quinta-feira, julho 28, 2005

As insondáveis maravilhas da indústria vidraceira

O difícil é mesmo saber por onde começar...
A colónia de férias Projecto Crescer, iniciada no dia 25, teve hoje, definitivamente o seu apogeu.

(Apesar de ser impossível esquecer que a famigerada colónia começou às 9h00 da manhã de segunda-feira, mas às 9h15 já tinhamos a Rena Orlanda a cuspir os mais valentos impropérios à "túspida" da mulher da Junta; que na 3ª feira o atrasado mental do motorista da Mafrense demorou uma hora e meia a dar com o ponto de encontro, sem nunca se lembrar de comunicar com alguém, apesar de ter demorado 4 nano-segundos a ir choramingar à senhora da Câmara, queixando-se de que nós o tinhamos mandado embora e já haviamos chamado outra transportadora. Não, andamos a comer gelados com a testa querem ver?!
E sem esquecer também que na 4ª feira, quando os desgraçados dos miúdos finalmente sairam a horas, sem percalços com autocarros, chegaram à praia de Carcavelos, vulgo Praia do Cagalhão, a bandeira estava vermelha e passado uma hora começou a chover violentamente, pelo que lá voltaram para casa com um ar muito deprimido)

Bem, adiante, o porquê do apogeu do dia de hoje. Passo a explicar:

De manhã fomos para a praia das Maçãs. Os miúdos começaram a lamber as beiças quando avistaram a piscina ao lado dessa praia. Claro que explicámos que não iriamos para aí, mas sim para a praia. Bandeira: Vermelha.
Felizmente tinham uns jogos todos catitas, cujo ponto alto foi o jogo dos Matraquilhos Humanos(onde, a dada altura, o guarda-redes era um miúdo hiper-enérgico, a coisa mais querida do mundo mas sem uma pernita. Tirada a prótese lá tentou defender, mas convenha-se, é realmente complicado estar agarrado ao varão com as duas mãos e chutar com a única perna que se tem).
Como o tema da colónia deste ano são as Fábulas de la Fontaine, cada grupo tinha um nome de um animal.
Quando me dei conta ecoava pela praia:

"NINGÉM PÁRA OS GALINHAS
NINGUÉM PÁRA OS GALINHAS
NINGUÉM PARA OS GALINHAS OLÉ Ô!!!"
Não soa bem pois não? Na praia das Maçãs ainda pior.

Bem, mas a parte engraçada ocorreu de tarde. Destino: FÁBRICA DE VIDROS SOTRANCO.

40 miúdos esgotados, 10 animadores a arrastarem-se agarrando-se às paredes, reuniram-se numa sala com o chefe de secção de produto daquela nobre fábrica. Iniciou-se então uma maravilhosa palestra de 45 minutos sobre o Vidro.
Realmente só quem lá esteve é que conseguiu ver a magia nos olhos do Sr. Candeias quando se gabava que esta era a única fábrica que fazia os frascos de antibióticos das farmácias. Sim, aqueles castanhos. Falou disso com palavras eloquentes, mas com o tom mais monocórdico, saloio, grave, sussurante, arrastado, penoso, que se possa imaginar. Por isso reparem na estranheza da situação: O Candeias fala dos frascos como quem fala de uma filha que, com bolsa de mérito, foi convidada para Sillicon Valley para trabalhar no sector emergente da economia digital. Mas fá-lo com um tom de voz como quem apanhou o seu filho de 14 anos no sofá com..

... o seu melhor amigo (homossexualidade latente)

que é o Tareco (bestialidade).

por isso reparem, o tom era realmente muito sofrido.

Eu olho em volta. Vejo 35 cabeças debruçadas, com os narizes esborrachados no tampo da mesa. Uns tiravam macacos do nariz, outros contavam as lêndeas, o Sílvio e o Ricardo traqueavam o chourição das sandes forte e feio, só parando quando o cheiro era realmente tortuoso e eu apliquei uma lambada no boné do que me estava mais perto.
Ouve-se ressonar baixinho. Era a Jo, que havia soçobrado ao desespero. O Mestre jogava no telemóvel, bocejando ruidosamente, enquanto os miúdos, regra geral mais espertos e mais discretos , colocavam os seus óculos de sol e bonés de pala grande, para fecharem as pálpebras sem grandes remorsos.

