sexta-feira, outubro 28, 2005

Indemnização por danos emergentes - Olá

Lembrei-me ontem de uma coisa estúpida (para juntar às outras 88 que aqui estão - é verdade, já tenho 89 post! - que blog frenético!)

Quando tinha 7 anos parti uma perna.

Já é triste ter-se gesso (todo riscado e com assinaturas de nomes próprios em letra de imprensa, porque alguns amigos ainda não andavam na 1ª classe e fora a avó que os ensinara a rasbicar)

Agora é infinitivamente triste o motivo pelo qual a parti.

Eu ia para o trabalho da minha mãe que, à altura, era no Hospital do Desterro.
Como eu ia a chorar muito, porque aquilo eram só velhos com algálias e leprosos sem dedos, a minha mãe comprou-me um gelado, mais concretamente, um Epá.

Então eu, que já na altura tinha distúrbios alimentares, (apesar de só pesar 27 kgs) e vibrava com comida, dediquei toda a minha atenção a degustar aquele gelado. Aliás, atenção é um eufemismo..eu praticamente me enfiei dentro do copo e alambazei-me todana plenitude dos meus 5 sentidos.

Entretanto, no Metro do Socorro, estação que já não existe, e já salpicada de gelado nos cotovelos, orelhas, (cabelo nem se fala), enfim, deliciada com o meu Epá, desço umas escadas e, a meio delas, dou um tralho inacreditável e vou parar quase aos carris.

Entretanto a minha mãe lança-se cá de cima sobre as intermináveis escadas a berrar "ÉS SEMPRE A MESMA COISA!!!!" e, finalmente, levanta-me.

Ponto da situação:

- Perna Partida

- Gelado Epá na linha do Metro

Chorei tanto, mas tanto tanto, porque queria o gelado, que não me apercebi, aliás, nem eu nem ninguém, que tinha uma perna fracturada.
A minha mãe lá me enfiou outro copo na boca e eu, a coxear rua fora, ia caladinha e só se ouviu um arroto no fim da deliciosa refeição. (ao fim e ao cabo sempre comi um gelado e meio).

Ao fim da tarde, tarde essa muito deprimente, sentada numa sala com uma janela de vidro em que se via os anciãos a fazerem xixi para dentro de uma arrastadeira, reparei que tinha o tornozelo, sem exagero, do tamanho de uma bola de ténis.

Lá fui para S. José, levei com o famigerado gesso, e o meu pai foi-me lá buscar, agarrou em mim às costas como se fosse um saco de batatas e, a rir-se, perguntou se eu queria alguma coisa.

Um gelado, pensam vocês?

Não, aproveitei para pedir a Barbie-Noiva.

Rendeu..não tenham pena, rendeu.