história para contar aos netos.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Telefone vs Jaguar

Hoje de manhã, a minha mãe ao telefone contando à irmã que tem um telemóvel novo:

mãe - ah sabes, comprei um telemóvel muito bom! Qual? não sei, ó DÓÓÓ (é o meu pai) que telemóvel é que eu tenho?

pai - é um nokia

e a minha mãe ia repetindo: é um nokia

pai, acrescentando: um N90

depois, já meio lançado que isto nos feriados manhã não há grande coisa com que nos divertirmos:

- turbo diesel
- binário elevado
- compressor volumétrico
- função overboost

e a ingénua da minha mãe ia papagueando as virtudes do super-nokia até que achou estranho esta última função. virou-se para trás e lá estávamos nós a rir-nos despudoradamente dela, mas com olhares compadecidos,

direi mesmo enternecidos, para com esta mulher de M grande, tão esperta para umas coisas tão burrita para outras.

Desconfio que hoje alguém dormirá na sala. e esclareço que não sou eu.

quarta-feira, outubro 04, 2006

1ª lição sexual

Não sei porquê, mas hoje lembrei-me de uma noite à muitos, muitos anos atrás.

Eu estava a ver o Fugitivo, era uma terça por volta das 21h. De repente aparece o meu irmão na sala aos saltos todo nu, com uns três anos, correndo esbaforido como quem foge pela vida. O motivo? Só poderia ser um, estava certamente a esquivar-se às mãozinhas higiéncias da minha mãe para não ter que ir tomar banho.

Sempre aos saltinhos,lá se escondeu atrás do sofá, atirou-se para cima da mesa de jantar, lançou -se sobre os cortinados até aterrar mesmo de cu em cima da minha cara.

E foi então que eu reparei: ele, rapaz e futuro homem, parecia-me que só tinha um testículo, ou como a minha mãe carinhosamente chamava "um tomatinho" (recorde-se que a criança ainda andava com o bacio atrás, não eram propriamente aquelas bolas tailandesas enormes anti-stress).

Em pânico, grito: MÃEEE, O NUNO SÓ TEM UM TOMATINHO!!

Ela, intrigada, não fosse o destino pregar-lhe alguma e ainda não ter reparado que tinha um filho mono-tomático,

abeirou-se da criança, afastou-lhe o pénes, que carinhosamente chamava "a piroquita", e suspirando aliviada, aquietou o meu desespero:

- Não Susana, ele tem dois tomatinhos, estão é dentro do mesmo saquinho (hoje em dia vulgo escroto nojento), vês como estão separados aqui por este risquinho? Um dia dará para perceber melhor, quando ele for mais crescido.

Suspirei de alívio e voltei a pregar os olhos na televisão. A criança, que para o exame minucioso havia sido dependurado por um braço qual saguim bébé na floresta tropical, voltou a aperceber-se do perigo eminente e, de rabo, piroquita e (afinal!) dois tomatinhos saltitantes lá debandou outra vez.

Foi a minha primeira e última lição sexual. Isto até ter visto um velho alucinado atrás do liceu de Queluz que perseguiu a mim, à Ana, à Paula e à Bia até ao adro da igreja, de mastro em alta com os bigodes ao vento e murmurando insanidades.

Após o susto inicial, lá olhei de soslaio e retirei as minhas ilações.
A minha mãe tem sempre razão.

terça-feira, outubro 03, 2006

D.MAIL 1

Hoje, no meio dos benefícios fiscais e regimes simplificados, aparece uma lufada de ar fresco: o maravilhoso catálogo das ideias uteis e originais da D.MAIL.PT.

Este intrigou-me:

Repulsor de ratos ultra-sónico
Código do Artigo 30687 € 24,90
IVA Incluído (eu sou assim, amiga do meu amigo e avanço sempre com os detalhes todos)

Não sei porquê, mas após ler as disposições conjugadas de repulsor + ratos + ultra-sónico, imaginei automaticamente um bando de ratazanas de dentuça afiada, fugindo espavoridamente de um buraco na despensa directamente para dentro do meu quarto, debaixo da cama ou quiçá dentro da gaveta das meias, ou seja dispersando-se salomonicamente por todas as divisões da casa, enquanto eu, aos saltos, tento salvar o cão e pôr-me a léguas de tal antro homicida.

Caramba, ao menos enquanto residiam numa morada certa e honesta como a despensa sempre estavam concentradas, quem sabe à volta de uma fogueira aquecendo as suas patinhas em noites de rigoroso inverno!
A partir do memomento em que uma alma mais inquieta se lembra de asesborrifar com repulsor, depreendo que elas agarrem nas trouxas e se vinguem semeando o pânico por um lar cristão como por exemplo o meu.

Chamem-me de antiquada ou mesmo e literalmente porcalhona: prefiro chacinar ratos com um bom veneno comprado na botica, e esperar pacientemente que eles quinem para o lado, ou mesmo esperar que apodreçam violentamente sempre que não sei do seu paradeiro. Mas ao menos sei com o que é que posso contar. Escuso de andar sempre colada às paredes, com saltos de agulha e atiçador de lareira na mão, sempre com o coração nas mãos e o vómito na garganta.

