segunda-feira, julho 11, 2005

E a Leonor Poeiras afinal até estava de férias!

Hoje apercebi-me que sou um ser humano muito deprimente.

Sim, já havia procedido a essa descoberta mais cedo, mas realmente esta manhã uma sucessão de acontecimentos levaram-me a constatar esse facto mais do quem em qualquer outro dia. Senão, vejamos:

De manhã abri as pálpebras e logo aí há problemas: estavam coladas aos globos oculares porque me esqueci de tirar as lentes de contacto.
Estendi a mão para alcançar o comando, nada como a voz doce da Leonor Poeiras no Diário da Manhã da TVI para acordar bem-disposta. Claro que o comando caiu para o chão quando o agarrei. Claro que ele já não tem a tampinha de trás e as pilhas caíram, rebolando para debaixo da cama. Inclinei-me e, antes de perder o equilíbrio, ainda tive tempo de lançar uns valentes impropérios.

Já recomposta, fui comer à cozinha. Vi lá uma grande mancha de chichi da Yupi, mas fingi que não a tinha visto para não a limpar, e lá cheguei ao frigorífico. Quando o abri logo se me assomaram as memórias do dia anterior, grande churrascada cheia de sobremesas de chocolate e leite condensado.
Lutei interiormente, (só um pouquinho), entre os cereais da Kellog´s (plano de dieta 15 dias) e o semi-frio de baunillha da Toia. Conclusão: ganhou a Kellog´s, mas antes não tivesse ganho porque vim a remoer a sobremesa o caminho inteiro e no escritório só a via à minha frente. Se ao menos a tivesse comido o sentimento de auto-flagelação só teria durando uns minutos, assim agonizei quase 9 horas até, finalmente, chegara casa e a comer.


Como tenho que beber muita água ando sempre na casa de banho, e hoje, com a minha sorte saloia, estava sentadinha a olhar para o sabugo das unhas quando entra o Chefe e com um ar guloso, pede imensa desculpa mas continua no mesmo sítio. E eu, inclinada, com as cuecas roxas da Dim quase no chão a olhar para ele como quem não está, definitivamente, a acreditar na situação, não me lembro de lhe fechar a porta. Quando ele finalmente o faz, já se passaram uns bons 4 segundos e eu já estou semi-desfalecida de vergonha.

Como levei os saltos altos, e para variar, os meus pés gritavam por misericórdia, descalcei os sapatos e entretive-me a esfregar os pés no soalho flutuante. Melhor, tive uma ideia peregrina e fui buscar a minha garrafa de água de litro e meio à cozinha e pu-la debaixo dos pés, rodando-a para que me massajasse os deditos. Já conheço os passos do Patrão pelo que me deixei estar sossegadinha no meu canto, e quando ele chegasse logo me calçava.

E de repente, claro que a tampa da garrafa se desenrosca! Claro que um litro e meio de água foge por esse chão fora molhando os Diários da República estrategicamente dispostos no chão. E eu fico a patinhar naquela poça, a tentar salvar os Dr e a tentar fazer pouco barulho, e a amaldiçoar a vida. Mas o pior estava para vir.

Já não bastava uma hérnia discal, já não bastava a contusão do cóxcis, já não bastava a queda no sábado à porta do Olivais Shoping (ninguém viu, graças a Deus. só o namorado e um amigo, que, ajudaram? Não, riram-se.) e consequentes dores pós-traumáticas. Claro que escorreguei naquele soalho estúpido, e toda a gente veio ver (farei assim tanto barulho numa queda??) E, quando abriram a porta, estava a parva da Susana no chão, com a saia à banda, descalça, o chão patinhado de água, os Diários da República molhados e uma garrafa no meio do chão. "Tenho um refluxo urinário..." - disse eu, pois naquela altura a minha condição médica pareceu-me perfeitamente plausível para explicar aquele vendaval.

Por isso é que eu acho que às vezes sou muito estúpida. O QUE É UMA COISA TEM A VER COM A OUTRA?? Eles ajudaram-me a levantar e foram-se embora.

A culpa foi dos dedos dos pés. "Ai, queremos massagens.., somos tão maricas". Bhaccc..

12 comentários:

Ry disse...

Epá, brilhante! Bravo! :D

Ry
http://antiantibenfica.blogspot.com

Bruno disse...

Sabes ... o terrível desta augustiante vivência perto das tuas aventuras é que consegues sempre ser tão surpreendente e colocar a fasquia do brilhantismo tão elevada, que qualquer humanoide se sente incapaz de competir ...

Como sabes, amo-te perdidamente. Amo-te como se ama um livro memorável, como se ama um disco inesquecível ou uma viagem irrepetível. Amo-te perdidamente. Como se amam estas coisas.

Um beijo. O beijo.

paula disse...

Oi, Su

Adoooooreiiiii o teu blog! É a tua cara, para quem te conhece como eu, torna-se ainda + hilariante ler e imaginar as tuas histórias!
Continua, miga.

Beijocas, Paula

Anónimo disse...

Su Alex....
aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh....!! Não posso mais.... não consigo parar de rir!!! Realmente, se não existisses, terias de ser inventada!!

Zélia

Anónimo disse...

Best regards from NY! » »

Anónimo disse...

Best regards from NY! » »

Anónimo disse...

Mediocre???? Ohhh Santa ingenuidade!

Anónimo disse...

Queremos Boas caminhadas, queRemos camInhAdas!N!

Anónimo disse...

Palavras para quê? Tudo e tudo e tudo e tudo e mais tudo e ainda muito mais tudo!

Anónimo disse...

Os vizinhos avizinham?

Anónimo disse...

Já chega. Sou um boca de trapo do cara e alho!

redonda disse...

"Ontem" estive a ler todos os posts até às 5 da manhã (se não fosse hoje Domingo, eu é que ter-me-ía desgraçado para hoje conseguir trabalhar :) e vim declarar-me fã e seguidora enquanto estiver pela blogosfera!