quinta-feira, julho 28, 2005

As insondáveis maravilhas da indústria vidraceira

O difícil é mesmo saber por onde começar...
A colónia de férias Projecto Crescer, iniciada no dia 25, teve hoje, definitivamente o seu apogeu.

(Apesar de ser impossível esquecer que a famigerada colónia começou às 9h00 da manhã de segunda-feira, mas às 9h15 já tinhamos a Rena Orlanda a cuspir os mais valentos impropérios à "túspida" da mulher da Junta; que na 3ª feira o atrasado mental do motorista da Mafrense demorou uma hora e meia a dar com o ponto de encontro, sem nunca se lembrar de comunicar com alguém, apesar de ter demorado 4 nano-segundos a ir choramingar à senhora da Câmara, queixando-se de que nós o tinhamos mandado embora e já haviamos chamado outra transportadora. Não, andamos a comer gelados com a testa querem ver?!
E sem esquecer também que na 4ª feira, quando os desgraçados dos miúdos finalmente sairam a horas, sem percalços com autocarros, chegaram à praia de Carcavelos, vulgo Praia do Cagalhão, a bandeira estava vermelha e passado uma hora começou a chover violentamente, pelo que lá voltaram para casa com um ar muito deprimido)

Bem, adiante, o porquê do apogeu do dia de hoje. Passo a explicar:

De manhã fomos para a praia das Maçãs. Os miúdos começaram a lamber as beiças quando avistaram a piscina ao lado dessa praia. Claro que explicámos que não iriamos para aí, mas sim para a praia. Bandeira: Vermelha.
Felizmente tinham uns jogos todos catitas, cujo ponto alto foi o jogo dos Matraquilhos Humanos(onde, a dada altura, o guarda-redes era um miúdo hiper-enérgico, a coisa mais querida do mundo mas sem uma pernita. Tirada a prótese lá tentou defender, mas convenha-se, é realmente complicado estar agarrado ao varão com as duas mãos e chutar com a única perna que se tem).
Como o tema da colónia deste ano são as Fábulas de la Fontaine, cada grupo tinha um nome de um animal.
Quando me dei conta ecoava pela praia:

"NINGÉM PÁRA OS GALINHAS
NINGUÉM PÁRA OS GALINHAS
NINGUÉM PARA OS GALINHAS OLÉ Ô!!!"
Não soa bem pois não? Na praia das Maçãs ainda pior.

Bem, mas a parte engraçada ocorreu de tarde. Destino: FÁBRICA DE VIDROS SOTRANCO.

40 miúdos esgotados, 10 animadores a arrastarem-se agarrando-se às paredes, reuniram-se numa sala com o chefe de secção de produto daquela nobre fábrica. Iniciou-se então uma maravilhosa palestra de 45 minutos sobre o Vidro.
Realmente só quem lá esteve é que conseguiu ver a magia nos olhos do Sr. Candeias quando se gabava que esta era a única fábrica que fazia os frascos de antibióticos das farmácias. Sim, aqueles castanhos. Falou disso com palavras eloquentes, mas com o tom mais monocórdico, saloio, grave, sussurante, arrastado, penoso, que se possa imaginar. Por isso reparem na estranheza da situação: O Candeias fala dos frascos como quem fala de uma filha que, com bolsa de mérito, foi convidada para Sillicon Valley para trabalhar no sector emergente da economia digital. Mas fá-lo com um tom de voz como quem apanhou o seu filho de 14 anos no sofá com..

... o seu melhor amigo (homossexualidade latente)

que é o Tareco (bestialidade).

por isso reparem, o tom era realmente muito sofrido.

Eu olho em volta. Vejo 35 cabeças debruçadas, com os narizes esborrachados no tampo da mesa. Uns tiravam macacos do nariz, outros contavam as lêndeas, o Sílvio e o Ricardo traqueavam o chourição das sandes forte e feio, só parando quando o cheiro era realmente tortuoso e eu apliquei uma lambada no boné do que me estava mais perto.
Ouve-se ressonar baixinho. Era a Jo, que havia soçobrado ao desespero. O Mestre jogava no telemóvel, bocejando ruidosamente, enquanto os miúdos, regra geral mais espertos e mais discretos , colocavam os seus óculos de sol e bonés de pala grande, para fecharem as pálpebras sem grandes remorsos.