Depois desta cadeia toda de raciocínio (aguçadíssimo, refira-se), cheguei mas foi à conclusão que não moro propriamente na província e era o que mais faltava a minha linda casa com vista para a rotunda ter ratazanas colonizadas.

Bolas, tenho 2 cães e um irmáo, já me chega de bicharada.

sábado, setembro 30, 2006

umsemabrigoumamigo.planetaclix.pt

Não sou de intrigas, mas Alguém contou-me que os sem-abrigo (tugas, cheire-se a dupla adjectivação), estando em digressão no campeonato do mundo de futebol, algures na Tanzânia ou país semelhante,

fizeram birra e foram dormir na rua porque o alojamento onde ficaram, que albergou 200 e tal pessoas, só tinha 19 chuveiros.

Ilações despreendidas:

- então e só se lhes dá para o asseio naquele hemisfério em particular porquê?
- então e se um sem-abrigo quer prevaricar isso lá é greve que se faça?
- alguém, inclusive direcção, se lembrou de revezamentos banhísticos por turnos?


soturnamente, fica a pergunta no ar: alguém, efectivamente, e após a confusão instaurada tomou banho naquela semana?

repito: durante um mundial de futebol, os jogadores, homens feitos e de feromonas activas, passaram uma esponjita que fosse por aqueles corpos suados?


A Epal lá do burgo ficou a perder.
Mas o suicídio colectivo da Tanzânia Airways será certamente bem mais dramático.

sexta-feira, setembro 29, 2006

...

Já passei vergonhas brutais,
mas nada que se compare a isto:

Tendo eu marcado uma entrevista com um coordenador de um projecto de que queria fazer parte, foi-me comunicado que a mesma seria num café dentro do Saldanha Residence, já que a sede estava com obras ou coisa afim.

Lá se marcou a hora e eu, no dia combinado, apresentei-me com o meu melhor vestido acabada de sair do cabeleireiro e, modéstia à parte, completamente amorosa.

Eram 18h30 e eu já estava pontualmente sentada numa mesa do andar de baixo do dito café, esperando que o Senhor Coordenador chegasse, se dirigisse ao patamar superior, altura em que eu me dirigiria reverencialmente à sua pessoa, apresentando-me como a voluntária esperada.

Passados uns minutos aparece um homem de uns 30 anos, sobe, e eu qual meretriz de 3º classe sigo-o.

"olá, penso que está à minha espera" - adianto eu, muito pespireta e despachada.

"Não..penso que está equivocada". e olha para mim com pena. "Para a próxima combine uma flor na lapela" - esclarece ele, com um ligeiro piscar de olhos (VERÍDICO)

Ainda atordoada vou ter com a senhora do balcão e pergunto muito baixinho:

"Por acaso não sabe se já chegou o sr. coordenador da associação xx?"

"Não sei" - responde ela com sotaque brasileiro. "Como é que ele é?"

"Náo faço ideia, nunca o vi"

"JURACYYYYYYY " grita ela, para outra empregada do outro lado do café

"ESTA SENHORA VEM-SE ENCONTRA COM UM SENHOR MAS NÃO SABE QUEM ELE É, NINGUÉM PERGUNTOU POR ELA?

O café em peso com olhos postos em mim. As desvirtudes dos engates na net, pensarão eles certamente.

"O QUÊ?"

"EU DISSE QUE ESTA SENHORA VEM ENCONTRAR-SE COM UM SUJEITO MAS NÃO SABE COMO É QUE ELE É!"

continuam todos a olhar e cheios de pena, eu morta de vergonha, a desfazer-me em agradecimentos e já a fugir porta fora prestes a cortar os pulsos.
Transponho a soleira choco de frente com o coordenador, e, desfeitas as confusões, lá voltamos a entrar.

Sinceramente, penso que só faltaram as palmas. Os frequentadores do café com os olhos marejados de lágrimas, as balconistas soprando beijos e emitindo sinais de força, o pedinte com um sorriso enternecido, o cão, coxo, rodeado de mosquitos acenando num sinal de apreço.

Eu se pudesse enfiava-me num buraco nem que estivesse pejado de ratazanas de esgoto.

Próxima vez nem que a sede esteja a arder em benzina, com uma praga de louva-a-deus e snipers defronte do parapeito. Cafés, JAMAIS.

Dr. DIVAGO

Hoje só tenho duas coisas para adiantar:

1.º - nunca, mas nunca, em toda a minha curta existência, vi uma rapariga trajada de pernas bonitas. deve haver uma causa-efeito, que transcende o facto dos sapatos serem simplesmente um horror medieval, que justifique o facto daquelas pobres miúdas parecerem freak-shows do Poço da Morte. Alvíssaras por uma, mas basta-me UMA ÚNICA foto que comprove documentalmente a existência de uma par de pernas que se possam anatomicamente reputar de tal, sem ligeiros assomos de vómito expectoral.