A Rena Orlanda também primou pela discrição, aproveitando-se do facto de ter ao colo uma criança de 3 anos para fingir que precisava de o pôr de pé em cima dos seus joelhos, para lhe cheirar as fraldas, embora na verdade aproveitasse esses 8 segundos para descansar um poucochinho.
A Zélia Maria olhava em volta procurando companheiros de infortúnio, pelo que eu, solidariamente, esbocei uns discretos gestos de tiros na cabeça à queima-roupa e encenei cortes sanguinários em ambos os pulsos. Inacreditavelmente o resto dos animadores pareciam verdadeiramente interessados! Ou então fui eu, que quando me apercebi que ele ia começar a dissertar sobre a ecologia, ambiente e a política dos 3 R´s comecei a ver tudo desfocado.

De seguida, como prémio de bom comportamento, os mais velhos puderam ir ver a fábrica do vidro em verdadeira acção! O que implica observar as máquinas de inspecção, as máquinas de embalar, de rotular, entre outras! UAUUU!( Claro que o forno de 1200.º não nos foi permitido ver...Mais uma vez, os interesses das crianças e jovens colidem frontalmente com os interesses e valores dos adultos.)

Da fábrica só me resultou um sentimento: nunca mais poderei olhar para uma embalagem de vidro da Compal (feitos na Sotranco!!! Assim como os antibióticos de Portugal!!! WEEEE) sem me gregoriar automaticamente. Por uma lado perdeu-se a magia própria das embalagens de vidro (quem as faria? de onde viriam? qual o calendário por que se regeriam? Gregoriano, luni-solar ou israelita?)
Por outro lado esta tarde só será esquecida com muita terapia, pois eu andei na escola sensivelmente 17 anos e não me recordo de uma visita de estudo tão lúgubre e depressiva. Bem, não me posso esquecer daquela vez em que fui à fábrica da Coca-Cola em Palmela, em que nos obrigaram a gramar com todos os comerciais desde 1939, incluindo os reclames mudos, mas no final lá nos deram uns pentes fininhos, daqueles para tirar os piolhos, a dizer "Sempre Coca-Cola"
Não sei se as crianças alguma vez nos perdoarão. Talvez sim, porque no final desta visita deram a cada uma uma garrafinha pequenina, tipo martini, que elas fizeram questão de partir no Vidrão, com grande estardalhaço e risotas. Mas só o fizeram já em Belas, porque apesar de maldosas elas não quiseram ferir susceptibilidades...

O senhor inocentemente sugeriu uma próxima visita. Pusémo-nos todos a andar a uma velocidade vertiginosa. Não gostamos de criar falsas expectativas...

Próxima vez...só se for para apresentar a conta do hipnoterapeuta.

Violento. No minimo.

6 comentários:

Anónimo disse...

Olá Susana.
Estou a tentar mandar-t uma mail para o hotmail mas é sempre devolvido. Qual é o correcto?

parabens pelo blog sra dra

Márcia

Susana disse...

susi.nunes@hotmail.com

bj!

Anónimo disse...

DRA???????? FONIX

Anónimo disse...

OBRIGADO SUSANA DO FUNDO DO CORAÇÃO. ÉS UMA AMIGA, MAS UMA SENHORA AMIGA. HOJE FOI REALMENTE O DIA DO ABRE OLHOS.

RICARDO.

Anónimo disse...

ESQUECI-ME : ESTOU REALMENTE BASTANTE COMOVIDO COM A TUA ATITUDE. DE HOJE EM DIANTE VOU RECUPERAR A MINHA QUE ANDAVA PERDIDA. OBRIGADO, OBRIGADO, OBRIGADO, OBRIGADO.

RICARDO.

Anónimo disse...

olá su! estava a ler o teu blog, vim aqui parar por engano mas reparei que és amiga da Zélia. Novidade das novidades...acho que ela tem namorado. é um do grupo de jovens...toca viola com ela! Grande novidade não é? bem continua o bom trabalhito!

"expresso"