A Rena Orlanda também primou pela discrição, aproveitando-se do facto de ter ao colo uma criança de 3 anos para fingir que precisava de o pôr de pé em cima dos seus joelhos, para lhe cheirar as fraldas, embora na verdade aproveitasse esses 8 segundos para descansar um poucochinho.
A Zélia Maria olhava em volta procurando companheiros de infortúnio, pelo que eu, solidariamente, esbocei uns discretos gestos de tiros na cabeça à queima-roupa e encenei cortes sanguinários em ambos os pulsos. Inacreditavelmente o resto dos animadores pareciam verdadeiramente interessados! Ou então fui eu, que quando me apercebi que ele ia começar a dissertar sobre a ecologia, ambiente e a política dos 3 R´s comecei a ver tudo desfocado.

De seguida, como prémio de bom comportamento, os mais velhos puderam ir ver a fábrica do vidro em verdadeira acção! O que implica observar as máquinas de inspecção, as máquinas de embalar, de rotular, entre outras! UAUUU!( Claro que o forno de 1200.º não nos foi permitido ver...Mais uma vez, os interesses das crianças e jovens colidem frontalmente com os interesses e valores dos adultos.)

Da fábrica só me resultou um sentimento: nunca mais poderei olhar para uma embalagem de vidro da Compal (feitos na Sotranco!!! Assim como os antibióticos de Portugal!!! WEEEE) sem me gregoriar automaticamente. Por uma lado perdeu-se a magia própria das embalagens de vidro (quem as faria? de onde viriam? qual o calendário por que se regeriam? Gregoriano, luni-solar ou israelita?)
Por outro lado esta tarde só será esquecida com muita terapia, pois eu andei na escola sensivelmente 17 anos e não me recordo de uma visita de estudo tão lúgubre e depressiva. Bem, não me posso esquecer daquela vez em que fui à fábrica da Coca-Cola em Palmela, em que nos obrigaram a gramar com todos os comerciais desde 1939, incluindo os reclames mudos, mas no final lá nos deram uns pentes fininhos, daqueles para tirar os piolhos, a dizer "Sempre Coca-Cola"
Não sei se as crianças alguma vez nos perdoarão. Talvez sim, porque no final desta visita deram a cada uma uma garrafinha pequenina, tipo martini, que elas fizeram questão de partir no Vidrão, com grande estardalhaço e risotas. Mas só o fizeram já em Belas, porque apesar de maldosas elas não quiseram ferir susceptibilidades...

O senhor inocentemente sugeriu uma próxima visita. Pusémo-nos todos a andar a uma velocidade vertiginosa. Não gostamos de criar falsas expectativas...

Próxima vez...só se for para apresentar a conta do hipnoterapeuta.

Violento. No minimo.

segunda-feira, julho 25, 2005

Triste, muito triste mesmo

A colónia de férias do Projecto Crescer começou hoje, segunda-feira. Os percalços do dia..bem, remeterei para outro post. Porque a verdadeira desgraça não aconteceu neste dia 25, mas sim na sexta feira passada, dia esse que recordarei com desespero enquanto tiver discernimento para saber o quão mau foi o que aconteceu.
Curiosos? Bem, a maior parte das pessoas que estarão a ler isto já o saberão, porque a minha boca rota não se compadece do meu orgulho ferido. Confesso, a minha língua transcende-me.
Fomos eu, a Zélia, e a Sónia Neves, vulgo rena Orlanda.
Nesse dia dirigimo-nos nessa furgoneta-maravilha que dá pelo nome de carrinha da Paróquia. Destino: LIDL de Massamá.
Objectivo: Comprar 300 fatias de queijo, 300 fatias de chouriço, 300 fatias de fiambre, 600 pacotinhos de sumo, 17 litros de leite, 9 garrafões de água.
Poderão as coisas piorar?
Sim. Claramente, sim.

Depois de momentos deprimentos dentro dessa coisa que dá pelo nome de LIDL (em abono da verdade, há qur dar o benefício da dúvida aos bolos mármore, tidos como bastante razoáveis)
eu e as duas gajas, sufocadas por um carrinho cheio até à altura dos nossos olhos, decidimo-nos a pagar.

Evidentemente que eu, por um lado, não tenho responsabilidade suficiente para deter o cartão de crédito pciano, nem, por outro lado, habilidade suficiente para colocar as compras nos sacos, por isso fiquei a coçar as minhas feridas enquanto olhava curiosamente para as compras das pessoas que, desesperadamente, estavam atrás de nós.

Recordo-me perfeitamente. Atrás de mim estava uma senhora. Notoriamente a personificação de Satanás na Terra que, para disfarçar a coisa (mas pensaria ela que nós somos estúpidos??) , segurava dois rolos de papel higiénico numa mão e três latas de atum na outra.