N.B - sou entendida em photoshop


2.º - Dica da semana: sempre que estiverem na via pública, desfigurados pelo tédio e com larica pela brincadeira,

experimentem fechar a caixa dos óculos com com toda a vossa força e à velocidade da luz, mesmo por detrás de um transeunte mais desprevenido,

e esperar que:

- ou ele erga as mãos em sinal de não-resistència e se atire para o meio da calçada de pernas abertas,

- ou simplesmente olhe para trás e comece a procurar coisas no chão que eventuamente tenham caído

para completar os cenários adianto que:

na 1ª situação convém que a faixa etária atingida seja entre os 35 e os 65, já que os sub não dão parte de fracos, e os sobre já não ouvem sequer.

na 2ª situação, se o tédio for mesmo desesperante, olhem para vossa esquerda e apontem para o meio das couves dizendo "está ali".

Confirmação, sim tenho 26 anos.

domingo, setembro 24, 2006

A oferta

A minha mãe ganhou um dia destes uma viagem a Santiago de Compostela num concurso de rádio qualquer. Este ganho é bem revelador da sua persistência, já que os responsáveis só tinham 5 para oferecer e ela lá desencatou uma 6ª.

Até aqui nada de extrordinário. Para quem já viu a própria mãe a dar uma sova de meia noite num quarentão viçoso que a tentou espreitar numas cabines de duche numa pousada da juventude em S. Pedro de Moel há muitos anos atrás (eu sou assim, caracterizada por traumas, traumas e mais traumas), imaginá-la a desesperar um radialista com chantagens emocionais e choradinhos pseudo-cristãos não se me afigurou difícil.

A questão revelou-se mais complexa quando eu descubro, surpreendida, que ela ganhou nada mais nada menos que uma viagem a Santiago de Compostela de 5 dias ..a pé.

Não sei o que me aflige mais, a audácia dos produtores ou a pobreza franciscana dos ouvintes.

Muito me hei-de eu rir com este generoso passatempo. Estou doida que a minha mãe se meta a caminho e me telefone desconsolada para a ir buscar já bem perto de Santiago

do Cacém.
Há-de apanhar o autocarro para Lisboa para não se armar em esperta. é que, convenhamos, isto do "a cavalo dado.." tem mesmo que ter limites...

sábado, setembro 23, 2006

A corrente utilitarista

Acabei de ouvir no telejornal que uma maternidade não sei de onde vai ser toda desmantelada e ia hoje o material a leilão ou coisa afim.
O jornalista, abelhudo empedernido e mente torpe e distorcida atira-se sobre um eventual adquirente e atira à queima roupa:

- ah e tal anda por aqui não é..e vai comprar alguma coisa? por exemplo, acha que vale a pena licitar uma mesa de ginecologia? e o incauto visitante, transido de medo, ainda surpreendido por ao fim de 45 anos estar finalmente na televisão,

pensa um bocadinho, saliva ligeiramente, as pupilas tornam-se turvas e delas emerge um olhar transversal, a língua avermelhada suspensa que quase lhe chega ao maxilar,

e, por momentos, eu própria fiquei a pensar no que é que aquele predador sexual do jornalista e influenciável tuga estariam a magicar.

e cheguei a uma conclusão: fiquei com pena de ter chegado a meio da reportagem e não saber onde e quando se realizará o leilão.

aceitam-se respostas rápidas, mas dispensam-se mensagens privadas.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Direito de Resposta ao abrigo da Lei n.º 2/99 de 13 de Janeiro

Barracas:

Sei o que fizeste a década passada. E confirma-se que amigo traído é sempre o último a saber.

Haja Hipocrisia e Alegria

Haja Casal Garcia..(a regar tanta mentira desde 1998)

domingo, setembro 10, 2006

Os Visitantes




este quadro não é meu, e, à parte dos visitantes da República Dominicana, Guatemala e Singapura, também não me parece que mesmo que eu dissesse que era meu, a ideia vingasse. Tudo isto para dizer que a bloguista do candyanime.blogs.sapo.pt descobriu que nada mais que 7 entidades alienígenas (santo Deus, será que era o saudoso Benji?)a visitaram recentemente.

À parte de uma cambada de anormais que me espreitam (amiguinhos ecuménicos uns, completamente ateus outros,)que eu identifico à légua e que passam bem por saturnianos tão grande é a camada anelar adiposa de inveja/pretensiosismo que os cobre,

não me consta que tenha sido visitada por alien algum. Se bem que uma vez alguém assinou um comment como Vicky - a menina robot.

Vou-me debruçar sobre o assunto.

Doces 80

Com os olhos marejados de lágrimas, beijo o meu novo DVD do "Crime, disse ela" e preparo-me para me deleitar nas minhas recordações de infância.

Com mil cuidados, coloco-o no leitor, sento-me no sofá, e com o coração a palpitar preparo-me para uma hora de pura magia.

