sábado, setembro 10, 2005

A cicatriz

Faço uma advertência aos pais inconscientes que, querendo brincar com os filhos induzem-nos em erro e fazem-nos passar vergonhas imerecidas.

O meu pai quando era pequeno levou um coice de um burro no meio dos olhos.

Ficou com uma pequena cicatriz, a qual, obviamente, me suscitou interesse quando tive idade para reparar nela. Ele, em vez de ser franco e dizer-me a verdade, preferiu dizer-me que era um ferimento da tropa e que tinha levado com um míssil na cabeça.

Eu na altura não o questionei sobre o que seria tal coisa, e em má hora o fiz, porque um dia, em pleno jantar com a família do meu pai, pessoas com as quais sempre me mostrei muito reservada, vi a minha oportunidade de ouro para falar e, consequentemente, brilhar:

cunhada do meu pai - olha lá, como é que arranjaste essa cicatriz aí na testa?

estúpida da Susana, antecipando-se ao pai, com os olhos a brilhar sôfregamente, regojizando-se por ser a 1ª a explicar: - isso foi um míssil que lhe acertou!

Os talheres que tilintavam na mesa deixaram-se de ouvir. Os presentes, com a cara enterrada na sopa ergueram os olhos, fitando-me com um misto de admiração/incredulidade.

cunhada do meu pai: - ó Domingos, a tua filha fala pouco, mas quando fala, diz das boas!

E riram-se todos muito, eu agarrei nos 2 coelhinhos da minha avó e fui chorar para a capoeira da criação.

Pais: Não tentem isto em casa.

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