Passados uns minutos lá me consciencializei que deveria ajudar as duas desgraçadas nas compras.
Então, num laivo de generosidade que eu própria haveria de pagar BEM CARO, coloquei uma palete de leite naquela coisa que anda sozinha até à caixa, deve ter um nome mas agora não me recordo, fico sempre assim quando as lágrimas me assomam aos olhos e impede-me de pensar. Bem, deve ser tapete rolante, ou coisa do género.

Um nano-segundo após ter carregado com a palete sinto um ligeiro aperto no braço. Viro-me. A tal senhora, essa criatura diabólica disfarçada de doméstica ressabiada olha-me com preocupação.

"A menina não devia fazer esforços" - arrota ela

(Hein??)

" A menina está de bebé não está?"

E o meu mundo, tal como eu o conheço hoje, desaba.

A sónia Rena diz que me viu a olhar psicopaticamente para a senhora.
Eu não me recordo.
Só sei que os meus olhos ficaram raiados e os meus instintos sanguinários tentaram despontar. Controlei-me. Faria senti-la mal, muito mal. Não a espanquei. Apenas coloquei a mão sobre o ventre, ajustando o meu top largo. Encolhi-me ao meu mais alto esforço. As órbitas tentaram sair, a respiração, suspensa, saia de pantufas pelas orelhas. Mas ganhei.
A senhora arrependeu-se instantaneamente.

"Ai desculpe!! Não está!, Parecia, por causa da t-shirt"

Lancei-lhe o meu ar de mais profundo desprezo. Fi-la notar que eu tinha compras para 3 meses num bunker da Argélia, enquanto ela segurava pateticamente 3 latas de atum (classe baixa) e 2 rolos de papel higiénico. CAGONA, pensei eu.

Saí o mais digamente possível do LIDL. Eu sei que é um contra-senso, mas, ainda assim, possível. A Zélia Maria e a Rena, alheias a esta desgraça, cacarejavam alegremente em direcção à carrinha das obras. Sentei-me ao volante e ainda pensei em atropelar acidentalmente uma certa Senhora com muitas Fezes, vulgo Cagona, que circulava pertubadoramente por detrás do meu veículo. Mas deixei-a ir em paz.
Porque eu tenho 25 anos e ela devia ter uns 55. Porque eu ainda posso ter muitos e bons filhos e ela já entrou na menopausa.
Estou demasiado chateada para retirar uma ilação, Façam-no vocês. Mas, posso sugerir algo: TOPS, DA P... DA ZARA, f.. nem dados!!

terça-feira, julho 19, 2005

Atenção..pode ferir susceptibilidades


Reconstituição da situação óculos/Lago do Palácio de Queluz.

Bianca - A Verdade da Mentira em Imagem Digital (ler post anterior)


Bianca escuta, gulosamente (observem o torso ligeiramente enviesado como quem se prepara para copular, e os olhos brilhando de antecipação) , uma sirene num altifalante, que reproduz fielmente a sirene dos Bombeiros Voluntários de Belas.

Se alguém os conhecer...

Só uma nota de rodapé para aproveitar este tempo e antena simpático que é um blogue:
eu quando era adolescente apaixonava-me com muita facilidade. Hoje, me confesso, já que nunca tive oportunidade de o declarar atempadamente:

AMEI DE PAIXÃO o Michael Stipe, o Peter Sampras, o Joe dos New Kids On The Block, o que fazia de filho do Mitch nas Marés Vivas, O Príncipe alienígena que tinha um cão chamado Benji, o namorado da Sophie Marceau (arghhhhhh, como a detesto) no filme "Le Boum", o Padrinho do Duarte & Companhia (ok, confesso que tinha comido uns cogumelos estranhos nesse verão), o Rogério Samora e o Richard da "Lagoa Azul".

ok. Confesso que a Monica Belluci nunca me foi indiferente. Mas num patamar puramente platónico.

Muito mais aliviada. Obrigada por me ouvirem.

Gordos são os Trapos (cuecas-tigresa)

Na minha família só há pessoas de peso. E, concomitantemente, são os maiores negadores de que há memória, mas com uma negação profunda, sintomática e, em última análise, triste. Todos, menos eu.
Senão, vejamos:

o meu pai, com 95 kg, quando confrontado com o seu peso defende-se dizendo que é diabético. Esquece-se que, por o ser, já emagreceu uns quilitos pois cortou violentamente nos doces e em tudo o que seja calórico. Nós lembramo-lo de que até perdeu 20 kg desde que anda a ser medicado, ele repete "eu sou diabético" e vai a praguejar cozinha fora, pontapeando o cão.