Passados 5 ou 6 minutos já estava com a cara esborrachada no chão, braços abertos no sofá e as pernas no cimo da parede, morta de tédio e mais pobre €3,99 que os chulos do planeta agostini não fazem a coisa por menos.

As cores, um pavor. Som, indistinto e a Jessica Fletcher velha que nem Matusalém. O guião era para sub-13 e atenção que o 2.º dvd já custa o dobro.

Agostinianos: parem de destruir sonhos de criança. Querendo, reponham o 70x7 que traumatizada já eu estou desde esses domingos de 1988.

E se algum dia tiverem a triste ideia de relançar “David, o Gnomo” declaro-me inimputável e cometo mais que um crime. Quem vos avisa..

Diga bom dia com Mokambo!

Nos filmes as coisas fluem sempre bem.

Comigo e na realidade, corre sempre tudo basicamente mal.

Cenário perfeito:

último andar de um prédio reconstruído em Alfama, com janelas viradas para o rio, com a mesma vista do miradouro de Santa Luzia onde, aliás, se situa o dito.

Susana acabada de acordar, com a frescura e a ligeireza dos seus vinte, sem óculos, sem lentes, só ela e a Natureza, vejo figuras difusas ao longe, os barcos a cruzarem o Tejo, o mosteiro ergue-se ao longe e deve ser bem grande porque eu, sem óculos não vejo literalmente nada.

Sinto-me a Ana dos cabelos ruivos, numa manhã solarenga em comunhão com tudo o que há de bom na vida. Espreito por entre a janelinha do quarto, e ponho uma perna de fora. Sentada no parapeito, com os braços cruzados no peito, aí fico eu uns bons minutos, pensando que não pode haver nada melhor que aquilo.

De repente oiço risos abafados. Sem óculos remeto-me praticamente à condição de invisual. Olho para trás e semi-cerro os olhos tentando perceber donde vem o riso e afinal, porque se riem. Os risos ouvem-se cada vez mais alto e um burburinho aumenta de tom.

Tacteio a mesa de cabeceira mesmo ao lado da janela, encontro os óculos e começa-se a fazer luz. As sombras que eu via ao longe, indistintas e longínquas, encontravam-se afinal a 4 metros de mim.

Eram turistas pendurados no miradouro que, vendo uma idiota como eu, de micro-cuecas e soutien, (que vergonha Meu Deus, nem sequer estavam a condizer!)logo se puseram a chamar os restantes compatriotas. Só tenho tempo de me atirar novamente para dentro do quarto mas ainda tive a delicadeza de tentar cerrar as pernas, o que, convenha-se, é bastante difícil quando estamos em plena queda livre num soalho de tijoleira e vendo a morte a passar-nos diante dos olhos.

Oiço novos risos e para ripostar fecho a janela com toda a força. Um espanta-espíritos que, sabe-se lá porquê, foi colocado fora e não dentro da casa desprende-se e cai lá em baixo. Novos risos e só em apetece metralhar aqueles turistas anormais.

Deixei de ser a Ana dos cabelos ruivos e sinto-me a Noiva do Chucky. Quais barquinhos a passear no tejo, quais águas-furtadas de poetas, bando de voyers chilenos era cairem todos do 28 e serem trucidados um por um.

freaks!

sábado, agosto 26, 2006

El Pinguino

Dica da semana:

Nunca, mas nunca, tenham a triste ideia de levar um top decotado (mas de bom gosto), uns corsários de cintura descaída e umas sandálias sexys de atilhos e de se sentarem no banco do comboio mesmo em frente a uma freira.

vão ser os 20 minutos mais agoniantes da vossa vida, em que, qual flashback ante-mortem, vos perpassam pela mente 1001 coisas que poderiam estar a fazer naquele momento mas não, estão a ser minuciosamente avaliados e esconjurados por uma freira com 70 anos e num dia de 35 graus vestida com uma serapiheira desde os tornozelos peludos ao pescoço igualmente guarnecido.

Só sei que li naquele olhar a vontade excruciante de encomendar a minha alma ao Criador com nota de rodapé:

"Senhor, perdoa-a porque ela não sabe o que faz, semelhante figura com uma mama tão descaída!


A partir de hoje abanco sempre na coxia.

Prenda final

Tive a ideia peregrina de, no meu dia de anos, ir com uma mini-saia da Pepe, gira mas esvoaçante.

No regresso a casa, saio do comboio e para minha infelicidade vem uma rabanada de vento e a dita levanta até à altura do umbigo.

Eu vou afogada em sacos, prendas e ramos de flores e não tenho mãos para a fazer baixar, pelo que não tenho alterntiva senão fingir um ar doce e envergonhado e virar-me de costas, ficando desta vez com o meu rabito virado para o revisor. Entretanto oiço umas pancadas na janela, viro-me de soslaio, e vejo o meu antigo director de turma a acenar-me num excitado olá, acompanhado do "Bocas" um antigo colega angolano que com 9 anos de idade já sabia onde era o ponto G e dava assistência a 2 ou 3 contínuas lá do ciclo.

no meio do descalabro dei graças a Deus por não levar as minhas cuecas vermelhas do Snoopy. Acho que soçobrava ao azar e electrocutava-me mesmo ali.

A bota mais mal descalçada de todos os tempos

Hoje retribuí um toque para o telemóvel de um amigo italiano que, (curiosamente!) se encontra em Itália.

Para meu desespero o anormal do meu amigo (amigos amigos negócios à parte) ATENDE o telemóvel! E eu que só tinha dado um nano-toque! (desconfio que ele está lunaticamente apaixonado por mim e dorme abraçado ao Motorolla)

após ouvir um amistoso e empolgado "CIAU SUSANA!" do outro lado,

desfiei sem querer o maior rosário de asneiras italo-ibéricas que uma tuga de gema poderia descobrir no google,


entretando do outro lado continua a ouvir-se um mui estudado e cuidadoso discurso em português com sotaque napolitano "Como estás? Eu estou muito feliz por falar contigo"

e eu ainda a terminar deste lado, espumando de raiva e com os olhos raiados de sangue :"c... f.. da p.. escusavas de atender meu grande deficente"

de repente há um silêncio incriminador.

o amigo italiano, doce como todos os membros da Camorra, repete com sotaque: "deficiente?"

eu, com uma voz ultrajada, gorgolejando de suposta infâmia: "deficiente? que me dizes?! VOU DESLIGAR!!"

Felizmente tenho a convicta ideia de que todos os italianos, apesar de estonteamente giros são particularmente burros. Esperar para ver.

Causa-efeito

Eu confessei a semana passada ter batido no fundo do poço e chegado a um dos momentos mais deprimentes da minha existência, quando me apercebi que faço parte daquela percentagem populacional que

com uma expressão alquebrada e adormecida, cabeceia nas carruagens de comboios e se aninha no companheiro de viagem, seja ele quem for.

Curiosamente, descobri que é possível descer um pouco mais,

já que ontem, em plena aula de Pilates, numa sala a abarrotar,

consegui a brilhante proeza de adormecer, numa posição amorosa é certo (fetal, sempre!), agarrada à toalha com a cabeça enfiada nos ténis, virada contra a parede.

ainda ouvi a monitora a dizer "não, tens que flectir o joelho", até que se apercebeu que eu já não a estava a ouvir fazia algum tempo e me deixou dormitar até ao término da aula.

houve alguém que me disse "tens que começar a pensar seriamente em dormir à noite"

eu digo "o Solinca tem que começar a pensar seriamente em recrutar monitores homens, com mais de 1.82 e com o curso de Economia". Talvez eu arrebite.

quarta-feira, agosto 23, 2006

trailler

Sempre que se faz anos naquele antro de perdição, vulgo local de trabalho, costuma-se comprar um bolinho e velinhas e essas coisas.

Para meu azar, 90% dos meus colegas fazem anos neste mês de Agosto, pelo que, e após um mero e repentino pensamento envolvendo chantili e coberturas de chocolate, a malta começou logo a esverdear e chegámos à conclusão que, hoje, já não haveria bolo.

do que é que nos lembrámos? dos salgados. Lá fomos nós para a zona da padaria e pastelaria, sempre atentos a grávidas histéricas e esquizofrénicos paranóides, e compramos rissóis, coxas de frango, croquetes, pastéis, empadas e chamuças.

Chegámos à sala e comemos tudo.

45 minutos depois do almoço já estávamos todos amarelo-icterícia, inundados de suores frios agarrados à barriga, sem poder ouvir a palavra "frito" e completamente sensíveis aos cheiros. Arrastámo-nos a tarde inteira, revezámo-nos na casa de banho e andámos à chapada por causa da propriedade e usufruto daquele maravilhoso sofá de pele preto, já que nenhum de nós se sustinha de pé nem sentados,

portanto cambaleámos agarrados às prateleiras com um bandulho monstruoso, tentando realizar as tarefas básicas como mudar a frequência do rádio e acertar com os casacos no bengaleiro.

entretanto ainda houve alguém que resolveu comer os ditos às metades, ratando os salgadinhos, pelo que passámos sensivelmente 2 horas e meia em acusações baratas e olhares de soslaio tentando apanhar o infractor alimentício.


Enfim, gostei muito da tarde de hoje, especialmente quando me apercebi que com a ganância dos rissóis o pessoal esqueceu-se de sussurrar a cantilena dos "parabéns" (a equipa do lado não gosta de nós nem da nossa algazarra,segundo consta)

fiquei deveras aborrecida, cheguei a casa e chorei um bocadinho,a té a minha mãe me consolar com o tal cartão de música prometido e um dinheirinho extra cheirando a consumismo.

era só isto que tinha para partilhar, obrigada e um bem haja para todos*

Go Percy it´s your birthday

Estou deveras emocionada.