A minha mãe tem a desculpa clássica. Do cimo do seu 1.55 e 60 kg, de dedo em riste e os olhos a faiscarem relembra a quem a quiser ouvir que "já tive dois filhos, e meu Deus, se me custou a tê-los, até para nascerem foram preguiçosos" acrescentando ainda, como se isso interessasse ao tema em apreço "não lavam um chão, não passam uma roupa, não dobram umas cuecas, só querem é andar na vadiagem" ou o clássico " com a idade deles já estava casada, com 2 filhos e um esquilo de meia-idade, era uma miséria não haviam fraldas descartáveis tinhamos que usar sacos de plástico amarrados ao rabo" - ( isto inventei agora, mas não me parece improvável que tenha acontecido). Tudo isto para justificar os seus quilinhos.
O que é que eu e o meu irmão temos a ver com isso? Não ficámos lá permanentemente a assombrar o útero dela pois não? E mesmo que eu o tivesse feito, só pesava 2 kgs e 100 quando nasci, era pouco mais pesada que uma bolota, como é que ela justifica os restante 20?

A negação do meu irmão, ao invés, assusta-me. Com os 90 kgs, bamboleia-se sedutoramente em cuecas padrão-tigresas (ok, minto, não são tigresa, mas a visão é tão horripilante que vai dar quase ao mesmo) e, de peito inchado, e à boca podre diz que não é gordo, tem é músculo e que há gente muito mais gorda que ele. Ainda hoje de manhã me disse isso. Claro que tive que retorquir "Sim, há obesos mórbidos que fazem operações de banda gástricas em macas especificamente utilizadas em baleias" (vi eu na TV Cabo). "Não te equiparo a eles, mas bolas, ao menos admite que tens excesso de peso, já nem peço que utilizes a palavra "gordo" ".
Ele admite? Não, usa da sua força supostamente muscular mas que basicamente são 90 kgs de gordura saturada e arremessa-me com objectos cortantes. O que me salva é que não tem agilidade e enquanto ainda se ouvem os elásticos das cuecas a estalar e ele paquidermicamente se tenta equilibrar, já estou eu trancada na sala a abrir as portadas e pronta para fugir para a via pública. Felizmente ele a meio do corredor desiste e, a arfar, volta a sentar-se frente ao portátil.

Quanto a mim...HÁ BOAS RAZÕES PARA PESAR UM POUCOCHICHO!!! E são razões válidas, plausíveis, atendíveis e comoventes.

O meu rabo pesa CHUMBO. O chumbo, enquanto elemento metálico com elevado peso molecular, pesa. É o preço a pagar por um rabito mais composto. Se aceito? I DO.
As maminhas, por seu lado, também pesam e têm uma explicação muito lógica:
Se o peso de um corpo (neste caso glândulas mamárias) pode ser definido como sendo a força gravitacional resultante exercida sobre ele por todos os outros corpos do Universo... (mentira? não!)

só posso concluir que o peso delas resulta da pressão dos corpos de quem me submeto diariamente, na linha Azul Amadora Oeste- Baixa Chiado, corpos esses pertencentes a predadores sexuais que vão propositadamente para o metro para se roçarem em pessoas normais como eu e que, ainda para mais, vejo a minha força gravitacional aumentada pelo que peso mais 3 ou 4 kgs devidos a essas pressões de feramona deprimentes.
Confusos? Eu também. Mas não se discute com o Tio Newton certo?

Conclusão: Quando eu for viver para Mangualde, emagreço. Enquanto viver na metrópole sujeito-me (eu e toda a população feminina com 2 pernas, sim, porque os braços são despiciendos) às condicionantes do Outro.

Quanto ao resto do agregado familiar..tss tss.. não se mancam mesmo ;)

quinta-feira, julho 14, 2005

Faça você mesmo!

Tenho que confessar que faço uma coisa muito estúpida mas que dá um tremendo resultado.
Conversa entre mim e a minha mãe antes dos meus pais irem ao hipermercado:

Susana (com os olhos marejados de lágrimas) - "Mãe, gostavas que eu fosse um dia para o trabalho e fosse trucidada por um comboio e morresse na linha e ficasse sem pernas e sem braços e nunca mais me visses?"

Mãe (horrorizada) - "Ai Susana que conversas, Meu Deus, está calada!"

Susana (a fazer tremer o beiço inferior por cima do superior) - "Mãe, gostavas que eu fosse nadar para o rio e depois ficasse com uma cãibra e muito aflita, começasse a engolir água e a não conseguir respirar, a sofrer muito com a cara roxa, língua inchada e morresse sem ar?"

Mãe (profundamente chocada, a segurar-se à porta do frigorífico) - "Ó Susana por favor, cala-te, não digas essas coisas, que horror!"

Susana (com ar de cachorrinho ): "Então ficas feliz de saberes que continuo viva e que só tens que simplesmente comprar 2 Carte d´Or de chocolate e pedaços de avelã, mais 2 iogurtes com pintarolas? "

Mãe (ainda combalida, a recompor-se das visões mórbidas que foi obrigada a imaginar): Sim..dá-me um copo de água com açúcar por favor.

O engraçado é que funciona em TODAS as visitas mensais ao Carrefour.
O amor de mãe é, realmente, algo digno de tese.

quarta-feira, julho 13, 2005

SÓ PARA GENTE PACIENTE:

Ainda hoje me comovo quando recordo esta história. Passada no Palácio de Queluz, fez-me compreender o quão esperteza-saloia eu sou, e com grande sentido de dignidade.
Aliás, nada que eu não soubesse desde os meus 4 anos, num dia em que, infelizmente, bati com o vulgo "pipi" num baloiço de aço inoxidável (se não era, pareceu-me).
Em vez de desmaiar ou chorar compulsivamente durante 3 dias, limitei-me a deitar um olhar circundante, tentando saber se alguém tinha visto. Como tinha uns poucos de amigos por perto, engoli em seco e saí do parque com o meu porte mais altivo (hum..não muito altivo, ainda ia com restos de pomada no rabito por estar assada), enfim, saí com o meu porte mais digno e fui para casa.
Aí desfiz-me em lágrimas e obriguei a minha avó a ir-me comprar línguas da sogra para me acalmar. Nunca quis dar parte de fraca e daí a história do Palácio de Queluz, anos mais tarde e com os mesmos contornos, que se segue:
Há 10 anos atrás os meus dates eram nos jardins do Palácio de Queluz. Eu sei, parece triste, mas na altura fazia todo o sentido e só se pagava 50 escudos, com a benesse de andarmos todos tapados por folhagens, pelo que chegavama estar 20 casais naquele antro de perdição e que nunca se chegavam a encontrar. Antro de perdição como quem diz, eramos uns parolos de 14 anos cuja maior emoção era dar um beijo com língua.
Bem, a 1ª vez que fui passear para o Palácio foi com um rapaz de quem gostava muito. Estava extasiada por ele ser delegado de turma, e só hoje consigo perceber o quão limitados eram os meus horizontes. Parámos a conversar ao pé de um dos bonitos lagos que lá existiam. Devo recordar, para quem me conhece, ou anunciar, para quem não sabe, que sou completamente míope.
E não é uma miopiazinha ligeira, fofinha com uma certa graça. Não, é miopia mesmo à homem. E nunca quis usar os óculos porque andava sempre em idades complicadas e era muito triste ser 4 olhos naquela altura. Claro que a minha mãe nunca foi nas minhas chantagens emocionais e não me comprava lentes de contacto, 40 contos/ano.
Por isso que remédio tinha eu senão esconder os óculos nos bolsos das calças, só os tirando ocasionalmente para ler os nºs do autocarro e certificar-me que a cancela do comboio estava levantada.
Como os óculos estavam sempre dentro dos bolsos a sua esperança média de vida rondava os 5 meses.
Duas vezes por ano ia à multiópticas, com um ar resignado, explicar pela milionésima vez que me tinha sentado em cima deles e que a culpa não era totalmente minha porque a armação também não devia ser grande coisa (claro que falava sempre de frente para o balcão e recuava também sempre de frente para eles não toparem o meu rabo gigantesco, vulgo cu de prateleira, capaz de chacinar qualquer abre-latas que se me metesse entre as nalgas, quanto mais uma armação de massa).
Tudo isto para explicar que nesse dia, nos jardins, coloquei os óculos em cima do rebordo do lago. Veio uma rabanada de vento e atirou-os para dentro da água mais verdungenta que se possa imaginar.
E, agora, passo a explicar a delicadeza da situação:

Os óculos tinham, juro pela minha saúde, não mais que 5 dias. A minha mãe tinha-me ameaçado de severas punições corporais caso estragasse aqueles óculos antes do fim do ano. Civil, não lectivo(estávamos no princípio de Junho).

Eram Giorgio Armani.

Estávamos nas vésperas das provas globais e eu não via um cu sem os óculos. Nem distinguir um lápis de uma caneta quanto mais escrever numa folha de ponto.

Era o meu 1º date com ele.

Quando os óculos esvoaçaram para dentro do lago fiz logo o flashback da minha vida. Ia certamente morrer às mãos da minha mãe. Se delas sobrevivesse o meu pai não deixaria de meter a colherada, e, naquela altura, o meu irmão hiper-activo também não. Enfim, o fim estava próximo.