1.º hoje de manhã ia apanhando um ataque cardíaco qd o meu irmão se lançou de braços estendidos e pernas abertas para cima da cama, logo às 7 da manhã, gritando "jeronimoooooooooooo" em vez do esperado "parabéns!!",

em seguida ouve-se um latir aflitivo e sai debaixo dos lençois um cão profundamente combalido, com os olhos marejados de lágrimas, ainda meio atordoado com o susto.

depois vou eu com a bisga toda saltar para cima da cama da minha mãe, que dormia angelicamente, fazer a pergunta sacramental :"MÃE, ONDE É QUE ESTÁ A MINHA PRENDA!!!!"

resposta : "pergunta ao teu pai"


eu, já meio hesitante: "pai a minha prenda"

ao que ele responde "pergunta ao teu irmão"

e eu, já com o beiço a tremelicar pois tudo o que meta o meu irmão não auspicia nada mas nada mesmo de bom,

"nuno, a minha prenda?"

silêncio

"nuno?"

silêncio seguido de uma risada incontida

"não me vais mandar perguntar à Yuppy não?"

ele ri-se e chama a cadela, e lá aparece a dita com 3 livros amarrados ao lombo, presos por um par de collants de inverno, com uma fita cor-de-rosa enlaçada no rabo.

"parabéns!" diz finalmente. "o cartão do mp3 só vem à noite"

Triste figura a desta família descompensada.

terça-feira, agosto 22, 2006

Intermitências da morte

lembram-se de um post que eu escrevi a dizer que a popularidade das pessoas media-se pelo número de festas-surpresa a que já foram sujeitas?


e lembram-se de eu dizer que não dou qualquer hipótese a semelhante evento porque 1 mês antes começo a alardear aos 4 ventos que em breve serei aniversariante e que sou alérgica a pechisbeque?

Este ano controlei-me. O mês de Julho foi calmo e é só hoje, com um incontido orgulho, que anuncio que amanhã é um grande dia para todos nós. Faço 26 anos e oficialmente estou mais perto da meia-idade do que dos anos teen.

pausa.

grande dia? eu disse grande dia? 26 ANOS?! meia-idade? menopausa? AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

sábado, agosto 19, 2006

4 vivas para mim

No dia 20 de Maio postei aqui uma foto minha com uma barriga amorosa e 9 kgs a menos (que logo um palhaço anónimo fez questão de diminuir, dizendo que só me faltava era compor o rabo)

hoje anuncio com desmesurado orgulho uma silhueta igualmente amorosa, desta feita, com menos 13 kgs do que os meus iniciais (Gustavo, só me faltam mais 7!)

Para a posterioridade: (e reparem no meu à vontade perante a câmara)(e sim, que narcisista é a Su!)

quinta-feira, agosto 17, 2006

Educação recomenda-se

Eu e uma colega no Continente, na zona da padaria, sem senha mas completamente sozinhas,

de repente, vem espavorida aos coices, do fundo do corredor dos detergentes, uma grávida histérica

grávida histérica, a partir de agora denominada G.H. - ahhhhh eu estou grávida e quero ser atendida primeiro!!

susana e mónica, vulgo SM - sim, mas a prioridade é só nas caixas e não aqui. mas se estiver com muita pressa cedemos o lugar..

G.H.- tenho prioridade sim, e onde estão as vossas senhas hein?

S.M- nós não temos, mas sabe perfeitamente que estamos aqui primeiro. se quiser, por gentileza, cedemos a nossa vez..

G.H.- puff, não quero a vossa vez, já vi que estão muito excitadinhas..

Mónica, bem alto - oiça, excitadinha esteve você uma noite, senão estava nesse lindo estado..

e fugimos a rir, enquando a grávida histérica proferia vigorosos insultos e ameaçava chamar a polícia.

depois fiquei triste porque não comi a bola de berlim.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Qual limbo qual purgatório!




legenda: conspurcação explícita do Mr. Klent sob o olhar atento e deveras guloso de um sub-3 (falta o Krypto, o supercão, mas no Jumbo não se vende snif)

estação Oriente

Hoje cheguei a um ponto bem triste da minha existência

infelizmente descobri, por mero acaso, que eu cabeceio nos comboios, mas cabecear a sério, com a língua pendente e testa contra a janela. Ocasionalmente acordo, lá recolho a baba e peço desculpa ao vizinho do lado, que entretanto já está com as duas pernas praticamente barricadas na coxia. Outros há mais simpáticos, que me acariciam o queixo enquanto sussuram canções de embalar.

ou seja, eu descobri que me tornei numa daquelas pessoas das quais eu sempre ri em miúda.Meu Deus, o que me reservarás para o amanhã??

Usar cintas?