Pensam que eu chorei? Pensam que eu esbocei o mais leve gemido, onomatopeia, esgar?

Fiz o meu ar mais natural e complacente do mundo. Ele quis-se logo atirar para dentro do lago.
"Por amor de Deus, não é preciso.." "São só uns óculos, não há problema", disse eu enquanto pensava que não tinha tido tempo para me despedir dos amigos. E ele insistia :"Eu vou lá buscá-los" e eu "Não, achas que sim...vamos mas é comer um gelado" And so on and so on.
O date acabou por volta da hora de almoço, razoavelmente bem, tendo em atenção as circunstâncias.

Ele deixou-me em casa, acenei-lhe um adeus sedutor e soprei-lhe um beijo por entre os dedos, na janela. Mal ficou fora do meu campo de visão, calcei os meus ténis da Avia, o meu soutien reforçado e desatei a correr disparada para o Palácio, mesmo sabendo que era hora de almoço e estava tudo encerrado. Cá fora, com tudo fechado, gritei pelo segurança. Quando ele apareceu pedi para falar com o mais alto dignatário encarregue daquilo tudo. Ele levou-me à Directora e eu, assim sim, dei parte de fraca e chorei muito. Ela só dizia que não podia fazer nada, e eu, literalmente agarrada ao casaco dela e a sujá-lo e ranho, pedidndo clemência "POR FAVOR, FAÇA ALGUMA COISA!!!"

Depois de duas horas de insistência, em que lhe fiz ver que as mãos delas ficariamn irremediavelmente, por omissão de auxílio, manchadas de sangue, ela cedeu.
E disse (isto é VERÍDICO) :" Bem, há 150 (CENTO E CINQUENTA) ANOS que o lago não é limpo, era suposto durar mais 50 anos, mas enfim, limpa-se já".
Passados dois dias voltei. Tinham drenado e limpo o lago. No meio de cadáveres decompostos de diversos animais, ancinhos, chapéus de sol, ceroulas e impressoras, encontraram a minha caixa dos óculos. A caixa, em si, estava inutilizável. Com ferrugem e limos, mas os óculos...Hum, nunca me pareceram tão bonitos.

Partiram-se 5 ou 6 meses mais tarde, não me recordo.

Moral da História: Só dês parte de fraco a quem pode fazer alguma coisa por ti. Nomeadamente Directoras, Seguranças, Polícias, Homem que dá as fichas dos carrinhos de choque. Tudo o resto..é é só uma forma de te desgraçares e passares vergonha, desnecessariamente.
Quanto ao rapaz, é, hoje em dia, o meu marido e pai dos meus filhos. Hehe, não, nunca mais o vi, morava em cascos, numa aldeola perto de Mafra. Naquela idade, sem carro, era o mesmo que morar numa Região Autónoma nas Honduras. Mas daria um final de história bonito hã ;)

terça-feira, julho 12, 2005

MENTIR NÃO É, definitivamente, INATO

Ontem a minha vizinha bateu com o carro do trabalho. Chegou a casa a tremer, com os olhos marejados de lágrimas, com dores de cabeça insuportáveis e um sentimento de culpa afltivo.
Local do embate: um muro, a seguir a uma curva.
Motivo: Sentiu-se pressionada com o carro que vinha atrás.
Continua a ser um mistério insofismável como é que alguém se sentre pressionada por um carro ao ponto de se espetar na primeira curva que lhe aparece. Mas isso não é o que me intriga.
É que a vizinha teve que fazer um relatório a discriminar a situação. Eu...., função..., (não, não posso dizer onde ela trabalha senão queimo-a), fiz isto...porque... e aqui é que fiquei sinceramente admirada com a capacidade de não-mentir e, mais, total inocência e parolice da minha vizinha. Ela escreveu, literalmente, "senti-me pressionada pelo carro que circulava atrás, pelo ao fazer a curva embati num muro".
E eu e a família dela ficámos incrédulos com o relatório mais auto-ofensivo de toda a história da Humanidade!! Alice!! ACORDA PARA A VIDA!!!
O que realmente aconteceu foi um coelho que se atravessou numa estrada, atrás de uma coelha que tinha uma cenoura espetada no traseiro e os lábios sedutoramente pintados de vermelho. Para não os asssassinares a sangue-frio (como, meu Deus, eram um casal recém-casado!!!) não tiveste alternativa senão o embate.
Ou então, como sugeriu simplesmente o meu vizinho, estava um cigano a andar de triciclo ao virarares a curva (foi em Camarate, perfeitamente credível)...
TUDO, menos o que insististe em relatar.
Ela lá reescreveu o relatório. Não quis os coelhos nem o cigano. A muito custo, com a caneta a tremer lá fez um falso testemunho e meteu um cão ao barulho. Ai Alice Alice, mentir é feio, mas sentires-te pressionada por um carro, bateres num muro e ainda por cima admitires isso por escrito ao Chefe de Departamento..é coisa de gente alucinada. Tremendamente alucinada.

segunda-feira, julho 11, 2005

Bianca: A verdade da mentira.