EU NÃO QUERO CRESCER!!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Mimos laborais

Este post é DEDICADO
a todos aqueles que dizem que o meu trabalho de FP é só estar deitada no sofá preto de cabedal, com os livros repousados no cima da testa e a ressonar ligeiramente, com os olhos semi-cerrados ansiando desesperadamente pelo toque dass 17h30:

recebi esta simpática missiva de um cidadão mais desanimado, eis alguns trechos (Deus queira que não seja processada, caso o seja, este post teve como único intento o gáudio da bloguista e seus eventuais leitores, e não qualquer ataque pessoal e deprimente ao seu autor, pessoa mui digna e, apesar de esquizofrénica, de profunda gentileza e fino trato):

(contexto: pedido de esclarecimentos de um senhor de meia idade à minha amorosa pessoa, esclarecimentos esses que prestei da forma mais prudente e eficaz:)

carta do senhor de meia-idade: " V. Exa porventura, não está ai para responder às questões que lhe faço? Então HÁ UM DE NÓS QUE NÃO ESTÁ A VER BEM A SITUAÇÃO!! E desde já lhe vou deixar uma dica de quem poderá ser: V. Exa!! Com o devido respeito.

V. Exa neste momento não faz parte de nenhuma solução muito menos de qualquer esclarecimento. V. Exa É O PROBLEMA E A FORÇA QUE BLOQUEIA O ESCLARECIMENTO!"


Bolas, sou isso tudo? Porque continuo solteira então?

sexta-feira, agosto 11, 2006

Medo 2

Hoje assolou-me nova dúvida:

é sabido que o SuperMaxi comemora este ano o seu 30.º aniversário, mas o que continua por esclarecer é a a questão de qual o calendário que rege esse animal.

gregoriano, canídeo? qualquer cenário é assustador, porque eu tenho dois cães e o vet disse que nenhum vai durar mais que 16 anos, imagine-se que estamos a falar do calendârio ocidental, que atribuirá ao Maxi qq coisa como 145 anos.

Ah, está esclarecida a questão do Super. Mea culpa.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Pesadelo na Trafaria

ontem fui à costa. consegui estacionar eram 6h da tarde.
saí de lá às 21h e mesmo assim apanhei 1 hora de trânsito.


eu cá não sou de intrigas, mas tenho a firme convicção de que o mundo está perdido.

Praga

O Dinis adora corrigir-me os erros DACTILOGRÁFICOS. Sim, porque os ortográficos são praticamente nulos e, a existirem, derivam de uma perturbação momentânea imediatamente anulada.
Mas o que eu queria mesmo dizer, é que graças ao menino Dinis fiquei 1 semana doente a fungar vertiginosamente por causa do briol que apanhei na Cril, e passei uma vergonha inerrável no comboio porque precisava de me assoar e não tinha lenços à mão, dado que a única coisa que tinha era um homem de meia-idade a olhar fixamente para mim enquanto secreções nasais teimavam em ver a luz do dia.

Moral:

se queres passear com o Dinis
vou-te dar um bom conselho
limpa muito bem o teu nariz
para não andares cheia de ranho

ele adora corrigir
é mau e não olha a meios
isto não é a fingir
quero que te cresçam seios (bonitos, bem sulcados)

Eu e o elder

Estive a pensar cuidadosamente e cheguei à conclusão de que o homem ideal é, sem margem para dúvidas, mormon.

O mormon tem indeléveis qualidades que me fazem desejar contrair matrimónio com um espécimen assim.

São muito limpos e asseados, sempre com os peúgos passajados, a camisa branca imaculada e calças impecavelmente engomadas.

São quase sempre loiros de olhos verdes, os morenos, quando os há, são sempre bem compostos e de tronco largo, uma mixagem entre italianos (do sul) e austro-húngaros.

andam sempre aos pares denotando grande capacidade de interacção e níveis de sociabilidade médio-alto, sorrisos doces e dentaduras branquinhas.

E, acima de tudo, nunca, mas NUNCA olham para as gajas.

Fiéis ao ponto extremo, orgulho de qualquer mãe, sonho de qualquer sogra, prece de qualquer rapariga.
Tenho a impressão que se a Belluci se saracoteasse à frente deles, pluma espetada no rabo e socas com pompons cor-de-rosinha, desencadeariam apenas uma reacção fisiológica de contornar o obstáculo e seguir em frente, olhos fitos no horizonte, sacola naqueles ombros másculos e ala que se faz tarde, há que divulgar a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Até agora ainda não encontrei qualquer tipo de inconveniente nestas pessoas, aliás, o único problema é mesmo esse, nunca encontrei nenhum porque, e volto a sublinhar, eles fogem das miúdas como eu do trabalho.

Qualquer dia prego uma sapa num, à laia do "ai desculpe foi sem querer" e tento tirar nabos da púcara.

Esperam-se cenas escaldantes dos próximos capítulos.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Lip balsam

estou profundamente aborrecida.

um dia destes dei € o,75 por um suposto bálsamo para os lábios numa loja de chineses.

Hoje descobri, após gargalhada colectiva de colegas de trabalho (deveras insensíveis, para não dizer grandes bardajonas),

que aquilo era uma espécie de spray da vicky para curar broncopneunomias, desentupidor de expectoração e que se cheirava a cinco quarteirões de distância. Mas como eu por acaso até estou doente (e tanto jeito me teria dado isto no concerto da Maria João!), andei com aquela vergonha a brilhar nas beiças,

completamente inocente e espantada com a a reacção do mundo em geral, que fugia de mim a sete pés no comboio quando eu ainda ia a subir as escadas rolantes, e se amontoava no centro comercial a um canto encolhido, quando eu me encontrava ainda no piso de baixo.