A minha Bianca é, sem dúvida, um animal muito especial e não deve ser a única. Devia vir nos anais quadrúpedes como fazendo parte da raça "Cães Inacreditavelmente Dementes Meu Deus (pecado mortal, não invocar o Santo Nome de Deus em vão - ops, já pequei outra vez)Como é Possível Haver Cães Tão Estúpidos Neste Mundo?" Isto porque:
Não há um único dia desde que ela nasceu (3 anos e meio) em que a sirene dos Bombeiros Voluntários de Belas, essa magnífica corporação de utilidade pública e cheia de sorte porque o Ferrari que foi oferecido aos assinantes da TV Cabo, há 3 anos atrás, foi parar ao motorista, o Sr. hum..nao sei, também não vale a pena inventar, como estava a dizer, não há um único dia em que essa sirene apite, ao meio dia, e aquela loba da alsácia, sem uma perna, mas por favor, isso não é suposto influenciar um cérebro, uive aflitivamente na mesma onda megahertz que a sirene. é completamente assustador.
Ou seja, todos os dias, ao meio dia, a minha cadela perneta, (mas linda), torna-se uma verdadeira atrasada e uiva durante um minuto, em resposta à sirene. E eu fico envergonhada porque é o único cão nas redondezas que faz tamanha parolice.
Já tentei pôr-me na pele dela e tentar perceber o que será que ela pensa que aquilo é. Mesmo que ela ache que é um cão cobridor que a quer possuir e todos os dias lhe manda uma mensagem româmtica e ela fica aflita porque não pode ir para a rua, bolas, será que ela ainda não teve tempo para perceber que aquele apito NÃO É PARA ELA!! ELA ESCUSA DE RESPONDER!!!
Deve ser triste ser-se cão. Triste ter uma patinha assim aleijada. Mas deve ser infinitivamente triste descobrir que o seu príncipe encantado é uma sirene comprada na Rádio Popular de Sintra, a € 55,89. Eu não lhe contarei. Delatora? Jamais.

o 5º elemento

Estou com a galga toda para dar o endereço do meu novo blog a toda a gente que eu conheço. Mas infelizmente ainda só tenho 4 post e ainda por cima escritos no mesmo dia, no mesmo período do dia: de tarde. Sem falar que estão um pouco básicos, mas juro que estava mesmo emocionada e queria ter um blog ainda hoje. Não pensem que este post é só para encher. Por favor, por quem me tomam? Então...hum..já foram alguma vez ao..hum.. canil de Mafra? Bem giro, com cores pastéis suaves, mas com a vedação toda em vermelho. Bem pensado. é pena é o contentor gigante que há cá em baixo cheio de cães mortos. Mas a vida é assim. Um ciclo de ganhos e perdas.
5 posts. (hihihi)

A quem realizou o filme Amyville, por estrear em Portugal:

És simplesmente ridículo(a). Metes dó e eu tenho muita pena de ti. Até o projecto da minha área-escola, de 94/95, uma curta-metragem sobre o tema pouco explorado de "Estou no 10.º ano e vou-me meter na droga e os meus amigos tentam impedir-me mas eu torno-me infelizmente, num carocho, e depois lá me salvo, muito a custo com o poder precioso da amizade" se revelou melhor do que esse filme básico.
Bolas, estou mesmo indignada.

Mistérios da fé

Reparem como tenho 3 posts colocados que distam, entre si, uns míseros 20 minutos. Como a minha mãe diz, só me dá para o mal. Porque não empreguei estes minutos a fazer alguma coisa de verdadeiramente útil? Não sei.

Apelo: À desconhecida homossexual que estava no El Corte Inglés

Minha Cara,

Naquela tarde, em que eu estava a estudar no El Corte Inglés, a seguir ao almoço, na zona da restauração, e durante a qual me deitaste olhares de desejo, com laivos de admiração e salpicados de romance, os quais, manifestamente, fingi não ver; deixaste-me a pensar: o que viste em mim?
Para além do meu evidente charme a manusear com destreza o Código da Estrada, claro. E do decote revelador de um colo imaculado. E do meu sorriso terno e complacente. E das minhas mãos esguias e unhas simetricamente perfeitas. Enfim. O apelo que eu quero lançar é tão somente este: Lembra-te das minhas qualidades pertubadoras, redige-las num português irrepreensível e certifica-as no notário (há aqui um na Duque de Loulé). Depois manda-me o documento para eu dar ao Gonçalo e a todos os meus amigos. como prenda de anos. Obrigada.