Tirei 2 conclusões:

1.º os c... não legenderam aquela merda, vou processá-los. Tem uns quantos hieroglifos em chinês e a Susana que passe vergonhas não é?

2.º tenho que dar a mão à palmatória e reconhecer que as papas de milhaço já eram, próxima pneunomia vou a voar comprar aquela trampa.

e depois enclausurar-me num lugar ermo sem vivalma nas redondezas. é que depois das gargalhadas efusivas, as minhas colegas lançaram-me olhares enojados.

Gajas..

segunda-feira, julho 31, 2006

o verdadeiro momento zen no tai chi

Vou tentar sintetizar ao máximo:


eu
estágio internacional de Budo (artes marciais)
muitas pessoas, mas muitas mesmo
jantar japonês
sushi
ligeiro ardor no estômago
concerto privado de Maria João e Mário Laginha
numa sala à luz das velas
com o público todo sentado no chão
Susana está na frente
começa a sentir-se mal
com tosse e vómitos à mistura
tenta conter-se
olha para trás, vê uma multidão disforme atrás de si, pelo que se quiser passar terá que saltitar por cima de 250 cabeças
a tosse aflige-a cada vez mais
já não está a aguentar
a Maria João continua com os seus trinados insofismáveis
está paciente e mortalmente esperando que Mª termine a cantiga para fugir e ir vomitar-se
ela nunca mais termina
começa a rezar com o beiço ja a tremer
a tosse já lhe faz chegar as lágrimas aos olhos
a Susana pensa que nunca esteve numa situação tão difícil
começa a suar em bica e com princípios de desmaio
finalmente a música pára
num ápice só se vê uma silhueta recortada à luz das velas (esguia, muito esguia) a rasar cabeças, cruzando corpos, toalhas, em direcção à porta
a Susana demora sensivelmente 15 segundos a conseguir sair da sala
está descalça (porque o Mestre assim o impôs a toda a gente)
dirige-se freneticamente à casa de banho
antes de entrar lembra-se que não tem chinelos
caga bem no assunto e entra descalça, a patinhar em águas suspeitas
vomita-se toda

e pensa: "consegui"

sexta-feira, julho 28, 2006

Viva a Intranet

Caríssimos,

é com a voz embargada pela comoção que anuncio que escrevo estas linhas no pc do meu trabalho.

Não, não se amedrontem, o dinheiro dos vossos impostos continuará a ser bem empregue no salário desta vossa criada, já que a internet só está disponível sob o regime fascita das chamadas "happy hours", que de felizes não têm nada, pois só me fazem lembrar quão longe está o meu computador maravilha, sem restrições nem horas mundanas.

O certo é que a internet só estará disponível das 17h30 da tarde às 9 da manhã, e na hora de almoço, das 12h30 às 14h.

Aplicação prática deste presente envenenado:

atendendo ao facto inequívoco de que eu chego sempre às 9h30, saio sempre às 12h25 disparada para o ginásio (ou, aos dias 20, para a desgraça consumista), e à tarde saio 5 minutos mais cedo para apanhar o comboio,


É NULA! APLICAÇÃO NULA! BANDO DE CRIMINOSOS!


p.s. - só estou aqui agora porque me enchi de línguas de veado de manhã e não me consegui arrastar para o almoço.

quarta-feira, julho 26, 2006

Ops, enganei-me

Estava um dia destes com um amigo, quando reparo inocentemente numa carrada, minto, numa alarvidade de abdominais que aquele homem tem incrustados no seu corpo.

"Ehhhhhhhhhhhhhhhhh LECAS!! Andamos a ir muitas vezes ao Holmes Place não?" comento eu com os olhos a brilhar

"Pois..não, eu quando era pequeno fazia competição de natação. O meu treinador puxou demasiado por mim e eu fiquei com um problema grave chamado hipertrofia abdominal. Basicamente os meus abdominais cresceram e não ficaram a caber na cavidade torácica..vou ter que ficar assim para sempre". lamuriou-se, com o olhar marejado de lagrimas e o beiço a tremer de desgosto.


Quando olhei novamente já não me pareciam abdominais. Pareciam-me pistachios com olhos.

Impressionante, o poder da informação faz mesmo milagres.

Fugi a sete pés.

sexta-feira, julho 21, 2006

Desafio:

Um dia, numa repartição de Finanças em 1999, apercebi-me que as pessoas que estavam na fila para o imposto sobre sucessões estavam todas vestidas de preto.

Fiquei emocionada com a própria argúcia e poder de observação.

Pouco tempo depois saio da Repartição, atravesso a estrada sem olhar e apanhei com um carro daqueles que não precisa de carta de condução, vulgo "porra-velhos", que acertou numa perna que me ficou a latejar durante 2 semanas.


Alguém consegue perceber a moral deste história? (sim, tem uma)
Não, não se dão alvíssaras.