Só para diminuídos mentais:

Para quem acha que a estrelinha que está no canto superior esquerdo é o símbolo do bloco de esquerda, aqui está uma elucidação: Mourons..Não é.

E a Leonor Poeiras afinal até estava de férias!

Hoje apercebi-me que sou um ser humano muito deprimente.

Sim, já havia procedido a essa descoberta mais cedo, mas realmente esta manhã uma sucessão de acontecimentos levaram-me a constatar esse facto mais do quem em qualquer outro dia. Senão, vejamos:

De manhã abri as pálpebras e logo aí há problemas: estavam coladas aos globos oculares porque me esqueci de tirar as lentes de contacto.
Estendi a mão para alcançar o comando, nada como a voz doce da Leonor Poeiras no Diário da Manhã da TVI para acordar bem-disposta. Claro que o comando caiu para o chão quando o agarrei. Claro que ele já não tem a tampinha de trás e as pilhas caíram, rebolando para debaixo da cama. Inclinei-me e, antes de perder o equilíbrio, ainda tive tempo de lançar uns valentes impropérios.

Já recomposta, fui comer à cozinha. Vi lá uma grande mancha de chichi da Yupi, mas fingi que não a tinha visto para não a limpar, e lá cheguei ao frigorífico. Quando o abri logo se me assomaram as memórias do dia anterior, grande churrascada cheia de sobremesas de chocolate e leite condensado.
Lutei interiormente, (só um pouquinho), entre os cereais da Kellog´s (plano de dieta 15 dias) e o semi-frio de baunillha da Toia. Conclusão: ganhou a Kellog´s, mas antes não tivesse ganho porque vim a remoer a sobremesa o caminho inteiro e no escritório só a via à minha frente. Se ao menos a tivesse comido o sentimento de auto-flagelação só teria durando uns minutos, assim agonizei quase 9 horas até, finalmente, chegara casa e a comer.


Como tenho que beber muita água ando sempre na casa de banho, e hoje, com a minha sorte saloia, estava sentadinha a olhar para o sabugo das unhas quando entra o Chefe e com um ar guloso, pede imensa desculpa mas continua no mesmo sítio. E eu, inclinada, com as cuecas roxas da Dim quase no chão a olhar para ele como quem não está, definitivamente, a acreditar na situação, não me lembro de lhe fechar a porta. Quando ele finalmente o faz, já se passaram uns bons 4 segundos e eu já estou semi-desfalecida de vergonha.

Como levei os saltos altos, e para variar, os meus pés gritavam por misericórdia, descalcei os sapatos e entretive-me a esfregar os pés no soalho flutuante. Melhor, tive uma ideia peregrina e fui buscar a minha garrafa de água de litro e meio à cozinha e pu-la debaixo dos pés, rodando-a para que me massajasse os deditos. Já conheço os passos do Patrão pelo que me deixei estar sossegadinha no meu canto, e quando ele chegasse logo me calçava.

E de repente, claro que a tampa da garrafa se desenrosca! Claro que um litro e meio de água foge por esse chão fora molhando os Diários da República estrategicamente dispostos no chão. E eu fico a patinhar naquela poça, a tentar salvar os Dr e a tentar fazer pouco barulho, e a amaldiçoar a vida. Mas o pior estava para vir.

Já não bastava uma hérnia discal, já não bastava a contusão do cóxcis, já não bastava a queda no sábado à porta do Olivais Shoping (ninguém viu, graças a Deus. só o namorado e um amigo, que, ajudaram? Não, riram-se.) e consequentes dores pós-traumáticas. Claro que escorreguei naquele soalho estúpido, e toda a gente veio ver (farei assim tanto barulho numa queda??) E, quando abriram a porta, estava a parva da Susana no chão, com a saia à banda, descalça, o chão patinhado de água, os Diários da República molhados e uma garrafa no meio do chão. "Tenho um refluxo urinário..." - disse eu, pois naquela altura a minha condição médica pareceu-me perfeitamente plausível para explicar aquele vendaval.

Por isso é que eu acho que às vezes sou muito estúpida. O QUE É UMA COISA TEM A VER COM A OUTRA?? Eles ajudaram-me a levantar e foram-se embora.

A culpa foi dos dedos dos pés. "Ai, queremos massagens.., somos tão maricas". Bhaccc..